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Descalça vai pera a fonte resposta modelo

  1. 1. C o l é g i o do A m o r d e D e u s - C a s c a i s Português - 10º Ano«Descalça vai pera a fonte»Questionário e orientações para a redação de uma resposta.1. Caracteriza a figura feminina Lianor. Justifica e comprova a tua resposta com elementos textuais. Para fazeres uma boa caracterização de personagens/entidades/ figuras referidas num texto deves seguir os passosseguintes:1. - Ler com muita atenção o texto/excerto apresentado, fazendo uma leitura ativa do mesmo, ou seja, sublinhar todas asexpressões que façam uma caracterização física e psicológica da personagem/entidade/ figura referida no texto (depreferência e para te organizares melhor faz os sublinhados a cores diferentes), tendo em atenção que a caracterização surgede forma direta e indireta (ou seja, tens que interpretar as atitudes das figuras/ personagens, pois estas facultam-teinformações importantíssimas), e escrever ao lado dos sublinhados o significado de cada uma das caracterizações;2. – Fazer um esquema do texto a realizar, ou seja, organizar as ideias de uma forma lógica para que o texto tenhacoerência;3. – Escrever um texto organizado (começando com as características físicas e só depois as psicológicas, ou vice-versa, oucomeçando do geral para o particular, ou vice-versa, desde que as informações surjam organizadas, mantendo o mesmo fiocondutor), sempre que possível com introdução (apresentação sucinta do assunto), desenvolvimento (referência a todas ascaracterísticas com exemplos textuais e justificações necessárias) e conclusão (apanhado geral da personalidade dapersonagem, com referência à sua característica principal).Levantamentos textuais: Caracterização física: «fermosa»; «Cinta de fina escarlata», «mais branca que a neve pura», «cabelos de ouro o trançado», «tãolinda que o mundo espanta», «chove nela graça tanta/Que dá graça à fermosura» - relacionam-se com o facto de «Lianor» ser jovemdonzela, comprovado pelo recato da trança esconder a sensualidade do cabelo, ser elegante e muito bonita; «mãos de prata» - os seusgestos são frágeis e delicados/femininos. Caracterização psicológica: «descalça» - confere um sentimento de liberdade a «Lianor»; «não segura» - aparenta insegurançarelativamente à sua ida à fonte, podendo querer demonstrar algum receio do que possa encontrar, uma vez que esta sua ida à fonte poderepresentar mais do que o ir buscar água; «mãos de prata», «cabelos de ouro» - utilização de metais nobres para a caracterizar fisicamenteque se relacionam com a sua graciosidade e a sua nobreza de espírito; «mais branca que a neve pura» - caracterização da «vasquinha»que se relaciona, conotativamente, com a sua personalidade, «Lianor» é uma donzela pura, inocente e virginal; «cabelos de ouro otrançado» - representa o seu ser reservado, não querendo mostrar a sensualidade dos seus cabelos; cores que a caracterizam –representam a sua pureza, vitalidade, jovialidade e sensualidade naturaisProdução de texto - 1 «Lianor» é uma jovem rapariga que se insere no meio rural, o que é evidente pela simplicidade do vestuário e pela tarefa que vairealizar – buscar água à fonte. De pele/tez muito «branca» e de «cabelos de ouro», «Lianor» apresenta um ideal de beleza petrarquista. «Lianor» é uma donzela(o que pode ser comprovado pelo recato da trança esconder a sensualidade do cabelo) muito elegante, sendo os seus gestos frágeis,
  2. 2. delicados e femininos, por isso as suas mãos são caracterizadas como «de prata». Esta donzela é extremamente «fermosa», razão pelaqual o sujeito poético considera que é ela quem «dá graça à fermosura». O retrato de «Lianor» é só aparentemente mais físico do que espiritual, assim, embora exista um certo sentimento de liberdade nasua ida à fonte, já que vai «descalça […] pela verdura», o estado de espírito que a domina é a insegurança, «vai fermosa, e não segura», oque pode querer demonstrar algum receio, relativamente ao que possa encontrar, podendo esta sua ida à fonte representar mais do que oir buscar água. Também a utilização de metais nobres para a caracterizar fisicamente, assume um sentido conotativo extremamenteimportante, já que demonstram a sua nobreza de espírito e graciosidade, o que é reforçado pelo facto da «vasquinha» que usa ser «maisbranca que a neve pura», o que comprova que «Lianor» é uma donzela pura, inocente e virginal. É ainda de salientar a simbologia inerenteao «trançado» do seu cabelo que representa o seu ser reservado, pois este tipo de penteado esconde a sua sensualidade. Por fim, há quereferir que as cores utilizadas na sua descrição, o branco e o encarnado, reforçam a ideia da sua pureza, vitalidade, jovialidade esensualidade naturais Em suma, o poema «Descalça vai pera a fonte» é a exaltação da beleza e graciosidade de «Lianor», fazendo lembrar o ideal dePetrarca de mulher amada.Produção de texto - 2 Produção de texto O vilancete «Descalça vai pera a fonte» desenvolve-se de forma a evidenciar e exaltar a beleza incomparável de Lianor. Esta é-nos apresentada como uma jovem rapariga cheia de vitalidade, que se dirige à fonte com um pote na cabeça, vestindo uma «cinta fina escarlata», um «sainho de chamalote» e uma «vasquinha de cote». A cor encarnada da cinta e da fita de Lianor transmitem a alegria e jovialidade da rapariga, enquanto que a referência à fonte mostra a sua pureza, ingenuidade e virgindade. Estas características são ainda acentuadas através da brancura da sua pele («mãos de prata»; «mais branca que a neve pura») e por trazer o cabelo trançado, que esconde a sua sensualidade, comprova a sua discrição e estado de pureza. Os cabelos e as mãos ao serem comparados com o ouro e a prata, respetivamente, conferem uma ideia de brilho e delicadeza, demonstrando a graciosidade de Lianor. A beleza da jovem é referida inúmeras vezes tanto no refrão, como nos restantes versos, de forma a traduzir um retrato idealizado segundo Petrarca. O poeta refere-se a uma beleza tal e em tamanha abundância («chove nela graça tanta»), que chega a ser maior que a própria «fermosura». A «graça» não é apenas aplicada à beleza exterior, já que reflete a sua beleza interior, a perfeição do seu espírito, as suas virtudes. No entanto, esta beleza gera um sentimento de insegurança («Vai fermosa e não segura»), uma vez que receia estar mais exposta às ciladas do Amor, podendo a ida à fonte representar mais do que o ir buscar água. Em suma, o poema «Descalça vai pera a fonte» corresponde ao retrato hiperbolizado da beleza e graciosidade de «Lianor», fazendo lembrar o ideal petrarquista da mulher amada.4. – Reler o texto escrito, a fim de verificar a correção na estrutura frásica, organização de texto e erros ortográficos.
  3. 3. 2 – Refere quais os recursos estilísticos que contribuem para a exaltação da beleza de Lianor. A beleza de Lianor é descrita, em grande medida, através da utilização de metáforas («mãos de prata»; «cabelos deouro»; «chove nela graça tanta»),que intensificam as qualidades da jovem rapariga e das hipérboles («mais branca que aneve pura»; «tão linda que o mundo espanta»; «chove nela graça tanta/ que dá graça à fermosura»), que contribuem paraengrandecer a sua beleza excecional e o efeito que provoca naqueles que a veem. É de salientar, ainda, o uso daadjetivação expressiva («fermosa»; «segura»; «pura») e dos diminutivos «sainho» e «vasquinha», que acentuam o suafeminilidade e delicadeza, assim como a diversidade cromática que a caracteriza (encarnado: vitalidade, alegria e jovialidade;branco: pureza; ouro: perfeição).3 – Analisa formalmente o poema. O poema «Descalça vai pera a fonte» constitui um vilancete, uma vez que é composto por um mote de três versos e duasvoltas de sete versos, em redondilha maior (versos de sete sílabas métricas – «Des/cal/ça/vai/pe/ra a/fon//»), segundo oesquema rimático ABB/ cddccbB/ effeebB, sendo que, no mote, a rima é emparelhada em BB e verso solto em A; nasglosas, rima interpolada no primeiro e quarto versos («pote»/ «chamalote»; «garganta»/ «espanta»), e emparelhada nosrestantes, como em «prata»/ «escarlata». Quanto à morfologia, predomina a rima pobre, como em «chamalote»/«cote»,sendo rica apenas em –e («garganta»/«espanta»/«tanta») e em -BB no mote («verdura»/«segura») e -bB na última glosa(«fermosura»/«segura»). No que respeita à acentuação, todos os versos são graves, como em «pote». Finalmente, no queconcerne à fonia, todas as rimas são consoante, como em «espanta»/«tanta», já que rimam vogais e consoantes a partir daúltima vogal tónica.4 – Indica os aspetos caraterísticos da poesia tradicional que estão presentes no poema. No que respeita à estrutura formal, o poema recupera um tipo de composição cultivado pela poesia palaciana – ovilancete –, o uso do verso de redondilha maior e a repetição do último verso do mote «Vai fermosa, e não segura», no finalde cada volta, funcionando como uma espécie de refrão característico das cantigas dos cancioneiros medievais. Quanto aosaspectos temáticos, o texto faz referência a uma jovem rapariga que se insere no meio rural, o que é evidente pelasimplicidade do vestuário e pela tarefa que vai realizar – buscar água à fonte. Este local relembra o local de encontro amorosoclandestino já referenciado nas cantigas de amigo da lírica trovadoresca. É também de salientar a presença de um ambientebucólico, em que a natureza surge no seu estado mais puro - «verdura».

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