Epilepsia

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Epilepsia ausência da infância- Texto elaborado pelo Prof. Maurício Borja, Neurologista Infantil e Prof. do Departamento de Pediatria (DPEDI) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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Epilepsia

  1. 1. EPILEPSIA AUSÊNCIA DA INFÂNCIA Prof. Mauricio Borja A ausência infantil é um tipo de epilepsia generalizada idiopáticaque acomete crianças na faixa etária escolar entre 4 e 10 anos de idade. O quadro clínico característico é de crises de súbita desconexãocom perda da reatividade, duração de 5 a 20 segundos e retorno imediato ao nível deconsciência normal sem qualquer sintomatologia pos-ictal. Durante a fase crítica pode-se, ainda, observar pequenosmovimentos clônicos restritos às pálpebras e automatismos orais e nas mãos. Geralmente não há perda do tono muscular e o paciente mantémsua atitude postural verificada antes do início da crise. Exceção se faz em formas mais rarasem que o paciente no momento da crise sofre uma brusca perda do tono (mioclonianegativa). Seu caráter idiopático (sem relação com patologia estrutural doSNC) determina uma normalidade do desenvolvimento neuropsicomotor. O diagnóstico é relativamente fácil e se faz com base no quadroclínico e na correspondência EEG, tão característica dessa síndrome epiléptica. Um fato degrande auxílio no seu diagnóstico é a facilidade em se provocar uma crise submetendo acriança ao procedimento de hiperventilação por um período de aproximadamente 3 minutos(positivo em mais de 90 % dos casos). O modelo EEG da epilepsia ausência da infância é de umparoxismo generalizado de complexos ponta-onda a 3 Hz (faixa de 2,5 a 3,5 Hz) que podeou não ser associado com ausência clinicamente observável (fig X). Epilepsia Ausência: complexo ponta-onda
  2. 2. O diagnóstico diferencial é extremamente importante, devido àssuas implicações prognósticas e terapêuticas, e deve ser feito sobretudo com as crisesparciais complexas que se originam nos lobos temporal e frontal (tabela I).Tabela I DURAÇÃO HIPERPNEIA FENÔMENOS EEG PROGNÓSTICO POS-ICTAIS (*)AUSÊNCIA ‹ 30 SEG. POSITIVA AUSENTES P/O A 3 Hz BOMCPC › 1 MIN. NEGATIVA PRESENTES OA FOCAL VARIÁVEL (**)(*) sonolência/confusão mental; (**) de acordo com a etiologia; P/O: ponta-onda; AO: onda aguda; CPC:crise parcial complexa. O tratamento pode ser com três drogas básicas: em primeira linhao Ácido Valproico (Depakene®) com dose diária de 20 a 40 mg/kg divididos em 2tomadas, com excelente resultado. Como segunda linha, a Ethosuximida (Etoxin ®) e, comuso mais restrito, o Clonazepan (Rivotril ®). O tratamento deve ser instituido por um prazomínimo de 2 a 3 anos e com retirada gradual. O prognóstico é em geral muito bom com remissão total dascrises após 2 a 3 anos de tratamento, sem qualquer prejuízo para o desenvolvimentopsicomotor e cognitivo da criança. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO DA EPILEPSIA AUSÊNCIA DA INFÂNCIA1 - Idade de início entre 4 e 10 anos com pico de incidência em 5 e 7 anos2 – Desenvolvimento neuropsicomotor dentro de padrões normais.3 – Ausências breves de 4 a 20 segundos com perda completa da reatividade.4 – EEG: paroxismos ponta-onda a 3 Hz de elevada amplitude, com duração de 4-20 seg. Panayiotopoulos – ILAE - 2000 EPILEPSIA AUSÊNCIA JUVENIL Tem as mesmas características fundamentais da forma infantil,apenas com pequenas diferenças no padrão EEG onde os complexos ponta-onda podem sermais rápidos (3,5 a 4 Hz) e as vezes apresentam uma variação do tipo poliponta-onda. Clinicamente as crises não são tão frequentes como àquelasobservadas na infância e pode haver associação com crises mioclônicas e tonico-clônicasgeneralizadas. O tratamento segue as mesmas indicações supracitadas e o prognóstico,ainda que mais reservado, também pode-se considerar favorável.BIBLIOGRAFIA
  3. 3. 1 – David R, (1998): Child and Adolescence Neurology – Mosby – New York2 – Fejerman N, (1986): Convulsiones en la Infancia – Ed. Ateneo – B. Ayres3 – Fernandez A, Ferjerman N, (1997) : Neurologia Pediatrica – Ed Panamericana –Madrid, B. Ayres.4 – Loiseau P, Panayiotoupolos P, (2000): Childhood Absence Epilepsy – ILAE –www.epilepsy.org

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