Comunicação oral camões

1.838 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.838
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1.026
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
14
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Comunicação oral camões

  1. 1. Camões e a pintura  Comunicação Oral Regulada por Técnicas The Lovers Whirlwind ‐ William Blake. & “Tanto do meu estado me acho incerto”  Tanto de meu estado me acho incerto, Que em vivo ardor tremendo estou de frio; Sem causa, juntamente choro e rio; O mundo todo abarco e nada aperto. É tudo quanto sinto um desconcerto; Da alma um fogo me sai, da vista um rio; Agora espero, agora desconfio, Agora desvario, agora acerto. Estando em terra, chego ao Céu voando; Nũa hora acho mil anos, e é de jeito Que em mil anos não posso achar ũa hora. Se me pergunta alguém porque assim ando, Respondo que não sei; porém suspeito Que só porque vos vi, minha Senhora.
  2. 2. The Interrupted Sleep –François Boucher & “Amor é fogo que arde sem se ver”  Amor é fogo que arde sem se ver; É ferida que dói e não se sente; É um contentamento descontente; É dor que desatina sem doer; É um não querer mais que bem querer; É solitário andar por entre a gente; É nunca contentar-se de contente; É cuidar que se ganha em se perder; É querer estar preso por vontade; É servir a quem vence, o vencedor; É ter com quem nos mata lealdade. Mas como causar pode seu favor Nos corações humanos amizade, Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
  3. 3. Woman before the rising sun – Caspar David Friedrich & “Aquela triste e leda madrugada”  Aquela triste e leda madrugada, Cheia toda de mágoa e de piedade, Enquanto houver no mundo saudade, Quero que seja sempre celebrada. Ela só, quando amena e marchetada Saía, dando à terra claridade, Viu apartar-se de uma outra vontade, Que nunca poderá ver-se apartada. Ela só viu as lágrimas em fio, Que de uns e de outros olhos derivadas, Juntando-se, formaram largo rio. Ela ouviu as palavras magoadas Que puderam tornar o fogo frio E dar descanso às almas condenadas.
  4. 4. Girl with a rose – Guida Reni & “Um mover de olhos, brando e piedoso”  Um mover de olhos, brando e piedoso, Sem ver de quê; um riso brando e honesto, Quase forçado; um doce e humilde gesto, De qualquer alegria duvidoso; Um despejo quieto e vergonhoso; Um repouso gravíssimo e modesto; Uma pura bondade, manifesto Indício da alma, limpo e gracioso; Um encolhido ousar; uma brandura; Um medo sem ter culpa; um ar sereno; Um longo e obediente sofrimento; Esta foi a celeste formosura Da minha Circe, e o mágico veneno Que pôde transformar meu pensamento.
  5. 5. Les Très Richesheuresdu Duc de Berry – Irmãos Limbourg                                                                          & “Mudam‐se os tempos, mudam‐se as vontades”  Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança; Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem, se algum houve, as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto: Que não se muda já como soía.
  6. 6. Landscape at Chaponval – Camille Pissaro & “A fermosura desta fresca serra”    A fermosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros, O manso caminhar destes ribeiros, Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, senão te vejo, magoando. Sem ti, tudo me enjoa e me aborrece; Sem ti, perpetuamente estou passando Nas mores alegrias mor tristeza.
  7. 7. Junho – George Inness & “Alegres campos, verdes arvoredos”  Alegres campos, verdes arvoredos, Claras e frescas águas de cristal, Que em vós os debuxais ao natural, Discorrendo da altura dos rochedos; Silvestres montes, ásperos penedos Compostos de concerto desigual; Sabei que, sem licença de meu mal, Já não podeis fazer meus olhos ledos. E pois já me não vedes como vistes, Não me alegrem verduras deleitosas, Nem águas que correndo alegres vêm. Semearei em vós lembranças tristes, Regar-vos-ei com lágrimas saudosas, E nascerão saudades de meu bem.

×