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  1. 1. in-situ Informativo do Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire – Março/2013 – No 03Cleito Pinto Ribeiro Crânio fóssil Cachorro Vinagre, encontrado por Lund. Veja página 9. Alenice Baeta: Lapa do Ballet, muito mais 4 Entrevista: Alexandre Delforge fala sobre 6 Fábio Ferrer: Patrimônio, Cultura e Preservação 8 que um ballet arqueologia e legislação em Lagoa Santa
  2. 2. Fotos: Cleito Pinto Ribeiro EditorialC hegamos ao fim de mais um ano de trabalho e conquistas e, nesse momento, convidamos você, leitor, para uma reflexão sobre essa trajetória de quase trêsdécadas e também apresentamos a 3ª edição do In Situ, nosso maior veículo decomunicação com o público em geral. No último quadriênio conquistamos o tão sonhado espaço próprio através doDecreto municipal de nº.981 DE 28 DE SETEMBRO DE 2009. Esse novo momentoampliou o plano de realizações do CAALE, através das exposições temáticas, perma-nentes e itinerantes. nosso projeto de educação patrimonial tornou-se mais efetivoatravés das oficinas que realizamos periodicamente. Por sua vez, o reconhecimento pelo IPHAN como instituição para reserva técnicapermitiu a sustentabilidade do CAALE. O fornecimento do apoio institucional aos pro-jetos de pesquisa arqueológica, não só na região de Lagoa Santa como em outrasregiões do estado, vem permitindo a aquisição de recursos financeiros com finsespecíficos para a sua manutenção e, também, da ampliação da reserva técnica, queé a meta principal a ser realizada com brevidade. O CAALE, selecionado pela OMT, como atrativo turístico, está hoje incluído noRoteiro que faz parte de um dos projetos estruturadores do estado, a “Rota LUND”,que tem seu marco ZERO no Museu da PUC, o marco um no túmulo Dr. Lund e omarco dois aqui, no CAALE. Esses reconhecimentos é que nos move a cada vez maisintensificar o nosso trabalho para a preservação, salvaguarda e divulgação dessenosso patrimônio cultural. Nessa edição contemplamos nossos leitores com uma entrevista com Alexandre Museu em movimento:Delforge, gestor do patrimônio arqueológico do IPHAN/MG, abordando a questão doLicenciamento Ambiental para os projetos de arqueologia. Brindamos o leitor, tam-bém, com artigos de pesquisadores que atuam na região em diversos campos depesquisa, levando ao público a informação das novas descobertas. Apresentamos um artigo sobre a histórica “Fazenda da Jaguara” localizada nomunicípio de Matozinhos, que teve grandes pontos de ligação com Lagoa Santa,como a primeira ocupação da antiga Fazenda do Palmital, por funcionários antigosprocedentes da referida fazenda. No próximo número, inclusive, estaremos dando para além das diferençasseqüência à história das primeiras fazendas do município. Trazemos abordagens sobre a memória histórica da lagoa, acompanhado deuma reflexão sobre o desenvolvimento econômico da cidade e da importância daspolíticas públicas para a cultura. O CAALE participou da 6ª Primavera de Mu- seus promovida pelo IBRAM/MINC, realiza- da em setembro, apresentando mais um projeto Como não podia deixar de ser, discutimos o papel educativo do CAALE abor- que teve como objetivo tornar o museu mais pró-dando a interação museu/ publico, com seu atendimento personalizado para cada ximo do público, em especial das instituiçõessegmento social. que se dedicam à educação inclusiva. O Centro Outro ponto abordado nesse número é a relação intrínseca entre as bandeiras e de Arqueologia, trilhando na sua linha de açãoa ocupação de Minas Gerais, notadamente Lagoa Santa. Ao concluirmos esse editorial, registramos o agradecimento da equipe do CAALE de democratizar a informação e divulgar a arque-aos parceiros, colaboradores e amigos que estiveram presentes durante todo ano de ologia regional, destacando a sua função social,2012. Que essas parcerias se renovem e fortaleçam no próximo ano. através do projeto “Museu em movimento: para Cumprimentamos a nova gestão do município, desejando um trabalho profícuo além das diferenças”, apresentou um vídeo deem prol da nossa Lagoa Santa e renovamos nosso compromisso, de estar sempre a animação sobre arqueologia.serviço, valorizando, protegendo e divulgando o nosso Patrimônio. O vídeo teve grande repercussão não só para o público infantil, mas também para o gran- Rosângela Albano Silva de público. A informação científica foi passada através de uma linguagem simples e a produção do mesmo teve a participação de alunos da Es- in-situ cola Municipal de Lapinha através de seus de- senhos, que ilustraram o roteiro e compuseram a animação. Informativo do Centro de Arqueologia Annette L. Emperaire O CAALE sempre tem buscado essa rela- Gerência: ção de interação com a comunidade escolar Rosângela Albano Silva no sentido de cada vez estar sensibilizando-a Colaboradores: Alenice Baeta, Alexandre Delforge, Andre Strauss, da importância de conhecer e valorizar o nosso Cleito P Ribeiro, Fabiano L. de Paula, Fábio Ferrer, Maria de Fátima G. Gouveia, . patrimônio. Maria Eugenia Oliveira Abras, Natália G. Turchetti, Rosângela Albano Silva Em um veículo temático, o “Museumóvel” a Projeto Gráfico e Diagramação: equipe do CAALE visitou as escolas municipais e Objeto de Arte Comunicação & Design instituições de educação inclusiva: APAE, CAPS e realizou também apresentações ao público Jornalista Responsável: Cláudia Batista de Andrade MTB-6235 em geral. O vídeo está disponibilizado no Youtube e no Agradecimentos: site do IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus). Arkeos Consultoria Ltda. Acesse http://www.youtube.com/watch?v=Cyce FHpqBXE&feature=plcp Rosângela Albano Silva Arqueóloga, Filósofa, Educadora e Gerente do Centro de Arqueologia AnnetteSecretaria Municipal de Bem-Estar Social - Diretoria de Turismo e Cultura Laming Emperaire IN-SITU ... 2
  3. 3. “Lapa do Santo”: As Práticas Mortuárias dos Primeiros AmericanosA maior riqueza da região de Lagoa Santa é sua Acervo de Strauss complexidade. É por causa dela que Lagoa San-ta foi capaz de fascinar, geração após geração, todosaqueles que tiveram a sorte de conhecer seus abrigos.É difícil encontrar em todo mundo uma localidade quetenha surpreendido tantas gerações de estudiosos. Eé justamente por esse longo histórico de pesquisasque hoje emdia é tão difícil de encontrar na região umabrigo que ainda não tenha sido alvo de escavaçõesarqueológicas ou paleontológicas. Afinal, quais seriamas chances de que um abrigo de grandes proporçõestivesse passado despercebido a mais de 180 anos deexploração científica e econômica? Pois foi justamente essa a primeira surpresa que adescoberta da Lapa do Santo nos reservou. Dentre osmaiores abrigos da região de Lagoa Santa, essa laparevelou abrigar um pacote arqueológico denso, muitobem preservado, datado do final do Pleistoceno e, mais de inscrição em pedra é milhares de anos mais antigo individualizados, fardos de ossos (compostos por atéimportante, intocado. Para um arqueólogo, um verda- do que os arqueólogos supunham. E claro, como de- 2 indivíduos), marcas de corte, chanfros, extração dedeiro tesouro. nuncia o apelido pelo qual a obra é agora conhecida, o dentes, seleção de partes anatômicas, exposição ao Foi em 2001 que uma equipe de arqueólogos, lide- “Taradinho” chamou a atenção também pela presença fogo e aplicação de ocre.rada por Renato Kipnis, deu início às prospecções na de um falo desproporcionalmente avantajado, abrindo Ao mesmo tempo, a presença de esqueletos articu-área abrigada da Lapa do Santo. A procura por novos espaço para uma série de novos questionamentos so- lados, entre os quais o caso mais antigo de decapita-sítios arqueológicos em Lagoa Santa era um dos princi- bre como seria a visão de mundo do Povo de Luzia. ção em todo o continente americano, atesta que a sele-pais objetivos do recém inaugurado projeto de pesqui- A maior surpresa que nos reservava a Lapa do San- ção de partes anatômicas e sua consequente remoçãosa “Origens e Microevolução do Homem na América”, to, entretanto, viria de uma das fontes mais improváveis. eram práticas logo após a morte, enquanto os tecidoscoordenado por Walter Neves. As escavações tiveram Desde sempre, a região de Lagoa Santa foi mundial- moles ainda estavam presentes. Posteriormente, os os-início nos anos seguintes e, a princípio, se pensou que mente reconhecida pela sua abundância de esqueletos sos eram realocados e dispostos de acordo com umao sítio não apresentaria grandes novidades em relação antigos e muito bem preservados. Vale a pena lembrar série de regras muito bem definidas. Notadamente,ao que já se conhecia sobre o registro arqueológico da que não existe nenhum outro lugar em todo o conti- através desses ossos procedia-se a retificação de dire-região de Lagoa Santa. nente americano que chegue próximo a Lagoa Santa trizes lógicas que, possivelmente, refletiam aspectos da Como sempre, imaginamos que já sabíamos o quando esses quesitos são considerados em conjunto. própria cosmologia daqueles grupos.que nos esperava. Ledo engano. A primeira surpresa Junte-se a essa abundância de sepultamentos a pro- A importância das descobertas referentes aos rituaisdizia respeito à própria natureza dos sedimentos que fundidade histórica das pesquisas na região e seria de funerários foi tão significativa que em 2011 um institutocompunham o sítio. Normalmente, as cavernas são se esperar que tivéssemos uma visão clara e bem defi- de pesquisa Alemão decidiu financiar um novo projetopreenchidas por sedimentos carregados por agentes nida a respeito de um aspecto fundamental da vida do de pesquisa na região de Lagoa Santa. Intitulado “Asnaturais como a água, o vento ou até mesmo a pró- Povo de Luzia: a maneira como eles enterravam seus Práticas Mortuárias dos Primeiros Americanos” um dospria gravidade. Mas não na Lapa do Santo. Conforme mortos. principais objetivos desse projeto foi justamente reto-avançaram as escavações, ficou claro para a equipe O estudo dos rituais funerários oferece ao arqueólo- mar as escavações na Lapa do Santo, que haviam sidode arqueólogos que todo o sedimento acumulado no go uma oportunidade única para entrar em contato com interrompidas em 2009 com o fim do projeto “Origensabrigo foi resultado direto da ação humana. aspectos simbólicos das populações pretéritas que, di- e Microevolução do Homem na América”. Atualmente, Principalmente, foi a queima de madeira em fo- ficilmente, poderiam ser estudados com base nos ins- as novas escavações estão em pleno andamento e nãogueiras, repetida ao longo dos milhares de anos, que trumentos de pedra lascada ou nos restos alimentares restam dúvidas de que a Lapa do Santo ainda nos re-resultou no acúmulo de sedimento, às vezes com até que comumente se encontram em sítios arqueológicos. serva muitas surpresas.4 metros de espessura, que se observa hoje na Lapa De acordo com a visão tradicional, na região de Lagoa Entretanto, já está clara a importância desse sítiodo Santo. Quando consideramos que a combustão de Santa os rituais funerários eram extremamente simples, arqueológico. A partir da conjunção de um registro ar-vegetais costuma deixar nada menos do que 1% do com enterros em covas rasas recobertas por blocos de queológico intrinsecamente fascinante, de um grau dematerial original, podemos ter uma idéia da inacreditá- pedra. Alguns arqueólogos chegaram a defender, inclu- preservação dos esqueletos que remete à metáfora devel intensidade com a qual esse sítio foi ocupado pelo sive, a idéia de que o povo de Luzia não teria respeito Pompéia, e de trabalhos de campo e em laboratório al-Povo de Luzia. pelos seus mortos e, por isso, não se preocupavam tamente meticulosos, surge o que, há de se tornar, na Outra surpresa veio, por assim dizer, nos acrésci- em elaborar seus rituais funerários. As descobertas na próxima década, um dos sítios mais relevantes do Novomos do segundo tempo: o “petróglifo” mais antigo de Lapa do Santo, porém, mostram que essa visão não Mundo para aqueles interessados em estudar o povoa-todo continente Americano foi encontrado a mais de 4 poderia estar mais equivocada. mento do continente americano.metros de profundidade, durante a última etapa de es- Na ausência de uma arquitetura sofisticada ou decavação na Lapa do Santo em julho de 2009. O estilo do ricos acompanhamentos funerários, a elaboração dosdesenho, na verdade, é amplamente conhecido e pode rituais mortuários passava pelo uso do próprio corpo André Straussser encontrado em diversas partes do Brasil. O que tor- do falecido como um símbolo. No que se refere ao re- Doutorando do Instituto Max Planck de Antropologiana o achado da Lapa do Santo único é que ele pôde gistro arqueológico, isso é expresso na forma de se- Evolutiva e coordenador do projeto “As Práticasser datado de forma confiável, mostrando que esse tipo pultamentos desarticulados, compostos por crânios Mortuárias dos Primeiros Americanos” 3 ... IN-SITU
  4. 4. As quatro primeiras figurações fazem parte do conjunto principal da Lapa do Ballet, as demais pertecem ao conjunto de figurações da Vargem da Pedra, associadas à Unidade Estilística Ballet no Carste de Lagoa Santa (in: Prous, Baeta e Rubioli, 2003).A Lapa do Ballet, muito mais que um “Ballet”A Lapa do Ballet situa-se no Carste de Lagoa Santa, distrito de Mocambeiro, município Matozinhos, MG,estando inserida na Reserva Particular do Patrimônio calcário (Abrigo Capão das Éguas, em Prudente de Morais), além de grande abrigo ou paredão (Abrigo do Campinho, em Pedro Leopoldo). de um deles foi preenchido por tinta branca, apresen- tando-se bicrômico. No mesmo patamar, na parede oposta, há dois conjuntos atribuídos a esse mesmo es-Natural-RPPN Fazenda Bom Jardim, ainda fazendo par- Na Lapa do Ballet, os pintores representaram seres tilo, no caso, uma dupla em cena de sexo e uma tríadete do Conjunto Arqueológico e Paisagístico de Poções, humanos na cor preta, de sexo bem marcado, em duas de aves galhadas, tema típico da Tradição Nordeste.tombado em âmbito estadual em 1989 (IEPHA-DECRE- filas distintas, a mais baixa na parede, dos homens e a No abrigo Campinho, os braços dos antropomorfosTO n. 26.193). Seu inventário no Cadastro Nacional de de cima, das mulheres, todos voltados para a entrada não se encontram voltados para cima, apesar de apre-Sítios Arqueológicos-CNSA tem como referência o có- da gruta, onde se encontra um bloco isolado, com uma sentarem a cabeça “de pássaros” e sexo bem indicado.digo MG004446 (SGPA-IPHAN). possível cena de parto. Abaixo da fila dos homens há Outro elemento diferencial, é que nessa situação, um Esta caverna é conhecida por apresentar um con- ainda três antropomorfos masculinos, de menor dimen- apresenta a cor vermelha e o outro, branca. No entanto,junto peculiar de formas humanas masculinas e femini- são, sendo que dois deles estão emparelhados. Parece pode ser que um deles esteja carregando um “saco”,nas alinhadas em filas distintas sugerindo aspectos de se referir a uma celebração da vida e da reprodução, item comum no repertório estilístico, associado a figurasdança associadas a possível ritual de fecundidade ou com movimentos de dança. Alguns antropomorfos fe- humanas da Tradição Nordeste. Acima do antropomor-sexualidade. Em função destas figurações, em espe- mininos parecem carregar no alto da cabeça adereços fo de cor vermelha, foi pintado um pequenino cervídeo,cial, o local ficou conhecido como a Lapa do “Ballet”. que podem se tratar de cestas. Ainda próximo à cabeça tema típico das Tradições Planalto e Nordeste.Estas figurações também inspiraram os arqueólogos a de algumas mulheres há pequeninas formas humanas No sítio Vargem da Lapa, em Lagoa Santa, há umanomear a unidade estética que reúne estes tipos de fi- que sugerem ser crianças. A mulher mais próxima do dupla de antropomorfos filiformes compostos por tra-gurações, como “Unidade Estilística Ballet”. bloco, ou a primeira da fileira, parece estar com um ços bem finos, cujas cabeças não se apresentam deli- Mas a Lapa do Ballet possui ainda outras figurações bastão na mão. Esses caracteres são exclusivos des- neadas. O mesmo foi observado em uma figura no sítiorupestres em um teto situado em local mais escondi- se sítio. Associado a esse conjunto há um círculo preto Pedra Grande, em Sete Lagoas, contudo, o sexo femini-do e de difícil acesso na parte alta do patamar frontal, concêntrico que parece ter sido confeccionado na mes- no é bem indicado e os braços, voltados para cima.que são, por sua vez, atribuídas ao Conjunto Estilístico ma ocasião (como também observado na Gruta Rei do Nos últimos tempos, tem-se refletido sobre as pos-de Arte Rupestre Planalto ou Tradição Planalto (mais Mato). síveis variações Ballet na região e adjacências. Tudoencontradiça nos sítios arqueológicos em abrigos da Nas paredes e tetos do patamar superior desse indica que a permanência e complexidade dessa ex-região). mesmo abrigo há figurações típicas da Tradição Planal- pressão possa ter sido espacialmente e temporalmente Primeiramente vamos abordar o assunto que mais to, conforme já exposto, tais como, cervídeos, quadrú- bem maior do que se imaginava no Centro Mineiro, en-chama a atenção dos visitantes e admiradores da Lapa pedes e aves nas cores, branca, amarela e vermelha. volvendo também versões picturais e suas variáveis, jádo Ballet; as suas representações humanas. Uma das aves do teto parece ter sido retocada pelos mencionadas, como também em relevo ou picoteadas. Levanta-se a possibilidade que a Unidade Estilística autores dos Ballet na cor preta. Na mesma parede onde Inclusive, foi identificado um sítio com picoteamentoBallet, seja uma influência da Tradição Nordeste, co- se encontram as figurações Ballet descritas acima há com antropomorfos similares aos Ballet (Abrigo Serri-mum na região Nordeste do país caracterizada por for- indicativos de que pinturas mais antigas, amarelas e nha, em Matozinhos), se observados seus atributos. Nomas antropomorfas, com adereços variados, formando vermelhas, possivelmente atribuídas às figurações Pla- caso desse sítio, parece se tratar da representação decenas de ação cotidianas. Sua influência chega assim, nalto, foram retiradas por raspagens para a confecção uma cena familiar, com formas humanas adultas, jo-tardiamente em território mineiro, em uma versão ou desse conjunto de antropomorfos. Ainda foram obser- vens e de crianças.adaptação denominada “Ballet”, que, a princípio, so- vados próximo ao alinhamento feminino, vestígios de A Lapa do Ballet, como apresentado, continua inspi-brepõe-se às figuras da Tradição Planalto. ave e antropomorfo Ballet, em vermelho (todavia, pare- rando a todos, instigando nossas interpretações, pes- A forma típica Ballet, apresenta o corpo filiforme ou cido com os que se encontram na Gruta Rei do Mato). quisas, comparações com outros abrigos...Tornou-seafinado, sexo masculino e feminino indicado, braços so- Tudo indica que esse sítio apresenta um nível mais anti- um ícone da arqueologia e da complexidade do acervoerguidos, sendo que a cabeça pode apresentar a boca go da Tradição Planalto e dois relacionados à Unidade gráfico parietal na região do Carste de Lagoa Santa.aberta em forma de bico, como a de um pássaro. Estilística Ballet. Na Lapa do Ballet (e na Gruta Rei do Mato em Sete Há também em outros sítios da região conjuntosLagoas), apresentam as figurações pintadas com todos com características estilísticas Ballet que não possuem Referência Bibliográfica: PROUS, André; BAETA,os itens descritos acima. No Carste de Lagoa Santa, as um ou outro atributo, podendo ser consideradas varie- Alenice & RUBBIOLI, ÉZIO O Patrimônio Arqueológicofiguras Ballet se encontram em paredes e patamares dades tipológicas dessa unidade estilística, como é o da Região de Matozinhos-Conhecer para Proteger.internos do primeiro salão de cavernas extensas ou caso das figurações do sítio Vargem da Pedra, também Belo Horizonte: Grupo Votorantim, 2003.132 p.com certo desenvolvimento horizontal (Lapa do Ballet, em Matozinhos, que apresenta a indicação do sexoGrutas Rei do Mato e Maquiné, esta última, em Cor- pouco proeminente. Trata-se de um trio de antropomor- Alenice Baetadisburgo), pequenos compartimentos em afloramento fos elaborados na cor preta, sendo que ainda o corpo Doutora em Arqueologia-MAE/USP IN-SITU ... 4
  5. 5. De olhos Guignard, Lagoa Santa, anos 50bemabertospara LagoaSantaQ uem conhece o livro “Lagoa Santa”, de autoria do botânico dinamarquês Dr. Eugenio Warming lem-bra-se, talvez, da introdução: “Lagoa Santa é um pe-queno arraial na província, agora Estado de Minas Ge-raes, situado em 19° 40’ latitude sul, portanto, 3 grausao norte do Rio de Janeiro. A altura sobre o nível domar é de 835m.” Ele continua a sua delicada descriçãodestacando a natureza que caracteriza todo o cami-nho, do Rio a Lagoa Santa, chamando a atenção paraa rica beleza natural, com destaque para os pequenose grandes cursos de água, serpenteando as matas em cial de Belo Horizonte. Ao conhecer o livro chamou-me cidade. Fiquem atentos a estes que enxergam Lagoatoda a extensão. a atenção o fato de registros tão anteriores aos nossos Santa apenas como uma fonte temporária de renda: Em um momento ele reflete: “Tudo ahi já foi matta, com relação à destruição das matas, pelo machado e eles sairão daqui, muito em breve. Seus objetivos terãoporém, em vários logares já não é mais a matta virgem pelo fogo. É impressionante o comportamento do ser sido alcançados e o sucesso financeiro, certamente,primitiva; porque o homem já lhe tirou as suas melho- humano: sua índole de devastação, seu egoísmo pró- terá suprido suas ganâncias. O que é difícil de prever,res arvores e em muitos logares o machado e o fogo, prio, serem os responsáveis, do passado ao presente, agora, é o tamanho do passivo ambiental que deixarãoem serviço das culturas, têm produzido clareiras agora pela moldura natural de Lagoa Santa! como rastro... de difícil solução, senão impossível!de gramináceas e hervas, especialmente nas proximi- Hoje a nossa cidade é alvo da implantação do maior E, voltando à obra de Warming, também me impres-dades das grandes fazendas ou das povoações que progresso de que se tem notícia, nas mais diversas áre- sionou sobremaneira a rara beleza e o destacado por-aparecem aqui e acolá.” as de atuação, considerada toda a região metropolita- te, desde tão áureos tempos, reconhecidos em nossa No curso da leitura e, já chegando em nossa cida- na que nos circunda. É um orgulho para nós, povo de lagoa central! É fácil perceber o seu destaque, local ede, ele se expressa: “Neste terreno campestre, e aci- Lagoa Santa, por nascimento ou por adoção, viver este regional, tão bem descritos. Mas, vamos ao comporta-dentado, na parte léste de Minas Geraes e a oeste da momento profícuo. mento do homem: será que está sendo cuidadoso comSerra do Espinhaço, está situada a lagoa Santa a uma Mas, vamos refletir com responsabilidade: para ela? Temos notícia de que, até hoje, haja quem a elalégua do Rio das Velhas, afluente do rio S. Francisco.” onde vamos? Será que é para onde queremos ir? Uma direcione a saída dos seus esgotos, ou a disposiçãoE continua: “São raras as lagoas na maior parte do Bra- “cidade boa de se viver”, parodiando Dr. Lund, não do seu lixo. Isto é crime ambiental! Também é crimezil, e em todas as direcções que tive ocasião de viajar, pode ser mais penalizada, nem pelo machado, nem ambiental interferir em sua vida própria, implantandoentre a Lagoa Santa e Rio de Janeiro, não vi uma única. pelo fogo e, muito menos, pela devastação incontida construções em toda a sua bacia, sem o mínimo cui-Nos terrenos calcareos, no interior de Minas, são ellas da pouca mata que lhe restou. Precisamos construir o dado de preservá-la do recebimento de todo o entulhofrequentes, mas raras vezes chegam ao tamanho da progresso com sustentabilidade. Parece que o mundo que desce, em especial, junto à água das chuvas. Alagoa Santa.” Finalizando estas lembranças e, relem- que nos rodeia está se esquecendo disto! omissão, para mim, é a forma mais covarde de se co-brando a chegada de Lund ao lugar, assim se referiu: A forma encontrada para receber a modernidade, meter um crime!“a graciosa lagoa, com suas encantadoras vizinhanças seja com a chegada de novas vocações, seja com a Conclamo todos a lutar pela defesa de vida digna,o impressionou de tal fórma que, tendo atravessado as implantação de loteamentos ou indústria, dentre outras tanto para a nossa lagoa quanto para a nossa cidade. Éregiões despovoadas e desertas do interior, ele involun- importantes atividades econômicas, de forma segura bom recordarmo-nos de que estamos vivendo um novotariamente exclamou: ‘ _ Aqui sim; aqui está bom para para que a cidade não sofra mais perdas e seja, assim, tempo, de Ano Novo, quando teremos um novo palcose viver’, talvez já antevendo que ele ahi tinha de demo- preservada, chama-se licenciamento ambiental. É inad- para o exercício político de muito respeito e trabalho porrar por quase meio século e achar o seu ultimo repouso missível que se continue implantando, o que quer que uma Lagoa Santa, queiramos todos e peçamos, comna sombras das arvores do campo.” seja, desrespeitando a legislação vigente. E, de forma muita fé, a Deus: ainda “boa de se viver”! Trata-se de obra publicada, pela primeira vez, em impressionante, o fato tem se repetido, dia pós dia, emdinamarquês, no ano de 1892, em Copenhage. O botâ- Lagoa Santa. Acredito que a pulverização dos órgãosnico sueco Albert Loefgren, que também viveu em nos- ambientais, responsáveis por diferentes licenciamen-so país por muitos anos, traduziu-o para o português, tos, esteja facilitando a ação daqueles que absoluta- Maria de Fátima G. Gouvêatendo o livro sido impresso em 1908, pela Imprensa Ofi- mente não se preocupam com a sustentabilidade da Engenheira Civil e Sanitarista 5 ... IN-SITU
  6. 6. ENTREVISTA Patrimônio, legislação e Alexandre Delforge Com formação na Educação Artística, mestrado em Geografia, com o tema arqueologia em Minas Fotos: Cleito Pinto Ribeiro Gestão do Patrimônio em Minas Gerais, Alexandre Delforge, gestor do Patrimônio Arqueológico do IPHAN em Minas Gerais recebeu a equipe do CAALE para uma conversa acerca do patrimônio, legislação e arqueologia em Minas Gerais.Alexandre, a legislação do patrimônio, iniciada em1937, foi evoluindo e ajustando-se ao longo do tem-po aos diversos momentos e contextos. Como vocêvê isso, chegando finalmente ao Termo de Referen-cia do IPHAN? Gostaria de deixar claro que estou falando aquicomo um cidadão, que é técnico do IPHAN, mas queestá dando suas impressões pessoais, idéias e críticas...A legislação precisa estar em constante aperfeiçoamen-to. Desde que se estabeleceram as primeiras leis sobrepatrimônio arqueológico no Brasil, essa legislação foi afetadas muito pequenas e nas licenças para áreas de ções arqueológicas de sítios quilombolas, principalmen-pouco atualizada. Ela precisaria de atualizações mais agronegócio, áreas muito grandes. Então, são duas me- te nas comunidades autodeclaradas não vão apresentarconstantes para evitar certos problemas que estão apa- todologias que desviam do padrão da maioria dos proje- um registro de vestígios diferentes de outros sítios derecendo atualmente como, por exemplo, a definição do tos. Então, é necessário observar como funcionam estas comunidades rurais. Então, fica muito difícil o estudoque é o patrimônio histórico, o patrimônio arqueológico especificações, no mercado, na comunidade científica e dos quilombos com base em registros arqueológicos.histórico. Aqui em Minas Gerais surgiu a necessidade de no processo de licenciamento para ter um feedback dis- Estas questões estão sendo muito melhor tratadas porpadronizar os projetos e relatórios que estavam sendo so e ir corrigindo os mecanismos que ela dispõe sempre antropólogos, cientistas sociais e historiadores na áreaentregues. Havia uma diferença enorme de padrões en- privilegiando a proteção do patrimônio sem perder de do patrimônio imaterial.tre pesquisadores, alguns com padrão abaixo do acei- vista a razoabilidade das exigências. A pesquisa do patrimônio edificado também surgiutável, outros com padrões altíssimos. E isso privilegia- com essas questões. Fazendas habitadas e em funcio-va os pesquisadores que propunham baixo padrão de Em relação ao Patrimônio imaterial? Depois que namento estavam sendo registradas como sítios arqueo-pesquisa, justamente por oferecer um preço menor ao houve essa “chamada” através da portaria e do ter- lógicos pelos arqueólogos pesquisadores, desta forma,empreendedor. Esse foi um dos principais motivos para mo, de forma mais incisiva, houve um salto na qua- surgiriam inevitavelmente problemas e complicaçõesa elaboração do Termo de Referência de Minas Gerais, lidade desse material? para os moradores. Tratar esse patrimônio através daalém de inserir no licenciamento ambiental o patrimônio É nosso primeiro ano completo com a instituição área do patrimônio arquitetônico/edificado além de tra-imaterial e o material, que já eram previstos em lei na dessas pesquisas, patrimônio material e imaterial. E o zer a expertise profissional dos arquitetos na sua identi-resolução do CONAMA e não eram atendidos. Muitas que sentimos é que houve um enriquecimento muito ficação também traria o benefício deste ser fiscalizadovezes os arqueólogos se encarregavam desses aspec- grande do licenciamento ambiental nesse sentido. Po- também por arquitetos aplicando a legislação própriatos, registrando as festas, o patrimônio edificado etc... demos observar, durante anos, muitos problemas em a este patrimônio. A estratégia funcionou muito bem eCom isso, esperamos que todo patrimônio cultural seja empreendimentos relacionados às populações tradicio- está enriquecendo o acervo de bens culturais, não sóenvolvido no licenciamento, como pede a Resolução nais, locais, entendidas aí como populações indígenas e federal, mas estadual e municipal. As prefeituras vêemCONAMA 001. Esse termo procurou seguir as determi- quilombolas. E esses problemas surgiam, normalmente, esses levantamentos, tem acesso a eles e estes podemnações da portaria 07/1988 e 230/2002, especificando no fim do licenciamento, quando as manifestações po- resultar em tombamentos municipais. O interessante émelhor os produtos que devem ser entregues, como pulares aumentavam e não havia sido prevista nenhuma que isso já era uma coisa posta em lei há muitos anosprojeto e relatório, para que as informações sejam dis- pesquisa que pudesse subsidiar a prevenção de con- e não se fazia cumprir. O Ministério Público Federal e opostas de forma padronizada, estabelecendo um padrão flitos e evitar o impacto, a perda de patrimônio cultural Ministério Público Estadual, quando souberam que haviamínimo de pesquisa e relatório. Mesmo esse Termo de desta natureza. A inserção do patrimônio imaterial se um projeto de Termo de Referencia para a arqueologiaReferência já está precisando de uma revisão. Ultima- iniciou principalmente por demanda dos Ministérios Pú- no Iphan, insistiram para que esse projeto envolvesse asmente, devido aos esforços do IPHAN, a SEMAD tem blicos Federal e Estadual por laudos de arqueologia de três áreas do patrimônio. O nosso Termo de Referenciaincluído outros empreendimentos no licenciamento am- comunidades quilombolas. A definição atual de comuni- chegou ter influência em nível nacional na a publicaçãobiental como, por exemplo, os grandes agronegócios, dade quilombola é feita com base em auto declaração. da portaria conjunta no 419 MinC/IBAMA/MMA e FUNAI,que antes não passavam pelo IPHAN e agora estão Dificilmente essas comunidades quilombolas estão no servindo como modelo.aparecendo em grande quantidade. E a outra questão mesmo lugar há muito tempo ou mesmo representamé a licença de operação de pesquisa, que é uma coisa aquele conceito tradicional de resistência à escravidão Atualmente mais de 90% dos arqueólogos do Brasilnova, para o Iphan, que está sendo exigida no licencia- de escravos fugidos. Começamos a ver que o patrimô- trabalham com arqueologia de contrato. Esses pro-mento de Minas Gerais, para a qual o termo ainda não nio cultural do quilombola estaria mais relacionado ao fissionais trabalham sobre pressões fortíssimas doprevê as especificações. Essas duas atualizações são patrimônio imaterial, das tradições saberes e fazeres que mercado. Qual a responsabilidade desse arqueólo-importantes por dois motivos: na licença de operação de eles carregam consigo, do que a artefatos arqueológi- go numa situação de impacto cultural, ambiental,pesquisas os empreendimentos tem, geralmente áreas cos, que geralmente se perderam no tempo. As escava- muitas vezes irreparáveis? Como conciliar pesqui- IN-SITU ... 6
  7. 7. sa, trabalho de campo, relatórios e conclusões com essas forças, conseguimos um resultado melhor para as de grande impacto? Há uma fiscalização nesseo ritmo acelerado a que esses profissionais são todo mundo e especialmente para o patrimônio. Então, sentido?submetidos? A “Academia” não fica prejudicada? considero essencial aumentar, melhorar essa troca, esse Em relação à fiscalização ficamos a dever, por de fal- Primeiro, gostaria de lembrar que tudo depende da intercâmbio, essa cooperação entre os diversos órgãos ta de condições operacionais. São dois técnicos para oética do arqueólogo, de como ele vai lidar com o empre- do meio ambiente e da cultura nos diversos níveis de estado inteiro. É muito difícil fiscalizar uma média de milendedor. Temos muitos casos de denúncias dos próprios governo. processos por ano. Em locais distantes: para atravessararqueólogos sobre empreendimentos. Esse é o compor- Minas, de ponta a ponta, são mil e duzentos quilôme-tamento que se espera, porque o arqueólogo é também Aqui em Minas, temos visto poucas publicações de tros! Trata-se de um Estado praticamente do tamanhoresponsável pelos bens inseridos na área afetada pelos trabalhos de Educação Patrimonial junto às comu- da França. A fiscalização nos relatórios tem sido muitoempreendimentos e responde por eles. A preocupação nidades, de divulgação para o público. A Educação cuidadosa, temos olhado aspectos de incongruência,com a diminuição da pesquisa acadêmica, em face aos Patrimonial tem se dado efetivamente? Tem havido ausências de informação, pedindo as complementaçõesaltos ganhos da pesquisa preventiva ou de licencia- essa divulgação? para que o relatório realmente reflita aquilo deve ter sidomento é uma questão muito séria e as reservas podem A Educação Patrimonial, visto as urgências que se a pesquisa. A fiscalização é exercida quando aconteceser parte da solução. Temos visto algumas instituições, tinha, foi tratada muito levemente ainda. Percebemos algum problema, por falta de, inclusive, uma regulamen-como o MAC de Pains e o Laboratório de Arqueologia da que não são exploradas todas as possibilidades da Edu- tação específica de fiscalização. Para que se tenha umaPaisagem de Diamantina aplicando os recursos que re- cação Patrimonial, principalmente nos projetos de licen- idéia, nosso bloco de multas é adaptado ao patrimôniocebem de guarda de material também no financiamento ciamento ambiental. Um dos pontos para se pensar no edificado. A multa é feita para o patrimônio edificado. Éà pesquisa acadêmica em suas regiões. Essa seria uma futuro é torná-la mais efetiva, estabelecendo um diálogo difícil você aplicar uma multa de arqueologia informandoforma ideal de se dar um retorno para a arqueologia aca- maior com a população. Atualmente a Educação Patri- dados como, se o telhado foi danificado, se as paredesdêmica. A Universidade Federal de Diamantina redigiu monial é mais um monólogo que um diálogo. É muito estão em pé, enfim, para edificações. É preciso fazer es-um termo onde se oficializa essa troca: o empreendedor importante a população entender que aquilo não é algo ses documentos específicos e estabelecer a metodolo-entrega o material a ser guardado e paga (compensa) a isolado dela, mas, que só existe por causa dela. A par- gia de fiscalização. Um dos mitos que circula é que osUniversidade de diversas formas, para que essa guarda ticipação da população, inclusive na definição do que é técnicos do Iphan não leem os projetos e relatórios. Mui-seja efetuada. Uma das compensações que se tem so- um bem cultural, é muito importante, porque ela é que dá tas vezes não há uma manifestação detalhada devidolicitado são diárias para pesquisadores em para efetuar significado a este patrimônio. O significado de um sítio só à falta de tempo de elaborar um parecer mais aprofun-pesquisas de interesse acadêmico com esse recurso. existe porque existe uma população interessada no seu dado, mas tudo é lido, discutido e pensado até o últimoA experiência de Diamantina é única, por enquanto. O próprio passado. Não fosse isso, não haveria sentido minuto do tempo que se tem para analisar cada um.LAEP recebeu o apoio do IPHAN desde o início do La- em sua proteção. Tenho visto experiências interessantes,boratório, que tem dois anos. Ele já começou a ser for- mas estamos num nível muito básico, inclusive em rela- Alexandre, finalizando: como você vê todo essemar com essa visão. Os alunos trabalham na reserva, na ção à teoria da educação, em geral. Princípios modernos processo em Minas?classificação do material. São convidados pesquisado- da educação não são aplicados na Educação Patrimonial Como testemunha desse processo em Minas Geraisres de outras entidades, e as pesquisas são feitas com e normalmente a prática mesmo é a aula “cuspe-e-giz”, e do avanço da área da pesquisa arqueológica aqui, es-equipamentos adquiridos como forma de compensação o arqueólogo falando e os educandos escutando... Parti- tou bastante otimista com o que vejo. Apesar de terempor esta guarda. É uma retroalimentação que está dan- cipei de algumas experiências de Educação Patrimonial sido ganhos iniciais, foram ações muito importantes odo certo. Gostaria de ver este feedback para pesquisa excelentes, que envolveram a população, tornando-os que se conseguiu aqui nesses anos. Estamos num cicloacadêmica também no CAALE, que por enquanto, jus- entusiastas do patrimônio. Além da própria divulgação virtuoso, ao contrário do ciclo vicioso em que nos encon-tificadamente, aplica os recursos na melhora de suas do conhecimentoa EP deve formar defensores do patri- trávamos anteriormente.instalações, em educação patrimonial e em exposições. mônio em cada local. E isso é muito importante porque quem vai defender o patrimônio é quem está ali do lado, Sobre o CAALE, o que você falaria desse trabalhoA urgência maior do CAALE são as instalações, mas em desenvolvido em Lagoa Santa?breve esperamos que também se reverta para a promo- não é o IPHAN ou outro órgão daqui, de BH, de Brasília que vai defender um sítio que está lá no meio do mato. É Eu vejo o trabalho do CAALE, inicialmente, com sur-ção de pesquisas, utilizando esses recursos para levan- presa pelo nível de melhoria de condições alcançada etamentos regionais. Em nossa carta, acerca das condi- aquele vizinho que está ali, vendo os sítios todo dia, que vê quem chega e vê quem sai é que vai tomar conta...e com a valorização deste centro de arqueologia desdeções para a qualificação como reserva, eram esses os que começou a receber compensação pela guarda. Apontos cobrados das reservas para exercerem o papel: por vezes destruir. Nós vemos o sucesso desses proje- tos quando se cria esse sentimento de pertencimento, partir destes resultados iniciais vejo com otimismo seuo reinvestimento no material, no equipamento, no prédio futuro. A Região de Lagoa Santa é uma das regiões ar-e na pesquisa em si. quando o cidadão quer tomar conta de sua herança cul- tural. Esse é o objetivo principal e espero que em breve queológicas mais importantes da América Latina, isso,É possível dizer que exista ou que esteja sendo se dê mais cuidados a essa área também. mesmo comparando com patrimônios monumentais,construída, de fato, uma parceria entre município, como os do México e Guatemala. Temos um patrimônioestado, união, IPHAN, IEPHA, etc, no que tange a A Educação Patrimonial é feita para os trabalhado- de importância mundial e é muito importante o municípiofiscalização, pesquisa, conservação e fomento a res do empreendimento? estar inserido na política de preservação destes bens. Eleuma educação patrimonial efetiva? Basicamente é a mesma oferecida para a popula- é um dos beneficiários e responsáveis por essa política, Com todo esse desenvolvimento atual, continuamos ção. O Termo de Referencia define a educação patri- pois a Constituição determina essa co-responsabilidadeainda um país relativamente pobre. Mesmo países de- monial como um processo constante e o arqueólogo entre o poder federal, estadual e municipal sobre o pa-senvolvidos, com grandes economias, não têm tantos em campo tem que assumir o papel de educador. Ele trimônio, sobre o cuidado com o patrimônio cultural emrecursos para a proteção do patrimônio. O que vemos, tem que distribuir informação sobre esse patrimônio a geral. Vemos o CAALE aproveitar muito bem a oportuni-tanto no exterior quanto no Brasil, é a necessidade das todos, do diretor da empresa ao peão que cava trin- dade de utilizar essa retribuição pela guarda do materialvarias instancias governamentais, da sociedade e da cheiras, além da população em geral, mesmo durante em benefício da própria reserva, do próprio museu, daacademia trabalharem juntas para se chegar aos obje- entrevistas com moradores. Um avanço importante foi a pesquisa e de projetos de Educação Patrimonial. Tenhotivos de proteção que desejamos. Nenhum órgão sozi- inserção do patrimônio material e imaterial no processo visto resultados realmente consistentes chegando donho vai conseguir fazer isso. Tenho visto bons trabalhos de Educação Patrimonial, ao fim do procedimento, dos CAALE, estou impressionado com o esforço da equipede preservação na área do Estado e dos municípios, resgates, da pesquisa. A divulgação desses resultados do CAALE em tocar esse Centro pra frente. A aposta dodemonstrando inclusive muito interesse na colabora- tem sido inserida numa educação patrimonial completa, Iphan no CAALE vem da constatação do esforço, da de-ção com a preservação destes bens, as parcerias po- com patrimônio arqueológico material e imaterial, isso é dicação e da vontade da equipe deste centro em mantê-deriam ser muito mais potencializadoras da proteção e muito importante para formar no cidadão a consciência lo funcionando, como vimos nas épocas menos favorá-divulgação. Por exemplo, muitos parques estaduais tem da própria cultura. veis, e, como se confirma agora com recursos financei-sítios arqueológicos sob sua guarda e, eventualmente, ros, mesmo que escassos, sendo sabiamente aplicadospromovem espontaneamente o levantamento desses Nos grandes empreendimentos, como hidrelétri- na melhoria deste centro de promoção da arqueologia.sítios. Vemos varias ações municipais querendo se tra- cas, minerodutos, o IPHAN confere se o relatório Tenho muitas esperanças que o CAALE se torne um cen-duzir na proteção desse patrimônio. Quando são unidas está fechando bem aquela área, normalmente áre- tro de excelência museológica a nível nacional. 7 ... IN-SITU
  8. 8. Fábio Ferrer: Patrimônio, Cultura infelizmente, nesse estado e essa, inclusive, é uma das prioridades imediatas. Na Capela do Rosário, por exemplo, vejo grandes problemas estruturais, não só e Preservação em Lagoa Santa relativos ao seu sistema construtivo, mas também esté- tico. Quando intervimos numa capela dessas, trabalha- mos primeiramente a estrutura, que é o que vai ser feito agora. Em seguida, a sua espacialidade, o local em que N uma conversa rápida e franca, Fabio Ferrer, Diretor de Turismo e Cultura da Secretaria Municipal de Bem-Estar Social, fala sobre patrimônio, cultura, preservação e participação em Lagoa Santa. Com uma agenda cheia e muito trabalho pela frente, Ferrer nomeia as prioridades e os caminhos a ela está, seu entorno e, depois, os bens integrados, os elementos decorativos. Essas três linhas são funda- mentais nesse processo. É preciso resgatar isso para serem percorridos nessa gestão. Confira! que possamos apresentar esses bens de uma forma precisa, mostrar aquela estética, aquela história de umaCleito Pinto Ribeiro forma fantástica. Quando conseguimos isso, consegui- mos também materializar aquela atmosfera factual. E precisamos expressar da forma mais fiel possível essa atmosfera, senão não tem lógica preservar... No bem imaterial, eu diria a mesma coisa. Aqui te- mos os Candombes, Pastorinhas, entre tantas outras manifestações da cultura popular. Temos uma rique- za maravilhosa e não podemos perder isso. É muito importante a maneira que vamos esclarecer o povo, montar oficinas, resgatar essa memória. O Patrimônio Histórico muitas vezes é visto como coisa antiga, ve- lha, como algo que não vale a pena. E o patrimônio não é isso! Quando trabalhamos com o Patrimônio, trabalhamos com vários agregados culturais. Há o va- lor cognitivo, o valor histórico, o valor de opção, ou seja, dar opção para as próximas gerações receberem aquele patrimônio. Há o valor iconográfico, o valor cul- tural, o valor afetivo, o valor econômico inclusive, pois há a possibilidade de retorno financeiro para as comu- nidades envolvidas. É preciso esclarecer as pessoas, torná-las participativas, dar oportunidade para que co- nheçam sua história, mantenham sua memória. E uma dos caminhos para alcançarmos isso é desenvolven- Rosângela Albano, Arqueóloga e Gerente do CAALE e Fábio Ferrer, Diretor de Turismo e Cultura do um projeto consistente de Educação Patrimonial, Fábio, o que você considera como prioridade dessa importantes para isso e os gestores deixaram passar, que instrua a sociedade e faça florescer o sentimento diretoria nesse começo de gestão e qual a análise se preocuparam mais com eventos. Eventos aconte- de pertencimento. que você faz desses primeiros dias de gestão? cem e devem acontecer, mas não podem estar acima Temos uma arquitetura belíssima, uma história be- Se for pensar, tudo é prioritário. Mas as necessida- do acervo. Ele é muito mais importante. líssima, o Brasil é um país riquíssimo nesse sentido e des nos forçam a colocar uma ordem de prioridade. No Uma colocação também é onde podemos e como precisamos resgatar o pouco que ainda nos resta. contexto material, o patrimônio material histórico tradi- podemos andar como diretoria e como podemos como cional; o imaterial com as manifestações cênicas, musi- Secretaria. Sabemos que verbas importantes em ins- Como você vê a atualização do Conselho de Cultu- cais; a preparação da cidade para a recepção turística. tâncias estaduais, federais e internacionais, só se con- ra em relação à legislação e também sua composi- Mas para isso precisamos arrumar a casa. seguem via Secretaria de Cultura ou Turismo. Eu parto ção? É tanta coisa! Por exemplo, o tangível, principal- sempre da premissa de que quanto mais se fomentar O Conselho é importantíssimo. Todos os projetos mente na questão do paisagístico. Nós temos aqui verbas, melhor será o sucesso desses projetos. que você consegue, em qualquer alçada, em qualquer uma região riquíssima. Se pensarmos em bem mate- instancia, passam necessariamente por Conselhos rial, tangível, do patrimônio histórico edificado, temos consolidados. Os conselhos foram criados exatamente Em relação ao patrimônio edificado, o grau de de- pouco, mas o pouco que temos, temos que resgatar para que haja essa participação, essa ação comparti- terioração de alguns deles é preocupante. E em e colocar em evidência, senão a cidade perde a coi- lhada. Isso tem de ser colocado em prática porque não relação ao patrimônio imaterial? De que maneira o sa mais importante, a sua identidade. E é uma cida- patrimônio será contemplado nas ações de preser- adianta só chegar e dizer “isso aqui é responsabilidade de que tem uma identidade nos primórdios de 1733, vação? da prefeitura, isso aqui é do museu...” Assim não fun- pois obviamente isso aqui era uma “picada” muito mais No Patrimônio material, no tangível e no intangível, ciona. É preciso trazer a sociedade, do engraxate ao antiga. Por aqui passou Fernão Dias, 1764, saindo de temos realmente uma situação de deterioração. As ca- médico, para esse espaço. Quando as pessoas par- São Paulo do Piratininga, de São Paulo da Várzea do pelas, principalmente, me preocupam porque sofreram ticipam, nem que seja com um pouquinho, se sentem Tamanduateí, a prospecção de Nicolau Barreto e outras intervenções e mudanças muito grandes, inclusive este- úteis, integradas. O Conselho precisa ser mais atuante, mais, que foram em direção a Serro Frio e assim por ticamente. Eu trabalho muito com o estético, porque os deliberativo, paritário e coeso. É necessário Conselho adiante. São várias as prioridades. Em termos de es- elementos, os bens de uma forma geral, precisam ser forte, com uma linguagem também única, para real- trutura temos muito que fazer. Infelizmente houve muita resgatados na maior originalidade possível, para que mente seguirmos adiante e reverter um pouco aquilo omissão nas gestões passadas em não pontuar bem possamos realmente preservá-lo de uma maneira mais que já foi perdido. E que traga para a cidade um dife- as coisas que poderiam ter segurado mais o patrimônio fidedigna. Essa é a lógica, senão daqui a pouco esse rencial, de modo que as próximas gestões encontrem edificado, o patrimônio material, imaterial, consolidado bem vai chegar às futuras gerações como uma coisa uma comunidade mais exigente, forte e atuante e com- esse patrimônio numa estrutura. Os anos 90 foram tão bem diferente do que era de fato. Eu vejo as capelas, prometida. IN-SITU ... 8
  9. 9. As Bandeiras: de expedições partiu da Vila de São Paulo rumo ao interior, no afã de en- contrar as tão almejadas riquezas. Aa gênese de decadência da indústria açucareira, intensificada com concorrência do açúcar antilhano e a necessidade de substituir essa importante fonteMinas Gerais de recursos diminuiu a intensida- de das expedições apresadoras e, concomitantemente, incentivou ae Lagoa Santa formação de expedições explorado- ras de metais. Nesse período, várias bandeiras originárias de São Paulo adentraram os sertões de Minas,A ocupação mais recente da região de Lagoa Santa se deu por volta dos últimos decênios do séculoXVII, associada à bandeira de Fernão Dias Paes, que Goiás e Matogrosso, destacando-se a de Lourenço Castanho Taques, “o Velho”, que por volta de 1668 abriusubiu o Rio das Velhas à procura de metais e pedras caminhos na região de Cataguazes;preciosas. A busca por essas riquezas remonta ao Luís Castanho de Almeida, 1671 einício da colonização, no século XVI. A descoberta de Manuel da Silva, 1676, ao norte dominas de prata e de ouro pelos espanhóis a oeste do Mato-Grosso; Bartolomeu Bueno dameridiano das Tordesilhas inflamava essas expectati- Silva, em 1676 na região de Goiás;vas, alimentadas também pelo desconhecimento do in- Antonio Raposo Tavares que entreterior do continente, pela suposta proximidade relatada 1648 e 1652 adentrou o Paraguai,entre as áreas pertencentes às Portugal e Espanha e chegando aos contrafortes da re-pelos mitos construídos, como o da “lagoa dourada”, a gião andina e à bacia amazônica eItaverauçu e “a serra que resplandece”, a Sabarabuçu, Luis Pedroso de Barros que alcan-expressões de um imaginário fértil, repleto de “el dora- çou o Peru por volta de 1656, sendodos” e que impulsionou de sobremaneira a empreita de vítima de tribos locais.colonização dos sertões americanos. Dentre todas as expedições que Nesse sentido, os portugueses acreditavam pia- intentaram a descoberta dessasmente na existência de minas no interior do Brasil, riquezas, destaca-se a bandeira de Fernão Dias Pais de grandes jazidas auríferas que se daria em seguida.partindo do pressuposto que estariam localizadas nas que, partindo de São Paulo do Piratininga a 21 de julho Dessa bandeira faziam parte nomes que se notabiliza-proximidades das capitanias de São Vicente, Santo de 1674, desbravou e explorou durante sete anos a re- riam nesses primórdios de povoamento mineiro, comoAmaro ou Espírito Santo, pois essas estariam posicio- gião que vai das cabeceiras do Rio das Velhas, rumo Matias Cardoso de Almeida, responsável em grandenadas mais ou menos na mesma altura das minas do norte, até a zona do Serro Frio onde, posteriormente, medida pela abertura da estrada que ligaria a regiãoPotosí. Uma das primeiras expedições no encalço das outros grupos exploradores lograriam sucesso. das Minas aos currais do São Francisco, na Bahia; Ma-minas do Potosí foi organizada a partir de São Vicen- A região desbravada pela Bandeira de Fernão Dias, nuel da Borba Gato, desbravador do sertão do Rio daste, em meados de 1531, por Martim Afonso de Souza. uma das mais importantes expedições prospectoras do Velhas e Garcia Rodrigues Pais, responsável pela aber-Comandada por Pero Lobo, não logrou alcançar seus século XVII, está relacionada aos primórdios do povoa- tura da estrada que ligaria a região das Minas ao Rioobjetivos, sendo dizimada pelas tribos indígenas ser- mento de Minas. Cenário de eventos dramáticos dessa de Janeiro.ranas. Posteriormente outras expedições com esse fim fase inicial da colonização, como a execução de José Descoberto o ouro no Sabará, no Caeté, nos Cata-seriam organizadas, partindo a maioria delas do litoral Dias, enforcado a mando do pai, Fernão Dias Pais, por guases, no Ribeirão do Carmo, no Tripuí, na Itaverava,baiano ou através do Rio Doce, cuja foz se encontrava conspiração e o assassinato do fidalgo Dom Rodrigo o interior das Minas Gerais foi gradativamente sendona capitania do Espírito Santo. Castel Blanco, elevado pelo rei D. João I a “Administra- devassado, com o desenvolvimento da mineração e do Dessa fase inicial, destacam-se as expedições de dor das Minas que encontrasse descobertas e por des- povoamento da região. Nesse rastro, foram se cons-Francisco Bruza Espinosa, 1553; Martim de Carvalho, cobrir”, em 1861, num entrevero fatídico com Manuel tituindo as fazendas que dariam o amparo logístico a1567; Sebastião Fernandes Tourinho, 1572; Antônio da Borba Gato que, com a morte do sogro Fernão Dias, esse verdadeiro “golden rush” que se deu nas terras mi-Dias, 1572 e Marcos de Azeredo, 1596 e 1611. Embo- se via investido de seus poderes e não estava disposto neiras. Uma delas, fundada em 1733 por Felipe Rodri-ra os achados dessa fase tenham sido irrisórios, foram a submeter-se a Castel Blanco, tido pelo mesmo como gues, teria papel primordial na gênese de Lagoa Santa.fundamentais para manter viva a fé nas riquezas escon- um usurpador.didas do interior. Se essa importante bandeira não atingiu seu obje- Cleito Pinto Ribeiro A partir da segunda metade do século XVII, estimu- tivo, a descoberta das míticas jazidas de esmeraldas e Historiador do Centro de Arqueologialadas por cartas régias emitidas pela Coroa com a pro- prata, estabeleceu um contato importantíssimo entre o Annette L. Emperaire e professor da E.E. Cecíliamessa de honrarias e mercês reais, uma grande leva período das entradas prospectoras e o descobrimento Dolabela Portela Azeredo CURIOSIDADES: O cachorro-vinagre Apontado por pesquisadores como um "fantas- Desde então, os relatos oficiais eram de rastros ma", o cachorro-vinagre (Speothos venaticus) foi filma- e do encontro de dois animais mortos. A filmagem do em outubro de 2012 no Parque Estadual Veredas do cachorro-vinagre ocorreu devido às armadilhas do Peruaçu, no norte de Minas. Arredio e com hábitos fotográficas, fruto da parceria entre o WWF-Brasil e o poucos conhecidos da Ciência, a espécie foi descrita Instituto Biotrópicos. em 1842 pelo dinamarquês Peter Wilhelm Lund. Fonte: noticias.terra.com.br 9 ... IN-SITU
  10. 10. Fotos: Cleito Pinto RibeiroExposição Terminal Rodoviário Lagoa Santa, Semana de Museus, Maio/2012 Museu e ações educativas:Restauro da Preguiça Gigante, Mauro Agostinho Chagas e Cleito Pinto Ribeiro uma nova forma de proteger o patrimônio P ensar em uma educação restrita às dependências escolares é uma concepção ultrapassada, desde o momento em que se percebeu que o conhecimento se tos trabalhados juntamente com as escolas, programas de educação inclusiva, produção de material audiovisu- al e publicações. Sendo assim, desenvolve um trabalho faz por processo construtivo e não por ação depositá- permanente de educação patrimonial com a finalidade ria, em que o indivíduo professor transmite o saber e o de construir o conhecimento a favor da proteção por sujeito aluno passivo absorve o conteúdo. Esta dinâ- vias sobre as quais a ação do sujeito é essencial para mica educativa já abandonou os ambientes escolares, o processo.Oficinas, Equipe CAALE, Iate Clube, Semana de Museus, Maio/2012 inaugurando uma era cuja educação constrói-se em É um intenso trabalho que envolve a capacitação qualquer lugar. permanente da equipe do museu através de leituras e Há tempos, os museus têm sido usados como es- participações em eventos referentes a tematicos afins. paços de construção do conhecimento, envolvendo Esta é a característica da promoção do processo edu- dinamicidade, criando possibilidades e incitando a re- cativo eficaz, que envolve todos os agentes, a equipe lação dialógica entre público e o material exposto, im- organizadora e, principalmente, o público alvo, cul- buído de significados. O papel educativo deste tipo de minando em um atendimento personalizado que visa instituição se baseia em uma metodologia voltada para atender às diversas expectativas. Observa ainda, na as expectativas do indivíduo e o conhecimento prévio, consecução desde trabalho, adequar-se as mais varia- que esse adquire em sua vivência como sujeito históri- das idades, séries, realidades socioculturais, formação co. Portanto, o museu deixa de ser um espaço restrito à educacional dentre outros. preservação da cultura imóvel e se torna uma instituição Os agentes envolvidos na promoção das ações mu- aberta aos anseios dos visitantes em consonância com seais do CAALE têm a tarefa de mediar a comunicação as exigências da modernidade, a fim de ressignificar as entre o indivíduo e o bem cultural, abraça a responsabi-Palestra de Rosângela Albano, na Faculdade de Medicina, abril/2012 interpretações referentes ao acervo. lidade de diminuir a distância existente entre o presen- O Centro de Arqueologia Annette Laming Emperaire te e o passado, possibilitando ser a história de Lagoa está em sintonia com esta relação íntima entre museu Santa o seu mais precioso bem cultural. e público, procurando diversificar o atendimento, pois O CAALE tem esta tarefa diante da sociedade, tra- sabe ele que o visitante está mais exigente e procura zer à tona os aspectos inerentes a uma diversificada o museu com o intuito de atender suas expectativas. cultura que começou a ser delineada há 11.500 anos, Fator este que não significa ser um processo de mão através de métodos que acompanham as mudanças única, já que o museu também vai até seu público com da modernidade, resgatando a história mais remota do propostas inovadoras. ser humano. As práticas educativas realizadas no CAALE são de- senvolvidas a partir de uma metodologia que varia dos moldes tradicionais de visitas orientadas até oficinas, Natália Gomes Turchetti brincadeiras, capacitação de professores, jogos, proje- Historiadora/Colaboradora- CAALEPalestra de Rosângela Albano, Palácio da Cultura, Matozinhos, Jun/12 IN-SITU ... 10

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