Mário de Andrade                                      (1893-1945)MODERNISMO – Primeira geração→ROMANCE MODERNO1ª publicaçã...
AMAR, VERBO INTRANSITIVO – IDÍLIOIdílio: 1. Amor terno e delicado. 2. Colóquio amoroso: relações entre namorados. 3. Prod...
CONTEXTO HISTÓRICONa Europa, o período denominado ‘entre guerras’ caracterizou-se por uma profunda crise econômica, socia...
CONTEXTO HISTÓRICONo Brasil, apesar da guerra, o clima era bem outro: havia um relativo otimismo em relação ao futuro. Su...
CONTEXTO HISTÓRICO“[...] tornaram a vida insuportável na Alemanha. Mesmo antes de 14 a existência arrastava difícil lá, F...
     Amar, Verbo Intransitivo, chama a atenção por             inúmerosaspectos. A linguagem, provavelmente considerada “...
 A universalidade do romance está personificada em Fräulein, pois  traz um mundo de contradições e efervescências        ...
 Plano de Fräulein : Quer ensinar o amor e não o sexo (Como Sousa Costa  quer) e casar-se ; Fräulein (universo racional,...
 Constante emprego das digressões, boa partedelas metalinguísticas, outra parte sociológicas,que fazem lembrar o estilo m...
 Dentro do aspecto sociológico, há que se entender umaposição meio ambígua de Mário de Andrade, como se elemostrasse uma ...
    O que mais chama aatenção é a utilização dateoria freudiana (grandepaixão do autor) comoembasamento da trama.
Foco narrativoA narrativa é feita na terceira pessoa, por um narradorque não faz parte do romance. É o narrador tradicion...
Linguagem e EstruturaA narrativa corre sem divisões de capítulos. Mário de Andrade usa asformas conhecidas de discurso. É...
A pontuação da frase é muito liberal. Conscientemente liberal. O ritmo deleitura depende muito da capacidade de cada leit...
LINGUAGEM E ESTRUTURAApesar de certos alongamentos em seus comentáriosmarginais, o autor escreve com rapidez, dinamicamen...
PERSONAGENSEm geral, são fabricadas, artificiais, semmuita vida ou substância humana. Aspersonagens são bem parecidas esoc...
PERSONAGENSFelisberto Sousa Costa - pai deCarlos. É o centro, não afetivo, masadministrativo da casa em quemantém, mais ou...
D. Laura - mãe de Carlos, esposade Felisberto. Como devia, sempreobedece ao marido. É uma senhorabem       composta,    ac...
Carlos Alberto – filho,entre 15 e 16 anos. Umaespécie de “enfant gaté”(um queridinho da família,porque único) e que,certam...
Elza – Fräulein(=     senhorita),    governantaalemã. Tão importante que eladava nome ao romance. Como éFräulein? Ela é a ...
Maria Luísa - irmã de Carlos, tem 12 anos. Ela vai ser o centro de umanarrativa dentro do romance: a sua doença e a viagem...
Enredo         Felisberto Souza Costa, um novo-rico, um homem burguês, bemposto na vida, contrata uma governanta alemã, de...
Nesse idílio, nos deparamos com um lírico nostálgico voltado para opassado, remetendo à obra de Saint-Pierre, a de Gessner...
 Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, Alemanha, 22 de maio de 1813 —   Veneza, Itália, 13 de fevereiro de 1883) foi um maestr...
Chegada de Fräulein à Mansão             Terça-feira o táxi parou no portão da Vila Laura. Elza apeou ajeitando o casaco, ...
ATENÇÃO!ATENÇÃO!Descrição do corpo de Fraülein: Isso do corpo de Fräulein não ser perfeito, em nada enfraquece a história....
ATENÇÃO:             Na cena em que Fräulein e Carlos encontram-se na biblioteca, a sedução do aluno pela professora sepro...
ATENÇÃO:          Carlos entrara no quarto de Fräulein. Mal tivera tempo de. Porém já machucara a amante,cruzando as perna...
Fräulein sacudida pelos soluços nervosos entrou no automóvel .Partiam mesmo. Debruçou-se ainda na portinhola:        - Meu...
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Amar, verbo intransitivo, de mário de andrade

  1. 1. Mário de Andrade (1893-1945)MODERNISMO – Primeira geração→ROMANCE MODERNO1ª publicação – 1927
  2. 2. AMAR, VERBO INTRANSITIVO – IDÍLIOIdílio: 1. Amor terno e delicado. 2. Colóquio amoroso: relações entre namorados. 3. Produto da fantasia; devaneio, utopiaA perplexidade é inevitável, uma vez que idílio implica numa forma singela de amor em que não pairam dúvidas quanto à reciprocidade entre dois sujeitos.Amar, verbo intransitivo: contradiçãoGramática: quem ama, ama algo: VTDLivro: quem ama, ama: VI
  3. 3. CONTEXTO HISTÓRICONa Europa, o período denominado ‘entre guerras’ caracterizou-se por uma profunda crise econômica, social e moral que atingiu os países capitalistas na década de 20. Na Alemanha, particularmente, a situação era pior: havia um clima propício, como nos demais países que perderam a guerra, ao nascimento de um violento nacionalismo. No caso, sabemos, estava aberta a brecha para a ascensão do nazismo.
  4. 4. CONTEXTO HISTÓRICONo Brasil, apesar da guerra, o clima era bem outro: havia um relativo otimismo em relação ao futuro. Superávamos o atraso de um país agrário num estado mesmo de euforia pelo dinheiro proveniente da plantação e comércio do café e vislumbrava-se a possibilidade de unir esta riqueza à nova riqueza industrial. Fräulein, diante de realidades tão opostas, se adapta. Aliás, seu poder de adaptação é insistentemente enfatizado pelo narrador:
  5. 5. CONTEXTO HISTÓRICO“[...] tornaram a vida insuportável na Alemanha. Mesmo antes de 14 a existência arrastava difícil lá, Fräulein se adaptou. Veio pro Brasil, Rio de Janeiro. Depois Curitiba onde não teve o que fazer. Rio de Janeiro. São Paulo. Agora tinha que viver com os Souza Costas. Se adaptou.”
  6. 6.  Amar, Verbo Intransitivo, chama a atenção por inúmerosaspectos. A linguagem, provavelmente considerada “errada” na época,pois se afasta do português castiço ao imitar (às vezes de formaeficiente, às vezes não) o padrão coloquial brasileiro. É como se o textoescrito imitasse a maneira de falar do nosso povo. É um livro para sefazer de conta que se está ouvindo e, não, lendo.Um romance modernista da primeira fase (1922 – 1930),impregnado de um espírito de destruição até ao exagero. O espírito da“Semana de Arte Moderna”: destruir para construir tudo de novo. A molareal de toda a obra do autor é a pesquisa, a busca.
  7. 7.  A universalidade do romance está personificada em Fräulein, pois traz um mundo de contradições e efervescências que caracterizavam a Alemanha (Período entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial – República de Weimar); Fräulein tem tendências autoritárias, totalitaristas. Ela acredita, entre outras coisas, que a mulher deve casar, ter quantos filhos a natureza prover, servir ao marido, cuidar da casa... É a caracterização, segundo Mário de Andrade, do alemão medíocre, alemão médio; Intertextualidade com o Hermann e Dorotéia, de Goethe (Narra a história de uma jovem refugiada por causa da Rev. Francesa que vaga pela Alemanha e encontra o jovem rico, Hermann. Ele a leva para trabalhar na casa e acaba apaixonando-se por ela. Transforma-a em patroa.);
  8. 8.  Plano de Fräulein : Quer ensinar o amor e não o sexo (Como Sousa Costa quer) e casar-se ; Fräulein (universo racional, onde os fins justificam os meios voltada para a mera sobrevivênvia, anônima, burguesa) X Elza (universo emocional, mais humano, sofredor, individualizado); Elza não traz e não precisa de sobrenome; Fräulein e Elza, sempre mencionados separadamente, valem como um todo; Fräulein não é solidária com as outras mulheres. É sempre severa no julgar Laura, a esposa de Souza Costa, não se apega às meninas. A governanta é, sim, uma eficiente professora de sexo: teórica, e, principalmente, prática. “Professora de amor... porém não nascera pra isso, sabia. As circunstâncias é que tinham feito dela a professora de amor. Se adaptara...” (Pág. 71)
  9. 9.  Constante emprego das digressões, boa partedelas metalinguísticas, outra parte sociológicas,que fazem lembrar o estilo machadiano. Mais umavez, a obra apresenta elementos formais que acolocam à frente de seu tempo, caracterizando-a,portanto, como moderna.
  10. 10.  Dentro do aspecto sociológico, há que se entender umaposição meio ambígua de Mário de Andrade, como se elemostrasse uma “paixão crítica” por seu povo, principalmente opaulistano. Note-se que critica valores brasileiros, ao mesmotempo que diz que é a nossa forma de comportamento, deixandosubentendido um certo ar de “não tem jeito”, “somos assimmesmo”.Além disso, ao mesmo tempo em que elogia o estrangeiro,principalmente a força dos alemães, desmerece-os ao mostrá-loscomo extremamente metódicos, ineptos para o calor latino. Semmencionar que reconhece que o imigrante está sendo como quesimpaticamente absorvido por nossa cultura.
  11. 11.  O que mais chama aatenção é a utilização dateoria freudiana (grandepaixão do autor) comoembasamento da trama.
  12. 12. Foco narrativoA narrativa é feita na terceira pessoa, por um narradorque não faz parte do romance. É o narrador tradicional, umnarrador onisciente e onipresente. Mas há ainda um outroponto de vista: o autor se coloca dentro do livro parafazer suas numerosas observações marginais. Paracomentar, criticar, expor ideias, concordar ou discordar... Éuma velha mania do romance tradicional. E os comentáriossão feitos na primeira pessoa.Isto não sei se é bem se é mal, mas a culpa é toda de Elza.Isto sei e afirmo...Volto a afirmar que o meu livro tem 50 leitores. Comigo 51.
  13. 13. Linguagem e EstruturaA narrativa corre sem divisões de capítulos. Mário de Andrade usa asformas conhecidas de discurso. É mais frequente o discurso direto,nos diálogos, mas em algumas vezes, usa também o discursoindireto e o discurso indireto livre.Mário de Andrade transgride a norma culta em aspectos comopontuação e concordância (Ver posfácio!).A narrativa segue, de modo geral, uma linha linear: princípio, meio efim. Começa com a chegada de Fräulein, se estende em episódios eincidentes, acaba com a saída de Fräulein. Quando termina o idílio, oautor escreve “Fim” e, depois, ainda narra um pequeno episódio:Um encontro de longe entre Carlos e Fräulein, num corso de carnaval.Freqüentemente a narrativa fica retardada pelos comentários marginaisdo autor: algumas vezes exposição de tese.
  14. 14. A pontuação da frase é muito liberal. Conscientemente liberal. O ritmo deleitura depende muito da capacidade de cada leitor. Abandona a pontuaçãoquando as frases se amontoam, acavalando-se umas sobre as outras,polifônicas, simultâneas, fugindo das regrinhas escolares de pontos e vírgulas.É preciso lembrar que Mário de Andrade é sempre um experimentador embusca de soluções novas para a linguagem. Para alcançar ou tentar suasinovações ele trabalhou suadamente: fazia e refazia suas redações em versõesdiferentes. Assim em Amar, Verbo Intransitivo e mais ainda em Macunaíma.Sobre Fräulein : Agora primeiro vou deixar o livro descansar uma semana oumais sem pegar nele, depois principiarei a corrigir e a escrever o livro na formadefinitiva. Definitiva? Não posso garantir nada, não. Fräulein teve quatroredações diferentes! (Carta a Manuel Bandeira, pág. 184).
  15. 15. LINGUAGEM E ESTRUTURAApesar de certos alongamentos em seus comentáriosmarginais, o autor escreve com rapidez, dinamicamente,em frases e palavras com jeito cinematográfico. Usa uma linguagem sincopada, cheia de elipses queobrigam o leitor a ligar e completar os pensamentos. Emvez de dizer e de explicar tudo, apenas sugere em frasescurtas, mínimas.
  16. 16. PERSONAGENSEm geral, são fabricadas, artificiais, semmuita vida ou substância humana. Aspersonagens são bem parecidas esocialmente domesticadas.A ação principal está em Fräulein : seudomínio sexual, com imperturbávelserenidade bem alemã, contrasta com aespontaneidade sexual, com aimpetuosidade bem brasileira doexcelente aluno (em sexo), Carlos.
  17. 17. PERSONAGENSFelisberto Sousa Costa - pai deCarlos. É o centro, não afetivo, masadministrativo da casa em quemantém, mais ou menos, o regimepatriarcalista. Deve-se notar que ocomportamento de Sousa Costa,acerca de sua atitude de contratar umaprofissional do amor para realizar osserviços debaixo do seu próprio teto,revela determinados valores da O narrador mostra-se bastanteburguesia da época. Ele se comporta cruel. Ficaram claras as suas críticas àcomo um ‘novo rico’ que acha que o rico burguesia paulistana e à sua mania dedinheiro pode tomar posse de tudo, até tudo tentar ser o que não é ou esconder o queda iniciação sexual. São ricos que no fundo é. Observa-se a genialidade doainda não têm, no entender de Mário narrador ao descrever Sousa Costade Andrade, estrutura para merecer usando brilhantina até no bigode.seu presente status. Assemelha-se à esposa, que também usa produto para alisar o cabelo. Querem esconder que são tão mestiços quanto o resto do país.
  18. 18. D. Laura - mãe de Carlos, esposade Felisberto. Como devia, sempreobedece ao marido. É uma senhorabem composta, acomodada,burguesa. Uma senhora dasociedade e que mantém todas asaparências de seriedade religiosa efamiliar. Concorda com osargumentos tão convincentes... domarido, na educação do único filho-homem.
  19. 19. Carlos Alberto – filho,entre 15 e 16 anos. Umaespécie de “enfant gaté”(um queridinho da família,porque único) e que,certamente, deverá ser oprincipal herdeiro do nome,da fortuna e das realizaçõespaternas. Como eracostume, possivelmente,deveria ser a projeção dopai, a sua continuação.Centraliza a narrativa, épersonagem do pequenodrama amoroso do livro, aolado da governanta alemã,Elza.
  20. 20. Elza – Fräulein(= senhorita), governantaalemã. Tão importante que eladava nome ao romance. Como éFräulein? Ela é a mais humana ereal, mais de carne e osso.Talvez arrancada da vida. Ela,sem muito interesse, cuidatambém da educação ouinstrução das meninas:principalmente para ensinaralemão e piano. São trêsmeninas que, apenas, completama família burguesa. São trêsmeninas que brincam de casinha.
  21. 21. Maria Luísa - irmã de Carlos, tem 12 anos. Ela vai ser o centro de umanarrativa dentro do romance: a sua doença e a viagem ao Rio de Janeiro,para um clima mais saudável em oposição ao frio paulistano.Laurita - irmã de Carlos, tem 7 anos.Aldina - irmã caçula de Carlos. Tem 5 anos.Tanaka - mordomo.
  22. 22. Enredo Felisberto Souza Costa, um novo-rico, um homem burguês, bemposto na vida, contrata uma governanta alemã, de 35 anos, para aeducação do filho, principalmente para a sua educação sexual: “Não meagradaria ser tomada por aventureira, sou séria, e tenho 35 anos,senhor. Certamente não irei se sua esposa não souber o que voufazer lá”. Elza vai ficar conhecida e será chamada sempre pela palavraalemã Fräulein (senhorita). Chegou à mansão de Souza Costa, numaterça-feira: “Ganharia algum dinheiro... Voltaria para a Alemanha... Secasaria com um moço ‘comprido, magro’, muito alvo, quasetransparente...”). A família era formada pelo pai, por D. Laura, o jovem Carlos e asmeninas: Maria Luísa, com 12 anos; Laurita, com 7, e Aldinha,com 5.Havia também na casa um criado japonês: Tanaka. A criançada todacomeçou logo aprendendo alemão e chamando a governanta de Fräulein.Carlos não está muito para o estudo. Fräulein logo se ajeitou na família,uma família “imóvel mas feliz”. Mas o papel principal da governanta éensinar o “amor”.
  23. 23. Nesse idílio, nos deparamos com um lírico nostálgico voltado para opassado, remetendo à obra de Saint-Pierre, a de Gessner, e reportando-setambém a de Wagner, músico e poeta alemão, cuja influência foideterminante para a formação da identidade nacional.
  24. 24.  Wilhelm Richard Wagner (Leipzig, Alemanha, 22 de maio de 1813 — Veneza, Itália, 13 de fevereiro de 1883) foi um maestro, compositor, diretor de teatro e ensaista alemão, primeiramente conhecido por suas óperas (ou "dramas musicais", como ele posteriormente chamou). As composições de Wagner, particularmente essas do fim do período, são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração, e o elaborado uso de Leitmotiv: temas musicais associados com caráter induvidual, lugares, ideias ou outros elementos. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores, Wagner escreveu simultaneamente a música e libreto, para todos os seus trabalhos. Wagner foi o pioneiro em avanços da linguagem musical, tais como o cromatismo extremo e a rápica mudança dos centros tonais, que muito influenciou no desenvolvimento da música erudita europeia. Sua Tristan und Isolde é algumas vezes descrita como um marco do início da música moderna. A influência de Wagner vai além da música, é também sentida na filosofia, literatura, artes visuais e teatro. Ele teve sua própria casa de ópera, o Bayreuth Festspielhaus. Wagner conquistou tudo isso, apesar de viver até suas últimas décadas em um exílio político, amores turbulentos, pobreza e a fuda de seus credores. O impacto de suas ideia pode ser sentidas em muitas artes do longo de todo o século XX. Tristan und Isolde ("Tristão e Isolda", em alemão) é uma ópera em três atos com música e libreto do compositor alemão Richard Wagner, baseada em uma lenda medieval narrada por Gottfried Von Strassburg. A estreia da obra foi em 10 de Junho de 1865, em Munique, no Teatro da Baviera, sob regência do maestro Hans von Bülow.A partitura de Tristan und Isolde é um marco importantíssimo da música erudita moderna por apontar para a dissolução da tonalidade, cuja consequência será o atonalismo do século XX. https://www.youtube.com/watch?v=8VEqNv6Y-DQ
  25. 25. Chegada de Fräulein à Mansão Terça-feira o táxi parou no portão da Vila Laura. Elza apeou ajeitando o casaco, toda depardo, enquanto o motorista botava as duas malas, as caixas e embrulhos no chão. Era esperada. Jácarregavam as malas pra dentro. Uns olhos de 12 anos em que uma gaforinha americana enroscava agalharia negro-azul apareceu na porta. E no silêncio pomposo do casão o xilofone tiniu: — A governanta está aí! Mamãe! a governanta está aí! — Já sei, menina! Não grite assim! Elza discutia o preço da corrida. —... e com tantas malas, a senhora... — É muito. Aqui estão cinco. Passe bem. Ah, a gorjeta... Deitou quinhentos réis na mão do motorista. Atravessou as roseiras festivas do jardim. Dia primeiro ou dois de setembro, não lembro mais. Porém é fácil de saber por causa daterça-feira. Bem diferente dos quartinhos de pensão... Alegre, espaçoso. Pelas duas janelas escancaradasentrava a serenidade rica dos jardins. O olhar torcendo para a esquerda seguia a disciplinada carreira dasárvores na avenida. Em Higienópolis os bondes passam com bulha quase grave soberbosa, macaqueandoo bem-estar dos autos particulares. É o mimetismo arisco e irônico das coisas ditas inanimadas. Sãobondes que nem badalam. Procedem como o rico-de-repente que no chá da senhora Tal, família campineirade sangue, adquire na epiderme do fraque a macieza dos tradicionais e cruza as mãos nas costas — queimportância! — pra que a gente não repare na grossura dos dedos, no quadrado das unhas chatas. Neto deBorbas me secunda desdenhoso que badalo e mãos ásperas nem por isso deixam de existir, ora! o badalopode não tocar e mãos se enluvam. Elza trouxe de novo os olhos de fora. O criado japonês botara as malas bem no meio do vazio.Estúpidas assim. As caixas, os embrulhos perturbavam as retas legítimas. (Págs. 48 a 50)
  26. 26. ATENÇÃO!ATENÇÃO!Descrição do corpo de Fraülein: Isso do corpo de Fräulein não ser perfeito, em nada enfraquece a história. Lhedá mesmo certa honestidade espiritual e não provoca sonhos. E aliás, se renascente e perfeito, o idílio seria o mesmo.Fräulein não é bonita, não. Porém traços muito regulares, coloridos de cor real. E agora que se veste, a gente pode olharcom mais franqueza isso que fica de fora e ao mundo pertence, agrada, não, não agrada? Não se pinta, quase nem usa pó-de-arroz. A pele estica, discretamente polida com os arrancos da carne sã. O embate é cruento. Resiste a pele, o sangue sealastra pelo interior e Fräulein toda se roseia agradavelmente.O que mais atrai nela são os beiços, curtos, bastante largos, sempre encarnados. E inda bem que sabem rir:entremostram apenas os dentinhos dum amarelo sadio mas sem frescor. Olhos castanhos, pouco fundos. Se abremgrandes, muito claros, verdadeiramente sem expressão. Por isso duma calma quase religiosa, puros. Que cabelosmudáveis! ora louros, ora sombrios, dum pardo em fogo interior. Ela tem esse jeito de os arranjar, que estão semprepedindo arranjo outra vez. As vezes as madeixas de Fräulein se apresentam embaraçadas, soltas de forma tal, que as luzespenetram nelas e se cruzam, como numa plantação nova de eucaliptos. Ora é a mecha mais loura que Fräulein prende ecem vezes torna a cair... (Págs. 56 a 58)
  27. 27. ATENÇÃO: Na cena em que Fräulein e Carlos encontram-se na biblioteca, a sedução do aluno pela professora seprocessa gradativamente; percebe-se uma tensão provocada pela indefinição e pelo jogo de revelar e encobrirestabelecido tacitamente entre ambos, até o momento em que a situação se inverte, e Fräulein surpreende-se com ospróprios sentimentos. Deitou o braço direito sobre o dele, lhe segurando a mão, soerguendo-a do papel. Assim, não é para intrigar, porém ele ficava abraçado.Abaixou a cabeça, querendo e não querendo, que desespero! era demais! se ergueu violento. Empurrou a cadeira. Machucou Fräulein. — Não escrevo mais! Ela ficou branca, tomou com um golpe. Custou o: — Que é isso? Venha escrever, Carlos! — Desse jeito não escrevo mais!A briu a luz da janela. Olhava pra fora, raivoso, enterrando virilmente as mãos nos bolsos do pijama, incapaz de sair daquela sala. Fräuleinnão compreendia. Estava bela. Corada. Os cabelos eriçados, metálicos. Doía nela o desejo daquele ingênuo, amou-o no momento com delírio.Revelação! (Págs. 88-90)
  28. 28. ATENÇÃO: Carlos entrara no quarto de Fräulein. Mal tivera tempo de. Porém já machucara a amante,cruzando as pernas sentado. Tátão, tão, tão! - Meu Deus! Entra Sousa Costa. (Pág. 134)
  29. 29. Fräulein sacudida pelos soluços nervosos entrou no automóvel .Partiam mesmo. Debruçou-se ainda na portinhola: - Meu Carlos... (Pág.139)

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