Volume 1 | N° 2 | DEZEMBRO /2012         RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 |
SUMÁRIOEditorialÁlvaro Flávio Guimarães                                                           4Desempenho técnico indi...
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VECCHIO, Fabrício Boscolo del. O treino metabólico de jogadores                               de basquetebol: ênfase nos c...
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LIGA DE DESENVOLVIMENTO NBB—2011                   RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 16
A PSICOLOGIA DO ESPORTE E O BASQUETEBOL                          Sílvia Regina Deschamps    A               Psicologia do ...
DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete-                                bol. Revista Mais Basquete,...
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RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 23
LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB)                       RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 24
MASSAGEM ESPORTIVA:            MUITO MAIS QUE UMA OPÇÃO                  Claudio Maradei      Há alguns anos atrás, pouco ...
MARADEI, Claudio. Massagem esportiva: muito mais que uma                                  opção. Revista Mais Basquete, vo...
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ALESSANDRO TRINDADEDesenhista desde criança, , arquiteto gaúcho e foi atleta daUFPel em Jogos Universitários Gaúchos (JUGs...
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SCARPIN, Jorge Eduardo. Há sucesso esportivo sem sustentabilidade                                   econômica. Revista Mai...
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Macedônia: o treinador invisível                             por Miguel Panades                        (Traduçao de Mario ...
PAINADÉS, Miguel. Macedônia: o treinador invisível. (TRADUÇÃO                                  Mário G. Brauner). Revista ...
Conecte-se ao PBC e fique por dentro   do basquete no sul do Brasil.www.facebook.com/pelotasbasketballclube     www.twitte...
Mundial Masculino Sub-19 e                Universíade de Shanzen 2011                                    Walter RoeseCaros...
ROESE, Walter. Mundial masculino Sub-19 e Universiade de Shan-                                         zen 2011. Revista M...
ROESE, Walter. Mundial masculino Sub-19 e Universiade de Shan-                                           zen 2011. Revista...
LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB)                       RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 43
Visite o Centro Esportivo Virtuale participe do debate sobre o basquete.www.cev.org.br/comunidade/basquete                ...
LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB)                       RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 45
ENTREVISTA  Felipe Braga, pivô do Elan Bearnais         Pau-Lacq-Orthez (FRA)       por Álvaro Flavio Guimaraes     No fin...
MB – Como tem sido a              fazendo apenas matemática,   tua rotina no clube?              inglês e francês, para po...
MB – A partir disso diri-   as que essa experiência   já te trouxe ganhos?   FB - Com toda certeza,   pois se eu quero jog...
Marcello Berro               ...para a Argentina estudar basquete!  Carioca expõe-se ao frio de julho/agosto em busca de s...
RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 50
Marcello Berro       Eram todos técnicos não eram egoístas, que tempo estabelecido, acheiprofissionais que já haviam estes...
Revista maisbasquete v1_n2_dez_2012
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A RMB é escrita por técnicos e profissionais ligados aos esportes, mas com alguma experiência com o basquete. Visa formar, atualizar, divulgar e produzir conhecimentos para a atualização dos profissionais que trabalham com a modalidade, contribuindo para a formação dos jovens e, consequentemente, elevando o nível do basquete brasileiro.

Leia online, divulgue e visite o site: www.revistamaisbasquete.com.br.

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  1. 1. Volume 1 | N° 2 | DEZEMBRO /2012 RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 |
  2. 2. SUMÁRIOEditorialÁlvaro Flávio Guimarães 4Desempenho técnico individual no basquetebol masculino: relaçãoentre posições específicas, classificação das equipes e indicadores 6do jogoDante de Rose JúniorO treino metabólico de jogadores de basquetebol: ênfase noscomponentes aeróbios e anaeróbios 11Fabrício Boscolo Del VecchioA psicologia do esporte e o basquetebolSílvia Regina Deschamps 17Massagem esportiva: muito mais que uma opçãoClaudio Maradei 25Há sucesso esportivo sem sustentabilidade econômica?Jorge Eduardo Scarpin 29A influência da ética (e da falta dela) no marketing esportivo bra-sileiro 34Viviane PeresMacedônia: o treinador invisívelpor Miguel Panadés (Tradução de Mário Brauner) 37Mundial Masculino Sub-19 e Universíade de Shanzen 2011Walter Roese 40ENTREVISTA: Felipe Braga, pivô do Elan Bearnais Pau-Lacq-Orthez (FRA) 46Álvaro Flávio GuimarãesColuna Eu fui! ... Para a Argentina estudar basquete!Álvaro Guimarães 50Jogo das Estrelas 2012: a hora da verdadeÁlvaro F. Guimarães 56Posfácio: erros que nos ajudam a crescerCarlos Alex Soares 58 RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 |
  3. 3. CLUBE DE REGATAS FLAMENGOCAMPEÃO DA LIGA DE DESENVOLVIMENTO OLÍMPICO 2011. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 3
  4. 4. EDITORIAL Álvaro Flavio Guimaraes A Revista Mais Basquete está de de educação física e massagista da Se-volta. Em sua segunda edição apresenta leção Brasileira Cláudio Maradei assinaa seus leitores uma série de artigos que o artigo Massagem Esportiva: Muitoabordam os mais diferentes ângulos des- Mais do que Uma Opção no qual revelate esporte que a todos nós fascina e como o trabalho do massagista influen-apaixona. cia no preparo físico e resistência dos O basquetebol internacional é cer- jogadores.cado de uma cobertura midiática fantásti- Este segundo número da Mais Bas-ca que transforma jogadores e treinado- quete traz, ainda, análise do professorres em estrelas, faz seus nomes ficarem Carlos Alex Soares sobre a influência dogravados na memória dos fãs e reserva basquete universitário brasileiro na for-lugar de destaque aos gigantes do es- mação de técnicos e jogadores.porte. Mas às vezes a história é escrita A partir da próxima página você en-pelos “nanicos”. Este é o tema de Mace- contra isso tudo e muito mais.dônia: o treinador invisível, artigo assi-nado por Miguél Panadés e traduzido Então está esperando o quê?com maestria por Mário Brauner para a Boa Leitura!Revista Mais Basquete. Também nesta edição o coordena-dor pedagógico da Escola Nacional deTreinadores de Basquetebol, Dante deRose Júnior e a pesquisadora Liz ImyráOliveira mostram como a análise estatís-tica do desempenho técnico individual apartir da relação entre posições específi-cas, classificação das equipes e indica-dores de jogo podem auxiliar treinadoresa entender melhor o rendimento de seustimes. Em A Psicologia do Esporte e oBasquetebol, a psicóloga Sílvia Des-champs mostra como a intervenção psi-cológica pode garantir melhores resulta-dos dentro das quadras. Já o professor RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 4
  5. 5. BAURU LIGA DE DESENVOLVIMENTO OLÍMPICO 2011 PAULISTANO RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 5
  6. 6. DESEMPENHO TÉCNICO INDIVIDUAL NOBASQUETEBOL MASCULINO: RELAÇÃO ENTREPOSIÇÕES ESPECÍFICAS, CLASSIFICAÇÃO DAS EQUIPES E INDICADORES DE JOGO Dante de Rose Junior & Liz Imyra OliveiraIntrodução táticas de uma partida e represen- tam as situações ou ocorrências Muitos estudos no basquetebol mensuráveis como por exemplo:são baseados na análise técnica de número e percentual de arremessosdesempenho, através de dados es- (certos ou errados), faltas cometi-tatísticos dos jogos que são divul- das, bolas recuperadas, incidênciagados nos sites oficiais das entida- de algum tipo de ataque, rebote ob-des que realizam os campeonatos. tidos, entre outros. Segundo De Rose Jr. et al Levando em consideração a ne-(2005) a analise estatística baseia- cessidade de se ter um referencialse na coleta e a interpretação de baseado em um dos principaisdados obtidos nas ocorrências do eventos de basquetebol realizadojogo, dando-lhes significado para no mundo, o presente estudo tevepossíveis interferências individuais e como objetivo determinar o perfilcoletivas. Para esta análise são con- de desempenho técnico individualsiderados os indicadores de jogo. dos atletas de equipes adultas mas-Esses indicadores são, segundo culinas no torneio de basquetebolSampaio (1999), um conjunto refe- dosrencial das principais ações técnico- RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 6
  7. 7. ROSE JÚNIOR, Dante; OLIVEIRA, Liz Imyrá. Desempenho técni- co individual no basquetebol masculino: relação entre Posi- ções especificas, classificação das equipes e indicadores de jogo. . Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. POSIÇÕES n M PTS REB ASS BR BP 18,9 6,9 2,2 1,7 0,8 1,5 Armadores 56 (6,8) (3,8) (0,9) (1,0) (0,5) (0,7) 15,7 5,9 2,7 0,7 0,7 1,1 Laterais 47 (7,3) (4,0) (2,6) (0,4) (0,6) (0,9) 18,5 8,3 (4,2) 0,8 0,6 1,4 Pivôs 41 (6,8) (4,1) (1,8) (0,6) (0,4) (0,7)Tabela 1: Médias e Desvios Padrão dos indicadores de jogo dos atletas, por posição específica Para a definição do perfil téc- por jogonico foram utilizados os dados ofici- A análise estatística do pre-ais da Federação Internacional de sente estudo foi realizada da se-Basketball (FIBA), disponíveis no guinte maneira:site www.fiba.com.  Médias e desvios padrão de ca- Os indicadores de jogo utiliza- da indicador de jogo, em cadados na pesquisa foram os seguin- posição específica para o esta-tes: belecimento do perfil do atleta, M/j: média de minuto jogador em função do número diferente por jogo de jogos das equipes e dos próprios atletas. PTS/j: média de pontos con- vertidos por jogo REB/j: média de rebotes por Resultados jogo A partir das análises realiza- ASS/j: média de assistências das a amostra foi composta por 56 por jogo armadores, 47 alas e 41 pivôs. BR/j: média de bolas recupera- As médias e desvios padrão de das por jogo cada indicador de jogo analisado BP/j: média de bolas perdidas para cada posição específica são RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 7
  8. 8. ROSE JÚNIOR, Dante; OLIVEIRA, Liz Imyrá. Desempenho técni- co individual no basquetebol masculino: relação entre Posi- ções especificas, classificação das equipes e indicadores de jogo. . Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.apresentados na tabela 1. diferem de outros estudos já reali- zados e que, de certa forma, confir-Conclusão mam as definições que são estipu- Os resultados mostram clara- ladas para cada uma das posições.mente que nos Jogos Olímpicos de Esses resultados também podemBeijing, 2008: servir de referência para que técni- Os armadores e os pivôs tive- cos e jogadores possam estipular ram a maior média de tempo objetivos de desempenho em trei- de quadra; namentos e jogos. Os pivôs tiveram as melhores médias de pontos convertidos Referências Bibliográficas e rebotes; De Rose Jr, D.; Gaspar, A.B. & As- Os armadores tiveram as me- sumpção, R. M. Análise estatísti- lhores médias em assistências; ca de jogo. In: De Rose Junior. D.; Tricoli, V. (eds). Basquete- Os armadores e os pivôs são bol: uma visão integrada entre a os jogadores com as maiores ciência e prática. Barueri-SP: médias de bolas perdidas; Malole, 2005. Cap.7 Não houve praticamente dife- Ferreira, A.E.X.; De Rose Jr., D. renças nas médias de bolas re- Basquetebol: técnicas e táticas. cuperadas entre as três posi- Uma abordagem didático – pedagógica. São Paulo: EPU, ções. 2010. Evidentemente que esses re- FIBA – site oficial, www.fiba.comsultados devem ser analisados emum contexto não só técnico. As Leituras complementares — es-questões táticas também deveriam tudos similaresser exploradas para que se pudesse De Rose Jr, D.; Gaspar, A.B. & As-ter uma ideia da organização tática sumpção, R. M. Analise Esta-das equipes, pois essa organização tística do Campeonato Paulis-poderia determinar o comporta- ta de Basquetebol Masculino:mento técnico dos jogadores em comparação entre 2001 e 2002;função de suas posições específi- Federação Paulista de Basquete- bol, 2003. Disponível em:cas. (www.fpb.com.br) Analisando-se estritamentepela questão estatística, conclui-seque os resultados encontrados não RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 8
  9. 9. ROSE JÚNIOR, Dante; OLIVEIRA, Liz Imyrá. Desempenho técni- co individual no basquetebol masculino: relação entre Posi- ções especificas, classificação das equipes e indicadores de jogo. . Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.De Rose Jr, D.; Tavares, A. C. Ortega, E.; Cardenas, D.; Sainz de &Gitti, V. Perfil Técnico de joga- Baranda, P.; Palao,J.M. Differen- dores brasileiros de basquetebol: ces in competitive participation Relação entre os indicadores de according to player’s position in jogo e posições especificas. Re- formative basketball. Journal of vista brasileira de Educação Human Movement Studies, 50, Física e Esporte, 2004. 103,122, 2006.Garganta, J. Analisar o jogo nos jo- Page, G.L.; Fellingham, G.W.; Ree- gos desportivos colectivos. Re- se, C.S. Using box-scores to de- vista Horizonte, v 14, n.83, p. 7 termine a position’s contribution -14, 1996. to winning basketball games.Janeira M. A. A analise de tempo Journal of Quantitative e movimento no basquetebol: Analysis in Sport, 3 (4), 2007. perspectivas. Estudo dos Jogos Disponível em www.bepress.com/ Desportivos, concepções, meto- jqas dologias e instrumentos. Univer- PAPADIMITRIOU, K.; TAXILDARIS, sidade do Porto, Centro de Estu- K.; DERRI, V.; MANTIS, K. Profile dos dos Jogos Desportivos p.53- of different leval basketball cen- 68, 1999. ters. Journal of Human Move-Okasaki, V. H. A.; Rodacki, A. L.F; ment Studies, London, v.37, p. Sarraf, T. A.; Dezan, V. H. Oka- 87-105, 1999. zaki, F. H. A. . Diagnóstico da Sampaio, A. J. Los indicadores esta- especificidade técnica dos jo- dísticos más determinantes em el gadores de basquetebol. Re- resultado final em los partidos de vista Brasileira e Cinesiologia basquetbol. Lecturas en Educa- e Movimento, 12(4): 19-24, ción Física Y Deportes-Revista 2004. Digital, 3, 11, 1999 DANTE DE ROSE JÚNIOR Licenciado em Educação Física pela Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo (USP), em 1974, possui doutorado em Psicologia Social pelo Instituto de Psicologia da USP, em 1996. Atualmente é professor titular da Universidade de São Paulo. Atuou por 28 anos na Escola de Educação Física e Esporte da USP. Di- retor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo de janeiro de 2006 a janeiro de 2010. Professor do Curso de Ciências da Atividade Físi- ca da EACH-USP. Tem experiência na área de Educação Física e Esporte, atuando principalmente nos seguintes temas: basquetebol, análise de jogo esporte infantil, stress esportivo e psicologia do esporte. Coordenador Pedagógico da Escola Nacio- nal de Treinadores de Basquetebol LIZ IMYRÁ OLIVEIRA Aluna do curso de Ciências da Atividade Física da EACH-USP, mesária de basketball da Federação Paulista de Basketball (FPB), Bolsista de Iniciação Científica orientada pelo Prof. Dante de Rose Júnior neste artigo, tem interesse na psicologia do esporte e atividade física RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 9
  10. 10. Liga de Desenvolvimento Olímpico (LDO) ou NBB Sub-21: palestra de abertura do Grupo A, em 08/10/2011, São Sebastião do Paraíso-MG.Bola ao Alto Histórico: primeirojogo da LDO/2011: Vivo/Franca75 x 58 Tijuca Tênis Clube, dia08/10, as 14h. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 10
  11. 11. O TREINO METABÓLICO DE JOGADORES DE BASQUETEBOL: ÊNFASE NOS COMPONENTES AERÓBIOS E ANAERÓBIOS Fabrício Boscolo Del Vecchio passado (Vecchio, 2011), mas com No artigo passado, buscou-se a inserção da mesma em suas reali-apresentar evidências objetivas de zações.que o basquetebol é modalidade es-portiva que detém predominância Brevemente, após aquecimentoenergética aeróbia, mas com algu- adequado, pode-se executar a se-ma solicitação láctica na sua expres- guinte atividade:são competitiva (Stone & Kilding,2009; Abdelkrim, Fazaa, & Ati,2007). Na última coluna, foram da- 1. Saída em baixa intensidade dodos exemplos de exercícios aeróbios fundo da quadra;intermitentes sem o emprego de bo-las. Técnicos e treinadores devem 2. Ao chegar no canto, Sprint com bola em alta intensidade;ter em mente que, além das situa-ções previamente indicadas, jogado- 3. Sprint de alta intensidade comres necessitam realizar treinos de controle de bola;alta intensidade com o emprego da 4. No meio da quadra, realizarbola. passe em direção ao ataque; 5. Correr em baixa intensidade Não há deslocamentos com ve- na diagonal;locidade elevada apenas sem o do-mínio da bola e, portanto, os ata- 6. Realizar Sprint até o final da quadra;ques, infiltrações e jogadas preci-sam ser realizadas de modo mais 7. Com bola, corrida de alta in- tensidade na linha de 3ptos;específico possível. Neste contexto,o treino aeróbio com bola seguiria 8. No centro, arremessar;os mesmos pressupostos do artigo RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 11
  12. 12. VECCHIO, Fabrício Boscolo del. O treino metabólico de jogadores de basquetebol: ênfase nos componentes aeróbios e anaeróbios. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.9. Deslocamento veloz até lance rando a relação de Esforço:Pausa livre e arremessar; (E:P), pode-se ter um bloco de es-10. Deslocamento veloz até diago- forço para o mesmo bloco de pausa nal e arremessa; (1:2), ou seja, caso o jogador cum-11. Voltar por fora, pelo maior ca- pra todo o percurso em quarenta minho em baixa intensidade/ segundos, ele descansará quarenta caminhada. segundos. Pode-se organizar a rela- Na atividade acima, o trabalho ção inversa, 40 segundos de esfor-é feito de diferentes modos. Explo- ço por 20 segundos de pausa (2:1), RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 12
  13. 13. VECCHIO, Fabrício Boscolo del. O treino metabólico de jogadores de basquetebol: ênfase nos componentes aeróbios e anaeróbios. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.ou até 3:1, com esforço durando 45 Kuhnle, & et al, 2009).segundos e a recuperação com 15 Por outro lado, caso o interes-segundos. Mesmo com esforços de se do treinador seja organizar es-alta intensidade, e pausas interca- forços anaeróbios, a cena mudaladas, após duas ou três repetições consideravelmente. A primeira es-deste esforço, ele já tem predomi- tratégia é ter clareza que o esforçonância aeróbia (Glaister, 2005). não deve durar mais de 75 segun-São os “famosos” esforços intermi- dos (Gastin, 2001), pois seria pre-tentes de alta intensidade que apri- dominantemente aeróbio. Caso du-moram a capacidade de esforços/ re apenas 30 segundos, se o inter-sprints repetidos – em inglês, Re- valo de recuperação for de 4 minu-peated-Sprint Ability(Bishop, Gi- tos, a partir da terceira série o estí-rard, & Mendez-Villanueva, 2011). mulo já se torna aeróbio (Trump, Estas tarefas podem ser orga- Heigenhauser, Putman, & Spriet,nizadas de modo misto. Investiga- 1996).ção que fez uso de 10 semanas deintervenção observou melhoras su- Deste modo, em 1993, umperiores a 4% no tempo de sprint grupo de pesquisadores inglesescom jogadores que realizaram de 2 observou que 10 sprints com dura-a 4 séries de jogos em espaços re- ção de 6 segundos e recuperaçõesduzidos (small-sided games) com de 30 segundos (E:P = 1:5) estres-duração de 2,5 a 4 min cada “jogo” savam adequadamente o metabo-e treinamento intervalado, que con- lismo associado à fosfocreatina, re-sistia de 12 a 24 esforços de 15 se- conhecidamente anaeróbiogundos entre 105 e 115% do (Gaitanos, Williams, Bobbis, & Bro-VO2max dos jogadores, numa rela- oks, 1993). Um ano depois, umção E:P de 1:1 (Buchheit, Laursen, grupo de japoneses observou que RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 13
  14. 14. VECCHIO, Fabrício Boscolo del. O treino metabólico de jogadores de basquetebol: ênfase nos componentes aeróbios e anaeróbios. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.exercícios feitos em intensidades Referênciasmáximas, com protocolo de 3 a 4 Abdelkrim, N. B., Fazaa, S. E., &séries de (5 sprints máximos de 8 Ati, J. E. (2007). Time–motionsegundos cada, com descansos de analysis and physiological data of45 segundos à E:P ~ 1:6) proporci- elite under-19-year-old bas-onaram aumentos de 21,1% na po- ketball players during competi- tion. British Journal of Sportstência anaeróbia de pico em espor- Medicine, 41(2), pp. 69–75.tistas intermediários e de 8,1% ematletas de elite. Bishop, D., Girard, O., & Mendez- Villanueva, A. (september de Assim, para garantir que o es- 2011). Repeated-Sprint Ability –forço de fato seja anaeróbio, neces- Part II. Recommendations forsita-se que a intensidade do exer- Training. Sports Medicine, 41cício seja acima de 100% do (9), pp. 741-756.VO2max, a duração seja breve e a Buchheit, M., Laursen, P., Kuhnle,recuperação elevada. Quanto maior J., & et al. (2009). Game-baseda recuperação proporcionada, me- training in young elite handball players. Int J Sports Med, 30lhor para se inibir a ativação do (2), pp. 251-258.metabolismo aeróbio. Neste con-texto o esforço no basquetebol, po- Gaitanos, G., Williams, C., Bobbis, L., & Brooks, S. (1993). Humanderia ser de 6 a 8 segundos, como muscle metabolism during inter-citado acima. No entanto, caso o mittent maximal exercise. Jour-treinador queira estender o tempo nal of Applied Physiology, 75de esforço, para até 20 segundos (2), pp. 712-719.de alta intensidade, sugerem-se Gastin, P. B. (2001). Energy sys-períodos superiores a 4 minutos co- tem interaction and relative con-mo recuperação ativa. Neste tem- tribution during maximal exerci-po, procedimento interessante ses. Sports Medicine, 31(10),consta do treinamento de jogadas pp. 725-741.ensaiadas, posicionamentos táticos, Glaister, M. (2005). Multiple sprintcom esforços realizados em (muito) work: Physyology response, me-baixa intensidade. chanisms of fatigue and de influ- ence of aerobic system. Sports No próximo texto serão trazi- Medicine, 35(9), pp. 757-777.das informações quanto ao treina-mento de força e potência para jo-gadores de basquetebol, não per-cam! RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 14
  15. 15. VECCHIO, Fabrício Boscolo del. O treino metabólico de jogadores de basquetebol: ênfase nos componentes aeróbios e anaeróbios. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.Stone, N. M., & Kilding, A. E. (2009). Aerobic Conditioning for Team Sport Athletes. Sports Medicine, 39(8), pp. 615-642.Trump, M. E., Heigenhauser, J. F., Putman, C. T., & Spriet, L. (1996). Im- portance of muscle phosphocreatine during intermittent maximal cycling. Journal of Applied Physiology, 80(5), pp. 1574-1580.Vecchio, F. (2011). Seria o Basquete um jogo desportivo coletivo aeróbio? Revista Mais Basquete, 1(1), pp. 17-21. FABRÍCIO BOSCOLO DEL VECCHIO Bacharel (2001) e Licenciado (2004) em Educação Física pela UNI- CAMP, onde também completou seus estudos de mestrado (2005) e doutorado (2008) em Ciências do Esporte, o professor Fabrício Bos- colo Del Vecchio circula nos grupos de estudos dos pós-graduações da FEF-UNICAMP, EEFE-USP e ESEF-UFPel, além de ser membro da National Strength and Conditioning Association (EUA), do Comitê Científico do GTT12 - Treinamento Esportivo do CBCE e Moderador da Comunidade Judô do Centro Esportivo Virtual. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Modalidades de Com- bate, Treinamento Esportivo e Saúde Coletiva e Atividade Física. Autor de artigos e livro, também foi preparador físico de lutadores de Judô, Brazilian Jiu-Jitsu e Taekwondo. Atualmente é Professor da ESEF-UFPel (Pelotas-RS) onde tem contribuído com a preparação física de atletas e equipes (lutas e basketball) e conquistado resulta- dos positivos em competições locais, estaduais e nacionais. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 15
  16. 16. LIGA DE DESENVOLVIMENTO NBB—2011 RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 16
  17. 17. A PSICOLOGIA DO ESPORTE E O BASQUETEBOL Sílvia Regina Deschamps A Psicologia do Esporte te para a prática, na forma de inter- tem buscado sua afir- venção junto a atletas, equipes, co- mação no meio es- missões técnicas e todo o contextoportivo, através da participação de das atividades esportivas, principal-especialistas que têm procurado di- mente no âmbito competitivo de al-agnosticar, analisar e pesquisar as- to nível.pectos psicológicos e estabelecer Em alguns países, como Esta-relações entre eles e as diferentes dos Unidos, Canadá, Austrália e vá-variáveis que podem interferir no rios da Europa, a intervenção psico-desempenho de atletas e equipes. lógica é parte integrante do plane- É inegável que, ao longo das jamento das equipes e a presençaúltimas décadas, esse trabalho tem do profissional da psicologia do es-sido reconhecido, haja vista a quan- porte é tão comum quanto a do téc-tidade de publicações (em forma de nico, assistente técnico, preparadorlivros ou artigos) produzidas em to- físico e médico.do o mundo. No entanto, pode-se No Brasil, entretanto, essa rea-considerar que essa evolução, na lidade ainda está distante. A inter-quantidade e qualidade de produção venção psicológica, via de regra,na área da psicologia esportiva, ain- não está inserida no programa deda não é transferida adequadamen- periodização do treinamento, ou RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 17
  18. 18. DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete- bol. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. seja, no planejamento em lon- cos na performance de atletas e ogo prazo do trabalho realizado pela despreparo emocional e cognitivomaioria das comissões técnicas de frente às demandas estressantes doequipes, principalmente as conside- ambiente esportivo. Através da pró-radas de alto nível. A intervenção pria experiência do mestrado, compsicológica, normalmente, é lem- o levantamento diagnóstico realiza-brada somente em momentos de do através de entrevistas e obser-emergência ou quando o atleta vações, foi possível detectar a faltaapresenta um desempenho inade- que a preparação psicológica fez naquado e que coloca em risco o re- equipe investigada, pois o fator psi-sultado positivo de equipe. A inter- cológico foi decisivo nas fases finaisvenção, quando ocorre, é feita na do campeonato. Deste modo, ficaforma de palestras motivacionais ainda mais evidente a necessidadeque, às vezes, são ministradas por da inclusão do trabalho psicológicopessoas não especializadas em no esporte, especialmente nas dife-psicologia esportiva e que trazem rentes fases do treinamento e dassuas experiências de outras áreas competições.para tentar resolver as questões de Cada etapa da preparação psi-forma imediata. cológica deve ser específica, consi- Essa realidade e a falta de in- derando-se as características e de-formação sobre a importância do mandas desse público e, tambémtrabalho psicológico em equipes da modalidade esportiva em foco eesportivas, ainda são motivos pa- o momento da preparação na qualra que haja muita resistência, por se encontra a equipe. O trabalhoparte dos atletas e da comissão deve possuir objetivos claros e bemtécnica com relação à inserção do definidos, sendo essas informaçõestrabalho psicológico. Muitas vezes, transmitidas aos participantes doo psicólogo é visto como um con- processo, procedimento este impor-corrente - e não um aliado -, e é tante para a boa aceitação do psi-desconsiderado o fato do trabalho cólogo esportivo na equipe.ser um instrumento auxiliar na bus- O treinamento psicológico noca de um melhor rendimento do esporte pode visar ao desenvolvi-atleta. mento e aperfeiçoamento de vários Muitos estudos têm comprova- aspectos psicológicos, dentre eles:do a influência, tanto positiva quan- gerenciamento de stress, estabele-to negativa, dos aspectos psicológi- cimento de objetivos, aumento da RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 18
  19. 19. DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete- bol. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.autoconfiança, atenção e concen- do praticante.tração, autocontrole de ativação e Assim como em outras modali-relaxamento, utilização de visuali- dades esportivas, o basquetebolzação e imagem, estratégias de ro- exige grande concentração, domí-tinas e competitividade, elevação nio sobre situações causadoras dede motivação e comprometimento e stress e controle da ansiedade, ele-manutenção de níveis adequados vados níveis de motivação, defini-dos estados de humor (tensão, de- ção real de objetivos e conhecimen-pressão, raiva, vigor, confusão e to das diferentes nuances do jogofadiga). No entanto, não se pode (regras, estratégias e variações tá-deixar de analisar todas essas vari- ticas), além da percepção que oáveis em função das especificidades atleta tem de suas próprias condi-de cada modalidade esportiva, e ções. É preciso que o jogador este-como elas poderão influenciar ja com a máxima atenção voltada(positiva ou negativamente) no para a tarefa, obtenha o controlerendimento dos atletas e das equi- de suas emoções e confie na suapes. Portanto, estabelecer relações capacidade de realizá-la. O atletaentre as variáveis psicológicas e as deve ter autocontrole e não ser le-variáveis que fazem parte do con- vado por suas emoções quando fortexto da preparação dos atletas necessário tomar decisões.(físicas, técnicas e táticas) é funda-mental para que técnicos e atletas Para fazer parte do ambientepossam estabelecer melhores es- da competição de alto nível, o atle-tratégias de trabalho e melhorar o ta precisa ser um competidor assí-desempenho individual e coletivo. duo e dedicado, e, para se desta- car, deve superar níveis de exigên- O basquetebol, por ser uma cias técnicas, táticas, físicas e psi-atividade bastante dinâmica, com cológicas, para que se possa garan-demandas específicas em relação tir a plena realização de uma car-ao tempo de realização de algumas reira esportiva (DESCHAMPS,ações e que proporciona o contato 2002).constante entre os atletas, exigedeles um alto desenvolvimento de O atleta de alto nível, de acor-capacidades e habilidades (no pla- do com FERNANDES, MONTEIRO enos físicos, técnicos e táticos), for- ARAÚJO (1991) precisa de uma ca-talecendo ainda mais a importância pacidade esportiva excepcional, quedo equilíbrio emocional e cognitivo será demonstrada através dos re- RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 19
  20. 20. DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete- bol. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.sultados por ele obtido, exigindo, quatro fatores: habilidade motora;assim, trabalho planejado e organi- treinamento físico, treinamentozado, compondo um treinamento mental; desejo ou energia. As per-especializado com o objetivo de centagens destes quatro fatoresmelhorar sua condição física e con- devem variar de atleta para atleta esequente alcance e manutenção até com o mesmo atleta de jogodos resultados. para jogo. Muitos psicólogos dizem que é o desejo, a paixão e a ambi- A competição de alto nível ção que separa os maiores realiza-apresenta características peculia- dores do resto dos competidores,res, e mesmo que o atleta tenha até de outros com igual ou mais ta-participado das categorias de base, lento (CLARKSON, 1999).ele não tem a garantia de atingir oesporte profissional, e, se chegar O esporte é extremamente se-lá, de conseguir se manter. Muitos letivo, e, para atingir o esporte deatletas, quando fazem a passagem alto rendimento o atleta já possuida categoria juvenil para a adulta, um diferencial, além de gostar dotem muita dificuldade em assimilar que faz, apresenta um perfil deas cobranças dos diferentes atores personalidade determinado, que oque participam do processo (inclui- conduza a metas estabelecidas pa-se, aqui, comissão técnica, patroci- ra conseguir se manter e ainda ob-nadores, dirigentes, mídia). Ao ter bons resultados. Obviamentemesmo tempo, existe uma motiva- que o talento é um fator que deveção muito forte em se dedicar à ro- ser considerado, embora algumastina de treinamento, fazendo-o su- vezes, pelo excesso de autoconfian-perar os seus limites ao máximo ça, o atleta acaba negligenciando opara se destacar o mais rapidamen- treinamento, seja no nível tático,te possível. físico, técnico ou psicológico, e sur- preende-se perdendo de um adver- Muitos técnicos acreditam que sário mais fraco.o sucesso de um atleta depende de RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 20
  21. 21. DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete- bol. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. Atingir esse nível de excelên- com KORSAKAS e MARQUEScia, e nele manter-se, somente se- (2005), o rendimento de um atletará possível através de um sistema ou de uma equipe não é determina-de treinamento adequado, que pro- do exclusivamente pelas condiçõesporcione ao atleta aprimorar suas física, técnica e tática. Existe oqualidades e corrigir suas deficiên- quarto componente, o psicológico,cias. Segundo DE ROSE JÚNIOR que deve estar presente no plane-(1999) para ser um atleta de alto jamento de treinamento e competi-nível há a necessidade de uma ca- tivo das equipes.pacidade esportiva que se expres- DE ROSE JÚNIOR (2005) afir-sará pelos resultados obtidos, e es- ma que há diversos aspectos psico-tes dependem de um trabalho ár- lógicos que podem se destacar emduo e planejado rigorosamente, qualquer modalidade esportiva:num processo de treinamento espe- motivação, ansiedade, stress, per-cializado. sonalidade, atenção, concentração, O basquetebol é praticado em liderança, agressividade e coesãoum ambiente de muita instabilida- de grupo, entre outros. Todos essesde, ou seja, não há grande previsi- fatores podem aparecer isolada-bilidade dos movimentos em fun- mente ou em conjunto no momentoção das possibilidades de modifica- de uma competição, ou serem fato-ção das ações(1) no seu próprio res predisponentes a influenciar odecorrer. Além disto, os limites im- desempenho dos atletas durante apostos pelas regras relacionadas a mesma (seja de forma negativa outempo para execução de ações fa- positiva). Esses fatores podem serzem com que o jogo seja muito di- mediados por características como:nâmico e com muitas alternativas. nível de habilidade do atleta, grau de preparação, tempo de prática, Essas condições tornam o bas- experiências anteriores, idade e gê-quetebol um jogo propenso a mui- nero.tos momentos de pressão e tensãoindividual, grupal e coletiva (entre No caso do basquetebol, consi-os companheiros de equipe e entre derando-se que o esporte é pratica-os adversários). Assim sendo, os do sob uma dinâmica de instabilida-aspectos psicológicos assumem de ambiental, com pressões deter-uma grande importância no contex- minadas pelo tempo para a realiza-to desse esporte, quando praticado ção das ações e que o atleta devede forma competitiva. De acordo tomar decisões muito rápidas, seu RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 21
  22. 22. DESCHAMPS, Sílvia Regina. A psicologia do esporte e o basquete- bol. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.foco de atenção é variado e a capa- ações: 24” (tempo máximo de posse decidade de antecipar situações é fa- bola para finalizar o ataque – arremes-tor fundamental para o sucesso das sar à cesta); 8” (tempo máximo paraações. Esse conjunto de fatores au- uma equipe atacante ultrapassar o meio da quadra); 5” (tempo máximomenta a complexidade do esporte e, para reposição de bola na lateral ouconsequentemente, pode provocar fundo; tempo máximo de posse de bolaum maior nível de stress, influenci- que um atleta tem quando recebe mar-ando na participação dos demais cação próxima e tempo máximo para acomponentes psicológicos no con- execução de lances-livres) e 3” (tempotexto do desempenho dos atletas. máximo de permanência do atacante, em posição passiva, na área restritiva do adversário) Fonte: Regras OficiaisNOTAS do Basquetebol – Federação Paulista de(1) No basquetebol há quatro regras Basketball, 2006.relacionadas a tempo de execução deREFERÊNCIASCLARKSON, M. Competitive fire. Champaign: Human Kinetics, 1999. DE ROSE JÚNIOR, D. Situações específicas de “stress” no basquetebol de alto ní- vel. 1999. Tese (Livre-Docência) – Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, São Paulo. _____. O estresse no basquetebol. In: DE ROSE JR, D.; TRICOLI, V. (Orgs.) Basquete- bol: uma visão integrada entre ciência e prática. Barueri: Manole, 2005, cap. 10.DESCHAMPS, S.R. Aspectos psicológicos e suas influências em atletas de voleibol masculino de alto rendimento. 2002. Dissertação (Mestrado) – Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo, São Paulo.FERNANDES, A.C.; MONTEIRO, L.; ARAÚJO, V. O que se entende por alta competição? Re- vista Treino Desportivo, Lisboa, n. 20, p.13-21, 1991. KORSAKAS, P.; MARQUES, J.A.A. A preparação psicológica como componente do treina- mento esportivo no basquetebol. In: DE ROSE JÚNIOR, D.; TRICOLI, V. (Orgs.) Bas- quetebol: uma visão integrada entre ciência e prática. Barueri: Manole, cap. 9, 2005. SÍLVIA DESCHAMPS Formada em Psicologia (1995) pela UFSC, mestre (2002) e Doutora (2008) em Educação Física pela USP. Atualmente é professora da UNAERP (Campus Guarujá-SP), pesquisado- ra nas áreas do esporte e do exercício, tendo experiência em psicoterapia individual e de- senvolve trabalhos com atletas e equipes de voleibol, triathlon, vôlei de praia, basquetebol, futsal e futebol. Preparou parte da equipe olímpica brasileira para os Jogos Olímpicos de Sydney (2000), elaborou a preparação mental do Projeto Olímpico do EC Pinheiros e pres- ta assessoria e consultoria em psicologia do esporte a equipes esportivas. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 22
  23. 23. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 23
  24. 24. LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB) RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 24
  25. 25. MASSAGEM ESPORTIVA: MUITO MAIS QUE UMA OPÇÃO Claudio Maradei Há alguns anos atrás, pouco jogadores.antes de começar um jogo de bas- Esta pequena história é ape-quete e como já era costume eu es- nas uma entre outras tantas quetava massageando os joelhos e as tive a oportunidade de vivenciar empernas de um jogador (neste caso meus quase trinta anos como mas-um atleta que durante anos serviu a sagista, sendo que desses, mais deseleção brasileira), quando um mé- quinze dedicados ao basquete.dico parou atrás da grade e ficouobservando meu trabalho. Jogador Infelizmente ainda hoje éliberado, o médico me pergunta o muito pequeno o número de artigosque eu estava fazendo e segue a científicos destinados a entender eseguinte conversa: analisar cientificamente os benefí- cios de uma massagem sobre o or- – Massageando joelhos e pernas ganismo e, cabe a nós profissionais, com estes cremes para deixar a buscar na prática do dia a dia aquilo região aquecida e soltar a mus- que funciona ou não. culatura facilitando assim o alon- gamento, contribuindo para que A massagem esportiva pode ele consiga um melhor aqueci- ter muitas funções nas várias eta- mento e com isso sentir menos pas do treinamento, mas de uma dores durante a partida. maneira geral traz os seguintes be- nefícios: – Você sabe que isso não adianta para nada, não é?  Melhora a circulação e a drena- gem linfática; – Dr., me desculpe, mas o que eu sei é que, se não adianta para  Ajuda na remoção de resíduos nada, esqueceram de avisar os metabólicos; RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 25
  26. 26. MARADEI, Claudio. Massagem esportiva: muito mais que uma opção. Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. Estimula as terminações nervo- tem importantes funções: sas;  Ajudar o organismo a retornar Diminui o cansaço muscular; e ao seu ritmo normal Ajuda na preparação mental  Eliminar resíduos metabólicos para a atividade esportiva. musculares adquiridos pela for- te carga da atividade física Pode ser usada com a autoriza-ção do departamento médico como  Ajudar na redução de dores eauxílio no tratamento, pois: nódulos de tensão Estimula a circulação  É um excelente momento para valorizar o trabalho e o esforço Ajuda a "quebrar" aderências e do atleta a melhorar a flexibilidade Outro momento onde a massagem Pode ser feito mais de uma vez tem muita utilidade é após uma via- por dia, durante o tempo que gem longa onde o atleta fica com o for necessário. corpo "parado" durante muito tem-Na fase competitiva a massagem po, na mesma posição, ocasionandopode ser aplicada durante o dia. tensão nas costas, ombros e pesco-Muitos atletas gostam de rece- ço além de cansaço e inchaço nasber massagem no dia da competi- pernas e pés, nesse caso a massa-ção para ajudar a relaxar o corpo e gem:a mente, utilizando esta técnica co-  Ativa a circulação venosa e lin-mo uma maneira de buscar a con- fáticacentração necessária para a partida.Serve também como um trabalho  Alonga os tecidos melhorando aprévio preparando o corpo para o flexibilidade e reduzindo as do-aquecimento que antecede ao jogo. res. Após a competição a massagem RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 26
  27. 27. MARADEI, Claudio. Massagem esportiva: muito mais que uma opção. Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. Apesar de todos esses benefí- peuta é extremamente necessáriocios, cada dia que passa a figura do para a prevenção e recuperação demassagista esportivo fica mais dis- lesões esportivas e isso é um fato;tante das quadras. Aos poucos o mas por outro lado, omassagista foi sendo trocado pelo "fisioterapeuta não faz massagem".fisioterapeuta e sem perceber aca- Trabalhei muitos anos em conjuntobou perdendo seu espaço, o que em com fisioterapeutas, tanto em clu-minha opinião é um engano muito bes como na seleção, e posso afir-grande por parte dos dirigentes es- mar que existe lugar para todos. Osportivos. trabalhos se completam... Mas isso Hoje o trabalho do fisiotera- é uma outra história. CLAUDIO MARADEI Claudio Maradei é formado em Educação Física, Prof. de Pilates e Massagista da Seleção Brasileira de Basquete atuando neste seguimento há mais de 25 anos. www.massagemesportiva.com.br RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 27
  28. 28. ALESSANDRO TRINDADEDesenhista desde criança, , arquiteto gaúcho e foi atleta daUFPel em Jogos Universitários Gaúchos (JUGs) e agora é bas-queteiro de final de semana. Mudou-se para Bahia há dezanos. Quando não está projetando, faz charges e ilustraçõespara Revista Mais Basquete. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 28
  29. 29. Há sucesso esportivo sem sustentabilidade econômica? Jorge Eduardo Scarpin Antes de começarmos esta pe- lotava talvez o maior ginásio da Liga,quena discussão, vou alertar a todos com públicos de quase 10 mil torcedo-que não sou técnico ou especialista em res por jogo, mostram que alguma coi-basquetebol, apesar de gostar muito de sa está errada na gestão dos clubesbasquete e de ter jogado em campeo- brasileiros e, sinceramente, não sei senatos escolares e etc. Na verdade sou a CBB é a única responsável.contador e pesquisador nas áreas de Dito isto, voltamos à pergunta inicialfinanças e contabilidade e sempre tive deste artigo: há sucesso esportivo sembastante interesse em finanças esporti- sustentabilidade econômica?vas de clubes de futebol e, desde que Aqui temos que analisar as for-comentei a divulgação das demonstra- mas de sustentabilidade econômicações contábeis da CBB para o blog Bala que podemos aplicar ao basquete. Vejona Cesta, passei a acompanhar mais de claramente duas existentes e uma pos-perto as finanças do basquete. sível: Alguns fatos, principalmente dobasquete masculino, que é o que mais 1) Liga com molde na NBA. Nesteacompanho, me deixam preocupado. A modelo, que em nada se parece com adesistência do time de Vitória, a fragili- NBB, a liga é a dona do campeonato edade absurda de Vila Velha, a decadên- os clubes escolhem seus jogadores porcia de Franca, a criação de times de meio de uma cesta de atletas (draft) ealuguel, a decadência de Londrina que, apenas depois de um determinado pe-se nunca foi campeão, por muitos anos ríodo, os clubes podem transacionar RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 29
  30. 30. SCARPIN, Jorge Eduardo. Há sucesso esportivo sem sustentabilidade econômica. Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.entre si. Além disto, a escolha é feita venda dos namming rights das suasde modo que quem escolheu primeiro arenas, como a American Airlines Are-hoje, escolha por último amanhã, fa- na, casa do Miami Heat, por exemplo.zendo com que exista menos diferença E se os clubes passarem a sertécnica entre os times. O ponto rele- deficitários? Simples, a liga o assumevante aqui é que os clubes não formam ou a franquia é vendida. Sim, nesteatletas, sendo a formação feita pelas modelo os clubes são franquias, euuniversidades, na sua rica e poderosa compro o time e o levo para onde euliga. quiser. Por este modelo, não há divi- O clube possui também um teto sões inferiores com acesso e descenso.de gastos com salários, o que evita a Se este modelo funcionaria noformação de super times, como, por Brasil? Creio que não, aliás, creio que éexemplo, quando a Ponte Preta juntou um modelo tipicamente norte -Paula e Hortência no mesmo time. E americano que só funciona por lá. No resto do mundo há a cultura de clube equal a lógica disto? A lógica é que a li- acesso e descenso, talvez influenciadaga deve ser sustentável e isto só acon- pelo futebol.tece quando há competição. Se eu seique tal time será campeão, por quevou torcer no ginásio, assisti-los na TV 2) Campeonatos baseados em clu-aberta ou comprar pacotes de pay-per- besview? E observem como o locaute des- Já neste modelo, o campeonatote ano foi coletivo, ou seja, foi capita- é composto por clubes, com divisõesneado pela liga que é a verdadeira do- de acesso, descenso e todo o modelona do espetáculo. futebolístico que é praticado no Brasil e na Europa. Neste modelo, uma entida- Outro detalhe relevante. Os clu- de independente (NBB) ou a confede-bes não possuem patrocínios individu- ração (CBB) monta o campeonato e oais. O patrocínio é para a liga. Já per- clube passa a ser parceiro deste. Noceberam que nas camisas da NBA não Brasil, até pouco tempo, os campeona-há patrocinadores? O que os clubes po- tos eram organizados pela CBB e hoje,dem ter de renda de patrocínio é com a pela NBB. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 30
  31. 31. SCARPIN, Jorge Eduardo. Há sucesso esportivo sem sustentabilidade econômica. Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. A diferença neste modelo é que dar um tiro n’água.os clubes são independentes entre si e E como um clube pode oferecernão há a lógica de drafts, havendo for- garantias que o dinheiro do patrocina-mação no próprio clube e transações dor será bem investido? Simples, comentre eles. Aqui cabe aos clubes a res- prestações de contas públicas e confiá-ponsabilidade pela geração de dinheiro veis. E nem precisamos reinventar apara sua sustentabilidade e, o máximo roda, basta utilizarmos a prestação deque a liga faz, é uma negociação coleti- contas que é feita a mais de 500 anosva de direitos de transmissão. pelas empresas a seus investidores, a Neste modelo, a sustentabilidade contabilidade.econômica acontece em três áreas: di- No Brasil, as empresas S/A, dereitos de TV, bilheteria e patrocínio. E capital aberto, são obrigadas a publicaraqui chegamos ao ponto que eu quero suas demonstrações contábeis e, maistratar: patrocínio. recentemente, os clubes de futebol O que um empresário quer ao passaram a ter esta obrigação. Inclusi-patrocinar um clube, de qualquer mo- ve, no site de diversos clubes, as de-dalidade? Ele quer exposição na mídia, monstrações estão lá, de fácil acesso.ser associado a um clube vencedor e, Por meio das demonstrações éprincipalmente, que seu dinheiro não possível ver se a entidade, seja empre-seja usado para outros fins que não o sa privada, confederação, clube de fu-esportivo, tais como, pagar por má tebol, ONG etc. é autossustentável fi-gestão do clube. O pior que pode acon- nanceiramente, se os recursos sãotecer a um patrocinador é ver seu pa- aplicados mais na sua operação ou natrocinado desistindo de uma liga por manutenção de sua estrutura burocrá-não ter dinheiro, ou disputar o campe- tica, quanto de determinada receita vaionato com um time muito abaixo da para a atividade fim da entidade, etc.média por falta de condições financei- Em um clube há a clara visão se o en-ras para isto. Resumindo, o patrocina- dividamento é alto ou baixo, se os re-dor quer ter retorno do seu investi- cursos de patrocínio vão para paga-mento e uma segurança que não vai mento de juros, gastos administrativos RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 31
  32. 32. SCARPIN, Jorge Eduardo. Há sucesso esportivo sem sustentabilidade econômica. Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.ou para o time propriamente dito, se o mais empresas terão acesso a estasclube é capaz de gerar caixa suficiente informações, mais analistas divulgarãopara montar um bom time para a pró- isto na mídia e um círculo virtuoso seráxima temporada e etc. criado. Isto significa que as demonstra- Agora, se traz tudo isto de bom,ções contábeis podem dizer se um clu- por que todos não o fazem, mesmobe será campeão? É óbvio que não, não havendo uma lei que o obrigue?mas, pode dizer se um clube está em Por uma razão simples, a não transpa-estado falimentar ou não. E, demons- rência favorece más gestões, clientelis-trações contábeis bem auditadas e mo, politicagem, troca de favores, rela-transparentes fazem com que as em- ções estranhas com agentes, etc. Sig-presas tenham mais segurança na hora nifica então que todos fazem? Tambémde efetuar sua alocação de recursos é claro que não, mas ao não seremem atividades esportivas. E, se estas transparentes, não oferecem uma ga-demonstrações se tornarem públicas, rantia de que isto não acontece. JORGE EDUARDO SCARPIN Doutor em Contabilidade e Controladoria pela FEA-USP. Mestre em Engenha- ria de Produção pela UFSC. Professor do Doutorado em Ciências Contábeis e Administração, do Mestrado em Ciências Contábeis e graduação em Ciências Contábeis pela Universidade Regional de Blumenau. Consultor e pesquisador nas áreas de custos (área privada), contabilidade e indicadores sociais (área pública) e previsões econômicas. O curriculum completo encontra-se em: http://lattes.cnpq.br/6474056681420203 . RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 32
  33. 33. www.facebook.com/RevistaMaisBasquete www.twitter.com/RevistaMaisBasq www.twitter.com/RevistaMaisBasq revistamaisbasquete@gmail.com RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 33
  34. 34. A INFLUÊNCIA DA ÉTICA (E DA FALTA DELA) NO MARKETING ESPORTIVO BRASILEIRO Vivian Perez Muitas pessoas hoje questio- Um pouquinho de ética! Ética?nam o bom andamento das empre- Acredito que no atual cenário espor-sas nos Estados Unidos! Citamos tivo, o significado desta palavra es-sempre os norte-americanos porque ta longe de ser posto em prática.basta atentarmos para o quadro de Atualmente temos diversasmedalhas dos Jogos Olímpicos que modalidades esportivas que dão umlogo iremos perceber o óbvio: te- verdadeiro olé nos bilhões de reais/mos que aprender e muito com dólares/euros do futebol, mas aindaaqueles que fazem acontecer, de assim continuamos a acreditar queuma forma organizada e diferencia- o Brasil é tão somente o país do fu-da. tebol! E mesmo assim não conse- Mas será mesmo que precisa- guimos utilizar a bendita ética! Pelomos de muito para conseguir atingir contrário, nós estamos começandoum quadro de medalhas pareci- a ensinar aos outros nosso estilo dedo com o dos Estados Unidos? A malandragem, como ganhar um di-resposta, em minha opinião, é não! nheirinho a mais. E sem ética! NadaNão precisamos de muito! Precisa- mais que o mundialmente famosomos somente de um pouquinho... “jeitinho brasileiro”. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 34
  35. 35. PEREZ, Vivian. A influência da ética (e da falta dela) no marketing esportivo brasileiro. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>. Durante os quatro anos em que 9.615/98). Mas nossos dirigentescursei faculdade de Marketing nos não concordaram com tal ideia, fa-Estados Unidos, eu tive quatro ma- zendo com que voltássemos à esta-térias sobre ética! Além disso, qual- ca zero.quer atleta que pertence à NBA Agora, se isto ocorre no fute-(maior liga de basquete do mundo), bol, que é o carro-chefe do esporteobrigatoriamente estuda ética na brasileiro, imaginem o que ocorreassociação! É isso mesmo: os atle- nos bastidores das outras modalida-tas têm cursos durante a semana, des olímpicas! Modalidades estassobre postura, economia, adminis- que, obrigatoriamente (devido àstração e ética (este último é o curso regras olímpicas), teremos nova-principal)! mente nas próximas olimpíadas! Após o término das Olimpíadas Mas o que mais me impressio-de Londres (2012), o que nos resta na na falta de ética dos dirigentesa fazer é olhar, rezar e tentar achar brasileiros é a total cara de pau da-a bendita ética – que tanto carece- queles (e são muitos) que não en-mos, diga-se de passagem – que tendem do esporte queajudaria a melhorar muito o esporte “representam”. São aqueles que di-brasileiro. ante das câmeras falam bonito, mas Mas analisando friamente o te- quando saem do ar jogam o papel,ma, pensemos e questionemos: O contendo os falsos discursos ilusó-que, de fato, vem a ser a tão falada rios repletos de baboseiras, no lixo!ética? Basicamente, a ética serve Ou seja, trata-se de uma total faltapara que haja um equilíbrio e bom de preocupação com o atleta, e aofuncionamento social, possibilitando mesmo tempo a total (e única) pre-que ninguém saia prejudicado. ocupação com o próprio bolso! Com base nesta resposta, pa- A falta de profissionalismo derece até piada chamarmos o que te- alguns, que chegam ao cúmulo demos hoje no esporte brasileiro de roubar projetos alheios, mas nãoética! para fazer o bem para aquele que Mas agora voltando ao fato de nós (atletas e ex-atletas) almeja-sermos o “país do futebol”, vale mos, que é o esporte, mas sim pararessaltar que em 1990 tivemos a fazer o bem somente ao ego, à suareal e imperdível oportunidade de imagem.tornarmos nossos clubes, grandes Diante de tudo isso que foi ex-empresas, (assim como na Europa), posto, fica uma certeza bastantegerando receita 365 dias por ano. sólida:Tratava-se da Lei Pelé (Lei Nº RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 35
  36. 36. PEREZ, Vivian. A influência da ética (e da falta dela) no marketing esportivo brasileiro. Revista Mais Basquete, volume 1, nº 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.continuamos ignorando o equilíbrio que irão satisfazer os consumido-e o bom funcionamento social, per- res, (que no Brasil ainda são cha-mitindo que enormes injustiças mados de fãs).aconteçam e que aqueles que lutam Portanto, para alcançarmos umem prol do esporte saiam prejudica- quadro de medalhas ao menos pa-dos. Portanto, se desejamos obter recido com o dos Estados Unidos,bons resultados nas Olimpíadas de precisamos sim direcionar nossos2016, temos muito de trabalhar. E olhares críticos a aqueles que estãoeste trabalho deve começar imedia- no comando de nosso esporte etamente! perguntar: Será que eles sabem o Antes de tudo, deve- que é ética? Ou precisamos ir atrásmos entender que sem a ética nas daqueles que os educaram? Deve-diretorias dos clubes, jamais conse- mos nos perguntar se aqueles queguiremos crescer e fazer o Marke- lá estão, ditando as regras do es-ting Esportivo gerar alguma receita. porte brasileiro, além de não teremQue projetos e ações de Marketing ética, também não têm caráter!existem! Pois do contrário ao que Pois eu prefiro acreditar que o quemuitos pensam, eles não são resu- falta mesmo é o bom e velho profis-mem apenas a uma foto bonitinha sionalismo!da equipe e dos atletas principais VIVIAN PEREZ Diretora de Marketing do site Ba- bby66. Ex-atleta de voleibol. Formou -se em Administração e Marketing na Northwood University (USA). Tra- balhou no marketing da NBA. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 36
  37. 37. Macedônia: o treinador invisível por Miguel Panades (Traduçao de Mario Brauner*) Responda-me de memória, por favor: Como se chama o treinadorda Macedônia, seleção que chegou ao EUROBASKET classificada no 47ºlugar no ranking da FIBA? As repercussões dos cruzamen- Marin Dokuzovski, 51 anos, trei-tos das quartas de final e das semifi- nador que exerceu seu trabalho quasenais deixaram de uma parte as mara- sempre na Macedônia, principalmentevilhosas exibições de Navarro e Pau no Rabotnicki, exceto em duas tempo-Gasol e, de outra, a atuação da equipe radas quando esteve na Bulgária, umada Macedônia. Gostaria de aprofundar como treinador auxiliar e outra comosobre a seleção capaz de eliminar a primeiro treinador no Luckoil Acade-Lituânia (equipe anfitriã do pré- mic. Foi selecionador sub 18 na Fede-olímpico) e colocar contra as cordas a ração da Macedônia, e logo após foiEspanha. Gostaria de fazê-lo em com- auxiliar de treinador da Seleção Abso-panhia dos treinadores que queiram se luta de seu país, para finalmente che-unir ao debate e contribuir com suas gar ao cargo de Selecionador da equi-opiniões. pe Principal. Um bom currículo, invisí- vel aos olhos midiáticos, mas um bom currículo. Invisível sim, como tantos e* Texto Original Macedonia: El entrenador invisible é de autoria de Miguel Panadés, publicadono site da Federação Espanhola de Basketball (http://www.feb.es/NoticiaDesarrollo.aspx?idNoticia=39484 ) e copiado em 17/09/2011. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 37
  38. 38. PAINADÉS, Miguel. Macedônia: o treinador invisível. (TRADUÇÃO Mário G. Brauner). Revista Mais Basquete, volume 1, nº. 2, dezem- bro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.tantos treinadores que exercem suas gestão das características particularesfunções em seus respectivos clubes ou dos jogadores, com seus perfis de es-seleções “não ganhadores ou ganha- trelas ou de humildes guerreiros. Dedoras” e conseguem exprimir ao máxi- outra parte, na utilização e exploraçãomo seus recursos desde a mais absolu- adequada das capacidades esportivasta discrição. A imensa maioria dos trei- de cada um deles.nadores são invisíveis, como a imensa Dokuzowski , conseguiu o quemaioria dos jogadores, como a imensa tantas vezes parece impossível e quemaioria dos cidadãos...e de pronto, nesta ocasião se demonstrou que nãouma oportunidade, uma ocasião para é tanto assim. Movimentar um plantelmostrar seu nível e a demonstração reduzido conseguindo que seus trêsaos olhos de todos que possuem o ta- jogadores referencia – McCalebb, Ili-lento, a capacidade profissional para evski e Antic – dispusessem das op-competir com as “estrelas”, para con- ções, da liberdade, da confiança ne-seguir o fundamental objetivo de todo cessária para finalizar a maioria dastreinador: que seus jogadores brilhem. ações. Atenção, falamos de três joga- Considero missão igualmente dores de grande nível porém nenhumcomplicada, tanto conseguir que uma “All Star”. Conseguiu esta seleçãoequipe de estrelas seja capaz de colo- além de desenvolver um jogo de equi-car o fardamento e entregar-se ao tra- pe que maravilhou a todos os treina-balho, como fazer com que uma equi- dores, passando a bola entre todos co-pe limitada possa vir a render como mo há muito não se via, ocupandoestrelas. Não saberia classificar qual perfeitamente os espaços, fazendodas duas missões seria mais difícil, e aí crescer a quadra no ataque como to-sim os convido ao debate: conseguiria dos os técnicos pretendem que aconte-Phil Jackson colocar a equipe da Mace- ça com suas equipes para benefício dedônia com seus jogadores atuais nas seus homens de penetração.semifinais do Pré Olímpico Europeu? Este artigo foi publicado no site da FederaçãoEncontraremos a resposta seguramen- Espanhola de Basquetebol (17/09/2011) e note, de uma parte, na capacidade de blog do autor. Tradução do Prof. Dr. Mário Brauner distribuída entre amigos. Publicação sob responsabilidade da Revista Mais Basquete. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 38
  39. 39. Conecte-se ao PBC e fique por dentro do basquete no sul do Brasil.www.facebook.com/pelotasbasketballclube www.twitter.com/pelotasbasket RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 39
  40. 40. Mundial Masculino Sub-19 e Universíade de Shanzen 2011 Walter RoeseCaros Amigos, América em San Antonio, entretanto tiveram grandes dificuldades para levar os melhorescomo eu havia planejado – e prometido aosmeus atletas na ocasião da Sub 18 – que atletas, tendo em vista que estes optaramestaria presente no Mundial Sub-19 na Letô- por iniciarem os estudos nas universidadesnia caso a equipe se classificasse na Copa Americanas ou entrarem para o NBA, draft,América de Santo Antonio, lá eu estive. Infe- durante o verão e não participaram do Mun-lizmente eu não estive exercendo a função dial.que havia visionado, mas devido uma “nova” Na minha visão a Seleção da Servia,filosofia de planejamento da CBB com Sele- USA, Brasil, Austrália e a jovem equipe dação Permanente não foi possível dar conti- Croácia apresentaram melhores chances denuidade ao meu trabalho. estarem entre os finalistas juntamente com a Lituânia. A Seleção Americana muito verde O nível do campeonato Sub 19 em em competições internacionais, equipe daminha opinião estava nivelado, com exceção Austrália muito forte, mas com pouca opçãoda Seleção da Lituânia, as demais equipes de reservas, seleção da Croácia formada porapresentaram o mesmo nível técnico. As jovens talentos da geração 1994 e 1995, e aequipes dos Estados Unidos e do Canada nossa querida seleção do Brasil que tinhaque levaram fortes equipes para a Copa uma equipe forte, alta e com bons jogado- res, teve apenas uma partida ruim durante o campeonato, infelizmente foi a partida que mais valia e contra os rivais Argentinos. Seleção da Rússia, Letônia, Polônia e Argentina eram seleções que em minha opinião estavam um nível abaixo das que eu mencionei anteriormente. A Seleção da Argentina estava meio que desacreditada, fisicamente não haviam evoluído nada des- de a Copa América de San Antonio e seus pivôs eram baixos e fisicamente fracos. O RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 40
  41. 41. ROESE, Walter. Mundial masculino Sub-19 e Universiade de Shan- zen 2011. Revista Mais Basquete, volume1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.mais me chamou atenção na Seleção Argen- Foi a minha terceira participação juntotina, desde o Sul Americano na Colômbia, foi com a Confederação Brasileira de Desportoque eles superavam a deficiência física e téc- Universitário num Mundial Universitário comonica com entrosamento técnico, sendo que o treinador. Já sabendo das dificuldades quemais impressionante era a união dentro e iriamos encontrar devido ao Calendário dafora da quadra. Resumindo, o Mundial sub- FIBA e com equipes de São Paulo, Rio de19, em minha opinião, não foi um dos melho- Janeiro e Minas não liberando seus princi-res que já presenciei, então acredito que pais atletas, tivemos dificuldades para mon-muitos desta geração 1992 vão contribuir tar uma equipe forte. Da lista de 35 atletaspara as seleções Adultas de seus países. Foi apenas 13 se apresentaram e destes doisuma pena que o Brasil não ficou entre os tiveram problemas pessoais e pediram dis-quatro finalistas, pois eu realmente acredita- pensa. Foi a primeira vez que eu não tiveva que tínhamos equipe para isso e o projeto que fazer cortes numa seleção Brasileira. Oque começou no Sul Americano na Colômbia nível da Universiade foi fortíssimo, mas mes-tinha grandes expectativas para essa gera- mo assim a equipe progrediu e conseguimosção. terminar em 11º lugar entre 26 seleções. Vencemos cinco jogos (Romênia, China, Sinceramente, o Brasil fez uma boa Emirados Árabes, México e Israel) e perde-campanha com exceção do jogo contra a Ar- mos três (República Checa, Alemanha e Tur-gentina que foi o mais importante e que mais quia). Ganhamos da forte equipe da Romê-valia. A pressão de vencer ou ser eliminado nia, que por sua vez venceu a Repúblicacustou um resultado do qual não mereciam. Checa que venceu o Brasil e no average de pontos tiraram a seleção brasileira univerUniversiade em Shanzen RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 41
  42. 42. ROESE, Walter. Mundial masculino Sub-19 e Universiade de Shan- zen 2011. Revista Mais Basquete, volume1, nº. 2, dezembro de 2012. Disponível em: <www.revistamaisbasquete.com.br>.sitária das oitavas-de-finais. Para terem estudo e dos treinadores das categorias deuma noção, a forte equipe Americana (levou base que não obrigam seus atletas a estuda-seus melhores jogadores) ficou em quinto rem.lugar. A Seleção da Sérvia foi campeã. Existiu, pela primeira vez, uma aproxi- A estrutura foi a melhor que eu partici- mação da CBDU com a CBB e creio quepei. Posso falar com conhecimento de num futuro próximo as duas confederaçõescausa, estive nas Olimpíadas de Beijim e irão trabalhar juntas para que o Brasil leveShanzen não ficou muito atrás em termos de uma equipe competitiva no nível da magnitu-estrutura. A abertura dos jogos foi algo espe- de do Brasil.tacular.Infelizmente no Brasil ainda não te- Eu só tenho que agradecer a CBDUmos a cultura do Esporte andar junto com o pela confiança e todo o apoio que me deu. Aestudo. Na Universiade o atleta tem que es- minha comissão técnica e aos jogadores.tar matriculado na faculdade e não ter idade São profissionais dos mais capacitados, umacima de 24 anos. Nossos atletas só come- orgulho e prazer em trabalhar com essesçam a se preocupar com os estudos no final profissionais que querem o bem do basque-da carreira profissional o que dificulta muito te e do esporte no Brasil.para colocar uma equipe de nível internacio-nal. Muitos dos jogadores que estávamos A próxima Universiade será em 2013almejando, não têm nem o colegial completo. na Rússia e espero que o Brasil leve seusEu penso que isso é uma falta de respeito melhores talentos ou vamos ter que nos con-com nossos jovens, pois teria que partir dos tentar em apenas participar e não competirpais a obrigação de fazer com que seus fi- por medalhas, pois o nível é muito alto.lhos tenham no mínimo um nível básico de WALTER ROESE Foi atleta de basquete (clubes, seleções e universitário americano), técnico da modalidade com passagens como Assistente Técnico na NCAA (Universidades de Utah, Hawaii, Nebraska), na seleção brasileira universitária (três últimas Uni- versíades) e da seleção brasileira de base sub-18 em 2010— lá conquistou a vaga para o Mundial Sub-19 Masculino de 2011 e não foi mantido como técnico da seleção. Foi ao mundial como scoutista da seleção norte-americana. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 42
  43. 43. LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB) RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 43
  44. 44. Visite o Centro Esportivo Virtuale participe do debate sobre o basquete.www.cev.org.br/comunidade/basquete RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 44
  45. 45. LIGA DE DESENVOLVIMENTO 2011 (LDO/LNB) RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 45
  46. 46. ENTREVISTA Felipe Braga, pivô do Elan Bearnais Pau-Lacq-Orthez (FRA) por Álvaro Flavio Guimaraes No final do ano passado ou menos 80 mil habitantes. O uma das principais revela- time tem muita tradição (nove ções do basquete brasileiro títulos nacionais e dois interna- mudou-se para a França cionais), em 2009 perdeu o pa- em busca de mais experiên- trocínio e caiu para a segunda cia. Quatro meses depois o divisão. Em 2010 voltou à pri- pivô Felipe Braga, 17, con- meira e agora está se reer- cede uma entrevista exclu- guendo, mas sua estrutura é siva para a Mais Basquete impressionante, eu estou gos- e fala sobre a realidade tando bastante. que encontrou em um dosclubes mais tradicionais da Eu-ropa e suas expectativas comrelação a nova vida no Velho Mundo.Confira os principais trechos deste bate-papo: Mais Basquete – Quais tuas primeiras impres- sões da nova cidade e do clube? Felipe Braga – A cidade de Pau (sede do Elan Bearnais Pau-Lacq-Orthez, desde 1989) é pequena, tem mais RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 46
  47. 47. MB – Como tem sido a fazendo apenas matemática, tua rotina no clube? inglês e francês, para poder aprender o idioma local e, so- FB – Tenho treino duas ve- mente depois disso vou poder zes por dia (manhã e tar- comer a frenquentar a escola de) de segunda a sexta. normalmente. Nos sábados e domingo, tenho jogos. Estou jogandopelo Sub-20 e pelo Sub-17 – MB – Que campeonatos dis-que é a minha categoria -, mas putas? Como avalias o nívelcom o Sub-17 eu só jogo, os técnico do torneio? treinos são com o Sub-20. Aqui tenho jogado como “4” FB – Estamos jogando o cam- peonato nacional. O Sub-20 se e, também, treinado muito apresenta sempre antes do os fundamentos. adulto, contra o mesmo adver- sário. O nível de competitivida- MB – E com os estudos, de é fora do comum, é real- como estás fazendo? mente muito forte. FB – Por enquanto estou RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 47
  48. 48. MB – A partir disso diri- as que essa experiência já te trouxe ganhos? FB - Com toda certeza, pois se eu quero jogar em alto nível tenho que procu- rar os melhores adversá-rios e por isso vim pra cá. Quem é Felipe Braga: Mineiro de Belo Horizonte, nascido em 11/07/1994, este gigante de 2.01 metros começou a carreira aos dez anos da idade seguindo os passos dos irmãos mais velhos. Em 2011 sagrou-se campeão Sul-Americano pela Seleção Bra- sileira Sub-17. No final do mesmo ano assinou contrato por quatro anos com a equipe francesa Pau-Lacq-Orthez. Hoje, o garoto que tem como referência o pivô brasileiro, Tiago Splitter sonha em defender o Brasil nas Olimpíadas do Rio em 2016 e, claro, disputar a NBA. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 48
  49. 49. Marcello Berro ...para a Argentina estudar basquete! Carioca expõe-se ao frio de julho/agosto em busca de sua for- mação permanente. Ele nos conta como foi sua experiência. Estive entre os dias cos em Basquetebol da Ar- mente o foco do basquete-25 de agosto até 13 de se- gentina); e bol.tembro em Mar Del Plata, 3.Assistir ao pré- Jantei olhando pelauma cidade a 400 km de olímpico de basquete. janela e me perguntando:Buenos Aires, capital da como um país que atraves- OBJETIVO 1: ClínicaArgentina. Viajei com 3 ob- sa uma crise econômica CODITEPjetivos definidos: nítida, consegue ter um Cheguei na véspera 1.Participar da clínica basquetebol tão respeita- do início das palestras dada CODITEP (fusão entre a do? CODITEP, fazia muito frioassociação de clubes de Acordei no dia 26 e o vento trazia uma sen-basquetebol e associação apressado para fazer a mi- sação térmica desespera-de técnicos profissionais nha inscrição, me chamou dora para um carioca.em basquetebol da Argenti- a atenção que meu númerona); Saí para jantar ansio- era 541, achei estranho e so pela manhã seguinte, 2.Participar do Con- depois descobri que foram mas o frio, a sujeira nasgresso e clínica da ENEBA 578 inscritos, num curso ruas e o excesso de pedin-(Escola Nacional de Técni- não obrigatório. tes, me tiraram completa- RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 49
  50. 50. RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 50
  51. 51. Marcello Berro Eram todos técnicos não eram egoístas, que tempo estabelecido, acheiprofissionais que já haviam estes davam a devida im- que esta seria curta e atécursado a demorada ENE- portância ao lado espiritual desinteressante. FacundoBA (três níveis em quatro e de como essa energia iniciou assim: “Uma comis-anos com atualizações (gerada por um grupo uni- são técnica tem como prin-obrigatórias feitas a cada do e sintonizado) é funda- cipal finalidade colaborardois meses em cada esta- mental para o sucesso de com a autocrítica do treina-do) uma equipe de basquete- dor”. A primeira palestra foi bol. Só esta frase, me fezdo Sr. Gérman Diorio A segunda palestra lembrar que muitos técni-(psicólogo da seleção prin- foi do Sr. Facundo Muller cos brasileiros, seja porcipal masculina) que dis- (segundo assistente técni- insegurança (achar que ossertou sobre a parte moti- co da seleção principal assistentes querem o lugarvacional e psicológica no masculina) que palestrou dele) ou por falta de confi-basquetebol. O foco era sobre a importância da ança (na competência dosalertar sobre a importância uma comissão técnica — assistentes) preferem tra-da comissão técnica co- confesso que o tema e pe- balhar sozinhos ou ter nanhecer todos os itens da la palestra anterior ter ul- comissão técnica pessoaspersonalidade dos atletas trapassado (e muito) o que nunca o contestem.e usa-los a favor de umgrupo unido, motivado esintonizado num mesmoobjetivo. Assim que acabou,me senti perplexo diantedo absoluto conhecimentoe complexidade das infor-mações. Percebi que asperguntas dos treinadores RMB, Volume 1, Número 2, Dezembro de 2012 | 51

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