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Não é por acaso que a educação para a sustentabilidade, quer dizer, para avida (em um sentido ampliado, envolvendo os ecos...
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Fluzz pilulas 39

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 39 (Corresponde ao terceiro tópico do Capítulo 7, intitulado Alterando a estrutura das sociosferas) Alterdidatismo, não heterodidatismo“Eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos”De certo ponto de vista, nos Highly Connected Worlds qualquer um vaisozinho, desde que tenha aprendido o fundamental. O fundamental, comovimos, é aprender a aprender. O fundamental não pode estar baseado natransferência de conteúdos temáticos secundários e sim na disponibilizaçãode ferramentas de auto-aprendizagem e de comum-aprendizagem. Os quese metem a organizar processos educativos para os outros deveriamcomeçar perguntando o que é necessário para que uma pessoa e umacomunidade possam fazer o seu próprio itinerário de aprendizagem.
  2. 2. Do ponto de vista do aprendizado – do sujeito aprendente e não do objetoensinado –, três condições caracterizam a inteligência tipicamente humana(quer dizer, sintonizada com o emocionar humano): estabelecer conexões;reconhecer padrões; e linguagear e conversar (no sentido que HumbertoMaturana confere a essas noções) (4).A partir daí estamos falando de humanos (e é necessário fazer essaressalva porquanto máquinas também podem aprender) e podemos entãolistar as ferramentas de auto-aprendizagem ou “alfabetizações” (em umsentido ampliado): a alfabetização propriamente dita, na língua natal (ler eescrever e interpretar o que leu); e as outras “alfabetizações”, como, porexemplo, em uma segunda língua da globalização (pelo menos ler, eminglês ou espanhol); matemática (dominar as operações matemáticaselementares e aplicar esses conhecimentos básicos na vida cotidiana);lógica (aprender a argumentar e identificar erros lógicos em argumentossimples); digital (navegar e publicar na Internet e operar as ferramentasdigitais de inserção, articulação e animação de redes).Estes – ao que parece – são os requisitos e as ferramentas contemporâneasda inclusão educacional. Quem dispõe deles pode caminhar sozinho; ouseja, de posse de tais instrumentos, cada um, em função de suas opçõespessoais, pode traçar seus próprios itinerários de formação e compartilhá-los com suas redes de aprendizagem. Esses são os requisitos para oautodidatismo.No entanto, de outro ponto de vista – o do alterdidatismo – a rigor,ninguém pode continuar caminhando sozinho. Aprender a aprender estáintimamente relacionado a aprender a interagir em rede. Mesmo que aescola básica se dedicasse precipuamente a isso, mesmo assim não sepoderia abrir mão da educação em casa (a primeira rede social na qual oser humano se conecta), nem da educação comunitária (a expansão dessarede, envolvendo os vizinhos, os amigos e conhecidos mais próximos).O aprender a conviver (com o meio natural e com o meio social) talvezrequeira outras “alfabetizações”: por exemplo, a alfabetização emsustentabilidade (incluindo alfabetização ecológica e alfabetização para oempreendedorismo e para o desenvolvimento humano e social sustentávellocal ou comunitário); e a alfabetização democrática (em um sentidodeweyano do termo: para a vida comunitária e para as formas derelacionamento que ensejam a regulação social emergente; i. e., as redessociais distribuídas). Mas essas “alfabetizações” não são temas curricularesou disciplinas. São drives capazes de gerar agendas compartilhadas deaprendizagem. 2
  3. 3. Não é por acaso que a educação para a sustentabilidade, quer dizer, para avida (em um sentido ampliado, envolvendo os ecossistemas, inclusive oecossistema planetário) e para convivência social, não compareçam noscurrículos escolares. Elas não são propriamente objetos de ensino e sim deaprendizagem-na-ação compartilhada. Ninguém é capaz de aprender essascoisas apenas tomando aulas ou lendo textos. É necessário vivê-las,experimentá-las, ou melhor, convivê-las (e é por isso que são drivesgeradores de agendas compartilhadas de aprendizagem).É compartilhando essas agendas de aprendizagem que o educador se tornaum educando (um aprendente da interação educadora). Nesse aprender-fazendo esvai-se a distinção entre professor e aluno: todos passam a seragentes comunitários de educação.Portanto, quando se diz (do ponto de vista do autodidatismo) que qualquerum vai sozinho, e quando se diz (do ponto de vista do alterdidatismo) que,a rigor, ninguém pode caminhar sozinho, está-se dizendo a mesma coisa:que o heterodidatismo no qual se baseiam os sistemas de ensino é umamuleta que deve ser abandonada.Na transição da sociedade hierárquica para a sociedade em rede estamoscondenados a nos tornar polinizadores cada vez mais interdependentes. Éassim que transitaremos do heterodidatismo para o alterdidatismo: quandopudermos dizer: eu guardo o meu conhecimento nos meus amigos.A escola que já se prefigura no final desse trajeto é uma não-escola. Aescola é a rede. Nela, todos seremos alterdidatas. Um alterdidata é alguémque aprendeu a conviver com o meio natural e com o meio social em quevive.Aprender a conviver com o meio natural e com o meio social é ensejaroportunidades aos educadores de se tornaram educandos da interaçãocomunitária na nova sociedade em rede (desaprendendo ensinagem ao selibertarem das muletas do heterodidatismo). O educador-polinizador seráalguém que desaprendeu a ensinar. Porque será um aprendente.Dominar a leitura e a escrita, saber calcular e resolver problemas, tercondições de compreender e atuar em seu entorno social, ter habilidadepara analisar fatos e situações e ter capacidade de acessar informações ede trabalhar em grupo, são geralmente apresentados como objetivos doprocesso educacional básico. No entanto, para além, muito além, de tudoisso, os novos ambientes educativos em uma sociedade-rede tendem avalorizar outras competências ou habilidades, como a de identificar 3
  4. 4. homologias entre configurações recorrentes de interação que caracterizamclusters (e, conseqüentemente, reconhecer potenciais sinergias e aproveitaroportunidades de simbiose), saber não apenas acessar, mas produzir edisseminar informações e conseguir não somente trabalhar em grupo, masfazer amigos e viver e atuar em comunidade.De certo modo, tudo o que parece realmente necessário para a convivênciaou a vida em rede, como a educação para a democracia, a educação para oempreendedorismo e para o desenvolvimento ou a sustentabilidade, nãocomparece nos currículos das escolas. Não pode ser por acaso. Isso talvezcorrobore a constatação de que a escola é uma das instituições que maisresistem ao surgimento da sociedade- rede.Por quê? Ora, porque embora se declarem instituições laicas, as escolassão, no fundo, igrejas; ou seja, ordens hierárquicas (sacerdotais) quedecidem o que as pessoas devem (saber) reproduzir. Graus deaprendizagem (na verdade, de ensino) são ordenações: medem a suacapacidade de replicar uma determinada ordem. Não é por acaso que aeducação a distância encontrou fortíssima resistência na academia. Pelosmesmos motivos, processos e programas educacionais extra-escolares sãoduramente combatidos pelas corporações de professores, que argumentam– sem se darem conta de que, com isso, estão apenas revelando seucaráter sacerdotal – que não se pode deixar a educação nas mãos deleigos...No entanto, neste momento estão sendo elaboraradas e testadasmetodologias compatíveis com processos de inteligência coletiva (“learnfrom your neighbours” - Steve Johnson; “I store my knowledge in myfriends” - Karen Stephenson) baseadas na idéia de cidade educadorareconceitualizada como cidade-rede de comunidades que aprendem. Novaspráticas estão surgindo a partir de experiências voltadas ao estímulo aoautodidatismo, adaptadas às novas formas de interação educativa extra-escolares, como o homeschooling e, sobretudo, communityschooling, porémna linha do unschooling. Novas teorias da aprendizagem, como oconectivismo, estão tentando mostrar como as redes sociais devemconstituir o padrão de organização das novas comunidades deaprendizagem capazes de disseminar e empregar ferramentas de auto-aprendizagem e de comum-aprendizagem (5). 4
  5. 5. Notas(4) Cf. FRANCO, Augusto (2001). Uma teoria da cooperação baseada em Maturana.Aminoácidos 4. Brasília: AED, 2002.(5) Cf. e. g., a Biblioteca do Conectivismo da Escola-de-Redes:<http://escoladeredes.ning.com/group/bibliotecadoconectivismo> 5

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