Estudo de caso nicola rocha

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Estudo de caso nicola rocha

  1. 1. 1Un. Instituto Caivs Ivlivs Caesar – UNICICCurso de Pós-Graduação Latu Senso: Especialização em PsicopedagogiaClinica e InstitucionalESTUDO DE CASO – NICOLAS ROCHAAutores: Carmen Prigol Cimi, Devania Arruda dasilva, Genésio zambenedetti, Naide Zambenedetti,Solange ZarthResumoO presente trabalho tem como objetivo observar a interação entre o alunosurdo e seus colegas, entre ele e seus professores, explicitando como essainteração interfere na qualidade da aprendizagem do mesmo. A pesquisaobjetiva, ainda, analisar a situação real do surdo que estuda no colégioestadual de Nova Guarita e sugerir estratégias, que auxiliem em sua trajetóriaescolar, e que influenciarão na vida dele, enquanto cidadão. A pesquisa équalitativa, do tipo estudo de caso, realizada com um aluno surdo, do EnsinoFundamenta, da Escola Pública Estadual do município de Nova Guarita. Oreferido aluno foi observado na instituição escolar, inserido no ambiente da salade aula, na sala de recursos multifuncional nos momentos de aulas lúdicas erecreações. Observando como está o desempenho de sua aprendizagem, ainteração com os colegas, professores e demais funcionários da escola, tendoem vista tendo em vista a importância inclusão Os dados foram coletadosatravés de observações e perguntas dirigidas a família e as professoras quetrabalham com esse aluno, bem como através de testes ou provasoperacionais. Sendo o aluno surdo chamado “Nicolas Rocha”, o sujeitoprincipal dessa pesquisa.Palavras - chave: surdos, aprendizagem, inclusão.ESTUDO DE CASO.Para preservar a identidade do aluno o denominei de “Nicolas Rocha”.
  2. 2. 2Psicopedagoga Clínica e Institucional: Carmen Prigol Cimi, Devania Arruda dasilva, Genésio zambenedetti, Naide Zambenedetti, Solange Zarth.1 – APRESENTAÇÃO DO PROBLEMA:O referido aluno apresenta deficiência auditiva, provavelmente originada após onascimento. Ele tem nove anos e estuda na escola estadual monteiro lobato domunicípio de nova guarita estado de mato grosso. Conforme a professora daescola regular em que esse aluno frequenta, ele possui uma boa coordenaçãomotora, reconhece algumas letras e números, associa números a pequenasquantidades. Porém a dificuldade maior está em fazer com que esse aluno seinteresse pelas atividades de escrita e leitura e também em permanecer nasala de aula durante a realização dessas atividades.A queixa trazida pela professora é que em sala de aula esse aluno apresentaagitação permanente, deslocando-se constantemente e muitas vezes saindodesse ambiente sem pedir licença, visto que se interessa pouco pelasatividades escritas e cálculos que requerem caderno e lápis.Depois de inúmeras tentativas com diferentes propostas de atividade aprofessora percebeu que ele compreende melhor as atividades de linguagemem contexto de jogos, manifesta grande interesse por jogos e apresentafacilidade na compreensão das regras exigindo o cumprimento delas por partedos colegas companheiros de jogos.Escreve seu nome em língua portuguesa e também alguns nomes de desenhoou figuras que ele gosta ou talvez seja mais utilizado por ele no dia-a-dia.Seu relacionamento com colegas e professores é bom, faz amizades comfacilidade.2 – ESCLARECIMENTO DO PROBLEMA:
  3. 3. 3Para estudar o caso “Nicolas Rocha” foi necessário identificar diversosaspectos relacionados ao seu desenvolvimento e aprendizagem que poderãoou não explicar a natureza do problema. Por isso foi realizado o seguintequestionário direcionado a professora da sala de aula regular:Quais as potencialidades de “Nicolas Rocha” para a aprendizagem e para ainteração com os colegas?P: Percebe-se que ele tem grande potencialidade para compreender regras dejogos, filmes e desenho animado.Ele interage bem com os colegasQual a provável causa de sua surdez?P: De acordo com a Anamnese realizada com a mãe, a provável causa dasurdez foi o surgimento de uma otite aos oito meses de idade.Em que situações em sala de aula ele demonstra maior interesse e resolve asatividades?P: Ele demonstra interesse apenas em situações de jogos e assistir filmes naTV, porém é preciso diversificar as atividades, não se pode ficar às quatrohoras de aula somente com atividades de jogos ou vendo filmes.2.1 – Encontro Com Os Pais:No diálogo com os pais foi possível observar que ele tem um bomrelacionamento.A comunicação utilizada entre o menino e seus pais é através de gestos emímicas, pareceu-me que se compreendem bem. Quanto ao uso das Libras(Linguagem Brasileira de Sinal) oi pais comentaram que têm poucas noções eo menino também. Ela disse que ensina o alfabeto em libras que a professora
  4. 4. 4do AEE passou e que o menino está compreendendo a maioria das letras ealguns números também.A mãe abordou que às vezes o menino é birrento com o pai, mas que com elaé diferente, o menino obedece ou aceita suas imposições. Porque às vezes opai fala não e ele faz manha, o pai fica com dó e aquele não acaba virando umsim. A mãe disse: comigo quando é não é não, eu não volto atrás.A família compreende a importância da participação na vida escolar do filho,porém reconhece que não tem muito tempo, pois tem uma criança de apenasdois anos e muito trabalho em casa, e o pai trabalha fora, sendo assim elesacham difícil participar de todas as reuniões e eventos proporcionados pelaescola.A mãe diz reconhecer as potencialidades do filho e também sente anecessidade de compreender a libras para poder ajudá-lo. Ela lamenta a faltade profissionais habilitados em Libras no seu Município, porém acrescenta queos professores são empenhados e estão buscando formação.2.2- Observação em sala comum e no pátio de recreações:Na observação em sala comum ficou confirmado aquilo que a professoraabordou na entrevista. Ele sente prazer em realizar as atividades lúdicasatravés de jogos, peças de montar, quebra-cabeça assistiu TV, porém nomomento de utilizar o caderno com a escrita e cálculos ele se recusa a realizare ausenta-se da sala sem pedir licença. Nesse momento a professora intervémpedindo a ele que retorne a sala e explicar a necessidade de pedir licença nomomento que precisar sair da sala. Ele compreende, mas em poucos minutosfaz birra novamente e tenta sair sem avisar a professora.2.3-Avaliação na Sala de Recursos Multifuncional.
  5. 5. 5Com base nos trabalhos desenvolvidos nesse semestre, observou-se que“Nicolas Rocha” tem um bom relacionamento com colegas e professores.Gosta de atividades artísticas, reconhece algumas letras do alfabeto em Libras,pois esse aluno apresenta surdez e estamos tentando introduzir Librasjuntamente com Língua Portuguesa. Ele reconhece alguns numerais e realizaalguns cálculos simples. Escreve alguns nomes de desenho em Português.Vêem apresentando raciocínio rápido na compreensão de jogos da memória,quebra-cabeças e outros reconhecem as regras dos jogos e cobra ocumprimento delas por parte dos colegas que estão jogando com ele.Apresenta resistência em desenvolver algumas atividades, necessitandoincentivo e auxilio individualizado. Demonstra muito interesse em atividades dejogos no computador e na televisão, na maioria das vezes é necessário quehaja negociação para que realize as atividades propostas sem a utilizaçãodesses meios tecnológicos, pois após estar em frente a esses aparelhos nãopermite que ninguém o faça sair, dedicando total atenção ao filme que estáassistindo ou ao jogo que está jogando. Demonstra compreensão ao assistirfilmes ficando atento a todos os detalhes e imagens e explicando aos colegas oque está acontecendo nas cenas.Esse aluno apesar de estar no terceiro ano, ele agora que está tendo um poucode contato com as Libras, estamos trabalhando algumas noções básicas deLibras e associando-as a Língua Portuguesa.3 – IDENTIFICAÇÃO DA NATUREZA DO PROBLEMA:3.1 – Esfera Funcionamento Cognitivo E Linguagem Oral:O que se pode constata é que a possível causa do desinteresse que “NicolasRocha” apresenta diante de atividades que requerem leitura, escrita e cálculosseja proveniente de sua falta de compreensão da comunicação, uma vez queesse aluno passou quatro anos escolares sem contato com as Libras onde comessa ele poderia ter a comunicação necessária para a aprendizagem de leitura
  6. 6. 6e escrita. O aluno apresenta um bom desenvolvimento da área cognitiva, boapercepção visual, memória, atenção, raciocínio, conceituação. Apenas noquesito linguagem e comunicação escrita é que fica a interrogação, pois a falhaestá em não ter profissionais habilitados em Libras para desenvolver essacapacidade no aluno.3.2 – Esfera Do Meio Ambiente:Compreende e reconhece a importância da preservação ambiental para quetodos os seres vivos possam ter mais saúde e assim melhorar a qualidade devida.3.3- Esfera das Aprendizagens Escolares:Apesar das falhas existentes na comunicação por falta de conhecimento emLibras tanto do aluno quanto dos profissionais que trabalham com ele, foipossível observar que esse aluno tem um bom desempenho dasaprendizagens escolares, confirmando assim que sua dificuldade é apenasauditiva, não apresentando nenhum problema de ordem neurológica,psicológica e outros.3.4- Esfera comportamentos e atitudes em situações de aprendizagens.Como já citado anteriormente, o referido aluno dedica total atenção econcentração nas atividades com jogos de todas as formas e em atividades nocomputador e na televisão. Porém se recusa a realizar atividades no cadernoou folha que requerem escrita, cálculos, desenhos e outras.
  7. 7. 7Ele realiza também com muito interesse atividades artísticas como pintura emtecido, dobraduras. Pintura em tela, confecção de animais e objetos utilizando-se de sucatas entre outras.3.5- Esfera Desenvolvimento Psicomotor e saúde:“Nicolas Rocha” apresenta um bom desenvolvimento intelectual, possui umbom esquema corporal. Identifica e reconhece as partes do corpo e suasprincipais funções, demonstra uma boa lateralidade, bom traçado na letra. Temconsciência do lugar que ocupa e da orientação que pode ter em relação áspessoas e as coisas que o cercam. Apresenta capacidade de se situar notempo e no espaço. Não apresenta desequilíbrio ou vício de postura. Possuicapacidade óculo manual necessária para a aprendizagem das letras e dosnúmeros. Domina gestos e movimentos com as mãos e os dedos.3.6- Hipótese:Depois de realizadas as observações e aplicados os testes, notou-se que oaluno efetivou a todos com sucesso, não na primeira explicação, mas após trêsexplicações, pois como a sua maior dificuldade é compreender a comunicaçãocom os ouvintes nos sentimos na obrigação de repetir os exercícios paraobtermos um resultado mais eficaz. A hipótese a que se chegou é que odesinteresse que esse aluno vem apresentando em certas atividades sejadecorrente da falta de compreensão da comunicação existente entre ele e aprofessora da sala regular. Nesse sentido mais uma vez se salienta anecessidade urgente das Libras, bem como de um instrutor ou professor surdocom capacidades e competências nessa área para atender esse aluno.
  8. 8. 84- Resoluções do Problema do Caso:De acordo com a lei número 10.436 de 24 de abril de 2002 ficam reconhecidasa Libras (Linguagem Brasileira de Sinal) e seu uso pelas comunidades surdascom respaldo do poder e dos serviços públicos. Em seu Decreto nº 5.626 de 22de dezembro de 2005, tornam obrigatório o ensino de libras nos cursos deFonoaudióloga, Letras, Pedagogia, Magistério e nos cursos de EducaçãoEspecial. Com isso amplia as possibilidades de futuramente, o trabalho comsurdo ser desenvolvido de forma a respeitar sua condição lingüísticadiferenciada. Os professores dessa Escola estão empenhados buscandoformação em Libras, pesquisando e aprendendo sempre para melhorar oatendimento a esses alunos.5 – ELABORAÇÃO DO PLANO DE AEE:Somos sabedores que (Atendimento Educacional Especializado) para trabalharcom esse aluno.A elaboração do Plano de AEE inicia-se com o estudo das habilidades enecessidades educacionais específicas dos alunos com surdez, bem como daspossibilidades se das barreiras que tais alunos encontram no processo deescolarização. Conforme Damázio (2007), o AEE envolve três momentosdidático-pedagógicos:Atendimento Educacional Especializado em Libras;Atendimento Educacional Especializado de Libras;Atendimento Educacional Especializado de Língua Portuguesa.Nome da Criança: Dias de atendimento
  9. 9. 9Professor:Serie/Ano que estuda no ensino regular:Segunda - feira,quarta-feira e sexta-feira.Área dedesenvolvimentoObjetivos Atividades Freqüência daatividadeAvaliaçãoEvoluçãoAfetiva Assegurar odesenvolvimentointelectual dacriança, levandoem conta suaspossibilidades,bem como ajudarsua afetividadeSe expandir e seequilibrar.Desenvolver emgrupo, recreações ejogos, contar erecontar histórias.Aproximadamente25 minutos paracada atividade,lembrando quealgumasatividadesdesenvolvem maisde uma área deconhecimento.Avaliação de formacontínua, verificandose houve:Aumento daindependência doaluno;Facilidade noprocesso ensino-aprendizagem;Melhoria nodesenvolvimentointelectual da criança;Promoção deinclusão;Favorecimento daparticipação do aluno;Desenvolvimento daleitura e escrita;Melhoria naparticipação,percepção, memória,atenção, raciocínio,conceituação e
  10. 10. 10linguagem.Sensorial Estimular apercepção,memória,atenção,raciocínio,conceituação elinguagem.Possibilitar asrelações temporaisatravés damarcação de tempo,ontem, hoje eamanhã.Avaliação de forma contínua, verificandose houve:Aumento da independência do aluno;Facilidade no processo ensino-aprendizagem;Melhoria no desenvolvimento intelectualda criança;Promoção de inclusão;Favorecimento da participação do aluno;Desenvolvimento da leitura e escrita;Melhoria na participação, percepção,memória, atenção, raciocínio,conceituação e linguagem.Motora Medir oconhecimento eutilização deTrabalhos manuais:Pintura e crochê emtecidos,
  11. 11. 11materiaismanipuláveis emlibras e línguaportuguesa,. Moverobjetos rápidos elentamente, seguindoinstruções doprofessor.organização da salade recursos, jogosde pega varetas,dominó de metadesetc.Cognitiva Seriar objetos deacordo com otamanho, cor eespessura.Exercícios comblocos lógicos devários tamanhos,espessuras, cores eformas.Linguagem Desenvolver o ensinoda LínguaPortuguesa de formaconsciente,promovendo oprocesso educativo.Jogos da Memória.Ex. sinal x gravura,alfabeto manual xpalavra, muraiscontendo a línguaportuguesa e alíngua de sinais –libras.Avaliação de forma contínua, verificandose houve:Aumento da independência do aluno;Facilidade no processo ensino-aprendizagem;Melhoria no desenvolvimento intelectualda criança;Promoção de inclusão;Favorecimento da participação do aluno;Desenvolvimento da leitura e escrita;Melhoria na participação, percepção,memória, atenção, raciocínio,conceituação e linguagem.ExpressãoverbalRealizar tarefas apartir de instruçãoContar o que vê emfotos ou gravuras,
  12. 12. 12oral e gestual. começar comgravuras quecontenham poucoselementos. Contar ahistória de seuspróprios elementos.Raciocíniológico-matemáticoDesenvolver a práticade jogos visandomelhoramento dosconhecimentosmatemáticos,capacidade deconcentração eprincipalmente asocialização comtrabalhos em grupo.Jogos de memóriacom números equantidades,fabricação de jogoscom formasgeométricas (blocoslógicos), softwaresque desenvolvem apercepção viso-espacial.Avaliação de forma contínua, verificandose houve:Aumento da independência do aluno;Facilidade no processo ensino-aprendizagem;Melhoria no desenvolvimento intelectualda criança;Promoção de inclusão;Favorecimento da participação do aluno;Desenvolvimento da leitura e escrita;Melhoria na participação, percepção,memória, atenção, raciocínio,conceituação e linguagem.Materiais e Métodos:Os dados obtidos no decorrer desse trabalho são resultados de estudos epesquisas em diferentes fontes como: Anamnese o encontro com os pais,observação do aluno nos diversos ambientes de aprendizagem, leiturasinformativas a respeito do assunto, estudo de algumas leis e decretos queamparam a Educação Especial.
  13. 13. 13De acordo com Piaget (2002, p.4) a capacidade de aprender está diretamenterelacionada às oportunidades de trocas. Exemplo crianças que temais contatocom livros se alfabetizam mais rápido das aquelas onde a família não tem ohábito de ler. Porém tais defasagens são transitórias. “Se tiverem maisoportunidades, essas crianças podem perfeitamente superar essas diferenças”.Nesse sentido vejo a importância de oportunizar as crianças diferentes formasde aprendizagem para que ela descubra a forma que melhor se enquadra comseu perfil de aprendiz, lembrando que a melhor forma é a aprender a aprendertão comentada por Freire.Para uma análise criteriosa de como está o desempenho desse aluno procureiaplicar as provas operacionais que Jean Piaget (2002, p.27) utilizava paraobservar as fases de desenvolvimento da criança. Para chegar ao conceito desujeito epistêmico, Piaget investigou características comuns a todos aspessoas no processo de desenvolvimento da inteligência. De acordo com esseautor o que há de comum em todos os sujeitos é a maneira como elas seestruturam e organizam as coisas que conhecem: a capacidade de classificar,relacionar, abstrair, separar e agrupar entre outras, o autor chama de“coordenações de sistemas de ação”. O sujeito individual é único vive suasépocas e culturas específicas, que influenciam suas crenças, religiões eopiniões. Nesse sentido é necessário considerar a individualidade de cada um,respeitando seu tempo, modo e condições de aprendizagem, acreditar que oser humano independente de ter ou não algum tipo de deficiência, tem acapacidade de aprender basta que se proporcione um ensino que leve emconta e contribua com suas especificidades.Para a efetuação desse estudo de caso realizou – se também o encontro coma família do aluno, observando como é o tratamento que os pais dedicam a elae também como a criança reage diante das ordens dos pais, fazendo umacomparação nas diferenças de comportamentos diante de cada situação, pais,professores, colegas e outros. No diálogo com os pais foi possível obter muitasinformações que contribuíram significativamente com o professor da sala deaula regular, com o professor da sala de recursos multifuncional, enfim comtoda a equipe que trabalha nessa escola.
  14. 14. 14Observou-se também que nos intervalos o aluno brinca com os colegas, tembastantes amigos, porém há momentos em que se sente judiado e correchorando reclamar com a professora, basta esta ir até a criança que ele apontaestar lhe incomodando, ele se acalma e retorna a brincadeira. Quando da osinal de retorno para a sala ele não ouve, mas observa e segue os colegas,retornando a sala de aula.Para chegar a um resultado mais eficaz apliquei alguns modelos de testes quePiaget utilizou a fim de estudar os estágios de desenvolvimento cognitivo,diagnosticando assim os possíveis problemas de aprendizagem:1- Conservação de Número2- Material utilizado: 11 tampinhas vermelhas e tampinhas 11 azuis3- “Nicolas Rocha” recebeu um saquinho com as 22 tampinhas, expliquei aele que as tampas estavam divididas em dois grupos, um grupo detampas vermelhas e outro de tampas azuis. Procurei não deixar explicitoem momento algum as quantidades de fixas. O aluno contou as fichas eapontou que havia mais tampinhas vermelhas. Como ele não percebeuque as quantidades eram iguais montei uma fileira de tampinhas azuisna horizontal e pedi ao aluno que montasse outra fileira com as tapinhasvermelhas. Perguntei novamente se havia mais tampinhas vermelhas oumais azuis. “Nicolas Rocha” sinalizou que as quantidades eram iguais.Conservação da MatériaMaterial utilizado: duas caixas de massinha de modelarO aluno deve perceber que a mudança de formato do objeto não interfere naquantidade de matéria que ele é composto.Apresentei uma caixa de massinha de modelar com seis unidades. Retirei dacaixa e mostrei que todas são do mesmo tamanho. Peguei uma massinhaamarela e outra vermelha e fiz duas bolinhas iguais. Em seguida perguntei a“Nicolas Rocha” em qual das duas bolinhas havia mais massinha.Confronto: realizei a transformação na frente da criança. Peguei a bolinhaamarela e fiz outras bolinhas. Perguntei novamente se havia mais massinha
  15. 15. 15nas bolinhas ou na cobrinha. Verifiquei que “Nicolas Rocha” compreende as aprova de conservação de matéria e as transformações ocorridas diante de seusolhares. Porém sem o acompanhamento com o olhar não foi possível chegar aessa compreensão.Conservação de ÁreaMaterial: duas pranchas verdes de EVA, 8 quadrados vermelhos de 4x4 e duasvaquinhas de plásticoColoquei diante da criança duas placas para representar pastos. Dei a ela duasvaquinhas, explique que devia colocar as vacas nos pastos. Peguei doisquadrados iguais para representar o capim. Distribui uma moita de capim emcada pasto. Perguntei em qual dos pastos havia mais capim.Confronto: peguei dois quadrados do mesmo tamanho e no quadrado daesquerda coloquei as moitas lado a lado no sentido vertical e no quadrado dadireita acrescentei as duas moitas separadas no sentido horizontal. Repeti oquestionamento anterior, ou seja, em qual moita havia mais capim?Conservação de LíquidosMaterial: dois copos transparentesDe posse de dois copos cilíndricos do mesmo tamanho, com a ajuda do alunomedimos a mesma quantidade de água em cada copo. Após questionei emqual copo havia mais água.Confronto: transportei a água de um dos copos iniciais para um copo fino ecomprido, em seguida interroguei em qual dos copos havia mais água. Aprincípio ele assinalou que havia mais água no copo alto e fino, ao repetir atarefa ele sinalizou corretamenteObservação: durante a aplicação das provas procurei sempre proporcionar omomento de confronto, fazendo a transformação na frente da criança a fim deobservar se ela entendeu realmente o processo de conservação, ou secompreende apenas no aspecto visual.
  16. 16. 16De acordo com Vygotski (1993, p. 33) todos os seres humanos são capazesde aprender, mas é necessário que adaptemos nossa forma de ensinar. Essacitação me fez refletir sobre a importância do professor buscar, pesquisar,observar com critério seu aluno, procurando adaptar a metodologia ásnecessidades do aluno. Nesse caso o aluno é surdo, então se deve oferecerum ensino que privilegie a Libras como primeira língua e de preferênciaministradas por um professor surdo bilíngüe com habilidades em Línguaportuguesa e Libras. Compete a todos os profissionais da educação buscarcaminhos que favoreçam a aplicabilidade dessa lei, para que o aluno surdopossa ter um ensino de qualidade, pois sem a compreensão da comunicaçãose torna difícil dizer que esse aluno faz parte de uma comunidade.Não podemos querer que o aluno acerte sempre, mas sim adquirir um novoolhar sobre o erro na aprendizagem, pois o erro é um indicador de como oaluno esta pensando e como ele compreendeu o que lhe foi ensinado.Analisando com mais cuidado os erros dos alunos, pode-se elaborar ereformular as práticas docentes de modo que elas fiquem perto dasnecessidades do aluno e assim atende as dificuldades que o mesmoapresenta.É importante que os profissionais da educação reflitam sobre as causas dofracasso escolar não para se culpar, mas para se responsabilizar. Isso significaabraçar a causa e procurar alternativas para auxiliar na solução do problema.Possibilitando aos surdos brasileiros escrever uma nova historia.Referencial Bibliográfico:Alves, Carla Barbosa. A Educação Especial na Perspectiva da InclusãoEscolar: abordagem bilíngue na escolarização de pessoas com surdez / CarlaBarbosa Alves, Josimário de Paula Ferreira, Mirlene Macedo Damázio. –Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]:Universidade Federal do Ceará, 2010. v. 4. (Coleção A Educação Especial naPerspectiva da Inclusão Escolar).Cury, Augusto- Pais Brilhantes Professores Fascinantes: A Educação denossos Sonhos: Formando Jovens felizes e inteligentes. Editor Sextante 1998.
  17. 17. 17Freire, Paulo- Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à praticaEducativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra 33ª edição.Gardner, Howard- Inteligências Múltiplas, A inteligência na Prática. PortoAlegre: Artes Médicas, 1995.Mantoan, Maria Tereza e Prieto Rosângela gavioli- Inclusão Escolar- Pontos eContrapontos. Sumus Editorial, São Paulo 2006.Piaget, Jean- Biologia e Conhecimento- Petrópolis: Vozes, 2ª edição2002.Vygotski, L.S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1993.FERNÁNDEZ, Alícia.A Inteligência Aprisionada.Porto Alegre: Artes Médicas,1990.PAIN, Sara.Diagnóstico e Tratamento dos Problemas deAprendizagem.4ed. Porto Alegre CARRAHER, T. N.WEISS, M.L. L Psicopedagogia Clínica: Uma visão diagnóstica. PortoAlegre, Artes Médicas, 1992.www.psicopedagogiabrasil.com.br

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