Anseiospdf

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Livro de poemas de autoria de Geraldo Ráiss

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  1. 1. ANSEIOS Geraldo Ráiss 1ª EdiçãoCâmara Brasileira de Jovens Escritores
  2. 2. Copyright©Geraldo Ráiss Câmara Brasileira de Jovens Escritores Rua Crundiúba 71/201F - Cep 21931-500 Rio de Janeiro - RJ Tel.: (21) 3393-2163 www.camarabrasileira.com cbje@globo.com Abril de 2009 Primeira Edição Coordenação editorial: Gláucia Helena Editor: Georges Martins Produção gráfica: Alexandre Campos Revisão: do autorÉ proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio e para qualquer fim, sem a autorização prévia, por escrito, do autor. Obra protegida pela Lei de Direitos Autorais
  3. 3. Geraldo RáissANSEIOS Abril de 2009 Rio de Janeiro - Brasil
  4. 4. ÍNDICEIntroduçãoAusênciaPoetas são mesmo assimClaustroSolidãoUma flor para o destinoAh se eu pudesse voar.O mar e o pescadorO deus que em mim habitaEngano pensarmos que somos umSei que sou repetitivoTristeza de poetaPredição de um TratadoAo que me restaDevaneioO que ninguém nos rouba, e nunca saberáO tudo é o que se mata em vida.Corpo fechadoInimigo meuMinha alma, meu refúgioNão importa de onde eu vimApenas um gesto bastariaAtarantadoDepois do funeralE o tempo me esperaHipotética é a menteEra...de aquárioOs deuses sabem o que fazemO sopro da vidaResposta a um amigoOs passos são passosOs olhos não mentemCulpaO vasoGigante sem voz
  5. 5. Este livro é dedicado aos meus amigos das noites boemias, lembrando que quase todo boêmio é um poeta.
  6. 6. Agradecimentos especiais Ao artista plástico Márcio José Banéga, pelas ilustrações em aquarela, que enriqueceram o livro,À Beatriz Aparecida Rodrigueiro, que com sua sensibilidade de poetisa soube captar a essência da obra.
  7. 7. Geraldo RáissProva 01 CBJE 10
  8. 8. ANSEIOS Introdução Anseio. Substantivo masculino, aqui no plural,ANSEIOS. Ou talvez verbo transitivo direto, não importa, jáque nós seres humanos ansiamos por tantas coisas, até pornós mesmos. Quem sabe uma palavra amiga do nosso espe-lho, ou talvez um espelho novo, quem sabe? Os poemas das páginas seguintes foram escritosentre os anos de 1999 e 2001, muitas vezes brotaram deconversações íntimas com o espelho, espelho esse planta-do em um coração ansioso pelo conhecimento de si pró-prio, e um pouco pelo entendimento do espelho alheio,tarefa árdua já que nem sempre é fácil transformar senti-mentos em palavras. ANSEIOS não é um livro de propostas, tampouco desoluções, mas é talvez um Tratado interior dos vários “eus”residentes em nós, e que muitas vezes são acionados na tenta-tiva de estancar feridas causadas por decepções e desilusões, eoutras vezes festejar as alegrias da vida. Espero que algunsdos seus “eus” se identifiquem com alguns dos meus “eus”. 11
  9. 9. Geraldo RáissProva 01 CBJE 12
  10. 10. ANSEIOS AusênciaAusência é arrebatar-se do corpo, em busca da liberdadeÉ sentir necessidade até da palavra saudadeQuão miserável é o ser que nem a tem pra sentir....E quando a tem se ausenta por medo!... medo que se tem da total entregaE quando se entrega faz brotar no ser, o desejo dessa ausênciaO que nos faz pensar que é necessária essa dualidade de sentimentosQue move o Homem, e o faz caminhar para sua própria ausência!A felicidade em sua plenitude é ausente.Qual o ser que a tem por domínio?A luz sempre se afasta a dar lugar para sua ausência.E a noite toma seu lugar, e tudo parece mais ausente...Mas nos deleitamos com ela!O amor também é, às vezes, ausenteQuantas vezes precisamos dele, e nesse momento não está presente...E é ai que o reconhecemos e o valorizamos!E em tudo que é ausente nos encontramosAté no mais errante nos vemos, por lhe faltar o que temosE termos demais o que lhe falta.E nessa dualidade caminhamos, e crescemos,Tudo faz parte de nós 13
  11. 11. Geraldo Ráiss Ser ou não ser não é mais a questão E sim a insensatez de não percebermos A ausência dos nossos próprios sentimentos! Ausência não é vazio, é desafio. E o Homem se alimenta disso para continuar vivendo, Pois na ausência da ausência, O perfeito se torna enfadonho em sua própria plenitude. Imagino o clamor de um anjo: sou perfeito, e então?Prova 01 CBJE 14
  12. 12. ANSEIOS Poetas são mesmo assimPoetas falam de amor...de outros, e dos seus.Às vezes falam do horror,e às vezes de DeusE eu, que nem me acho tão poeta assim,às vezes falo de mimMas nem sempre palavras falam,noutras vezes podem até parecer banais,assim como o Homem...muitas vezes é!Não tenho o hábito de reler o que escrevo...entretanto aconteceE é quando percebo o quão distante fiquei...de mim,E chego a pensar se realmente fui eu,quem escreveuContudo, não me causa deslumbre,pois ví que mudei...Não creiam por isso que sou louco,pois todo poetade todos tem um poucoFalo de coisas que vejo,e muitas vezes do que não vejo,poetas são mesmo assim,falam pouco, mas muito vêem! 15
  13. 13. Geraldo RáissProva 01 CBJE 16
  14. 14. ANSEIOS ClaustroPouco a dizer da vida, pois muito já foi ditoA não ser falar da minha, mas quem se importaria?O mundo - esse lá fora - causa dor e agoniaFicarei então no meu, embebido do românticoEsgarçando a pele em fios, sussurrando desatinosQue só a mim não são ocultosNinguém precisa saber do que é feito meu peitoTorno o mudo, para o mundoO que quero faço ao meu redorEstou atrás do meu muroEmpobreço até os versosNão importa. Lá não seria melhor.E se algum dia me cobrarem um lampejoDirei não ser eu, posto que nada vejo. 17
  15. 15. Geraldo Ráiss Solidão Solidão. Às vezes ela vem E arrebata-me do lugar comum Arrastando-me ao oco de mim De onde procuro estar arredado Manifesta-se crua, nua Mostra-se impiedosa Faz-se tempestade Forçando-me a revirar em mim Feito a fúria de um furacão Solidão. Quantas vezes não peço aos céus Que de uma árvore, uma folha caia A me fazer companhia... Por compaixãoProva 01 CBJE 18
  16. 16. ANSEIOS Uma flor para o destinoO meu peito se abre ao ventoE leva consigo a flor do destinoPrincípio inverso do lamentoQue me guia pelo tempo indiscutidoRei dos meus próprios sonhosSou eu o Rei, tolerante de mim mesmoQue flameja a luz sob meus passosCaminhando ardente, nu, ao ventoSou aquele que busca a alturaQue muda a história, que muda vidasE ao contrário, não muda a suaSou aquele que muda o cursoDos rios barrentos, das noites vaziasE que leva ao vento o peito turvoRei da alegria de outros, à procura da suaVivo no tempo, silencioso como bruma 19
  17. 17. Geraldo RáissProva 01 CBJE 20
  18. 18. ANSEIOS Ah se eu pudesse voar!Mais intrigante do que o mar, sou eu.Vivo a me perguntar,se confio nisso ou naquilo,e a despeito disso ou daquilopassa-se o tempo...e não fiz nem isso, nem aquiloAh se eu pudesse ser como os pássaros,que apenas voam,não importa pra onde,apenas vão....Não têm que pensar nisso ou naquilo,sabem que vão...sem hora ou destino,assaz confiantes, apenas cumprindoligeiros instintos.Ah se eu pudesse ser como os pássaros!Viver pelos campossorrindo e cantando,apenas sonhando, voando.....sem ter que pensar,pois quando penso não sonho,e se não sonho não vivo,e se não vivo não posso ser um pássaro,e não o sendo me privo,não sobrevôo o mar...E mais intrigante do que o mar, sou eu,que ao meio do caminho me fecho,e em mim não consigo nem confiar.Ah se eu pudesse voar! 21
  19. 19. Geraldo Ráiss O mar e o pescador Das entranhas do mar pescam-se vidas, vidas caladas, e vidas ativas Para as profundezas do mar vão-se vidas, vidas ativas, que se tornam caladas Quando miro a beleza do mar, me fascina saber, que tal qual o pescador, os dois têm suas sinas... A sina de dar, e a sina de levar... ...vidas!Prova 01 CBJE 22
  20. 20. ANSEIOS O deus que em mim habitaO deus que em mim habitaestá cravado em minhas próprias marcas,que se espalham no infindo,navegando por estrelasque anseiam indicara direção ao inacessível,feito uma cabalaEsse deus que carrego comigo,ora me alegra, ora me devora,estou preso a ele em laço antigo,e não importam meus passos, pois ignora!Sequer haverá desprendimento(sem ele não vivo)e se na vida terrena é mortal,imortal eu sei que é – no infinito 23
  21. 21. Geraldo Ráiss Engano pensarmos que somos um (pois um transcende o outro) De fato não sou um! Certeza (que tenho outro) Tolo, aquele que pensa ser o que vê (Pois nem a si percebe) Decididamente tenho outro, O que tem desejos inconcebíveis E que luta contra o que pensa ser O outro pede (a mim que se cumpra) E esse, quem penso ser, está preso, e no fundo luta Difícil é saber qual está certo Mas é certo que há batalha... É como se o outro e eu Partíssemos de dois pontos distantes, E que a vida nos levasse quase infinitamente Até um dia talvez, houvesse nosso encontro... E nesse instante já não seriam dois, Mas um único eu, A morar em mimProva 01 CBJE 24
  22. 22. ANSEIOS Sei que sou repetitivoRepetitivo eu sei que souMuitas vezes sou, masEnquanto de minha boca sair- Ou de minha mão o lápis deslizarPara as mesmas coisas dizer (ou escrever)- Quer dizer que ainda preciso dizerO dia em que não mais repetirTodos saberão que subtraí de mimO que de incômodo me causava(Mas quase tudo me incomoda...)Acho que serei sempre repetitivo 25
  23. 23. Geraldo Ráiss Tristeza de poeta Dizem que todo poeta é triste Assim o dizem! Se falasse eu de amor Seria eu menos triste? Falar de amor em dias de hoje (...) Onde andará? Porventura ainda existe? Menos ainda falar de outrora, Pois é já outra hora Amei no ontem E não sei se fui amado. Nunca o saberei. Fui entregue às fantasias do amor E só me fiz sentir agravos Um poeta já nasce triste, Não importa sobre o que fale Melhor seria não sê-lo, Mas se acaso outro jeito não houver, Que seja apenas poeta, Nada mais. E pouco importa falar de amor Ou do inverso amor do mundo, Pois em cada canto da Terra, Brasil, Portugal ou China, Onde existir a vidaProva 01 Sempre haverá um poeta CBJE 26
  24. 24. ANSEIOS Predição de um TratadoO meu lar só tem a mimE por todos os seus cantos- onde vago,existe um pouco de mim (só de mim!)E aos amigos que perguntam,o que de mim façorespondo - dizendoo que não faço...Não faço me tornar preso,em troca de abraços,a dar alimento a laços,que bem sei, tolhem-me espaçoNo meu lar só tenho a mim!Mas às vezes me interrogoSe vale a pena (esse Tratado)-pois no ocaso, o que será de mim? 27
  25. 25. Geraldo Ráiss Ao que me resta Eu rio dos meus dias, que foram Rios de às vezes claras águas, E vez ou outra, turvas, Tal o silêncio desses dias Eu rio. Passadas águas (...) Pensando sorrindo, ou lamentando Aquelas que ainda hão de vir Quem sabe do destino? Quem o saberá? Só me restou viverProva 01 CBJE 28
  26. 26. ANSEIOS DevaneioNão se pode ver além do monteSe não atingirmos o cimoMiro o nada por instantes,E percebo que no vazioO nada não existeDiante de mim, imagensDe coisas que ainda não vi,Ou se vi não foi este quem viu!Minha mente ferveÉ tão confuso ver....Penso no tempo...Existe realmente o tempo?Achei que ele que passava,Mas vejo que não(Eu passei por ele)E deixei rastos de outroraQue agora vejo...O tempo sempre esteve láGuardado em meu peitoTrilhando meu caminho 29
  27. 27. Geraldo Ráiss Ele nunca se moveu Quem se move sou eu E se planto flores, sinto odores, Se não, tenho dores Pois quem plantou fui eu E do alto desse monte Miro o azul da cumeada (no horizonte) E entristeço ao perceber que o tempo não passou, Pois quem passou fui eu!Prova 01 CBJE 30
  28. 28. ANSEIOS O que ninguém nos rouba, e nunca saberá (nossos sonhos)Se eu quiser posso subir aos céusMas a quem devo indagar?Se preferir, perseguirei estrelasMas para onde irão me levar?O meu Eu, a tudo permiteMinha mente foge como raio, insanas fantasiasSou o que quero, e como queroPara ela já não há limitesO que seria de mim sem a noite?Que me acolhe em braços maciosE nenhuma palavra me sopra,E mesmo assim me conforta?Olhos cerrados...Parto para os mais altos vôosNão há barreiras em meu sonho,E assim desenho minha estóriaProduzo sons, movimentos e cores,Tudo é certo no meu mundo.Esboço sorrisos de contentamento,Afinal, tudo consigo em um segundo 31
  29. 29. Geraldo Ráiss Não sei o quanto viajo Perco a noção do tempo Sinto o fim quando imagens embaralham, E travo batalhas comigo mesmo No meu sonho tudo é possível Até deixar de ser eu... É como um segredo que me ronda, Sem nenhum acesso, e que ninguém me rouba.Prova 01 CBJE 32
  30. 30. ANSEIOS O tudo é o que se mata em vidaCreio na vida quando me sinto livre,Livre a caminhar pela rua, sem medo.Creio na vida quando não vejo o futuro,O futuro nas ruas, em busca do nada.Creio na vida quando tenho sonhos,Sonhos que um dia sei ... poderão vingar.Creio na vida quando vejo nosso passado,Passado em nossos velhos, respeitado.Creio na vida quando vejo um povo,Um povo unido pelo mesmo ideal.Creio na vida quando posso partilhar,Partilhar da fauna e flora, sem vê-las de mim se amedrontar.Deixo de viver quando a cada dia,A cada dia ao abrir os olhos, um dos meus sonhos se vai.Deixo de viver quando meus lábios sentem falta,A falta de um costumeiro sorriso, que antes se espalhava.Começo a morrer quando percebo que em vão,Em vão é meu esforço para manterem eretos meus ombros.Meus ombros cansados, que aos poucos caem mais e mais,E mais distantes ainda ficaram meus ideais. 33
  31. 31. Geraldo Ráiss Morro, quando não consigo ser quem sou, E quem sou não é assim tão mal É quando soa o desencanto, Dos encantos do meu sonho temporal. Cada lua que da minha vida é subtraída, Subtraída também é a certeza, De que se morre somente na carne, A carne, essa sim já é morta estando ainda em vida.Prova 01 CBJE 34
  32. 32. ANSEIOS Corpo fechadoO amor me visitou,...e no momento seguinteme abandonou.Causou um vácuo visceral,...e com requintesme apunhalou. Deixou aberta em mim, latejando, uma ferida sem fim,...que bem sei, ainda não fechou.Essa dor que meu peito dói,e que corrói...é certo que levareiE não passará um dia sequersem que dela lembrarei,...e sofrerei.E se mais tarde, quem sabe(eu) houver sido visitado...pelo amor, ou a dor,empunharei o meu corpo fechado. 35
  33. 33. Geraldo Ráiss Inimigo meu Inimigo meu, que transitas em minhas paragens, empertigado em toda sua intrepidez, diga-me ...qual meu espelho, onde devo começar. Onde tenho eu errado, pra poder me emendar? Sê meu aliado, para que eu possa nessa vida expiar alguns males meus, e quem sabe um dia reparar. Não penses que a mim fazes sofrer. ...Ao contrário, tuas observações só bem me trazem, com elas meu repouso é minha ronda, e meu espírito nelas se compraz. E até que possas me avistar como amigo, que sejas tu meu anjo que meus olhos abres, pois saibas, és mais meu amigo do que meu maior amigo, que para me proteger não ousa me ferir. Não que eu não o ame (pois amo) Mas agradeço a ti que sem entender, e mesmo sem querer, levas a me conhecer.Prova 01 CBJE 36
  34. 34. ANSEIOS Minha alma, meu refúgioOh alma que me acerca contra tiMinha razão, que é minha buscaMeu âmago que me aperta,E me arrasta por todos os rumos.Acerca-te de mimNo envolto de teu abraçoFaça-me sentir parte de tiEnvolva-me com teu laço.Não te percas de mim oh raioNão te faças assim fulgásSê de mim meus passos,E no outono te aqueces em meus lábios.Arrasta-me por todos os rumosNo envolto de teu laçoEnvolva-me com teu abraço,Para que no inverno aqueças meus lábios. 37
  35. 35. Geraldo Ráiss Não importa (de onde eu vim) Alguns dizem que vim de um certo Adão (A quem não fui apresentado) Outros, de além mundo (Que não me lembro ter estado) Há os que sugerem - do barro Pode ser...todo dia sou quebrado Não importa donde vim Ou de quem vim Se alguém me pôs Apenas me pôs... E deixou-me Áptero, quebrantado, A volver-me em um labirinto de sonhos, desejos, e anseios sem fim. Quem me pôs ofereceu-me o mundo, mas esqueceu de apresentá-lo a mim, Ofereceu-me sonhos, mas não alertou-me de que era apenas pra sonhar, Deu-me um coração, Mas não disse que poderia amarfanhar.Prova 01 CBJE 38
  36. 36. ANSEIOSDeu-me a vida!De Adão, do Universo, do barro,- Não importa!O que incomodaé o fato de sentir-me só,em um emaranhado sem evidênciasTendo a cada dia que suscitar em mimrespostas vagassobre o que um dia foi,e no outro poderá vir a ser.Não, não importa de onde vim. 39
  37. 37. Geraldo RáissProva 01 CBJE 40
  38. 38. ANSEIOS Apenas um gesto bastariaApenas um gesto, um olhar(Se puderes me dar...)Não te cobro o falarApenas um olharPara que possas ver em mimUm risco de ti. Apenas um risco.Talvez um pouco do teu passado...Quem sabe, migalhas do meu presente!Sinta-me algo quase teu - vindo de tiCries traços teus (em meus traços).Não te cobro o falar - senão um olharNão te peço que fiques comigo pra sempreMas que fiques enquanto durar teu olharTão meu... - o teu olharPor um instante não cales tuas mãosAntes, percorra meus cabelos...E que deslize até minha faceTão exausta quanto a tua!Navegues por mim, em mimE me deixe sentir a tua presençaAntes que ela se vá (de mim)E talvez nunca mais eu possa chamar-te -“pai”! 41
  39. 39. Geraldo Ráiss Atarantado Ando trateado com o mundo Que tem várias faces E me torno intratável, Atarantado, trêfego E já não consigo sequer trautearProva 01 CBJE 42
  40. 40. ANSEIOS Depois do funeralHá alguns passos,Atrás do último,Observo o féretro,A caminho do túmuloRostos pálidos - lá se vãoCom olhos úmidos,Contando os passosDo amigo ao ladoAperto os meus,E ouço cochichosDe senhoras de pretoFalando do morto – tão nobre, tão bom!Há também curiosos,Que como euSó querem saber quem passouDesta pra melhor, ou quem sabe lá...A verdade é uma só,Ataúde baixadoDobra-se a esquina,Seca-se os olhos,Cuida-se da vida,E espera-se pelo próximo. 43
  41. 41. Geraldo Ráiss ...E o tempo me espera Um rosto dentro de mim se abate, e me delata Já não tenho mais tempo – esse não cessa. Corro contra ele, querendo encontrar seu fim, mas em vão – ele não cessa. Não hei de dizer o que vai de mim – mas ele me delata (o rosto) Arrasta-me contra o outro, que muito maroto, me espera – porque esse não cessa (o tempo)Prova 01 CBJE 44
  42. 42. ANSEIOSHipotética é a mente sem a emoçãoHipoteticamentedarei asas à imaginaçãoHipoteticamentepoderei idear uma grande cançãoHipoteticamenteviverei - nos dias que virãoHipoteticamenteestá certo - o sim e o nãoPor hora, o que seinão ser hipotético,é o agoraO exato momentoem que fala o meu coração,é quando não uso minha razão! 45
  43. 43. Geraldo Ráiss Era... De Aquário Espaçonave, satélite, computador Ciência, doença e dor Rios, mares e falta de amor E o Homem mudou? Ecologia, anemia, hipocrisia Política, preconceito e carestia Profetas, líderes, donos da verdade E o Homem mudou? Almas vendidas, paternalismo Crianças na rua Fobia e craque Aquário na esquina....que sina! Que nada, Transcendente é a mente Que sente! Que mente! Homem decadente Emergente do nada Primata caricata, Aquário é piadaProva 01 CBJE 46
  44. 44. ANSEIOSMundo novo à vista?Imperialistas, poetas, terroristas,Fome, Timor, rancor,Nova era... transcende... letras, letras, letras.... Atitude! 47
  45. 45. Geraldo RáissProva 01 CBJE 48
  46. 46. ANSEIOS Os deuses sabem o que fazemOs deuses sabem o que fazemPensais vós o contrário?Achais que tudo está a se perder?Então digo-vos: não sabeis o que dizeis,Pois os deuses sabem o que fazem!Porventura achais que à vossa portaanda a bater a solidão?Refletis então: o que é a solidão?Não sabeis pois, ser um estado em transição?Quereis fazer dela, morbidez?Engana-vos, porquanto também ela se move,e acima de vós tudo se renova.Reclamai-vos de, aos deuses não ver,então devo provocar-vos: - e o ar, podeis ver?É certo que não, mas ele é,e no entanto vós o percebeis na face(quando ele se renova)Pois a todo segundo ele também é outro,e nem por isso, sente-se só!Se a vós fosseis concedido o poder de vê-lo,veríeis que não há lamento...então por que achais estar só?Não o tem como estimulo a se renovar?Quereis ainda respirar àquele que já passou?Pois esse não vos serve mais! 49
  47. 47. Geraldo Ráiss Vigiais: a solidão não existe se há renovação! Não haveis inquietai-vos com o estar só, ...pois não está Os deuses sabem o que fazem!Prova 01 CBJE 50
  48. 48. ANSEIOS O sopro da vidaImaginas andando por uma estrada,e de repente, um forte ventovem ao teu encontroforçando-te a diminuir os passosinduzindo-te a uma parada brusca!Algumas vezes a vida é como o vento,sopra quando quer, onde quer,na velocidade que aprazar,e noutras vezes dá-nos a impressão de não soprar,tal o seu estado apáticoMas enganas,pois nesse momento ela está vindoao teu encontro,e tal é sua força,que te faz pensar estar parado!Mas digo-te que,se tu não caminharesmais lentamente nesse instante,não terás força suficiente,logo à frente. 51
  49. 49. Geraldo Ráiss Sê sensato, e espere, pois o vento que veio do Norte, certamente virá do Sul, impulsionando a ti, e tudo que está a tua volta. E pensarás então que mudaste a direção. Mas não... continuarás caminhando para frente. Não fosse assim, não suportarias O grande sopro que é a vida!Prova 01 CBJE 52
  50. 50. ANSEIOS Resposta a um amigo (inclinação suicida)Quanto às horas a fio de trabalho,Devo dizer que:- Não é bom que se tente penetrarNo que ainda é impenetrável,Pois a busca frenética, às vezesPode se tornar patéticaAos olhos de quem vê!Saiba que a ti não é dado ver tudo - por hora,Prudente é que retomes a calma,E cuide bem do presente,Pois como há de querer ver à frenteSe hoje não sabes ao menos o que sentes?Não é justo que a ti te percas,E nem que te percas dos teus,Pois pensas que sabes,Mas não tens idéia nenhumaDo que é perder-se em alucinações e palpitações,Desejar voltar atrás, e não poder!Procures ficar em paz,Andes apenas aonde a ti é permitido pisar,Ademais ...deixe o tempo se encarregar. 53
  51. 51. Geraldo Ráiss Os passos são passos Deixe que teus passos o levem aonde quer que eles te levem. Levante o cenho, e tente ...Tente ver o que está à frente. Veja (...) A própria palavra diz: “passo” ...Já passou! Outros vêm atrás de ti e seguem teus passos Deixe que estes os apaguem Segue tu, as pegadas dos que estão à tua frente. Da flor que ficou para trás, Ainda restou a semente - aquela que um dia tu plantaste, E embora não percebas hoje, Caíram, e germinaram na depressão causada pelos teus passos. Deixa, pois, que teu passo direito Leve o teu esquerdo, São apenas passos.Prova 01 CBJE 54
  52. 52. ANSEIOS Os olhos não mentemAntes de dizer palavras,certifiques de que vêmde dentro do coração.Já é tempo de não te enganar,saias pois, do mundo da ilusão,os olhos não mentem!De todos os sentidos,que porventura te possam iludir,e a outros confundir,há um a que não podes fugir: a visão,pois os olhos não mentem!Procures sempre dizer a emoção,não a encubras com a tua razão,é melhor que mostres tua fragilidadesem passar por ela,a ficares vulnerávelaos tropeços da tua falta de visão.Lembra-te,podes até fugir da tua própria insensatez,pois a conheces bem,porém não esqueças de lembrar tambémque os olhos não mentem! 55
  53. 53. Geraldo Ráiss Faze o entender e o agir dentro das leis do amor, para que no futuro evites tantos dissabores.Prova 01 CBJE 56
  54. 54. ANSEIOS CulpaAntes que o fogo da mágoa,seja atiçado em teu coração...Perdoe!Perdoe o ontem e o hoje,quantas vezes forem precisasA fim de evitaresque a brasa da culpapermuta partes de ti,e enverede teu sera um permanente estado de fugaFuga de ti mesmo,- da tua própria culpa,por sentires incapazde transgredir as invioláveis verdades,que a ti mesmo impuseste.Cuida para que o teu amanhecerseja claro e límpidoE fertilize com a compreensão,os jardins do teu coração. 57
  55. 55. Geraldo Ráiss O vaso O vaso está ali, Logo ali... Sobre aquela mesa. Passo por ele hora e outra, Admiro sua beleza, Imagino as mãos do oleiro Manipulando suas curvas Até que um dia, por descuido, Ele cai, e se quebra! Na vida é assim, Tudo tem um fim E ainda que aquele vaso eu substitua por outro parecido, não será o mesmo. Não mais verei aquelas curvas, pois já serão outras, as mãos.Prova 01 CBJE 58
  56. 56. ANSEIOS Gigante sem vozQue terra é essa, que já nasceu divididaDesprendendo-se em ContinenteA dar origem uma imensa riquezaEm tons verdes, ouro e prata?Que acolhe toda raçaNum só abraço, ardente,E encena a cada passo um novo ato,A se propor em força que anima.Dos mananciais aos áridos - antagonistasQue ferem toda uma gente(Que pensa ser protagonista)De uma história, que por condição lhe fora impostaQue terra é essa, que em meio a tanto tesouroGolpeia feito serpenteOlhares assustados e famintos,A espera da hora a promulgar? 59
  57. 57. Geraldo Ráiss E no cantar de um pássaro, clama o sertão A todo ser ausente Que lhe foi dito a buscar Numa esperança, que chega a lhe atormentar Quisera eu falar de flores, encantos e recantos, E bradar sons em tons poeticamente, Em cada canto declarar o meu amor Em versos e rimas, a esta terra com louvor Este solo que abriga a arte ... (de viver modestamente) Dá asas a Lobatos e Jorges Para que alcemos vôos de toda sorte E assim a temos como morada E dela colhemos intensamente Todo fruto do futuro que há de vir, E que esse fruto doe voz a esse gigante chamado Brasil!Prova 01 CBJE 60
  58. 58. ANSEIOS Final Hoje, ano 2009. Há dez anos atrás eu conversava commeu espelho interior e outras vezes com o espelho alheio,como foi dito na Introdução deste livro. Muitas das minhasindagações foram dissolvidas nesses anos, e outras ainda es-tão à baila, muitas mudanças se concretizaram, nada foi emvão. Novos amigos foram feitos, antigas ilusões foram desfei-tas, pois não passaram de ilusões, assim como os amores. Avida transita, e o amadurecimento vai estilhaçando aos pou-cos nossos espelhos até que eles se quebrem totalmente, res-tando apenas nós. O claustro vai se iluminando e vamos tro-cando de morada, o corpo fechado vai se abrindo deixandoalguns medos para trás, dando lugar ao novo, e a vida vai so-prando a despeito das carências e ausências. Os anseios conti-nuam, mas não são os mesmos, pois o poeta mudou com otempo, embora continue poeta, afinal somos mesmo assim. 61
  59. 59. Geraldo Ráissavieno@bol.com.br
  60. 60. Livro produzido pelaCâmara Brasileira de Jovens Escritores Rio de Janeiro - RJ - Brasil http://www.camarabrasileira.com E-mail: cbje@globo.com

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