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40      Chauí (1986) deixa claro na sua fala que muitas vezes a Cultura Popular nãoconsegue ampliar seu leque de riquezas ...
41                          CONSIDERAÇÕES FINAIS      Este trabalho que teve por objetivo analisar os significados que as ...
42significados, pois a Roda do Palmeira Mirim inserida dentro da cultura popularpossui uma diversidade de elementos como a...
43                               REFERÊNCIASALMEIDA, Milton José de. Imagens e sons; A nova cultura oral. 3.ed. São Paulo:...
44COSTA, Antônio Gomes da. O professor como educador: um resgate necessárioe urgente. Salvador: Fundação Luis Eduardo Maga...
45JOVCHELOVITCH, Sandra. Conceitos do saber, representações comunidades ecultura. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.LINS, Marcos...
46ROSE, A. A origens dos prejuízos. Buenos Aires: Humanitas, 1970.SANTOS, José Luis dos. O que é cultura. 14ed. São Paulo:...
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  1. 1. 11 INTRODUÇÃO O presente TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) traz como temática: Olhaa Roda do Palmeira Mirim que chegou aqui agora: os significados de culturapopular,segundo as crianças e adolescentes integrantes da roda. Nesta pesquisaforam analisados os significados que as integrantes da Roda do Palmeira Mirim dãoà cultura popular, que visão elas tem desta manifestação cultural e como avivenciam, viabilizando todo contexto histórico da Roda do Palmeira em Senhor doBonfim, desde o inicio aos dias atuais. Este trabalho torna-se de extrema importância, pois percebemos que apopulação bonfinense não tem dado o devido valor, muitas vezes procuram valorizaroutras culturas de lugares distantes da nossa realidade. É visível nas apresentaçõesem praça pública, pois a grande parte dos aplausos são de turistas que visitam acidade de Senhor do Bonfim na época de São João. A sociedade atual traz consigo uma extensa camada de informações devido oritmo acelerado dos meios tecnológicos, fazendo com que a humanidade deixe delado certos costumes culturais. Portanto faz-se necessário que as pessoasrepassem, e socializem para as novas gerações saberes praticados pelos maisvelhos. Poderíamos dizer que o fruto desta pesquisa nos dá uma compreensão maiorda realidade de parte da cultura bonfinense, visto que a temática escolhida foiinfluenciada pela convivência, lembranças e exemplos da avó Mocinha e dosconhecimentos adquiridos ao longo do curso de Pedagogia. Durante o percurso dapesquisa nos firmamos a trabalhar com os significados que as próprias integrantesda Roda do Palmeira Mirim dão a cultura popular onde foi identificado que ossujeitos pesquisados dão à sua manifestação diversos conceitos. Partindo desse intuito, trazemos em nossa pesquisa o objetivo de analisarmosos significados que as integrantes da Roda do Palmeira Mirim dão a cultura popular,
  2. 2. 12ressaltando a pouca valorização dos bonfinenses com esta linda e brilhantemanifestação cultural. Nosso trabalho percorrerá caminhos que certamente nos proporcionarãoreflexões acerca desses fatos citados acima, objetivando encontrar respostas quepossivelmente fomentarão discussões significativas a nossa inquietação. No capítulo I, damos ênfase aos avanços e ranços da cultura popular aolongo da história do nosso país, enfocando as suas contribuições para a culturacomo um todo. No capítulo II, traçamos uma discussão embasada nos conceitos chaves como apoio dos teóricos que deram subsídio aos nossos argumentos. Mostrando a garrados familiares de D. Mocinha que formam a comissão organizadora e dasintegrantes da Roda do Palmeira Mirim em prosseguir expandindo esta grandemanifestação cultural bonfinense. No capítulo III, apresentamos nossos sujeitos, lócus de pesquisa e osinstrumentos metodológicos que nos ajudaram na realização deste trabalho. No capítulo IV, focalizamos a análise e a interpretação de dados que foramrealizadas, com o uso de instrumentos de coleta de dados como observaçãoparticipante, questionário fechado e entrevista semi-estruturada onde foi possívelidentificarmos os significados que as integrantes da Roda do Palmeira Mirim dão acultura popular. Nas considerações finais demonstramos nossa inquietação sobre a Roda doPalmeira Mirim, como cultura popular bonfinense, pois acreditamos que estetrabalho venha a ser relevante nas discussões culturais, visando contribuições parafuturas mudanças no ramo cultural.
  3. 3. 13 CAPITULO I1.PROBLEMÁTICA: UMA RÁPIDA VIAGEM NA HISTÓRIA CULTURAL Em tempos atuais, o estudo sobre a cultura brasileira tem sido muito debatidonos meios sociais, políticos e educacionais tendo em vista que as culturas sãoproduzidas por diversos povos ao longo das suas histórias, na construção de suasformas de subsistência, na maneira como organizam a vida social e política e comointeragem entre eles. Para bem embasar este pensamento vale citar Freire (1979)ao dizer que: O homem enche de cultura os espaços geográficos e históricos. Cultura é tudo o que é criado pelo homem. Tanto uma poesia como uma frase de saudação. A cultura consiste em recriar e não em repetir. O homem pode fazê-lo porque tem uma consciência capaz de captar o mundo e transformá- lo (p.30-31). De acordo com alguns teóricos a cultura brasileira é um conjunto de culturas,que sintetizem as diversas etnias que formam o povo brasileiro. Por essa razão, nãoexiste uma cultura brasileira homogênea, e sim um mosaico de diferentes vertentesculturais que formam juntas, a cultura do Brasil. Como é sabido, além dos portugueses, outros grupos étnicos como osindígenas, os africanos, os italianos e os alemães influenciaram a constituição dacultura brasileira. A música, a dança, as tradições, as festas, os rituais e religiõesbrasileiras não surgiram ao acaso, muito pelo contrário, surgiram da contribuição deinúmeros povos. Nesse enfoque, cabe um destaque maior à contribuição cultural dos africanosdevido à origem da dança Roda do Palmeira, uma dança popular e folclórica que fazparte da cultura regional da cidade de Senhor do Bonfim, no Estado da Bahia,dançada nos festejos juninos. Assim diz Favero (1983):
  4. 4. 14 Desde a descoberta do Brasil que começa a se estabelecer sobre nós uma relação de dominação cultural. O homem nativo foi confundido com a própria paisagem geográfica e, como tal, foi também dominado. Estabelecendo uma relação de dominação, o dominador impôs uma cultura importada da metrópole, sufocando desse modo, os valores culturais do homem nativo e abafando á sua capacidade criadora de uma cultura autêntica e livre. Negando-lhe as suas expressões culturais, o descobridor reduziu o homem nativo a um objeto da cultura. (p.84) Diante da busca da valorização cultural de movimentos populares que seformaram em defesa do ser humano como agente social e produtor de cultura, éimportante ressaltar que grupos elitizados se organizam em sentido inverso e emnome de um sistema altamente capitalista, calçado em interesses político-econômicos, se valem do poder monetário e tecnológico para destruir a identidadecultural de povos que, ao perder a cidadania, não tem alternativa senão refugiar-senuma cultura diferente. Canclini (1983) fala que: Os sistemas socias, para subsistirem, devem reproduzir e reformular as suas condições de produção. Toda formação social reproduz a força de trabalho através do salário, a qualificação desta força de trabalho através da educação, e por último, reproduz constantemente a adaptação do trabalhador à ordem social através de uma política cultural-ideológica que orienta toda sua vida, no trabalho, na família, no lazer, de modo que todas suas condutas e relações mantenham um sentido que seja compatível com a organização social dominante. (p.34) Dessa forma, a cultura popular brasileira tem sido desvalorizada em suariqueza cultural, como alvo de pejorativos por parte da elite brasileira que sempre sequis européia e branca, tentando transformar a cultura popular em cultura de massa,resultando na perda da identidade de diversos grupos. Assim argumenta Carneiro(1993): A identidade é, antes de tudo, resultado de um processo histórico-cultural. Nascemos com uma definição biológica, ou seja, homens ou mulheres. Ou nascemos com uma definição racial: brancos ou negros. E sobre essas definições sexuais e raciais se construirá uma identidade social para esses diferentes indivíduos (p.3). Na expectativa de reverter esta situação, os movimentos sociais apostaramna educação como meio de interação e afirmação das identidades, denunciando oracismo, a discriminação e a desconsideração de que existem diferentes identidadesculturais. Novamente citamos Favero (1983):
  5. 5. 15 O movimento de cultura popular apresenta-se como um processo de elaboração e formação de uma autêntica e livre cultura nacional e, por esse motivo, uma luta constante de integração do homem brasileiro no processo histórico, em busca da libertação econômica, social, política e cultural do nosso povo. É, portanto um movimento, ao mesmo tempo, de elaboração e libertação. (p.85) É notório dizer que estamos em uma sociedade, que se diz a todo omomento, ser democrática e multicultural, mas que ainda percebemos muitospreconceitos e ranços com a cultura popular, muitas vezes porque essasmanifestações surgem de dentro das classes populares médias baixas. Valeressaltar o que diz Rose (1970): Os preconceitos fazem parte de uma tradição cultural que se transmite, por assim dizer, espontaneamente: as crianças adquirem-nos pelo contato com seus professores, colegas, mestres da escola dominical (religiosa), sobre tudo com seus pais. Entre esses últimos alguns não querem que suas crianças tenham preconceitos; outros, pelo contrário, inculcam-nos nelas, porque eles próprios foram educados na convicção de que é conveniente e natural tê-los. Eles o fazem agindo de uma certa maneira, exprimindo certas aversões, opondo-se a certas relações, formulando certos comentários, deixando entender que é ridículo ou vergonhoso fazer isto ou aquilo, etc. (p.180). Acrescenta-se ainda a esta discussão, os estereótipos relacionados aossujeitos pertencentes a cultura popular, por não terem oportunidade/acesso aeducação formal, não sendo este um fator primordial para as suas criações, poismesmo sem escolarização esses componentes conseguem criar versos, melodias,canções e , desmistificando o mito de que não sabem e não são capazes decontribuir qualitativamente com a diversidade cultural. Como descreve Lins (2007): Não existe cultura impopular, ou pertencente a uma única casta ou estamento. Por mais que se equipare o termo popular ao seu viés plebeu ou vulgar, não subsiste cultura sem adesão de uma parcela significativa do meio social. Isto porque o próprio pensar impregnado de fatores e substâncias histórico-socias, as quais operam na formação cultural e implicam aceitação tácita de costumes e valores que permeiam as populações politicamente organizadas (s/p).Visto que as transformações sociais influenciam nas modificações culturais,precisamos estar atentos para não deixar que dominem e transformem nossacultura, que é tão rica e relevante para nossas tradições. HALL (2002) comenta que
  6. 6. 16a pós-modernidade está influenciando as identidades à entrarem em mudanças,devido as transformações sociais e culturais, já que a formação do “EU” de cada serhumano não acontece isoladamente, e quando o sujeito reconstrói sua identidadeele perde parte do seu “EU” de origem. Para que essa aculturação não ocorra de forma tão devastadora, Silva (2008)alerta que: Enfim, é preciso recusar a hierarquização das expressões culturais e sua articulação em culturas subalternas e culturas dominantes. É necessário uma ou outra visão do processo cultural em um todo (...) recusar a subalternidade da cultura popular, recuperar sua importância fundamental concebê-la a ocupar um lugar privilegiado de onde se pode pensar e ver criticamente, perspectiva analítica capaz de pensar em profundidades os principais nós e estrangulamentos da história do e da cultura brasileira em geral. A partir da cultura popular é possível pensar um outro país, uma ou várias alternativas de Brasil. Isto porque a cultura popular brasileira é um estoque inesgotável de conhecimento, sabedorias, tecnologias, maneiras de fazer, pensar e ver nossas relações sociais e nessa exata medida, um lugar em que mais do que simplesmente criticar o modelo genocida e alto destrutivo de desenvolvimento, é possível resistir a ele com outras propostas de sentido do viver e de humanidade (p. 9). Neste sentido, destacamos a desvalorização cultural por parte da sociedadebonfinense no que diz respeito às manifestações culturais do seu município,percebemos isso muito bem durante os festejos juninos, época em que a SecretariaMunicipal de Educação e Cultura abre espaço para essas apresentações, uma delasé a Roda do Palmeira, os bonfinenses dão pouca importância para estamanifestação. Muitas vezes o privilégio que recebem vem dos turistas que visitam acidade nesse período. Além disso, as escolas não trabalham esta cultura dentro deseu espaço, abrindo leque para outras manifestações que não fazem parte darealidade dos alunos. Assim Grignom (1995) argumenta: Pode-se dizer que a escola tende espontaneamente ao monoculturalismo. Por meio da transmissão, que continua sendo socialmente muito desigual, dos saberes de alcance ou pretensão universal, reduz a autonomia das culturas populares e converte a cultura dominante em cultura de referência, em cultura padrão (p 182). No intuito de reverter esse modo de pensar, ver e agir; é imprescindívelconsiderarmos a Roda como uma cultura séria, por resgatar cantigas de rodasantigas e versos, à procura de nossas raízes, nossa identidade cultural. Percebemos
  7. 7. 17que a participação das crianças na Roda do Palmeira Mirim é de fundamentalimportância como resgate e preservação, trazendo de volta a magia dos festejosjuninos, desviando em parte sua atenção dos meios de comunicação, vivências queminimizam seus valores culturais. Diante disso, nossa questão de pesquisa é: quaisos significados que as integrantes da Roda do Palmeira Mirim dão à cultura popular? O nosso objetivo de pesquisa é: identificar e analisar os significados que asintegrantes da Roda do Palmeira Mirim dão a cultura popular. Esse trabalho torna-se relevante, pois traz uma reflexão em relação à culturapopular bonfinense, principalmente a Roda do Palmeira, pois a cultura em si é oespelho da sociedade, desvenda valores, costumes e ajuda a enxergar o presente eo jogo de interesse das classes dominantes. Portanto, se faz necessário umadiscussão maior para o chamamento da sociedade, em particular a bonfinense, paraa valorização cultural.
  8. 8. 18 CAPITULO II2. QUADRO TEÓRICO: DE MÃOS DADAS COM OS CONCEITOS CHAVES Diante da problemática que tem como objetivo: analisar os significados que asintegrantes da Roda do Palmeira Mirim dão à cultura popular, confrontando nossosargumentos com alguns teóricos para um melhor aprofundamento dos conceitoschave: Significados, Roda do Palmeira Mirim, Cultura Popular.2.1 SIGNIFICADOS Quando falamos de significados temos em mente, a idéia que um povo dá adeterminada coisa. Portanto lembramos a concepção que tem Trivinos (1987) paraesta palavra, pois este nos faz compreender que esse termo através da linguagemverbal possa vir a manifestar reações e atuações do sujeito, na realidade ao qualeste faz parte, pois os significados trazem à tona a interpretação que o ser humanotem do contexto ao qual faz parte. Ferreira (2001) apresenta (significado) do latim significatus como tudo aquiloque é expresso através de uma língua, ou seja, a compreensão de tudo que existeno universo. Portanto essa é uma palavra essencial quando direcionamos nossotrabalho de pesquisa à cultura popular. Neste mesmo sentido diz Costa (2001): Significar alguém ou alguma coisa é assumir diante dessa pessoa ou objeto atitude de não-diferença, atribuindo-lhe determinado valor para nossa existência. Quando assumimos, diante de qualquer que seja uma atitude de indiferença, isso significa que aquilo não tem para nós valor algum. Quando,contrário, significamos algo, essa significação poderá ser positiva (valor) ou negativa (contra-valor ou anti-valor) (p.12) Vale ressaltar que muitas pessoas vivenciam a cultura popular, porém senegam assumir. O termo significado facilita o entendimento das expressões, dosvalores, das manifestações entre outros elementos que faz parte do universo dacultura popular, ou seja, o entendimento de um povo, a idéia que eles tem de cultura
  9. 9. 19popular, como eles demonstram essa identidade cultural. Segundo Burke (2003) “osignificado que o indivíduo possui em relação a alguma coisa tem a mesmaassimilação das estruturas que formam seu universo mental por isso um objeto podeter vários significados, pois cada ser humano tem sua maneira de ver tal coisa”.(p.31) O discurso de BurKe (1989) leva nos a compreender os vários significadosque o homem dá a cultura popular, principalmente as pessoas de outras classessociais. Portanto vale refletir sobre a fala de Oliveira (2004) que afirma que: È no significado que se encontra a unidade das duas funções básicas da linguagem: o intercâmbio social e o pensamento generalizante. São os significados que vão propiciar a mediação simbólica entre o individuo e o mundo real, constituindo-se no filtro através do qual o individuo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele (p.81). Deste modo cada ser humano vivencia a cultura popular da maneira que ocompreende, pois o significado que um dá é diferente do outro. Assim diz Bruner(2001) “por mais que o indivíduo pareça operar por conta própria ao realizar suaobra de significado, ninguém pode fazê-lo sem auxílio dos sistemas simbólicos dacultura” (p.16). Sempre vai existir significados e posicionamentos opostos em relação acultura popular. Muitos levam os conceitos do povo como verdades e outros comofalsas. Esse é um dos motivos por tentarmos compreender o que representa Rodado Palmeira para esse povo a qual vivencia.2.2 RODA DO PALMEIRA Como o próprio nome anuncia a Roda do Palmeira é uma dança comformação em círculo, onde todos dançam e cantam, de mãos dadas, girando paraesquerda e direita.
  10. 10. 20 A grande magia das danças de Roda é transmitido através das mãos, fazendocom que a energia flua entre os participantes. Segundo Câmara Cascudo (1988): Brincadeiras-de-roda (...) dançadas ou cantadas apresentando melodias e coreografias simples. Grande parte delas se apresentam com os participantes se colocando em roda e de mãos dadas, mas existem também variações, como os brinquedos-de-roda assentada, de fileira, de marcha, de palmas, de pegar, de esconder, incluindo também as chamadas para brinquedos e as cantigas para selecionar jogadores. As rodas infantis que se apresentam no Brasil - e que são o foco deste trabalho - têm origem portuguesa, francesa e espanhola. Porém com a força do cantar e ouvir abrasileiraram-se muitos destes cantos, sendo eles hoje tão nossos como se aqui nascidos ( s/p). Falar em Roda do Palmeira é sem dúvida fazer reverência, alegria e tradição,herança cultural deixada por Antônia Ferreira dos Santos Andrade, conhecida porD. Mocinha, que não mediu esforços ao longo de sua existência para nos darmomentos de animação, conhecimento e emoção. O talento de D.Mocinha surgiu quando ainda era criança, incentivada pelospais Euclides Ferreira dos Santos (marchante) e Maria Isabel Ferreira dos Santos(do lar) que eram criadores de blocos carnavalescos que brilhavam nas ruasbonfinenses. Ela ficava a brincar guizados com suas irmãs e colegas da vizinhança,o tempo foi passando e Antônia ficando moça, foi nesse momento que recebeu esteapelido (Mocinha) começou a se interessar pelos blocos carnavalescos ajudandoseus pais a produzirem as fantasias. Tempos depois, com a idade avançada de seupai, passa assumir a organização do bloco para não deixar morrer a tradição. D. Mocinha tinha uma grande vontade de realizar algo no mês de junho, entãose utilizou de suas lembranças de infância, principalmente das brincadeiras de roda,dando início a partir deste momento à grande roda. Para que tornasse algo perfeito,os membros junto a ela debruçaram-se a muitos ensaios e dedicação, tendo comoinstrumentos musicais sanfona, triângulo, banjo, zabumba em uma sede que sechamava Palmeiras cujo o seu companheiro Manoel Andrade era o presidente dareferida instituição, local onde os funcionários da antiga REFER atualmente FCA(Ferrovia Centro Atlântica) reuniam-se para jogar baralho, dominó dentre outros,tornando assim mais viável o acesso de D. Mocinha e os integrantes à reuniões eensaios na sede do Palmeira.
  11. 11. 21 Foi daí que a roda passou a ser chamada Roda do Palmeira. D. Mocinhajunto com sua irmã e demais membros, subiram pela primeira vez em um palcobonfinense em junho de 1969, onde foi um momento de muita satisfação e prestígiodando brilho ao São João de Senhor do Bonfim. Naquele tempo havia concursosentre rodas com premiação e entregas de troféus para os primeiros colocados, e aRoda do Palmeira abrilhantava esses momentos ganhando alguns troféus. Valeressaltar que no começo os integrantes eram casais, sem ser necessariamentemarido e mulher. Eram primos, amigos, vizinhos dentre outros. Logo após o términoda apresentação, todos se dirigiam a casa de Mocinha, onde acontecia o forró até odia clarear, com diversas comidas típicas. A partir daí, a Roda do Palmeira começa a ocupar o espaço na culturapopular bonfinense, levando seu brilho a vários festejos juninos como o de Juazeiro,Poços dentre outras localidades, destacamos também a transmissão da Roda doPalmeira diretamente para o Domingão do Faustão representando Senhor Bonfim anível nacional. A partir daí muitas pessoas começaram a ter o desejo de tambémparticipar e com isso o grupo foi se multiplicando, formando grupos de jovens e desenhoras. Segundo relatos a Roda das Moças teve sua ultima apresentação oficialno ano de 1993. Permanecendo assim somente a roda das senhoras. Sabemos que o destino é quem decide os caminhos trilhados pelos sereshumanos. E o de D. Mocinha chega ao fim no dia 06 de novembro de 2003, com seufalecimento deixando saudades entre familiares e membros da Roda. A vontade defazer a Roda do Palmeira brilhar era tão forte que D. Mocinha antes de morrer fezum dos últimos pedidos: não deixar a roda acabar.2.2.1 RODA DO PALMEIRA MIRIM Cumprindo o desejo da percussora maior, seus familiares e os membros daroda sobre a coordenação de uma de suas filhas, Risomar Ferreira Andrade (alunade Pedagogia 2009.1 da UNEB), organizando e mantendo a tradição passando aapresentar a Roda do Palmeira em dois grupos a roda das senhoras e a roda decrianças/ adolescentes (Roda do Palmeira Mirim) que foi criada no ano de 2004 peloseguinte motivo os integrantes são filhos(as) e netos(os) das senhoras que
  12. 12. 22participam da Roda do Palmeira, assistindo os ensaios e as apresentações osmesmos sentiam vontade de participar diretamente dessa manifestação cultural.Então Risomar Ferreira Andrade enquanto coordenadora do grupo decidiu criar aRoda do Palmeira Mirim, que em seu primeiro ano de apresentação subiu ao palcocom 25 integrantes de ambos os sexos realizando este grande projeto. Com opassar dos anos a participação masculina foi desparecendo e a partir do terceiro anode apresentação a Roda do Palmeira Mirim contou apenas com a presençafeminina. Atualmente conta com 18 meninas (crianças e adolescentes) visto que a maisnova do grupo tem apenas 1 ano e 8 meses. Sobre esse ponto Melo (1985) vemesclarecer que: “brincando de roda a criança exercita naturalmente seu corpodesenvolve raciocínio e memória, estimula o gosto pelo canto. Poesia, música edança unem-se em uma síntese de elementos imprescindíveis a educação global”.( s/p) A Roda do Palmeira, em suas duas versões, já atraiu inúmeros turistas aoantigo espaço do São João bonfinense à Praça Nova do Congresso ,e atualmenteno Parque da Cidade mas percebemos que a população não tem dado o devidovalor a esta cultura popular genuinamente bonfinense.2.3 CULTURA POPULAR Quando nos referimos à cultura, estamos fazendo referência a várioselementos entre eles a música, a dança, cantigas de roda etc. Enfim, osantropólogos definem o termo “cultura” como a atividade de cada ser humano pormeio de atribuição de valores culturais. Assim afirma Burke (1989): O termo cultura (...) hoje contudo seguindo o exemplo dos antropólogos, os historiadores e outros usam o termo “cultura” muito mais amplamente, para referir-se a quase tudo que pode ser aprendido em uma dada sociedade, como comer, beber, andar, falar, silenciar e assim por diante (p.25). Apesar de todos os avanços que têm acontecido na sociedade brasileira,ainda não se tem uma cultura definida dentro do nosso país. Visto que não existe
  13. 13. 23ninguém sem cultura, pois é dentro dela que o homem se desenvolve socialmente,criando e recriando seu meio cultural de maneira diferenciada, ou seja, cada povotem seu modo de viver sua cultura. Santos (1994) argumenta que: Cultura está muito associada a estudo, a educação, formação escolar. Por vezes se fala de cultura para se referir unicamente as manifestações artísticas como teatro, música, pintura, a escultura. Outras vezes, ao se falar na cultura de nossa época ela é quase que identificada com os meios de comunicação de massa tais como rádio, o cinema, a televisão. Ou então cultura diz respeito as festas e cerimônias tradicionais, às lendas e crenças de um povo ou seu modo de se vestir, à sua comida, e seu idioma. A lista pode ser ampliada. (p.22) Ao falarmos em cultura, não estamos citando apenas danças, músicas, mastambém valores e crenças que fazem parte do universo de uma população. Rios(2008) diz que “cultura é, na verdade, tudo que resulta da interferência dos homensno mundo que os cerca e do qual fazem parte” (p.32). A sociedade brasileira tem uma variedade cultural, mas o nosso delineamentodireciona apenas a cultura popular que apesar de estar presente em todas asépocas é a mais que sofre preconceitos por estar ligada às manifestaçõespopulares. Mas é importante deixar claro que ela vai, além disso, como argumentaFreire (2003) em uma de suas obras que a cultura popular brasileira deve serconsiderada um conjunto de criações, expressões e significados de valores dessepovo. Nesta mesma linha de pensamento, citamos a fala de Wolfogang (2007): As classes pobres sobrevivem à margem da informação, da educação, e do erudismo. Em virtude disso as classes pobres buscam em seus passados agregados as migalhas que advêm do alto para criarem uma forma de cultura que atenda as suas necessidades. Devido à carência no tocante à educação, por mais que se tente aperfeiçoar ou ultrapassar essa problemática real, a cultura criada pelas massas pobres muitas das vezes rica em sentido, lógica em razão, sofrem um decréscimo quanto ao seu conteúdo quando se predispõe ou é colocada, ou descrita e salvaguardada, no papel (s/p). No entanto, a cultura popular recebeu um destaque maior em meados dos anos 60, norteada principalmente pelos argumentos de Freire (1979) que colocava em prática uma educação com base no conhecimento popular, e foi a
  14. 14. 24 partir daí que surgiram questionamentos sobre a participação das classes menos favorecidas na construção da cultura brasileira. Assim diz Brandão (2002): Cultura popular, como cultura dinâmica, presente no meio rural e urbano, que junta tradição e atualidade sempre em transformação, um encontro entre tempos e espaços, com essência de brasilidade, juntando o local com o global, o velho e o novo, completando um com o poder do outro (p.29. Atualmente a cultura popular se apresenta de uma forma superficial porquestões sócio-economicas, mas apesar disso se encontra de forma vívida nasações dos indivíduos, adicionadas aos seus saberes.Segundo Demo (2005): Ao contrário da chamada "cultura" de massa, a cultura popular tem suas raízes nas tradições, nos princípios, nos costumes, no modo de ser daquele povo. Desta forma, cada povo produz, por exemplo, uma arte peculiar, reflexos de suas específicas qualidades, necessariamente diversa das artes de outros povos. Assim por exemplo ouve uma verdadeira arquitetura colonial brasileira muito diferente da arte de escultores de outros povos (p.93). Todos os povos tem sua própria cultura, acreditamos que é impossível existiralguém na Terra sem algum aspecto cultural. Ela pode apresentar-se de maneiradiferenciada, porém jamais inexistente. Assim diz Rios (2008): “todos os homens sãocultos, na medida em que participam de algum modo da criação cultural,estabelecem certas normas para sua ação, partilham valores e crenças” (p.33). Muitas vezes a cultura popular perde sua essência, seu valor por que éconfundida como algo folclórico, apesar de surgirem das classes populares umacoisa é bem diferente da outra. Assim diz Wolfogang (2007): A cultura popular, o folclore, muitas das vezes submetido à aguerrida intervenção das camadas dominantes, não tem dado o prestígio e o merecimento que o singelo operário, pescador, trabalhador, artesão popular, justo ele, o trabalhador incógnito que procura extravasar o cansaço de sua vida produtiva laboral dentro das manifestações folclóricas culturais populares (s/p).Ressaltamos a grande importância da cultura popular dentro da sociedade, pois elavai muito além do que muitos imaginam, ultrapassa o conceito simplista das classesdominantes, visto que está ligada a tudo que o povo produz retratando oconhecimento original e coletivo de um povo.
  15. 15. 25 CAPITULO III3. METODOLOGIA: PASSOS DA CONSTRUÇÃO A metodologia, como diz Minayo (2003), faz parte de um conjunto de técnicasque possibilita a construção de um patamar de realidades, ajudando na buscaincessante de respostas por parte de um investigador. Sabemos que através dos processos metodológicos, o pesquisador podechegar onde se deseja, nesse caso o resultado de sua inquietação. Os métodosquando utilizados de formas adequadas facilitam todo andamento da pesquisa.Como enfatiza Gil (1991) dizendo que: “pode se definir pesquisa como oprocedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostasaos problemas que são propostos” (p.19). Nesta mesma linha de pensamento Pilit e Hungler (1995) argumenta sobre aimportância dos instrumentos de pesquisa dizendo que: “por meio de métodoscientíficos é que os pesquisadores lutam para a solução de problemas, para darsentido à experiência humana, para compreender as regularidades dos fenômenos epara prever circunstâncias futuras” (s/p). A palavra pesquisa tem um sentido muito amplo porque um pesquisador podeencontrar vários significados diante de um fato, necessita de um amplo estudo darealidade existente para que seja descoberto o foco de interesse. Assim confirmaGalli (2006): A palavra pesquisa pode denotar desde a simples busca de informações, localização de textos, eventos, fatos, dados, locais ate o uso de sofisticação metodológica e uso de ponta para abrir caminhos novos no conhecimento existente, e mesmo criação de novos métodos de investigação e estruturas de abordagem do real (p.26) A pesquisa não é um trabalho que pode ser realizado de qualquer maneira,precisa ser feito minuciosamente, com cuidado, pois é a partir dos resultados quesurgem as intervenções.
  16. 16. 263.1 TIPO DE PESQUISA A pesquisa realizada foi do tipo qualitativa, pois adentrou o universo emtrabalhos de pesquisa de campo atrelada a significados, portanto é algo que não sepode quantificar e sim descrever dados obtidos com os sujeitos. Assim afirmaMinayo (1995): A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. (p.21-22) Segundo Bodgan e Biklen (1998), a pesquisa qualitativa pretende trazerresultados que possam demonstrar o comportamento humano: ... melhor compreender o comportamento e a experiência humana. Eles procuram entender o processo pelo qual as pessoas constroem significados e descrevem o que são aqueles significados. Usam observações empíricas porque é com os eventos concretos do comportamento humano que os investigadores podem pensar mais clara e profundamente sobre a condição humana. (p.18) Para Triviños (1987), “pesquisa qualitativa, pesquisa de campo ounaturalística, porque o investigador atua no meio onde se desenrola a existênciamesmo bem diferente das dimensões e características de um laboratório” (p.121). A pesquisa qualitativa facilita a compreensão do pesquisador quanto a suainquietação, pois traz uma preocupação com o meio social. Assim diz Pádua (1997):“... as pesquisas qualitativas tem se preocupado com o significado dos fenômenossociais, levando em consideração as motivações, as crenças, valores,representações sociais, que permeiam rede de relações sociais” (p.31) Neste sentido, percebemos que a pesquisa qualitativa responde questõesparticulares principalmente ligadas a significados, pois o pesquisador tenta darsentido e também fazer interpretação dos dados adquiridos através de falas, gestosentre outros fatores que aparece no decorrer do processo.
  17. 17. 273.2 LÓCUS DE PESQUISA Esta pesquisa foi desenvolvida na sede provisória da Roda do Palmeira quefunciona na rua Pero Vaz Nº 77,bairro Alto da Maravilha em Senhor do Bonfim/BA.3.3 SUJEITOS DE PESQUISA São 12 integrantes da Roda do Palmeira Mirim todas residentes em Senhordo Bonfim. Portanto foram escolhidas por conhecerem a história desta manifestaçãocultural tão bonita e antiga nas terras bonfinenses.3.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS Para desenvolver uma pesquisa é necessário utilizar instrumentos que sirvamde base na construção do trabalho e principalmente na obtenção dos resultados.Portanto, essas ferramentas são de suma importância para compreendermos oobjetivo da nossa pesquisa. Utilizamos a Observação participante e Entrevista semi-estruturada para obter dados fundamentais, respondendo a nossa inquietação.3.4.1 OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE O primeiro instrumento utilizado foi a observação participante. Sendo tambémparte dessas integrantes tornou-se fácil o trabalho observatório e instigador dessapesquisa. Neste sentido afirma Ludke e André (1986): O observador como participante é um papel em que a identidade do pesquisador e os objetivos do estudo são revelados ao grupo pesquisado desde o início. Nessa posição, o pesquisador pode ter acesso a uma gama variada de informações, até mesmo confidenciais, pedindo cooperação ao grupo (p.29). A observação participante tem um valor significante, pois é nesses momentosque surgem os diálogos informais, momentos em que o pesquisador precisa atento atodos os detalhes porque durante o processo esse processo que surge dadosimportantes para pesquisa. Assim confirma Michalizyn (2005):
  18. 18. 28 A observação participante possibilita ao pesquisador a vivência, participando intensamente do cotidiano dos grupos em estudo, observando todas as manifestações presentes na cultura material do grupo, bem como as reações psicológicas de SUS membros, seu sistema de valores e seus mecanismos de adaptação (p. 35). Durante todo processo o pesquisador mantém-se ligado ao cotidiano dossujeitos buscando informações mantendo contato direto para facilitar odesenvolvimento do trabalho.3.4.2 QUESTIONÁRIO FECHADO Para conhecer os sujeitos precisarmos de alguns dados para traçar o perfil decada um para facilitar a interpretação dos dados, então veio a necessidade deutilizar o questionário fechado que nos possibilitou um conhecimento maior sobrecada um fornecendo assim melhores detalhes para pesquisa. Assim ressaltamos oposicionamento de Marconi e Lakatos (1996) em relação a esse instrumento: Questionário é um instrumento de coleta de dados, constituído por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito sem a presença do entrevistador. Em geral, o pesquisador envia o questionário ao informante, pelo correio ou por um portador depois de preenchido, o pesquisado, devolve-o do mesmo modo. (p.88) O questionário fechado é um dos instrumentos que dá mais espaço e opçãode resposta o sujeito, pois respondendo em casa sozinho ele tem mais tempo parapensar sobre o que responder. Segundo Barros (2000) o questionário não está restrito a uma únicaquantidade de questão, o pesquisador deve usar o número de questão que julgarnecessário ao seu foco de pesquisa desde que não deixe o sujeito pesquisadoexaustivo, pois pode acabar atrapalhando o objetivo que deseja ser alcançado.3.4.3 ENTREVISTA SEMI- ESTRUTURADA Também utilizamos a Entrevista semi-estruturada instrumento de extremaimportância, pois nos possibilitou na compreensão de alguns dados que não foram
  19. 19. 29identificados durante a observação participante. Sendo que dá uma ênfase maior navalorização das falas dos sujeitos. Vale citar as idéias de Triviños (1987): Podemos entender por entrevista semi-estruturada em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante (p.146) A entrevista possibilita diagnósticos de inquietações sociais, permitemrespostas claras, é neste momento que o entrevistado coloca em evidências asinformações que obtém consigo. Ressaltamos Marconi e Lakatos (1996): A entrevista é o encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversão de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a coleta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social (p.84). O trabalho que tem a entrevista semi-estruturada como elemento de basepossui um melhor fundamento, pois o sujeito fala, demonstra gestos entre outrosdetalhes que influenciam nos resultados.3.5 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA A primeira etapa da pesquisa, ou seja, a observação foi realizada entre osmeses de Maio e Junho de 2011 momentos em que os integrantes reuniam-se nacasa de uma das filhas de D. Mocinha, percussora dessa tradição, onde realizaramensaios para a apresentação no Parque da Cidade. Durante esses momentos de observação, foi possível perceber a dedicação ea alegria dessas integrantes para continuarem levando em frente essa culturapopular. As integrantes da Roda do Palmeira Mirim tratam-se como membros damesma família, firmam através dessa tradição laços de união e amizade. Valedestacar que a primeira parte desse trabalho foi fácil, por fazer parte dessa tradição.
  20. 20. 30 No segundo momento trabalhamos com os questionários fechado, não foidifícil porque distribuímos nas casas de cada um dos sujeitos e voltamos a recolher4 dias depois, portanto elas tiveram um bom tempo para refletir sobre as questõesque direcionamos naquele papel. A etapa mais complicada foi a ultima (entrevista semi-estruturada), asmeninas tiveram uma grande resistência em participar das entrevistas. Pois tivemosque usar um gravador para captar as falas para que depois pudéssemos transcreverna integra. Esse pequeno instrumento causou um grande entrave nas entrevistadas.Tornando assim nosso trabalho mais difícil. Cabe citar que nosso árduo, porémgratificante.
  21. 21. 31 CAPÍTULO IV4. ANALISANDO OS DADOS E OS RESULTADOS DA PESQUISA Neste capítulo apresentaremos dados coletados acompanhados dos seusrespectivos resultados que forma obtidos através dos instrumentos metodológicosque utilizamos no decorrer da pesquisa que foram de grande serventia parachegarmos aos resultados. Nossa trabalho buscou resposta possíveis para nossas inquietações, sendoque a mesmo deixa lacunas para futuras indagações. Visto que não tivemosintenção de encontrar única resposta. Foi nas vivências dentro da Roda do Palmeira, junto as senhoras, que nosinfluenciaram a tentar compreendermos os significados que ascrianças/adolescentes da Roda do Palmeira Mirim dão a cultura popular. Portanto,procuramos trabalhar com os seguintes instrumentos de coleta de dados:observação participante, questionário fechado e entrevista semi-estruturada.4.1 O PERFIL DOS SUJEITOS Trazemos abaixo a análise do questionário fechado que nos possibilitaramtraçar o perfil das integrantes da Roda do Palmeira Mirim onde foi possível conheceros sujeitos da pesquisa e seus aspectos sócios culturais. Dentre as informaçõesadquiridas damos ênfase nos tópicos seguintes.4.1.1 GÊNEROAnalisamos que em relação ao gênero 100% do sexo feminino. Ressaltamos quenos dois primeiros anos de apresentação a Roda do Palmeira Mirim contava com aparticipação de ambos os sexos, mas com o passar do tempo ascrianças/adolescentes do sexo masculino foram perdendo a vontade de participardesta manifestação cultural deixando todo espaço para participação feminina.
  22. 22. 32Vejam o seguinte gráfico: Sexo feminino Figura 1: Dados do questionário fechado4.1.2 IDADE: FAIXA ETÁRIA 17% 33% 10 ANOS DE IDADE 17% 11 ANOS DE IDADE 8% 12 ANOS DE IDADE 25% 13 ANOS DE IDADE 15 ANOS DE IDADEFigura 2: Dados do questionário fechado A faixa etária de idade dos sujeitos pesquisados varia de 10 a 15 anos.Escolhemos essa mostra com essa faixa etária por entendermos que os mesmos jápossui um domínio de leitura e escrita o que facilitaria o desenvolvimento de nossapesquisa. Entretanto a Roda do Palmeira Mirim conta com a participação demembros com idades que variam de 1ano e 8 meses a 15 anos.4.1.3 ESCOLARIDADE
  23. 23. 33 Em relação a escolaridade 100% afirmam freqüentar instituição de ensino.Visto que 83% são provenientes de instituição pública e 17% de instituição privada. 17% Provenientes de instituição pública 83% Provenientes de instituição privadaFigura 3: Dados do questionário fechado Focalizamos que os sujeitos provenientes de instituição pública advém defamílias carentes que tem renda familiar até um salário mínimo tornando assiminviável o acesso a escola particular. No entanto os demais possui uma renda atédois salários mínimos.4.1.4 TEMPO DE PARTICIPAÇÃO 8% A mais de 3 anos de participação 92% 2 anos de participaçãoFigura4: Dados do questionário fechado Constatamos que 92% dos sujeitos participam da Roda do Palmeira Mirim amais de 3 anos e 8% a dois anos contribuindo com esta manifestação cultural. Eassim os mais experientes compartilham ensinamentos adquiridos com os iniciantes.
  24. 24. 344.1.5 INFLUÊNCIA FAMILIAR 8% Foram influenciadas 92% Não sofreram influência Figura4: Dados do questionário fechado Percebemos que 92% das integrantes da Roda do Palmeira Mirim têmparentesco com alguma das senhoras da Roda do Palmeira. Entretanto, a maioriadeclarou ter sofrido influência familiar para participar desta manifestação cultural.Pois sempre acompanhavam as reuniões e ensaios, assim despertaram também odesejo de fazer parte desta tradição. Pois estas senhoras mesmo sendo semi-analfabetas conseguem criar versos e cantigas que deslumbra turistas bonfinenses,transparecendo emoções, bravuras entre outros, deixando exemplos de vida para asnovas gerações, contrariando aqueles que acreditam que as pessoas que não foramalfabetizadas não tem cultura. Jovchelovitch (2001) argumenta sua opinião sobre a visão que algumaspessoas das classes dominantes tem em relação aqueles que não foramalfabetizados: A boa cultura exige que se limpe as inteligências e falsas opiniões que comprometem tudo o que nelas venham a ser plantada. É preciso “arar” nossas inteligências, habituando-as a pensar. Pois apenas estudar não significa adquirir cultura: há analfabetos mais “cultos” do que muitos eruditos. Finalmente será chegado o momento de “plantar”, ordenadamente verdades úteis em nossa mente (p.42) Neste mesmo sentido, salienta Ortiz (1992):
  25. 25. 35 Para alguns burgueses as classes populares não possui nenhuma cultura e se caracterizam pela falta de civilização. A escola e o serviço militar seriam mecanismos de promoção da cultura urbana. Por outro lado, os folcloristas coferem aos camponeses idealizados uma tradição em vias de extinção, ligando a cultura popular ao passado, em cheque com a civilização, sendo eliminada ou confinada aos museus (p.64-65) Portanto, essas senhoras têm grandes saberes culturais e procuram atravésda Roda passar também as crianças.4.2 ANÁLISE DA ENTREVISTA SEMI- ESTRUTURADA Procuramos mostrar aqui a análise da entrevista semi-estruturada fazendo umenlace com a observação participante expondo os significados que as integrantes daRoda do Palmeira Mirim dão a cultura popular. Ressaltamos que as falas obtidas no decorrer das entrevistas foram degrande valia para finalização desta pesquisa, as quais serão apresentadas nascategorias a seguir. Sendo assim, o nosso trabalho surge a partir dos dados coletados com ossujeitos que serão chamados de (P1, P2... P12) onde o P significa pessoa e onúmero a ordem que foram entrevistadas.4.2.1 SIGNIFICADO DE CULTURA POPULAR COMO MANIFESTAÇÃOCULTURAL Trazemos os resultados atribuídos pelas integrantes da Roda do PalmeiraMirim a manifestação cultural.Quando questionamos no momento da entrevista sobre o que é Roda do PalmeiraMirim apenas uma das entrevistadas defendeu o conceito de Roda do Palmeiracomo manifestação cultural. - É uma Manifestação cultural. (P3) Através desse discurso ficaram evidenciados fatos que podem ser vistoscomo contradição do entendimento que elas têm sobre o que é realmente uma
  26. 26. 36manifestação cultural, ou seja, compreendem por outros viés. Já que anteriormenteno questionário fechado todas afirmavam que a Roda do Palmeira era umamanifestação cultural. Segundo Murray (2008): No país da ginga, do drible de corpo, do molejo do samba, dos passos codificados do terreiro e da malícia do golpe de capoeira, podemos afirmar que as nossas festas populares são o símbolo máximo de nossa identidade nacional e espelho coreógrafo da alma do povo. (...) celebrando em forma de procissão, de romaria, de roda, de bloco ou de desfile, nossas festas traduzem nossa diversidade multicultural (p. 97-98) Por isso ao perguntamos qual era o significado da Roda do Palmeira Mirim navida delas, apenas 8,3% respondeu que considerava uma manifestação cultural.Vejamos a resposta a seguir: Significa uma manifestação cultural. (P4) Enfocamos que manifestação cultural é afirmação de suas crenças, costumesdentre outros elementos que caracterizam sua tradição, ou seja, sua identidadecultural. Assim afirma Gabriel (2008): A identidade cultural se relaciona a aspectos de nossas identidades que surge “do pertencimento” a culturas étnicas, raciais, linguíticas, religiosas e, sobretudo nacionais. Alguns estudiosos afirmam que, de alguma maneira, pensamos nesta identidade como parte de nossa natureza essencial, que nos faz sentir indivíduos de uma sociedade, grupo, estado ou nação (p.76) Assim, as integrantes da Roda do Palmeira Mirim assimilam os valores dentrodesta manifestação cultural espelhando-se nos ensinamentos passados pelos maisvelhos e vão construindo as suas identidades culturais. A Roda do Palmeira Mirim como manifestação cultural tem sido umaexpressiva na cultura bonfinense, é típica e tradicional, apesar de está perdendo oespaço para as danças mais modernas preserva nas cantigas, danças e versos deroda a história e cultura de nossa terra.4.2.2 CULTURA POPULAR SIGNIFICADA COMO TRADIÇÃO
  27. 27. 37 As entrevistadas demonstraram ter outras concepções sobre a Roda doPalmeira Mirim, pois visualizam principalmente como tradição. Portanto veremos aseguir alguns relatos referente a 91,7% dos sujeitos: - Uma dança, uma tradição. (P1) - Uma tradição bonfinense. (P12) Para os sujeitos a Roda como elemento da cultura popular já simboliza umatradição, pois é o sustentáculo da cultura bonfinense. Segundo Wosien (2000): “Estatradição em sua grande multiplicidade, permite, ainda hoje, uma oferta inesgotávelpara os esforços na vida religiosa e na prática pedagógica e terapêutica, deencontrar as bases de uma comunhão plena de sentidos” (p.8) Diante disso, Vianna (2008) vem explicar que: “Entende-se por cultura ossistemas de significados, os valores, crenças, práticas e costumes; ética, estética,conhecimentos e técnicas, modo de viver e visões do mundo que orientam e dãosentido (p.119) A partir dessa fala de Vianna acreditamos que a cultura popular para essasintegrantes não tem um único significado e sim vários, porque cada uma tem umamaneira de ver os momentos vivenciados dentro desta.4.2.3 CULTURA POPULAR COMO ALGO CELEBRATÓRIO Ao analisarmos os argumentos dos sujeitos percebemos que a Roda doPalmeira vai além de uma mera demonstração no São João, pois trás consigovários elementos, entre eles a alegria e a felicidade, para 75% dos sujeitos são ossentimentos mais presente quando sobem ao palco. Eu se sinto feliz. (P6) Muito feliz. (P5) Muito alegre. (P4) Segundo algumas dessas integrantes da Roda do Palmeira Mirim, participardesses momentos torna-se muito significativo porém como se fosse um show, pois
  28. 28. 38cantam, dançam, se divertem, compartilham emoções com as outras companheiras.Para Gullar (1983): Cultura é sem dúvida, um conceito de extensão miseravelmente vasto. A rigor, quer dizer tudo que não é exclusivamente natureza e passa a significar praticamente tudo no mundo como o de hoje penetrado por todas as partes pela ação criadora do trabalho humano (p.37) A fala de Gullar leva nos entender que a grande extensão do conceito decultura dá oportunidades para que as pessoas criem vários significados,principalmente quando se refere à cultura popular. Portanto, para atrair o olhar de toda população bonfinense e visitantespresentes no espaço (Parque da cidade) durante os festejos juninos se inspiram nosversos e cantigas criados por D. Mocinha que para elas é exemplo de dedicação,pois conseguiu através de sua garra transformar a Roda do Palmeira em umagrande manifestação cultural genuinamente bonfinense. Para Almeida (2004): A cultura produz e também reproduz, faz nascer, renascer o conhecimento, as sabedorias, mostra novamente o antigo, demonstra o novo, o saber-fazer dos homens, É sempre contemporânea do presente, até mesmo quando expõe o velho, a cultura que já foi. Ela se expõe, ao mesmo tempo, para produção e consumo, independente de faixa etária, formação, pré- requisitos. Deixa-se ver, ouvir, falar, comer, mexer, usar por consumidores de diferentes idades culturais e gosto (p.13-14) Nos discursos das meninas da Roda do Palmeira Mirim percebemos oorgulho que elas têm por fazer parte desse grupo.Portanto a maioria argumentaque entram na Roda do Palmeira Mirim com objetivo de transmitir uma manifestaçãode alegria e felicidade para todos aqueles que param para prestigiar e aplaudir assuas apresentações. Vejam algumas explanações dessas integrantes. Eu, convidar as pessoas para sentir a felicidade na roda (P7).Diante disso, ressaltamos que a Roda do Palmeira Mirim não têm como objetivomaior adquirir lucros e sim proporcionar a sociedade bonfinense momentos de
  29. 29. 39diversão. Pois as integrantes tem como intuito fazer com que as pessoas sintam asmesmas sensações que elas sentem quando estão dançando na Roda.4.2.4 CULTURA POPULAR COMO PROMOTORA DO DESENVOLVIMENTOSÓCIO – ECONÔMICO Visualizamos também que as integrantes da Roda do Palmeira Mirim vêem aCultura popular como um item significativo para o desenvolvimento sócio econômicode Senhor do Bonfim, pois durante o mês de junho a Roda do Palmeira Mirim dentreoutras manifestações culturais atrai para senhor do Bonfim muitos apreciadores daverdadeira cultura popular que acabam injetando na cidade recursos financeiros, aexemplo de hotéis, restaurantes, bares dentre outros. Veja a seguir o que disse umadas entrevistadas. -Contribui com o desenvolvimento de Senhor do Bonfim. (P6) Salientamos que apesar dá cultura popular fortalecer o desenvolvimentosócio-econômico da cidade de Senhor do Bonfim durante os festejos juninos, nodecorrer do ano permanece esquecida pela população bonfinense. Além do que nãorecebe um apoio financeiro suficiente por parte do governo municipal quepossibilitaria a esta manifestação um maior reconhecimento par que possa trazer ummaior número de visitantes a nossa cidade. Para isso faz-se necessário ampliar onúmero de apresentações culturais durante o ano, atraindo assim, mais recursos. Espero que seja mais reconhecida e beneficiada financeiramente pela prefeitura de Senhor do Bonfim, para que essa roda não acabe. (P3) Diante disso citamos Chartier (1995) que diz o seguinte: Inútil querer identificar a cultura popular a partir da distribuição supostamente especifica de certos objetos ou modelos culturais. O que importa de fato, tanto quanto sua repartição, sempre mais complexa do que parece, é sua apropriação pelos grupos ou indivíduos. Não se pode mais aceitar acriticamente uma sociologia da distribuição que supõe implicitamente que a hierarquia das classes ou grupos corresponde uma hierarquia paralela das produções e dos hábitos culturais (p.184)
  30. 30. 40 Chauí (1986) deixa claro na sua fala que muitas vezes a Cultura Popular nãoconsegue ampliar seu leque de riquezas e sabedoria devido o envolvimento daclasse dominante que na maioria das vezes acabam estragando seu verdadeirosentido: Quando se fala em cultura popular, não enquanto manifestação dos explorados, mas enquanto cultura dominada, tende-se a mostrá-la como invadida, aniquilada pela cultura de massa e pela indústria cultural, envolvida pelos valores dos dominantes, pauperizada intelectualmente pelas restrições impostas pela elite, manipulada folcloricamente nacionalista, demagógica e exploradora, em suma, como impotente face a dominação (p.63) Também é notório que a cultura popular tem sido aniquilada dentro desociedade devido a cultura industrial que tem chegado com grande avanço a nossacidade trazendo consigo novos elementos culturais de outros povos, fazendo comque jovens, adolescentes e crianças percam o foco cultural do seu berço de origem. Porém sabemos que se a cultura popular não for devidamente valorizadacorre o risco de tornar-se recordações do passado bonfinense. Podemos constataratravés de histórias dos antepassados, muitas coisas que faziam parte da culturabrasileira e foram abolidas e esquecidas.
  31. 31. 41 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este trabalho que teve por objetivo analisar os significados que as integrantesda Roda do Palmeira Mirim dão a cultura popular. Nos possibilitou trazer algumasconsiderações acerca dos dados coletados no decorrer da pesquisa. Por issoprocuramos aqui mostrar nossas reflexões considerando todo processo histórico daRoda do Palmeira. E a partir desse reflexionamento procuramos mostrar todadesvalorização da sociedade com esta manifestação cultural. Ao longo dos anos, D. Mocinha procurou através de sua garra expandir aRoda do Palmeira para todos bonfinenses e turistas que visitavam a cidade no mêsde junho. Primeiramente apresentava-se com casais e depois ergueu a tradição comas senhoras. As lutas de D. Mocinha não foram poucas para levar essa tradiçãoadiante, criava cantigas, versos, virava a madrugada confeccionando roupas dentreoutros apetrechos para abrilhantar as noites do São João bonfinense. Durante os momentos de observação e entrevista percebemos nas falas egestos quais eram os significados das mesmas sobre cultura popular. Para a maioriadas entrevistadas, a Roda não é uma cultura popular e sim uma tradição de alegriacriada por D. Mocinha e que elas querem levar adiante. Também visualizamos que apopulação bonfinense não tem dado o devido valor que a Roda do Palmeira merece,a quantidade de sujeitos está diminuindo e a omissão de apoio e patrocínio pelasautoridades locais dificulta o crescimento desta manifestação cultural. Ao analisarmos os entraves diante desta manifestação, percebemos algosignificante, a garra que eles trazem consigo para confirmar e reafirmar quepretende manter o ritmo animado e contagiante levando adiante passando para asfuturas gerações os conhecimentos culturais que surgiram a partir de uma meninachamada “mocinha”, transmitindo os valores que ela proporcionou a todos até o diade sua morte. Diante da análise concluída não podemos dizer que as componentes da Rodado Palmeira Mirim tem um significado único de cultura popular, mas sim diversos
  32. 32. 42significados, pois a Roda do Palmeira Mirim inserida dentro da cultura popularpossui uma diversidade de elementos como a dança, as cantigas, os versos dentreoutros que fazem com que as integrantes signifiquem por outras linhas depensamentos. Percebemos que as integrantes da Roda do Palmeira conhecem a históriadessa tradição, tem orgulho de fazer parte desta e procuram levar adiante para quenão venha ter fim. Vale ressaltar a Roda do Palmeira como uma cultura popular genuinamentebonfinense, pois ela não tem vínculos com outras manifestações, surgiu em Senhordo Bonfim e continua aqui. É uma manifestação linda que contagia muitos turistasapesar de não ser tão valorizada pelo povo desta cidade. Sabemos que esse trabalho deixou lacunas que possivelmente serãopreenchidas por outras pesquisas futuras, mas acreditamos que possa contribuircom a valorização da cultura popular bonfinense. O nosso povo procura fechar osolhos diante das coisas bonitas criadas por nossos antepassados, mas asintegrantes da Roda do Palmeira Mirim estão persistindo e levando adiante. Entãoleva nos a crer que esse trabalho será um reforço na expansão desta manifestaçãocultural
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