TRILHA MEIÓTICA

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TRILHA MEIÓTICA

  1. 1. ISSN 1980-3540 05.01, 25-33 (2010) www.sbg.org.brTrIlha meIóTIca: o jogo da meIoSe e daS SegregaçõeScromoSSômIca e alélIcaRodrigo Lorbieski, Leyr Sevioli Sanches Rodrigues, Luciana Paula Grégio d’ArceUniversidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste – Campus Cascavel, Colegiado de Ciências BiológicasAutor para correspondência:Luciana Paula Grégio d’ArceCCBS – CCBRua Universitária, 2069Jardim Universitário, Cascavel - PRCEP: 85819-110E-mail: lucianapgd@yahoo.com Palavras-chave: meiose; segregação alélica; jogo divisões celulares denominadas de meiose I e meiose II.didático A meiose I por sua vez é subdividida em prófase, metáfa- se, anáfase e telófase e é quando ocorre a separação dos reSUmo cromossomos homólogos. A meiose II, que se assemelha A meiose é um dos processos biológicos mais im- com a mitose normal, caracteriza-se pela separação dasportantes, sendo responsável pela formação dos gametas cromátides-irmãs. No final desses dois processos ocor-e pela perpetuação das espécies. A separação dos cro- rerá a formação de gametas com número cromossômicomossomos homólogos na primeira divisão da meiose é reduzido, que é a base da reprodução sexuada e da varia-responsável pela segregação alélica, atuando de modo a bilidade genética (ALBERTS et al., 2004; JUNQUEIRAaumentar a variabilidade genética. Apesar de sua impor- e CARNEIRO, 2005; De Robertis, 2006).tância, estudos mostram que os estudantes estão chegan- Klautau et al. (2009) mostraram que tanto os estu-do ao ensino superior sem o conhecimento esperado so- dantes universitários como os de ensino médio reconhe-bre esse tema, não conseguindo aprender corretamente as cem a genética como a disciplina mais difícil da área dasegregações cromossômicas e alélicas das fases da meio- biologia. Mesmo após o estudo de tópicos de genética, osse. Esse fato sugere que há algum problema na apren- estudantes nem sempre revelam uma compreensão fun-dizagem desses assuntos nos níveis básicos de ensino. damentada dos fenômenos e processos genéticos (GRI-Como proposta para melhoria do ensino, esse trabalho FFITHS; MAYER-SMITH, 2000). Salim et al. (2007)buscou, através do lúdico, despertar o interesse dos es- destacaram que na maior parte das escolas falta inter-tudantes pelos temas abordados e dessa forma, melhorar conexão entre conteúdos que se complementam, comoa aprendizagem dos alunos na sua formação básica. Foi divisão celular e outros conceitos de genética, fazendodesenvolvido um jogo, a “Trilha meiótica”, com o intuito com que os estudantes cheguem ao ensino superior semde ajudar os alunos na compreensão da meiose e da sua as noções adequadas sobre esses assuntos, com errosrelação com a segregação cromossômica e alélica. conceituais e como consequência, a maioria não conse- gue fazer a correlação entre divisão celular, perpetuação INTrodUçÃo da vida e transmissão de características, além de apre- A capacidade da célula de se reproduzir é um dos sentarem falta de entendimento de conceitos básicos.processos fundamentais da vida e da perpetuação das Uma das explicações para esse mau aproveitamen-espécies. Existem dois processos de divisão celular, co- to pode ser a forma como o conteúdo foi ensinado pelonhecidos como mitose e meiose. O primeiro relaciona-se professor, pois a maioria utiliza o método tradicional,com proliferação celular e o segundo, com a formação aplicando aulas expositivas como modalidade didática.de gametas (ALBERTS et al., 2004; SNUSTAD e SIM- Essa forma de ensino tem como grande desvantagem aMONS, 2008). passividade dos alunos diante dos temas ensinados pelo A meiose é um processo importante da biologia, professor. Verifica-se, então, que as aulas expositivas nãoprincipalmente na reprodução. Ela é composta por duas são totalmente eficazes no processo de ensino-aprendiza- 25
  2. 2. gem, e, mesmo quando aplicadas por um bom professor da tarefa a ser realizada pela equipe que lançou o dado,que pode torná-las mais interessantes, não conseguem conterá também a resposta do desafio, de modo a que aatingir o objetivo principal: fazer com que o aluno real- equipe adversária verifique se houve erro ou acerto, emente entenda o que foi ensinado e relacione isso com também, o número de casas que a equipe terá que voltarseu cotidiano (KRASILCHIK, 2004). se errar. As cartas poderão ter alguma pergunta (Figura Para tornar mais eficiente a exposição, é impor- 2) ou um esquema didático para ser montado (Figura 3).tante a utilização de outros recursos didáticos. Os jogos Além dessas cartas, há também as informativas (Figuracaracterizam-se, então, como instrumentos de ensino, 4), indicando o número de casas que o grupo deve avan-através dos quais a intenção é trabalhar ou transmitir ao çar ou retroceder no tabuleiro, como também, cartas quealuno algum conhecimento, concreto ou abstrato. Eles farão com que o grupo fique uma vez sem jogar. É im-são, portanto, os instrumentos através dos quais se arti- portante ressaltar que o verso verde, vermelho e azul nãoculam certos conhecimentos, dentro de uma determinada devem distinguir os tipos de cartas.linha pedagógica (AROUCA, 1996). Os esquemas didáticos são peças separadas de O jogo é um importante instrumento didático, cromossomos (Figura 5), fusos meióticos (Figura 6), flu-muito mais que um passatempo, é uma maneira indis- xograma meiótico geral, sem cromossomos (Figura 7) epensável de promover a aprendizagem e incutir compor- alguns esquemas representando células em prófase, me-tamentos básicos necessários à formação da personalida- táfase, anáfase e telófase, também sem material genéticode dos alunos (ALMEIDA, 1981). Além de estimular a (Figura 8). Tais peças servem para os alunos montaremcriatividade e o aumento da capacidade de decisão, ele os esquemas conforme pedido nas cartas.também estimula a leitura, a escrita e a pesquisa, por serum meio em que consegue abarcar, na íntegra, a interdis- como jogar:ciplinaridade (MEDEIROS et al., 2001). O objetivo será percorrer a “trilha meiótica” e o Tendo em vista a deficiência no aprendizado da vencedor será quem chegar ao final do trajeto primeiro.meiose e de sua relação com a segregação cromossômica Para isso, os alunos serão separados em grupos de cincoe alélica, associando-se a isso, os problemas das aulas pessoas, sendo que dois grupos participarão do jogo, porexpositivas, fica evidente a necessidade de se elaborar vez (grupo A e grupo B). Cada grupo terá um represen-novas ferramentas que auxiliem o professor a lecionar e tante que irá lançar um dado e mover o botão para a casamelhorar a qualidade do ensino. correta. O grupo adversário deverá observar a cor da casa Como proposta para essa melhoria procurou-se que o outro grupo parou, e pegar uma carta correspon-desenvolver um jogo didático capaz de aperfeiçoar o de àquela cor. Deverá, então, ler a carta, esperar a tarefaaprendizado da meiose e da segregação alélica nas salas ser executada e depois, conferir se houve acerto ou erro.de aulas, com o intuito de chamar a atenção e despertar o Para evitar confusões, o grupo que estiver com a cartainteresse para o que é ensinado. deverá mostrar a mesma para a outra equipe. Se o grupo acertar, fica na mesma casa que parou elaboração do jogo Trilha meiótica: e espera a próxima rodada quando então deverá lançar Para elaboração do jogo deverão ser utilizados o dado novamente, e depois, repetir o procedimento an-papéis-cartão com três diferentes cores para montar as terior. Se errar, deverá voltar o número de casas especi-peças; papel contact, para revestir essas mesmas peças; ficado na carta e esperar a próxima rodada, para lançartesoura e cola. Deverão ser confeccionados, também, novamente o dado e repetir o mesmo procedimento ante-três tabuleiros, impressos em papel A3; e três dados de riormente explicado.papel. Botões coloridos poderão ser usados como os pi-nos dos grupos. discussão O jogo didático apresenta peças que representam O jogo trilha meiótica consiste em uma série decromossomos individuais, cromossomos contendo alelos questões e informações sobre a meiose, ajudando a me-referentes às Leis de Mendel e outras estruturas envolvi- morizar suas fases, a segregação dos cromossomos ho-das no processo da meiose. mólogos, e ainda traz a associação da meiose com a se- gregação alélica. Sendo assim, há necessidade de uma o jogo: explanação prévia do assunto pelo professor. É impor- O jogo proposto deverá ser construído na forma de tante realçar que, normalmente, as Leis Mendelianas sãoum tabuleiro, separado em várias casas com cores dife- estudadas em outra época, e cabe ao professor relacionar,rentes (Figura 1), bem como por diversas cartas diferen- então, meiose com segregação alélica. O jogo pode serciadas nas mesmas cores do tabuleiro. Cada carta, além aplicado, por exemplo, após o ensino das Leis Mende- 26
  3. 3. lianas, de modo a promover a associação de Mendel e GRIFFITHS, A.J.F.; MAYER-SMITH, J. Understanding genetics.meiose. Strategies for teachers and learners in Universities and high O material utilizado é de baixo custo, sendo de fá- Schools. WH Freeman and Company, New York, 2000.cil aplicabilidade, podendo-se trabalhar com vários gru- JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular. 8ªpos por sala. A confecção do jogo pode ficar por conta ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.dos alunos, ajudando ainda mais na consolidação do as-sunto. O número de alunos por grupo pode ser adaptável, KLAUTAU, N.; AURORA, A.; DULCE, D.; SILVIENE, S.; HELENA,porém, não são recomendados grupos muito grandes, H.; CORREIA, A. Relação entre herança genética, reprodução eporque alguns têm oportunidade de participar e outros meiose: um estudo das concepções de estudantes universitários doficam dispersos. Brasil e Portugal. enseñanza de las ciencias, Número extra VIII congreso Internacional sobre Investigación en didáctica de las Referências Bibliográficas ciencias, Barcelona, p. 2267-2270, 2009. http://ensciencias.uab.es/ALBERTS, B.; BRAY, D.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; congreso09/numeroextra/art-2267-2270.pdf ROBERTS, K.; WALTER, P. Biologia molecular da célula. 4ª ed. KRASILCHIK, M. Prática de ensino de Biologia. 4ª ed. São Paulo: Porto Alegre: Artes Médicas, 2004. Edusp, 2004.ALMEIDA, P.N. dinâmica lúdica e jogos Pedagógicos para MEDEIROS, A.D.; CARVALHO, D. S. L.; PAZ, J.M.; LEMOS, V. S. escolares de 1º e 2º grau. São Paulo: Loyola, 1981. Jogo: Interdisciplinaridade na ação educativa. 2001. Disponível em:AROUCA, M.C. o papel dos jogos e simuladores como instrumento <http://www.faced.ufba.br/~ludus/trabalhos/2001.2/jogiaedu.doc> educacional. Rio de Janeiro: UFRJ, 1996. Disponível em: Acesso em: 17 de Julho de 2008. <http://www.cciencia.ufrj.br/publicações/artigos/edubytes96/ SALIM, D.C.; AKIMOTO, A.K.; RIBEIRO, G.B.L.; PEDROSA, papeldosjogos1.htm>. Acesso em: 29 de março de 2008. M.A.F.; KLATAU-GUMARÃES, M.N.; OLIVEIRA, S.F. O BaralhoDE ROBERTIS, E.M.F. (Jr.). Bases Biologia celular e molecular. 4ª ed. como Ferramenta no Ensino de Genética. genética na escola, vol. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. 2(1), pp. 6-9, 2007. (www.geneticanaescola.com.br) SNUSTAD, D.P.; SIMMONS, M.J. Fundamentos de genética. 4ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. Figura 1. Tabuleiro separado em várias casas com cores diferentes. 27
  4. 4. Figura 2. Cartas do jogo apresentando questões de múltipla escolha (a critério do professor, poderão sersubstituídas por perguntas discursivas). 28
  5. 5. Figura 3. Cartas do jogo que pedem a elaboração de um esquema representando alguma fase da meiose, oua segregação alélica nos cromossomos homólogos e nas cromátides irmãs. 29
  6. 6. Figura 4. Cartas informativas, trazendo curiosidades sobre o tema proposto. Algumas fazem o grupo retroce-der no tabuleiro, outras o fazem avançar Figura 5. Vários desenhos de cromossomos e cromatinas, que deverão ser recortados para a montagem dosesquemas. Alguns apresentam alelos, que podem ou não estar indicados de maneira correta. Cada um é impresso naquantidade de seis cópias por kit de jogo. 30
  7. 7. Figura 6. Representação de um centrossomo com as fibras do fuso meiótico e fibras do áster. 31
  8. 8. Figura 7. Fluxograma básico para a representação das divisões meióticas I e II. Usado para a montagem deesquemas exigidos pelas cartas, os quais podem se referir à meiose puramente, ou, à segregação alélica. 32
  9. 9. Figura 8. Representações de células sem cromossomos e outros morfocomponentes, usadas para a montagemde esquemas de prófases (a), metáfases (b) anáfases (c) e telófases (d). 33

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