Caracterização personagens Memorial do Convento

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Caracterização personagens Memorial do Convento

  1. 1.   C o l é g i o do A m o r d e D e u s - C a s c a i s   Português – 12º ano   Ficha informativa Ano lectivo 2011/2012   2  Caracterização  de  personagens:  D. João V (Cf. Manual – pág. 284)• Rei de Portugal de 1706 a 1750, desempenha o papel de monarca de setecentos que quer deixar como marca do seu reinado uma obra grandiosa e magnificente - o Convento de Mafra. Sacrificou todos os homens válidos e a riqueza do país na construção do convento. Este é construído sob o pretexto de que cumpre uma promessa feita ao clero, classe que "santifica" e justifica o seu poder;• É símbolo do monarca absoluto, vaidoso, megalómano, que desvia as riquezas nacionais para manter uma corte dominada pelo luxo, pela corrupção e pelo excesso, egocêntrico, pretende ser um déspota esclarecido, à semelhança dos monarcas europeus da sua época; é o curioso que se interessa pelas invenções do padre Bartolomeu de Gusmão; é o esteta que convida Domenico Scarlatti a permanecer em Portugal para ensinar música a sua filha, a infanta Maria Bárbara; é o homem que teme a morte e que antecipa a sua imortalidade, através da sagração do convento no dia do seu quadragésimo primeiro aniversário.• Dado aos prazeres da carne e a destemperos vários (teve muitos bastardos e a sua amante favorita era a Madre Paula do Convento de Odivelas). A figura real é construída através do olhar crítico do narrador, de forma multifacetada: é o devoto fanático que submete um país inteiro ao cumprimento de uma promessa pessoal (a construção do convento, de modo a garantir a sucessão) e assiste aos autos-de-fé;• Como marido não evidencia qualquer sentimento amoroso pela rainha, apresentando uma relação de "cumprimento do dever", uma faceta quase animalesca, enfatizada pela utilização de vocábulos que remetem para esta ideia (como a forma verbal "emprenhou" e o adjetivo "cobridor");Maria Ana Josefa (Cf. Manual – pág. 284)• De origem austríaca, a rainha, surge como uma pobre mulher cuja única missão é dar herdeiros ao rei para glória do reino e alegria de todos.• É símbolo do papel da mulher da época: submissa, simples procriadora, objeto da vontade masculina.• Só através do sonho se liberta da sua condição aristocrática para assumir a sua feminilidade. A pecaminosa atração incestuosa que sente por D. Francisco, seu cunhado, conduzem-na a uma busca constante de redenção através da oração e da confissão.• A rainha vive num ambiente repressivo, cujas proibições regem a sua existência e para a qual não há fuga possível, a não ser através do sonho, onde pode explorar a sua sensualidade. Consciente da virilidade e da infidelidade do marido.Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão (Cap.XIII, pág. 151 ou 195 e Manual – pág. 293)• O padre Bartolomeu, personagem real da História, forma com Baltasar e Blimunda o núcleo mágico e trágico do romance. Estrangeirado, representa as novas ideias que causavam estranheza na inculta sociedade portuguesa. Vive com uma obsessão, construir a máquina de voar, o que o leva a encetar uma investigação científica na Holanda.
  2. 2. • Como cientista ignora os fanatismos religiosos da época e questiona todos os principias dogmáticos da Igreja. O seu sonho de voar e as suas inabaláveis certezas científicas revelam orgulho, "ambição de elevar- se um dia no ar, onde até agora só subiram Cristo, a Virgem e alguns santos eleitos" (também cap. XI, pág. 122) e tornam-no persona non grata para a Inquisição que o acusa de bruxaria, obrigando-o a fugir para Espanha e a deixar o seu sonho/projeto nas mãos de Baltasar. – Cap. IX, pág.100• A sua obsessão de voar domina-o de tal forma, que ele não se inibe de integrar no seu projeto um casal não abençoado pela Igreja e de aceitar e usufruir das capacidades heréticas de Blimunda, que farão a passarola voar.• A passarola, símbolo da concretização do sonho de um visionário, funciona de uma forma antagónica ao longo da narrativa: é ela que une Baltasar, Blimunda e o padre Bartolomeu, mas também é ela que vai acabar por separá-los.Domenico Scarlatti (Cf. Manual – pág. 295)• Artista estrangeiro contratado por D. João V para iniciar a infanta Maria Bárbara na arte musical. – Cap. XIV, pág. 166-167 ou 217• O poder curativo da sua música liberta Blimunda da sua estranha doença, permitindo-lhe cumprir a sua tarefa ("Durante uma semana (...) o músico foi tocar duas, três horas, até que Blimunda teve forças para levantar-se, sentava-se ao pé do Cravo, pálida ainda, rodeada de música como se mergulhasse num profundo mar, (...) Depois, a saúde voltou depressa" – Cap. XV,pág.. 192).• Scarlatti é cúmplice silencioso do projeto da passarola Cap. XIV, pág. 173-174; cap. XV, pág. 183-184• É, ainda, Scarlatti que dá a notícia a Baltasar e Blimunda da morte do padre Bartolomeu. ("Saiu o músico a visitar o convento e viu Blimunda, disfarçou um, o outro disfarçou, que em Mafra não haveria morador que não estranhasse, e (...) fizesse logo seus juízos muito duvidosos"- Cap. XVII, p. 231).• A música do cravo de Scarlatti simboliza o ultrapassar, por parte do homem, de uma materialidade excessiva, e o atingir da plenitude da vida.• Bartolomeu de Gusmão, esse, aliado em diálogo excecional com o músico Scarlatti, o único que pode de raiz compreender as suas congeminações aladas, representa a possibilidade de articulação entre a cultura e o humano, entre o saber e o sonho, entre o conhecimento e o desejo (...). São os caminhos da ficção os que mais justificadamente conduzem ao encontro da verdade.O Povo – personagem coletiva:
  3. 3. • O verdadeiro protagonista de Memorial do Convento é o povo trabalhador. Espoliado, rude, violento, o povo atravessa toda a narrativa, numa construção de figuras que, embora corporizadas por Baltasar e Blimunda, tipificam a massa coletiva e anónima que construiu, de facto, o convento.• A crítica e o olhar mordaz do narrador enfatizam a escravidão a que foram sujeitos quarenta mil portugueses, para alimentar o sonho de um rei megalómano ao qual se atribui a edificação do Convento de Mafra.• A necessidade de individualizar personagens que representam a força motriz que erigiu o palácio-convento, sob um regime opressivo, é a verdadeira elegia de Saramago para todos aqueles que, embora ficcionais, traduzem a essência de ser português.O Clero:• A crítica subjacente a todo o discurso narrativo enfatiza a hipocrisia e a violência dos representantes do espiritualismo convencional, da religiosidade vazia, baseada em rituais que, ao invés de elevarem o espírito, originam o desregramento, a corrupção e a degradação moral (é relevante, neste contexto, o papel da Inquisição). Personagens Referenciais Ficcionais - D. João V - Blimunda e a mãe - D. Maria Ana de Áustria - Baltasar e a família - Os Infantes - os trabalhadores do convento - Scarlatti - o povo anónimo que funciona como personagem colectiva mas não secundária - Bartolomeu de Gusmão (parcial) - Ludovici A caracterização e o tratamento ficcional são altamente A caracterização e o tratamento ficcional são largamente depreciativos pelo recurso constante ao distanciamento positivos, já que o narrador valoriza o que é anónimo, temporal e afetivo, à ironia e à sátira. desprivilegiado e esquecido pela História oficial.  

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