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LISTA DE ABREVIATURA/SIGLASCONAMA - Conselho Nacional do Meio AmbienteECO-92 - Conferência das Nações Unidas sobre o meio ...
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LISTA DE QUADROSQuadro 1 (Escola 1):Dificuldades para a implementação da EducaçãoAmbiental nas escolas pesquisadas...........
LISTA DE FIGURASFigura 1: O (As) docente(s) realizam ou não alguma ação para a preservaçãoambiental..........................
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4.1.3 Elaboração, organização e apresentação da dramatização ...............................                              ...
INTRODUÇÃO      Este estudo monográfico apresenta uma reflexão sobre a EducaçãoAmbiental nas escolas do campo de Itiúba-Ba...
de Itiúba, mas também que sua prática possa ser disseminada entre os seusmoradores, tanto do meio rural quanto da cidade. ...
CAPÍTULO I                           CAMINHOS PERCORRIDOS       Neste capítulo são apresentados os seguintes aspectos: a e...
leste, com o Oceano Atlântico. Conforme o Censo Demográfico de 2010, a Bahia    possui uma população de 14.021.432 habitan...
Ensino Fundamental I do 2º a 5º anos no turno matutino, Ensino Fundamental II do5º ao 9º anos, no turnos vespertino e notu...
procedimentos que levam a uma compreensão do fenômeno por meio de relatosdescritivos da vida social.       Desse modo, a p...
necessidade, que se faz urgente, de se cuidar do planeta Terra, bem como aformação de uma consciência que esteja respaldad...
CAPÍTULO II     REFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS E PRÁTICAS      No presente capítulo, serão abordados: conceit...
denunciar os estragos feitos pelo homem na natureza, é necessário um processo educativo, com atitudes pró-ambientais e soc...
referencial paradigmático e compromissos ideológicos que se manifestamhegemonicamente na construção da sociedade atual.   ...
O que acreditamos alcançar? Acreditarmos alcançar por meio dessa ampla    atividade o envolvimento das pessoas e que pela ...
Cabe, no contexto que se segue, e por ter uma relação mais próxima com aEducação Ambiental crítica, também o destaque do q...
acredita ser de fundamental importância “conhecer” os principais marcos daeducação ambiental no mundo, para que se possa e...
Grün (1996), por sua vez, afirma que:                    A educação ambiental não é algo assim tão novo, ela efetivou-se c...
estabelecem o marco referencial teórico e as grandes diretrizes de implementaçãoda educação ambiental formal.2.2.1 Educaçã...
sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever dedefendê-lo e preservá-lo para as presentes...
posteriormente recepcionada pela Constituição Federal de 1988, que incorporou oconceito de desenvolvimento sustentável, no...
currículos devem abranger o conhecimento do mundo físico e natural da realidadesocial e política, especialmente do Brasil....
2.3 As finalidades e princípios da Educação Ambiental      Educação sempre tem que ser pensada em três níveis. Educação nã...
A - É preciso considerar o princípio da unidade na diversidade, quando cadaser individual é parte do todo e esse todo está...
L - A Educação Ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores,atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade...
CAPÍTULO III       A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA E SUA CONTRIBUIÇÃO             PARA A SUSTENTABILIDADE DO CAMPO SEMIÁRID...
experiências de aprendizagem fora das salas de aula. Através de empresas eprojetos comunitários, com perspectiva que haja ...
mas que seja levado adiante, fundamentado pela cooperação, participação e pela    geração de autonomia dos atores envolvid...
Para discutir as questões ambientais, durante o processo de escolarização    de crianças e jovens, remonta a preocupação n...
a UNESCO, em 1974. O referido seminário considerou que a Educação Ambientalpassaria a fazer parte da Educação integral e p...
escola mude sua cultura, ou seja, a escola necessita tanto ser transmissora dossaberes, quanto ser um local dinâmico e abe...
4. Examinar as principais questões ambientais do ponto de vista local,regional, nacional e internacional;      5. Concentr...
período, foi criado o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), órgão compoder para propor normas ambientais, com força...
2. Carência de pesquisa para produzir, a exemplo de metodologiaspedagógicas e Educação Ambiental para o ensino formal.    ...
Roma” publicaram o estudo “Limites do crescimento”, no qual concluíram que sefossem mantidos os, então atuais, níveis de i...
cidades de campos saudáveis, sustentáveis, isto é, com a qualidade de vida.Gutierréz (1994) denomina desenvolvimento suste...
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  1. 1. vUNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIADEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS VIIPROGRAMA REDE UNEB - 2000 DONIVALDO FERREIRA DOS SANTOS ELICENILDE RIBEIRO BARROS EDNALDO RODRIGUES OJANA OLIVEIRA DA SILVAREFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA AS ESCOLAS DO CAMPO ITIÚBA - BAHIA 2012 0
  2. 2. DONIVALDO FERREIRA DOS SANTOS ELICENILDE RIBEIRO BARROS EDNALDO RODRIGUES OJANA OLIVEIRA DA SILVAREFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA AS ESCOLAS DO CAMPO Monografia apresentada ao Departamento de Educação - Campus VII da Universidade do Estado da Bahia, Rede UNEB 2000, como parte das exigências para a conclusão do curso de graduação Licenciatura em Pedagogia. Orientadora: Profª Drª Luzineide Dourado Carvalho. ITIÚBA - BAHIA 2012 1
  3. 3. DONIVALDO FERREIRA DOS SANTOS ELICENILDE RIBEIRO BARROS EDNALDO RODRIGUES OJANA OLIVEIRA DA SILVAREFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA AS ESCOLAS DO CAMPO Aprovada em: de de 2012. ___________________________________ Profª Drª Luzineide Dourado Carvalho Orientadora – UNEB/DCH III __________________________________ Francisca de Assis de Sá - Examinadora 1 ____________________________________ Alayde Ferreira Santos - Examinadora 2 ____________________________________ Donivaldo Ferreira dos Santos ____________________________________ Elicenilde Ribeiro Barros _____________________________________ Ednaldo Rodrigues_____________________________________ Ojana Oliveira da Silva 2
  4. 4. AGRADECIMENTOS A Deus - Suprema Inteligência do universo - por ter nos dado forças eiluminado nossos caminhos para que pudéssemos concluir este trabalho. À professora Drª. Luzineide Dourado Carvalho (orientadora), pela paciênciana orientação e por nos ter feito acreditar na realização desta empreita. Aos nossos familiares, amigos e amigas, esposas e esposos, pelo eternoorgulho de nossa caminhada, pelo apoio, compreensão, ajuda e, em especial, portodo carinho ao longo deste percurso. Aos professores e as coordenadoras do curso de Licenciatura em Pedagogia,Projeto Rede Uneb 2000 (Itiúba), que foram tão importantes na vida acadêmica detodos nós, promovendo-nos o conhecimento, suporte para o desenvolvimento destamonografia. Aos professores e alunos das escolas participantes da pesquisa,agradecemos pela confiança e colaboração. Aos nossos colegas de turma, aqueles que nos incentivaram e fortaleceramsempre a nossa crença. 3
  5. 5. “Se soubesse que o mundo sedesintegraria amanhã, ainda assimplantaria a minha macieira. O que meassusta não é a violência de poucos,mas a omissão de muitos.” (Martin Luther King) 4
  6. 6. LISTA DE ABREVIATURA/SIGLASCONAMA - Conselho Nacional do Meio AmbienteECO-92 - Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambienteEA - Educação AmbientalFMN - Fundo Mundial para a NaturezaINEP - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas EducacionaisIRPAA - Instituto Regional da Agropecuária ApropriadaLDB - Lei de diretrizes e Bases da EducaçãoLDBEN - Lei de diretrizes e Bases da Educação NacionalMEC - Ministério da Educação e CulturaMOC - Movimento de Organização ComunitáriaONU - Organização das Nações UnidasONG - Organização não governamentalPNE - Plano Nacional da EducaçãoPCN’s - Parâmetros Curriculares NacionaisSAB - Semiárido BrasileiroPNUMA - Programa das Nações Unidas para o meio ambienteRESAB - Rede de Educação do Semiárido BrasileiroUISN - União Internacional para Conservação da NaturezaUNEB - Universidade do Estado da BahiaUNINTER/FACINTER - Faculdade Internacional de CuritibaUNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e cultura v 5
  7. 7. LISTA DE TABELASTabela 1: A implementação da Educação Ambiental e a conscientização dosalunos e dos moradores das comunidades locais............................................... 62Tabela 2: O (As) docente(s) aplica(m) ou não, na sua prática pedagógica, oque é recomendado pelos PCNS........................................................................ 64Tabela 3: O (As) docente(s) tem (têm) conhecimento ou não dos temastransversais.......................................................................................................... 65Tabela 4: O (As) docente(s) aplicam a interdisciplinaridade na sala deaula....................................................................................................................... 66 vi 6
  8. 8. LISTA DE QUADROSQuadro 1 (Escola 1):Dificuldades para a implementação da EducaçãoAmbiental nas escolas pesquisadas...................................................................... 66Quadro 2 (Escola 2):.............................................................................................. 67 vii 7
  9. 9. LISTA DE FIGURASFigura 1: O (As) docente(s) realizam ou não alguma ação para a preservaçãoambiental................................................................................................................. 63Figura 2: Peça teatral (1º Ato)................................................................................. 68Figura 3: Peça teatral (2º Ato)................................................................................. 69Figura 4: Peça teatral (3º Ato)................................................................................. 71 8 viii
  10. 10. RESUMOO estudo monográfico tem como objetivo principal proporcionar uma reflexão,sobretudo dos professores e da comunidade estudantil, acerca da inserção daEducação Ambiental em todas as unidades de ensino de Itiúba, com ênfase para asescolas do campo, partindo-se da análise realizada nas Escolas Maria Clara deCarvalhal e Ginásio Municipal de Piaus, a fim de se verificar, principalmente osporquês das dificuldades da Educação Ambiental ser implementada no currículo dasreferidas escolas. Tal trabalho monográfico foi amparado pelos pressupostosteóricos de estudiosos neste assunto, a exemplo de Enrique Leff, Leonardo Boff eFritjof Capra, cujos conceitos fundamentais referentes à racionalidade ambiental,saber cuidar e interdependência ambiental foram apropriados para problematizar erefletir acerca de um novo pensar civilizacional na relação sociedade,desenvolvimento e natureza. A pesquisa foi de cunho qualitativo, pautando-se emestudos empíricos de campo, coparticipação, sensibilização e percepção ambiental,apresentando, dentre outros resultados, que são possíveis de ações para aimplementação da Educação Ambiental nas escolas do meio rural, como: apredisposição dos professores e alunos para a mesma, mas também avalia-se quemuitos obstáculos necessitam ser vencidos: a falta de uma melhor atuação dagestão escolar, a ausência de políticas públicas, a inexistência de capacitação dosprofessores, dentre outros. Considera-se, nas conclusões finais, que para a inserçãode uma Educação Ambiental nas escolas do campo se faz necessário investir noProjeto Político-pedagógico e no Currículo escolar, de forma contextualizada,dimensionando as particularidades e especificidades do campo, queconsequentemente propiciarão para que a questão ambiental adentre no cotidianodas unidades de ensino do município de Itiúba, seja do campo, seja da cidade, deforma interdisciplinar e transversal.PALAVRAS-CHAVE:Educação Ambiental; Escola rural; Novas práticas pedagógicas. ix 9
  11. 11. ABSTRACTThis monographic study it has as objective to provide a reflection, over all of theprofessors and the estudantil community, concerning the insertion of the AmbientEducation in all the units of education of Itiúba, with emphasis for the schools of thefield, breaking itself of the analysis of this research that was carried through in theSchools Clear Maria of Carvalhal and Municipal Gymnasium of Piaus, in order toverify itself, mainly the reasons of the difficulties of the Ambient Education in theresume of the related schools. Such monographic work was supported by theestimated theoreticians of studious in this subject, the example of Enrique Leff,Leonardo Boff and Fritjof Capra, whose basic concepts, respectively, of “ambientrationality”, “To know to take care of” and “ambient interdependence” had beenreviewed and reflected under the bias of the Ambient Education. The research was ofqualitative matrix, pautando itself in empirical studies of field, co-participation,sensitization and ambient perception. The research presents, amongst other results,aspects favorable to the implementation of the Ambient Education, such as: thepredisposition of the professors and pupils for the same one, and contrary, as: thelack of one better performance of the pertaining to school management, passing forthe absence of public politics and the inexistence of qualification of the professors. Itis considered, in the final conclusions, that the insertion of the Ambient Educationstops if it makes necessary to invest in the Project Pedagogical Politician andpertaining to school Resume e, consequentemente, the ambient question to adentrarin daily of all the units of education of the city of Itiúba of form to interdisciplinar andtransversal line.PALAVRAS-CHAVE: Ambient education; Rural school; New practical pedagogical. x 10
  12. 12. SUMÁRIOLISTA DE ABREVIATURAS/SIGLAS.................................................................... vLISTA DE TABELAS.............................................................................................. viLISTA DE QUADROS............................................................................................ viiLISTA DE FIGURAS.............................................................................................. viiiRESUMO................................................................................................................. ixABSTRACT............................................................................................................ xSUMÁRIO.............................................................................................................. xiINTRODUÇÃO........................................................................................................ 13CAPÍTULO I............................................................................................................ 15CAMINHOS PERCORRIDOS: Processos metodológicos e procedimentosdo estudo............................................................................................................... 15CAPÍTULO II........................................................................................................... 20REFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS E PRÁTICAS............ 202.1 Conceitos de Educação Ambiental............................................................... 202.1.1 Educação tradicional/conservadora.......................................................... 212.1.2 Educação Ambiental Crítica e Contextual................................................ 212.2 Um breve relato histórico da Educação Ambiental.................................. 242.2.1 Educação Ambiental no contexto mundial............................................... 272.2.2 O Brasil no contexto histórico da Educação Ambiental......................... 272.3 As finalidades e princípios da Educação Ambiental................................... 31CAPÍTULO III..................................................................................................................... 34A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA ASUSTENTABILIDADE DO CAMPO SEMIÁRIDO............................................................ 343.1 Educação Ambiental no contexto escolar................................................... 343.2 Educação Ambiental e sustentabilidade...................................................... 423.3 Educação Ambiental e o semiárido.............................................................. 463.3.1 O contexto das escolas do campo do semiárido..................................... 56CAPÍTULO IV..................................................................................................................... 60PERCEPÇÕES E ANÁLISES DA PESQUISA NAS ESCOLAS MARIA CLARA DECARVALHAL E GINÁSIO MUNICIPAL DE PIAUS.......................................................... 604.1 Desenvolvimento das atividades nas escolas-campo............................................ 604.1.1 Metodologia da pesquisa de campo...................................................................... 604.1.2 Interpretação dos dados coletados....................................................................... 61 xi 11
  13. 13. 4.1.3 Elaboração, organização e apresentação da dramatização ............................... 684.1.4 Comentários dos professores e depoimentos dos alunos................................. 734.2 Resultados identificados sobre implementação da Educação Ambiental........... 734.2.1 Favoráveis................................................................................................................ 734.2.2 Contrários................................................................................................................ 74CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................. 75REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 78APÊNDICES...................................................................................................................... 83Apêndice 1 - Questionário aplicado aos (as) docentes................................................ 84Apêndice 2 - Atividade realizada.................................................................................. 85 xii 12
  14. 14. INTRODUÇÃO Este estudo monográfico apresenta uma reflexão sobre a EducaçãoAmbiental nas escolas do campo de Itiúba-Bahia, tendo como análise de pesquisa oGinásio Municipal de Piaus (Povoado Piaus) e a Escola Maria Clara de Carvalhal(Povoado Fazenda Nova). Considerando a escola como o principal expoente para o desenvolvimento daaprendizagem, um alicerce da vida social e cultural, bem como um espaço propíciopara o despertar do senso crítico e da conscientização de seus discentes edocentes, procuraremos com essa proposta a seguinte investigação: Quais são asquestões que dificultam a implantação da Educação Ambiental nos projetos político-pedagógicos das referidas escolas? Cabe, a priori, afirmar que não temos dúvida de que inserir uma propostareflexiva acerca da Educação Ambiental no ensino-aprendizagem dessas escolas épromover, mais frontalmente, dentre outros aspectos, tanto o desenvolvimentointelectual dos professores e alunos, quanto alertá-los para a necessidade dapreservação dos recursos naturais existentes no nosso município. Sabemos das constantes agressões praticadas contra o meio ambiente nomundo como um todo e no município de Itiúba essa realidade se mostra cada vezmais frequente. O meio rural deste município demonstra não estar isento dasagressões humanas, proveniente de um modelo de desenvolvimento desigual edegradador, que se faz presente em todos os espaços mundiais e locais.Convivemos, cotidianamente, com tais situações, como: as queimadas, osdesmatamentos, a caça predatória, além do acúmulo de lixo, o que requer, de outromodo, uma mudança de postura de muitos dos nossos munícipes. A escolha pelo tema em questão foi em decorrência da nossa vivência, poismoramos na zona rural, lecionamos em escolas dessa localidade e observamos, noseu dia a dia, fatos que ocorrem e vão se repetindo, trazendo ressonâncias, exigindopouco a pouco posicionamentos de nossa parte. Por outro lado, procuramos, comoeducadores atuantes, aproveitar dessa oportunidade para chamar a atenção quantoao perigo das destruições praticadas nas comunidades rurais, visando começar peloespaço educativo dessas duas unidades de ensino e, esperançosos, de outra forma,de que a Educação Ambiental, imediatamente, seja não só inserida no projetopolítico-pedagógico e no currículo de todas as escolas da rede municipal de ensino 13
  15. 15. de Itiúba, mas também que sua prática possa ser disseminada entre os seusmoradores, tanto do meio rural quanto da cidade. Deve ser ressaltado que o referido enfoque é muito abordado em trabalhos daliteratura científica acadêmica, tendo divulgação constante em todos os meios decomunicação, sobretudo porque a destruição dos recursos naturais pode terconsequências irreversíveis na vida de todos os habitantes do planeta Terra, ouseja, a questão ambiental deve ser um problema pensado por todos, para resolvê-laou minimizar os efeitos já avançados da degradação, a partir de ações por parte detodos nós, deve-se pensar a partir do contexto local. Nesse sentido, inserir aEducação Ambiental desde cedo no currículo estimulará uma nova geração a pensare agir de forma sustentável. 14
  16. 16. CAPÍTULO I CAMINHOS PERCORRIDOS Neste capítulo são apresentados os seguintes aspectos: a exposição dosobjetivos geral e específicos, em seguida, a caracterização do estado da Bahia, domunicípio de Itiúba e das comunidades das escolas que participaram da aludidapesquisa, sequenciando, a descrição do que compôs a metodologia e, finalmente, oregistro das partes, ou seja, os capítulos que formam esta monografia. Dessa forma, a pesquisa tem os seguintes objetivos:OBJETIVO GERAL Verificar, através do diagnóstico participativo, os porquês das dificuldadespara a inserção da Educação Ambiental no currículo escolar das unidades de ensinoGinásio Municipal de Piaus e Escola Maria Clara de Carvalhal.OBJETIVOS ESPECÍFICOS 1º) Refletir sobre a Educação Ambiental e a sua sustentabilidade. 2º) Criar atividades de pesquisa, buscando saída que envolva levantamentodas hipóteses e das expectativas prévias. 3º) Fazer uma comparação entre as informações obtidas em ambas escolas. Dando continuidade a essa abordagem, deve ser afirmado que antes daexposição dos processos metodológicos e dos procedimentos de estudospropriamente ditos, mesmo que de uma forma sintética, necessário se faz umaabordagem, procurando caracterizar o estado da Bahia, o município de Itiúba e asrespectivas comunidades das escolas escolhidas como campo de pesquisa. O estado da Bahia é o maior da Região Nordeste do Brasil e o quinto do país em extensão territorial. Sua área de 564.692,67 km 2,3 corresponde a 36,3% da Região e a 6,6% do país. Geograficamente, a sua localização tem as seguintes coordenadas: 8º30’ a 18º30’ latitude sul e 37º30’ a 46º30’ longitude oeste. Limita- se, ao norte, com os estados do Piauí, de Pernambuco, Alagoas e Sergipe; a oeste, com Goiás e Tocantins; ao sul, com Minas Gerais e Espírito Santo, e, a 15
  17. 17. leste, com o Oceano Atlântico. Conforme o Censo Demográfico de 2010, a Bahia possui uma população de 14.021.432 habitantes.1 O município de Itiúba situa-se na região semiárida do Estado da Bahia, naMicrorregião de Senhor do Bonfim e na mesorregião do Centro Norte Baiano a 383,1km de Salvador. Possui uma área de 1737,8 km 2 e uma população de 36.112habitantes, segundo o último Censo do IBGE, realizado em 2010. A sua economiatem como base a agricultura, com culturas de milho e feijão; a pecuária, comcriações de ouvinos e caprinos, além da equicultura. Por localizar-se no polígonodas secas, o êxodo rural é uma realidade constante. Do ponto de vista histórico,originou-se a partir de uma fazenda chamada “Salgada”, situada no sopé da Serrade Itiúba. Com referência aos aspectos educacionais, Itiúba conta com uma redemunicipal formada por 9.266 alunos matriculados, com 478 professores, com 81unidades de ensino em funcionamento, sendo 68 escolas e 13 creches. Na rede deensino municipal há os seguintes níveis de ensino: Educação Infantil e EnsinoFundamental e a na rede estadual de ensino, o Ensino Fundamental e Curso médio.Há duas faculdades na sede do município, a “UNEB 2000”, (específica paraformação em Pedagogia, 100 professores de 1ª a 4ª série) e a 2UNINTER/FACINTER, com cursos de Administração e Pedagogia. Itiúba é formada pela sede (zona urbana) e mais 12 povoados (zona rural),dentre os quais, estão Piaus e Fazenda Nova. Essas localidades, que possuem asescolas escolhidas para a pesquisa dessa monografia, são comunidades formadaspor pequenos lavradores e pecuaristas e em Piaus, mais especificamente, além dasatividades citadas, é praticada a atividade pesqueira. Em Piaus, como campo de pesquisa foi escolhido o Ginásio Municipal e naFazenda Nova, a Escola Maria Clara de Carvalhal, que se localizam na zona rural. OGinásio Municipal de Piaus está situado na Avenida Clériston Andrade, 509,Povoado de Piaus(Itiúba-Bahia), funcionando com 8 salas, nos turnos matutino,vespertino e noturno, atendendo as modalidades de ensino: Educação Infantil e1 http://www.irpaa.org/publicacoes/artigos/edilene-disserta-o-final-dep-sito7-1-.pdf - Acessado em 17/11/2011.2 Relatório de Dados Educacionais, Socioeconômicos, Geográficos e Culturais do Município de Itiúba, 2011, p. 3 – Secretaria Municipal de Educação deItiúba. Edição Seduc Itiúba. Pesquisa feita em 17/11/2011. 16
  18. 18. Ensino Fundamental I do 2º a 5º anos no turno matutino, Ensino Fundamental II do5º ao 9º anos, no turnos vespertino e noturno com Educação de Jovens e Adultos.Essa unidade de ensino possui 574 alunos e seu corpo docente é composto por 20professores. A Escola Maria Clara Carvalhal funciona com duas salas, nos turnosmatutino e vespertino, atendendo às modalidades de Educação Infantil e EnsinoFundamental I. Essa unidade de ensino possui 70 alunos e seu corpo docente écomposto por 4 professores. São abordados, a partir deste parágrafo, os procedimentos de estudo e osprocessos metodológicos adotados: a escolha da pesquisa utilizada, os sujeitos dapesquisa, os instrumentos utilizados, o período de realização da coleta de dados,bem como o método utilizado, o porquê da escolha, a apresentação dos conceitos-chave e os autores escolhidos como referencial teórico. Foi escolhida a pesquisa qualitativa, uma vez que ela se apresenta comoideal para esse trabalho científico, isto porque envolve a observação intensiva e delongo tempo num ambiente natural, o registro preciso e detalhado do que aconteceno ambiente, bem como a interpretação e análise de dados utilizando descrições enarrativas. Para Hagette (1987. p. 55): A pesquisa qualitativa constitui-se em outra modalidade de pesquisa que difere das pesquisas quantitativas em função da natureza dos problemas abordados que exigem uma compreensão mais aprofundada dos fenômenos sociais e dos objetivos da pesquisa. Assim, enquanto “os métodos quantitativos supõem uma população de objetos de observação comparável entre si [...] os métodos qualitativos enfatizam as especificidades de um fenômeno em termos de suas origens e sua razão de ser. Ludke e André (1986, p. 22) afirmam que a pesquisa qualitativa não parte deum esquema fechado, visto que “dá abertura para a realidade, tentando captá-lacomo ela é realmente e não como gostaria que fosse”. Dessa forma, essa pesquisaprevê a demonstração de hipóteses, em geral, que se mantêm dentro de esquemasfechados, limitando a ação do pesquisador ao âmbito do projeto original. Foi utilizada também a pesquisa participante num enfoque fenomenológico,isso se fez necessário devido à mesma se enquadrar dentro do contexto observado.A esse respeito Boss (1979, p.3-4) afirma que o método fenomenológico caracteriza-se pela ênfase ao “mundo da vida cotidiana” – um retorno à totalidade do mundovivido. Esse método, segundo ele, possui uma abordagem que não se apega tãosomente às coisas factualmente observáveis, mas visa a “... penetrar seu significadoe contexto com um refinamento e previsão sempre maiores”, utilizando-se de 17
  19. 19. procedimentos que levam a uma compreensão do fenômeno por meio de relatosdescritivos da vida social. Desse modo, a pesquisa participante num enfoque fenomenológico foi degrande valia, uma vez que propiciou percepções e significados do que é educaçãoambiental para os professores e para os alunos. Para tanto, usou-se a sensibilizaçãoambiental por meio do teatro, da coparticipação, da escuta sensível por meio deentrevistas e de depoimentos dos docentes, fazendo-os participarem do teatro deforma envolvente, etc.. Procurou-se, de outra forma, observar as escolas-campodentro do contexto da comunidade e de como essas estão interligadas, as quaisproporcionaram a sistematização das informações da coleta de dados com osconceitos que fundamentam a educação ambiental, o que favoreceu a umacoerência, a análise e comparação da teoria e prática/realidade estudadaempiricamente. Quanto aos sujeitos da pesquisa, participaram 9 (nove) professores, sendo 3(três) da Escola Maria Clara de Carvalhal e 6 (seis) do Ginásio Municipal de Piaus,os quais possuem idade entre 20 a 55 anos e a maioria desses é concluinte deensino superior. Foram desenvolvidas atividades, contemplando o tema em pauta,com grande parte dos alunos das duas escolas. Como instrumento da pesquisa foi aplicado um questionário com 9 (nove)questões (de múltipla escolha) aos professores. Também foi desenvolvida umaatividade (apresentação de peça teatral, com dinâmicas) com os alunos das duasescolas. Foi utilizada, com fins de registro, uma máquina fotográfica, objetivando,com isso, captar maiores detalhes, durante os dias definidos para a realização destapesquisa (Apêndice 01 e 02, p. 83-93). No que refere à coleta de dados, a referida pesquisa de campo foi realizadano período de 09 de novembro a 25 de novembro de 2011, seguindo-se de umaobservação participativa, que possibilitou uma visualização mais ampla de questãoem foco (Apêndice 01 e 02, p. 83-93). O método utilizado foi a pesquisa de campo, com a realização de um estudode caso, e a escolha do mesmo foi porque, com ele, pode ser estabelecido umcontato direto com o objeto pesquisado, bem como é esse capaz de estimular ainterpretação e o entendimento sobre as questões em estudo. Os conceitos-chaveforam definidos, partindo-se da abordagem da “Educação Ambiental como umapossibilidade para a preservação dos recursos naturais”, focalizando, em especial, a 18
  20. 20. necessidade, que se faz urgente, de se cuidar do planeta Terra, bem como aformação de uma consciência que esteja respaldada no respeito à interdependênciaambiental. Com isso, estabeleceu-se, como referencial teórico para este trabalho, asconcepções dos estudiosos Leonardo Boff, Enrique Leff e Fritjof Capra. Cabe, por último, o registro de que o referido trabalho monográfico estádividido em capítulos, estruturados da seguinte forma: No presente ou primeiro capítulo, há uma abordagem sobre os “Caminhospercorridos: percursos metodológicos e procedimentos do estudo”. No segundo capítulo, é apresentada uma exposição sobre o seguintesubtítulo: “Refletindo a educação ambiental: princípios e práticas”, quando, dentreoutros assuntos, foram enfocados conceitos e tipos de Educação Ambiental, bemcomo sua contextualização no Brasil e no mundo. A abordagem do terceiro capítulo está centrada no seguinte subtítulo “Aeducação ambiental na escola e sua contribuição para a sustentabilidade do camposemiárido”, focando assuntos, como: A Educação Ambiental no contexto escolar;Educação Ambiental e sustentabilidade; Educação Ambiental e o semiárido, bemcomo o contexto das escolas do campo do semiárido. No quarto capítulo consta “Percepções a análises das pesquisas nas escolas”. Por fim, há o registro das “Considerações finais”, apontando como fatoresrelevantes desta pesquisa, em meio a outros, a possibilidade de uma reflexão acercada implantação da Educação Ambiental nas escolas na rede municipal de Itiúba. 19
  21. 21. CAPÍTULO II REFLETINDO A EDUCAÇÃO AMBIENTAL: PRINCÍPIOS E PRÁTICAS No presente capítulo, serão abordados: conceitos e tipos de EducaçãoAmbiental; um breve relato histórico da Educação Ambiental; Educação Ambientalno contexto mundial; o Brasil no contexto histórico da Educação Ambiental, bemcomo as finalidades e princípios da Educação Ambiental. Esses assuntos são degrande importância, pois além de atender a um dos objetivos específicos, que épropor uma reflexão sobre a Educação Ambiental, de outra forma, abarcam, commaior abrangência, as questões ambientais, fundamentando a discussão e análisesobre o tema proposto.2.1 Conceitos de Educação Ambiental A Educação Ambiental é um processo permanente no qual os indivíduos e acomunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos,habilidades, experiências, valores e a determinação que os tornam capazes de agir,individual ou coletivamente, buscando soluções para os problemas ambientais,presentes e futuros (UNESCO, 1987). Outro conceito que merece ser destacado é que Educação Ambiental é o processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política (MOUSINHO, 2003). De acordo com Varine (2000, p. 62), "a natureza é um grande patrimônio da sociedade. Consequentemente, a Educação Ambiental se torna uma prática social, com a preocupação da preservação dessa sua riqueza". Demonstra, com isso, o autor que, se o meio ambiente está sendo atacado, agredido, violentado, devendo- se isso ao veloz crescimento da população humana, que provoca decadência de sua qualidade e de sua capacidade para sustentar a vida, não basta apenas 20
  22. 22. denunciar os estragos feitos pelo homem na natureza, é necessário um processo educativo, com atitudes pró-ambientais e sociais. Diante dos conceitos apresentados, é preciso ressaltar a importância de sesaber identificar os conceitos de Educação Ambiental, basta considerar a distinçãoentre a definição de Educação (formal, no seu sentido mais amplo) e EducaçãoAmbiental. Enquanto a Educação, segundo Ferreira (1986, p. 619): “é o processo dedesenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do serhumano em geral, visando à sua melhor integração individual e social”, a EducaçãoAmbiental tem um conceito mais específico, ou seja, parte da concepção de que oseu conteúdo e prática educacional são voltados para a resolução de problemasconcretos do meio ambiente, evidentemente que devem ser considerados, nessecontexto, os enfoques interdisciplinares e a participação ativa do indivíduo bemcomo da coletividade. 2.1.1 Educação tradicional/conservadora A Educação Ambiental conservadora, perspectiva que vem se consolidando perante a sociedade, ao se colocar inapta de transformar uma realidade (é vista como um dos mecanismos de reprodução), conserva o movimento de constituição da realidade de acordo com os interesses dominantes, a lógica do capital (GUIMARÃES,2004). Diante disso, por se opor à Educação Ambiental conservadora, pressupõe-se a importância de se focar a Educação Ambiental Crítica. 2.1.2 Educação Ambiental Crítica e Contextual A Educação Ambiental Crítica é assim conhecida, por se opor a algo que já existe, mas, que deve ser ampliada. De acordo com Guimarães (2004), Educação Crítica diferencia de uma ação educativa, porque a mesma está respaldada na contribuição e transformação de uma realidade que, historicamente, se coloca em uma grave crise socioambiental. Isto porque vem se consolidando perante a sociedade como uma perspectiva de educação ambiental que reflete uma compreensão e uma postura educacional e de mundo, subsidiada por um 21
  23. 23. referencial paradigmático e compromissos ideológicos que se manifestamhegemonicamente na construção da sociedade atual. Essa perspectiva de substanciar-se nos paradigmas constituintes econstituídos pela sociedade moderna os reproduz em sua ação educativa. Sendoassim, não supera, por exemplo, o cientificismo cartesiano e o antropocentrismoque informam a compreensão e ação sobre o mundo e que historicamente seconstitui hegemônica na sociedade moderna. “É essa visão social de mundo”(LÖWY, 1994), que sustenta uma relação desintegrada entre sociedade e naturezabaseada na dominação e espoliação da primeira sobre a segunda, pilares da criseambiental da atualidade. Educação não significa necessariamente dizer que essa (re) significação dealgo anterior seja decorrente de uma evolução do conhecimento ouaperfeiçoamento metodológico, ou outro desenvolvimento qualquer, partindo de ummesmo referencial. Educação Ambiental é uma contraposição a algo que já existecomo forma de superação. Essa educação ambiental busca, a partir dos mesmosreferenciais constitutivos da crise, encontrar a sua solução. Considerando o que é abordado por Guimarães (2004), Educação AmbientalCrítica é o oposto da educação já existente, já que a Educação Ambiental Críticabusca uma ação diferenciada e inovadora, visando uma conscientização dahumanidade para que possa reconhecer que agredir o meio ambiente põe emperigo a sobrevivência da sua própria espécie. Dessa forma, a Educação AmbientalCrítica se propõe a desenvolver a realidade, para que continuando neste propósito,possa contribuir na transformação da sociedade atual, assumindo de formainalienável a sua dimensão política. Na educação formal, de certa forma, esse processo educativo não se bastaapenas dentro de uma escola, o que explicita a interface entre esta EducaçãoAmbiental e a Educação popular. Sabendo a própria gravidade da crise ambiental para a manutenção da vidano planeta e a emergência do enfrentamento dessa crise, não há como pensar emum público privilegiado ao qual a Educação Ambiental deva se destinar. Esseprocesso educativo se dá na adesão ao movimento da realidade socioambiental,numa relação dialética de transformação do ser humano. O público da EducaçãoAmbiental Crítica é a sociedade formada por seus atores individuais e coletivos emtodas as faixas etárias. 22
  24. 24. O que acreditamos alcançar? Acreditarmos alcançar por meio dessa ampla atividade o envolvimento das pessoas e que pela relação de poder dos mecanismos, ideias estruturantes da realidade se instrumentalizem para uma inserção política no processo de transformação da realidade socioambiental. Neste processo pedagógico se estará promovendo a formação da cidadania, na expectativa do exercício de um movimento coletivo conjunto, gerador de mobilização (ação em movimento), para a construção de uma nova sociedade ambientalmente sustentável. Essa prática deve ser diferenciada, dinâmica, com esforço representado pela coletividade, caracterizando a partir de suas diferentes adjetivações um processo de formação de uma postura teórica de uma Escola Brasileira de Educação Ambiental. Isso significa que precisamos, mergulhado nessa correnteza paradigmática, construir esse movimento coletivo conjunto, que tenha sinergia para resistir e que, nessa contraposição (luta hegemônica), busquemos alargar as brechas e contradições da estrutura dominante, fragilizando- a, para assim, interferimos na construção de uma nova realidade. A Educação Ambiental Crítica tem como objetivo promover ambientes educativos de mobilização desses processos interventivos sobre a realidade e seus problemas socioambientais, para que possamos nestes ambientes superar as armadilhas paradigmáticas e propiciar um processo educacional. Esse processo vem gerando, predominantemente, ações educativas reconhecidos no cotidiano escolar como Educação Ambiental e que, por essa armadilha paradigmática na qual se aprisionam os (as) professores (as), apresenta- se fragilizada em sua prática pedagógica. As práticas resultantes, por não serem conscientes, levam a não fazer diferente, tendo e produzindo o fazer pedagógico tradicional, inebriando a perspectiva crítica e criativa no processo pedagógico, produzindo dominantemente na realidade escolar uma Educação Ambiental de caráter conservador, ou seja, limitados por uma compreensão de mundo moldado pela racionalidade hegemônica, geram-se práticas, entre elas, a ação discursiva, incapazes de fazer diferente do “caminho único” prescrito por essa racionalidade, efetivando-se a hegemonia. 33 www.bvambientebf.uerj.br/arquivos/edu.../popups/n_universal.htm.Google. Acessado em 18/10/2011. 23
  25. 25. Cabe, no contexto que se segue, e por ter uma relação mais próxima com aEducação Ambiental crítica, também o destaque do que vem a ser uma educaçãocontextualizada, pois é ela compreendida como uma proposta de ensino cujo focoestá direcionado à abordagem dos conteúdos em sala de aula, que contemplam oselementos sociais, culturais e ambientais, próprios do meio em que os alunos estãoinseridos. Essa proposta educacional não só aproxima educadores e educandos e aregião em que esses vivem, mas também estimula a valorização das especificidadese potencialidades locais. A esse respeito, pode-se afirmar que a educaçãocontextual reflete a Educação Ambiental contextual, ao se conceber que acontextualização envolve a comunidade, os saberes locais, a participação dosproblemas locais e mundiais. Nessa perspectiva, basta uma reflexão sobre oconceito de Educação Ambiental, de Gonçalves (1990), para que se possacompreender a inter-relação que há entre as duas propostas educacionais citadas: A Educação Ambiental não deve ser entendida como um tipo especial de educação. Trata-se de um processo longo e contínuo de aprendizagem de uma filosofia de trabalho participativo em que todos: família (escola e comunidade) devem estar envolvidos. O processo de aprendizagem de que trata a Educação Ambiental não pode ficar restrito, exclusivamente, à transmissão de conhecimentos, à herança cultural do povo a geração mais nova ou a simples preocupação com a formulação integral do educando, inserido em seu contexto social. Deve ser um processo de aprendizagem centrado no aluno, gradativo, contínuo e respeitador de sua cultura e de sua comunidade. Deve ser um processo crítico, criativo e político, com preocupação de transmitir conhecimentos a partir da discussão e avaliação crítica dos problemas comunitários e também da avaliação feita pelo aluno, de sua realidade individual e social nas comunidades em que vive (GONÇALVES, 1990, p.125). Diante dessa definição sobre Educação Ambiental, vale afirmar que aeducação contextual caminha junto com a Educação Ambiental, por visar àintegração de educadores e educandos, por responder aos anseios dos alunos e dacomunidade, por despertar para a convivência, entre todos, dos saberes e osvalores sociais, históricos e culturais de cada localidade, por ser voltar a umaproposta que revela também aspectos da Educação Ambiental Crítica. 2.2 Um breve relato histórico da Educação Ambiental Será feito um pequeno relato histórico das ações internacionais e nacionais,que são denominadas marcos para Educação Ambiental em nosso país, pois se 24
  26. 26. acredita ser de fundamental importância “conhecer” os principais marcos daeducação ambiental no mundo, para que se possa entender a sua repercussão napolítica educacional brasileira. Dias (1994) relata que grande parte do interesse relacionado ao meio ambiente nasceu na década de 1960, quando a sociedade de consumo atingia seu auge. A partir da 2ª guerra mundial, e desde que começaram a serem percebidos os impactos ambientais - que se seguiu com a escassez dos estoques energéticos, dos recursos naturais e de fortes indícios de poluição ambiental, motivados por atividades industriais de países ricos – surgiu uma necessidade de que a questão ambiental fosse colocada com intensidade para a sociedade. Segundo Dias (2003), esses acontecimentos desencadearam internacionalmente uma grande preocupação sobre a perda da qualidade de vida, em termos cronológicos e mundiais. A primeira vez que se empregou o termo Educação Ambiental foi em evento de educação promovido pela Universidade de Keele, na (Grã–Bretanha), os ingleses fundaram a sociedade de Educação Ambiental. Ainda em 1968, a delegação da Suécia, na organização das nações unidas (ONU), alertou a comunidade internacional para a crescente crise ambiental provocada pelo modelo de desenvolvimento do Brasil. Em 1970, foi aprovada nos Estados Unidos a lei sobre a Educação Ambiental, sendo a primeira nação a tomar essa decisão. A partir de então, a questão ambiental se impôs na agenda dos governantes dos países desenvolvidos dando início às grandes conferências e eventos internacionais para discutir os problemas ambientais, elaborar propostas e planos de ação. Ainda em 1972, como relata Dias (2003), com a conferência de Estocolmo (Suécia), primeira conferência mundial sobre meio ambiente humano, realizado pela ONU, a questão ambiental passa a ser tratada em âmbito internacional. Ela é considerada um marco histórico e político internacional decisivo para o surgimento de políticas de gerenciamento ambiental. Reigota (1994, p.15), destaca que a partir daí “surge o que se convencionou chamar de educação ambiental” e Medina (1994, p.19), complementa que a “educação ambiental passou a ser considerada como campo de ação pedagógica, adquirindo relevância e vigência internacional”. 25
  27. 27. Grün (1996), por sua vez, afirma que: A educação ambiental não é algo assim tão novo, ela efetivou-se como uma preocupação no âmbito da educação, há mais ou menos, duas décadas a emergência da crise ambiental como uma preocupação específica da educação, foi precedida de certa ecologização das sociedades (p.15). A Educação Ambiental deve cooperar com o diálogo, promovendo sempre,a partir de trabalhos coletivos entre indivíduos e instituições, com a finalidade decriar novos modos de viver baseados em atender às necessidades básicas detodos, sem distinções étnicas, físicas, de gênero, idade, religião ou classe. Considera-se que a preparação para as mudanças necessárias depende decompreensão da coletividade em relação à natureza sistêmica das crises queameaçam o futuro do planeta Terra. As primeiras causas, como: o problema doaumento de pobreza, da violência, da degradação humana e ambiental; essaspodem ser reconhecidas no modelo de civilização dominante, que se baseia emsuperprodução, aumento de capitalismo, super consumo para uns e emsubconsumo e falta de condições por parte da grande maioria. Através da publicação de manuais e de volume que buscam conceituar oque é Educação Ambiental, bem como dos programas organizados pelas ONGspara promover ações de educação ambiental, verifica-se a perda da dimensãocomplexa que dá origem ao próprio movimento ambientalista. A esse respeito,pode-se citar: algo que pode ser considerado inerente à Educação Ambientaldiante do respeito pela diversidade de realidades locais, surpreendentemente, aporcentagem de (3,2) dos trabalhos de educação ambiental em curso podem serconsiderada pouco significativa. As ações voltadas à compreensão do meio natural por meio dos chamados“estudos do meio”, principalmente nas atividades escolares, as dinâmicas sobrereciclagem e lixo, a escrita multirrelacional entre disciplinas afins são, grosso modo,aquilo que em geral se desenvolve sob o rótulo de objetos, frascos, garrafas, latas,etc.. A partir dessas e de outras atividades, pode-se instruir, informar e educaressas e as futuras gerações, através da Educação Ambiental, a exemplo dodestaque, em muitos projetos, sobre a introdução da educação ambiental nocurrículo, o que se apresenta como uma solicitude de criação de disciplina. Talevidência revela-se preocupante, porque não são devidamente mostradas ascaracterísticas essenciais da educação ambiental, e, ao mesmo tempo, dosdocumentos oficiais nacionais e internacionais, que desde o ano de 1977, 26
  28. 28. estabelecem o marco referencial teórico e as grandes diretrizes de implementaçãoda educação ambiental formal.2.2.1 Educação Ambiental no contexto mundial Após analisar a história da humanidade, pode-se notar que o relacionamentodo homem com a natureza nem sempre tem sido de forma respeitosa, gerandodesde o principio da civilização várias crises ecológicas. Depois da segunda guerra mundial, em 1945, o tema meio ambiente começaa aparecer no cenário mundial. Grün (1996) nos lembra que é a partir da segundaguerra mundial que os seres humanos adquirem então a autoconsciência dapossibilidade de destruição completa do planeta. Após o dia 6 de agosto de 1945, omundo não seria o mesmo. Ironicamente, a bomba plantava as primeiras sementesdo ambientalismo contemporâneo. A partir desse acontecimento histórico, que marcou a primeira metade doséculo XX, a questão ambiental passou a aparecer nos discursos dos movimentosambientalistas e também da sociedade civil no mundo inteiro, aspectosdenominados por Grün (1996) de “ecologização” da sociedade. De acordo com Loureiro (2003), vários acontecimentos ocorridos na décadade 1950 e 1960, dentre eles, a contaminação do ar em Londres e Nova York e1960, de casos fatais de intoxicação com mercúrio em Mina mata e Nugata, 1953 e1965, mortes de aves pelos efeitos secundários do agrotóxico são antecedentes dacrise ambiental da década de 1970. Nesta época não se falava ainda em EducaçãoAmbiental, mas diversos acontecimentos evidenciaram uma preocupaçãocrescente com a questão ambiental na década de 60 e no início de 1970, quando omundo começou a assistir a uma grande movimentação no sentido de resgatarvalores básicos para uma convivência duradoura com o ambiente.2.2.2 O Brasil no contexto histórico da Educação Ambiental A Educação Ambiental apareceu na legislação brasileira pela primeira vez,de forma integrada, a partir da lei 6.938, de 1981, que instituiu a política nacionalde meio ambiental. De acordo com a Constituição atual, todos têm direito ao meioambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo essencial à 27
  29. 29. sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever dedefendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Em 1991, iniciou a institucionalização da educação ambiental no MEC, pelaportaria 678, estabelecendo que a educação ambiental deve ser inserida noscurrículos dos diferentes níveis e modalidades de ensino. Em 1977, foram lançadosos Parâmetros Curriculares Nacionais, que tem como um dos temas transversais omeio ambiente. É de fundamental importância frisar que, em meio à descriçãoverificada com a preocupação ambiental, a partir de 1983, a primeira ministra daNoruega Sagro Bruna iniciou, com o grupo de experts, a redação de um relatóriomundial, analisando as principais questões sobre meio ambiente e o título de“nosso futuro comum”, esse documento passaria a servir como referencial para osdebates a serem consolidados na realização de Rio 92 ou ECO 92. A ECO 92 apresentou princípios mostrando que a educação ambiental não éisolada, mas ideológica. É ação política, devendo politizar e envolver umaperspectiva holística, enfocando relação entre o homem, a natureza e todouniverso de forma interdisciplinar; a educação ambiental deve tratar de questõescríticas globalizadas e amplas, em contexto social e histórico. Apresentar aspectosprimordiais direcionados para o meio ambiental X desenvolvimento, como: saúde,população, paz, direitos humanos, democracia, fome, degradação da flora e dafauna, que devem ser abordadas de maneira criativa. A Educação Ambiental surgiu, assim, definitivamente em vários textos legaisantes das conferências citadas, tal como no código florestal, instituído pela Lei4.771 de 1965, que decreta a semana florestal a ser comemorada obrigatoriamentenas escolas e outros estabelecimentos públicos (art. 43), iniciativas de EducaçãoAmbiental de caráter episódico e isolado geram impactos reduzidos, quando nãonulos, sobre aqueles objetivos mencionados ainda há pouco. Via de regra, elasficam restritas aos estabelecimentos de ensino básico, praticamente sem nenhumapenetração da comunidade e nas instituições de ensino superior. Além disso,grande parte EA (Educação Ambiental) praticada no país ainda enfatiza o meioambiente natural e os seus aspectos biológicos, ficando, portanto, muito distante daabordagem socioambiental preconizado pelas conferências promovidas pelasentidades mencionadas acima e acatados pela atual legislação brasileira. O surgimento da legislação, de forma integrada, foi a partir da Lei 6.938 de1981, que instituiu a política Nacional de meio ambiente (art. 2º, x). Essa lei foi 28
  30. 30. posteriormente recepcionada pela Constituição Federal de 1988, que incorporou oconceito de desenvolvimento sustentável, no capítulo VI, dedicado ao meioambiente. Art. (225, caput) para assegurar a efetividade desse direito incumbe aopoder público, entre outras providências, promover a EA em todos os níveis deensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente (1º, VI).EA tornou-se então um dever do estado. Tecnicista e fragmentado foi identificado como um dos problemas quedificultam uma Educação Ambiental como os conceitos apresentadosanteriormente. A Lei 9.795, de 1999, teve como objetivo dar prosseguimento eficaz aoditame constitucional acima citado. Entende-se por EA os processos por meio dosquais conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para aconservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadiaqualidade de vida e sua sustentabilidade (Art. 1º). Essa lei acolheu ideias apontadas nas diversas conferências internacionaisaqui mencionadas, o que conferiu à EA um caráter socioambiental. Assim, tornaefetiva a EA em todos os níveis e modalidades. Uma das questões problemáticasda EA concerne à necessidade de torná-la parte da formação de profissionais denível superior, pois em relação ao Ensino Fundamental, o Ministério da Educaçãopropôs sua introdução por meio de um programa nacional de formação continuada. A Constituição Federal juntamente com todos os Estados estabeleceramdisposições específicas sobre o meio ambiente em suas constituições, e a maioriaincluiu a Educação Ambiental entre os temas contemplados. Já em 1992, porocasião da Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente edesenvolvimento, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) realizou um evento, noqual resultou a Carta brasileira para a Educação Ambiental. Este documentorecomenda que o Ministério de Educação e Cultura em conjunto com asinstituições do ensino superior definam metas para inserção articulada, dadimensão ambiental nos currículos, estabelecendo um marco para a implantaçãoda Educação Ambiental no nível de ensino superior. A recente Lei de Diretrizes e Bases (LDB), instituída pela Lei 9.394 de 30/11,12/96, não estabeleceu nem uma disposição sobre Educação Ambiental e sequer acita expressamente. Em relação ao ensino fundamental, a LDB estabelece que os 29
  31. 31. currículos devem abranger o conhecimento do mundo físico e natural da realidadesocial e política, especialmente do Brasil. (Art. 23, inciso 1º). As finalidades doensino superior estão voltadas a estimular o conhecimento do mundo presente, emparticular os nacionais, regionais (art. 43 VI). Sobre a questão ambiental, a LDBnão deu importância ao imenso esforço nacional e internacional, desde aconferência de Estocolmo, de 1972, que procurava incluir a Educação Ambientalcomo um instrumento de política pública à promoção de uma nova ordem mundialmais justa. Qualquer escola pode dizer que atende a exigências, pois afinal todasoferecem disciplinas que tratam do mundo físico e natural, a experiência mostraque isso não é suficiente para criar uma consciência socioambiental capaz demudar atitudes, gerar habilidades, desenvolver participações e outros objetivos deEducação Ambiental, nas formalidades da Carta de Belgrado. O Plano Nacional deEducação PNE (2001–2010), aprovado pelo Congresso Nacional (Lei 10.172/2001,além de cumprir uma determinação da LDBEN, em seu artigo 87, fixa diretrizes,objetivos e metas para o período de 10 anos, garantindo coerência nas prioridadeseducacionais para este período. Nos objetivos para o Ensino Fundamental e Médio,“A Educação Ambiental”, tratada como tema transversal, será desenvolvida comouma prática educativa integrada, contínua e permanente em conformidade com aLei nº 9.795/99”. Esse plano, discutido com vários setores da sociedade envolvidosna Educação, representa um avanço da questão ambiental no universo daEducação. A Declaração de Brasília para a Educação Ambiental, aprovada em 1997,durante a I Conferência Nacional da Educação Ambiental criou os princípios erecomendações da Carta de Belgrado, de Tbilisi, da agenda 21 e de outrasreuniões aqui citadas. Com isso, a Educação Ambiental passou a ser entendidacomo um instrumento para promover o desenvolvimento sustentável. Cabe aqui, antes da abordagem das finalidades e princípios da EducaçãoAmbiental, ser destacado que, dentre outras legislações sobre a EducaçãoAmbiental já publicadas nos estados brasileiros, o estado da Bahia já conta com oregistro da Lei nº 12056, de 07 de janeiro de 2011(disponível no site:www.jusbrasil.com.br/legislacao/1026482/lei-12056-11-bahia-ba). 30
  32. 32. 2.3 As finalidades e princípios da Educação Ambiental Educação sempre tem que ser pensada em três níveis. Educação não é omesmo que informação é apenas um ponto básico, mas não é o principal. A nossaeducação, às vezes, é muito informativa, racionalista e técnica. Mas não ensina oindivíduo a viver, resgatar suas tradições, ser afetivo. O outro nível é a tomada deconsciência. E aí vem a dimensão crítica, política social e sensível, que éafetividade, educação estética, se não for assim, não funciona muito bem. Estética que é no sentido da sensibilidade da beleza. Depois vem o níveltrês ações. É preciso informação para se chegar à sensibilidade e conscientizaçãopara alcançar o nível da ação. A Educação Ambiental deve focar o que as pessoas sentem nos grupos noencontro com o outro e dessa que se chama meio natural. Contudo, a EducaçãoAmbiental precisa ser entendida como ressensibilização, tomada de consciênciaexistencial, de como podem ser criados modos de ser, modos de vida, quepossibilitem o cultivo de emoções e valores, a adesão de responsabilidadecompartilhada na proteção e restauração da terra, permitindo um uso sensato ejusto dos recursos naturais, podendo, assim, propiciar a realização de equilíbrioecológico e novos valores econômicos. Sabe-se que para a erradicação da pobreza e da exploração da terra, épreciso alterar os estilos não sustentáveis. Devemos enfatizar no aperfeiçoamentoda nossa capacidade interior, para criação de tecnologia e desenvolvimento,rejeitando o militarismo e formas de pressões econômicas como meios deresolução de problemas. É de fundamental importância que os processos dedecisão e seus critérios sejam devidamente esclarecidos, acessíveis e equitativos,envolvendo os diversos grupos sociais, de forma justa, participativa e democráticanos processos educativos. É de grande necessidade a vinculação entre a ética, a educação, o trabalhoe as práticas sociais, bem como a solidariedade e cooperação entre os indivíduos eos grupos sociais, as instituições públicas e privadas, em busca da preservação detodas as formas e do ambiente que integram responsabilidade e compromissoindividual e coletivo no desenvolvimento. Devem ser citados, por sua vez, alguns aspectos a serem considerados: 31
  33. 33. A - É preciso considerar o princípio da unidade na diversidade, quando cadaser individual é parte do todo e esse todo está representado em cada uma dassuas partes, entende-se que existe uma inter-relação entre o todo existente; B - Todos os seres, animados ou inanimados, possuem um valor existencialintrínseco que transcendem valores utilitários, por isso, a todos devem sergarantido o direito à vida, à preservação, à proteção e à continuidade; C - A pessoa humana tem a possibilidade de contribuir ou não no conjuntodas relações naturais, para tanto, tem a responsabilidade intransferível de ajudarna evolução destas relações; D - No que diz respeito à vida e à humanidade, cada pessoa tem a própriaresponsabilidade e o compromisso de buscar seu próprio equilíbrio, a harmonia dafamília humana e a dos demais seres e ecossistemas, com solidariedade ecooperação, no respeito profundo às diferenças, excluindo todo tipo de dominação; E - Para um efetivo respeito, tanto da pessoa humana quanto de outrasformas naturais de vida, é fundamental o resgate do valor essencial e incondicionalda vida. A fim de garantir isso, deve-se, por isso, prezar pelo cultivo dahonestidade, da coerência, do desprendimento e da simplicidade, superando oindividualismo, o consumismo e o utilitarismo; F - Deve ser ressaltado que, para a superação dos conflitos políticos esociais, é imprescindível a adoção da metodologia da não violência. Constata-se,contudo, que atitudes de denúncia se tornaram insuficientes. Por isso, é urgente aimplementação das soluções ecologicamente adequadas propostas pelas ONGs; G - A Educação Ambiental deve ter como base o pensamento crítico einovador, em qualquer tempo ou lugar, em seus modos formal ou informal,promovendo a transformação e a construção da sociedade; H - A Educação Ambiental é individual e coletiva. Tem o propósito de formarcidadãos com consciência local e planetária, que respeitem a autodeterminaçãodos povos e a soberania das nações; I - A Educação Ambiental deve devolver uma perspectiva holística,enfocando a relação entre o ser humano, a natureza e o universo de formainterdisciplinar; J - A Educação Ambiental deve estimular a solidariedade, a igualdade e orespeito aos direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e interaçãoentre as culturas; 32
  34. 34. L - A Educação Ambiental deve integrar conhecimentos, aptidões, valores,atitudes e ações. Deve converter cada oportunidade em experiências educativasdas sociedades sustentáveis. M - A Educação Ambiental deve ajudar a desenvolver uma consciência éticasobre todas as formas de vida com as quais compartilharmos neste planeta,respeitar seus ciclos vitais e impor limites à exploração dessas formas de vidapelos seres humanos; A Educação Ambiental vai muito além do conservacionismo. Trata-se deuma mudança radical de mentalidade em relação à qualidade de vida, que estádiretamente ligada ao tipo de convivência que mantemos com a natureza e queimplica atitudes, valores, ações. Trata-se de uma opção de vida por uma relaçãosaudável e equilibrada com o contexto, com os outros, com o ambiente maispróximo, a começar pelo ambiente de trabalho e doméstico. A Educação Ambiental teve um desenvolvimento extraordinário nos últimosanos e foi definitivamente incorporada ao currículo escolar. Pode-se dizer que,diante da Educação ambiental, a ecopedagogia está hoje apenas engatinhando.Ela está ainda numa fase conceptual, enquanto a educação ambiental jádesenvolveu metodologias apropriadas ao ensino tanto no Brasil (GEVERTZ, 1995;CARVALHO, 1998) quanto no exterior (DE ALBA et al, 1993), oriunda domovimento ecológico, a ecopedagogia ainda se encontra numa fase ainda muitoambientalista. 33
  35. 35. CAPÍTULO III A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA ESCOLA E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE DO CAMPO SEMIÁRIDO A exposição, neste capítulo, contempla quatro enfoques ou contextos sobre aEducação Ambiental. Dentre muitos outros que tratam dessa questão, farão parte osseguintes: a Educação Ambiental no contexto escolar; a Educação Ambiental esustentabilidade; a Educação Ambiental e o semiárido, bem como o contexto dasescolas do campo do Semiárido. Tal abordagem não só atende aos objetivosespecíficos, mas também ao tema, propondo novas concepções e reflexões sobre aEducação Ambiental.3.1 A Educação Ambiental no contexto escolar Em 1908, Roosevelt, preocupado com a preservação do ambiente, afirmou: Enriquecemo-nos com a utilização dos recursos naturais e podemos, com razão, orgulharmo-nos com o nosso progresso. Chegou, porém, o momento de refletirmos sobre o que acontecerá quando nossas florestas tiverem desaparecido, quando o carvão, o ferro e o petróleo se esgotarem e quando o solo estiver mais empobrecido ainda, levando para os rios, poluindo as águas, desnudando os campos e dificultando a navegação. (GOWDAK, 1991, p.178) Essa afirmação continua muito atual. Sabemos que a atividade humana não pode se desenvolver de forma irracional, pois coloca em risco à própria sobrevivência humana. Na escola é necessário exercer a educação ambiental, para que a qualidade de vida atenda às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de geração futuras. Para resolver esse problema, todos os setores, como economia, política, saúde, etc., devem, em sociedade, educar suas ações, estabelecer limites de consumo e assim envolver não só os consumidores, mas também as empresas que devem desenvolver produtos ecologicamente corretos e com materiais que não agridam o meio ambiente. A escola deve implantar também um sistema de Educação Ambiental baseada nas dinâmicas lúdicas e bate-papos, onde os educandos poderão expor suas dúvidas e ideias; oferecendo aos jovens a oportunidade de vivenciarem 34
  36. 36. experiências de aprendizagem fora das salas de aula. Através de empresas eprojetos comunitários, com perspectiva que haja mudança de valores, assimpreconiza os fundamentos da Educação Ambiental, para que os alunos tenhamoportunidade ao mesmo tempo em que adquirem este conhecimento útil ehabilidades técnicas. A crescente discussão referente à questão de trabalhar a EducaçãoAmbiental nas instituições de ensino tornou-se importante desde as últimasdécadas, principalmente com a elaboração e aplicação dos PCN’s (ParâmetrosCurriculares Nacionais), os quais possibilitam a reflexão e orientação de como épossível o trabalho com Educação Ambiental nas escolas. Além dos PCN’s, hátambém toda uma orientação nos temas transversais, em como elaborar projetosos quais possam abordar a temática do homem, enquanto um ser pertencente aomeio ambiente, o que não se restringe apenas a falar desta questão em projetosnas escolas, aplicados com periodicidade, mas de toda uma ação-reflexão,pautada na busca de soluções pertinentes. Por isso, as escolas, em parceria com acomunidade, devem criar estratégias, visando amenizar os impactos causados pelouso indevido dos recursos naturais, assim, poderão contribuir para a prevenção domeio ambiente, bem como possibilitar uma sociedade a ser consideradasustentável. Por isso, a escola precisa perceber-se como elemento de mediaçãoentre aprendizes e comunidades, uma vez que a sua clientela traz consigo todacarga cultural, acrescida ao longo das gerações em utilizar os recursos naturaiscom uma visão predadora. Para Vasconcelos (1997), a presença, em todas as práticas educativas, dareflexão sobre as relações dos seres entre si, do ser humano com ele mesmo ecom seus semelhantes é condição imprescindível para que a Educação Ambientalaconteça. Considerando os critérios apresentados por Vasconcellos (1997), a escola éo caminho mais viável para se discutir e trabalhar Educação Ambiental de formaabrangente, contextualizada, apresentando proposta de atividade para seremexecutadas na sala de aula, pois é de suma importância que o aluno apresente,para a comunidade em que ele vive, ações que ele aprende na escola em prol daconservação e preservação do meio ambiente. Segundo Andrade (2000), as escolas devem posicionar-se por um processode implementação que não seja hierárquico, agressivo, competitivo e exclusivista, 35
  37. 37. mas que seja levado adiante, fundamentado pela cooperação, participação e pela geração de autonomia dos atores envolvidos, no qual esteja envolvida toda a comunidade nos seus projetos que possam vir a beneficiar a escola, a comunidade e principalmente o meio ambiente. A respeito dessa questão, Maranhão (2005) defende a educação ambiental na escola, quando afirma: Ao divulgar os resultados do último censo escolar, o INEP deu destaque ao fato de que 65% das escolas de ensino fundamental inseriram a questão ambiental em suas práticas pedagógicas. Cumprem sua obrigação, já que se trata de um dos temas transversais ao currículo obrigatório [...] No entanto, sabemos que, devido à precariedade da infra-estrutura de nossos estabelecimentos, torna-se difícil para os professores abordar a questão de maneira adequada e com conhecimento de causa. Por isso, temos que aplaudir aquelas escolas que se empenham em formar cidadãos e futuros profissionais segundo a ótica do desenvolvimento sustentável. É pouco e os poderes públicos precisam não só fornecer mais recursos humanos e financeiros a fim de que essas ações sejam multiplicadas, mas avaliar sua eficácia (MARANHÃO, 2005, p.4). A Educação Ambiental, no contexto escolar, visa também o desenvolvimento de novas metodologias para investigar e explorar os problemas ambientais, mostrando os princípios, valores e habilidades que são necessárias aos aprendizes para que possam com inteligência resolver os problemas. É necessário nesse trabalho apresentar, através das discussões breves, a história dos congressos, eventos e encontros que tornaram possível a elaboração da legislação ambiental para Educação Ambiental formal e informal. As novas abordagens de desenvolvimento, que possam melhorar as condições do mundo, devem ser colocadas, mas tudo isso não se constituirá em soluções de curto prazo, se a juventude não receber um novo tipo de educação. Isso deve, em primeiro instante, ser feito através de mudanças ordenadas pelos “governantes e planejadores”, objetivando um novo e produtivo relacionamento entre estudantes e professores, entre escolas e comunidades, entre sistema educacional e sociedade. Nessa convivência, devem ser lançadas às fundações para novos programas; um programa mundial de Educação Ambiental que torne possível o desenvolvimento de novos caminhos e habilidades, valores e atitudes, visando à melhoria da Educação Ambiental, garantindo a elevação da qualidade de vida para as gerações presentes e futuras.44 Carta de Belgrado – Documento extraído do de Educação ambiental e desenvolvimento : documentos oficiais, Secretaria do Meio Ambiente,Coordenadoria de Educação Ambiental, São Paulo, 1994, Série Documentos,ISSN0103-264X,disponível emhttp://www.ufpa.br/npadc/gpeea/DocsEA/A%20Carta%20de%20Belgrado.pdf- Acessado em 18/10/2011. 36
  38. 38. Para discutir as questões ambientais, durante o processo de escolarização de crianças e jovens, remonta a preocupação na década de 1990, mas o marco do surgimento do debate ambiental é a década de 1960. No ano de 1962, Carson apud MEC (1998), com o livro “primavera silenciosa”, lançou de modo enfatizado, primeiras bases para que os cientistas, crianças, jovens, políticos e professores dirigissem seus olhares e suas ações para defender todos os ecossistemas do planeta Terra. Os assuntos sobre questões ambientais tiverem mais força nos idos dos anos 1970, quanto surgiu no mundo um conjunto de manifestações, incluindo a feminista, a revolução estudantil de maio de 1968 na França e o endurecimento das políticas na América Latina, com a instituição de governos autoritários, em resposta as exigências de organização democrática dos povos em busca de seus direitos de liberdade, ao trabalho, a saúde, ao lazer e a definição da participação de seus destinos. Os debates correspondentes à Educação Ambiental, da década de 1970, ocorreram em 1950 e 1960, com os episódios da contaminação do ar em Londres e Nova York, entre 1952 e 1960, com os casos fatais de intoxicação com mercúrio em Minamata e Niigota, entre 1953 e 1965, com a diminuição da vida aquática em alguns dos grandes lagos norte-americanos, a morte de aves provocadas pelos efeitos de DDT (dicloradefenil – tricloroctano) e outros pesticidas e a contaminação do mar por dejetos industriais e derrames de petróleo ocasionado por acidentes de navios petroleiros.5 Em 1972 após a realização da Conferência de Estocolmo na Suécia, onde estiveram reunidos alguns países, mais de vinte principais, orientadores para as Políticas Nacionais do Meio Ambiente. Entre os principais estão: o direito a um ambiente sólido, equilibrado e com justiça social; a importância do planejamento ambiental; os riscos dos altos níveis de urbanização; a busca de fontes alternativas limpas de energia; o uso dos conhecimentos científicos e de tecnologias para resolver os problemas ambientais; o papel relevante da Educação Ambiental. Após a Conferência de Estocolmo, muitas discussões sobre a Educação Ambiental foram desencadeadas. Os princípios de Educação Ambiental foram estabelecidos no seminário do Tammi, com a Comissão Nacional Finlandesa para5 5 Revista Urutágua nº 13 – ago/set.ou/nov.2007 – Maringá Paraná Brasil - Desenvolvimento da educação ambiental na vida escolar: avanços e desafios -Marcos Clair Bovo - http://www.urutagua.uem.br/013/13bovo.htm. Acessado em 18/10/2011. 37
  39. 39. a UNESCO, em 1974. O referido seminário considerou que a Educação Ambientalpassaria a fazer parte da Educação integral e permanente. Em 1977, a conferência de Tbilisi, na Geórgia, com a participação de váriospaíses, entre eles: Inglaterra, França, Canadá e outros, aprovaram um documentoque reconhece: A Educação Ambiental não deve ser uma disciplina agregada aos programas escolares existentes, senão que deve incorporar-se aos programas destinados a todos os educandos seja, qual for à idade... seu tema deve envolver todas as partes do programa escola e extra escolar, e constituir um processo orgânico, continuo, único e idêntico... A idéia motriz consiste em conseguir, graças a uma interdisciplinaridade crescente a uma coordenação prévia das disciplinas, um ensino concreto que tenda a resolver os problemas do meio ambiente, ou equipar melhor os alunos para que possam participar das decisões (BRASIL, 1998). A autora Mayer (1998), em seu texto, aponta para essas ações pedagógicasna Educação Ambiental, a necessidade de seguir os seguintes passos:  Atividades de campo: execuções naturalistas trabalhando com a natureza,o que faz parte das atividades normais das escolas;  Trabalho com temas transversais, devido à natureza interdisciplinar etransversal dos conhecimentos em Educação Ambiental;  Trabalho com os currículos, por meio de projetos de classe, de uma formatransversal ou multidisciplinar;  Trabalho institucional na escola com problemas ambientais, emcolaboração com instituições externas, ou seja, um trabalho conjunto entre escola eempresa, entre escola e outras instituições, em parceria. Nessa perspectiva, Mayer (1998, p. 226) afirma que: Um dos objetivos mais importantes da Educação Ambiental, em minha opinião, é justamente educar para enfrentar valores, analisando diferentes pontos de vista, em relação ao problema concreto. Se os estudantes sabem valorizar a complexidade dos temas ambientais e se têm adquirido um método de análise das posições em campo, podem, realmente, ser livres e capazes de obter uma posição própria, compreender e revelar razões não formuladas (de ordem política, econômica etc.) que são posteriores a conquista de atitudes por parte de diferentes sujeitos que enfrentam o problema. Como foi afirmado na citação anterior, é válido destacar que para educar épreciso abordar a Educação Ambiental, confrontando os valores que temos diantede um ou mais problemas concretos, como discutir a coleta do lixo da escola,aprender a formular soluções, tomar decisões e agir. Para isso, é preciso que a 38
  40. 40. escola mude sua cultura, ou seja, a escola necessita tanto ser transmissora dossaberes, quanto ser um local dinâmico e aberto a questões locais. Mayer (1998) volta a pontuar que a escola deve sofrer transformações nastrês dimensões:  Além de transmitir conhecimentos planejados em âmbitos fechados,voltar-se para uma escola que construa conhecimentos relevantes em âmbito local;  Que junto aos objetivos, vinculados quase que exclusivamentecurriculares em uma escola, sejam também trabalhados sentimentos; discutidosvalores e novos comportamentos;  Não seja uma escola estática, que se modifica tardiamente seguindoestímulos da sociedade, mas uma escola que quer modificar a sociedade emrelação às instituições. A escola, neste contexto, deve se transformar, orientando-se para ainvestigação e reflexão da temática ambiental, desenvolvendo o senso crítico e ashabilidades necessárias para resolver problemas, construindo conhecimentosassociados às atividades práticas e experiências pessoais, reconhecendo oconhecimento vivenciado pelos alunos. No Brasil, em 1998, a Coordenação de Educação Ambiental destacou, emuma de suas sessões, as principais características da Educação Ambiental na óticade Tbilisi. Segundo o MEC (1998, p. 31), os destaques são: A) Processo dinâmico, interativo, transformador, participativo, abrangente,globalizador, permanente, contextualizador, na realidade da comunidade e nadimensão planetária. B) Destacou os princípios que foram listados na Resolução número 2, daConferência de Tbilisi, que até hoje são referências para quem atua no setor,sendo que esses princípios foram transformados em doze pequenos mandamentospara quem pratica Educação Ambiental, são eles: 1. Considerar o meio ambiente em sua totalidade: nos seus aspectosnatural, tecnológico, social, econômico, político, histórico, cultural, técnico, moral,ético e estético; 2. Construir um processo contínuo durante todas as formas do ensinoformal, desde o início da educação infantil; 3. Aplicar um enfoque interdisciplinar, aproveitando o conteúdo específico decada área, de modo a conseguir uma perspectiva global da questão ambiental; 39
  41. 41. 4. Examinar as principais questões ambientais do ponto de vista local,regional, nacional e internacional; 5. Concentrar-se nas questões ambientais atuais e naquelas que podemsurgir, levando-se em conta a perspectiva histórica; 6. Insistir no valor e na necessidade da comparação local, nacional,internacional, para prevenir os problemas ambientais; 7. Explicitar os problemas ambientais no plano de desenvolvimento ecrescimento; 8. Promover a participação dos alunos na organização de todas asexperiências de aprendizagem, dando-lhes oportunidades de tomar decisões eaceitar consequências; 9. Abordar, na sala de aula, todas as ideias, visando uma relação desensibilização no que se refere ao meio ambiente e a aquisição de conhecimento,habilidades e atitudes, para resolver problemas; 10. Ajudar os alunos a descobrirem os sintomas e as causas reais dosproblemas ambientais; 11. Ressaltar a complexidade dos problemas ambientais e a necessidade pararesolvê-los; 12. Utilizar diversos ambientes com a finalidade educativa e ampla gama demétodos para transmitir e adquirir conhecimentos sobre o meio ambiente,ressaltando principalmente as atividades práticas e as experiências pessoais. O Brasil não participou da conferência de Tbilis, mesmo assim, no Brasil, umgrupo de especialistas produziu o primeiro documento oficial do governo brasileirosobre Educação Ambiental, sendo assinado pela Secretaria Especial do MeioAmbiente e pelo Ministério do Interior (MEC, 1998, p. 39). Em Agosto de 1981, ocorreu a promulgação da 1ª (primeira) lei que deuinstrumentos para a Educação Ambiental, como área que vai abordar às soluçõesde problemas ambientais. É a mais importante Lei Ambiental do Brasil que institui a“política Nacional do Meio Ambiente” (Lei Federal, 6.938/81), anterior aConstituição Federal. Com referência à Educação Ambiental, o texto da lei impõeque está seja ofertada não como disciplina em todos os níveis de ensino, ou seja,as instituições educacionais deverão promover, de forma integrada, a EducaçãoAmbiental nos programas educativos, podendo ser trabalhada, de formainterdisciplinar ou transversal, em todas as áreas de conhecimento. Nesse mesmo 40
  42. 42. período, foi criado o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), órgão compoder para propor normas ambientais, com força de lei. Em 1997, um artigo do Conselho do Federal de Educação aprovou o parecer226/87. Esse documento enfatiza a urgência da introdução da Educação Ambientale propôs que fosse iniciada, a partir da escola, numa abordagem interdisciplinar, eque fosse levado à população um posicionamento em relação ao fenômeno oucircunstâncias do ambiente. Daí surgiu os centros de Educação Ambiental nosEstados, para atuarem em polos irradiadores da Educação para o ambiente. Esses acontecimentos, no Brasil, favoreceram ao desenvolvimento deinúmeras experiências em Educação Ambiental, dentro e fora das escolas. Elestambém criaram uma situação favorável para o Brasil que, por sua vez, gerounovos eventos e iniciativas, tanto do governo, quanto de outros setores ambientaisestatais e não estatais (ONGs e outros). Alguns compromissos foram firmados em1992: a Carta de Terra, Agenda 21, realização da Convenção das mudançasclimáticas e a Convenção da biodiversidade. Em 1997, a ONU promoveu uma sessão especial nos Estados Unidos com oobjetivo de avaliar o que fez, desde 1962, pelo meio ambiente e o desenvolvimentosustentável. Para prepará-lo houve a Rio + 5, uma grande reunião do setor nãogovernamental, no Rio de Janeiro. Em ambos os encontros, os participantesconcluíram que não haviam ocorrido os avanços desejados e necessários, ou seja,há muito trabalho a fazer para que os compromissos de 1992 sejam efetivados. Em 1997, os Parâmetros Curriculares Nacionais sugerem que sejatrabalhado o tema Meio Ambiente, trabalhos transversalmente na Educação,propõem ainda que as questões ambientais devem focar os objetivos, conteúdos eorientações didáticas em todas as disciplinas, no período da escolaridadeobrigatória. A nova Lei de Diretrizes e Bases, Lei 9.394/96, dá indicação demudanças curriculares no ensino formal, a Educação Ambiental pode serapresentada em outros níveis de ensino. O Texto de Brasília, de 1997, diz que o modelo de Educação quepermanecia era derivado do “paradigma positivista e da pedagogia tecnicista, quepostulam um sistema fragmentado em disciplinas” diferente do que se quer para aEducação Ambiental. Dentre os erros enumerados estão: 1. A falta de capacitação dos professores para Educação Ambiental, comotambém bons salários e profissionais do corpo docente; 41
  43. 43. 2. Carência de pesquisa para produzir, a exemplo de metodologiaspedagógicas e Educação Ambiental para o ensino formal. 3. Falta de material didático. 4. Ausência de articulação do (MEC) e Secretaria da Educação, escolas eoutros instituições, governamentais e não governamentais.3.2 Educação Ambiental e sustentabilidade A expressão desenvolvimento sustentável originou-se na Conferência dasNações Unidas sobre meio ambiente e desenvolvimento, mais conhecida comoConferência de Estocolmo, e significa um modo de desenvolvimento social,econômico, político, cultural e ambiental, que atenda às necessidades do presente,sem comprometer a existência das gerações futuras. Enfim, o desenvolvimentosustentável busca compatibilizar as necessidades de desenvolvimento econômicoe social com as necessidades de preservação ambiental para as atuais e futurasgerações. Os crescentes problemas e o crescimento da população miserável puseramem xeque o conceito de desenvolvimento. Foi nesse momento, ainda no âmbitodas ciências econômicas, que surgiu a ideia do desenvolvimento sustentável, umconceito que prega a noção de um modo de vida de produção que garanta asnecessidades das atuais gerações, sem comprometer as gerações futuras. O conceito de desenvolvimento sustentável foi utilizado pela primeira vez naAssembleia Geral das Nações Unidas, em 1979, indicando que desenvolvimentopoderia ser um processo integral que inclui missões culturais, éticas, políticas,sociais, ambientais e não só econômicas. À primeira vista, é um conceito muitoclaro, mas dar abertura a muitas interpretações. Do ponto de vista de uma grandecorporação, desenvolvimento sustentável é aquele que garante a produção atualsem comprometer a produção para as gerações futuras (BOFF, 1999). As questões que tratam o desenvolvimento sustentável vêm definindo suabase conceitual mais claramente nas últimas décadas, a partir da década de 60,com as primeiras discussões sobre os riscos da degradação do meio ambiente,tornando-as uma preocupação internacional a ponto de levar à ONU a promover,em 1972, uma Conferência Mundial sobre o meio ambiente, ocorrida emEstocolmo. No mesmo ano, Dennis Meadows e os pesquisadores do “Clube de 42
  44. 44. Roma” publicaram o estudo “Limites do crescimento”, no qual concluíram que sefossem mantidos os, então atuais, níveis de industrialização, poluição, produção dealimentos e exploração dos recursos naturais, o limite do desenvolvimento doplaneta seria atingindo, no máximo em 100 anos, provocando uma repentinadiminuição da população mundial e da capacidade industrial. As discussões emtorno de sua efetividade têm chegado a um denominador comum: haverádesenvolvimento sustentável, quando houver a promoção do desenvolvimentolocal, ou seja, é partindo do (re) conhecimento das problemáticas e dos potenciaislocais que se contribui para o efetivo desenvolvimento sustentável (CORRAGIO,1996). Nessa perspectiva de desenvolvimento local, temos observado a construçãodo conceito e dos aspectos identitários em torno do semiárido brasileiro (SAB). Aconstrução identitária do semiárido desse território tem partido de suasespecificidades: um espaço não homogêneo, tão pouco desértico ou impróprio àvida. Pode ser que desenvolvimento sustentável seja um conceitoantropocêntrico. As críticas ao conceito de desenvolvimento sustentável e a própriaideia de sustentabilidade vêm do fato de que o ambientalismo trata separadamenteas questões sociais das ambientais. O movimento conservacionista surgiu comouma tentativa elitista dos países ricos no sentido de reservar grandes áreasnaturais preservadas para o seu lazer e contemplação. A Amazônia, por exemplo,não era vista como uma preocupação relacionada com a sustentabilidade doplaneta, mas com a continuidade dos seus privilégios, em contraste com asnecessidades da maioria da população. O desequilíbrio ecológico e social afeta os ecossistemas e os seres que oscompõem. Assim, o sistema de capital, hoje mundialmente integrado, significou,desde o surgimento, uma sistemática aplicação de violência sobre as classessociais, explorando a força de trabalho; sobre povos e países, colonizando-os e,segundo suas riquezas, sobre o sistema terra, pilhando os recursos naturais. Ésempre a mesma lógica em ação, acumulando opulência, à custa da miséria dooutro. A escola local tem de ser compatível com uma escola planetária. Daí aimportância da articulação com o poder público. As pessoas da sociedade civil, emparceria com o estado, precisam dar suas parcelas de contribuição para criar 43
  45. 45. cidades de campos saudáveis, sustentáveis, isto é, com a qualidade de vida.Gutierréz (1994) denomina desenvolvimento sustentável como aquele queapresenta algumas características (ou “Chaves Pedagógicas”), que se completamentre elas numa dimensão mais holística e que apontam para novas formas de vidado “Cidadão ambiental”, a exemplo de: 1º) Promoção da vida para desenvolver o sentido da existência; 2º) Equilíbrio dinâmico para desenvolver a sustentabilidade social; 3º) Confluência harmônica, que desenvolve a ternura e o estranhamento(“assombro” capacidade de desenvolvimento); 4º) Ética integral, isto é, um conjunto de valores, consciência ecológica, quedá sentido ao equilíbrio dinâmico; 5º) Racionalidade intuitiva, que desenvolve a capacidade de atuar como umser humano integral; 6º) Consciência planetária, que desenvolve a solidariedade planetária. Umplaneta vivo requer de nós uma consciência e uma cidadania planetária, isto é,reconhecermos que somos parte da terra e que podemos viver com ela emharmonia. A respeito disso, afirma ainda Gutiérrez (1996, p.3): “A razão de ser daplanetariedade e sua lógica é consequência tanto de uma era científica não deixara ciência só para cientistas, quanto do recente descobrimento da terra como umser vivo”. Essas são também as características de uma “sociedade sustentável”, o quenos leva a concluir que não há desenvolvimento sustentável sem uma sociedadesustentável. Além de se construírem em princípios ou “Chaves pedagógicas”(GUTIÉRREZ, 1996, p.3). As características acima descritas podem muito bem serconsideradas como princípios pedagógicos da sociedade sustentável. Portanto, aquestão é que o conceito de desenvolvimento sustentável vem sendo interpretadoprincipalmente sob uma ótica da economia, relacionado à perpetuação dos atuaisprocessos produtivos, sabidamente concentradores de riquezas e degradadores danatureza, que apontam, como úteis, somente os processos produtivos atuais, nãoconsiderando a importância da qualidade de vida da maioria da população humanae todas as demais formas de vida do planeta. Não há dúvida de que essa visão de desenvolvimento evidencia o consumodo modo de produção capitalista, como principal responsável pela distribuição eeliminação dos recursos naturais do planeta. Essa forma de desenvolvimento que 44

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