Dicas ultrassonográficas

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Dicas ultrassonográficas

  1. 1. Dicas Ultrassonográficas030 - Lama biliarPorCPUA lama biliar ou barro biliar, também denominada bile espessa, é um achado ultrassonográficorelativamente freqüente no interior da vesícula biliar.Sua composição inclui granulações de bilirrubinato de cálcio e cristais de colesterol.Ultrassonograficamente, a lama biliar aparece como ecos de baixa intensidade contrastandocom a bile normal, anecóica. Como a lama biliar é mais espessa e densa que a bile normal,forma-se um nível líquido-líquido, sendo que a lama biliar situa-se mais posteriormente que abile normal, com o paciente em decúbito dorsal.A vesícula biliar pode também ser totalmente preenchida por lama biliar, não se visualizandonenhuma quantidade de bile normal.Em alguns casos, a lama biliar pode simular massa tumoral vesicular quando ela aparece muitoecogênica e compacta, a chamada lama tumefeita ou tumefacta.Pode haver coexistência de lama biliar e cálculos. Naturalmente, os cálculos apresentamsombreamentos acústicos posteriormente.A distinção da lama biliar de pólipos e tumores vesiculares é fácil devido a mobilidade da lamabiliar dentro da vesícula, com a mudança de decúbito.Se, em alguns casos, a distinção não for fácil, é importante utilizar o Doppler colorido paradetecção de vasos intra-tumorais, se a dúvida for entre tumor e lama tumefeita. A presença devascularização no interior da massa indica tumor e descarta lama biliar tumefeita.
  2. 2. Porém, a ausência de vascularização não dá o diagnóstico de certeza de lama biliar tumefeita,porque podem existir tumores hipovascularizados.Ainda como diagnóstico diferencial, devemos lembrar a presença de sangue oupúsintravesicular.A importância clínica da lama biliar não foi ainda completamente esclarecida, mas em grandenúmero de pacientes, ela pode ser considerada um equilíbrio dinâmico entre a formação e aeliminação de cristais. Apesar disso, em uma porcentagem menor de pacientes, ela constitui-se no estágio inicial da formação de cálculos biliares.Existem suspeitas de que os cristais biliares da lama biliar possam causar pancreatite.Por este motivo, é importante a detecção de lama biliar em casos de pancreatite de origemdesconhecida.ESTEATOSE HEPÁTICA | Gordura nofígadoAutor do texto: Pedro Pinheiro - 5 de março de 2012 | 00:43A esteatose hepática é uma condição do figado causada pelo acúmulo degordura no mesmo. Neste texto textos vamos abordar as seguintes questões sobrea esteatose hepática: O que é esteatose hepática. O que causa esteatose hepática. Diferenças entre esteatose hepática e esteato-hepatite. Quais os sintomas da esteatose hepática. Quais os graus de esteatose hepática. Qual o tratamento da esteatose hepática.O que é esteatose hepática?O termo hepático tem origem grega e significa fígado. Esteato é o termo queindica relação com gordura. Portanto, esteatose hepática significa literalmentefígado gorduroso ou fígado gordo.
  3. 3. Esteatose hepáticaNosso fígado possui normalmente pequenas quantidades de gordura, que compõecerca de 10% do seu peso. Quando o acúmulo de gordura excede esse valor,estamos diante de um fígado que está acumulando gordura dentro do seu tecido.A ilustração ao lado mostra as diferenças entre um fígado com pouco acúmulo degordura e um figadoesteatótico. Reparem no tamanho e na coloração amareladado fígado gorduroso.Há algumas décadas acreditávamos que o acúmulo de gordura no fígado eracausado apenas pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas e que a presençada esteatose era necessariamente algo danoso à saúde. Atualmente sabemos quea esteatose hepática é muito comum e pode ser causada por diversas outrascondições que não a ingestão crônica de álcool (falaremos das causas maisabaixo).Uma esteatose hepática leve (esteatose hepática grau 1 ou 2) normalmente nãocausa sintomas ou complicações. O acúmulo de gordura é pequeno e não leva àinflamação do fígado.Quanto maior e mais prolongado for o acúmulo de gordura no fígado, maiores sãoos riscos de lesão hepática. Quando há gordura em excesso e por muito tempo, ascélulas do fígado podem sofrer danos, ficando inflamadas. Este quadro é chamadode esteato-hepatite ou hepatite gordurosa. A esteato-hepatite é um quadro bemmais preocupante que a esteatose, já que cerca de 20% dos pacientes evoluempara cirrose hepática (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSE HEPÁTICA).Portanto, a esteatose hepática é um estágio anterior ao desenvolvimento daesteato-hepatite, que como o próprio nome diz, nada mais é que uma hepatitecausada por excesso de gordura (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE ASHEPATITES). Cabe aqui salientar que nem todo paciente com esteatose hepáticairá evoluir para esteato-hepatite. Na verdade, a maioria não o faz.A principal causa de esteato-hepatite é o consumo de bebidas alcoólicas. Emgeral, dividimos os casos entre esteato-hepatite alcoólica e esteato-hepatite nãoalcoólica. A hepatite alcoólica e os malefícios do álcool já foram abordados emoutros textos (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSEHEPÁTICA e MALEFÍCIOS DO CONSUMO DE ÁLCOOL E ALCOOLISMO). Por
  4. 4. isso, neste artigo vamos nos ater apenas à esteato-hepatite não alcoólica.Causas de esteatose hepáticaNão se sabe exatamente por que alguns indivíduos desenvolvem esteatosehepática, mas algumas doenças estão claramente ligadas a este fato. Podemoscitar:- Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA). Mais de 70% dospacientes com esteatose hepática são obesos. Quanto maior o sobrepeso, maior orisco.- Diabetes Mellitus (leia: DIAGNÓSTICO E SINTOMAS DO DIABETESMELLITUS). Assim como a obesidade, o diabetes tipo 2 e a resistência à insulinatambém estão intimamente relacionados ao acúmulo de gordura no fígado.- Colesterol elevado (leia: COLESTEROL BOM (HDL) E COLESTEROL RUIM(LDL)). Principalmente níveis altos de triglicerídeos.- Drogas. Várias medicações podem favorecer a esteatose, entre as maisconhecidas estão: corticoides, estrogênio, amiodarona, antirretrovirais, Diltiazen eTamoxifeno. O contato com alguns tipos de pesticidas também está relacionado aodesenvolvimento de esteatose hepática.- Desnutrição ou rápida perda de grande quantidade de peso.- Cirurgias abdominais, principalmente "bypass gástrico", retirada de partes dointestino e até cirurgia para remoção da vesícula (leia: PEDRA NA VESÍCULA ECOLECISTITE ).- Gravidez.Não é preciso ter alguma das condições citadas acima para ter esteatose hepática.Pessoas magras, saudáveis e com baixa ingestão de álcool também podem tê-la,apesar deste fato ser menos comum.A esteatose hepática é mais comum no sexo feminino, provavelmente por ação doestrogênio.Sintomas da esteatose hepáticaA esteatose hepática não causa sintomas. Normalmente, o diagnóstico é feitoacidentalmente através de exames de imagem, como ultrassonografias outomografias computadorizadas solicitadas por outros motivos.
  5. 5. Alguns pacientes com esteatose hepática queixa-se de fadiga e sensação de pesono quadrante superior direito do abdômen. Não há evidências, entretanto, queesses sintomas estejam relacionados ao acúmulo de gordura no fígado. Hápacientes com grau avançados de esteatose que não apresentam sintoma algum.O que diferencia o acúmulo de gordura benigno da esteatose hepática do acúmulode gordura prejudicial da esteato hepatite é a presença de inflamação no fígado.Ambos os quadros não costumam causar sintomas. Clinicamente é impossíveldistingui-los.É importante destacar que através dos exames de imagem também nem sempre épossível diferenciar casos de esteatose, principalmente em fase avançada, daesteato-hepatite. A ultrassonografia, por exemplo, consegue-se ver bem a gordura,mas não possui sensibilidade suficiente para se descartar ou confirmar a presençade inflamação no fígado.Os exames de imagem também não conseguem distinguir a esteato-hepatite dasoutras causas de hepatite. Por isso, uma história clínica, exame físico e análiseslaboratoriais são imprescindíveis para a avaliação do paciente. Uma boa avaliaçãomédica pode identificar a causa da lesão hepática.As análises laboratoriais servem para avaliar o grau de lesão do fígado através daschamadas enzimas hepáticas (TGO e TGP ou AST e ALT) e de outros marcadoresde doença do fígado, como a gama GT (leia: O QUE SIGNIFICA AST (TGO) EALT (TGP)?). Na esteatose hepática, as enzimas do fígado estão normais,enquanto na esteato-hepatite há aumento das mesmas.Para saber sobre os sintomas de outras doenças do fígado, leia: 12 SINTOMASDO FÍGADO.Graus de esteatose hepáticaGeralmente é possível quantificar a quantidade de gordura acumulada no fígadoatravés da ultrassonografia. Os laudos costumam indicar esteatose hepática grau1 quando há pequeno acúmulo de gordura, esteatose hepática grau 2 quando háacúmulo moderado e esteatose hepática grau 3 quando há grande acúmulo degordura no fígado.Essa graduação não tem muito peso, uma vez que o mais importante é a presençaou não de inflamação no fígado. O paciente pode ter esteatose grau 3 e nãoapresentar inflamação hepática, mesmo após 20 anos de acúmulo de gordura, oque o coloca sob baixo risco de evolução para cirrose.
  6. 6. Biópsia hepáticaO único modo de se diagnosticar uma esteato-hepatite com certeza é através dabiópsia hepática. Este procedimento costuma ser indicado apenas nos pacientescom sinais clínicos, radiológicos e/ou laboratoriais de lesão do fígado. O pacientecom um esteatose leve não precisa ser biopsiado.Portanto, se você tem imagem ao ultrassom sugestiva de esteatose hepática, masnão apresenta sintomas e não tem sinais de lesão hepática, é necessário apenas oacompanhamento anual para se avaliar progressão da doença. Não hánecessidade de se repetir exames de imagem pois estes não são bons paraavaliar a progressão da esteatose.Se há sinais de esteato-hepatite, com sintomas ou alterações nos exameslaboratoriais, deve-se pensar na hipótese da biópsia e o paciente deve serreavaliado a cada seis meses. Este paciente deve ser seguido por umhepatologista.Tratamento da esteatose hepáticaNão existe tratamento específico para esteatose. O alvo deve ser o tratamento dosfatores de risco citados acima. A fase de esteatose pode ser reversível apenascom alterações dos hábitos de vida.A perda de peso é, talvez, a mais importante medida. Todavia, deve-se limitar aperda de peso ao máximo de 1,5 kg por semana para se evitar uma piora doquadro. A prática regular de atividade física também ajuda muito, pois diminui ocolesterol e aumenta o efeito da insulina.Em doentes com obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica pode ser uma opção.Deve-se controlar o colesterol, o diabetes, e se possível, trocar drogas quepossam estar colaborando para a esteatose.Medicamentos como metformina (em pacientes não-diabéticos), vitamina E e C,losartan e Orlistat (xenical) apresentam resultados controversos e ainda não háuma indicação formal para o seu uso.

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