Fluzz pilulas 29

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Fluzz pilulas 29

  1. 1. Em pílulasEdição em 92 tópicos da versão preliminar integral do livro de Augusto deFranco (2011), FLUZZ: Vida humana e convivência social nos novos mundosaltamente conectados do terceiro milênio 29 (Corresponde à introdução do Capítulo 5, intitulado Hifas por toda parte)Toda rede miceliana é um clone fúngico,o filho distante de uma única linhagem genética.Acima do solo, os fungos produzem esporos que flutuam no ar,alguns dos quais você está inalando neste momento.Quando pousam, os esporos crescem onde quer que seja possível.Fazendo brotar redes tubulares, as hifas, no substrato úmido,novamente os fungos produzem quantidades copiosas de esporos,os quais se disseminam, espalhando sua estranha carne...Lynn Margulis e Dorion Sagan em O que é vida? (1998)Jericó estava rigorosamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saíae ninguém entrava... O Senhor disse então a Josué:
  2. 2. “No sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes,e os sacerdotes tocarão as trombetas.Quando derem um toque prolongado, quando ouvirdeso som da trombeta, todo o povo lançará um grande grito;o muro da cidade virá abaixo, o povo subirá, cada um à sua frente”.Josué 6: 1-5 2
  3. 3. Enquanto isso, porém, crescem subterraneamente as hifas, por toda parte. Os alicerces das organizações hierárquicas vão sendo corroídos e seu muros, antes paredes opacas para se proteger do outro, vão agora virando “membranas sociais”, permeáveis à interação e vulneráveis ao outro-imprevisível. Pessoas conectadas com pessoas vão tecendo articulações que estilhaçam o mundo-único-imposto em miríades de pedaços, não pelo combate, mas pela formação de redes. E outras identidades – mais-fluzz – vão surgindo nos novos mundos altamente conectados do terceiro milênio.Não se decepcione: provavelmente você não vai ver nada mesmo! As hifascrescem, em geral, abaixo do solo. Os esporos espalham-se pelo ar, massão tão pequenos que a gente nem percebe.Quando você notar as conseqüências, aí não adiantará mais se desesperar.Pois se o processo, por enquanto, ainda é lento e invisível (em parte“aéreo”, em parte “subterrâneo”), seus desfechos poderão ser bemconcretos e fulminantes nos mundos em que ocorrerem.Nos Highly Connected Worlds não há como fechar nada. Trancar, chavear,cerrar as fronteiras, isolar por meio de paredes opacas não é a solução paramanter a identidade ou preservar a integridade de nenhum aglomerado.Quando os fluxos aumentam de intensidade, os muros não conseguem maiscontê-los.Parece que a vida “sabia” disso: tanto é assim que não encerrou seu“átomo” (a célula) em nenhuma estrutura fechada, separando-o do meiocom paredes opacas: antes, construiu membranas – uma interface desustentabilidade, um convite à conexão. Um convite ao sexo, já queestamos agora explorando um paralelo biológico: nos fungos – que são“organismos realmente fractais”, como percebeu a bióloga Lynn Margulis(1998) – o ato sexual (chamado de conjugação) é uma conexão (1). 3
  4. 4. Muros caindo por toda parte anunciarão “membranas sociais” surgindo portoda parte. Ou não: o que não virar “membrana social” será escombro.O que as hifas – esses filamentos ou tubos finos que formam a estruturaem rede dos fungos – têm a ver com isso? Ora, tudo. Pois são elas (ou oprocesso espelhado, em termos biológicos, pela clonagem fúngica) queestão operando tal mudança. 4
  5. 5. Nota(1) MARGULIS, Lynn & SAGAN, Dorion (1998). O que é vida? Rio de Janeiro: Zahar,2002. 5

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