Lusíadas

6.946 visualizações

Publicada em

O essencial de Os Lusíadas.

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
6.946
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
11
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
161
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Lusíadas

  1. 1. Colégio Amor de Deus – Cascais Português 12º ano  Ano letivo 2011/2012 Os Lusíadas de Luís de Camões    
  2. 2. (Ver tb/ pág. 102­105 do manual) 
  3. 3. Mitificação do Herói (ver tb/ 139 do Manual) 
  4. 4. Em suma:Caráter simbólico do episódio “Ilha dos Amores”:  ­ o mar é o caminho físico para a espiritualidade;  ­ com Vasco da Gama temos o reconhecimento do herói e a Ilha dos Amores é esse reconhecimento;  ­ na  Ilha  dos  Amores  dá­se  o  casamento  cósmico  entre  os  marinheiros  e  as  ninfas  –  é  a  recompensa  e  a  dignificação/mitificação do herói;  ­ para  os  marinheiros  fazerem  amor  com  a  ninfas,  são  elevados  ao  plano  do  divino  e  as  ninfas  têm  oportunidade de saborear o amor humano;  ­ Tétis  revela  a  Vasco  da  Gama  a  Máquina  do  Mundo,  o  que  permite  a  mitificação  do  herói,  o  amor  e  o  conhecimento. São estes últimos que permitem a elevação do ser como pessoa;  ­ a Ilha existe porque os portugueses foram capazes de ultrapassar os seus medos e atingir o conhecimento ao  passarem pelo Cabo das Tormentas;  ­ revelação de que o único caminho para o futuro é o amor e o conhecimento (cf. Quinto Império) Mitificação do herói:  ­ os portugueses conseguiram conquistar o mar e vencer as forças divinas;  ­ a vontade de “ir mais alto” e “mais longe”, a ousadia, a coragem, o sacrifício e o estudo permitiram ao povo  português a superação de si próprio e “mais do que prometia a força humana” atingir o seu objetivo;  ­ a  Ilha  dos  Amores  surge  como  a  recompensa  pela  superação  de  todos  os  obstáculos  e  o  alcance  do  “horizonte”, existindo, desta forma, a divinização dos portugueses;  ­ a viagem traduz­se na procura da verdade, na passagem do desconhecido para o conhecido, das trevas para  a  luz,  a  capacidade  de  ultrapassar  o  medo  e  atingir  a  verdade,  sendo  exemplo  disso  o  episódio  do  Adamastor;  ­ a Máquina do Mundo surge como uma nova época do conhecimento, o alargamento de horizontes;  ­ a suprema harmonia dá­se através da união dos homens com os deuses; Reflexões do Poeta (ver tb/ pág. 140­147 do manual)   
  5. 5. Canto I, est. 106 ­ Fragilidade  da  vida  humana  rodeada  de  perigos  quer  no  mar,  “tanta  tormenta”,  quer  em  terra,  “tanta  guerra,  tanto  engano”;  ­ interrogação retórica sobre a possibilidade de “um bicho tão pequeno” encontrar um porto de abrigo sem atentar contra  a ira divina. Canto V, est. 94­100 ­ Invetiva do poeta contra os seus contemporâneos que desprezam as letras;  ­ o poeta sente vergonha pelo facto de a nação portuguesa não ter “[capitães]” letrados, pois quem não sabe o que é  arte, também não a sabe apreciar, “Sem vergonha o não digo: que a razão/De algum não ser por versos excelente / É  não se ver prezado o verso e rima,/Porque quem não sabe arte, não na estima.”;  ­ a ventura fez dos portugueses gente áspera, austera e rude, sendo que poucos ou nenhuns há com “engenho”;  ­ se a nação portuguesa prosseguir no costume da ignorância, não teremos nem homens ilustres nem corajosos;  ­ a comparação entre os exemplos da Antiguidade Clássica e os Portugueses serve para acentuar a “pobreza” cultural  existente em Portugal;  ­ o poeta pretende, com os seus argumentos, alertar as consciências para a necessidade e para a urgência de se alterar  o  panorama  do  reino  no  que  respeita  à  cultura  e  à  instrução  dos  seus  súbditos,  sob  pena  de  não  haver  uma  real  evolução se isso não acontecer. Canto VI, est. 95­99 ­ O poeta medita sobre o valor da verdadeira glória;  ­ O valor da verdadeira glória está no esforço heroico por alcançá­la;  ­ Só  através  da  determinação,  do  sacrifício  e  da  humildade  se  atinge  a  verdadeira  glória  e  não  por  herança  ou  por  concessão de favores – modelo de virtude renascentista; (est.97 e 98).  ­ Crítica àqueles que alcançam a glória sem a merecer;  ­  Canto VII, est. 2­14 ­ Exortação do espírito de cruzada: a viagem à Índia, levada a cabo pelos portugueses, aparece como uma missão de  transcendência e uma marca da identidade nacional;   ­ Os portugueses são em menor número, mas, pelos seus feitos, podem ser um exemplo a seguir pelos outros povos;  ­ Os  portugueses  ocupam  uma  pequena  parte  do  mundo,  “tão  pequena  parte  sois  no  mundo”,  mas  são  grandes  em  coragem e ousadia para lutar pela fé cristã;  ­ Referências a outros povos e às suas características, de modo a sobrevalorizar os portugueses:  o alemães – têm muitos territórios, mas estão embrenhados em lutas internas; referência às reformas de Lutero;  o ingleses – criaram a igreja anglicana, dividindo a igreja;  o aqueles que se regem pelo “vil” metal (dinheiro);  o italianos – povo cheio de vícios e males dentro do seu próprio território;  ­ Critica  os  povos  europeus  que  não  seguem  o  exemplo  lusitano  e  não  são  movidos  pelo  desejo  de  expansão  da  fé  cristã;  ­  Enquanto os outros povos andam “cegos e sedentos/[] de vosso sangue”, os portugueses continuarão a descobrir o  mundo e a realizar bons feitos, “E, se mais houvera, lá chegara”. Canto VII, est.78­87 ­ Intervenção pedagógica;  ­ o  povo  português  revela  indiferença  e  insensibilidade  face  à  cultura  e  literatura,  desprezando  e  não  dando  valor  ao  poeta; 
  6. 6. ­ Perspetiva pessoal do desprezo que lhe é votado;  o tomando o seu exemplo, o desprezo e falta de reconhecimento face ao seu esforço, nenhum escritor quererá  louvar os feitos dos portugueses;  ­ Os portugueses menosprezam a cultura e literatura, o que os poderá levar à decadência;  ­ Denúncia aos abusos dos poderosos e às injustiças que atingem o povo.  Canto VIII, est.96­99 ­ O poeta tece considerações sobre o poder corruptor do vil metal/dinheiro;  ­ O  dinheiro  obriga  à  tomada  de  determinadas condutas,  “Quanto  no  rico,  assi  como no pobre,/Pode  o vil  interesse e  sede imiga/Do dinheiro, que a tudo nos obriga.”;  ­ Estrofe 97 como exemplo do que se faz a troco do dinheiro;  ­ Pronome demonstrativo “este” (estrofe 98 e 99) como anáfora de “metal luzente e louro” (dinheiro);  ­ O dinheiro não é sinónimo de virtude. Canto X, est.145­148 ­ Confessa­se cansado de “cantar a gente surda e endurecida” que não o sabe apreciar, uma gente “metida / no gosto da  cobiça e na rudez / Dhua austera, apagada e vil tristeza”, aliás imagem do Portugal de então, que ele apresenta com  alguma mágoa e até sarcasmo e azedume.   ­ O poeta exorta D. Sebastião a ser grande e a continuar os feitos grandiosos dos seus antecessores;  ­ Estrofe 145   o o poeta canta para “gente surda e endurecida” – gente incapaz de apreciar o seu canto épico;  o a pátria não reconhece nem se orgulha dos letrados;  ­ O poeta dirige­se ao rei D. Sebastião, lembrando­lhe que tem “vassalos excelentes”, que demonstram grande força e  coragem, pois enfrentam perigos, obedecem às suas ordens com prontidão e alegria e farão dele sempre um vencedor  e não um vencido.    Com base nestas intervenções,  Os Lusíadas pode ser visto como uma obra didática, onde se estabelece um modelo de valores que devem ser considerados como uma teoria, que define normas morais a seguir, enfim, como um texto que critica os vícios que assolam a sociedade da época, propondo aos portugueses, contemporâneos de Camões, que corrijam os seus vícios para atingirem um nível superior de humanidade, ou, melhor dizendo, a perfeição.   

×