Operações estabelecedoras

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Aula 8 da disciplina "Fundamentos teóricos em Psicologia II - Comportamentalismo", do Curso de Psicologia da Unifesspa (2016)

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Operações estabelecedoras

  1. 1.  Fundamentos Teóricos em Psicologia II - Comportamentalismo Aula 8 Operações estabelecedoras P R O F. D R . C A I O M A X I M I N O C M A X I M I N O @ U N I F E S S PA . E D U. B R
  2. 2. Objetivos 1. Conceituar privação e saciação 2. Contextualizar historicamente o conceito de operação estabelecedora 3. Diferenciar operação estabelecedora e discriminação 4. Analisar os conceitos de “necessidade”, “instinto” e “impulso” sob a ótica da AEC 5. Discorrer sobre o tempo como variável nas operações estabelecedoras
  3. 3. Saber e querer • “É comum falarmos na diferença entre o ‘saber’ e o ‘querer’ quando nos referimos a aprendizagem e motivação, respectivamente” (Miguel, 2000) •Na AEC, os problemas da motivação costumam ser explicados a partir da função reforçadora dos estímulos • “O problema do ‘querer’ (não querer fazer algo) muitas vezes tem suas raízes na falta de reforçamento disponível para que o comportamento ocorra” (Miguel, 2000) •Dado que o reforço é arbitrário, como podemos usar esse conceito para explicar a motivação? • “Muitas vezes o problema não está na falta de consequências para o comportamento, mas na ineficácia de tais consequências” (Miguel, 2000) •“(...) a probabilidade de beber toma-se muito alta sob severa privação de água e muito baixa sob saciação excessiva(... ). O significado biológico da mudança na probabilidade é óbvio (...). Em sentido evolucionário, isso “explica” por que a privação fortalece todos os comportamentos condicionados e incondicionados relacionados com a ingestão de água”. (CCH, pp. 155-156)
  4. 4. Impulsos •Em CCH, Skinner usará o termo Drive (“impulso”) para identificar operações de privação e saciação •Skinner (1938): cada impulso possui suas próprias operações definidoras; no caso da “fome” (como impulso), a operação definidora seria a privação de alimento •Essas operações são necessárias para explicar a manutenção do comportamento, porque só o histórico de reforçamento não é capaz de fazê-lo.
  5. 5. Necessidades e impulsos “Tradicionalmente um organismo bebe porque precisa de água, dá um passeio porque precisa de exercicio, respira mais rapida e profundamente porque carece de ar, e come vorazmente porque tem muita fome. Necessidades, impulsos, desejos e apetites são bons exemplos das causas interiores (...)” (CCH, p. 157) “Necessidades e desejos tendem a ser entendidos mais como psíquicos ou mentais, enquanto apetites e impulsos tendem a ser concebidos mais como fisiológicos. Mas são termos usados livremente quando nenhuma dessas dimensões foi observada” (idem)
  6. 6. Necessidades e impulsos como variáveis intervenientes •CCH, p. 157: dizemos que alguém “está sedento” quando não bebeu água durante vários dias, e afirmamos que provavelmente irá beber quando tiver oportunidade  explicação disposicional, estado interno inferido a partir da operação •“Por outro lado, a operação é inferida do próprio comportamento – quando observamos alguém bebendo grandes quantidades de água e afirmamos sem hesitar que está com muita sede” (pp. 157-158)  inferência a partir do comportamento, estado interno atribuído à história de privação •Em ambos os casos, o estado inferido é desnecessário para explicar o comportamento (MESMO QUANDO INFERIMOS UM ESTADO FISIOLÓGICO [p. 159])
  7. 7. Privação e saciação •Se, em 1938, Skinner qualifica os impulsos por suas próprias operações definidoras, em CCH a ideia de que as operações de privação e saciação são suficientes para explicar todo o comportamento motivado está amadurecida •Privação: Redução na disponibilidade de um reforçador. •Saciação: Apresentação continuada ou disponibilidade de um reforçador que reduz sua efetividade
  8. 8. O que não é um impulso •“Impulso não é um estímulo”  o comportamento associado à operação de privação continua mesmo quando a privação se encerra, e não é necessariamente motivado pelo estado extremo • A operação distingue-se dos efeitos discriminativos e eliciadores do S • Crítica à etologia (estímulo-sinal) e à psicanálise (pulsão) •“Impulso não é um estado fisiológico”  “Na medida em que, da história de privação inferirmos o estado ou o gerarmos criando essa história, o estado não terá valor algum ao nos dispensar desta história.” (CCH, p. 159) • Crítica da fisiologia da motivação (Cannon) •“Impulso não é um estado psíquico”  Eventos privados são de difícil acesso, e, se a privação afetar o comportamento, esses eventos não são úteis para a previsão • Crítica ao neobehaviorismo (Hull/Tolman) •“Impulso não é simplesmente um estado de frequência”  Fazer referência somente à alta frequência ou probabilidade do comportamento sem referir-se à história é falho, dado que outras variáveis (p. ex., esquema de reforçamento) podem aumentar a probabilidade sem mexer na privação
  9. 9. Questões básicas em relação aos impulsos •A literatura motivacional levanta diversas perguntas sobre os impulsos: •Quantos são? •Qual a força relativa deles? •Saciar um impulso reduz outro? •Todos os impulsos podem ser reduzidos a um específico? •Redução inter-teórica – i.e., recolocar as questões em termos de privação e saciação (CCH, pp. 163-170)
  10. 10. Quantos são os impulsos? •Duas traduções possíveis: •“Quando inferimos impulsos partindo de histórias de privação, podemos perguntar de quantos modos um organismo pode ser privado” (CCH, p. 163) •Outra tradução possível é “quantas espécies de comportamento variam em freqüência independentemente uns dos outros? Com esta base podemos distinguir entre comer, beber, comportamento sexual, e assim por diante, do mesmo modo que entre subdivisões de cada um desses campos” (CCH, p. 164)
  11. 11. Os impulsos são respostas condicionadas? •As operações estabelecedoras sempre estão relacionadas com o reforço operante; “para um organismo faminto o alimento é tanto reforçador quanto saciador” (CCH, p. 164) •Essa relação é especialmente importante no caso dos reforçadores condicionados e das respostas encadeadas, nos quais as respostas são evocadas por um processo de privação e saciação do reforçador primário •Os reforçadores generalizados (p. ex., dinheiro) são “eficazes sob inúmeras privações, alguma das quais estará provavelmente presente em um dado momento qualquer” (CCH, p. 166)
  12. 12. Os impulsos se inter-relacionam? •A afirmação freudiana de que toda atividade “é de natureza essencialmente sexual” pode ser traduzida em termos de OEs: “a probabilidade de um ato, do qual se afirma ser sexual em sua natureza, muda com a privação ou saciação sexual? Se mudar, o ato pode ser encarado como sexual, mesmo que topograficamente não se assemelhe ao comportamento obviamente sexual” (CCH, p. 169). •Crítica semelhante ao “impulso de dominação” (Bassett, Adler, MacDougall, Allport); além disso, via de regra privar alguém de dominação automaticamente o priva de outros reforçadores, o que sugere que é um reforçador condicionado
  13. 13. Conclusão: é possível realizarmos a redução inter-teórica entre OEs e conceitos motivacionais
  14. 14. Comportamento evocado •O estímulo antecedente pode ter função •eliciadora, quando sua apresentação produz fidedignamente uma resposta •discriminativa, quando sua apresentação está correlacionada com um reforço •reforçadora, quando aumentam a probabilidade de uma resposta por associação com outro reforçador •evocadora, quando estabelece o valor reforçador da consequência
  15. 15. Exemplo (Michael, 1982) •Uma pessoa está propensa a tomar um refrigerante e ao localizar uma máquina de venda automática, procura na bolsa por uma moeda • A máquina é um SD, porque estabelece a ocasião na qual é possível obter o refrigerante • Mas, EM RELAÇÃO À MOEDA, a máquina é um evento estabelecedor: ela torna a moeda importante! •Por isso, Skinner diz que “impulso não é um estímulo” (sensu etologia), dado que • não produz fidedignamente a resposta (i.e., não a elicia) • não sinaliza consequência
  16. 16. O conceito de operação estabelecedora •Michael (1982): “Nossa forma de falar sobre o controle de estímulos operante parece incluir mas falha em distinguir entre duas formas bastante diferente de controle” (p. 149) •Eventos como os de privação/saciação e estimulação aversiva possuem características em comum 1. Alteram momentaneamente a efetividade reforçadora de outros eventos 2. Alteram a frequência de ocorrência de todo o comportamento que foi reforçador por esses eventos
  17. 17. Efeitos da privação • Keller e Schoenfeld (1950): (1) mudança momentânea de um grupo de R (evocação) e (2) tornar o reforçamento possível (estabelecimento da consequência como reforçadora) • Efeito estabelecedor ou de abolição: Uma OE estabelece a efetividade reforçadora atual de algum S, objeto, ou evento • A PRIVAÇÃO DE ÁGUA AUMENTA (E A INGESTA DE ÁGUA DIMINUI) O VALOR REFORÇADOR DA ÁGUA • UM AUMENTO DE DOR CAUSA UM AUMENTO DE (E UMA DIMINUIÇÃO DA DOR DIMINUI) A EFETIVIDADE REFORÇADORA DA REDUÇÃO DA DOR • Efeito evocativo ou ablativo: Uma EO evoca qualquer comportamento que foi reforçado pelo mesmo S cuja efetividade reforçadora é alterada • A PRIVAÇÃO DE ÁGUA AUMENTA A FREQUÊNCIA ATUAL DE QUALQUER COMPORTAMENTO REFORÇADO POR ALIMENTO • UM AUMENTO DA DOR CAUSA UM AUMENTO NA FREQUÊNCIA ATUAL DE QUALQUER COMPORTAMENTO REFORÇADO PELA REDUÇÃO DA DOR
  18. 18. Michael (1993) Efeito estabelecedor de reforçamento: Alteração momentânea da efetividade reforçadora/punidora de um S Efeito evocativo/supressivo da OE: Alteração imediata de comportamentos que, no passado, produziram o S+ Efeito evocativo/supressivo do SD: Alteração da efetividade de todos os SDs correlacionados com S+ Efeito sobre o reforço/punição condicionado: Alteração da efetividade reforçadora/punidora de qualquer consequência condicionada
  19. 19. Exemplo: Cadeia comportamental •“(...) não dizemos que há impulsos especiais associados com as primeiras respostas da seqüência pois não há operações paralelas de privação. Termos tradicionais, como ‘desejo’, ‘vontade’, e assim por diante, reconhecem os passos subsidiários. Por exemplo, poderíamos dizer que um homem primeiro quer um táxi, depois quer que o motorista o leve à Lapa, então quer achar um determinado restaurante, depois quer abrir a porta, e ainda quer uma mesa, o cardápio, um filé. Mas como não há um processo de saciação e privação envolvido neste caso, exceto no último item, não há razão para se pensar em impulsos correspondentes.” (CCH, p. 165-166)
  20. 20. Estímulos estabelecedores (SE) •Existem algumas situações nas quais a mudança de S estabelece outra condição como reforçadora sem alterar a efetividade do reforçador primário relevante •Ex.: Um rato em uma caixa de Skinner pressiona uma barra na presença de um SD (luz) e recebe água como consequência; a ausência da luz (S) sinaliza EXT • A privação de água funciona como OE (altera valor reforçador da água) • A luz funciona como SD, que passa a ocasionar R • A luz funcionaria também como SE, dado que altera o valor da R como uma forma de reforçamento condicionado (a presença da barra é condição necessária para respostas de olhar ou aproximar-se da barra)
  21. 21. Operações estabelecedoras condicionadas •CCH: Muitos dos exemplos que, na literatura motivacional, remetem a impulsos específicos podem ser explicados por reforçadores condicionados e sua relação com as OEs •Michael (1988): Divisão entre operações estabelecedoras incondicionadas (OEIs) e operações estabelecedoras condicionadas (OECs) •OEIs: Envolvem operações que têm efeitos de estabelecimento sobre os reforçadores, independente de qualquer aprendizagem (p. ex., privação, estimulação aversiva, ingestão de sal, mudança de temperatura, &c) •OECs: Inclui OEs cujo efeito de estabelecimento do reforçador é aprendido
  22. 22. Um exemplo •Um eletricista precisa, para desparafusar um parafuso, de uma chave-de-fenda •A visão do parafuso evocaria o comportamento verbal de solicitar a chave de fenda a um ajudante •Isso é um SD ou uma OEC?
  23. 23. OEs na análise aplicada do comportamento •Smith e Iwata (1997): Para o diagnóstico e tratamento de transtornos, é preciso estabelecer (além das respostas e das consequências que as mantém) as condições que estabelecem a forma de reforçamento que mantém o comportamento •Durand e Crimmins (1988), O’Reilly (1999) – comportamentos-problema mantido por atenção têm maior probabilidade de ocorrer em ambientes pobres em contatos sociais •Cameron, Ainsleigh e Bird (1992) – reduziram comportamentos agressivos mantidos por reforçamento negativo através da manipulação da tarefa que supostamente evocava tais comportamentos (sabonete em barra vs sabonete líquido)

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