Contextualização Camões (lírico)

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Contextualização histórica, temática e formal de Camões Lírico

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Contextualização Camões (lírico)

  1. 1. A época de Camões – Renascimento (século XV-XVI) •  Período de profundas transformações culturais, políAcas, religiosas e económicas; •  Afirmação de uma sociedade mercanAl: nascimento da burguesia; desenvolvimento do comércio, das aAvidades industriais e das cidades; •  Aparecimento de casas financeiras e consequente aumento da circulação monetária; •  Progressos técnicos e cienLficos: • Criação e difusão da Imprensa; • Copérnico formula a teoria heliocêntrica; • Galileu comprova o duplo movimento da Terra; • Época marcada pelos Descobrimentos: • Alargamento dos horizontes geográficos (e mentais) dos europeus; • Descoberta de novos povos e novas culturas; • Introdução de novos vocábulos e expressões (africanos, brasileiros e orientais) na língua portuguesa; • Aquisição de novos significados e de senAdos metafóricos
  2. 2. •  Contra-Reforma: movimento da igreja católica (iniciado no séc. XVI) contra a Reforma Protestante (Lutero Anha denunciado algumas práAcas da igreja – interesse pelo poder políAco, indiferença face às desigualdades sociais, etc), desencadeando lutas religiosas e polí8cas, que semearam a dor, a fome e a morte; •  Concílio de Trento (necessidade de combater os desvios doutrinários defendidos por Lutero) Ø consumação da separação das duas igrejas: católica e protestante: •  Países reformados Ø condições favoráveis ao desenvolvimento de uma cultura laica, ligada aos interesses da burguesia; •  Países católicos Ø repressão sobre tudo o que pusesse em causa a autoridade da Igreja e da escolásAca. •  Instauração, em Portugal, da Inquisição em 1536 (pune os crimes contra a fé cristã) • Antropocentrismo: o Homem passa a estar no centro das preocupações; • Humanismo: movimento literário e filosófico de valorização das capacidades do Homem; • Introdução da literatura clássica na Europa - redescoberta, estudo e adoção como modelo do legado greco-romano.
  3. 3. A lírica camoniana – poesia se transição Luís de Camões: •  considerado o maior poeta português de sempre. •  a sua produção poéAca lírica consAtui uma admirável síntese arKs8ca da lírica tradicional portuguesa, das grandes correntes literárias e linhas de força ideológicas do seu tempo (Petrarquismo, Neoplatonismo,…) e da influência clássica (Virgílio, Teócrito, Horácio, Ovídio, etc.) •  essa síntese do an8go e do novo, tanto nos temas como nas formas, não se limita a receber e conAnuar uma tradição, a imitar os clássicos, a assimilar o neoplatonismo cristão ou a seguir Petrarca. •  Camões soube repassar os seus poemas da sua experiência vivida (os seus amores, ilusões e desenganos, as frustrações, cansaços e recordações, a observação do real, etc.), emprestando-lhe um grande dramaAsmo, uma vibrante autenAcidade, impondo-se-nos não só como exemplo do humanismo renascenAsta mas, sobretudo, como poeta que reflete sobre os grandes problemas do homem, «bicho da terra vil e tão pequeno», sempre inquieto, instável, verdadeiro Atã que se interroga perante o tempo, a mudança, a vida e o Des8no, que é perseguido, que sofre a ingra8dão dos homens e os ardis do desconcerto do mundo, que chega a ceder ao pessimismo e cuja obra se consAtui em autênAco momento de afirmação humana.
  4. 4. Vertente tradicional A nível dos temas: •  Sofrimento amoroso; •  ParAda do objeto amoroso; •  A saudade; •  As confidentes; •  Cenário campestre e pastoril; •  Presença de elementos, como o mar, a fonte e os pastores (Influência da poesia trovadoresca). Poesia que aproveita a temáAca da poesia trovadoresca e as formas da poesia palaciana. A nível da forma: Métrica (medida velha): Versos de redondilha maior (7 sílabas métricas); Versos de redondilha menor (5 sílabas métricas). Variedade estrófica: Mote (que introduz o tema) e glosas (que desenvolvem o tema); Vilancete; Can8ga Esparsa Trova Endecha
  5. 5. Vilancete Mote ____________ ____________ ____________ Glosa ou Volta ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ Dois ou três versos Uma ou mais estrofes de sete versos O Vilancete é perfeito quando: - O mote tem dois ou três versos e o último repete-se no fim de cada estrofe ou glosa; - Cada glosa tem sete versos; - A glosa se divide em duas partes: cabeça de quatro versos e cauda de três, rimando o último verso da cabeça com o primeiro da cauda.
  6. 6. Cantiga Mote ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ Glosa ou Volta ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ ____________ Quatro ou cinco versos versos Uma ou mais estrofes de oito, nove ou dez versos A cantiga é perfeita quando: - o último verso do mote repete-se no último verso de cada estrofe ou glosa, com ou sem alterações. Esparsa – composição poéAca em redondilha, que apresenta entre oito e dezasseis versos. Não apresenta mote nem refrão. Trova - poema composto por apenas uma estrofe, de quatro versos em redondilhas maiores de rimas alternadas. Endecha - composição de tom melancólico e triste em versos de cinco ou seis sílabas, geralmente agrupados em quadras, segundo o esquema rimáAco ABCB, ABAB ou ABBA. O plural endechas deve-se ao facto de a cada quadra se atribuir a designação de endecha e o poema ser consAtuído por mais de uma estrofe.
  7. 7. Vertente renascenAsta Poesia de influência italiana trazida por Sá de Miranda e António Ferreira. •  Influência Petrarquista (Francesco Petrarca, poeta italiano) •  O retrato idealizado da mulher amada: •  deusa, um objecto divino – é intocável, misteriosa e sempre ausente. A ausência permite ao poeta ver mais intensamente dentro da alma a essência da sua beleza, de que os cabelos, os olhos e as faces são apenas um reflexo da beleza divina. •  o aspeto Zsico a8nge a impessoalidade do convencional - olhos sempre claros, cabelos louros, tez nívea, faces rosadas; •  o aspeto espiritual caracteriza-se pela serenidade, a doçura do riso, a brandura do gesto (rosto) sossegado. •  Esta visão da mulher traduz, também, a concepção platónica do amor ideal e inacessível. •  A concepção do amor puro e ideal já se encontrava nas canAgas de amor. Petrarca renovou essa conceção, criando o modelo da mulher perfeita, divina, emanação de Deus, da qual brota o que há de belo na Terra. O amor é uma aspiração a um objeto inaAngível. InaAngível porque não existe neste mundo, é um reflexo do verdadeiro modelo, essência que mora num mundo superior – o mundo inteligível ou das ideias. Assim, o verdadeiro amor (amor platónico) é um senAmento ausente de desejo hsico, mas apenas concentrado na contemplação de uma deusa – a mulher amada. •  Os efeitos contraditórios do amor, que levam à inconstância no estado de espírito do sujeito poéAco. •  A invocação da Natureza, ora como reflexo, ora como contraste do estado de alma do sujeito: alegre se a amada está presente; triste se ela se ausentou ou a relação amorosa se rompeu
  8. 8. Influência de Platão (filósofo): Platão considerava a existência de dois mundos: •  o mundo sensível, que nos rodeia e no qual vivemos; •  o mundo inteligível, mundo em que vive Deus, mundo ideal, onde impera a Suprema Beleza, Bondade e JusAça. A beleza da Natureza e o encanto Zsico e moral da mulher amada, presente no mundo sensível, não são mais do que um reflexo da beleza divina, presente no mundo inteligível. Esta teoria platónica já estava presente na poesia provençal e na poesia petrarquista, que divinizava a mulher por a considerar um raio de eterna luz, raio da divina formosura. Influência greco-la8na (de poetas, como Virgílio, Homero, etc.) •  a brevidade da vida que traduz a angúsAa do poeta perante a passagem do tempo e a aproximação inevitável da morte; •  a mudança; •  o elogio da vida rús8ca, campestre, em que o poeta descreve a vida calma dos lavradores e dos pastores, o colorido da paisagem, os frutos saborosos, em contraste com a agitação da guerra e da vida urbana e cortesã.
  9. 9. A nível formal: Métrica (medida nova): Versos decassílabos (10 sílabas métricas); Menos frequente versos hexassílabos (11 sílabas métricas). Variedade estrófica: •  Soneto – composição poéAca fixa de assunto fundamentalmente lírico ou amoroso, consAtuída por catorze versos distribuídos por duas quadras e dois tercetos. Os versos são decassílabos e o esquema rimáAco mais frequente é abba/ abba/ cdc/ dcd. Quanto ao conteúdo, o soneto, normalmente, desenvolve-se em quatro partes; ____________________a ____________________b ____________________b ____________________a ____________________a ____________________b ____________________b ____________________a ____________________c ____________________d ____________________c ____________________d ____________________c ____________________d 1ª quadra: apresentação do tema 2ª quadra: desenvolvimento 1º terceto: confirmação 2º terceto: conclusão ou síntese de todo o conteúdo do poema («chave de ouro») canção; sex8lha - Estrofe de seis versos, cujos esquemas rimáAcos podem ser variados; elegia – poema de tom terno e triste. Geralmente é uma lamentação pelo falecimento de um personagem público ou de um ser querido.
  10. 10. A reflexão sobre a vida pessoal – “O dia em que nasci, moura e pereça”; “Erros meus, má fortuna, amor ardente” A experiência amorosa e a reflexão sobre o Amor – “Amor é fogo que arde sem se ver”; “Tanto de meu estado me acho incerto”; “Alma minha genAl que te parAste” A representação da amada – “Descalça vai pera a fonte”; “Ondados fios d’ouro reluzente”; “Endechas a Bárbara Escrava” A representação da Natureza – “Se Helena apartar”; “A fermosura desta fresca serra” O desconcerto – “Esparsa sua ao desconcerto do mundo” A mudança – “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” Temas a lecionar na Lírica Camoniana

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