Revist'A Barata - 01

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Revist'A Barata - 01

  1. 1. Jethro TullAugusto dos AnjosUivo BeatBukowskiRimbaudLeminskiCaetano VelosoSchopenhauerCarro BombaLágrima PsicodélicaBarata CichettoGiraÇolPercy WeissViegas F. da CostaMeat LoafThomas PychonMariano VillalbaSangue de BarataAno 1 - Edição 1 - Junho de 2010www.abarata.com.br/revista
  2. 2. EditorialEnfim, Uma Revist’ABarata!...Há anos venho tramando a edição de uma revista.Durante o período de 2001 a 2004 editei em papel, emprocesso Xerox, umas 10 edições da Revist"A Barata.Mas o custo de produção de uma edição impressa,mesmo em processos mais simples como esse ainda émuito caro. No Brasil. E gastar com cultura é algo forao alcance para alguns e supérfluo para outros.Então, muitos amigos me sugeriram que eu editassenaquilo que hoje é o formato mais comum: um arquivoportável em PDF. E assim o fiz. Com coisas inéditas deA Barata e com algumas outras interessantes jápublicadas. São 32 páginas, com cultura... sob a formade poesias, crônicas, contos, letras de músicas etc.Espero que apreciem. Mas comentem, sugiram, falemmal, qualquer coisa. Mas usem seus cérebros e dedospara coisas mais decentes que pensar em sacanageme tirar catota do nariz.Ademais quero agradecer aqui,publicamente á força eo apoio fundamental de minha esposa, Izabel Cristinae dedicar este trabalho a ela e a meus pais, Januário eBranca e aos meus filhos, Raul e Ian.... Sem os quais...Ademais... AbrazzzzzzLuiz Carlos “Barata” Giraçol CichettoRevistA BarataEditor, Redator, Office Boy, Faxineiro:Luiz Carlos "Barata" Giraçol CichettoProjeto Gráfico:Apoio Editorial e Amoroso:Izabel Cristina Giraçol Cichettowww.abarata.com.br/revistaLuiz Carlos "Barata"Giraçol CichettoArte da Capa: Mariano VillalbaTrilha Sonora: Uivo BeatAcreditaréMinhaReligião!!BarataCichetto
  3. 3. Rock and RollPaulo LeminskiIts only lifeBut I like itLets goBabyLets goThis is lifeIts notRocknRoll.“Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio,acredito, são suas obras completas.”
  4. 4. Jornada Além de MimLuiz Carlos "Barata" CichettoAh, mãe, quanto eu queria ser um escritor modernoTer obras publicadas em capas-duras, autor eterno!Ah, quanto eu queria ser um poeta e um compositorNão num supermercado de almas apenas o repositor.Componho poemas que são gritos ou gemidos, certo?Minhas obras não são primas ou irmãs, sou incorretoCanto porque escuto e escuto o que não quero agoraPorque minha proprietária é a paixão, ela é a senhora.Queria mesmo era declamar poemas em teatros lotadosMas apenas pelas telas luminosas, de leitores bitoladosA minha poética encontra morada e mentes sem mentirSou poeta sim, mas a poesia, ela eu cumpro sem sentir.Um grito é um grito mesmo em uma multidão barulhentaPortanto eu grito porque meu silencio ninguém aguentaMas o silêncio é indiferente em uma imensidão silenciosaE meu grito é minha poesia, pobre, infame e pretenciosa.Quando aquele poeta morreu ninguém soltou fogosE as crianças não interromperam bricadeiras e jogosPorque Poesia não merece lágrimas nem comemoraçãoE um minuto de silêncio é apenas à heróis sem adoração.Poesias são feitas da matéria em estado bruto da saudadeMusas da incandescente matéria dos sonhos de liberdadeMeu nome e sobrenome em capas de brochuras, a glória!Certo, faço apenas a minha, mas estarei em sua história.A inspiração caminha longe torta e bêbada esquecida de mimTenho poemas escritos em pedras, jorra meu sangue carmimAcorda amada, enquanto dormes o dia não começa, SenhoraO café forte e meus pesadelos estão distantes de mim agora.Um tempo, em que chumbo era a cor e gelada a temperaturaFui abandonado, era apenas um ser, uma pálida e oca criaturaAh, amada, quero apenas escutar as estrelas de suas pernasColares de hematitas em meu pescoço, as pedras são eternas.Um dia sonhei que era uma barata e acordei sujo de merdaBarata come qualquer coisa, por isso que a Terra ela herdaMas eu não quero a eternidade, nem ser Deus e nem BlateaApenas de minha arte ter o aplauso não escárnio da platéia.Não declamo em teatros lotados de velhas de sedosas saiasChá das cinco, nem bebo cervejas debaixo de apupos e vaiasNão sou Buk ou Oscar e não quero causar escândado nem dorMinha arte é a poesia e não desejo o financiamento do ditador.Minhas poesia é grito, tal sirene de uma ambulânciaTentando furar o semáforo das almas da ignorânciaBombeiro tentando chegar antes do incêndio criminosoMas o crime não compensa e poeta é um ser mentiroso.Porque não calar, seu estúpido! Porque não calas, agoraMas o silêncio não é das coisas que o Poeta mais adoraAo esgoto com sua Poesia, falou o Político sem piedadeJoguem ao lixo sua Poesia, proclamou El Rei da Maldade.Monitor de computadores não é lugar de Poesia, seu tolo!Ninguém sente, muito leram, mas existe a culpa e o doloNem na sarjeta, nem nas esquinas, o lugar é na bibliotecaQue agora cedeu lugar aos ratos que lhe cobram hipoteca.Não existem teatros sem piada e não gosto de humoristasBares lotados de bêbados não são lugar de poetas-artistasPortanto, permaneça então empoeirada minha poética idiotaEnquanto não pagar juros de mora ao banqueiro e ao agiota.Poesia é a arte dos tolos, mas também a arte dos justosEntão paguem à vista, porque à prazo tem outros custosQuero berrar poesias, declamar poemas, vomitar meu ódioE soltar peidos fedorendos, igual atleta que chega ao pódio.Estou chegando ao final, mas sempre recomeço depois do fimNão existe final porque é apenas um filme, uma história enfimE tem horas que penso que não existo, sou apenas personagemCriado a minha própria semelhança, aparência, apenas imagem.Buk não sabia rimar, e a maioria não consegue entender as rimasMas rimar é o mesmo que transar com a mãe ou comer as primasÉdipo morreu e não quero declamar minhas poesias no esgotoLugar de barata é na sarjeta e não quero ser um bicho escroto.Feito pintores da antiguidade empresto minha arte aos nobresMas entretanto não recebo por elas nem pratas e nem cobresQuadros em telas que pinto têm suas tintas muito fortesLetras desenhadas em papel falando das minhas mortes.
  5. 5. ArthurSchopenhauer.OuComoChamouNietzsche:"OCavaleiroSolitário"
  6. 6. "É tão fácil ser poeta, e tão difícil ser homem."“De vez emquando, algo noscoloca no caminhode nós mesmos."Confissãoesperando pela mortecomo um gatoque vai pularna camasinto muita pena deminha mulherela vai ver estecorporijo ebrancovai sacudi-lo etalvezsacudi-lo de novo:“Henry!”e Henry não vairesponder.não é minha morte que mepreocupa, é minha mulherdeixada sozinha com este montede coisanenhuma.no entanto,eu quero que elasaibaque dormirtodas as noitesa seu ladoe mesmo asdiscussões mais banaiseram coisasrealmente esplêndidase as palavrasdifíceisque sempre tive medo dedizerpodem agoraser ditas:eute amo.
  7. 7. NervosoAno: 2008 - Gravadora: IndependenteMúsicos: Rogério Fernandes - Voz, MarcelloSchevano - Guitarra e Côros, Fabrizio Micheloni -Baixo, Fernando Minchilo - BateriaCoros Adicionais: Nando Fernandes, Xande Saraiva, MarianaSchevanoSíte da Banda: http://www.carrobomba.com.brContato: fabriziomicheloni@yahoo.com.brO terceiro CD da banda “Carro Bomba” tem por título um adjetivo que define claramente seu conteúdo:“Nervoso”. Mas também poderia ter outros como: “Visceral”, “Cáustico” ou “Animal”. É uma porrada atrás daoutra, de uma banda que tem apenas três anos e três CDs gravados. Desde o primeiro “Carro Bomba”,passando por “Segundo Atentado”, a banda, inicialmente um “Power Trio” e agora um quarteto com aentrada do ex-Golpe de Estado Rogério Fernandes, deixa claro ao que chegou, definindo inclusive em suaspróprias letras: “Rock é pra descer o braço/pra fazer direito/Rock é pra bater no peito.”. É parte dadeclaração contida na primeira faixa deste CD Nervoso, “Punhos de Aço”.É uma porrada atrás da outra, um ataque atrás do outro. É honesto e bem construído, e eu gosto de coisashonestas e bem construídas; coerente dentro de sua proposta de ser uma banda de Rock Pesado, e eu gostode coerência e de bandas de Rock Pesado. Quanto mais pesado, um tanto melhor, quanto mais coerente,honesto e bem construído, outro tanto melhor ainda. E a “Carro Bomba” é tudo isso.Uma coisa que tem que ser destacado na banda é o cuidado com as letras, conteúdo pesado e consistente,bem a calhar com a moldura sonora. As letras do “Carro Bomba” tem algo a falar e bem. Bem distante damesmice das letras cheias de arrotos machistas e arrogâncias sexistas bem comuns em bandas brasileiras.Como se o cidadão não fizesse mais nada na porcaria da existência a não ser transar, encher a cara e andarde carro ou moto...“Nuvem negra me deixa em paz/ o corpo sente a calma/não cabe na ampulheta/ o deserto de minha alma...”em “Fui”; “Na tela o desenho/ rascunha o desespero”, em “Válvula”; “A mão do carrasco / a faca nas costas /o beijo na face / a sombra da morte”, em “O Passageiro da Agonia”... São algumas das pedradas...Sempre bati na tecla de que bandas de Rock precisam de boas letras e sempre escutei desculpas tolas eesfarrapadas, que apenas deixam claro a falta de capacidade dos “compositores” que construírem algo comconteúdo. Portanto o “Carro Bomba” surpreende e ganha pontos com a questão das letras. Agora quandoanalisamos o sentimento bruto que o som nos remete, quando sentimos o baixo ensandecido epropositalmente demente (escutem a introdução de “Bomba Blues”) que sai das mãos de FabrizioMichelloni; da guitarra extremamente técnica mas furiosa de Marcello Schevano; das baquetas precisas eincendiárias de Fernando Minchillo e da garganta “plant-iana” e “dio-nísica” do mestre Rogério Fernandes,temos a certeza que estamos diante de uma banda que é pura emoção caótica, fúria exacerbada, demênciasistêmica e uma porção de outros termos que definem, ou ao menos tentam definir o som do “CarroBomba”. O melhor mesmo é retornar ao texto do início desta resenha e fechar a definição deste petardobélico: “NERVOSO”.Apenas dois comentários para encerrar a resenha sobre, ao menos em minha opinião, o melhor CD de Rockfeito nos últimos tempos: as ilustrações de André Kitagawa sobre as letras do CD estão perfeitas e caemcomo uma luva. André com certeza bebeu das águas do rio Mutarelli e por isso, mas não apenas por isso, éum trabalho artístico magnífico.Carro Bomba
  8. 8. A História da Lágrima PsicodélicaEm 18 de setembro de 2005 (umDomingo), "nascia" o Pub UndergroundVirtual Lágrima Psicodélica. Ointuito era o compartilhamento dei n f o r m a ç õ e s s o b r e m ú s i c a ,tecnologia, Filosofia e artes emgeral, sem cobrar nada por isso. Odinheiro não teria valor algum, já quetoda a informação seria levada aosvisitantes por puro prazer dedividir; dividir o “pão” que poucostinham acesso.Hoje o Pub Underground VirtualLágrima Psicodélica é conhecido nosquatro cantos do mundo. Isto nãopoderia ser diferente, pois quando setem a intenção de levar informação edivertimento, a própria natureza seencarrega de fazer o resto. O LágrimaPsicodélica recebe atualmente 9.200visitantes em média por dia, com maisde 7.700 postagens desde o seunascimento, contando Johnny F, seufundador, com um time decolaboradores de primeira.No dia 15/08/09 foi iniciado um novoprojeto tornando assim um antigosonho em realidade, ou seja, atransmissão de uma rádio própria. Às16 - do dia 22/08/09 foi transmitido oprimeiro programa, o Revolution Rockcom produção e apresentação do nossoamigo e irmão Cacá. Desde então aprogramação da Rádio WULP vem sendoespecial nos finais de semana.Produção e Apresentação: Barata CichettoSábados das 14:00 as 16:00 horaswww.lagrimapsicodelica1.blogspot.com.Rádio Barata é um programa com a cara do siteA Barata, 11 anos de Liberdade de Expressão eExpressão de Liberdade. Sem formatos ouestilos definidos, a Rádio Barata reúne Rock emtodas as suas matizes, poesias e muitaConversA Barata, sempre procurando a AtitudeRock. Porque Rock não é apenas um estilomusical, é modo de vida e de pensamento!
  9. 9. Sábado (Reapresentação na Terça):14:00 às 16:00 - Rádio Barata by Barata16:00 às 18:00 - Revolution Rock by Cacá18:00 às 20:00 - Salada Auditiva by Marcio CS20:00 às 22:00 - Percepção Modificada by Johnny F22:00 às 24:00 - Na Veia da Véia by Convidados (Semana 1)22:00 às 24:00 - Giraçol by Bell (Semana 3)22:00 às 24:00 - Naturprog by Gäel (Semana 4)Domingo ( Reapresentação na Segunda):10:00 às 12:00 - Dexxs Psychedelic Tears by Dexx12:00 às 14:00 - BlasFêmeas By Loirinha (Semana 1-3)12:00 às 14:00 - Na Kombi do Rock by Pedro (Semana 2-4)14:00 às 16:00 - Encruzilhada do Rock by CrossroaD (Semana 1-3)14:00 às 16:00 - Meu Reino por uma Sopa by Ande (Semana 2-4)16:00 às 18:00 - RabaRock Especial by Rabablues18:00 às 20:00 - Fire On The Rocks by Fireball20:00 às 22:00 - Pure by Sara_Evil22:00 às 24:00 - Pipoca Psicodélica by Minduim Mateus (Semana 1)22:00 às 24:00 - Rock My World by O Psicodélico (Semana 2)22:00 às 24:00 - Brazilian Nuggets by Fábio (Semana 3)Programação da RádioWeb UndergroundLágrima Psicodélica
  10. 10. "Consta que Augusto dos Anjos, ao ver impresso seu livro,não teve dinheiro para compor a capa. Faltava tinta. Tomouentão de uma tesoura e cortou (como no clássico soneto) odedo de sua singularíssima pessoa e com o sangueescreveu o título: EU.A tradição editorial mantém, até hoje, vermelha a corpredominante na capa, como uma espécie de homenagema este poeta que fez de si mesmo, ou melhor, de suadissolução o tema único de sua única obra.A poesia de Augusto dos Anjos permanece um enigma,porque contraria as lições da Teoria Poética e Literária. Seuscríticos reconhecem, em sua obra, lampejos de genialidadequanto a presença de certo mau gosto e exageros barrocos,sobretudo em seu acervo semântico, espetacularmentecentrado num certo naturalismo escandaloso e obsessãopatológica.Em tudo e por tudo, a poesia brasileira moderna seguiu umcaminho muito diferente daquele que seu texto indica.Tornou-se, sobretudo por influência de João Cabral, umapoesia cerebral, econômica, concentrada, poesia do menoscomo diria ilustre crítico atual. Tudo ao contrário dosexageros, dos desesperos confessionais do EU patológico eexpressionista de Augusto dos Anjos, um Hamlet dostrópicos.No entanto, o interesse por sua obra só faz aumentar,especialmente entre adolescentes que entram em contatocom seus poemas. Desde a primeira edição, em 1912, já secontam mais de cinqüenta as reedições e reimpressõesdeste livro único e fora do lugar.Já não se trata mais de um fenômeno estritamente literário;trata-se muito mais de uma questão psicossocial, porque,sem dúvida, este paraibano melancólico e hamletiano,conseguiu expressar-se num idioma em conflito com otropical sol de nossa poesia, o que não deixa de serespantoso."Carlos SepúlvedaVencedorAugusto dos AnjosToma as espadas rútilas, guerreiro,E á rutilância das espadas, tomaA adaga de aço, o gládio de aço, e domaMeu coração — estranho carniceiro!Não podes?! Chama então presto o primeiroE o mais possante gladiador de Roma.E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,Nenhum pode domar o prisioneiro.Meu coração triunfava nas arenas.Veio depois de um domador de hienasE outro mais, e, por fim, veio um atleta,Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem...E não pude domá-lo, enfim, ninguém,Que ninguém doma um coração de poeta!
  11. 11. O Medo do EspelhoLuiz Carlos "Barata" CichettoOntem à noite ao mirar o espelho não encontrei meu reflexoEm que lugar estaria a minha imagem, ainda penso perplexoSinto minha face enrubescer, mas nem o rubor o espelho refleteTento pensar, mas não há uma frase que meu cérebro complete.Estou morto, sou espírito, ou sou apenas ninguém,Apenas pensamento ou somente reflexo de alguém?Sobre a superfície lisa do espelho escorro meus dedosEnquanto penso que também o objeto teria seus medosReceio de refletir tão insignificantes criaturas sem sorteQue precisam reflexos para saber que são apenas morte.Então, sou resto, sou alma ou sou apenas alguém?Somente reflexo ou apenas pensamento de alguém?RecheiosLuiz Carlos "Barata" CichettoAmo simplesmente acariciar sua mão que segura meu pintoDeliciosa sua textura, desejos em minhalma é o que sintoDelicia é lamber sua língua que acabou de chupar até o fimSorvendo a saliva misturada ao suco que bebestes de mim.Simplesmente eu amo beber em seu clitóris, cálice sagradoTodos os líquidos que são néctares divinos ao meu agradoDelicia esparramar por seu corpo minha semente maliciosaE sorver da calda doce que escorre de sua vagina deliciosa.Amo o sabor amargo feito a bebida que a mim embriagaA desprender de seu ânus quando minha língua lhe tragaE tal um deus pagão que, bebendo a sua tal de ambrosiaTransforma cada suco e cada melado seu em uma poesia.Minha comida, minha bebida a fartar minha alma de desejosSão deliciosos seus gostos e apetitosos todos os seus beijosE feito criança alimento a mim sugando aos seus belos seiosEntão lambo meus lábios saciado do sabor dos seus recheios.
  12. 12. O Mentiroso (Ou o Outro Ladoda Mentira do Fingidor de Pessoa)Luiz Carlos "Barata" CichettoPoesia é apenas uma piedosa mentiraQue o Poeta da mente insidiosa retiraE portanto Poeta não é apenas fingidorFingindo que não sente sua própria dorMas um mentiroso que apenas e tão somenteMente ao mentir que é dor que deveras sente.Ao apanhar da caneta e um poema rabiscarSente o poeta seu próprio pescoço a arriscarMas não existe risco em poema apenas escritoArriscado é apenas quando o poeta é descritoE insiste em mentir que sua dor não lhe resisteMentindo que é mentira a dor que nele existe.Ah o poeta, gladiador cego em arenas sem leãoDevorado que é apenas pelas garras da solidãoTal general sem divisão ou imperador das bravatasLuta o poeta contra demônios de ternos e gravatasMente também o poeta ao contar sobre a mentiraQue cria a poesia que o poeta da sua mente retira.
  13. 13. Malandros Soldados do Exército do RockLuiz Carlos "Barata" CichettoEra natural na Era Pré-Internética adolescentes começarem a trabalhar ao completar 14 anos de idade. Nãonos era considerado nenhum sacrifício extremo, ao contrário, porque era forma de termos algum dinheiro econhecer outras pessoas fora dos ambientes de escola e lar. Duas necessidades fundamentais que parecemter ficado paradas no tempo. Os significados de “dinheiro” e “amigos” eram diferentes. A nós o dinheiro erao meio não o fim e amigos eram o fim e não o meio.Ter algum dinheiro era, por exemplo, a forma de a gente poder comprar discos de “Rock” e ir às “equipes desom” no final de semana, curtir um som. E essas duas coisas eram apenas formas de encontrarmos outrosamigos, escutar novos sons... E assim por diante.Comigo não foi diferente. Dia seguinte ao completar 14 tirei minha Carteira de Trabalho e um mês depoiscomecei em meu primeiro emprego, uma empresa importadora de ferramentas da Rua Florêncio de Abreu.Um perfeito tonto, sem conhecer porra nenhuma de merda alguma. Não conhecia trajetos, endereços, rotase nem mesmo a malandragem dos moleques “escolados”. Mas, como sempre fui muito apaixonado e porconseguinte dedicado a qualquer coisa e rapidamente aprendi todos os caminhos e atalhos e a“malandragem” que consistia em comer churrasco grego e cobrar o almoço completo da empresa; ir a péfeito louco pelas ruas afim de entregar pontualmente uma encomenda para depois cobrar o táxi. Eram tãomalandros quanto às crianças em fraldas de atualmente.O resultado de tanta “malandragem” eram os últimos LPs do Deep Purple, um Compacto Simples doCreedence ou uma fita cassete do Joe Cocker. As solas dos pés ardiam ao final do dia, sapatos eramcorroídas em um mês, mas o som da guitarra de Ritchie Blackmore e a voz rouca de Cocker, o cachorro loucoinglês eram troféus conquistados por nós “Malandros Soldados do Exército do Rock”.Por não existir “Correio Eletrônico” tínhamos que ficar horas em filas do Correio para despachar uma pilha decartas, tomar três ônibus e atravessar a cidade apenas para entregar um memorando dentro de umenvelope com um protocolo cuidadosamente escrito em letra caprichada de um escriturário, que aliáscomeçara igual a nós, “Office Boy” e que era um ídolo: um dia teríamos uma promoção e então teríamosdireito a uma mesa com uma máquina de datilografia e uma de calcular, à manivela; e o principal é quepoderíamos usar camisas brancas com abotoaduras douradas nos punhos.Afinal, na Era Pré-Internética, experiência acumulada tinha importância. Mas éramos garotos e tínhamossonhos de um futuro melhor, mas nossos sonhos tecnológicos foram transformados em pesadeloscibernéticos onde não existem “Office Boys” nem cartas, apenas correios eletrônicos e escriturárioscibernéticos.
  14. 14. Luiz Carlos "Barata" CichettoQuando Percy Weiss nasceu, “Voz”, um dos deuses do Rock proclamou à humanidade: “Aqui tens, humanos,a minha descendência, meu dileto filho. Será este que lhes entrego, Percy Weiss, aquele que lhes encantaráe trará emoções com sua Voz. Será ele, ‘A Voz do Rock’.”Carioca nascido 11 de Março de 1955 na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na Rua dasLaranjeiras, Percy José Weiss – pronuncia-se “Vaiz” -, neto de um alemão que imigrou para o Brasil nocomeço do século 20, morou em Copacabana até os cinco anos de idade quando a família se mudou paraSão Paulo, mais precisamente para o bairro do Brooklin.Influenciada diretamente por Beatles e Rolling Stones, a longa carreira de Percy Weiss começa em 1972 aos17 anos de idade, com a banda de baile U.S. Mail, nas domingueiras do Clube Banespa. A partir daí, Percypercorre todo o circuito de bailes de São Paulo. Em 73 participa da banda Quarto Crescente, que conta comnomes como Duda Neves, Palhinha, Marcos Guerra e outros tocando no Masp, Teatro São Pedro, Aquarius,Tuca e etc..O sucesso chama a atenção de inúmeras bandas e músicos, inclusive de Oswaldo Vecchione, baixista efundador do Made In Brazil, uma das mais importantes bandas de Rock do Brasil, que à época tinhaequipamento e estrutura sem precedentes. Percy então passa a ser o cantor da banda, percorrendo grandeparte do Brasil e se apresentando para grandes platéias. Em 1976, 12 mil pessoas no Ginásio do Corinthiansassistiram a um show da banda junto com Rita Lee e Zé Rodrix. Durante o ano de 1976, o Made In Brazil fazmais de 70 apresentações, todas com Percy Weiss á frente dos vocais. Nesse ano grava também um dosmais importantes discos da história do Rock brasileiro: “Jack o Estripador”, que tem a produção de EzequielNeves, que posteriormente viria a produzir entre outros Barão Vermelho e Cazuza.Em 1978, Percy grava o primeiro disco de outra das mais importantes bandas brasileiras: Patrulha doEspaço, que fora fundada pelo lendário Arnaldo Baptista, mas a havia deixado por problemas de saúde e eraentão capitaneada por outra figura lendária do cenário, Rolando Castello Júnior. Percy permanece até 1981tocando ao lado de outras figuras históricas, como os já falecidos guitarristas Dudu Chermont e WalterBaillot e do baixista Cokinho.Posterior à saída da Patrulha, Percy, a convite de Tibério Corrêa, ingressa em outra histórica banda, oHarppia; que tinha como guitarrista Helcio Aguirra atualmente Golpe de Estado, onde coloca sua voz nodisco “Sete”. Posteriormente deixa a banda e faz participações especiais em apresentações e gravações doMade In Brazil, como em “Made Pirata 1 e 2”, cantando algumas canções em shows gravados no Teatro LiraPaulistana.Percy Weiss
  15. 15. Em 91 e é a gravação de “Primus Inter Pares”que o trás de volta à Patrulha do Espaço,desta vez contando com a participação, alémde Rolando Castello Júnior, do experienteguitarrista Xando Zupo onde grava releiturase músicas ainda inéditas do falecido baixistaSergio Santana. A voz de Percy Weiss parece,especialmente nesse disco, ter sido forjada nofundo de um vulcão em chamas: quente, rudee avassaladora. Canções como “Arrepiado” e“Robot”, originalmente criada pela lendaargentina da guitarra Pappo Napolitano, e“Columbia”, um dos maiores clássicos dabanda e do Rock Brasileiro, tomam deemoção a quem as escuta. É a superação doinsuperável.Em seguida, Percy, interessado também pelaparte técnica da música, passa a trabalhar emlojas, fabricantes e importadoras de instrumentosmusicais. Seu trabalho nessas empresas foiprecursor em contratos de “Endorses”, ”Work-Shops” e Clínicas Musicais. Entre 98 e 2003, emNatal, RN, atua como empresário representantede algumas importadoras de instrumentosmusicais.Em 2003 Percy retorna a São Paulo e aos palcoscom sua banda, a “Percy´s Band”, onde ao ladode jovens, mas experientes músicos toca osclássicos das bandas por onde cantou e cria novorepertório, que constará de um CD a ser lançadoainda em 200. Além disso, participa da tournée dedespedida da Patrulha do Espaço que percorreucerca de 40 cidades e prepara composições paraum futuro trabalho solo.Atualmente Percy Weiss está casado com LanaGoulart, sobrinha do grande poeta Ferreira Gullar,com quem criou a Weiss Prodarts, com o intuitode trabalhar com artistas, promovendo eventos egerando cultura musical para todos os gostos.Cortante e precisa quanto uma lâmina domais puro aço, forjado com a têmpera dasvozes roucas de Bourbon dos “bluesman” doMississipi como Muddy Waters, com a garra“Soul” de um Ray Charles e a precisão vocalde um Robert Plant, a voz de Percy Weissarrepia, transcende os sentidos conhecidos enos transporta a um mundo onde a emoção éúnica coisa que importa.Discografia de Percy Weiss:Jack, o estripador - Made in Brazil - 1976Made Pirata ao vivo I e II - Made in Brazil(Participação)Patrulha do Espaço - Patrulha do Espaço - 1978Quarto Crescente - Quarto Crescente - 1980Sete - Harppia – 1987Made Pirata ao Vivo I e II (Participação)
  16. 16. Syd Barret NãoMora Mais AquiLuiz Carlos "Barata" CichettoEu não quero enlouquecer, comendorestos de merda e comida estragadaem latas de lixo presas a postes. Enão quero apodrecer em consultóriosmédicos, em clinicas de recuperaçãode bebida, ou em camas de hospital.A morte não consta em meutestamento, quero chupar as belastetas de belas garotas loiras queamamentam a filha do outro.Eu não quero adoecer minha alma,enlouquecer minha mente, apodrecerminha carne. Não quero estarsozinho, mas não quero companhia.Estar só é ruim, mas não aguento suahipocrisia. Deixe estar, fique longe, esteja perto. Segure meu pau, cureminha ressaca e beba comigo sentada na calçada enquanto eu enfio o dedo pordentro de sua calcinha.Por onde andam meus amigos, onde bebem minhas amantes, onde morre minhasolidão? Putas não gozam mas chupam. Ontem eu era um amante, agora, não tenhoamigos. Deixem eu deitar antes de morrer. Mas antes mesmo gozo da morte,quero gozar entre suas coxas magras e lamber sua bundinha estreita.Enlouquece minha mente, apodrece a semente. Somente a dor permanece, amada eamante com garras de leão, olhos de serpente enquanto eu procuro restos deamores jogados nas lixeiras das ruas. Rasga minha carne com unhas afiadas epintadas com a cor do meu sangue. Beija minha língua, seu pai não percebe.Deixe eu acender meu cigarro, soltar um escarro e peidar. Não há censura, nãohá doença, não há porque. Nem liberdade, nem poder. Beber e foder. O limitesão os ponteiros do relógio, um verdadeiro Elefante Efervescente. Cortinasde ferro, baratas mortas no quintal, monstros quentes e um dia de glória a umpoeta que teima em não viver.Mas eu não encontro o que procuro, tenho bolsos furados e sonhos dourados.Pague minha bebida e a conta do motel, depois desapareça em direçãocontrária á minha fuga. Desapareça nas brumas, nas noites escuras enquantoeu procuro restos de comida e sobras de orgasmos nas latrinas dos banheirospúblicos. Púbicos pêlos presos aos dentes, dentadura postiça e a trilhasonora do apocalipse.
  17. 17. O Inferno São Os OutrosNão odeio as pessoasMas mesmo assim eu fugiNão odeio as pessoasMas é melhor sem elas aquiBebo de mim e isso me satisfazA droga dos outros, isso não quero maisCansei de buscar. A chance é pequenaNo meio de tantos, porque poucos valem a pena?Não odeio as pessoasSó não suporto suas loucuras sem razãoNão odeio as pessoasMas longe delas, ando pra toda, qualquer direçãoSó valem os pensamentos concebidos ao andarE cada passo vale dois sem ninguém pra atrapalharFugi, cansado de cada são, cada louco que nada ousaTambém sou louco. Mas importa ser louco por alguma coisa!Lucrecio HattBateria, Sintetizadores (Instrumentos Adicionais:Guitarra, Violino, Violão e Gaita)Todas As Letras Escritas por Lucrecio Hatthttp://www.myspace.com/uivobeatUivo Beat.... O nome da banda imediatamente remete diretamente à Geração Beat, com Ferlinghetti,Kerouac, e claro Grinsberg. Uma geração de artistas marcada pela criatividade poética e musical.Formas e métodos diferentes de compor que influenciou inúmeras gerações.Inclusive a de Lucrécio Hatt. E Lucrécio deve ter bebido nas fontes nada cristalinas desses "malditos",bêbados e drogados. A fonte é inesgotável e ele sabe disso. Portanto, pouco importa se escreve-sepoesias em rolos de telex ou se compõe usando sintetizadores ou atabaques. O que importa na arte éo sentimento e a criatividade.E isso não falta á "one man band" Uivo Beat. Letras muito bem construídas, com aquele espírito do"Uivo", influenciado também por Bukowski e outros, com um toque musical que beira á loucurajazzistica de Miles Davis. Totalmente elétrico, com exceção da bateria, marcada e sincopada do Jazzna maioria das vezes. Um pé no Rock e outro em qualquer lugar... O ponto alto do CD, claramentegravado em algum porão escuro... (ou não) é "Leminskiana", inclusive com a "participação" dopróprio Leminski, o mais Beat dos poetas brasileiros.Embora existam algumas falhas "técnicas", como o volume desuniforme nas várias faixas - que fazcom que muitas vezes a voz fique inaudível - e a capa, que não condiz com o restante da pegadacriativa, Uivo Beat merece uma produção profissional e uma edição mais caprichada. No final, pelaqualidade e pela criatividade, a nota é 8,88.
  18. 18. Jardim de InvernoInspiradora é a melancolia que com a alma flerta.É devoradora d´alegria, nos transforma em poeta!Sinto que todo spleen é polinizador de um ideal.Sinto que em meu peito crescem flores do mal!O meu peito é jardim de um inverno eterno,Onde só as flores malditas vão sobreviver.Com o vinho livre do cárcere vítreo e terno,Quero regar as flores que insistem em crescer,Até mesmo quando não são regadas.Quero florido todo este fértil jardimDe alento estéril, ilusões abandonadas.Quero pluviose eterna, rubra em mim.Quero este jardim sem luz e nunca aberto.A esperança nele será apenas um inseto!Complexo de OsírisParte ficou aquiDas outras não seiTalvez estejam em partesQue nunca mais volteiLonge de ser deus,Não sou onipresenteLonge de ser deusSinto-me impotenteParto com meus restosSobras de mimProcuro uma mulherPra juntar meus pedaçosE fazer-me sentirCom um pênis dourado!FugaQuero que venha, confortante lisergia.Quero álcool pra molhar e esquentarEsta minha Alma seca e fria.Não quero mais me preocupar.Quero para mim, toda uma sinergia,De prazeres descompromissados,Danças sensuais e beijos molhados.Não quero o real, quero toda poesia.Vinhos, cervejas, whiskys e licores,Banhem-me, afugentem todos os amores,Que eu vivi e que gostaria de viver.Separando meus lábios expulso a fumaçaDe cigarros e do que me corrói feito traça...Trago minha vida, quero menos de mim beber!A Fala da MorteSalut romântico bardo de maldita pretensão!Sou a musa da filosofia! Tua maior inspiração!Teus versos mais frios que meus dedos,D´alma da mulher nunca desvendarão os segredos!Vim levar-te agora! Sou a única esperança,A você, criatura sem luz e sem temperança!Faça tuas malas. Dobre teus sonhos e amor,Para que caibam nelas. Chega agora de dor!Vamos! Errará por toda a eternidade!Mas o que sente, sobre a mulher irá pairar.Somente observarás com austeridade.Vamos! O fim de um poeta a todos é salutar!LeminskianaMinha musica mestiçaHesita entre a pressa e a preguiçaEntre a dor elegante e o prazer inebrianteCaminha de lado mas é atrevidaRecebe nova vida a cada batidaPor versos é escoltadaPor versos é beatificadaE as vezes bestificadaNão precisa ser escutadaNem precisa de porquêsPelo meu prazer já foi santificadaToco. E na musica que me tocaA poesia sempre tem vez.Blues DesbotadoA roupa que o embala,É rota, sem cor.Sua trilha sonoraSegue o compasso de sua dorO asfalto é rachadoE cada rima desse asfaltoLembra sua própria poesiaE sua sina de FaustoCom passos curtos ele segueRumo a uma nova vida, segue a trilhaTem só pra si um sol que só queima, sem dó.Tem só pra si, um sol que não brilhaE pra lá ele segue, sempre em frente.Sem nunca dar ré.Pra lá ele segue, sempre em frente.Sem nunca dar ré.UIVOBEAT
  19. 19. Minhas Leituras de SaramagoViegas Fernandes da CostaRecém havia saído da adolescência e, por uma razão ou outra, li “Ensaio sobre a cegueira”. Não que issoimporte algo, essa experiência que tenho da leitura dos textos de Saramago, mas diante da intransigênciada morte e do sentimento de impotência que esta nos imputa, não vejo por onde me rastejar senão pelamemória das impressões que o universo saramaguiano me concedeu. Então, como dizia, li o “Ensaio sobrea cegueira” e pude compreender a potência de uma literatura visceral e honesta. Não se é possível ler taltexto, parábola de nossa condição humana, sem a sensação de se ter vivido uma experiência que lacera oespírito e nos envergonha de nosso individualismo e imobilidade, que mascaramos com gestos vãos epalavras estéreis. “Ensaio sobre a cegueira” me desloca, sempre, ao genocídio tutsi em Ruanda, aogenocídio palestino perpetrado sob nossos olhos ocidentais e hipocritamente cegos, ao silêncio a respeitodo povo de Timor Leste e às vítimas dos desgovernos e terremotos no Haiti, cuja capacidade de comoçãoduram o tempo de uma passarela, porque enfastiados de vermos as mesmas ruínas, buscamos saciar nossaeroticidade mórbida em outros charcos de sangue, em outras postas de carne humana desmembradas deseus corpos. Assim, sempre houve esta sensação de vergonha e culpa, sim, vergonha e culpa, que esteprimeiro contato com um texto de Saramago me provocou.Movido pela inquietude provocada por esta primeira leitura, busquei mais. Foi quando me tocou o corpo o“Memorial do convento”. Marcou-me a poesia de um certo padre Bartolomeu, inventor de heréticageringonça alada movida pelas vontades humanas que seu ajudante, Baltasar Mateus, colhia em um frascoem meio à multidão. Claro está, não há melhor combustível que faça voar um sonho senão a vontadehumana. Entretanto, esta escapa-nos do corpo tangido pela necessidade de sobreviver. “Memorial doconvento” ensinou-me que não há humanidade onde as vontades dão lugar à necessidade, onde seconfunde sonho com devaneio. Sei que não cabe à literatura dar lições. Não, claro que não. Entretanto, odiálogo que estabeleço, enquanto leitor, com as provocações de um texto, apesar de socialmente construídoestá profundamente marcado pela subjetividade. Por isso posso reconhecer que sempre serei grato aSaramago por tudo que aprendi com Blimunda, Baltasar e Bartolomeu, personagens centrais desse seu“Memorial”. Grato por compreender aquilo que afinal nos constitui tão únicos, mas que nos foge quandotangidos qual gado a mover a roda do engenho.Feitiço lançado, segui estupefato o fio de Ariadne, acompanhando os passos do Senhor José – opersonagem – pelo labirinto de prateleiras vergadas e empoeiradas da velha Conservatória, guardiã doesquecimento. Falava Saramago – o autor – nas páginas que me remeteram a um Kafka revivido paraconcluir sua obra, tão tensa e intensa a trama e a fábula de “Todos os nomes”. Como possível uma históriatamanho extraordinária? – a questão que me incomodava a cada linha sem pontuação que se desdobravaante meus olhos de criança deslumbrada! Criança deslumbrada, com o perdão do pleonasmo, porque nãohá infância sem deslumbramento. Pensei ter lido o cume; engano! Indisciplinado, encontrei-me com umCristo humano e carnado que, reconheço, quase me convenceu. Ironia do insólito! Como um ateu declaradopodia reescrever uma história dois mil anos recontada e ainda assim torná-la inédita? E mais, como podiaeste mesmo ateu, ourives da palavra, construir uma das mais poéticas e profundas passagens da literaturauniversal, conquista sublime do espírito humano, quando nos transporta para o interior de uma barcaatracada no centro de um mar tomado por intransponível nevoeiro? Saramago enfrentou Deus! Desfiou-nosum rosário de martírios e barbáries inconcebíveis e inexplicáveis capazes de dobrar as ambições do Diaboque, como Pastor que é, intervém junto a esse Deus sanguissedento em nome do perdão. A resposta? “Paraque eu seja o Bem, é necessário que tu continues a ser o Mal” – ei-la! Espernearam os guardiões docristianismo. Saramago não fora o primeiro, é certo. Kazantzakis fizera-o antes, tal qual tantos outros.Entretanto, a lucidez e os argumentos do velho comunista moveram o catolicismo português a tentarintervir no reconhecimento literário daquele que viria a ser o primeiro autor da língua portuguesa laureadocom o Nobel de Literatura. Mágoa e exílio na insular Lanzarote, onde o mestre da palavra conheceu adiferença entre estar e não já não mais estar.
  20. 20. Depois do “Evangelho” não houve texto de Saramago que não me interessasse ler. É bem verdade,reconheço, que nem tudo foi deslumbramento. No “Ensaio sobre a lucidez”, por exemplo, a impressão de umresvalo planfetário; e em “Caim”, o gosto de uma sopa requentada. Neste meu rastejar pela memória dasimpressões que o universo saramaguiano me concedeu não há espaço para o desonesto, por isso o registro.Mas não há nada como o bom estro de um artista que se reinventa, e houve a história do Elefante Solimão eseu cornaca Subhro, escrita após grave enfermidade nos estertores de 2007. Ocorreu-me, à época dessaleitura, o pensamento de que a carícia da morte devolve-nos uma leveza e um certo humor que perdemoscom o transcorrer dos anos. Isto porque em “A viagem do elefante” encontrei um Saramago mais leve,consciente da importância da sua literatura, porém ciente, também, de que talvez já tivesse dito o que haviapara se dizer, e que àquela altura da sua vida e carreira importava mesmo o prazer de escrever uma boahistória. E que boa história, tão repleta de sutilezas e ironias!Enfim, soube que já não está mais. Morreu o corpo de José na manhã de uma sexta-feira, ao lado da mulherque amava. A mim ocorreu-me, então, reler o discurso que proferiu quando da cerimônia de entrega doprêmio Nobel, em 1998, e onde inicia dizendo que o homem mais sábio que conheceu em toda a sua vidanão sabia ler nem escrever. Conta ali a história dos seus avós maternos que, nos dias de muito frio, levavamos porcos mais frágeis da pequena criação para dormirem consigo, sob o calor das mantas grosseiras.Alertou-nos Saramago, ao narrar a tradição ágrafa da família que o apresentou ao mundo, que o verbo nãose determina nos gens. Que o gênio se constrói na experiência e na coerência. E assim o fez! Neste mesmodiscurso, reconheceu que sua voz ecoa nas vozes das suas personagens. E se dizia que a morte era adiferença entre estar e já não mais estar, o Saramago que se consagrou à palavra, que se multiplicou nasBlimundas e nos Raimundos, nos homens e mulheres do Alentejo e nos tantos homens e mulheres queencontraram a eternidade no terreno universal da sua Literatura, se já não está mais nesta matéria perecívelque nos compõe a todos, continua estando nas criaturas pelas quais falou e se fez ouvir. Por isso não choro aperda do mestre, pois lágrimas estéreis. Simplesmente lanço meus olhos para a estante e escolho o livro quefará Saramago estar novamente comigo.Blumenau, 20 de junho de 2010.Viegas Fernandes da Costa é historiador eescritor, autor dos livros “Sob a luz do farol”(2005), “De espantalhos e pedras também se faz umpoema” (2008) e “Pequeno álbum” (2009). Permitidaa reprodução deste texto desde que citada aautoria e mantida a íntegra. Blog:http://viegasdacosta.blogspot.comDe Espantalhos e Pedras Também Se Faz Um PoemaViegas Fernandes da CostaPoemas, 2008, Editora: Cultura em Movimento"As emoções em “de espantalhos e pedras também se faz um poema”, novo livro dohistoriador, professor e escritor Viegas Fernandes da Costa, começam quando a genteapanha nas mãos o volume de 66 páginas. E a primeira delas é a emoção causada peloolfato: o livro tem um cheiro diferente, pois foi impresso em antigas máquinas de tipografia,cujas tintas têm um odor característico; continua com o tato, com as depressões e relevosprovocados pelo “esmagamento” das fibras do papel pelos tipos de chumbo. As letras sãotridimensionais, não apenas impressões digitais sem identidade, frias, estampadas a laser. Asemoções não param e prosseguem com a visual, causada pela imperfeição e falhas naimpressão no processo quase que manual, sem aquela “perfeição tecnológica” dos modernos– e frios – sistemas ligados à computadores. Portanto, antes mesmo de começarmos a ler“de espantalhos e pedras também se faz um poema”, somos conquistados pelas emoções,antes de saborear os poemas, sentimos o gosto da humanidade, tendo claro que foram sereshumanos, gente, que construíram aquele livro. Tudo muito quente. (...) Barata Cichetto66 Páginas,
  21. 21. Bat Out Of HellJim Steinman / Arte: Barata Cichetto-The sirens are screaming and the fires are howling,way down in the valley tonight.Theres a man in the shadows with a gun in his eye,and a blade shining oh so bright.Theres evil in the air and theres thunder in sky,and A killers on the bloodshot streets.Oh and down in the tunnel where the deadly are rising,Oh I swear I saw a young boy down in the gutter,He was starting to foam in the heat.Oh baby youre the only thing in this whole world,thats pure and good and right.And wherever you are and wherever you go,theres always gonna be some light.But I gotta get out,I gotta break it out now,Before the final crack of dawn.So we gotta make the most of our one night together.When its over you know,Well both be so alone.Like a bat out of hellIll be gone when the morning comes.When the night is overLike a bat out of hellIll be gone gone gone.Like a bat out of hellIll be gone when the morning comes.But when the day is done and the sun goes down,and the moonlights shining through,Then like a sinner before the gates of heaven,Ill come crawling on back to you.Im gonna hit the highway like a battering ram,on a silver black phantom bike.When the metal is hot and the engine is hungry,and were all about to see the light.Nothing ever grows in this rotting old hole.Everything is stunted and lost.And nothing really rocksAnd nothing really rollsAnd nothings ever worth the cost.And I know that Im damned if I never get out,And maybe Im damned if I do,But with every other beat Ive got left in my heart,You know Id rather be damned with you.If I gotta be damned you know I wanns be damned,dancing through the night with you.If I gotta be damned you know I wanna be damned.Gotta be damned you know I wanna be damned.If I gotta be damned you know I wanna be damned,Dancing through the nightDancing through the nightDancing through the night with you.Oh baby youre the only thing in this whole world,thats pure and good and right.And wherever you are and wherever you go,theres always gonna be some light.But I gotta get out,I gotta break it out now,So we gotta make the most of our one night together.When its over you know,Well both be so alone.Like a bat out of hellIll be gone when the morning comes.When the night is overLike a bat out of hellIll be gone gone gone.Like a bat out of hellIll be gone when the morning comes.But when the day is done and the sun goes down,and the moonlights shining through,Then like a sinner before the gates of heaven,Ill come crawling on back to you.I can see myself tearing up the road,Faster than any other boy has ever gone.And my skin is raw but my soul is ripe.No-ones gonna stop me now,I gotta make my escape.But I cant stop thinking of you,and I never see the sudden curve until its way too late.I never see the sudden curve till its way too late.Then Im dying at the bottom of a pit in the blazing sun.Torn and twisted at the foot of a burning bike.And I think somebody somewhere must be tolling a bell.And the last thing I see is my heart,Still beating,Breaking out of my body,And flying away,Like a bat out of hell.Then Im dying at the bottom of a pit in the blazing sun.Torn and twisted at the foot of a burning bike.And I think somebody somewhere must be tolling a bell.And the last thing I see is my heart.Still beating, still beating,Breaking out of my body and flying away,Like a bat out of hell.Like a bat out of hell.Like a bat out of hell.Oh like a bat out of hell!Oh like a bat out of hell!Like a bat out of hell!
  22. 22. Mais tarde, quase à hora do entardecer, várias baratas enormes, de um tom bem escuro de marromavermelhado, emergem como gnomos do lambri, e vão em direção à despensa - entre elas, baratasgrávidas, com filhotes translúcidos anexos, como uma escolta. À noite, nos silêncios tardios entrebombardeios, disparos de armas antiaéreas e foguetes caindo, elas se fazem ouvir, ruidosas comocamundongos, roendo os sacos de papel de Gwenhidy, deixando trilhas e pegadas de merda da corde seus corpos. Parecem não gostar muito de coisas moles, frutas, legumes, coisas assim, preferema solidez das lentilhas e feijões, algo que possam roer, barreiras de papel e gesso, interfaces duraspara serem perfuradas, pois elas são agentes da unificação, você sabe. Insetos natalinos. Estavamno fundo da palha da manjedoura em Belém, tropeçando, subindo, caindo reluzentes numreticulado de palha dourada que a elas certamente parecia estender-se por quilômetros para cima epara baixo - uma espécie de cortiço comestível, de vez em quando perfurado por suas mandíbulasde modo a perturbar algum misterioso feixe de vetores, fazendo com que as baratas vizinhasdespencassem de bunda para cima e antenas para baixo por cima das outras, as quais se agarravamcom todas as patas àqueles caules dourados sempre a tremer. Um mundo tranqüilo, a temperaturae a umidade permaneciam quase constantes, o ciclo do dia incluía apenas uma suave variação deluz, primeiro dourada, depois cor de ouro velho, depois escuridão, e luz dourada outra vez. O chorodo bebê chegava a seus ouvidos, talvez, como explosões de energia vindas de uma lonjura invisível,quase despercebidas, por vezes ignoradas. O seu salvador, você sabe...("O Arco-Íris da Gravidade", Thomas Pynchon - Trad. Paulo Henriques Britto.Onde Está Thomas Pynchon?Tomas Pynchon é um escritor recluso, dele sabe-se muito pouco.Tirando seus livros, não sobra quase nada. As raras fotosdisponíveis já tem mais de 50 anos, dos tempos de colégio. Háquem diga que a turbina criativa por trás de "Mason&Dixon", "OLeilão do Lote 49" e "Vineland" é na verdade J.D. Salinger, oApanhador no Campo de Centeio que fugiu da civilização, e quepassa o dia escrevendo. Maníaco-furioso, o cofre transbordandomanuscritos, reza o folclore que circunda sua cabana namontanha.Porque BarataThomas Pychon
  23. 23. PontificaçãoLuizCarlos"Barata"CichettoOcrucifixoquecarregoemmeupescoçoÉapenaslembrançadaminhaprópriacrucificação.OretratodemulherquecarregoemmeubolsoÉapenaslembrançadaminhaprópriapontificação.PutrefaçãoLuiz Carlos "Barata" CichettoEu decido sobre minha morte, sou meu próprio carrascoE prefiro estar morto a ser apenas o objeto do seu asco.O safado Charles era bêbado e escritor, mas era carteiroE eu não arrumo nem emprego de segurança de puteiro.Eu não quero ficar andando com deprimentes sacos de radiografiasSentado e esperando a morte em salas de espera de médicos agiotasQue ficam batendo punheta vendo peladas em revistas de fotografiasEnquanto idosos carcomidos contam estórias sobre suas vidas idiotas.Quero morrer bebendo e trepando em uma orgia de sentidosPutas chupando e eu comendo chocolate e queijos derretidosBeijos sufocantes e faiscantes, trepadas dos tempos da RainhaAh Messalina, apanhe um táxi, depois toque minha campainha.Estou morto, então não espere que eu lhe acorde antes do GeneralPinte seu rosto e disfarce seu jeito de santa e de mortal interjeiçãoQuero trepar agora, antes mesmo do toque da sua marcha funeralDeixe aberta a sepultura que chego antes do estado de putrefação.PerpetuaçãoLuiz Carlos "Barata" CichettoSou meu próprio pesadelo e sou a minha própria criaçãoMinha própria morte, um ataque ao meu próprio coração.Sou minha própria crença e a santidade da minha santificaçãoMinha própria dor e os pregos de minha própria crucificação.Sou eterno quanto a própria morte e escravo da minha aboliçãoMinha própria esperança e o desespero de minha própria aflição.Sou minha própria loucura e a sanidade da minha internaçãoMinha própria doença e cura por minha própria mortificação.Sou a própria existência e minha própria morte por execuçãoMinha própria sentença e o juiz da minha própria condenação.MortificaçãoLuiz Carlos "Barata" CichettoO que importa ser um pobre defunto quando lágrimas ainda escorrem...Aprendi que tristes são aqueles que ficamQue saudades causam dores e mortificamMas tenho saudades da alegria que senti ao morrerE a tristeza que causou minha morte há de escorrer....... Herdo a tristeza da vida e pergunto: todos são tristes quando morrem?...Acendam a chama do crematório, deixem cremarDesfazer em pó a tristeza que teima em queimar.E contem piadas infames sobre a morte e sobre a paixãoDepois gargalhem antes de empurrar ao fogo meu caixão......4x4
  24. 24. O Projeto "Sangue de Barata", trabalho conjuntode Barata e Raul Cichetto, poeta e poeta e musico epoeta respectivamente. Assim como respectivamentefilho e pai e pai do filho e tal.Poesias de Barata musicadas e produzidas por Raul.Porque "As baratas não rastejam, é apenas o jeito delascaminharem". Pretensioso, sim, o trabalho tenta furaros bloqueio das panelinhas de músicos e grupelhos deartistas que imaginam estar em um pedestal. Artistasde verdade não estão nas salas com ar condicionadosdos teatros das nobres ruas da cidade. Estamos simralando atrás do pão e porque não, querendo um poucode circo. Porque a arte não é o Circo do Sol,empoleirado nas telas majestosas. Arte é o circo daperiferia com palhaços maltrapilhos, equilibristasbêbadas e poetas... cansados... mas ainda sim,lutando por sua arte.Raul e Barata Cichetto, Inverno 2010MySpace:http://www.myspace.com/projetosanguedebarataBarataQuando QueroSou AnjoQuando DesejoSou DemônioQuando não Quero,Nem DesejoBarata!MetástaseDaquilo que era Cura sobrou apenas...Doença!E daquilo que era Fé sobrou apenas...Descrença!Daquilo que era Sol sobrou apenas...Temporal!E daquilo que era Desejo sobrou apenas...Imoral!Daquilo que era Estrela sobrou apenas...Escuridão!E daquilo que era Carne sobrou apenas...Podridão!SinestesiaO gosto amarelo da derrota em lugar do cheiro rubro do desejo do quartoTateando o lilás da tampa da garrafa da derrota, bebendo cheiro de partoCarrego estrelas azuis, da língua do céu, a boca da noite, o gosto amargoMeu desejo é agora incolor, gosto de podre, a saudades é preta, estrago.Não espero papagaios cor-de-rosa sentado em cadeiras de balanço roxasEsperar é morrer, esperar é o cinza e o amarelo é o gosto das suas coxasNomes das cores, nomes das dores, amores incolores, cores sem gostoCores sem nomes, sem odores. Que nomes tem as rugas do meu rosto?
  25. 25. Espaço PublicitárioTiragem: 50.000 DestinatáriosValor do Anúncio: R$ 90,00Próxima Edição: Setembro 2010Contato:barata.cichetto@gmail.comTelefone: (11) 6358-9727www.folhadeguaianases.com.br25 Anos a Serviço da ComunidadeGuaianases, Ferraz, Itaquera,Poá e SuzanoWeb Sites, Design Gráfico12 Anos de Atitude WebResponsável: Barata Cichettowww.celsomirandaimoveis.com.brCasas, ApartamentosImóveis Comerciaise Residenciais.Venda, Locaçãoe Permutawww.abarata.com.br

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