Evolução da língua

7.041 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
7.041
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
457
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
160
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Evolução da língua

  1. 1. Colégio do Amor de Deus – Cascais Português – 9º ano História da Língua Portuguesa Português  Língua românica – deriva do latim (assim como o francês, castelhano, etc.)  Língua existente – autóctone – deriva dos povos que por cá tinham passado - Substrato  Invasões Romanas – deixaram a sua língua e cultura (adaptadas às existentes)  Latim vulgar (foram os guerreiros que o trouxeram, por isso difere do latim erudito, o que origina a existência de palavras convergentes e divergentes)  Novas invasões – trouxeram outras influências linguísticas – Superstrato germânico e árabe  1143 – Nascimento de Portugal como nação – falava-se o Galaico-Português  Com a independência, a língua foi evoluindo de diferentes formas em Portugal e na Galiza  Séc. XIII é oficialmente estabelecido o Português – legislação de D. Dinis (todos os documentos eram escritos em português)  Séc. XVI Expansão Influências de outras proveniências (dos países conquistados). Adquire-se estrangeirismos (das línguas modernas) e neologismos (criação de vocábulos necessários para designar novas realidades)  Recurso ao latim erudito para aquisição de novas palavras que designam aspectos da arte, filosofia, ciência e técnica – Palavras divergentes (palavras que provindo do mesmo étimo latino são diferentes: ex. planum = chão/plano  Evolução Contínua  Ainda hoje a Língua Portuguesa continua a sofrer alterações
  2. 2. Sincronia e Diacronia Sincronia é o estudo da língua num determinado momento, sem considerar qualquer evolução outransformação no decurso do tempo. A sincronia é o aqui e agora. Diacronia é o estudo da evolução da língua nos seus diversos estádios, alterações a nível do vocabulário, demorfossintaxe, de fonologia, etc. A diacronia é o passado e o presente.Fenómenos Fonéticos A evolução das palavras, que está na origem da existência de palavras divergentes, convergentes e deoutros casos, é muitas vezes, explicada através dos processos fonéticos de queda/supressão, adição ealteração/transformação. Estes processos estão na base de transformações ao nível do som (quer vocálicos, quer consonânticos) queas palavras sofreram na sua evolução do latim para o português.Processos de Queda ou Supressãoa) Aférese  supressão de um fonema no início da palavra. Ex. atonitu > tonto; episcopu > bispo; apotecam > bodega e botica;b) Síncope  supressão de um fonema no meio da palavra. Ex. calidu > caldo; opera > obra; viride > verde; rivum > rio;c) Apócope  supressão de um fonema no fim da palavra. Ex. dat > dá; jam > já; sic > si (>sim); amore > amor; debere > dever.d) Haplologia  supressão de uma sílaba semelhante a outra existente na palavra (acontece com palavras compridas e com sons semelhantes). Ex. saudadoso > saudoso; bondadoso > bondoso; idadoso > idoso.
  3. 3. Processos de Adiçãoa) Prótese  acrescentamento de um fonema no início da palavra. Ex. thunu > atum; spiritu > espírito; stare > estar;b) Epêntese  acrescentamento de um fonema no interior da palavra. Ex. humile > humilde; vea > veia; creo > creio;c) Paragoge acrescentamento de um fonema no final da palavra. Ex. ante > antes; auto > autor;Processos de Alteração/Transformaçãoa) Assimilação  fonemas contíguos tornam-se iguais (assimilação completa) ou semelhantes (assimilação incompleta) devido à influência que um exerce sobre o outro. Ex. persicu > pêssego; amas-lo > amallo > ama-lo ipse > esse; fazer-lo > fazello > fazê-lo ipsum > isso; amam-lo > amam – no ad sic > assi > assim;  assimilação incompleta: m-l > m-n – nostru > nosso; passou a haver duas nasais, embora traversa > travessa; diferentes. vipera > víbora; asino > asno; comite > com’de > conde.b) Dissimilação  é um processo de certo modo contrário à assimilação. Consiste em evitar dois sons iguais ou semelhantes na mesma palavra, por isso um deles torna-se diferente ou desaparece. Ex. anima > an’ma > alma; liliu > lírio; rostru > rosto; rebelle > rebelde; fratre > frade; rotundu > rodondo > redondo;
  4. 4. c) Nasalação  um fonema oral torna-se nasal por influência de um fonema nasal. Ex. lana > lãa > lã; canes > cães; fine > fim; panes > pães; nec > ne > nem; bonum > bõo > bom; rana > rãa > rã; unu > uu > um; mihi > mi > mim.d) Desnasalação  consiste na perda da ressonância nasal de algumas vogais. Um fonema torna-se oral. Ex. bona > bõa > boa; luna > lua > lua; cena > cea > ceia.e) Vocalização  sons consonânticos tornam-se vocálicos (consoantes passam a vogais). Ex. absente > ausente; octo > oito; multo > muito; pecto > peito; conceptu > conceito; regnu > reino; factu > faitu > feito; noctem > noite.f) Sonorização  as consoantes surdas intervocálicas transformam-se nas consoantes sonoras correspondentes. Assim p > b; t > d ; c > g. Ex. amicu > amigo; lupu > lobo; totu > todo; secretu > segredo (o r, consoante líquida, não trava a tendência para a sonorização); ripa > riba; vita > vida; libertatem > liberdade; facere > fazer; lacum > lago.
  5. 5. g) Palatalização  grupos consonânticos ou consoante seguida de i latinos deram origem a grupos consonânticos palatais no português. Ex. planu > chão; flama > chama; clamare > chamar; filiu > filho; oculu > oclu > olho; cl, fl, pl > ch venio > venho; cl, gl > lh hodie > hoje; n + i > nh muliere > mulher; li > lh seniore > senhor; é também palatal a plorarem > chorar; consoante portuguesa j que, ciconiam > cegonha; em certos casos, proveio de clave > chave; d + i latinos, por ex. hodie > hoje. mense > mês; basiu > beijo; passione > paixão; genuculum > genuclu > geolho > joelho.h) Contração  é a aglutinação de duas vogais numa só (crase) ou num ditongo (sinérese). Ex. Crase Sinérese legere > leer > ler; lege > lee > lei; coviles > covies > coviis > covis; animales > animaes > animais; dolore > door > dor; malu > mau; tibi > tii > ti. rege > ree > rei; tales > tals > tais.i) Metátese  consiste na mudança de lugar de fonemas dentro da palavra. É um processo muito importante, que ainda hoje se verifica com frequência, nomeadamente na linguagem popular. (água > auga (popular) Ex. semper > sempre; quattuor > quatro; tenebras > trevas; primariu > primeiro; merulu > mer’lo > melro; fenestra > fresta; agardecer > agradecer; feriam > feira;
  6. 6. Palavras Divergentes e Convergentes Uma mesma palavra latina pode dar origem (devido à questão das palavras surgirem por via popular ouerudita) a mais do que uma palavra portuguesa. Às palavras diferentes que são originárias de uma mesma palavra latina chamamos de PalavrasDivergentes. Latim Via Popular Via Eruditaarena areia arenaatriu adro átriocatedra cadeira cátedracogitare cuidar cogitarintegru inteiro íntegromatre mãe madreoculu olho óculoparabola palavra parábolapatre pai padreplenu cheio pleno Há casos em que, a partir de uma mesma palavra latina, até resultam mais de duas palavras diferentes:Ex. macula (Latim) – mágoa, malha, mancha, mácula;Ex. planu (Latim) – chão, porão, plano, plaino. Por outro lado há palavras que provêm de étimos (étimo – palavra de que deriva a portuguesacorrespondente) diferentes e convergem para a mesma forma vocabular, acabando por escrever-se da mesmamaneira, embora se trate de palavras com significado muito diferente. São as Palavras Convergentes.Ex. sanu (adjectivo) – são  sunt (forma verbal) – são  santo (abreviatura) – são;Ex. rivu (nome) – rio  rideo (forma verbal) – rio;Ex. vanu (adjectivo) – vão  vadunt (forma verbal) – vão

×