ROTEIRO PARA ENTRAR NA E=R

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Um roteiro para quem está entrando na Escola-de-Redes

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ROTEIRO PARA ENTRAR NA E=R

  1. 1. UM ROTEIRO PARA QUEM ESTÁENTRANDO NA ESCOLA-DE-REDES Augusto de Franco Setembro 2010 – Revisado em Outubro 2012
  2. 2. Invista 5 minutos do seu tempo olhando esta imagem...
  3. 3. Sim, estamos todos emaranhados... Isto é rede!
  4. 4. Para início de conversa Não é possível entender a nova ciência das redes sem estudar os textos fundamentais. Para começar você deve ler pelo menos três textos básicos (já traduzidos e disponíveis): BARABASI, Albert (2002): Linked WATTS, Duncan (2003): Six Degrees CHRISTAKIS, Nicholas & FOWLER, James (2009): Connected
  5. 5. Na minha opinião Não adianta pular essa “etapa”. Ou você encara o desafio, lê os textos e tenta entendê-los, ou vai ficar falando de redes por ouvir dizer. É claro que existem muitos caminhos e vários outros textos introdutórios. Esta é apenas a minha indicação: porque acho que Linked, Six Degrees e Connected são mais fáceis, mais completos e mais disponíveis.
  6. 6. Outras indicações Existem textos mais suaves e talvez mais amigáveis (como os indicados abaixo), mas eles não substituem o estudo dos textos de Barabási, Watts e Christakis & Fowler. Por exemplo: MARTINHO, Cássio (2003): Redes UGARTE, David (2007): O poder das redes FRANCO, Augusto (2008): A rede
  7. 7. Mais três indicações Outros textos de caráter introdutório que você pode ler (mas que também não substituem os textos de Barabási, Watts e Christakis & Fowler indicados acima): PISANI, Francis entrevista Fritjof Capra (2007): Redes como um padrão unificador da vida FRANCO, Augusto (2011): É o social, estúpido! MIEMIS, Venessa (2010): O futuro é a rede
  8. 8. Se você prefere começar não-lendo Você pode preferir começar assistindo vídeos. Mas fique sabendo que isso não substitui o estudo dos textos básicos indicados aqui. Você pode assistir por exemplo: O poder dos seis graus: Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 Redes sociais: como funcionam as ligações entre as pessoas: Video A influência oculta das redes sociais: Video
  9. 9. Uma lista de 15 idéias provocadoras Segue agora uma lista de idéias sobre redes que já foram objeto de conversações na Escola-de- Redes. Atenção: nem todos os conectados à E=R concordam com tais idéias. Algumas delas são bastante heterodoxas e complexas. Mas podem servir como uma provocação à reflexão.
  10. 10. 1Redes sociais são pessoasinteragindo, não ferramentasPara aprofundar essaidéia clique aqui
  11. 11.  Alastrou-se como uma praga a idéia de que redes sociais são a mesma coisa que mídias sociais, redes digitais, ambientes virtuais, sites de relacionamento (como Facebook ou Orkut) ou plataformas interativas (como Ning ou Elgg). Essa idéia é equivocada, sobretudo porquanto elide o fato de que redes sociais são pessoas interagindo, não ferramentas.
  12. 12. 2As redes sociais não surgiram comas novas tecnologias de informaçãoe comunicaçãoPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  13. 13.  Também está bastante difundida a idéia de que redes são um novo tipo de organização surgida com as novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Essa é outra idéia problemática, sobretudo porque deixa de ver o fundamental: redes são um padrão de organização que pode ser ensaiado com diferentes mídias e tecnologias (até com sinais de fumaça, tambores, conversações presenciais, cartas escritas à mão em papel e transportadas à cavalo et coetera).
  14. 14. 3Redes mais distribuídas do quecentralizadas são possíveis, sim,no “mundo real”Para aprofundar essaidéia clique aqui
  15. 15.  Outra idéia “furada” é a de que redes sociais (mais distribuídas do que centralizadas) não são possíveis (no “mundo real”) como forma de (auto) organização da ação coletiva. Nada disso: elas são possíveis. Uma rede não precisa ter 100% de distribuição para ser considerada distribuída (basta que ela tenha mais de 50% de distribuição; ou, dizendo de modo inverso, menos de 50% de centralização).
  16. 16. 4Redes sociais não são redes deinformaçãoPara aprofundar essaidéia clique aqui
  17. 17.  Redes sociais são redes de comunicação, é óbvio. Ainda que o conceito de informação seja bastante elástico, isso não é a mesma coisa que dizer que elas são redes de informação. Redes são sistemas interativos e a interação não é apenas uma transmissão-recepção de dados: se fosse assim não haveria como distinguir uma rede social (pessoas interagindo) de uma rede de máquinas (computadores conectados, por exemplo).
  18. 18. 5Redes são ambientes de interação,não de participaçãoPara aprofundar essaidéia clique aqui
  19. 19.  Na participação estamos abrindo a (nossa) fronteira para que o outro possa entrar. Em uma rede (mais distribuída do que centralizada), as fronteiras são sempre mais membranas do que paredes opacas, não precisam ser abertas, não se estabelecem antes da interação e todos os que estão em-interação estão sempre "dentro" (aliás, estar "dentro", neste caso, é sinônimo de estar interagindo, mesmo que alguém só tenha começado ontem e os demais há anos).
  20. 20. 6Os fenômenos que ocorrem emuma rede não dependem dascaracterísticas intrínsecas dosseus nodosPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  21. 21.  A idéia de que a fenomenologia de uma rede é função das características de seus nodos (das suas idéias, conhecimentos, habilidades, valores, preferências ou condicionamentos) faz parte de uma herança cultural difícil de ser questionada. Dizer que a fenomenologia de uma rede é função da sua topologia é um verdadeiro choque para essa cultura que encara as sociedades humanas como coleções de indivíduos e não como sistema de relações entre pessoas, como configurações de fluxos ou interações.
  22. 22. 7O conteúdo do que flui pelasconexões não determina ocomportamento de uma redePara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  23. 23.  O comportamento coletivo não depende dos propósitos dos indivíduos conectados (ou dos seus valores, habilidades e outras características individualizáveis). Ele é função dos graus de distribuição e conectividade (ou interatividade) da rede.
  24. 24. 8O conhecimento presente em umarede não é um objeto, um conteúdoque possa ser arquivado egerenciado top downPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  25. 25.  As pessoas confundem interação com troca de informação e gestão de conteúdo (sobretudo tomando por conteúdo conhecimento). Querem bolar uma arquitetura da informação, urdir esquemas classificatórios, desenhar árvores para mapear relações e organizar os escaninhos para depositar o conhecimento que vai sendo construído coletivamente. Querem facilitar a navegação dos demais. Acabam erigindo uma escola quer dizer, uma burocracia do ensinamento, inevitavelmente centralizada.
  26. 26. 9Hierarquia não é o mesmo queliderançaPara aprofundar essaidéia clique aqui
  27. 27.  Não há nenhuma incompatibilidade entre liderança e estrutura de rede distribuída. Redes são ambientes favoráveis à emergência de multiliderança. O problema é a monoliderança, a liderança única e permanente daquele líder que quer ser líder em qualquer assunto e que não abandona sua posição. Toda vez que existe monoliderança é porque existe hierarquia (centralização).
  28. 28. 10Centralização (hierarquização) nãoé o mesmo que clusterizaçãoPara aprofundar essaidéia clique aqui
  29. 29.  Também é comum a confusão entre hierarquização (que é uma centralização) e clusterização (ou aglomeramento provocado pela dinâmica de uma rede). Isso dificulta a compreensão do fenômeno do poder nas redes sociais. Desse ponto de vista, aliás, é o contrário: o poder não surge da clusterização e sim – juntamente com a exclusão de nodos e a obstrução de fluxos – do desatalhamento (supressão dos atalhos) entre clusters (aglomerados).
  30. 30. 11A escassez que gera hierarquia éaquela introduzida artificialmentepelo modo de regulaçãoPara aprofundar essaidéia clique aqui
  31. 31.  A hipótese de que foi a escassez (natural, de recursos) que gerou a hierarquia e que, assim, a hierarquia tenha brotado espontaneamente do caos, é tão sedutora para alguns quanto enganosa para todos. Há até os que se põem a promover um deslizamento do conceito de hierarquia (hieros + arché), com base na suposta evidência de que ela é encontrada em toda parte – do mundo físico (e. g., sistemas termodinâmicos) ao mundo biológico (e. g., sistemas vivos aninhados) – e que isso seria uma prova de que a hierarquia é natural e, dessarte, também naturalmente se manifestaria no mundo social.
  32. 32. 12Em redes distribuídas não se podediferenciar papéis ex ante àinteraçãoPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  33. 33.  A idéia de que qualquer organização exige diferenciação de papéis pré-definíveis é aceita como um axioma na administração. Em alguns casos citam- se exemplos retirados da biosfera para mostrar que se trata de uma verdade evidente por si mesma (por exemplo, freqüentemente se dá o exemplo das formigas, que já nasceriam com funções especializadas: forrageiras, operárias, soldados – conquanto essa crença já tenha sido desmascarada pela ciência).
  34. 34. 13Não podem existir pessoas (sereshumanos) sem redes sociaisPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  35. 35.  Está muito difundida a idéia de que redes sociais são formadas a partir de escolhas racionais feitas pelos indivíduos. Segundo essa idéia as redes seriam voluntariamente construídas com propósitos definidos e baseados nos interesses dos indivíduos. Quem pensa assim, evidentemente, avalia que podem existir pessoas humanas sem redes, quer dizer, que primeiro existem os indivíduos (já plenamente humanos) para, depois, se esses indivíduos resolverem se conectar, só então surgirem as redes sociais.
  36. 36. 14As redes sociais distribuídas nãosão instrumentos para realizar amudança: elas já são a mudançaPara aprofundar essa idéia faça umabusca em http://escoladeredes.ning.com
  37. 37.  Também é comum a idéia de que as redes são uma espécie de instrumento para se fazer alguma coisa. Como o assunto entrou na moda nos últimos tempos, as pessoas acham que estão diante de uma nova forma de organização recentemente descoberta e querem logo usar as redes com algum objetivo instrumental, ainda quando desejem colocá-las a serviço de uma causa que, a seu ver, não poderia ser mais nobre: a grande mudança da sociedade ou a transformação social.
  38. 38. 15É inútil erigir uma hierarquia pararealizar a transição de umaorganização hierárquica para umaorganização em redePara aprofundar essaidéia clique aqui
  39. 39.  Deveria ser óbvio, tautológico ou quase. Se queremos redes devemos articular redes, não erigir hierarquias.
  40. 40. Bem-vind@ à Escola-de-Redes A Escola-de-Redes é uma não-escola. Aqui você poderá aprender, mas não espere ser ensinado. A escola é a rede. O objetivo é que você mesmo construa suas idéias sobre redes sociais. E interaja com os demais para polinizar suas idéias. Para saber mais sobre o que é uma não-escola leia: Série FLUZZ Volume 4 NÃO-ESCOLAS
  41. 41. Mas não se esqueça Você não deve entrar ou permanecer na Escola-de- Redes sem ler até o fim os textos que estão na página linkada abaixo: Sobre a constituição da Escola-de-Redes

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