Eu nunca guardei rebanhos - análise

7.269 visualizações

Publicada em

Publicada em: Educação
0 comentários
4 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
7.269
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1.026
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
205
Comentários
0
Gostaram
4
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Eu nunca guardei rebanhos - análise

  1. 1. O sujeito poéEco assume-­‐se como um pastor por aEtude perante o mundo . Eu nunca guardei rebanhos, Mas é como se os guardasse. Minha alma é como um pastor, Conhece o vento e o sol E anda pela mão das Estações A seguir e a olhar. Toda a paz da Natureza sem gente Vem sentar-­‐se a meu lado. pastor – pessoa que guarda, conduz o gado pelas pastagens – pessoa simples que vive em contacto direto com a natureza e simplicidade das coisas; homem que deambula pelos campos com o gado apreendendo o mundo pelos senEdos – visão, olfacto, tacto, audição, gosto. O facto de conhecer «o vento e o sol», assim como andar «pela mão das Estações», estabelece uma ligação plena, idenEficação, simbiose entre ele e a Natureza. -­‐ Se «anda pela mão» então é como se se deixasse levar por ela e por isso anda sem desEno, deambula pela Natureza «a seguir e a olhar», e se ele segue a Natureza é porque a aceita serenamente, tal como ela é. -­‐ «olhar» -­‐ carácter contemplaEvo; um dos cinco senEdos; o senEdo que permite apreender imediatamente a realidade. -­‐ Fruição da Natureza «sem gente» -­‐ a Natureza sem a presença dos humanos dá-­‐lhe paz, tranquilidade («sem gente» revela um carácter anE-­‐social)
  2. 2. Mas eu fico triste como um pôr de sol Para a nossa imaginação, Quando esfria no fundo da planície E se sente a noite entrada Como uma borboleta pela janela. -­‐ Tristeza causada pelo fim do dia – quando a noite cai sobre a Natureza, é impossível ver com niEdez o que o rodeia, é a dificuldade em ver a Natureza que causa tristeza no sujeito poéEco. -­‐ “Para a nossa imaginação” – fruto do pensamento e não da realidade. O pôr do sol não é “triste”. Estados de alma espontâneos que oscilam de acordo com o que acontece. A “noite” opõe-­‐se ao dia, como o mal e o bem. A entrada da “noite” traz uma desilusão que chega imperceEvelmente (no entanto, é assim que tem que ser.)
  3. 3. Mas a minha tristeza é sossego Porque é natural e justa E é o que deve estar na alma Quando já pensa que existe E as mãos colhem flores sem ela dar por isso. -­‐ define a sua tristeza como «natural e justa» -­‐ os estados de espírito são espontâneos, vive da circunstância, do que acontece, o que lhe dá «sossego», mesmo quando é causador de tristeza. Sendo a sua “tristeza” provocada pelo pôr do sol, então é “sossego”, já que o sol está a fazer “o que deve” e a “tristeza” que ele sente, no fundo, deve-­‐se ao facto do seu senEdo primordial ficar toldado pela ausência de luz, todavia, isso é “natural”. Quando a alma se ocupa em pensar, não dando pela natureza e pelas flores que as mãos colhem existe uma perturbação causada pelo pensamento.
  4. 4. «ruído de chocalhos» -­‐ (senEdo – audição) são muitos os seus pensamentos. Caracteriza os pensamentos de «contentes». Como um ruído de chocalhos Para além da curva da estrada, Os meus pensamentos são contentes. Só tenho pena de saber que eles são contentes, Porque, se o não soubesse, Em vez de serem contentes e tristes, Seriam alegres e contentes. -­‐ sente «pena» por saber – preferia não saber que os seus pensamentos «são contentes». “contentes e tristes” – an^tese “alegres e contentes” -­‐ pleonasmo Como sabe que os seus pensamentos são «contentes», estes transformam-­‐se também em pensamentos «tristes». Saber significa intelectualizar, pensar, racionalizar, e se ele sabe que os pensamentos são «contentes» é porque os racionalizou, então os pensamentos são «contentes e tristes» porque por um lado captam a essência do mundo, por isso «contentes», mas não escapam à racionalização, por isso são «tristes». -­‐ Se não soubesse que eles eram «contentes», os pensamentos «seriam alegres e contentes», uma vez que não passariam pelo filtro da intelectualização
  5. 5. -­‐«Pensar incomoda como andar à chuva» -­‐ comparação -­‐ Comprovação do anteriormente dito – recusa total do pensamento e da reflexão -­‐ «pensar» não permite alcançar a paz e tranquilidade, isto é a comunhão com a Natureza apreendida unicamente pelos senEdos. -­‐ «pensar» como algo incómodo, que causa desconforto – comparação com a chuva em dias em que há vento e esta nos agride como se esEvesse a chover o dobro do que está na realidade. -­‐ a negação da uElidade do pensamento é um ato anE-­‐metaasico; anE-­‐filosofia. Pensar incomoda como andar à chuva Quando o vento cresce e parece que chove mais. Não tenho ambições nem desejos. Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho. (…) -­‐ «ambições» e «desejos» pressupõem pensamento, logo o sujeito poéEco recusa-­‐os -­‐ «pensar é como andar à chuva» -­‐ a sua ligação com a Natureza é «sem gente», ou seja, a ligação que estabelece com a Natureza dá-­‐se porque ele é um ser solitário. -­‐ é esta «maneira de estar sozinho» que o leva a aEngir a harmonia, tranquilidade e paz desejada, por isso «ser poeta não é» uma ambição, é uma conceção de vida, já que é isso que lhe permite a ligação perfeita com a natureza.

×