A prática da pesquisa científica

1.424 visualizações

Publicada em

Artigo feito para a disciplina de Metodologia Científica do Centro Universitário Estácio do Ceará.

Publicada em: Educação, Tecnologia
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.424
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
7
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A prática da pesquisa científica

  1. 1. A PRÁTICA DA PESQUISA CIENTÍFICABruno Gomes Dias11 INTRODUÇÃOUma das necessidades que mais tem nos impulsionado no decorrer dos séculos, é anecessidade de “conhecer”. A necessidade de conhecer é uma estrita relação que se estabeleceentre o sujeito que busca o conhecimento e o fenômeno ou objeto ao qual ele busca conhecer.Pensando nesse contexto dentro da Universidade é que encontramos a prática da pesquisacientífica, uma importante ferramenta para o desenvolvimento do saber.O presente trabalho visa mostrar as principais características da pesquisa científica,bem como sua conceituação, estruturação e formatação.2 DESENVOLVIMENTOA atividade preponderante da metodologia é a pesquisa. O conhecimento humanocaracteriza-se pela relação estabelecida entre o sujeito e o objeto da pesquisa, podendoafirmar que esta é uma relação de apropriação. Mas, o que é pesquisa?Segundo Gil (2007, p17), pesquisa é definida como,(...) procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionarrespostas aos problemas que são propostos. A pesquisa desenvolve-se por umprocesso constituído de várias fases, desde a formulação do problema até aapresentação e discussão dos resultados.Só se inicia uma pesquisa se existir uma pergunta, uma dúvida para a qual se querbuscar a resposta. Pesquisar, portanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa.As razões que levam à realização de uma pesquisa científica podem ser agrupadas emrazões intelectuais (desejo de conhecer pela própria satisfação de conhecer) e razões práticas(desejo de conhecer com vistas a fazer algo de maneira mais eficaz).Para se fazer uma pesquisa científica, não basta o desejo do pesquisador em realizá-la;é fundamental ter o conhecimento do assunto a ser pesquisado, além de recursos humanos,materiais e financeiros. É irreal a visão romântica de que o pesquisador é aquele que inventa epromove descobertas por ser genial. Claro que se há de considerar as qualidades pessoais dopesquisador, pois ele não se atreveria a iniciar uma pesquisa se seus dados teóricos estivessemescritos numa língua que ele desconhece. Mas, por outro lado, ninguém duvida que aprobabilidade de ser bem- sucedida uma pesquisa quando existem amplos recursos materiais efinanceiros (para pagar um tradutor, por exemplo) é muito maior do que outra com recursosdeficientes.1Aluno do curso de Bacharelado em Publicidade e Propaganda pelo Centro Universitário Estácio do Ceará.E-mail: ola@brunogomesdias.com.br
  2. 2. 2.1 Os tipos de pesquisaQuanto a sua abordagem, a pesquisa pode ser definida como qualitativa ouquantitativa.A pesquisa qualitativa, não se preocupa com representatividade numérica, mas, sim,com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. Ospesquisadores que adotam a abordagem qualitativa opõem-se ao pressuposto que defende ummodelo único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm suaespecificidade, o que pressupõe uma metodologia própria.Já a respeito da pesquisa quantitativa, Fonseca (2002, p20) esclarece:Diferentemente da pesquisa qualitativa, os resultados da pesquisa quantitativapodem ser quantificados. Como as amostras geralmente são grandes e consideradasrepresentativas da população, os resultados são tomados como se constituíssem umretrato real de toda a população alvo da pesquisa. A pesquisa quantitativa se centrana objetividade. Influenciada pelo positivismo, considera que a realidade só pode sercompreendida com base na análise de dados brutos, recolhidos com o auxílio deinstrumentos padronizados e neutros. A pesquisa quantitativa recorre à linguagemmatemática para descrever as causas de um fenômeno, as relações entre variáveis,etc. A utilização conjunta da pesquisa qualitativa e quantitativa permite recolhermais informações do que se poderia conseguir isoladamente.A pesquisa quantitativa, que tem suas raízes no pensamento positivista lógico, tende aenfatizar o raciocínio dedutivo, as regras da lógica e os atributos mensuráveis da experiênciahumana. Por outro lado, a pesquisa qualitativa tende a salientar os aspectos dinâmicos,holísticos e individuais da experiência humana, para apreender a totalidade no contextodaqueles que estão vivenciando o fenômeno (POLIT, BECKER E HUNGLER, 2004, p. 201).Há ainda, outros diversos tipos de classificar as pesquisas. Podemos dividir quanto àsua natureza (pesquisa básica e pesquisa aplicada); quanto aos seus objetivos (pesquisaexploratória, pesquisa descritiva e pesquisa explicativa) e quanto aos seus procedimentos(pesquisa experimental, pesquisa bibliográfica, pesquisa documental, pesquisa de campo,pesquisa ex-post-facto, pesquisa de levantamento, pesquisa com survey, estudo de caso,pesquisa participante, pesquisa-ação, pesquisa etnográfica e pesquisa etnometodológica).2.2 Processo de elaboração da pesquisa científicaA articulação das etapas de uma pesquisa, podem ser divididas em: ruptura, construçãoe constatação. Quivy & Campenhoudt (1995) falam rapidamente sobre esses três tipos deeixos da pesquisa.- A ruptura: O primeiro eixo necessário para se fazer pesquisa é a ruptura. Nossabagagem “teórica” possui várias armadilhas, pois uma grande parte das nossas ideiasse inspira em aparências imediatas ou em partidarismos. Elas são seguidamenteilusórias e preconceituosas. Construir uma pesquisa nessas bases é construí-la sobreum terreno arenoso. Daí a importância da ruptura que consiste em romper com asideias preconcebidas e com as falsas evidências que nos dão somente a ilusão decompreender as coisas. A ruptura é, portanto, o primeiro eixo constitutivo das etapasmetodológicas da pesquisa (p. 15).
  3. 3. - A construção: Esta ruptura só se efetua ao nos referirmos a um sistema conceitualorganizado, suscetível de expressar a lógica que o pesquisador supõe ser a base doobjeto em estudo. É graças a esta teoria que se podem construir as propostasexplicativas do objeto em estudo e que se pode elaborar o plano de pesquisa a serrealizado, as operações necessárias a serem colocadas em prática e os resultadosesperados ao final da pesquisa. Sem esta construção teórica, não há pesquisa válida,pois não podemos submeter à prova qualquer proposta. As propostas explicativasdevem ser o produto de um trabalho racional fundamentado numa lógica e numsistema conceitual validamente constituído (p. 17).- A constatação: Uma proposta de pesquisa tem direito ao status científico quandoela é suscetível de ser verificada por informações da realidade concreta. Estacomprovação dos fatos é chamada constatação ou experimentação. Ela correspondeao terceiro eixo das etapas da pesquisa (p. 17).2.3 Estrutura do projeto de pesquisaA formulação de um projeto de pesquisa normalmente não ocorre no início doprocesso, mas, sim, uma vez delimitado o tema (e o problema correspondente) da pesquisa e,com base na escolha de um quadro teórico, elaboradas as hipóteses e, em função destas,selecionados tanto a documentação pertinente quanto os métodos e técnicas que serãoempregados.A estrutura de um projeto completo de pesquisa deve ter, em sua essência, os seguintespontos: Título do projeto, introdução, revisão bibliográfica, procedimentos metodológicos,técnicas de análise de dados quantitativos, técnicas de análise de dados qualitativos, aspectoséticos, bibliografia, cronograma e o orçamento da pesquisa.2.4 Estrutura do projeto de pesquisa: Seguindo as regras da ABNTDe acordo com as normas da ABNT, os elementos que se constituem como pré-textuais num trabalho acadêmico são: Folha de Rosto; Errata; Folha de aprovação;Dedicatórias; Agradecimentos; Epígrafe; Resumo; Abstract; Lista de ilustrações; Lista detabelas; Lista de abreviaturas e siglas; Sumário.Desses elementos, podemos definir como obrigatórios para um trabalho acadêmico, osseguintes elementos: Folha de Rosto; Folha de aprovação; Resumo; Abstract; SumárioJá os outros, são elementos que não são obrigatórios em um trabalho acadêmico, quesão: Errata; Dedicatórias; Agradecimentos; Epígrafe; Lista de ilustrações; Lista de tabelas;Lista de abreviaturas e siglas.As listas de ilustrações, tabelas, quadros, gráficos, figuras, são informações opcionaise devem ser elaboradas de acordo com a ordem apresentada no texto. A capa é um elementopré-textual obrigatório e quanto à paginação é numerada e nem contada.
  4. 4. 2.4.1 Formatação do projeto de pesquisaQuanto a formatação do projeto de pesquisa, temos as seguintes características:Papel A4;Cor da folha deve ser branca;Margens: Para o anverso: Superior e esquerda: 3 cm; Inferior e direita: 2 cm. Para overso: Superior e direita: 3 cm; Inferior e esquerda: 2 cm.O tipo da letra no Word deve ser Arial ou Times New Roman.O tamanho da letra no Word para digitação de títulos de seções e parágrafos é detamanho 12. Para citações longas, notas de rodapé, tabelas, quadros e ilustrações deveser menor do que 12. O tamanho padrão da Fasul é 10.O espaçamento para o texto é de 1,5. Para citações longas (com mais de três linhas),notas de rodapé, legendas das ilustrações e das tabelas, referências, ficha catalográfica,natureza do trabalho, objetivo, nome da instituição a que é submetida e área deconcentração e referências, deve ser de 1,0 simples.2.4.2 CitaçõesCom relação aos tipos de citações, podemos ter: Citação Direta Longa; CitaçãoIndireta e Citação de Citação.A Citação Direta Longa tem transcrição textual literal de parte da obra do autorconsultado, com mais de 3 linhas, escritas em bloco - recuo 4cm -, letra 10, sem aspas.Necessita identificar sobrenome do autor, ano e página.A Citação Indireta tem o seu texto baseado na obra do autor consultado, consistindo nareprodução do conteúdo do documento original de acordo com a interpretação do pesquisador,sem transcrevê-la literalmente. Necessita identificar sobrenome do autor e ano, a página éopcional.A Citação de Citação, seja direta ou indireta de um texto em que não se teve acesso aooriginal. Neste caso, indica-se a expressão latina apud (citado por, conforme, segundo) paraidentificar a obra secundária que foi consultada.2.5 Ética e plágio.Ética é uma palavra de origem grega, com duas etimologias possíveis. A primeira é apalavra éthos, com e curto, que pode ser traduzida por “costume”; a segunda, que também seescreve éthos, porém com e longo, significa “propriedade do caráter”. A primeira é a queserviu de base para a tradução latina moralis, enquanto a segunda é a que, de alguma forma,orienta a utilização atual que damos à palavra ética. Ética é a investigação geral sobre aquilo
  5. 5. que é bom (MOORE, 1975, p. 4). De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da LínguaPortuguesa, ética é o “estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humanasusceptível de qualificação do ponto de vista do bem o do mal”. Já plágio pode ser definidocomo o ato de assinar ou apresentar uma obra intelectual de qualquer natureza (texto, música,obra pictórica, fotografia, obra audiovisual) contendo partes de uma obra que pertença a outroautor, sem colocar os créditos para esse autor original. Segundo Lécio Augusto Ramos,professor de Metodologia da Pesquisa do curso de Comunicação Social da UniversidadeEstácio de Sá (disponível em:<http://www.andes.org.br/imprensa/ultimas/contatoview.asp?key=3974>), há três tipos muitocomuns de plágio:• plágio integral – a transcrição, sem citação da fonte de um texto completo;• plágio parcial – a cópia de algumas frases ou parágrafos de diversas fontes, paradificultar a identificação;• plágio conceitual – a apropriação de um ou vários conceitos, ou de uma teoria, que oautor de um texto apresenta como se fossem seus.De acordo com a legislação, há outros conceitos relacionados com plágio:• heteroplágio – o fato de um autor apropriar-se de obra de outra pessoa.• autoplágio – o fato de um autor copiar trechos seus e distribuí-los em diferentesartigos como se fossem originais3 CONSIDERAÇÕES FINAISA prática da pesquisa científica constitui uma importante ferramenta para odesenvolvimento do saber e conhecer do ser humano. As práticas e metodologias aquiexpostas, são conceitos técnicos que visam moldar e padronizar os tipos de pesquisa, para queo pesquisador tenha um rumo, um norte, quanto aos tipos de pesquisa, formatação e o porquede pesquisar. Devemos ressaltar ainda que a prática da pesquisa científica deve ser feita porprofissionais qualificados a tais práticas, pois demandam uma série de fatores técnicos econceituais que demandam tempo e bastante estudo para a execução das mesmas.REFERÊNCIASGERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de pesquisa. Disponívelem: http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf. Acesso em: 09 de junho de2013.MOLEIRO, Marcos Antunes. Formatação de trabalhos científicos utilizando oLibreOffice Writer. Disponível em:
  6. 6. http://www.drh.uem.br/tde/Formatacao_de_trabalhos_cientificos_utilizando_o_ibreOffice_Writer-TDE-Ver08.2012.pdf. Acesso em: 09 de junho de 2013.FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Código de boaspráticas científicas. Disponível em: http://www.fapesp.br/boaspraticas/codigo_050911.pdf.Acesso em: 09 de junho de 2013.

×