Livro colibri

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Histórias colaborativas feitas por alunos, pais e professores

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Livro colibri

  1. 1. ÃO 31x05 "Colibri" é uma figura multifacetada transversal a todas as histórias encarnando diferentes personagens. Parta à sua descoberta, percorrendo as aventuras que viveu, quer seja no sótão da casa do avô, num parque, num livro, em reinos distantes, como gigante escondido numa gruta, em planetas Iongínquos, em viagens interplanetárias ou até entrando nos mistérios de agente secreto. Descubra-o e eXtasie-se. .. A imaginação e' infindável.
  2. 2. ÃO lxigkóriag I n. Pmeji . jeto Depois de muito voar, uma ave sábia Viu um lugar cheio de passarinhos pequeninos, muito frágeis que ficavam sozinhos quando os pais iam trabalhar. Então a ave começou a construir um ninho, bonito, confortável e quentinho para que todos pudessem lá ficar em segurança. Às vezes a ave ficava cansada, mas como era um colibri, ia todos os dias beber o néctar das flores que cresciam ao pé dela. A flor da coragem, a flor da paixão, a flor da sabedoria e descobria sempre novos desafios. Com o passar do tempo, o ninho do colibri era cada vez maior. Ficou mais forte, mais robusto e foi suportando ventos e tempestades. Passados vinte anos e com o chegar de tantas primaveras, todos os colibris pequeninos e frágeis, aprenderam a voar sozinhos sem ter medo de se perderem na floresta. E todos eles nunca vão esquecer a paixão e o carinho das grandes aves que todos os dias lhes ensinavam que nem o céu é o limite.
  3. 3. ÃO amos Ááyrajaíeltiiii. en. to: : Às crianças que participaram na escrita das histórias e aos seus familiares, pela confiança e disponibilidade com que acolheram o trabalho; Aos profissionais, professoras e educadoras pelas importantes contribuições apresentadas no processo de produção, por acreditarem neste projecto e nele terem participado ativamente; Ao professor César que fez todas as ilustrações. Só com eles foi possível levar a cabo esta realização.
  4. 4. »Irl . i ñQ' nv O5 qual-mo 23305?, o àegour da ¡llxa mágica do Cplibrí
  5. 5. ÃO lxigkóriag Tudo começou numa tarde de inverno no sótão do avô Mário. Quatro amigos descobriram dentro de um baú antigo, um mapa do tesouro, que se encontrava na ilha mágica do Colibri. Para lá chegarem teriam de seguir algumas instruções. Mas a ilha já há muito que era procurada por outras pessoas. Será que estes quatro amigos conseguirão chegar ao tesouro a tempo? ... E o que será o tesouro? E a ilha, porque será mágica? .. Os quatro amigos ao encontrarem o mapa do tesouro no sótão do avô Mário, ficaram encantados com o facto da ilha mágica, se chamar Colibri. O Guilherme e os seus três amigos fizeram um pacto, tudo o que fosse descoberto teria de ficar entre eles, uma vez que deixaria de haver magia se toda agente soubesse. Resolveram colocar na mochila: água, pasta de dentes, escova, uma muda de roupa e mais uma medalha que tinham ganho ao participarem numa história sobre o pequeno Vasco da Gama. Essas eram as suas medalhas da sorte e iriam acompanhá-los durante toda a viagem. O Guilherme já tinha ouvido o seu avô contar uma história sobre a lenda da ilha do Colibri, mas para lá chegar era muito difícil, pois ficava na Terra do Fogo, onde uma grande montanha cuspia pedras incandes- centes e lava constantemente. A água em seu redor fervia de tal modo que nenhum navio se conseguia aproximar. Seria possível chegar à ilha do Colibri? Como iriam estes quatro amiguinhos encontrar o tesouro? O Manuel, que adorava aventuras andava tão entusiasmado com a história do tesouro e da ilha mágica que mal conseguia dormir à noite. Sonhava com piratas, com monstros de duas cabeças que surgiam dos vulcões e outras personagens fantásticas. Nos dias antes da partida, no recreio, os quatro amiguinhos fizeram um círculo muito apertadinho e sussurraram entre si palavras aliadas a gestos, tentando perceber como poderiam chegar à ilha e antecipavam com um friozinho na barriga os perigos que os aguardavam. Numa dessas reuniões secretas, o Manuel lembrou-se que tinha ouvido o pai falar de um grupo de cientistas que estava a preparar uma viagem à terra do fogo para melhor estudarem os : x
  6. 6. ÃO amos vulcões. Todos acharam que essa era a oportunidade por que espera- vam, e decidiram nesse mesmo dia, contactar por e-mail o cientista responsável pela viagem. A mensagem dos pequeninos foi de tal forma contagiante que algumas horas bastaram para que recebessem a resposta desejada, iriam os quatro com o grupo de expedição que partia na sexta feira logo de manhã. O dia da partida chegou sem demora e de repente já estavam os quatro a deixar a sua casa para trás e a acenar aos familiares que lhes desejavam um regresso rápido. No início da viagem estavam todos enjoados, mas depressa a excitação da aventura que estavam a viver e o hábito a estas coisas do mar, lhes tranquilizou o corpo e deixou a cabeça planear o que fariam quando chegassem à terra do fogo. Não se podiam esquecer que não sabiam como encontrar a ilha mágica Colibri. Num serão de convívio noturno, sondaram os seus novos amigos, sem levantar suspeitas sobre o real propósito da viagem, se já alguma vez tinham ouvido falar na ilha mágica e se sabiam como lá chegar. A Madalena estava muito intrigada pois cada vez mais pensava na forma não só de descobrir a ilha Colibri, mas como é que ela e os amiguinhos iriam chegar até lá. Por mar, ela achava muito difícil pois o mar estava a ferver. Então, perguntou aos amigos da expedição se eles tinham alguma ideia. Estes, desconfiados e sem quererem revelar o que sabiam disseram que não pois queriam ser eles os primeiros a chegar ao tesouro mágico. O Manuel decidiu ver o mapa para ver se havia alguma pista sobre a loca- lização da ilha. E descobriu que esta ficava depois de uma outra onde vivia o dragão e o monstro de duas cabeças, unidas por uma ponte de pedra muito comprida, onde o mar já era azul e tinha sereias para ajudar. Todos ficaram cheios de medo mas depressa se uniram e come- çaram a dar ideias de como passar pela ilha dos Monstros. O mapa também mostrava que havia um caminho secreto, por baixo de uma cascata onde os monstros não podiam entrar pois não cabiam lá. Só que para lá chegarem muitos obstáculos tinham que passar! a
  7. 7. ÃO lxigkóriag Foram todos dormir, a pensar na aventura do dia seguinte. Beatriz acordou ofegante, muito quente e transpirada. Estaria a ficar doente logo agora que a aventura tinha começado! Não, não estava doente, lembrou-se do sonho que teve. Foi assustador, sonhou que estava a fugir do monstro de duas cabeças que a queria comer, ao mesmo tempo que o Guilherme, o Manuel e a Madalena fugiam do dragão que lançava enormes labaredas de fogo sobre eles. - Ufa, foi só um sonho, que alívio! !! Mas pareceu tão real. .. A Beatriz levantou-se, vestiu-se muito rápido, e lavou os dentes. Estava muito ansiosa, e se fosse tudo realidade? Como é que iriam conseguir passar por estes obstáculos aterradores? Será que além destes mons- tros haveria outras coisas ou seres perigosos? Parecia-lhe quase impos- sível chegar à ilha mágica Colibri. Beatriz corria, tinha que encontrar os seus amigos. Tinham de pensar numa solução, precisavam conversar, ter ideias fantásticas como fantástica era esta aventura. Mas o que eles não sabiam é que nesta ilha rodeada de grandes florestas, cascatas e muitas flores, existiam seres míticos, elfos muito inteligentes, um sábio feiticeiro, cavalos alados e sereias. Beatriz encontrou por fim os seus amiguinhos, estavam a tomar o pequeno almoço e estavam muito agitados. Conversavam baixinho e gesticulavam muito. Beatriz contou o seu sonho, ficaram todos arrepi- ados só de imaginar. Depois foi a vez do Manuel . Sonhou que tinha chegado à ilha Colibri e lá viviam elfos e cavalos alados. Riram, "como se isso fosse possível". Mal eles sabiam que tudo isto era real e que a aventura ainda agora tinha começado. .. Estavam a chegar à Terra do Fogo, por fim terra firme. O Guilherme segredou para os amigos: - Temos de encontrar a cascata, estejam atentos porque pode aparecer o monstro das duas cabeças e o dragão. : x
  8. 8. ÃO amos Dito isto, seguiram pelo meio da floresta em busca da cascata. Quando estavam a andar por um caminho de terra batida, rodeado de muita vegetação, ouviram uma voz a perguntar o que estavam os quatro amigos a fazer por ali. Os meninos assustaram-se e olharam para trás e viram um menino: - Não se assustem, sou o Figas. O Manuel respondeu que estavam a acompanhar uma expedição de cientistas à procura de novas espécies de animais e de novas formas devida. O Guilherme perguntou ao Figas, se por acaso ele conhecia algum sítio especial onde pudessem encontrar os animais e uma gruta ou caverna . O Figas começou por dizer que não, mas perante a insistência dos 4, acabou por indicar que estavam muito próximo do local, só precisavam de seguir o som da água. -Vejam, gritaram os quatro amigos, em simultâneo. - Está ali uma cascata, e mais ao fundo parece uma gruta. Belisca-me - diz o Manuel. - Será que chegámos mesmo, será mesmo verdade o que vemos? - Corram - diz a Madalena. - Vamos embora, o que será que está lá dentro, será o tesouro? Com tanta agitação, a Beatriz tropeça num tronco de um árvore. Esperem grita a Madalena, que seguia de mãos dadas com a amiga. As duas estavam tão aterrorizadas e ao mesmo tempo entusiasmadas com a aventura que não se largavam. Enquanto o Manuel e o Guilherme olhavam para trás para prestar socorro à amiga, aparece "Gonçalo- o Sábio Feiticeiro"- o guarda da Gruta. De repente, um aglomerado de nuvens juntou-se no céu, começou a chover torrencialmente. Assustados os amigos, juntaram-se todos, quase pareciam um só. -O que vos traz aqui, à minha Gruta? - pergunta Gonçalo o Sábio $152: a
  9. 9. ÃO lxigkóriag Feiticeiro. Para passarem por mim, três perguntas vos irei fazer. Se responderem certo, a todas, dentro de três minutos uma ponte mágica se construirá por cima desta água, e aí terão passagem pela cascata. O meu elfo Varela vos acompanhará na caminhada. Os amigos continuavam muito assustados, e enquanto Gonçalo o Sábio Feiticeiro pensava nas três perguntas que iria fazer, eles pensavam se iriam conseguir responder. Foi então que apareceu no céu avoar, Santiago, o Rei dos Elfos. Os amigos nem queriam acreditar naquilo que estavam a ver, e baixinho falaram sobre o que iria acontecer. Santiago, o Rei dos Elfos, ao chegar perto dos amigos tranquilizou-os dizendo: a - Não se preocupem, sigam os meus conselhos e conseguirão responder correctamente às três perguntas nos três minutos, e passar a cascata. Respondam com sinceridade, sabedoria e imaginação. Mantenham-se unidos nas vossas respostas como têm sido até aqui nesta aventura, e se acertarem em todas as respostas, para além do elfo Varela, eu próprio vos acompanharei para vos proteger. Os amigos agradeceram a ajuda do Santiago, o Rei dos Elfos e ficaram a aguardar as três perguntas. .. Gonçalo estava pensativo, tinham que ser três perguntas que os fizessem pensar, que revelassem os seus sentimentos e a sua pureza de crianças. Afagou as barbas compridas, suspirou e disse: - Aviso-vos, pensem muito bem nas vossas respostas, porque se errarem jamais conseguirão chegar à ilha mágica Colibri. Só terão uma oportunidade. Os quatro amigos estavam inquietos e ansiosos. Será que conseguiriam responder? O elfo Santiago dirigiu-se a eles e disse-lhes: - Lembrem-se, as respostas estão guardadas nos vossos corações, sejam sinceros, reforçou. li
  10. 10. ÃO amos Gonçalo, o sábio feiticeiro, proferiu as perguntas: -Vieram de tão longe, deixaram as vossas casas, os vossos pais e amigos só para chegarem à ilha mágica Colibri. Porquê? Guilherme respondeu de imediato: -Porque descobrimos que na ilha mágica Colibri existe um tesouro muito valioso e nós queremos encontra-lo. E uma grande aventura. -O que pensam fazer para encontrar o tesouro? Entreolharam-se e a Beatriz respondeu: -Pretendemos continuar juntos e unidos, seguir as pistas do mapa e ultrapassar todos os desafios que encontrarmos. juntos conseguiremos lá chegar, por muito difícil que seja! !! -O que vão fazer quando encontrarem o tesouro? Madalena respondeu como que por impulso: -Vamos dividi-lo pelos quatro e cada um de nós pretende compartilhá-lo com outros amigos e familiares. Gonçalo estava estupefacto, olhou para os quatro amigos com caras ansi- osas e disse: -Queridos amigos, vocês foram autênticos e sábios nas vossas respos- tas. Calmamente levou a mão ao bolso da túnica, tirou um punhado de pó brilhante e soprou com força. O pó brilhou e flutuou no ar, dando lugar a uma ponte muito grande e firme. Gonçalo estava contente por ter conhecido aquelas crianças, ultimamente só se cruzava com adultos prepotentes, obstinados e egoístas. Olhou para a ponte de pedra, que já havia cerca de um século não aparecia, sorriu e disse: - Vão, desejo-vos muita sorte, continuem sempre amigos, unidos e sinceros. Beatriz, Guilherme, Madalena e Manuel abraçaram-se com muita força, tinham conseguido, a ponte estava à sua frente e abria caminho a mais aventuras. Beatriz olhou para o sábio feiticeiro e perguntou: - Gonçalo, posso dar-lhe um abraço? $152: a
  11. 11. ÃO lxigkóriag - Claro que sim minha querida! Ao mesmo tempo os quatro amigos saltaram para o colo de Gonçalo e deram-lhe um abraço muito apertado. -Obrigado Gonçalo, até à vista! Os quatro amigos apertaram fortemente as suas medalhas da sorte junto ao peito e começaram a atravessar a ponte, estavam muito felizes e cada vez mais unidos. Atrás seguiam os seus mais recentes amigos, Santiago e Varela, elfos dedicados que estavam dispostos a ajudar os quatro amigos a encontrar o tesouro. Eles queriam que fossem aquelas crianças puras e simples a encontrar o tesouro e tudo fariam para que assim fosse. Chegaram ao fim da ponte, olharam para a paisagem. - Olhem -disse o Guilherme. - Parece-me o reino longínquo que aparecia no mapa. De repente a Beatriz, Madalena e o Manuel avistaram a linda aldeia com casinhas muito pequeninas, pessoas pequeninas, animais pequeninos. O Guilherme perguntou aos amigos elfos: - Onde estamos? - Estamos na aldeia voa voa, onde veneravam uma pequena ave chamada Colibri, que todos admiravam e respeitavam. Foram-se aproximando até que ficaram rodeados dos pequenos habi- tantes da aldeia, ainda mais pequenos que eles. Estavam todos agarradinhos, Guilherme, Beatriz, Madalena e Manuel, quando de repente pergunta uma voz muito fininha: - Que fazem por aqui? - Viemos em busca de um Tesouro. Então o povo da aldeia, todo contente fez uma grande festa e comentaram que estavam à espera que este dia chegasse, em que seriam visitados por quatro lindas crianças, iluminadas pela sabedoria, amor, lealdade e
  12. 12. ÃO amos amizade. Porque estas quatro crianças, ao descobrirem o tesouro é que iram sabiamente decidir o que fazer com ele. Não podendo nunca esquecer que por vezes o que se alcança é mais importante do que se ganha. Sabiamente os elfos aconselharam as crianças e ouvirem o povo da terra voa voa. Foi feita uma grande festa em homenagem aos quatro amiguinhos e aos elfos companheiros; dançaram, brincaram, comeram sopa, peixe, fruta e um maravilhoso arroz doce que lembrava o da escolinha onde andavam que era delicioso. Foram dormir, porque o dia seguinte era muito importante, teriam que estar fortes para continuar. Um Sol radiante e Colibris a cantar, despertaram os nossos amigos que se levantaram cheios de energia. A sua espera estava o chefe da aldeia. - Meus amiguinhos, vão levar convosco quatro aves Colibri, uma para cada um que juntamente com as vossas medalhas e os elfos amigos, vos ajudarão a encontrar o que tanto procuram. Mas atenção têm de tratar muito bem as vossas aves, cada um tem que dar de comer e beber à sua ave, porque só assim ficam satisfeitas, e vos poderão ajudar e chegar ao tesouro. E assim foi. Andaram, andaram e foram dar a uma floresta. As aves começaram a cantar e os quatro amigos, continuaram a sua viagem. De repente caí uma tempestade, tendo todos que se abrigar até porque os Colibris tinham ficado com as asas molhadas e não conseguiam voar. Abrigaram-se debaixo de uma árvore gigante, tirarem a roupa molhada e vestiram a muda que traziam na mochila, para não ficarem doentes. Deram comidinha e água aos Colibris, secaram as suas asinhas e dormiram um pouco. Os elfos estavam de sentinela, para que nada lhes acontecesse. Enquanto isso uns ladrões aproximaram-se e perguntaram aos elfos : $152: e: - O que estão aqui a fazer?
  13. 13. ÃO lxigkóriag - Estamos numa viagem mágica. Foi então que os ladrões deram uma bagas e disseram para os elfos as darem aos amiguinhos quando estes acordassem. Iam ficar mais fortes e assim podiam retomar o seu caminho. Quando acordaram, estavam cheios de fome, depararam-se com as bagas e começaram a comer. Comeram, comeram e de repente ficaram a dormir. As bagas eram afinal para eles adormecerem e assim os ladrões puderam roubar as medalhas das crianças. Ao acordarem os amigos e os elfos que também não tinham resistido às bagas, repararam que as medalhas tinham desaparecido. .. Desesperados os elfos sentiram-se culpados porque não deviam ter adormecido, deviam ter ficado acordados para impedir que os quatro amiguinhos fossem roubados. A Madalena toda preocupada, pergunta aflita: - Que fazemos agora sem as nossas medalhas? Assim não vamos conse- guir chegar ao tesouro. Mas um dos amigos, o Manuel viu bagas espalhadas pelo chão e teve umaideia: - Vamos pegar nas nossas aves e vamos seguir o rasto das bagas, pode ser que nos leve até aos ladrões, para recuperar as nossas medalhas. Assim foi, seguiram as bagas. O percurso era perigoso, do lado direito uma grande ravina mostrava um grande lago, azul com pequenas ilhas. O Guilherme parou, olhou o horizonte e exclamou: - Parem amigos, eu já vi isto em algum lado, reparem no desenho que aquelas ilhas têm. - Beatriz mostra-me o mapa. O Guilherme tinha razão, as formas que aquelas ilhas apresentavam, estava desenhadas no mapa, o tesouro estava cada vez mais perto. Manuel grita:
  14. 14. ÃO amos - Vamos, vamos, temos de encontrar os ladrões. E lá seguiram o trilho das bagas. O caminho era muito a subir e os nossos amigos estavam a ficar cansados. Os elfos aconselharam a descansar um pouco, para poderem retomar viagem. Enquanto dormiam, depois de terem comido e tratado dos seus Colibris, sentiram algo de estranho. No ar, sentia-se um cheiro a fumo. - Amigos alguém está por perto, não sentem este cheiro? - perguntou o Guilherme. - Sim, sim. - responde a Madalena. - Vamos levantar e seguir caminho. Seguiram o cheiro do fumo e. ..os elfos disseram baixinho: - São eles, são os ladrões, mas parecem-me com um ar muito zangado. O que os ladrões não sabiam era que as medalhas só funcionavam às crianças a quem estas tinham sido oferecidas. Para serem condecora- dos, como estes amiguinhos foram, tiveram que conquistar algo, logo não funcionava com os ladrões porque estes só sabiam roubar. .. Murmuraram os quatro amigos: - Temos que ter calma, para lhes podermos tirar as medalhas. De repente os Colibris começaram a cantar. - Piu piu piu pui, -formando uma melodia encantadora. Os nossos amigos não estavam a perceber, mas a música era linda. Então os elfos disseram: -Esperem, acho que eles estão a combinar qualquer coisa, vamos esperar. E. ..quando os amiguinhos deram pelos Colibris, já estavam a retirar com os seus bicos as medalhas dos ladrões adormecidos pelo encantamento da tão linda melodia. Voando em direcção a eles, os nossos amigos pegaram cada um na sua $152: a
  15. 15. ÃO lxigkóriag medalha e começaram a correr, correr montanha acima. Descobriram uma gruta, que era linda, brilhava no chão e no tecto, eram pedacinhos de gelo e ouvia-se a água a correr, quando de repente caíram num buraco e escorregaram, escorregaram até darem a um rio. Tudo à volta era mágico, flores de todas as cores, aves a cantar, o sol brilhava, ficaram encantados. Junto à margem havia uma pequena jangada. - Olhem este é o rio do mapa e está cá uma jangada, disse a Beatriz. Os elfos apressaram-se a soltar as amarras, todos subiram para cima da j angada, que começou a deslizar pelas águas cristalinas. Estavam eufóricos, cada vez estavam mais perto do tesouro da ilha Colibri. A jangada chegou ao lago e aproximou-se cada vez mais das ilhas. Os nossos amigos viram que tinham uns remos e como a jangada começou a pairar, tiveram que remar. A sua intuição direcionou-os para a uma ilha de aspeto dourado, aproxi- mando-se, verificaram a existência de um vulto no meio de uma praia de areia branca. As ondas ajudaram a chegar à areia. Os traços do vulto eram cada vez mais nítidos, um homem de aspeto sábio, barbas e cabelos longos muito brancos, esperava-os de braços abertos. - Queridos amigos, já sabia da vossa viagem, assim como esperei um dia pelo avô Mário, estou hoje aqui à vossa espera. O Manuel pergunta: - Quem és tu, pareces-me o Pai Natal. Responde o velho sábio: - Pois é, já outras pessoas me chamaram de Pai Natal, mas não, eu sou o Guardião do Tesouro da ilha Colibri também me chamam o Mestre Fernando. - Como correu a vossa viagem? Contem-me o que aprenderam. lã
  16. 16. ÃO amos O Guilherme começou a relatar a longa viagem: - Mestre Fernando, a nossa amizade foi sempre muito forte e fomos sempre muito unidos, perante os perigos encontrados mas conse- guimos superar as dificuldades. Beatriz acrescenta: - Fomos sempre muito humildes perante as pessoas que encontramos durante a nossa viagem. - Os conselhos que os mais velhos nos deram, foram sempre uma ajuda para nós. Disse o Manuel. E a Ana Madalena acrescentou: - E nunca conseguiríamos chegar até aqui, sem a ajuda dos nossos amigos elfos e os Colibris. O Velho sábio disse: -Gostei muito da vossa estória, tragam as vossas medalhas e venham comigo. Os quatro amiguinhos, colocaram as suas medalhas nuns orifícios perfeitamente desenhados para elas. Tudo começou a brilhar e um bando de pombas brancas levantou voo em direção ao céu. Apareceram de repente, vários Colibris da aldeia Voa Voa. Concluíu o velho sábio: - Espero que tenham percebido aquilo porque passaram, a experiência que viveram. Nem todos os tesouros, têm um aspeto material, o tesouro que vos fez chegar aqui foi a vossa grande amizade, a vossa humildade, os conselhos dos mais velhos, a vossa união e os que vos acompanha- ram. Esta é a grande mensagem o nosso maior tesouro é o que aprende- mos, o que respeitamos e o que ensinamos. E este é o grande tesouro da ilha Colibri.
  17. 17. ÃO lxigkóriag Era uma vez duas crianças - o joão e a Maria - que viviam em Massamá. Os dois irmãos tinham um furão muito esperto como animal de estimação chamado Colibri, que lhes tinha sido oferecido pelos avós. As duas crianças gostavam muito de brincar com o Colibri e o que mais dese- javam era que o seu animal pudesse falar, para juntos poderem viver muitas aventuras. Um belo dia estavam eles a passear num parque perto de sua casa quando de repente ouviram um barulho muito forte que lhes despertou a atenção. Esse barulho vinha de uma pequena toca, escondida atrás de uma árvore muito grande que existia no meio do parque. O barulho era cada vez mais forte, como se fosse um apito e o furão estava como que hipnotizado a ser chamado por aquele som, acabando por se atirar para dentro da toca. Como não queriam perder o seu animal de estimação, do qual tanto gostavam, os dois irmãos precipitaram-se atrás dele, saltando para dentro da toca. Maravilhados com a linda paisagem que tinham à sua frente - uma extensa planície cheia de árvores de fruto e plantações - acabaram por se distrair e perder de vista o Colibri. Um pouco mais à frente avistaram uma casa feita de pedra e madeira, com uma linda cadeira de baloiço onde estava sentada a descansar uma raposa. Admiradas e curiosas, as crianças aproximaram-se e qual não foi o seu espanto quando esta começou a falar. - Olá crianças, imagino que tenham vindo através da toca e estejam a achar tudo isto muito estranho. O meu nome é Félix, querem que vos leve a conhecer o meu reino? A raposa levou-as a conhecer o reino onde vivia e as crianças ficaram surpre- endidas ao ver que ali só viviam animais, os quais falavam, usavam roupas, tinham casas, empregos, escolas. .. No entanto notaram que todos os animais estavam tristes e questionaram a raposa sobre isso. A raposa explicou-lhes que quem governava aquele reino era um urso chamado Gonar, que era muito ganancioso e queria acabar com toda a alegria do mundo e que por isso atraía os animais de estimação das crianças, ficando com eles para trabalharem nas hortas do castelo. 21
  18. 18. ÃO amos A raposa Félix contou-lhes também que nem sempre aquele reino fora triste e sombrio, pois há algum tempo atrás quem governava o reino era o irmão de Gonar, o Rei Maximus, que era um rei bom e justo de quem todos gostavam. O reino tinha também outro nome nesse tempo, mas Gonar mudou-o por vaidade e já ninguém se lembrava de qual era. As crianças nem queriam acreditar que pudesse haver alguém capaz de fazer mal aos animais e obrigá-los a trabalhar. juntos decidiram ir procurar o rei bom. Andaram pelas planícies e vales, e perguntavam aos animais se sabiam onde poderiam encontrar o Colibri e o rei bom. Nenhum dos animais lhes sabia responder. De repente, Maria repara num animal lindíssimo, um bonito cavalo branco, com a mais bela coroa que alguma tinham visto. Decidiram aproximar-se do animal, mas ele afastou-se para longe. As crianças correram atrás dele, mas passado algum tempo joão ficou cansado e Maria disse-lhe: -Fica aqui que eu vou ver para onde ele foi. Maria andou bastante. De repente sentiu que alguém lhe puxava a saia, era um pequeno urso polar que parecia ser muito brincalhão, e que lhe perguntou: - Olá, porque estás a correr assim? A Maria respondeu: - Eu e o meu irmão vimos um belo cavalo branco, com a coroa mais linda que há no mundo e queríamos falar com ele. " O ursinho polar respondeu: -Eu posso-te ajudar, eu conheço aquele cavalo! !! joão e Maria estavam muito confusos com tudo o que se estava a passar, mas ao mesmo tempo curiosos e não queriam voltar para casa sem saber o que tinha acontecido ao furão, e achavam que aquele cavalo tinha algo especial que lhes podia dar uma resposta. O Ursinho polar disse para a Maria: -Eu sei onde costuma andar o cavalo da coroa, mas temos de ter cuidado para não sermos vistos pelo urso Gonar. Maria montou-se no ursinho polar, passaram por o sitio onde estava o joão a descansar, que também subiu para cima do urso e seguiram por um caminho estranho. Era escuro, cheio de altos e baixos e estava frio. Eram umas grutas, onde morava uma família de ursinhos polares, que por sua vez, iam indicando i2 já:
  19. 19. ÃO lxig/ córiag o caminho até chegarem ao fim das grutas. Demoraram cerca de duas horas a atravessá-las. De seguida, foram parar a um sitio maravilhoso, havia um lago com umas águas límpidas e transparentes. ..tudo parecia mágico! Havia um castelo muito bonito, mas abandonado e tapado com hera! De repente joão, Maria e o Ursinho avistaram o cavalo branco com a sua bela coroa, bebendo água do lago. Delicadamente, as crianças aproximaram-se e tentaram começar uma conversa: -Olá! O cavalo escondeu-se logo! -Mas porque será que se esconde de nós? - perguntou o joão. O Ursinho Polar respondeu: - Reza a lenda, que neste reino, em tempos antigos, o cavalo branco, era o Rei Maximus, mas com o feitiço do Rei Gonar, transfor- mou-se em cavalo, que por sua vez pediu ajuda a algumas pessoas que nunca acreditaram nele, e desde então deixou de confiar nas pessoas. Anda sempre a vaguear pelo reino ajudando os outros animais das crueldades do Rei Gonar, mas depois desaparece e vem sempre para este sítio! Despediram-se então e, seguiram o seu caminho. Depois de ouvir a estória do Ursinho Polar, joão e Maria começaram a pensar, qual seria melhor maneira de ganhar a confiança do Cavalo Branco. Se ele, é o Rei Maximus eles iriam descobrir. Tinham que encontrar maneira de serem amigos. Mas, antes disso, tinham de encontrar o furão Colibri. Foi por ele, que esta aventura começou! Aproximaram-se do Cavalo Branco e contaram-lhe que o Furão tinha sido atraído pelo Rei Gonar para uma toca. Será que agora o rei o ía pôr a trabalhar tal como fizera a todos os outros animais? - Temos que encontrá-lo depressa. .. - choramingava a Maria. - Mas como? ?? Ele desapareceu. .. - dizia o joão com ar tristonho. O Cavalo Branco prometeu ajudá-los.
  20. 20. ÃO amos À medida que os três iam andando pelas planícies do Reino de Gomar, pergun- tavam aos outros animais que encontravam pelo caminho se alguém tinha visto o Furão Colibri, mas ninguém o tinha visto. Com o passar do tempo joão e Maria iam ficando cada vez mais tristes porque começavam a pensar que nunca mais iam ver o seu amiguinho. O Cavalo Branco dizia-lhes: - Não podem ficar assim, não podem desanimar! Se querem encontrar o Colibri não podem desistir de o procurar e têm de acreditar que juntos vamos ser capazes. Os meninos ficaram mais animados e continuaram a busca. Procuravam o furão e questionavam os outros animais do Reino sobre o Rei. Poucos falavam sobre o assunto mas, alguns deixavam escapar informações muito importantes. O Urso Gonar todas as manhãs ditava as suas leis e as suas regras, e quando as crianças ouviram esta novidade, combinaram de imediato que tinham de impedi-lo de o fazer na manhã seguinte. Ou seja, se o Rei não aparecesse para ordenar, os habitantes do Reino não teriam de obedecer a nenhuma regra. E foi isso mesmo que aconteceu! O joão e a Maria acabaram por encontrar um bom sítio para descansar, afinal estavam exaustos. ..tanto tempo a andar, percorrer caminhos, ouvir histórias que julgavam só acontecer em filmes. .. enfim! No dia seguinte, acordaram bem cedinho, e decidiram convocar todos os animais do reino antes de o Urso Gonar acordar e desatar a impor leis e regras a todos! ! Isso tinha que acabar! O joão e a Maria pretendiam que todos ficassem sem medo do Gonar, e o enfrentassem todos juntos. Pensavam os dois irmãos que assim seriam mais fortes e encontrariam o colibri. Mas como é que iam fazer para que todos os animais do reino se sentissem fortes e sem medo do Rei Gonar, pensaram. joão estava um pouco triste, pois não sabia como iam resolver aquele pequeno problema. Maria que tinha estado a pensar, disse: - E se tentássemos descobrir qual foi o feitiço que o rei Gonar usou com o Rei Maximus? l 2 a
  21. 21. ÃO lxígkóriag -Grande ideia. Disse o joão. Mas como vamos descobrir? Responde ele um pouco aflito, pois não tinham muito tempo O Cavalo Branco disse: -Eu sei como. Enquanto o Rei Gonar dorme podemos entrar no seu quarto e tentar descobrir, pois ele deve ter lá a fórmula escondida, uma vez que não imagina que alguém o possa enfrentar. Assim descobrimos o segredo de como acabar com o feitiço do Rei Maximus, e depois no dia seguinte quando o Rei Gonar acordar e for ditar as leis desse dia, vai estar no seu lugar o Rei Maximus que já tinha falado com todos os animais do reino. Que acham amigos? - Grande ideia cavalinho. ! - Responderam em coro joão e Maria. E assim, satisfeitos por esta grande ideia quiseram logo por mãos à obra. Mas de repente os dois irmãos olharam um para o outro e, com um olhar inquieto e impaciente perguntaram: - Mas onde é que fica o palácio do malvado Rei Gonar? E como conseguimos chegar até lá? Foi então que o Cavalo Branco respondeu com voz triste: - Para chegarem até ao palácio do rei têm de atravessar o lago mágico e percorrer a floresta encantada, onde se encontram fadas e bruxas e várias cria- turas mágicas, aí deveram procurar as três pedras mágicas para que possam chegar até ao palácio. Uma pedra deverá ser entregue ao ladrão coxo da aldeia dos cogumelos, outra á bruxa negra e por fim a terceira pedra deverá ser entregue ao grande e ganancioso guardião do palácio para que este vos deixe entrar e não vos dê a comer ao monstro azul. - Atenção, nem tudo aquilo que parece ser é na floresta encantada! Têm de encontrar a fada cor-de-rosa e o esquilo caçador, só eles os poderão ajudar. - Depois de ouvirem atentamente as indicações do cavalinho branco, os meninos foram à procura do lago mágico para o atravessar. Quando lá chegaram viram um pequeno barco dourado, mas que não tinha remos. - Como vamos fazer se não temos remos? Como vamos conseguir atravessar o lago neste barco? - disse o joão. - Não penses nisso, anda vamos entrar e ver o que tem dentro - disse Maria. 25
  22. 22. ÃO amos Assim que entraram no pequeno barco dourado, como que por magia, este começou a navegar a grande velocidade e a rodopiar sobre a água. De repente surgiu do nada um enorme monstro, que disse com voz alta e sonante: - Quem me acordou? Eu sou o monstro das três cabeças e dos quatro rabos e estou muito irritado e ensonado! Apavorados os meninos gritaram bem alto e agarraram-se um ao outro, enquanto olhavam para o monstro reparando que este tinha em cada uma das cabeças um colar com as pedras mágicas. Repentinamente apareceu uma luz cintilante e forte era a fada cor-de-rosa. Disse: - Quem acordou o monstro que dorme há mil anos? Agora para o acalmar uma canção temos de lhe cantar para as pedras lhe tirar! E assim foi, já com as pedras mágicas joão e Maria chegaram à outra margem do lago mágico. - Adeus meus amigos, não posso entrar na floresta encantada, boa sorte têm uma importante missão a cumprir - disse a fada cor-de-rosa. A floresta encantada era linda, tinha muitas árvores que quase chegavam ao céu, flores de todas as formas e cores e passarinhos simpáticos que cantaro- lavam baixinho. Era um lugar maravilhoso. Mas eles estavam ali para encontrar o seu amigo furão e salvar o reino do malvado Gonar. Caminhando pela floresta, os dois meninos avistaram uma pequena aldeia com casinhas pequenas que pareciam cogumelos, foi quando se lembraram que o cavalinho branco lhes tinha dito para entregarem uma pedra mágica ao ladrão coxo da aldeia dos cogumelos. E assim foi, logo que entregaram a pedra ao ladrão coxo, este transformou-se num jovem rapaz. Depois disse: - Obrigado por me terem libertado do feitiço da bruxa negra! Toda a aldeia se encontra enfeitiçada, os animais encontram-se petrificados e as pessoas transformaram-se em seres feios, invejosos e maus, como eu. - Como podemos encontrar a bruxa negra? - Perguntaram o joão e a Maria. - Ninguém sabe, só sabemos que não lhe podem olhar diretamente nos olhos ou então ficam enfeitiçados para sempre - disse o rapaz. i2 já:
  23. 23. ÃO lxígkóriag joão e Maria já cansados continuaram a sua caminhada pela aldeia e foram reparando que a floresta se encontrava deserta e sem vida. De repente viram passar uma menina de capuz vermelho a correr e a cantarolar, logo quiseram ir atrás dela. Foi então que apareceu um esquilo engraçado com um chapéu e uma grande pistola: - Atenção, atenção não corram atrás da menina de capuz vermelho, pois na verdade ela é a bruxa negra e vai lançar-vos um feitiço. Desculpem, permitam-me que me apresente, eu sou o esquilo caçador e estouaovosso dispor. - Olá nós somos o joão e a Maria, precisamos de entregar uma pedra mágica à bruxa para quebrar o feitiço - disseram os meninos. - Ainda bem estávamos à vossa espera há muito tempo - disse o esquilo. -Pois, mas como vamos fazer para entregar a pedra à bruxa, se não lhe podemos olhar nos olhos? perguntou joão! -Temos que conseguir, não vamos desistir agora, temos que ir até ao fim, temos que encontrar o Colibri. -respondeu a Maria. O esquilo disse: -já sei amigos, e se deixarmos a pedra junto dos feitiços da Bruxa? Assim quando ela for fazer mais feitiços, encontra a Pedra Mágica, pega-lhe e trans- forma-se e volta a ser um ser boa. E assim foi, os dois irmãos foram a casa da Bruxa, colocaram a pedra junto dos potes dos feitiços, enquanto o esquilo ficou de vigia. Quando a bruxa chegou a casa e viu a pedra mágica, pegou-lhe e transformou- se numa linda borboleta chamada sininho. A sininho veio então agradecer aos irmãos por terem quebrado o feitiço e a terem libertado. joão e Maria estavam muito, muito contentes, pois tinham cumprido mais uma etapa. Faltava então entregar a última pedra, para assim conseguirem entrar no Palácio. 27
  24. 24. ÃO amos Mas. .. o palácio do Rei Gonar ficava rodeado pelas águas escuras e profundas onde habitava o monstro azul. - Como vamos conseguir chegar à porta do palácio se não existe uma ponte? - perguntaram joão e Maria. Foi então que o esquilo lhes mostrou um pó mágico que guardava numa malinha que trazia presa ao cinto, era um pó que quando caia em cima das pessoas as fazia voar. E foi o que ele fez, pegou num pouco do pó mágico, espa- lhou por cima do joão e da Maria, e eles voaram como se fossem pássaros até à porta do Palácio. Aí viram o grande e ganancioso guardião do palácio. Pé ante pé aproximaram- se do guardião e com voz doce disseram: - Olá senhor guardião nós somos a Maria e o joão e trazemos uma pedra mágica para adoçar o seu coração. Ouvindo estas palavras, o guardião pegou na pedra a chorar de felicidade e retorquiu: - Obrigado meus amigos, há mil anos que ninguém se aproximava de mim, nem falava comigo. Todos pensavam que eu era mau por causa deste meu aspecto. .. e na verdade fui-me tornando numa pessoa cada vez pior, gananciosa e invejosa. Mas vocês tiveram a coragem e a bondade de chegar perto de mim. - O que posso fazer para vos ajudar? Os meninos explicaram o que pretendiam e assim, entraram no palácio e foram direitos ao quarto do rei Gonar. E imaginem, assim que entraram no quarto, viram o seu grande amigo Colibri com ar muito triste e cansado, preso e acorrentado a trabalhar arduamente, enquanto o rei Gonar dormia profundamente. - joão! Maria! Como é que chegaram até aqui? Que bom ver-vos meus amigos - palrou o Colibri. As crianças ficaram surpresas e ao mesmo tempo muito contentes por terem encontrado o seu animal de estimação e por verem que o seu desejo estava realizado, o Colibri estava a FALAR com eles! - Rápido o rei está quase a acordar, temos de lhe tirar a chave amarela para abrir o cofre onde se encontra a fórmula mágica para quebrar o feitiço. - indicou o Colibri. i2 : f:
  25. 25. ÃO lxígkóriag - E onde é que ele guarda a chave? - perguntaram os meninos - Debaixo da almofada. - respondeu o Colibri - Debaixo da almofada? ??? ? Mas Colibri ele dorme com a cabeça na almofada, como é que vamos fazer para lhe tirar a chave sem o acordar? - perguntaram novamente os meninos muito admirados. Foi então que o Colibri lhes disse que Gonar tinha um sono muito pesado e que quando adormecia nada o acordava, logo os meninos podiam tirar a chave debaixo da almofada, mas tinha que ser com muito cuidado e sem fazerem barulho. Assim foi, joão e Maria com pezinhos de lã, tiraram a chave e, com a ajuda do Colibri abriram o cofre. Lá estava o frasco com a poção mágica, era um frasco de vidro vermelho muito brilhante. joão pegou no frasco, guardou-o com jeitinho no bolso e saíram do quarto do Urso Gonar o mais depressa que pude- ram. Quando chegaram à porta do palácio viram o esquilo á espera deles, e o esquilo usou novamente os seus pós mágicos que levaram os três de volta às planícies do Reino de Gonar. Quando já estavam a salvo de Gonar e junto de todos os animais lembraram-se que ninguém sabia quem era o Rei Maximus. Como poderiam eles então quebrar o feitiço? O Colibri sabia, porque durante o tempo que esteve preso no quarto do Urso Gonar ficou a saber que antes de se zangarem os irmãos Gonar e Maximus eram muito amigos, os melhores amigo, que Maximus governava o reino e Gonar o ajudava em tudo, nunca faziam nada sem a ajuda um do outro. Mas um dia o Urso Gonar achou que para o reino ser melhor os animais que ai viviam deviam trabalhar todos para eles. Maximus achava que o reino estava bem assim, pois todos eram felizes. Furiosos por o irmão não concordar com ele, Gonar lançou um feitiço sobre Maximus e transformou-o em outro animal, e assim ninguém saberia quem ele era, e Gonar poderia reinar sozinho. Esse outro animal era . ... . . .o Cavalo Branco que usava uma bela coroa. Todos os animais ficaram espantados, então o Rei Maximus esteve sempre perto deles e de uma forma prudente nunca tinha deixado de os ajudar. Foram ter com o Cavalo Branco para lhe dar a poção. Quando ele a bebeu apareceu no céu um arco-íris e ouviram-se foguetes. 29
  26. 26. ÃO amos O Rei Maximus estava de volta e todos os animais do reino estavam livres do malvado e ganancioso Urso Gonar. Agora, joão e Maria podiam voltar para casa, pensaram eles, pois já tinham encontrado o Colibri e Maximus estava salvo. Mas o Colibri não queria voltar para casa sem antes fazer com que os irmão Maximus e Gonar fizessem as pazes e voltassem a ser amigos. Lembrou-se então de organizar uma grande festa para todos os animais do Reino, uma festa com carroceis, doces, jogos, música, muitas coisas boas, e onde o convidado principal seria o Rei Maximus. E assim foi, no dia da festa estavam lá todos os animais. O que ninguém sabia era que o Colibri tinha convidado também o Urso Gonar, e quando ele apareceu na festa ficaram todos muito admirados, mas . ... . . . para espanto de Gonar ele foi muito bem recebido. Todos os animais lhe falaram muito bem e brincaram com ele. O Rei Maximus ficou muito contente e feliz por ver o irmão e veio dar-lhe um grande xi-coração. Gonar a chorar agradeceu a todos, pediu perdão e prometeu que não voltava a ser mau nem a fazer mal a ninguém pois tinha aprendido que quando há amor no coração os animais são mais felizes e alegres. Então Maximus chamou o irmão Gonar e juntos agradeceram ao Colibri. Foi quando anunciaram a todos os animais que o antigo reino se chamava: REINO DA AMIZADE e que assim voltaria a ser pois no REINO DA AMIZADE, todos devemos ser amigos uns dos outros e ajudarmo-nos. FIM tig- l_mL
  27. 27. ÃO lxígkóriag Não era uma vez uma princesa, nem um pirata, nem um super herói. .. Era uma vez um livro que não tinha história nenhuma e vivia muito triste por isso. Este livro estava perdido numa gruta há muitos e muitos anos, quando os homens ainda escreviam em pergaminhos. Um dia enquanto voava, um lindo pássaro azul chamado Colibri, foi atingido na asa e perdeu a capacidade de voar. Sem saber bem como, o livro abriu os seus braços, ou melhor, as suas páginas e recebeu o Colibri, lá dentro, para o proteger. Como por magia, o pequeno Colibri transformou-se numa personagem de uma linda história. O mundo à sua volta era cheio de árvores e plantas com formas que só podiam existir num sonho, cheiros que o Colibri desconhecia mas que o faziam sorrir: Mas não era isso o mais estranho. .. Não, o mais estranho era o seu corpo. Assustado, olhou para baixo e viu duas compridas pernas de criança. Tentou bater as asas e foi ainda pior, dois braços abanaram, um de cada lado. O Colibri não queria acreditar, era agora um daqueles seres que via lá em baixo enquanto voava. Era uma pessoa! Mas como? Porquê? Não percebia o que tinha acontecido. Sabia apenas que se sentia perdido. Tentou mexer-se, mas caiu. Não sabia sequer como se mover. Tudo era novo, tudo era estranho. Tentou voar novamente, mas de nada lhe valeu apenas os braços abanaram. Olhou à sua volta e viu muitas flores, de muitas cores, que agora lhe pareciam muito mais pequenas através dos olhos de uma criança. Percebeu que estava sentado naquilo que parecia um grande manto branco eram páginas sem história. No bolso tinha lápis de cor e embora desajeitado começou a pintar. .. Estava numa floresta tropical, com árvores majestosas e uma vegetação verde e espessa Ao longe viu um rio. Nunca tinha visto um rio tão grande Viu araras escarlates, tucanos, preguiças penduradas no alto das árvores, macacos a baloiçar de ramo em ramo, jacarés, tatus e muitos outros animais desconhecidos. O menino estava maravilhado, mas tinha sede e muito calor. 33
  28. 28. ÃO amos Quando conseguiu andar, correu para uma cascata para dar um mergulho e beber um pouco de água. Surgiu um cardume de piranhas - Ai, Ai! !! E agora, como é que me vou livrar destes peixes carnívoros? Nesse preciso momento, como que por milagre, foi içado por um índio pendurado numaliana. já com os pés bem assentes na terra, abraçou o índio e verificou que o seu herói era uma criança. Uma pequena índia com um olhar muito triste - Obrigado! Eu chamo-me André. A menina continuava em silêncio. -Como te chamas? Porque é que estás tão triste? - Perguntou o menino. A pequena índia começou a chorar convulsivamente, e entre soluços pronunciou: - Yara. O menino acariciou-lhe o rosto, limpou-lhe as lágrimas e disse: - Não chores minha amiguinha. Tu és tão valente. Conta-me o que se passa Prometo que te vou ajudar! Yara contou-lhe que a floresta estava em perigo, pois os Homens estão a destruir a Natureza. Cortam as árvores, sujam a terra, a água e o ar. Os animais estão a desaparecer. A floresta está a morrer O menino ficou boquiaberto: não podia acreditar no que ouvia! Como é que aquele local maravilhoso estava em perigo. - Como é que pode ser? É tudo tão bonito! !! Yara dançou ao som de um lindo cântico mágico. De repente, ambos sobrevo- aram a floresta e percorreram o fundo dos rios da Amazónia. Viram grandes áreas de floresta sem árvores e Yara explicou que o habitat de muitos animais incluindo o dos índios, estava a ser destruído, pois os Homens cortavam as árvores e queimavam a floresta para extraírem madeira e criarem gado. Viram caçadores a matar e a apanhar animais para venderem. @à a
  29. 29. ÃO lxígkóriag Depois, arrastados pela corrente, percorreram os rios da Amazónia e viram que, apesar da enorme quantidade de água, esta nem sempre tinha qualidade, pois à medida que se aproximavam das cidades, as águas ficavam turvas, as margens dos rios estavam sujas, os Homens, os animais aquáticos e terrestres estavam a ficar doentes. Respiram o ar puro da floresta, mas nas cidades o ar parecia pesado. .. Agora as imagens a desenhar eram outras. .. as palavras confusas e as cores mais cinzentas do que nas páginas anteriores. Surgiram palavras como frenesim, prédios, automóveis, internet, estradas e muitas, muitas pessoas. Lisboa era um sítio fantástico! André estava deslumbrado, enquanto observava os monumentos, as calçadas, o rio. .. tudo parecia ter uma história muito antiga. Em contraste, a tecnologia parecia não deixar que os seus habitantes apreciassem o que de mais belo existia à sua volta. -Pssst, pssst, tu aí que pretendes? André olhou abismado. Uma estátua de um homem com cabelos compridos e com um leão ao seu lado, falava? - Olá, sou o André e gostava de ajudar a minha amiga Yara a salvar o Planeta. O leão esboçou um sorriso e rugiu: - Até que enfim! já receava que te tivesses perdido. André estava cada vez mais espantado com tudo o que os lápis mágicos faziam aparecer nas páginas brancas do livro. Foi então que o majestoso animal explicou o que se passava: - Sabes, André, reza a lenda que no dia em que a Terra nasceu, recebeu do pai Universo um belo livro em branco cheio de lápis mágicos. Em caso de perigo, eles deveriam procurar ajuda para poderem reescrever o destino do planeta e protegê-lo dos humanos, uma espécie racional capaz de profundas irracionalidades. Como se estava a tornar cada vez mais urgente intervir, e as páginas continuavam em branco, o livro já estava a entrar em desespero. Felizmente apareceste tu, rápido e diligente colibri; 35
  30. 30. ÃO amos tu és o eleito! E com essa forma humana, mais facilmente poderás chegar aos corações dos que necessitam mudar. .. André percebia, finalmente, porque tinha caído no livro, tudo o que a Yara lhe tinha mostrado bem como as cores cinzentas das últimas páginas. Mas que poderia ele fazer? Como poderia contribuir para que o livro se enchesse de cores alegres, risoseharmonia? O André pensou e de imediato teve uma ideia. O que existe no planeta terra mais parecido com os pássaros e as flores e o mundo colorido, senão as crianças? ! Estava decidido ia convocar todas as crianças do mundo para o ajudarem a reescrever o destino do planeta. Ao fim e ao cabo as crianças eram os adultos do amanhãese calhar os humanos não eram assimtão maus, preci- savameram demantermesmo emadultosavisão do mundo dascrianças. Era isso, primeiro chamava as crianças e convencia-as que mesmo quando as suas pernas, braços, orelhas e narizes crescessem, deviam manter o riso descontrolado pelas pequenas coisas, o amor, deslumbramento e respeito pela natureza. Se bem o pensou, melhor o fez e do alto da estátua do saudoso Marquês, sentado no dorso do leão, começou por convocar os meninos e meninas da cidade de Lisboaegritou: - Maria, Zé Miguel, Madalena, Afonso, Matilde, Guilherme, venham daí comigo, chamar mais meninos, para juntos repintarmos a história dos Homens! ... E assim, o André e os amigos da cidade de Lisboa, em conjunto com a índia Yara, decidiram que deveriam convocar crianças de todos os continentes - Europa, América, África, Ásia e Oceânia. Mas chegaram à conclusão que ia ser muito difícil para eles conseguirem viajar por todo o planeta, iam demorar muitos dias, meses e quem sabe anos. Esta situação deixou-osatodos muito tristes. A Yara teve uma grande ideia, lembrou-se que podiam utilizar os lápis @à já:
  31. 31. ÃO lxigkóriag mágicos e com as cores mais alegres convocar crianças de todo o planeta para os ajudarem a reescrever a História dos Homens e salvar o planeta. Assim e como por magia, todos ganharam asas e começaram a dar a volta ao mundo. Viram a sua forma mudar e eram agora colibris, dezenas de colibris com voz de criança. E chamavam outras crianças para se lhes juntarem no ar. Em todo o mundo crianças viram os seus braços tornarem-se asas, as suas bocas transformarem-se em estreitos bicos. E juntaram-se aos seus pequenos amigos no céu, céu esse que depressa se transformou num mar, um mar de coli- bris, um mar com um destino: O livro das páginas brancas. Milhões de colibris afunilavam-se no céu e desciam para as páginas do livro, enchendo-as de cor e tornando-se de novo em meninos, até o livro estar completo. Ou quase. .. Um último colibri pairou sobre o livro e mergulhou, mas este não se trans- formou em menino, apenas pintou o último bocadinho de página que faltava. Era André, o colibri que começara tudo. Os meninos olharam em volta, tudo lhes parecia igual. - Mas não mudámos a história? - Perguntou um deles. - Mudaram. - Respondeu o leão, lá do alto. - Não o passado, que esse já foi escrito, mas o futuro. Compreenderam o que está a acontecer à vossa volta, o vazio que o futuro vos reserva, e encheram-no de cor. E todos os meninos perceberam. Eram os seus sorrisos, a sua alegria, a sua bondade que podia um dia fazer a diferença. Era a eles que cabia escrever agora a história, a história do que estava para vir. E todos concordaram, a história ia ser linda, uma história que começaria com um colibri. FIM li
  32. 32. l 0 aífjauxfce 43 Swlô Labm
  33. 33. ÃO lxígkóriag Era uma vez um gigante que vivia numa gruta escura para que ninguém o visse. Chamava-se Colibri e era um homem muito inteligente. A gruta onde vivia ficava perto de uma aldeia chamada Vinte e Três. Tinha muitos corredores e parecia um autêntico labirinto. Talvez, por isso, fosse conhecida por Gruta Labiri. Os habitantes da aldeia não gostavam de se aproximar daquela gruta. Diziam às suas crianças que, naquela zona, se ouviam barulhos assustadores. .. mas, a verdade, é que eles não sabiam lidar com a diferença! Quando o Colibri era pequeno, ou melhor, quando era bebé, porque a verdade é que mesmo em bebé ele era muito grande, sempre tivera muita vontade de descer até àquela aldeia que ficava tão pertinho da sua gruta. Mas, um dia, quando o resolveu fazer, assustou-se, pois as outras pessoas eram muito dife- rentes dele. Pareciam brinquedos de tão pequeninos que eram! E o pior é que, quando o viram, desataram a gritar como se ele fosse um monstro ou um fantasma. Pareciam assustados. Não entendeu porquê, mas ficou tão triste que nunca mais se atreveu aproximar da aldeia. Colibri cresceu triste e solitário. O tempo passava sem que houvesse alguém que falasse com ele, que o abraçasse, que o fizesse sorrir. .. sentia-se muito só e desiludido comavida. À volta da gruta não havia nada, nem casas, nem pessoas. Era como se todos os caminhos em redor e até à gruta fossem proibidos. Colibri adoraria poder ver crianças a brincar, a sorrir, a chamarem pelos pais e também por si. Adoraria fazer parte daquela aldeia, como qualquer outra pessoa. .. Um dia, enquanto pensava na alegria que poderia sentir se tivesse amigos, Colibri ouviu vozes a chamarem-no. Nem queria acreditar! Será que final- mente alguém se tinha lembrado dele? - Gigante, estás aí? Vem até cá fora, precisamos de falar contigo! Disseram alguns homens da aldeia. Colibri ficou tão contente que balbuciou: - Será que acabou a minha solidão? Será que vou ser integrado na sociedade e ter amigos? Será que a partir de agora vou ser feliz como sempre sonhei? Será que 41
  34. 34. ÃO amos Por momentos, na cabeça do Colibri gerou-se um turbilhão de pensamentos mágicos inundados de felicidade. A tremer de emoção, saiu para fora da gruta em direção aqueles homens que o chamavam. Mas, o que viu e ouviu foi como se um relâmpago súbito e estrondoso o tivesse destruído por completo. - Colibri, não te queremos a viver perto da aldeia, disseram em coro. As nossas mulheres e crianças vivem apavoradas. Têm medo que um dia resolvas descer até ela. Colibri, completamente paralisado de tristeza, ouviu-os com os olhos cheios de lágrimas e disse baixinho: - Porquê? O que fiz eu de errado? Porque não gostam de mim? Porque tenho que viver sozinho? Porque sou marginalizado? - Porque és tão grande, tão diferente dos outros! ... As pessoas ficam amedrontadas só de imaginar que um dia possas ir até à aldeia. - Mas não é minha intenção fazer mal, seja a quem for! Eu sou diferente sim, mas não faço mal a ninguém - Tu és grande, muito maior do que nós. Sempre que te movimentas fazes muito barulho. O chão, na aldeia, quase que estremece! - Mas eu já nasci grande! Não fui eu que escolhi ser assim nem tenho maneira de o evitar. Não me querem ao pé de vocês só porque sou diferente? E, triste e a chorar, Colibri continuou: -já repararam naquela papoila vermelha ali no campo no meio dos malme- queres amarelos? É diferente de todas as outras, no entanto, todas juntas, ainda parecem mais bonitas, não acham? Todos olharam para as flores e, por momentos, o silêncio foi total até que um ancião da Aldeia exclamou: - Bem, a sabedoria que fui adquirindo ao longo dos anos diz-me que não devemos temer as coisas só porque são diferentes. A beleza do universo está precisamente em sermos todos diferentes e, por isso, nos podermos às a completar.
  35. 35. ÃO lxig/ córiag Apanhados de surpresa pois nunca haviam pensado deste modo, os homens refletiram e concordaram com o que o ancião acabara de transmitir. Então, um deles proferiu: - É verdade, não é justo que o Colibri seja descriminado só porque é diferente. Ser diferente não significa ser mau. Vamos tentar viver juntos e fazer com que ele se integre na nossa aldeia. - Mas como vamos fazer com as crianças? Todas elas têm pânico do Colibri. Desde que nasceram que ouvem histórias horríveis sobre as suas maldades. Quando ouvem os seus passos correm para as suas casas e escondem-se debaixo das mesas. Ficam quietinhas e completamente petrificadas de medo. .. O ancião disse então: - Meus amigos, as crianças fazem o que vêm fazer. Se nos virem a conversar com o Colibri, a brincar, a não temer o que é diferente, a elogiar o que se eviden- cia, vão fazê-lo também e, daqui por pouco tempo, já nenhuma criança se lembrará que um dia tivera medo do Colibri! Depois de uma pausa, o ancião prosseguiu: - O importante é que, para além das palavras, os nossos gestos e atitudes mostrem que não faz mal ser diferente, que cada pessoa tem as suas dife- renças e que são essas que nos fazem gostar delas. Se fossemos todos iguais, que graça tinha? - Viva a diferença, viva a originalidade. .. Disseram todos em conjunto. Num gesto de amizade, juntaram-se todos ao Colibri e convenceram-no a ir viver com eles para a aldeia. Entraram na gruta e percorreram os seus corre- dores para recolher os seus bens. Meteram-nos numas malas enormes e, todos juntos, acarretaram-nos até à aldeia. O ancião pediu a um dos homens da aldeia que fosse tocar o sino. A população, quando o ouviu, juntou-se no adro da igreja. Então, o ancião, com uma sensibilidade muito grande, contou ao povo que ali se juntará, o que tinha acontecido. Explicou-lhes que ser-se diferente não significa ser-se mau nem é motivo para se ser descriminado. Que todas as pessoas têm direito a serem felizes e a viverem em comunidade.
  36. 36. ÃO amos Nessa altura, os homens começaram a brincar com o Colibri. Este pegava neles ao colo e fazia com que saltassem até às nuvens. Entretanto, foram chegando os outros habitantes da aldeia. As crianças, ao verem os seus familiares e amigos a brincarem juntos com o Colibri, foram-se libertando do medo sentido até então. - Estão todos a brincar, dizia uma delas. Afinal o gigante não é mau! Vamos brincar também? Mas, quando as crianças se aproximaram do Colibri e dos homens da aldeia, inesperadamente começou a chover torrencialmente. O Colibri, a tremer, começou a fazer uns barulhos muito esquisitos que assustaram novamente os habitantes da aldeia. Todos começaram a fugir indo-se abrigar e esconder nas suas casas. Sozinho, desolado e cheio de medo, Colibri gritou: - Não se vão embora, por favor. Eu não vos faço mal! Sempre que chove fico com medo e faço estes barulhos mas não vos faço mal! Mas ninguém o ouviu, pois já tinham fugido a sete pés. Colibri não teve outra alternativa senão refugiar-se novamente na sua Gruta Labiri. A chuva teimou em cair durante três meses seguidos e quando o sol voltou já ninguém se lembrava que o Colibri era um bom homem. O medo de se aproxi- marem da gruta voltou a perdurar e o gigante Colibri viveu, sem falar com ninguém, durante mais dez anos. Um dia, após esses dez anos, Colibri estava sentado à entrada da gruta quando viu uma menina muito pequenina aproximar-se dele. Tinha uns olhos grandes e brilhantes como estrelas. Aproximou-se mais um pouco e disse-lhe: - Olha, tu és grande mas és simpático e eu não tenho medo de ti. Podes ajudar-me? O meu papagaio de papel está no cimo de uma árvore e ninguém o consegue tirar. Fico muito triste porque ele é lindo e colorido e no alto da árvore fica descorado com o sol e triste por não conseguir voar nas asas do vento. - Claro que posso ajudar-te, disse o gigante emocionado. Eu nem tenho que me esticar para lá chegar, vês? Toma o teu papagaio e vai brincar!
  37. 37. ÃO lxigkóriag - A menina ficou muito feliz e, como forma de agradecimento, perguntou-lhe se ele necessitava de ajuda. Então, Colibri pediu-lhe para ela lhe apanhar umas cenouras pois custava-lhe muito baixar-se. A menina assim fez e, feliz, foi para a aldeia contar a toda a gente! Ao ver este pequeno gesto, os adultos da aldeia ficaram envergonhados e refle- tiram: as diferenças que existem entre todos nós não devem servir para nos afastar, ao invés, devem servir para nos aproximar, complementar e permitir alcançar novos objetivos. Desde esse dia, a pequena aldeia ficou conhecida pelo seu espirito de entreajuda. Colibri passou a morar numa casa bem alta, no centro na aldeia, para que todos os que morassem perto dele o pudessem ajudar, naquilo que ele não podia fazer e para que o Colibri os pudesse ajudar, naquilo que eles não conseguiam. Colibri de vez em quando voltava à Gruta Labiri mas essas visitas foram-se tornando cada vez mais raras Afinal a sua casa era agora bem no centro da Aldeia Vinte e Três! FIM li
  38. 38. @É *sí _ gííl_ : y É F¡ e o < . . . i. g ! k prirxcega Cplíbreka e. o/ «Qeirxoã cia Bílxrada . . f¡ ' _ , , _ _l ' n J . /" ~. : - x › ' l Ill X V', l '- ¡ n j › l v J -^ f , . I ; _+ xJ . j' I l l l, l_ g l l ~ . .Í-f
  39. 39. ÃO lxígkóriag Num reino distante havia um palácio em tudo diferente, até a família que lá vivia era diferente de toda a gente. O rei Colibri e a sua rainha Roxinola que adorava tocar viola e a filha de ambos, a princesa Colibreta, que adorava uma careta. Certo dia resolveram dar uma grande festa no palácio. ..e convidaram toda a passarada. .. O conde Pombalino e a condessa Pombalocas, que adora bombocas, o visconde Pardal e sua Pardaleca, linda que nem uma boneca, os duques Flamingóides e os filhos Flaminguetes, todos apressados lá vinham mais pareciam foguetes, os príncipes Piriquetos que vieram de Paris e que só sabiam coçar o nariz, merci, merci, diziam eles. ... E foi vê-los todos vaidosos a desfilarem na passadeira vermelha, lindos vesti- dos, penteados catitas, sapatinhos janotas mas dos pés estavam aflitas. ..e toda a minha gente apareceu não querendo perder tal acontecimento. .. Entretanto o gato maltês que tocava piano e falava francês, logo que soube desta festa, cresceu-lhe água na boca. Pensou para si mesmo: é desta, que lhes vou tirar o riso. .. Mas o maltês era esperto, espertinho, esperteto e já sabia que dos portões não passaria, se bigodes se avistassem. Tentou ser avestruz, deslumbrado com o espaço que teria para o pitéu que aí vinha, mas a bem dizer foi muito difícil, a barriga era grande mas as pernas também, e como era pequeno e baixote, não podendo levar escadote, de andas teria que andar. E com tanto tremelicanço, espalhanço e outros que tais, decidiu que de galo era mais fácil, ser rei dos galinhais. E lá foi ele. .."Dom Galeto II" anunciaram os guardas com as cornetas reluzen- tes, a todos os presentes, ta ta ta ta taamm. ..Foi demais a emoção, vinda em turbilhão, que sentiu ao pisar aquela passadeira vermelha. Se por um lado sali- vava, com tanta passarada, por outro inchava, pois nunca se tinha visto no meio da realeza, ai que beleza! Assim que entrou palácio dentro, foi tão grande a comoção que deu logo um trambolhão! Aflito para não atrair as atenções, rapidamente se recompôs, mas a princesa Colibreta que adorava uma careta, mas era muito perspicaz e 49
  40. 40. ÃO amos pespineta, olhou para aquele galo emproado e desengonçado e pensou: Hum! Aqui há coisa! Este passaroco com crista de galaroco não me inspira confi- ança! Vou investigar quem é o bicharoco! E dito isto, foi ter com a sua melhor amiga, a princesa Canarinha, que cantava e bailava como ninguém no colégio, mas adorava um bom mistério. ... . - Princesa Canarinha que achais deste galo galináceo que mais me parece um ser de outro planeta que nem sabe tocar corneta, e que por aqui passeia entre nós, os que somos da realeza, com certeza? - Minha querida amiga Colibreta, que tão bem toca a corneta, e que passeia na sua lambreta, nem sei o que lhe dizer, pois esta festa, de nobre nada parece ter! Tenho assistido ao desfile de várias celebridades a passearem-se na passadeira vermelha, mas nunca Vi tal coisa por estas bandas. .. Será que os seus paizinhos saberão ao certo quem convidaram? - Mas que ideia, minha querida, é claro que os paizinhos conhecem todos os pardalinhos e pardalocos, bichinhos e bicharocos, ou não teriam eles reunido toda esta galinhada. .. mas, pensando bem, talvez aquele galo não seja quem eles pensam. .. o melhor é ficarmos com ele debaixo de olho não vá deixar-nos alguma surpresa na certeza desta nossa incerteza. .. - Também acho, minha amiga, há algo nele que não me deixa sossegada, ficando antes baralhada, atarantada e ao mesmo tempo maravilhada com tanta estranheza num só bicho, mas nada melhor do que metermos conversa, até porque este galo de quem eu não falo é muito jeitoso ou não seria ele habi- lidoso, deixando-me tentada a meter um pé de conversa. .. o que acha? - Vamos até lá, querida Colibreta, e eu faço questão de me apresentar, cantar e dançar! E assim foram as duas amigas Canarinha e Colibreta ao encontro deste galo misterioso, presunçoso, caprichoso, vaidoso e talvez mentiroso, com a ideia na mente de onde virá aquela espécie de gente. .. A princesa Canarinha, amarela e redondinha, dançava sem parar. Ora com um, ora com outro, sempre pronta a trocar de par. Dançou a valsa com os Flamingóides e a salsa com os Flaminguetes, por fim lá decidiu parar, dorida que estava dos seus joanetes. i5 : t:
  41. 41. ZO ! xigkóriag O Maltês já de olho nela, esperava uma oportunidade. Avistou-a então no alpendre, sentada a descansar e logo se dirigiu a ela com vontade de conversar, cheio de salamaleques a fim de a encantar. Através de uma janela, a princesa Colibreta que adorava uma careta, expiava os dois. Pelo embaraço da sua amiga adivinhava confusão, pois que o galo empertigado, com dotes de sedutor, oferecera à princesa Canarinha, amarela e redondinha uma linda flor. .. A princesa Canarinha corou e ao cheirar a flor logo espirrou aaaaaaatchim - Pássaro, passarão não serves para mim! - É melhor ficarmos por aqui. O Maltês furioso ficou, seus olhos abriu e se revelou: - Não sou pássaro nem passarão, sou o Gato Maltês que te desfaço em três! !! - Foge Colibreta, gritou a Canarinha! Foge Canarinha, gritou a Colibreta! - Fujam bichos, bichinhos e bicharocos! Corram que aqui há gato! - Oh, se há gato! Gato, gatinho, Gatão, que vos vai levar todos para o seu caldeirão! E, num repente, parou a música, a dança e a lembrança. .. Os pássaros voaram, as cigarras calaram e os ânimos acalmaram. Tudo ficou cinzento, como num dia frio de Inverno. O medo pairava, pela primeira vez, sobre a realeza. O Rei Colibri estava desconcertado, pois a ameaça espreitava a cada esquina. Nunca, no seu reinado, tal coisa havia ocorrido. Um galo que era um gato, gatinho, Gatão, e que a todos queria levar para o Caldeirão! A partir deste dia nada mais foi o que era. Os sorrisos desapareceram e as janelas passaram a estar fechadas. A solidão tomou conta do reino e toda a bicharada se remeteu num longo e imenso silêncio onde tudo parecia adormecido. .. O rei Colibri pensou, pensou, pensou, mas nenhuma saída encontrou. Seria necessária uma estratégia, mas não havia meio desta chegar. Se ao menos ele tivesse uma mente iluminada. .. Foi então que se lembrou: - já sei! Vou convocar o meu fiel amigo e conselheiro real, o meretíssimo professor Pardal. Ele certamente encontrará a solução para tão grande desani- 51
  42. 42. ÃO 6h05 mação! A sua mente iluminada, as suas ideias geniais trarão de volta a alegria e os nossos musicais! E se bem pensou, melhor o fez. E foi assim, que numa noite tenebrosa o rei Colibri foi bater à porta do professor Pardal. - Truz, Truz, Truz, está alguém em casa? Do outro lado da porta imperava o som do vazio. O que teria acontecido a este ser pensante que de grilo Cantante nada parecia ter? Depois de à porta bater, resolveu o rei melhor se aperceber Que seria feito do Pardal Pois mais nada poderia fazer Naquele seu reino infernal Onde os gatos se tornam galos E os bichos bicharocos Onde há princesas e príncipes E onde o medo adormece, permanece e não se esquece. Andava o rei colibri a dar voltas à cabeça sobre o destino do Pardal quando sobre si recai uma sombra, a imagem do Gato Gatão que a todos queria levar para o grande caldeirão. Lá pensou o rei que deixava viúva a sua rainha rouxinol e sem pai a sua querida princesa Colibreta, quando aparece o cão Valentão e faz fugir o Gato Gatão. O rei colibri, agora mais calmo, agradece ao Cão Valentão e partem os dois à procura do Pardal que talvez estivesse nalgum quintal. .. Lá foram os dois, numa grande animação, O Rei Colibri e o Cão Valentão, a rir e a cantarolar à procura do Prof. Pardal. ..e procuraram, procuraram e nada! !! Nem pistas do Prof. Pardal. Até, que o Rei Colibri desabafou o seu problema com o Cão Valentão, que estava em grande animação de voltar, novamente, ao castelo ver a princesa Colibreta. O Rei Colibri saltou de rompante em grande agitação e disse: @à já:
  43. 43. ZO ! xig/ córiag -Iá sei Cão Valentão, vais ficar a proteger o nosso castelo não vá aparecer por aí outra vez o Gato Gatão e tornar o reino, outra vez, numa grande confusão. .. Sem pensar, o Cão Valentão disse logo que sim. ..pois será que o seu coração batia forte pela princesa Colibreta, que toca corneta? ? A princesa Colibreta continuava a tocar corneta na tentativa de animar o reino. .. Apareceu o papagaio João de Bico Dourado que tanto cantava e cantarolava. A rainha e a princesa Colibreta encantaram-se com tais canções, nunca pensando que podiam estar a ser bem enganadas, novamente, pelo Gato Gatão que vinha disfarçado de papagaio João, para pôr todos no caldeirão. Quem já não se deixou levar em canções, foi o seu fiel admirador, o Cão Valentão que logo farejou este novo passarão e deu um valente susto ao vilão. A nossa rainha, tranquila com tão valente protetor descansada ficou esperando o regresso do rei. Quem lá partira de quintal em quintal, à procura do tão célebre Pardal. .. era o rei Colibri que, finalmente, depois de muito voar, eis que Pardal e Pardalita consegue avistar! Grande desafio se impõe à nossa mente iluminada: - O medo terá de banir e o riso terá de se ouvir! O nosso mestre Pardal, não se faz de rogado e com o desafio fica encantado! Põe-se logo a magicar e ideias geniais pairam no ar. .. Todos esperam algo mau para destruir o Gato Gatão, que a todos quer colocar no caldeirão, mas uma linda borboleta, repleta de cor e alegria será o ideal para o reino acordar num novo e belo dia. Enquanto isto no palácio, farta de esperar que o rei Colibri encontrasse o professor Pardal, perdido nalgum quintal, a rainha Roxinola, que não tocava na viola, receosa pela segurança da sua querida Colibreta, foi falar com Eliseta, a sua amiga borboleta, pois tinha tido uma visão que lhe dava a solução, mas precisava de união. V v , V v , u 'u ' u ' , " v' , A borboleta oa a oa a na ele ce 11 minado ara ela nao ha 1a medo pois aquele era o seu vale encantado! Mas eis que chega o Gato e, sem ela esperar, as suas asas ficam presas, e o seu céu deixa de brilhar, como se toda a terra tivesse parado de cantar.
  44. 44. ÃO amos Num movimento de fuga ela perde uma asa e todos gritam: - Ai, que nos mata a borboleta, mais linda do que uma corneta! E o Gato Gatão responde: - Shiu, que não quero ouvir sequer um senão! E os bichos bichinhos pensam: "E que será de nós, se também perdermos a voz? " Mas, neste impasse, surge o nosso amigo Pardal que recupera a borboleta, mais linda do que uma corneta, e lhe devolve a asa para que ela, assim, possa voar, brilhar e sonhar. Muito zangado com a atitude do Pardal fica o Gato Gatão, pois vê a sua borbo- leta fugir-lhe por entre as mãos. .. 0 Gato Gatão, que pensava que era espertalhão, caiu, sem saber, na armadilha do Pardal, pois assim que avistou a linda borboleta ficou encantado, como que apaixonado. Enquanto a borboleta rodopiava no ar todo o reino preparava a sorte do Gato Gatão. Todos os bichos e bichinhos cavavam um grande buraco na esperança de apanhar aquele glutão. Desnorteado por mais uma vez ver o seu plano furado sem se aperceber cai no buraco que lhe foi destinado. Depois de uma reunião para a qual toda a bicharada foi convocada ficou deci- dido e em ata lacrada que o Gato Gatão por algum tempo ficaria na prisão até aprender a lição. Dizem que deu resultado e o gato por estas bandas nunca mais foi avistado. No reino Colibri onde tudo era diferente toda a gente ficou feliz e contente! A rainha Roxinola continua a tocar viola. ..A princesa Colibreta a adorar uma boa careta! FIM
  45. 45. É? ? _-. .l J u; W L_ . , 1._ _ . V" ' h : f' r-“nj ~ v.21,: : - 1 . a 'É' . . V ! [ ' _n M llâléíwuffv/ x' ! Li
  46. 46. ÃO ! xigkóriag Há muitos, muitos anos, viviam num palácio uma família muito feliz. O rei, uma pessoa ambiciosa que gostava muito do mar, possuía um barco que servia de transporte para os tesouros. Certo dia, o rei informou a rainha que ia partir em breve Este rei, para além de bondoso, era um homem bastante ativo, vivia sempre de cabeça erguida e com um olhar seguro. Era determinado e corajoso o sufici- ente, para aceitar todos os desafios. Tinha o gosto por novas descobertas e adorava viajar. Para ele, a vitória era tão importante quanto o combater. Era um genuíno guerreiro que não se deixava intimidar com outras opiniões. Decidiu então, de novo, ir ao encontro de novos desafios! A rainha, uma mulher bondosa, ao receber tal notícia ficou extremamente abalada. Não deixou no entanto, de tentar convencer o seu rei para que este desistisse da viagem, sensibilizando-o para todos os perigos que no mar, ele teria que enfrentar. No dia seguinte, a rainha, já recomposta pela notícia que lhe tinha sido trans- mitida, e lembrando-se que todas as suas palavras não tinham causado qual- quer impacto na decisão do rei, começou a pensar que teria de arranjar outra solução. Ainda vacilante sobre se era a decisão mais sensata, chamou as suas aias e pediu-lhes para que espalhassem a notícia por todo o reino e mesmo por outras aldeias, cidades e florestas, de que o rei pretendia fazer uma viagem muito arriscada e que tal lhe poderia até custar a vida. A rainha após ter proferido tais palavras e analisando a reacção das suas aias, ficou com a firme convicção de que ninguém quereria perder um rei tão bondoso e que todos, de uma forma ou outra, iriam manifestar o seu desagrado pela decisão que o rei tinha tomado. Todas as tentativas foram em vão e então a rainha pensou acompanhar o esposo. Passados alguns dias, quando se encontravam no grande salão do palácio o rei, a rainha e a princesa, sendo esta última uma jovem muito preguiçosa, mas possuidora de uma grande beleza, entrou um criado de passo apressado, que se dirigiu ao rei muito educadamente e num tom de voz muito baixo lhe pediu permissão para que este recebesse um príncipe de um reino muito distante. O príncipe era um jovem bonitão, discreto, educado e rico. Ao contrário da prin- cesa, para a qual o maior gosto da sua vida era dormir, este príncipe de semblante tranquilo, sentia-se facilmente inspirado por novos planos para viagens. 57
  47. 47. ÃO amos O rei assim que o viu, sentiu uma súbita simpatia por este príncipe, no qual se revia, nos seus tempos de juventude. Mas o príncipe, não conseguia de forma alguma reparar em mais alguém que não fosse a linda princesa! Quem o chamou a atenção, foi o seu animal de estimação, o seu fiel amigo Dragão, que sendo a sua companhia assídua, e conhecendo muito bem o jovem príncipe, lançou algumas labaredas pela boca, chamando a atenção do seu dono e não deixando que tal situação se arrastasse por mais tempo. O vestido da princesa ficou chamuscado com as labaredas do Dragão e ela zangada, disse: - Não quero aqui este animal, a quem pertence? O jovem príncipe, embaraçado respondeu: - Linda princesa, a sua beleza fez-me perder a noção do tempo, o meu fiel amigo, só me quis chamar a atenção para o que aqui vim fazer. Vim oferecer o meu apoio ao Rei, estou disposto a partir com ele na sua aventura. . O Rei retorquiu: - Agradeço a tua ajuda, pois vejo que és de grande valentia, por isso, prefiro que fiques no reino com a princesa. Ficarei mais descansado se assim for. Não era essa a intenção do príncipe, pois era um grande aventureiro mas respondeu ao Rei: - Fico grato por confiares em mim e como sei que grandes perigos vais encon- trar, peço-te que leves o meu Dragão. Nisto surge uma voz a cantarolar: - O Rei e a Rainha vão partir, a princesa ficará a dormir, mas um príncipe e um Dragão o reino vão ajudar. E a mim? Não me querem levar? !- todos se riram do Colibri, o bobo da corte. O grande dia chegou, a aventura ia começar: No reino ñcaram, a princesa e o prín- cipe. No barco, iam o Rei, a Rainha, o Dragão, o Colibri e os sete duendes escondidos. Quando perderam de vista o Reino, olharam para o mar, ansiosos com o que poderiam encontrar. Vários dias passaram e nada acontecia e começaram a ficar desiludidos! O Colibri dizia: i5 fi:
  48. 48. ÃO ! xigkóriag - Ai, ai, que aborrecido! Onde estão as aventuras? Esta viagem só era divertida para a princesa, pois podia estar sempre a dormir. E a nós o que nos resta? azul no céu, azul no man. .. De repente, o Dragão começa a ficar agitado. Sem perceberem o que se passa, olham à sua volta. O Rei com o seu binóculo, vê que algo se aproxima, parece um barco e à medida que se aproxima, percebem que é um barco de piratas. Todos ficam assustados, e começam a preparar a sua defesa. No meio da confusão, surgem uns chapéus verdes a saltitar, mas o que se passa? O Colibri percebeu que aqueles chapéus eram dos duendes e saltou de alegria, pois os seus poderes mágicos, iriam ajudá-los a combater os piratas. Finalmente, o barco dos piratas alcança o barco do Rei, e eles percebem que o barco é do terrível pirata Cicatriz no Nariz e dos seus companheiros, os Piratas Batatas. - Que andam aqui a fazer no meu Mar? - pergunta o pirata Cicatriz no Nariz. - Queremos encontrar aÁrvore da Sabedoria. - responde o Rei. - AÁrvore da Sabedoria? ! Nós já a comemos. - dizem os piratas a rir. Os duendes sabiam que não era verdade e perguntam-lhes: - Então levam-nos à Floresta Girassol, onde a grande Árvore da Sabedoria estava plantada, pois para além da árvore existia um grande tesouro enterra- do? ! Os piratas percebendo que podiam ficar muito ricos com o tal tesouro, disse- ram-lhes que os iam ajudar a chegar à Floresta Girassol. Decisão tomada. O barco dos piratas conduziu o barco do Rei para a Floresta Girassol. Assim que chegaram à floresta, não lhes restaram dúvidas, que aquela era a Árvore da Sabedoria. .. pois era a mais especial, em virtude da sua importância para a vida humana, pela forma como os cumprimentou, ficaram a saber que era capaz de falar e a sua voz serena era a da sabedoria, da razão, do equilibrio e na época da ano na qual se encontravam, a primavera, esta árvore tinha ganho uma vida diferente de todas as outras, pois abriam-se nela, de forma constante, lindas flores que poderiam dar origem a novas árvores. 59
  49. 49. ÃO 6h05 O pirata Cicatriz no Nariz abraçou a árvore, que claro está, logo sentiu a sua falsidade, e o pirata disse-lhe: - Querida árvore, pensava que tinhas desaparecido, que alguém que não nós, te tinha comido, estávamos tão preocupados! ... Mas já que ainda estás viva diz- nos, onde se encontra o tesouro? Eu sei que tu sabes tudo. .. A árvore não teve tempo de lhe responder. De surpresa, ouviu-se "Bumm! !!! " E o barco dos piratas ficou totalmente destruído! O Pirata Cicatriz no Nariz e os seus companheiros Piratas Batatas, ainda pensaram ocupar o barco real, mas extremamente confusos e assustados fugiram pela floresta fora. Não tinham meios de orientação e não conhecendo a orientação pela lua, que tal como o sol, nasce a Leste, dependendo da sua fase a hora a que nasce e tendo poucos conhecimentos dos pontos cardeais (Norte, Sul, Este e Oeste) acabaram por se perder. Nunca mais ninguém ouviu falar deles. .. Muitos mais navios da Marinha foram chegando à ilha, pertencentes ao reino do príncipe. Esta chegada foi aparatosa e foi sob o comando deste, que a bala de canhão fora disparada, para ver o que sucedia muito longe do lugar onde se encontrava, uma vez que possuía meios sostificados de longo alcance. Ao ver o príncipe e a princesa, os reis não puderam evitar um momento de grande comoção. .. O dragão, os duendes, a Árvore da Sabedoria e todos os animais da floresta aplaudiram com entusiasmo a chegada do casal real. A Árvore da Sabedoria por sua iniciativa, fez questão de dizer onde se encon- trava o tesouro, que de tão valioso, se tornou impossível de ser avaliado. O príncipe e a princesa não conseguiam conter a alegria que sentiam e comuni- caram, mesmo ali, que tinham intenções de se casar o mais brevemente possível. O tesouro foi levado para os dois reinos que acabavam de se unir, para grande feli- cidade dos dois povos e todos beneficiaram com a tomada de decisão da prin- cesa e de sua mãe, em partilhar com todos a maior parte de toda aquela riqueza. A Árvore da Sabedoria também quis viajar para o novo reino, decisão já pensada pelos elementos do reino. Ficou no lugar de maior destaque nos jardins do palácio, aquele para onde a princesa e o príncipe iriam morar.
  50. 50. ÃO ! xigkóriag A princesa passou a ir para junto da Árvore da Sabedoria durante longos períodos de tempo e assim, ouvindo os conselhos que a árvore tinha para lhe dar, com a sua voz meiga e cheia de compreensão deixou de ser preguiçosa e tornou-se numa mulher independente, graciosa, atenciosa, ainda mais bonita e interessante. Os duendes quiseram ir viver para uma floresta linda, onde a paz reinava e a palavra "mal" era desconhecida. No entanto, a sua amizade com a família real era enorme e interrompiam o estar na floresta com longas visitas ao rei e à rainha e mais tarde, ficavam alojados em casa da princesa e do príncipe por longos períodos de tempo. A muitas outras árvores da sabedoria esta maravilhosa Árvore deu origem. Espalhadas, hoje em dia, por várias partes do mundo, apenas tem trazido a paz, a saúde e a felicidade a quem tem o benefício de a possuir ou de lhe aceder. O Dragão passou a proteger de uma forma constante, a Árvore da Sabedoria, não permitindo sequer que nada a amedrontasse e os dois vivem sempre em grande harmonia. O casamento do príncipe e da princesa realizou-se e todos tiveram oportuni- dade de o festejar. Nunca se tinha visto festa tão grandiosa e tão bonita! Passados alguns meses, aconteceu o que todos esperavam, nasceu um bebé lindo, o qual foi batizado com o nome do avô materno. Outra grande festa sucedeu para grande alegria do povo, que partilhava sempre as felicidades do rei, da rainha e dos três príncipes. Todos viveram felizes para sempre! E então, a história acabou? Não nos estamos a esquecer de ninguém? Com toda a certeza que estamos! Então e o bobo da corte, o Colibri? O Colibri? !!! Era um ser agitado e extremamente sociável, mas problemas é que não era definitiva- mente com ele! Durante todo o tempo em que os reis e os príncipes se conse- guiam ver livres dos piratas, enquanto Conversavam com a Árvore da Sabedoria e determinavam qual o futuro, o Colibri esteve sempre no navio real, a dar bons mergulhos para as águas límpidas e temperadas daquele maravi- lhoso oceano e a saborear comidinha da boa! 61
  51. 51. ÃO amos Quando por fim, o navio atracou no cais, o Colibri procurou a Árvore da Sabedoria, e a partir dessa altura, também ele, passou a ter longas conversas com ela. Estava farto de ser o bobo da corte e de viver para fazer rir os outros. Certo dia, escolheu ir viver para Massamá. Queria ter um projeto que fosse inovador, diferente em alguns pontos, de todos aqueles que vira arquitetar. Mais tarde teve uma ideia brilhante, construir um colégio. Para este seu projeto, queria que a tradição do bem e do verdadeiro fosse sempre preservada. Queria que os pais mandassem as crianças para a escola, para que estas tivessem sempre em mente que tudo o que se aprende na escola é trabalho de muitas gerações e que enquanto tivessem a receber essa herança, a honrassem e a acrescentassem e que um dia, fielmente, a deposi- tassem nas mãos dos seus filhos. O Colibri acreditava que quem abrisse uma escola, fechava uma prisão. Ele queria uma escola, na qual as crianças brincassem, sem se considerar que estavam a perder tempo, mas sim a ganhá-lo. Considerava muito triste ver meninos sem escola. Mas a frase que o Colibri mais pronunciava, é que as escolas devem ser como asas! Ainda hoje, quem quiser, pode ver as crianças que diariamente largam as mãos dos seus pais e vão felizes, para a escola do Colibri, interessadas em aprender, que sentem prazer em ir à escola, que recontam os acontecimentos do dia aos pais, demonstrando carinho pelos professores, são crianças com uma mente aberta, são crianças com vontade de aprender e de encontrar respostas às milhares de perguntinhas que surgem nas suas cabeças. O Colibri, ainda hoje, vive muito feliz, por poder observar todos estes factos, e por saber que o seu sonho se realizou. Agora sim, podemos dizer, que todos viveram felizes para sempre. FIM um. r
  52. 52. .TH, H z -u o zççJlll ç - . ~v - l 53mm:
  53. 53. ÃO ! xigkóriag Numa noite, o joão sonhou que era astronauta e que foi até ao Espaço onde descobriu um planeta, chamado Colibri. Viajou no seu enorme e colorido foguetão. Ao aterrar, avistou uns seres amarelos e brancos, os colibrianos. Estes, eram seres acolhedores mas também muito desconfiados pois não sabiam quais eram as intenções do joão. - Que ser tão esquisito! De onde virá? - comentaram alguns. - Será possível mostrarem-me o planeta Colibri? - perguntou o joão ao descer do foguetão. . - Poder, podemos mas há uma cidade chamada Chibafubar que é complicada de visitar porque tem uma parte chefiada pelo malvado Vilão Barbas - respondeu o colibriano mais simpático. Mesmo assim, o joão mostrou interesse em conhecer o planeta Colibri e, principalmente, a cidade de Chibafubar. - Quem me poderá levar até essa cidade? - perguntou ele curioso. Então o colibriano mais sério, respondeu-lhe: - Só o destemido herói Chifu tem coragem para te levar até lá e enfrentar o Vilão Barbas. O joão ficoupensativo - Sei que posso correr vários perigos mas cada vez tenho mais vontade de explorar este planeta. Sabes onde está o herói Chifu? - perguntou, de imediato, auma bonita colibriana. - Sim, sei. Ele anda sempre, por aí, no Espaço, na sua nave preta. Foi então que o joão se dirigiu ao seu foguetão e partiu em busca do herói Chifu. Pelo caminho. .. (Sons) - Oh! Não! Uma chuva de meteoritos! !!! Tenho de carregar rapidamente nos disparadores de raios laser. Vou desfazê-los em bocadinhos para não me estragarem o foguetão! (sons) 65
  54. 54. ÃO amos Ao ultrapassar a tempestade, reparou numa nave que se aproximava e disse: - Ora. .. uma nave preta com um ser musculado, vestido com um fato branco e uma capa vermelha, só pode ser ele. Com a ajuda do seu megafone, o joão pediu-lhe: - Herói Chifu, levas-me à cidade de Chibafubar, por favor? - Sim! !! Mas só com uma condição: vais- me ajudar a derrotar o Vilão Barbas. O joão concordou e, subitamente, desceu do foguetão, entrou para a nave do herói Chifu e juntos dirigiram-se para a cidade. Ao aterrarem sentiram uma violenta explosão vinda da parte sul. (som) Eles correram para lá. .. Aí viram que, a cidade tinha sido invadida por ovnis que tentavam destruir o poderoso exército do Vilão Barbas. Imediatamente, os dois começaram a elaborar um plano para a salvar. Entretanto o herói Chifu exclamou: - Temos de ser rápidos e unir forças! Agora já sabemos que podemos contar com a ajuda dos nossos aliados, os extraterrestres e os colibrianos! Vamo- nos organizar! De repente, parecia ter havido um tremor de terra e todos ficaram assustados e surpreendidos. O Vilão Barbas aproximava-se a grande velocidade com o seu exército. Então, dos ovnis começaram a ser lançados raios de várias cores que deitaram por terra alguns dos soldados do Vilão. Este, ficou furioso e deu ordens para dispararem em todas as direções. Nesta batalha, ficaram feridos alguns colibrianos e o próprio herói Chifu caiu inanimado no chão. O joão aflito, gritou: - Não se preocupem! Vou já buscar a minha «Super-caixa de primeiros socorros» onde tenho um poderoso remédio que trata todos os males. Passado algum tempo e, após reanimar o seu amigo, perguntou-lhe: - Como é que te sentes? Achas que consegues continuar a cumprir o nosso plano? - Não vês que eu sou forte! Não preciso de mais nada! Precisamos é de vencer o Vilão Barbas e de libertar o povo daquela cidade.
  55. 55. ÃO ! xigkóriag Ao olhar de novo para o campo de batalha, verificaram que o Vilão Barbas tinha fugido e que o seu exército estava a recuar. O joão teve então uma ideia: - Eu e os colibrianos vamos procurá-lo por este lado e tu e os extraterrestres vão pelo lado do rio. - Boa ideia, joão. Os colibrianos poderão conduzir-te aos túneis subterrâneos onde ele poderá estar escondido. O grupo do joão percorreu vários quilómetros de túneis, verificando todas as cavernas que iam encontrando sem sinais do Vilão Barbas. Estavam quase a desistir e a sair daquele labirinto quando, de repente, ao fundo do túnel - Está além uma sombra! -gritou um dos colibrianos. Apontem a lanterna para lá! Deram uma corrida, e encontraram o Vilão Barbas a preparar-se para fugir por uma porta secreta onde estava a sua nave. Entretanto, o joão vendo que não o conseguia alcançar, pois ele descolou rapidamente para o Espaço, resolveu investigar o esconderijo. Ao ver um painel de controlo com muitos botões e engenhocas decidiu carregar num botão vermelho que indicava "autodestruição de naves". Como por magia, apareceu um ecrã gigante e o joão localizou a nave do Vilão Barbas com o radar. Carregou novamente e, ao ver o que aconteceu (som) gritou para os outros: - O Vilão Barbas caiu num buraco negro! !! Yupi! !! Voltaram, apressadamente para junto do grupo do herói Chifu para lhes contarem a novidade. - Chifu, o Vilão Barbas já não nos incomoda. Nunca mais! A cidade de Chibafubar está salva! - Como conseguiste? -perguntou-lhe o amigo. -O joão é um HERÓI! ! ! !! - gritaram alegremente os colibrianos. Quando o joão se preparava para responder ao herói Chifu viu-se rodeado de estrelas e de satélites. Entretanto ouviu uma voz familiar a dizer-lhe: - joão, são horas de acordar! Levanta-te, tens de ir para a escola! 67
  56. 56. ÃO amos Finalmente, abriu os olhos e ao ver a sua mãe compreendeu que aquela fantástica aventura não tinha passado de um sonho. FIM cig- 52:¡ UP! ”
  57. 57. .. a
  58. 58. ÃO ! xigkóriag Era uma bela manhã de verão. Mal despontaram os primeiros raios de sol, quentes e luminosos, a floresta encheu-se de vida, sons e cores. Um pequeno colibri, de plumagem brilhante e bico delicado, saltitava de flor em flor, à procura da primeira refeição da manhã. Entretanto, um grito terrível veio perturbar a paz e a harmonia daquela manhã calma e perfeita. Assustado, o colibri esvoaçou para o cimo de uma árvore e olhou em volta, tentando descobrir o que se passava. Viu então o seu amigo papagaio a chorar desesperadamente. Que teria acontecido? O colibri aproximou-se e perguntou: - Que te aconteceu, amigo, para chorares dessa maneira? - Os caçadores de aves raras capturaram os meus filhinhos! - disse o Papagaio entre soluços. - Tenta acalmar-te, meu amigo! Vamos arranjar uma maneira de trazer os teus filhos de volta. Um pouco mais calmo, o Papagaio agradeceu, mas, logo de seguida, perguntou: - Como é que vou recuperar os meus filhotes? Como podemos nós, pequenas aves, lutar contra aqueles malvados? O colibri ficou calado por alguns momentos. - Em primeiro lugar - disse ele - temos que descobrir para onde os caçadores os levaram. - Eles dirigiram-se para o rio das Piranhas! Vamos lá, depressa! - Não! Vamos com muito cuidado para que eles não nos vejam! - disse o Colibri - Temos que pedir ajuda aos outros animais. Tal como tu disseste, nós sozinhos não podemos nada. Somos apenas duas aves pequenas e frágeis. E lá foram eles à procura de animais que estivessem dispostos a entrar numa missão tão arriscada. Numa clareira da floresta, já perto do rio das Piranhas, encontravam-se vários animais. Também eles estavam a par do que os caçadores tinham feito. 71
  59. 59. ÃO amos Também eles tinham ficado sem as suas crias. Eram principalmente aves, como papagaios e araras, mas havia outros, como iguanas e macacos. Os animais estavam tristes e revoltados com aqueles cruéis caçadores e estavam dispostos a tudo fazerem para encontrarem as pobres crias roubadas aos seus pais e à tranquilidade dos seus ninhos. Organizaram-se por grupos e combinaram que os primeiros a avançar seriam as aves para que, do alto das árvores pudessem observar o movimento dos caçadores. Os outros seguiriam por terra, com todo o cuidado, para que aqueles homens gananciosos não se apercebessem da sua presença. já muito perto do rio das Piranhas começaram a ouvir os gritos desesperados dos animais que tiveram a infelicidade de cair nas armadilhas. Só então o colibri reparou que havia um problema em que ninguém tinha pensado: - Temos um grande problema! Como é que vamos atravessar o rio? Nós, as aves, podemos voar, mas os outros? Um jacaré, que descansava ao sol, ouvindo a conversa, perguntou: - O que vos aconteceu? Parecem muito preocupados! ... Precisam de ajuda? - Nós precisamos muito de atravessar o rio e não sabemos como o poderemos fazer. - respondeu o Colibri. - Sabe, Senhor jacaré, os caçadores levaram os nossos filhos e nós queremos recuperá-los, antes que eles os levem para a cidade. - esclareceu um belo tucano de bico amarelo. -Eu vi-os passar! Talvez possa ajudar-vos. Vou chamar os meus amigos e fazemos uma ponte para vocês atravessarem o rio. A meio do rio, quando saltava de um jacaré para outro, um pequeno macaco desequilibrou-se e caiu à água, tendo sido imediatamente rodeado de piranhas. Os jacarés vieram em seu auxílio: - Deixem o pobre animal em paz! Ele vai tentar salvar os seus filhos, capturados por homens que não respeitam a natureza nem o direito à liberdade. 32x já:
  60. 60. ÃO ! xigkóriag Até as piranhas, normalmente tão agressivas, foram sensíveis a este argu- mento e ajudaram o pobre macaquito a subir para o dorso do jacaré. -Adeus e boa sorte! - disseram em coro os jacarés. Pelos gritos desesperados dos animais que tinham caído nas armadilhas perceberam que deviam estar muito perto do local que procuravam. As aves decidiram cantar a mais linda das melodias, na tentativa de conse- guirem adormecer os caçadores. Na floresta tudo ficou silencioso. O vento parou de brincar com as folhas das árvores, a água dos rios deslizava silenciosamente e até o céu tomou uma cor azul especial, a cor que os colibris têm nas suas penas. Só se ouvia aquela mara- vilhosa e suave música que parecia encantar tudo à sua volta. Algum tempo depois, todos os caçadores dormiam profundamente. Os animais aproximaram-se então com mil cuidados, mas havia outro problema: como é que iam tirar as aves de dentro das gaiolas? O papagaio reparou num molho de chaves que estava dentro do bolso de um dos caçadores e fez sinal ao colibri. Este percebeu e sussurrou ao macaco: - Vês as chaves no bolso daquele caçador? Achas que consegues tira-lhe as chaves do bolso? O pequeno macaco sentiu muito medo, mas encheu-se de coragem e respon- deu, numa voz quase inaudível: - Sim, mas vocês fiquem aqui e não façam nenhuma espécie de ruído. Se eles acordam nenhum de nós se salva. Com muita cautela, o macaco aproximou-se e estava já quase a tocar nas chaves quando o caçador se mexeu. O macaco ficou paralisado de medo. Desta vez não iria ter a mesmo sorte! Mas o caçador continuou a ressonar e ele fez uma nova tentativa de recuperar as tão preciosas chaves. - Consegui! - disse muito baixinho - Mais um obstáculo vencido! Os animais capturados observavam tudo em silêncio absoluto. Sempre com mil cautelas, começaram a abrir as gaiolas para libertarem todas as crias. 73

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