Suportes para a leitura e produção de textos
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caderno, a fim de facilitar o arquivamento por assunto. O mesmo
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serve para aqueles que preferem o computador....
• A verdade resulta do confronto intersubjetivo a partir
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argumentos racionais.
Fichamento
O fichamento pode ser de text...
defilosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996. p. 228.

Operação discursiva pela qual se conclui que uma ou várias...
determinado assunto, na maioria das vezes escolhido pelo próprio
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  1. 1. Suportes para a leitura e produção de textos Os roteiros a seguir apresentam alguns procedimentos que facilitarão o seu trabalho. Veremos a seguir os processos de leitura analítica e de documentação, que orientam a compreensão e interpretação dos textos e antecedem a fase de produção, tais como a: Dissertação Apresentação de seminários Realização de projetos 1. A leitura analítica Daremos algumas diretrizes para proceder à leitura analítica" do texto filosófico, por ser ele diferente daqueles textos a que os alunos estão habituados nas aulas de outras disciplinas ou dos que se encontram em livros de ficção, jornais, revistas e tratados científicos. Façamos então um breve apanhado do processo de uma leitura analítica. Para exemplificar, escolhemos o texto "As verdades da razão", de Fernando Savater, ou na p. 117 do livro de Filosofia do aluno (3º ano), que consta da Leitura complementar do capítulo 9, "O que podemos conhecer?". Em cada tópico a seguir oferecemos algumas pistas sobre o desenvolvimento do trabalho nas suas diversas etapas, discussão que pode ser ampliada - ou reduzida – conforme o estágio intelectual em que os alunos se encontram. Partindo do texto proposto, procedemos aos seguintes passos: análise textual, análise temática, análise interpretativa e problematização. Análise textual Após a leitura atenta, mas rápida, o leitor identifica o autor no seu contexto histórico e na corrente de pensamento a que pertence. Ele pode resolver dúvidas de vocabulário em dicionários comuns ou
  2. 2. então em dicionários filosóficos, se for preciso esclarecer conceitos que, muitas vezes, variam conforme o filósofo, Nesse estágio, o aluno pode fazer um breve esquema com a identificação dos principais tópicos ou um fichamento, como está explicitado mais adiante. Identificação do autor Fernando Savater, filósofo espanhol, nasceu em 1947 em San Sebastian, região basca. Leciona ética na Universidade de Madri e é autor de mais de quarenta livros de ensaio e teatro. Conquistou o público de leitores iniciantes com obras como As perguntas da vida (de onde foi retirado o excerto da Leitura complementar), Ética para meu filho, Política para meu filho, O valor de educar, traduzi das e publicadas em vários países. Participou de grupos de defesa da paz, militou contra o terrorismo e recebeu o prêmio Sakharov de Direitos Humanos. Outros nomes Neste excerto há referências a Assurbanipal (séc. VII a.C.), primeiro rei dos assírios, e Nero (séc. I), imperador romano, governantes despóticos e cruéis. O comentário refere-se ao fato de que em governos autocráticos não há liberdade de expressão. Esclarecimento semântico e conceitual A escolha dos termos ou conceitos depende do estágio em que os alunos se encontram. Para exemplificar, escolhemos alguns deles: • ouvir sermões: as falas dos religiosos nos cultos visam à transmissão de verdades de fé e portanto rejeitam a dúvida, que é a essência da discussão; • castas inamovíveis: castas são segmentos sociais cujo status é determinado de antemão aos membros de uma determinada linhagem, sem possibilidade de mobilidade de uma para outra. São comuns na Índia; • hierarquizar: estabelecer uma ordem de poder; etimologicamente, do grego hierós, "sagrado', e arkhé, "poder", "autoridade"; • raciocínio e razão: constam do Vocabulário, no final do Livro do aluno. Análise temática
  3. 3. Nessa fase, o leitor aprende a "ouvir" o autor, ou seja, a compreender o que ele diz e as ideias que defende; a destacar a ideia central e as ideias secundárias, na tentativa de identificar com clareza o problema que o autor se propôs a discutir." Para isso ele pode propor a si mesmo as seguintes questões: • Qual é o tema ou assunto do texto? O tema nem sempre coincide com o título, embora às vezes isso aconteça, tal como neste caso: "As verdades da razão". • Qual o problema que se coloca? Ou seja, por que o autor aborda esse tema? Quando o trecho é pequeno como este, é difícil identificar o que mobilizou o autor; investigando de onde foi extraído, verifica-se que o autor está interessado em discutir "as perguntas da vida" (como consta do título de seu livro) - entre elas, a verdade - e se propõe a analisá-Ias de acordo com a especificidade da filosofia; daí a intenção de distinguir as verdades da razão de outras verdades. • Como o autor responde ao problema (ou como explica o tema)? Nesse momento procuramos levantar os principais argumentos do autor. Para tanto, pode-se fazer um fichamento (ver também explicação mais detalhada no tópico a seguir, sobre documentação). A fim de facilitar a leitura, a numeração dos parágrafos facilita a identificação das referências em textos mais longos, o que não é o caso deste pequeno excerto, que tem apenas três. Numerando-os, entretanto, podemos ver pela leitura do texto que: §l. Aprendemos a raciocionar conversando. Toda razão é fundamentalmente conversação. l.l. Conversar não é atender a ordens, porque depende da discussão entre iguais, típica das relações democráticas. § 2. Todas as ideias valem igualmente? Não, porque deve haver uma maneira de hierarquizar ideias, mesmo na sociedade não hierárquica. 2.l. Como? Potencializando as ideias mais adequadas e descartando as errôneas ou daninhas: essa é a missão da razão ao buscar a verdade. Se as opiniões não são igualmente válidas, serão aceitas as que apresentarem melhores argumentos durante o debate. §3. A verdade "funciona dentro de nós e entre nós", isto é, deriva da intersubjetividade. Portanto, a verdade da razão não é
  4. 4. pura subjetividade, mas resulta da controvérsia: trata-se da busca de "uma verdade objetiva através das múltiplas subjetividades". Consultar SEVERINO. Antônio Joaquim. Como ler um texto defilosofia. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2009. p.18-19. É importante também prestar a atenção e se interrogar sobre possíveis ideias secundárias, o que não ocorre neste texto. Análise interpretativa Nessa fase, o leitor deixa apenas de “ouvir" e começa a "dialogar" com o autor; procurando ler as entrelinhas, levantar hipóteses sobre as ideias subentendidas do texto, examinar seus pressupostos, relacionar o pensamento do autor a outras concepções filosóficas. Oleitor deve desenvolver a crítica: criticar significa julgar, portanto o termo não traz em si o caráter pejorativo que o senso comum costuma lhe imprimir. Criticar não é necessariamente destruir, mas identificar os elementos que valorizam o texto ou que situam o autor em um determinado contexto de pensamento. Esse juízo apreciativo costuma destacar os elementos positivos e negativos do texto, ao examinar a coerência (se o autor não se contradiz), se ele consegue solucionar o problema proposto, se avança na discussão, se é original e assim por diante. É comum os leitores novatos começarem pela crítica, sem antes ter passado pelas duas fases anteriores (análise textual e temática). Além disso, convém lembrar que toda crítica fundamentase em argumentos, para não permanecer gratuita e superficial. Cabe ressaltar que o trabalho de interpretação apresenta dificuldades porque supõe certo conhecimento anterior da história da filosofia, por isso, nessa atividade, o professor caminha de maneira cuidadosa, para acompanhar as dificuldades iniciais do estudante. Diante do texto escolhido, pode-se levantar possíveis questões, como por exemplo: • O autor posiciona-se na vertente filosófica contemporânea ao discutir a questão da verdade: não há uma verdade dada de antemão, mas ela precisa ser buscada na discussão entre iguais. A propósito, no capítulo de que esse texto é leitura complementar, discutiu-se o dogmatismo e o ceticismo e a possibilidade de pensar
  5. 5. além desses dois aspectos. Viu-se também como o critério da evidência era típico da filosofia antiga e medieval. Esse critério ainda era básico na investigação de Descartes, e posteriormente foi contestado por outros filósofos, até que no século XIX os "filósofos da suspeita" (Nietzsche, Marx e Freud) levantaram indagações diversas. Esse questionamento, porém, não significa desistir da busca, mas admitir a verdade como horizonte que se pode alcançar por outros caminhos, pela análise da linguagem ou pela conversação, conforme a tendência filosófica. • Ao criticar os governos autoritários, pode-se admitir que o autor rejeita as formas de violência, principalmente quando as controvérsias puderem ser contornadas pela palavra. Aliás, foi esse o esforço pessoal dele ao engajar-se em movimentos contra o terrorismo em seu país. • Embora o autor não faça alusão explícita à religião, há uma distinção entre verdades da razão e verdades da fé: aquelas são alcançadas pela argumentação racional e estas são reveladas e aceitas pela fé, sem discussão, o que não significa necessariamente descartar as últimas, mas apenas indicar a diferença entre as duas atitudes. • Podemos ainda levantar a questão proposta no final do § 2: se nem todas as opiniões são igualmente válidas, "valem as que têm melhores argumentos a seu favor e as que melhor resistem à prova de fogo"? Aqui podemos ponderar que às vezes há argumentadores com maior facilidade de convencimento, o que pode levar outros a engano: é esse o risco da demagogia. Com essa questão não se invalida o argumento do autor, mas se indica que o tema merece maiores debates. o que não foi possível em um pequeno excerto. Problematização Nesse estágio da leitura são retomados os principais temas sugeridos pelo texto e que podem ser ampliados nas mais diversas direções. A análise desencadeia novos questionamentos, em um âmbito que valoriza a reflexão autônoma. Por isso é sempre fecunda a participação dos alunos quando o debate é antecedido pela análise de textos ou por pesquisas, o que enriquece a argumentação e evita a discussão vazia. A abordagem varia conforme os conhecimentos de que a pessoa ou o grupo dispõem. A seguir, apresentamos algumas
  6. 6. hipóteses de problematização, embora seja importante lembrar que essa é a etapa de conteúdo mais imprevisível. • Retomar a indagação colocada no final da análise interpretativa, para discutir se as verdades da razão assim posicionadas resistem ao relativismo, ou seja, se as verdades poderiam ou não ser universalizáveis. Essa questão se configura não só do ponto de vista do conhecimento, como também ético, quando se pretende distinguir o certo do errado. É possível invocar o famoso texto de Kant "O que é o Esclarecimento" (Leitura complementar do capítulo 20, "Teorias éticas"), justamente para situar Savater como herdeiro da tradição iluminista. Omote daquele texto é "Sapere aude! Tem coragem de servir-te do teu próprio entendimento!", o que pode alargar a discussão na direção dos temas éticos: em que medida a ação moral se sustenta não só pela vontade, mas também pela razão esclarecida. • Outra questão encontra-se no debate sobre a importância da educação de crianças e jovens, no sentido de estimular a reflexão e a discussão, dois polos indissociáveis para que se possa ter liberdade de pensamento e capacidade de diálogo. E, por consequência, habilidade em resolver problemas pela palavra e não pela força. • Os intérpretes de outras correntes poderão contrapor argumentos, por exemplo, na tradição aristotélica, a verdade como correspondência (a verdade é o que corresponde aos fatos); a verdade para o pragmatismo de WilliamJames (a verdade se estabelece a partir de seus resultados, de sua aplicação prática). Há os que admitem verdades eternas, princípios da razão que não dependem da experiência; ou ainda os céticos (David Hume), que examinam os limites da razão na busca da verdade, vista como crença ou mera probabilidade. Por fim, como se observa, todo o processo da leitura analítica visa à expressão pessoal, seja oral, dissertativa ou de participação em debate. A documentação Ao fazermos leituras de pequenos trechos, de capítulos ou de livros inteiros, com intenção de que não seja a de lazer e distração, convém estar munidos de fichas ou folhas de papel para anotações que serão valiosas no desenvolvimento posterior do trabalho. É preferível que as folhas sejam avulsas, e não em
  7. 7. caderno, a fim de facilitar o arquivamento por assunto. O mesmo procedimento serve para aqueles que preferem o computador. Como não podemos nos apoiar apenas na memória, a documentação nos fornecerá posteriormente pistas para reorganizar as ideias, na ocasião em que formos produzir um texto pessoal. De início é feita uma rápida "leitura em díagonal" - que aperfeiçoamos com a prática -, a fim de identificar os principais temas abordados, para só então iniciarmos a leitura atenta e minuciosa. Sugerimos alguns passos: a) Qualquer que seja o tipo de anotação, registrar na parte superior da ficha a referência à obra que está sendo consultada: título, autor, editora, número da edição e a indicação da página, à medida que formos avançando na leitura. b] Quando houver transcrição literal de algum trecho, usar aspas, o que é desnecessário quando resumimos com nossas próprias palavras. c) É interessante escolher algum código (por exemplo, as iniciais do próprio nome) para identificar a inserção de reflexões pessoais surgidas durante a leitura e que eventualmente serão aproveitadas. d) Adotar formas abreviadas de escrita, para tornar mais ágil a anotação. Anotar não é copiar pequenos fragmentos como em uma colcha de retalhos. Existem várias modalidades de documentação, sendo as mais comuns o esquema, o fichamento e o resumo. Esquema O esquema é um rápido levantamento dos principais tópicos analisados. Não se confunde propriamente com o sumário, porque o esquema visa destacar o fio condutor do texto, nem com o fichamento, por ser mais sucinto. Aproveitando o texto de Savater, damos um exemplo de esquema: • Aprende-se a raciocinar com a conversação. • Só é possível conversar entre iguais (como na democracia). • A busca da verdade supõe a avaliação crítica de diversos argumentos.
  8. 8. • A verdade resulta do confronto intersubjetivo a partir de argumentos racionais. Fichamento O fichamento pode ser de textos ou de tópicos: a) O fichamento de textos é mais elaborado que o esquema, porque cada tópico merece uma pequena exposição das principais ideias. Na primeira leitura exploratória, o leitor já observa a estrutura do texto, que na maior parte das vezes tem uma introdução, o desenvolvimento e a conclusão. O fichamento identifica o problema a ser discutido e levanta os principais argumentos usados pelo autor para expor as ideias centrais e as secundárias relevantes. Como exemplo, ver o fichamento feito anteriormente a propósito da análise temática, Por se tratar de um fragmento, não fica muito clara a diferença entre os três momentos da estrutura, mas de modo geral podemos identificar o item 1 como introdução, os itens 1.1,2 e 2.1. como desenvolvimento e o item 3 como conclusão. b) O fichamento de tópicos tem objetivo diferente do anterior, porque está voltado para o registro de um determinado assunto. Geralmente essas fichas são elaboradas quando lemos diversas fontes e confrontamos as posições de diferentes autores. Devem ser respeitados os mesmos cuidados de citação rigorosa, como foi indicado no início deste item. Por exemplo, ao pesquisar a relação corpo-consciência, levantamos em diversos livros a concepção de Platão, de Aristóteles, de Descartes, de Espinosa, da fenomenologia e assim por diante. A propósito do texto de Savater, escolhemos o conceito "raciocínío'": Raciocínio - Qualquer processo de tirar uma conclusão de um conjunto de premissas pode ser chamado de processo de raciocínio. Se a conclusão é sobre o que fazer, o processo chamase raciocínio prático; caso contrário, chama-se raciocínio puro ou teórico. BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 332. Atividade do pensamento pela qual se procede a um encadeamento de juízos visando estabelecer a verdade ou a falsidade de algo. Procedimento racional de argumentação ou de justificação de uma hipótese. JAPlASSÚ, Hilton e MARCONDES, Danilo. Dicionário básico
  9. 9. defilosofia. 3. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1996. p. 228. Operação discursiva pela qual se conclui que uma ou várias proposições (premissas) implicam a verdade, a probabilidade ou a falsidade de uma ou outra proposição (conclusão). LALANDE, André. Vocabulário técnico e crítico da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1993. p. 909. Resumo O resumo é elaborado com as próprias palavras; não se trata da transcrição aleatória do texto, mas visa revelar suas principais ideias. É indispensável ler o texto na íntegra e fazer anotações, antes de iniciar o resumo, para que sejam observados os pontos relevantes e as ideias principais. Se houver trechos mal compreendidos, devemos retorná-los com mais atenção depois, caso contrário o resumo não ficará bemfeito. Um exemplo de resumo baseado no texto de Savater: Para explicar o que são as verdades da razão, o autor parte do ato de raciocinar, que aprendemos pela conversação, pela troca de ideias. No entanto, não existe conversa onde prevalecem hierarquias intransponíveis, mas sim entre iguais, como na democracia. A abertura para a conversa supõe a disponibilidade de rever as próprias opiniões no confronto com outras e de avaliar as que melhor resistem às objeções formuladas. A busca da verdade é, portanto um processo intersubjetivo. A produção filosófica Existem inúmeras modalidades de produção filosófica: Ensaios, correspondências, cursos professorais, teses acadêmicas e também obras de ficção, como romances e dramaturgia. Para fins didáticos, selecionamos informações sobre dissertação, seminário e projeto. Dissertação _ Já dissemos como é importante, para um curso de filosofia, desenvolver a competência de "elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo', ou seja, redigir dissertações. Nos cursos universitários, geralmente as dissertações são na verdade monografias, ou seja, o desenvolvimento de um
  10. 10. determinado assunto, na maioria das vezes escolhido pelo próprio aluno. Já nos cursos de ensino médio, as dissertações são mais modestas e com frequência os temas são propostos pelo professor a fim de estimular a exposição pessoal de temas que foram objeto de discussão. Trata-se, no entanto, de um momento muito difícil para o aluno, nem sempre habituado a esse tipo de trabalho. Convém explicar que em toda dissertação devem constar três momentos: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. • A introdução indica o problema a ser discutido e delimita o enfoque que será dado ao tema proposto. • O desenvolvimento é propriamente o miolo da dissertação e requer um cuidadoso trabalho. Primeiramente, ele pode fazer um esboço simplificado dos elementos que farão parte da sua exposição, o que funciona como a "espinha dorsal" do texto. Em seguida, começará a redigir um rascunho, que é a primeira tentativa de elaboração do texto. Com frequência a dissertação não resulta de um único impulso, mas requer revisões constantes: um texto precisa "descansar", para depois ser relido, a fim de se averiguar se está suficientemente claro, se expressa adequadamente o propósito indicado na introdução, se há o que excluir, acrescentar ou mudar de lugar. • A conclusão é o desfecho da dissertação em que é feita a síntese das posições assumidas, um balanço do trabalho realizado. Embora sejam utilizados elementos dos textos lidos e fichados, inclusive com algumas citações literais transcritas com aspas, espera-se que o aluno elabore considerações pessoais, exercitando o pensamento autônomo. Vale lembrar que as afirmações devem ser acompanhadas de justificativas mediante argumentação coerente e clara. E que os exemplos não bastam por si, porque são sempre complementares às explicações. Se nos valemos de alguma bibliografia, ela deve ser indicada no final do trabalho. Para conhecer as regras de citação, sugerimos consultar a Sugestões bibliográficas, no final do livro. Seminários Os seminários representam um esforço no sentido de organização das ideias a partir de um estudo preliminar ou de uma pesquisa bem orientada, tendo em vista desencadear um debate. Eles podem ser apresentados individualmente ou por um grupo de alunos, para o qual é escolhido um coordenador. A fim de facilitar a
  11. 11. exposição, vamos nos referir apenas aos seminários feitos em grupo. Existem seminários de vários tipos, mas destacaremos dois deles. a) O mais simples é o seminário em que cabe ao grupo a apresentação crítica de um texto ou capítulo. No dia da apresentação, o coordenador distribui para toda a classe o roteiro escrito do trabalho, explica quais serão os procedimentos utilizados e estabelece o cronograma. Geralmente é reservado um tempo para a exposição das ideias fundamentais com a participação dos componentes da equipe, para em seguida ser aberto o debate com a classe. Mesmo que haja um grupo responsável pela apresentação, é importante que o restante da classe também leia o texto com antecedência, para que o debate se realize de modo mais fecundo. b) O seminário mais complexo é aquele em que, a partir de um tema dado, deverá ser feita uma pesquisa. Nesse caso, os alunos deverão fazer um levantamento bibliográfico, que pode contar com a ajuda do professor. É interessante, porém, que eles exercitem a autonomia da pesquisa, consultando arquivos de bibliotecas e selecionando eles mesmos os livros, os quais devem em seguida ser submetidos a uma triagem, a fim de verificar se servem ou não para o trabalho. Várias técnicas podem ser aperfeiçoadas nesse momento: consulta ao sumário, leitura das "orelhas" e quarta capa do livro, leitura "em díagonal". Dependendo do assunto, as pesquisas requerem leitura de jornais, revistas ou sites da internet, sendo importante que o aluno esteja atento à confiabilidade ou não da fonte (órgãos do governo, departamentos de universidades, revistas e jornais conhecidos etc.). Vale advertir sobre o mau costume do plágio, a apropriação de ideias sem indicação da fonte. Escolhido o material de pesquisa, são feitos os fichamentos de textos e de tópicos e entabuladas discussões sobre o assunto entre os componentes da equipe, finalizando, em um primeiro momento, com a montagem do plano provisório do trabalho. Após novas discussões, é organizado o plano definitivo (que servirá para o roteiro a ser distribuído, e no qual deve haver a indicação bibliográfica das obras consultadas) e são repartidas as tarefas da apresentação oral do trabalho para a classe. Nos dois exemplos de seminários, o professor é um supervisor do processo e encarregado da síntese final. Recomendamos que, para a preparação do seminário, sobretudo do segundo tipo, o professor estabeleça diversas datas que antecedam
  12. 12. a apresentação de cada grupo, a fim de verificar o andamento do processo. Caso contrário, corre-se o risco de serem apresentados trabalhos feitos na véspera por um só aluno. Projetos Os projetos são um tipo de atividade escolar que visa dar a oportunidade aos alunos de abordarem temas estudados sob outros ângulos, de modo a desenvolver diversas competências, inclusive a de contextualização do conhecimento. Como já dissemos, segundo o pedagogo Philippe Perrenoud, os alunos acumulam saberes, mas nem sempre conseguem aplicar o que aprenderam a situações reais, na família, na cidade, no lazer, no trabalho. O desenvolvimento das competências, em educação, visa estimular justamente a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos para resolver situações problemáticas e compreender a realidade sob diversas perspectivas. Os projetos representam um momento importante de contextualização do aprendizado, bem como facilitam a superação do saber fragmentado-das disciplinas, por meio de atividades interdisciplinares. Há vários tipos possíveis de projetos: alguns reúnem as diversas disciplinas escolares; outros, mais globais, acrescentam a elas o contato com as famílias, as instituições e as atividades desenvolvidas na localidade onde está a escola; uns podem ser breves (durar um bimestre) e outros podem se estender por todo o ano letivo, dependendo do número de professores e disciplinas envolvidos e do aprofundamento desejado. Segundo Fernando Hernández", o projeto deve partir de um tema negociado com a turma, já que o professor é um dos participantes do processo, porque também ele "pesquisa e aprende". Além disso, em razão da complexidade dessa proposta, nunca se pode prever o rumo que as atividades tomarão, porque cada percurso é singular e o encaminhamento do processo comporta revisões, dependendo dos novos problemas encontrados. Isso é saudável por permitir espaços de discussão que fogem da rigidez dos programas curriculares, de modo que se torna uma experiência única, nunca repetida da mesma forma. Dependendo do projeto, além dos textos pesquisados, podese também: contatar profissionais para conferências; entrevistar pessoas de diversos tipos – desde as mais comuns até as que se destacam em determinada atividade; organizar visitas a museus,
  13. 13. fábricas, bairros da cidade; assistir a filmes, peças de teatro, programas de rádio e televisão; organizar jogos; promover viagens e assim por diante. A apresentação final dos trabalhos é bastante variável, podendo ser um texto escrito ou oral, uma representação cênica, painéis com recurso de imagem e texto, vídeo etc., conforme a infraestrutura disponível na escola.

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