"Quer'eu en maneira de proençal" - D. Dinis

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Análise da cantiga de amor "Quer'eu en maneira de proençal" - D. Dinis

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"Quer'eu en maneira de proençal" - D. Dinis

  1. 1. Quer'eu em maneira de proençal1 fazer agora um cantar d'amor e querrei2 muit'i loar3 mia senhor4 a que5 prez6 nem fremosura nom fal7, nem bondade; e mais vos direi en8: tanto a fez Deus comprida de ben9 que mais que todas las do mundo val. Ca10 mia senhor quiso11 Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor12 de todo bem e de mui gram valor, e com todo est’13 é mui comunal14 ali u deve15; er16 deu-lhi bom sen17 e des i18 nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh'outra foss'igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad'e loor19 e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit'; e por esto nom sei oj’20 eu quen possa compridamente21 no seu ben falar, ca nom há, tra'lo seu ben22, al23. D. Dinis •  o amor; •  o elogio da mulher amada Tema:
  2. 2. Quer'eu em maneira de proençal1 fazer agora um cantar d'amor e querrei2 muit'i loar3 mia senhor4 a que5 prez6 nem fremosura nom fal7, nem bondade; e mais vos direi en8: tanto a fez Deus comprida de ben9 que mais que todas las do mundo val. Ca10 mia senhor quiso11 Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor12 de todo bem e de mui gram valor, e com todo est’13 é mui comunal14 ali u deve15; er16 deu-lhi bom sen17 e des i18 nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh'outra foss'igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad'e loor19 e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit'; e por esto nom sei oj’20 eu quen possa compridamente21 no seu ben falar, ca nom há, tra'lo seu ben22, al23. D. Dinis Divisão da canPga em partes lógicas: 1ª parte – apresentação do objePvo da composição poéPca – “fazer agora um cantar de amor” 2ª parte – caracterísPcas da amada que jusPficam esta declaração de amor. “ca” = porque – conjunção subordinaPva causal. •  Relação de causalidade em relação à primeira estrofe. •  A segunda e terceira estrofes funcionam como jusPficação do propósito anunciado na primeira.
  3. 3. Quer'eu em maneira de proençal1 fazer agora um cantar d'amor e querrei2 muit'i loar3 mia senhor4 a que5 prez6 nem fremosura nom fal7, nem bondade; e mais vos direi en8: tanto a fez Deus comprida de ben9 que mais que todas las do mundo val. Ca10 mia senhor quiso11 Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor12 de todo bem e de mui gram valor, e com todo est’13 é mui comunal14 ali u deve15; er16 deu-lhi bom sen17 e des i18 nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh'outra foss'igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad'e loor19 e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit'; e por esto nom sei oj’20 eu quen possa compridamente21 no seu ben falar, ca nom há, tra'lo seu ben22, al23. D. Dinis CaracterísPcas da “senhor”: Físicas Moral A “senhor” é bela e tem um sorriso bonito. Na verdade, é perfeita, Deus fê-la “comprida de ben”. Moralmente, a “senhor” é dotada de grande valor, sendo generosa, sensata e muito sociável. Na verdade, é perfeita, Deus fê-la “comprida de ben”. Social A “senhor” é extremamente sociável (quando deve ser), inclusivamente tem o dom da oratória. Na verdade, é perfeita, Deus fê-la “comprida de ben”.
  4. 4. Quer'eu em maneira de proençal1 fazer agora um cantar d'amor e querrei2 muit'i loar3 mia senhor4 a que5 prez6 nem fremosura nom fal7, nem bondade; e mais vos direi en8: tanto a fez Deus comprida de ben9 que mais que todas las do mundo val. Ca10 mia senhor quiso11 Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor12 de todo bem e de mui gram valor, e com todo est’13 é mui comunal14 ali u deve15; er16 deu-lhi bom sen17 e des i18 nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh'outra foss'igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad'e loor19 e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit'; e por esto nom sei oj’20 eu quen possa compridamente21 no seu ben falar, ca nom há, tra'lo seu ben22, al23. D. Dinis AdjePvação Recursos expressivos A adjePvação expressiva reforça a perfeição do retrato da “senhor”. Hipérbole (figura de esPlo) O exagero uPlizado na caracterização da “senhor” sublinha as suas qualidades colocando-a num nível superior. Estes recursos expressivos são uPlizados de modo a reforçar/salientar/sublinhar/enfaPzar o retrato da “senhor”, sendo que o elogio que o sujeito poéPco lhe dirige acaba por colocá-la num plano de superioridade, de acordo com a poesia provençal.
  5. 5. Quer'eu em maneira de proençal1 fazer agora um cantar d'amor e querrei2 muit'i loar3 mia senhor4 a que5 prez6 nem fremosura nom fal7, nem bondade; e mais vos direi en8: tanto a fez Deus comprida de ben9 que mais que todas las do mundo val. Ca10 mia senhor quiso11 Deus fazer tal, quando a fez, que a fez sabedor12 de todo bem e de mui gram valor, e com todo est’13 é mui comunal14 ali u deve15; er16 deu-lhi bom sen17 e des i18 nom lhi fez pouco de bem quando nom quis que lh'outra foss'igual. Ca em mia senhor nunca Deus pôs mal, mais pôs i prez e beldad'e loor19 e falar mui bem e riir melhor que outra molher; des i é leal muit'; e por esto nom sei oj’20 eu quen possa compridamente21 no seu ben falar, ca nom há, tra'lo seu ben22, al23. D. Dinis A “senhor”/mulher amada é perfeita a todos os níveis, o que a eleva a um plano superior, tornando-se inacessível ao sujeito poéPco. Esta mulher é deificada, ou seja, é Pda como uma deusa, por isso é inaPngível. Esta situação causa sofrimento no sujeito poéPco.

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