Livro de Afetividade e Aprendizagem

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Notas de aula: Sobre aprendizagem e afetividade

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Livro de Afetividade e Aprendizagem

  1. 1. Afetividade e Aprendizagem Autores: Rosângela Regina Marcicano Capelasso e Antonio Sérgio Nogueira Presidente Prudente 2013
  2. 2. Sumário 1. A aprendizagem............................................................2 2. A afetividade.................................................................5 3. O construtivismo .......................................................12 4. Conceito de Afetividade na Escola.............................15 4.1 Afetividade e o Conhecimento.................................15 4.2 Afetividade ligada a uma prática pedagógica diferenciada....................................................................16 4.3 A afetividade, a motivação e a aprendizagem..........17 4.4 Educação e afetividade na escola infantil................19 4.4.1 Trabalhando com a afetividade na escola infantil. 20 4.4.2 Compreensão do contexto.....................................22 4.5 Educação e Afetividade no ensino de nível médio...23 4.5.1 Cenários da Pesquisa AFETIVIDADE NO ENSINO MÉDIO...........................................................25 5. Afetividade no relacionamento professor aluno.........32 5.1 Afetividade aprendizagem situações de conflito em sala de aula.....................................................................33 5.2 Pesquisa: A RELAÇÃO AFETIVIDADE- APRENDIZAGEM NO COTIDIANO DA SALA DE AULA: ENFOCANDO SITUAÇÕES DE CONFLITO 35 REFERÊNCIAS.............................................................44
  3. 3. 1. A aprendizagem Ao indagar sobre a capacidade de aprendizagem do indivíduo, estamos sempre nos referindo a inteligência ou a capacidade cognitiva do ser humano. São muitos conceitos epistemológicos que vem desde a teoria Piagetiana da inteligência até a teoria psicanalistica de Freud. Piaget busca uma dimensão biológica do processo de aprendizagem, onde a informação exterior é adquirida sempre em função de um esquema interno. Já para Freud, o ser humano constitui-se como um todo de razão e emoção e o educador precisa ajudar o educando a equilibrar suas forças. Para ele, a possibilidade de saber está relacionada ao grau de liberdade que o sujeito desenvolve em relação à curiosidade, originalmente sexual. Então a curiosidade sexual consegue ser sublimada e se liga a pulsão do saber, que atua em favor do interesse intelectual. Devemos, também, ter ciência que do século XVII até o início do século XX, a aprendizagem estava ligada ao reflexo condicionado segundo Ivan Pavlov. Esta
  4. 4. ideia, de que o reflexo tem um papel importante no comportamento humano e na educação, tornou-se base para a corrente psicológica chamada de behaviorismo, fundada por John Watson, em 1913. Para Lev Seminionovitch Vygotsky, o conceito mais importante é o da Zona de Desenvolvimento Proximal, que é a diferença entre o que a criança consegue aprender, intelectualmente, sozinha e com o que ela consegue aprender com suporte educacional dado pelo professor. Vygostky diz: a capacidade de utilizar instrumentos símbólicos, que complementam nossas atividades, é que nos torna humanos. Para Carls Rogers o indivíduo é um todo composto de mente e corpo, sentimento e itelecto. Estas partes, inseparáveis, levam o indivíduo que aparesenta problemas emocionais a não ter um bom aprendizado, com isto deve-se considerar que o psicológico é fundamental para o processo de aprendizagem. Bons resultados só serão possíveis se o educador tiver algumas qualificações, como por exemplo a autenticidade, qualidade que conquista o respeito dos educandos. O educador deve aprender a ser autêntico consigo mesmo, e
  5. 5. depois expor seus limites e dificuldades. Portanto em face do exposto podemos concluir que a aprendizagem está relacionada as condições externas, aspecto cultural e social e as condições internas ligadas ao corpo, um organismo mediador da ação, tanto do educador como do educando. Sara Pain (1992, p.22) correlacionando as duas condições de aprendizagem, observa: É em função do corpo, que se é harmônico ou rígido, compulsivo ou abúlico, ágil ou lerdo, bonito ou feio, é com esse corpo se fala, se escreve, se tece, se dança, resumindo, é com o corpo que se aprende. As condições do mesmo sejam constitucionais, herdadas ou adquiridas, favorecem ou atrasam os processos cognitivos e, em especial, os de aprendizagem.
  6. 6. 2. A afetividade Por ser uma manifestação de sentimentos, carinhos ou cuidados, a afetividade pressupõe que cultivemos em nós mesmos aptidões próprias do coração humano, que nos permite demonstrar nossos sentimentos e emoções a outro ser ou objeto. Na psicologia afetividade é um termo que designa a suscetibilidade que o ser humano experimenta perante determinadas alterações que acontecem no mundo exterior ou em si próprio. Segundo Ferreira (2013), Afetividade é o conjunto dos fenômenos afetivos (tendências, emoções, sentimentos, paixões, etc.). Força Constituída por esses fenômenos, no íntimo de um caráter individual. Psicanaliticamente falando, o ser humano não nasce pronto, é através de suas relações sociais e familiares que ele se forma, dentro deste contexto afetividade é um conjunto de fenômenos psíquicos manifestados sob a forma de emoções ou sentimentos e
  7. 7. acompanhados da impressão de prazer ou dor, satisfação ou insatisfação, agrado ou desagrado e alegria ou tristeza. Para Piaget, o afeto desempenha um papel essencial no funcionamento da inteligência, pois segundo ele : “vida afetiva e vida cognitiva são inseparáveis, embora distintas. E são inseparáveis porque todo intercâmbio com o meio pressupõe ao mesmo tempo estruturação e valorização... Assim é que não se poderia raciocinar, inclusive em matemática, sem vivenciar certos sentimentos , e que, por outro lado, não existem afeições sem um mínimo de compreensão... O ato de inteligência pressupõe pois, uma regulação energética interna (interesse, esforço, facilidade)...(Piaget, 1977, p 16). Na ótica de Henri Wallon, a pessoa é um todo e suas as emoções têm papel importante no seu desenvolvimento, que por meio delas exterioriza seus desejos e vontades. Segundo Heloysa Dantas estudiosa de Wallon, a raiva, a alegria, o medo, a tristeza, a alegria e os sentimentos mais profundos ganham função
  8. 8. relevante na relação da criança com o meio. “A emoção causa impacto no outro e tende a se propagar no meio social”. Desta forma Wallon coloca a afetividade como um dos aspectos centrais do desenvolvimento, uma vez que toda pessoa é afetada por elementos externos como o olhar, um objeto, uma informação e por sensações internas como medo, alegria e fome. Essa condição humana recebe o nome de afetividade e é crucial para o desenvolvimento. Lev S. Vygotsky é considerado um cognitivista por se preocupar principalmente com os aspectos do funcionamento do pensamento. Porém ele sempre questionou o dualismo entre as dimensões afetivas e cognitivas ao mencionr que a psicologia tradiconal peca em separar os aspectos intelectuais dos afetivos-volitivos. Para Vigostsky as relações interpessoais tem influência direta no intelecto e afirmava que “os processos pelos quais o afeto e o intelecto se desenvolvem estão inteiramente enraizados em suas inter-relações e influências mútuas”.
  9. 9. Para Winnicott a afetividade assume um papel fundamental no desenvolvimento humano, determinando necessidades e interesses pessoais. Desta forma ao desenvolver-se o indivíduo transforma as necessidades afetivas em congnitivas e a integração afetividade- inteligência permite à criança atingir níveis de evolução mais elevados. Ainda, de acordo com Winnicott (1971), a personalidade e o crescimento emocional se distanciam conforme a criança cresce e é possível perceber esta grande distância entre o recém-nascido e a criança de 5 anos. Para que esta distância seja coberta determinadas condições devem ser preenchidas. Essas condições só precisam ser suficientemente boas, dado que a inteligência da criança se torna cada vez mais apta para ter em conta a possibilidade de fracassos e para dominar a frustração diante uma prévia preparação, como se sabe, as condições que são necessárias para o
  10. 10. crescimento individual da criança não são estáticas, assentes e fixas em si mesmas; encontram-se num estado de transformação qualitativa e quantitativa, em relação à idade da criança e às necessidades em constante mutação (WINNICOTT, 1971, p. 203). John Bowlby através de seus estudos fala em afetividade na chamada teoria do apego, onde ressalta o primeiro contato entre a mãe e o bebê. “Para Bowlby (2006) a vinculação afetiva é o resultado do comportamento social de cada indivíduo. Enquanto que cada membro de um par vinculado tende a manter-se na proximidade do outro e a suscitar, o comportamento de manutenção da proximidade, os indivíduos que não estão assim vinculados tenderão a não mostrarem tais tendências; com efeito, quando dois indivíduos não estão vinculados, freqüentemente um deles resiste fortemente a qualquer abordagem que o outro possa tentar. (CAPELASSO, 2011, p.15) [...] os vínculos afetivos e os estados
  11. 11. subjetivos de forte emoção tende a ocorrer juntos [...] assim muitas das mais intensas emoções humanas surgem durante a formação, manutenção, rompimento e renovação de vínculos emocionais. Afetividade é o atributo psíquico que dá o valor e Representa a realidade. (BOWLBY, 2006, p. 97-98). Atualmente os educadores estão retomando as contribuições de Wallon, Piaget e Vygotsky, de modo a entender a percepção intuitiva de professores e pais que as experiências e os laços afetivos influenciam nos processos de ensino-aprendizagem. Estas percepeções nos levam a uma abordagem construtivista que preocupa-se tanto com ensino- aprendizagem quanto com os laços afetivos, o que tem ocasionado a intensificação das relações, dos aspectos afetivos emocionais, da dinâmica das manifestações e das formas de comunicação que passam a ser pressupostos para o processo de construção do conhecimento. Ainda na abordagem construtivista a afetividade é concebida como o conhecimento construído através da vivência, que além do contato físico, inclue também todos os atos comunicativos, que são responsáveis por demonstrar intenções, crenças,
  12. 12. valores, sentimentos, desejos e comportamentos capazes de afetar as relações, que por sua vez afetam a aprendizem.
  13. 13. 3. O construtivismo É enorme o destaque e o prestígio dado, nas últimas décadas, pelos educadores ao construtivismo, bem como sua presença constante nos documentos oficiais. Esta influência epistemológica construtivista não é recente na literatura educacional uma vez que ela já estava presente no movimento pedagógico escolanovista, explicando o processo de aquisição do conhecimento. Atualmente o construtivismo tem sido a base da pedagogia das competências, cuja finalidade é a preparação de trabalhadores para adaptar-se às constantes transformações da base produtiva, excluindo desta proposta uma formação que permita a intervenção transformadora na realidade concreta. Em 1997, o Plano Nacional de Educação, elaborado pelo MEC, estabelece as metas para o Ensino Fundamental, é nessa época que aparecem os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) (BRASIL, 1997) que se tornam referência a todos os currículos do pais. No seu volume inicial os PCNs apresentam um panorama das
  14. 14. tendências da educação e suas influências no pensamento pedagógico brasileiro. O documento também afirma sem nenhuma contextualização das influências e interesses existentes, que atualmente muitos teóricos da educação têm buscado “ressignificar” o processo de ensino e aprendizagem apoiando-se na perspectiva construtivista (BRASIL, 1997). O construtivismo pode ser definido como um conjunto de diferentes vertentes teóricas que, apesar de uma aparente heterogeneidade ou diversidade de enfoques no interior de seu pensamento, possuem como núcleo de referência básica a epistemologia genética de Jean Piaget, em torno da qual são agregadas certas características que definem a identidade do ideário construtivista, como um ideário filosófico, psicológico e educacional, compartilhando, assim, um mesmo conjunto de pressupostos, conceitos e princípios teóricos (ROSSLER,
  15. 15. 2000, p. 7).
  16. 16. 4. Conceito de Afetividade na Escola A afetividade faz parte do ser humano e constitui- se em um recurso facilitador no ensino aprendizagem, uma vez que o aluno ao ser alvo da empatia do professor apodera-se deste recurso para desenvolver sua prática pedagógica. A afetividade passa então a exercer uma forte inflência no cognitivo, pois o aluno ao sentir este bem-querer torna-se mais receptivo a aprendizagem. 4.1 Afetividade e o Conhecimento Ao estarmos em contato com o aluno não só transmitirmos nosso conhecimento, mas damos também a ele a oportunidade de descobrir suas verdades e aprender. Cunha (2008,p.51) diz: Em qualquer circunstância, o primeiro caminho para a conquista da atenção do aprendiz é o afeto. Ele é um meio facilitador para a educação.
  17. 17. Como pode-se ver, a afetividade é um grande auxiliar no âmbito educacional, uma vez que ela torna o aluno mais receptivo e participativo, desta forma com afeto conseguimos romper barreiras emocionais, psicológicas e proporcionar o bem estar do aluno. Conquistar a confiança do aluno é o primeiro passo que antecede o ensinar, auxiliado por um diálogo afetivo. 4.2 Afetividade ligada a uma prática pedagógica diferenciada A existência de estímulos que transformam o aprendizado em algo prazeroso é que vai estimular uma prática pedagógica diferenciada, onde ao executar uma pedagogia afetiva o professor conhece bem o seu aluno e sua particularidades. De acordo com Cunha (2008, p.67): […] o que vai dar qualidade ou modificar a qualidade do aprendizado será o afeto. São as nossas emoções que nos ajudam a interpretar os processos químicos, elétricos, biológicos e sociais que experienciamos, é a vivência das
  18. 18. experiências que amamos e que determinará a nossa qualidade de vida. Por esta razão, todos estão aptos a aprender quando amarem, quando desejarem, quando forem felizes. Cunha dentro desta citação nos diz que ao desenvolver o afeto do aluno, algo que será determinante em sua vida, ele se sentirá amado e terá o desejo de aprender, e este conhecimento elevará sua auto-estima tornado-o feliz. “A pedagogia afetiva é esta linha que deveríamos seguir em sala de aula, demostrando afeto, sensibilidade, respeito, responsabilidade, dedicação, empatia e principalmente compromisso com o que se faz e para quem se faz.” (SIQUEIRA et al, 2011, p.8). 4.3 A afetividade, a motivação e a aprendizagem De acordo com Wallon (1875) na obra “Psicologia e Educação da Infância”, a criança é manipulada pelos outros e é no movimento dos outros que ocorrerá a formação de suas atitudes.
  19. 19. O ato de ensinar tem um aspecto de suma importãncia no seu desenvolvimento do ser humano. Estar atento, sempre, é um fator importante ao educador, que com isto consegue perceber as dificuldades, frustrações e identificações com a aprendizagem de seus alunos. A busca de novos caminhos para sanar as dificuldades é constante e dessa forma o educador consegue favorecer e reforçar o aprendizado. O educador precisa “motivar” o aluno para que ocorra o aprendizado, e esta “motivação” pode surgir da disposição do professor em conhecer e compreender os alunos em suas particularidades individuais e situacionais. É também importante que o educador tenha atenção e sensibilidade para acompanhar a evolução do aluno a médio prazo dentro da sala de aula. Podemos identificar, no acima exposto, que afeto e motivação são fundamentais a aprendizagem ou ao desenvolvimento do ser humano como um todo. Um professor que é afetivo com seus alunos estabelece uma relação de segurança, evita bloqueios afetivos e cognitivos, favorece o trabalho
  20. 20. socializado e ajuda o aluno a superar erros e aprender com eles. (...) Assim sendo, se o professor for afetivo com seus alunos, a criança aprenderá a sêlo. (CARNEIRO E SILVA e SCHNEIDER, 2007 p. 83) 4.4 Educação e afetividade na escola infantil Numa instituição educacional infantil, o educador deve estar preparado para acolher a criança individualmente e de forma afetiva. O desafio é maior quando se trata do maternal. A instituição precisa ter um ambiente saudável e deve incentivar a autoestima da criança, o que fortalece a autonomia. Deve sempre ter em mente que o cuidado com o aluno está integrado ao cuidado com a turma. As crianças não devem devem ser impedidas de seus impulsos de ação, e o educador deve oferecer diariamente oportunidades de exercícios ao ar livre em escorregadores, gangorras e gira-gira, e outras atividades desafiadoras. No caso de bebês a substituição de berços por colchonetes e almofadas deve ocorrer o mais cedo possível e a sala de aula deve ser organizada em cantos com materiais diversos, o que facilita a
  21. 21. interação e dá liberdade de ação a criança. Aliar a prática educacional a afetividade, com certeza dá maior condição de atender os objetivos educacionais da instituição infantil. A maior dificuldade é como integrar afetividade e prática pedagógica. 4.4.1 Trabalhando com a afetividade na escola infantil “Começa o período da tarde. A professora entra na sala. Bagunça. Várias crianças falam ao mesmo tempo. Cadernos voam. Um aluno bate com a carteira no chão. A professora grita: “Vamos fazer silêncio, gente!”. Ruidosamente, os alunos tomam seus lugares. No meio da baderna, a professora nota que apenas duas crianças permaneceram sentadas e quietas desde que ela entrou na sala. A professora pede silêncio novamente. Dá uma bronca. Manda que peguem o caderno. Alguém diz “Fessora” e começa a contar um episódio qualquer acontecido em sua casa. Ela se esforça para demonstrar interesse. Faz perguntas. Ao mesmo tempo, outro aluno também quer contar uma história. A professora percebe que ele tem dificuldade para encadear as idéias de seu
  22. 22. relato. Ela, meio atordoada, tenta dar atenção a ambos. Olha o relógio. Quase quinze minutos da aula já se foram. Vira-se para a classe e pergunta quem não fez a tarefa. A gritaria é geral: “Eu fiz, eu fiz, eu fiz, fessora”. Cadernos surgem de todos os lados. Eles são quase esfregados em seu rosto. “Vê o meu, vê o meu!”” (Revista Nova Escola, 2013). O cenário acima é possivelmente o que você vai encontrar em sala de aula, perceba que a professora nota que existem diversos comportamentos e ela então necessita atuar de forma diferenciada em cada caso. Ao perceber estas necessidades diferenciadas, estamos nos conscientizando que existe uma comunicação de mão dupla, isto é, tudo o que acontece com o aluno afeta o professor e vice-versa e que a atuação do aluno é uma decorrência da sua atuação. Não perceber que sua atuação modifica o meio, é considerar que o espírito baderneiro de uns e o isolamento de outros surge apenas no meio externo a sala de aula. Tudo isto nos leva a questionar o que está acontecendo com a relação professor e alunos. Para solucionar este problema devemos em primeiro lugar desenvolver ações de
  23. 23. planejamento e de estruturação de condições psicossociais que possam favorecer o processo ensino- aprendizagem, e em segundo lugar encaminhar o educador no sentido de conhecer e aplicar adequadamente ações didáticos-pedagógicas. 4.4.2 Compreensão do contexto Conhecer e refletir sobre as relações interpessoais de professor x alunos e alunos x alunos é de suma importância, uma vez que em todo agrupamento humano temos pessoas nas quais temos empatias e outras não, o que nos leva a excluir as pessoas as quais não temos empatia. Diferenças, entre crianças, não são nem respeitadas pela família. É função do professor ensinar e espera-se que o aluno seja capaz de aprender o que o professor lhe transmite, ao invés de receber instrumentos para construir o seu próprio conhecimento, de acordo com suas possibilidades de aprendizagem.
  24. 24. 4.5 Educação e Afetividade no ensino de nível médio Levantamento e pesquisa relatada no texto AFETIVIDADE NO ENSINO MÉDIO levaramseus autores a conclusão que existe uma interferência direta dos fatores afetivos na construção do conhecimento. Foram relatados 40 casos que respodem e confirmam a hipótese que a afetividade está diretamente ligada ao fator aprendizagem. Pelo levamento, os seus autores, perceberam que toda e qualquer situação ocorrida na escola e dentro da sala de aula tem relação direta com a aprendizagem,de modo que gozações, comentários, palavras do professor, estado de ânimo pessoal colaboram para resultados diferentes no ensino aprendizagem. Pode-se perceber então, segundo os autores, que: - A quantidade e a qualidade de contextos afetivos têm interferência maior ou menor na vida dos adolescentes dependendo do momento, da situação ou mesmo do conceito de si mesmo perante o fato;
  25. 25. - Em relação às situações acontecidas na sala de aula em que a afetividade é determinante na construção do conhecimento verificamos que as experiências negativas, pontuadas por fatores de agressão verbal, agressão física e agressão psicológica, retratam a interferência no contexto de construção do conhecimento; - Uma maior dedicação dos professores da Escola Particular em relação aos seus alunos em comparação com a Escola Pública, visto que nas observações feitas e informações levantadas apenas um professor da Escola Pública manifestava maior interesse e dava mostras de preocupação com o sucesso ou o fracasso dos seus alunos; - Uma análise das informações das experiências anteriores em contextos escolares, os autores perceberam que tanto as experiências positivas como as negativas continuam a desempenhar para os sujeitos, no presente, um papel com grande interferência na construção do conhecimento.
  26. 26. A pesquisa então conclue que a emoção e a afetividade são aspfctos determinantes na construção do conhecimento do aluno. Desta maneira, chegou-se a conclusão que qualquer situação, pode despertar, no educando, sentimentos positicos ou negativos que influenciam no seu aprendizado, abalando, acelerando ou bloqueando a aquisição de conhecimento. 4.5.1 Cenários da Pesquisa AFETIVIDADE NO ENSINO MÉDIO a) Escola Particular: experiências anteriores em contexto escolar positivas - “O dia do meu aniversário, eu entrei na sala, estava todo mundo de pé e cantaram parabéns para mim, eu estava na 6ª série” (A.C.R.). A aluna relata que no dia do seu aniversário, tinha saído de casa desanimada, pois seria mais um aniversário sem grandes novidades. Tudo mudou, quando chegou na sala de aula, pois a turma estava de pé esperando para cantar parabéns. “Foi uma alegria muito grande, eu não sabia o que falar ou fazer, simplesmente fiquei radiante. Foi na aula de Português. As aulas de Português tem um sabor
  27. 27. especial para mim.” b) Escola Particular: experiências anteriores em contexto escolar negativas - “O dia em que a professora me chamou de burro na frente da sala toda, isso foi na 2ª série do Ensino Fundamental” (B.P.). O aluno relata que quando estava na 2ª série, a professora fez uma pergunta na sala e ele não soube responder. A professora não teve dúvida e disse que ele deveria saber e que já tinha explicado, que se ele não fosse tão burro e prestasse mais atenção saberia responder. “Foi uma humilhação muito, tenho muito ódio dessa professora e não posso nem pensar nela que já fico com raiva.” c) Escola Pública: experiências anteriores em contextos escolares positivas - “Quando estava na 3ª série e o professor falou que a gente não pode desistir” (O.J.C.). O aluno relatou que quando estava na 3ª série teve um professor que sempre trazia mensagens de otimismo e lembra com detalhes o dia em que o professor olhou para ele, que estava triste por ter tirado uma nota baixa, e lhe disse: “que jamais poderia desistir, que a
  28. 28. gente tem que lutar e persistir em busca de um ideal seja ele qual for. E foi isso que nunca mais me deixou parar de estudar”. d) Escola Pública: experiências anteriores em contexto escolar negativas - “Numa aula de Matemática, a professora disse que só via meus dentes” (L.V.). A aluna relatou que quando estudava na 5ª série a professora de Matemática, num dia em que o tempo estava escuro, ameaçando chover, olhou para trás e disse para a aluna que estava rindo que só conseguia ver seus dentes. “Não precisa dizer que ela me chamou de preta por tabela, a turma toda riu de mim. Foi muito humilhante, e eu não consigo gostar de matemática até hoje”. e) Escola Pública: experiências atuais em contextos escolares positivas - Observando as imagens coletadas pode-se perceber um brilho no olhar da aluna T.N.R.S. diante das aulas de Biologia. Em uma situação o professor de Matemática perguntou de quem era a próxima aula e os alunos responderam: Biologia. Esta
  29. 29. aluna esboçou um entusiasmo desmedido dizendo “oba!” . Na entrevista e colocada diante dessa imagem a aluna relata que seu sonho é fazer algum curso na área de Ciências Biológicas, Veterinária ou Zootecnia. Relata também que o professor ajudou muito nesta definição pois explica muito bem os conteúdos de biologia e os torna fáceis de serem compreendidos. Percebeu isso numa aula de Botânica em que o professor fez algumas encenações e levou uma gaitinha de boca e tocou algumas músicas cujas letras foram adaptadas para a biologia: “nesse dia percebi o quanto o professor é criativo e se dedica para que seus alunos consigam entender o conteúdo". f) Escola Particular: experiências atuais em contextos escolares negativas - A aluna G.C. escreveu no questionário e relatou na entrevista que a disciplina que mais odeia é Literatura. Analisando as imagens constatamos que nas aulas de Literatura a aluna apresentava indiferença e normalmente debruçava a cabeça sobre a carteira e não fazia nada, não abria a apostila, não escrevia, não participava. Ao chamá-la e ao
  30. 30. assistir às imagens, a aluna se reportou a um fato que havia acontecido alguns meses antes no decorrer do ano. Numa ocasião houve um atrito com a professora de Literatura, quando a professora a humilhou na frente de toda a turma. A aluna fez uma redação e deixou muitos dados que deveriam constar. A professora ao entregar a redação corrigida teceu comentários na frente de todo o grupo. A aluna ficou revoltada, saiu da sala e procurou a coordenação para relatar o fato, apesar das tentativas de acalmar a aluna, a única resposta que ouvia dela era que iria embora da escola pois não admitia o fato. Até os pais estiveram na escola na tentativa de solucionar o problema. Por fim a aluna se convenceu de que não resolveria fugir, mas que deveria encarar o fato e superá- lo. No entanto a aluna reconhece que não conseguiu superar. g) Escola Pública: experiências atuais em contextos escolares positivas - Numa aula de Biologia percebemos na filmagem que aluna P.S.C. Estava extremamente alegre e descontraída. Fez quatro perguntas para a professora e trouxe um jornal que falava sobre
  31. 31. transgênicos e entregou para a professora. Quando chamada e colocada diante das imagens a aluna relatou que seu sonho era poder fazer o curso de Biologia e que a professora pediu, no início do ano, quem pretendia fazer Curso Superior, e ela foi a única a levantar a mão. A professora perguntou qual era o curso pretendido e ela falou que era Biologia. “A professora foi na minha carteira me dar um abraço e me disse que toda realização parte de um sonho. Que eu já tinha dado o primeiro passo". h) Escola Pública: experiências atuais em contextos escolares negativas – Observamos nas imagens coletadas que o aluno V.P. no início das aulas deMatemática pedia para ir ao banheiro e demorava muito para voltar. Quando colocado diante das imagens e questionado do procedimento de estar saindo sempre da sala na aula de Matemática, este relatou que a professora se parece muito com sua mãe e até o timbre de voz é idêntico. “Não consigo ter um relacionamento bom com a minha mãe, ela nos abandonou e agora voltou para casa. Só faz questão de arrumar encrenca comigo e meus
  32. 32. irmãos. Quando entra a professora de Matemática vem um 'filminho' na minha cabeça e não consigo ficar na sala".
  33. 33. 5. Afetividade no relacionamento professor aluno Ao falar em seres humanos, pode-se falar em natureza social que é construida através das inter-relações que tem como essência a afetividade e a aprendizagem. O comportamento, com base em nossa cultura e natureza biológica, face as situações diárias é que determina a sua história. O professor ao se relacionar com os alunos em sala de aula tem uma atitude, e tem seus afazeres pedagógicos relacionados a sua concepção, consciente ou não, de homem e de mundo. É na sala de aula que educador e aluno convivem, e devem então buscar as melhores alternativas de ação, geradas através da reflexão do educador no caso de conflitos e permitindo ao aluno análise das situações, que levam a tomada de determinadas atitudes. As interações em sala de aula devem ter um caráter singular, para que a escola assuma seu papel na formação da personalidade do aluno e o professor exerça a função das relações afetivas que se constituem nesse
  34. 34. ambiente, considerando o aluno como um todo, afinal suas atitudes, pensamentos e emoções interferem diretamente no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem (PILETTI, 2004). Finalmente devemos ter em mente, que a relação professor aluno em sala de aula é de suma importância no ensino aprendizagem, podendo agir positivamente ou negativemente no processo. Ao professor cabe analisar a maneira de como a afetividade e a construção de valores acontecem neste ambiente, sabendo que uma relação afetiva saudável, melhora o ambiente da sala de aula tornando-o propício ao aprendizado. Ao passar valores íntegros com afetividade ,o professor está contribuindo para o desenvolvimento pleno do ser humano. 5.1 Afetividade aprendizagem situações de conflito em sala de aula Ao falar do cotidiano escolar estamos falando em uma estrutura de conhecimentos rica e complexa, um espaço onde diferentes valores, concepções, crenças e relações sociais se miscigenam.
  35. 35. Essa forma escolar heterogênea encontra barreiras numa estrutura pedagógica que está baseada em padrões do homem e da sociedade, gerando assim uma pedagogia excludente, que no contexto escolar cria relações cada vez mais difíceis e conflitantes. As novas gerações, em face do exposto, tem sentido desilusão, desencanto e descrença nesta escola que deveria constituir-se num espaço de conhecimento, harmonia e formação de pessoas participativas, solidárias e conscientes. Este ambiente, cada vez mais, imprópio a convivência deve ser mediado pelo professor, que lida com os conflitos comuns ao convívio humano e com as questões ligadas a afetividade como emoção, paixão e sentimentos. Presentes também no ambiente escolar estão as questões políticas, econômicas e pedagógicas. O professor deve encarar de forma utópica este desafio e modificar o ambiente através do diálogo que estimule a capacidade reflexiva e a construção de uma visão plural do conhecimento. Para que possa traçar este caminho, uma pesquisa investigativa foi feita de forma a permitir investigar a
  36. 36. relaçõ entre o afetivo e o cognitivo no contexto de sala de aula e mostrar saída para os conflitos existentes. 5.2 Pesquisa: A RELAÇÃO AFETIVIDADE- APRENDIZAGEM NO COTIDIANO DA SALA DE AULA: ENFOCANDO SITUAÇÕES DE CONFLITO “A pesquisa contou com a participação de cinco alunas do Curso de Pedagogiadas Faculdades Integradas Geraldo Di Biase, as quais compunham um grupo depesquisa do Programa de Iniciação Científica, em que eu era a professora responsável. Propomos-nos a estudar a relação entre afetividade e aprendizagem no cotidiano da sala de aula, visto que , apesar da existência de teorias e reflexões a respeito do tema, a escola continua priorizando o conhecimento racional em detrimento das relações afetivas. Vivemos uma cultura que desvaloriza as emoções, e não vemos o entrelaçamento cotidiano entre razão e emoção, que constitui o viver humano, e não nos damos conta de que todo sistema racional tem um fundamento emocional (Maturana, 1999, p. 15).
  37. 37. Definimos que o estudo seria direcionado ao segundo segmento do Ensino Fundamental, 5ª a 8ª séries, por sentirmos que nesse período as discussões relacionadas à afetividade não se fazem muito presentes; aí a preocupação centra-se na competência técnica e conteudista de cada área, ou a questões puramente disciplinares. Outro fator de interesse se constituiu ao visar como alvo da pesquisa os adolescentes, campo fértil de conflitos e mudanças. Assim definimos como campo de estudo, uma escola pública estadual de Barra do Piraí- RJ, que recebe alunos oriundos de diferentes bairros da cidade, caracterizando então, uma multiplicidade favorável à pesquisa. Participamos na escola de diferentes situações, observando aulas de diferentes disciplinas, os intervalos entre as mesmas, o refeitório e o recreio. Foram feitas em 2001 e 2002, observações em turmas de 5ª, 6ª e 7ª séries, entrevistas com quarenta e um alunos das séries observadas, oito professores (sete mulheres e um homem), oficina com alunos e participação em Conselhos de Classe. As observações visavam ao propósito de analisar as relações tecidas no dia a dia da escola entre professor/aluno e aluno/aluno.
  38. 38. As turmas observadas, sendo três de 5ª série e duas de 6ª série, no ano de 2001 e duas de 7ª série, em 2002, eram constituídas de alunos e alunas, na sua maioria, oriundos da classe popular e cuja faixa etária variava entre 12 a 19 anos. Apresentavam em geral, pouco interesse pelos conteúdos escolares, eram muito falantes, tinham um bom índice de freqüência, porém, alguns alunos, nem sempre permaneciam na sala de aula, mas se faziam presentes na escola. Manifestavam um forte apego às questões relacionadas à sexualidade e à música, principalmente ao pagode. A escola pesquisada atende a aproximadamente 2000 alunos e mantém turmas da educação infantil ao curso profissionalizante. Sendo uma escola estadual, conta com um número reduzidíssimo de pessoal na equipe técnico-pedagógica - apenas um professor orientador pedagógico para cada segmento (5 professores) e nenhum orientador educacional -, o que evidentemente dificulta as possibilidades de reflexão e articulação da ação pedagógica. Vivenciamos a cada dia, seja através das observações, entrevistas ou análise teórica, a complexidade que caracteriza o espaço escolar e o tema em questão, pois o mesmo envolve valores,
  39. 39. concepções e vivências diferenciadas que retratam os sujeitos envolvidos neste cenário.” O pesquisador destaca situações importantes neste cenário escolar. Conflitos eu-outro : percebe-se que os alunos repreendidos pelos professores em situações como solicitar atenção e disputa de lugar em sala de aula, em apelidos colocados pelos colegas apresentavam comportamento agressivo e irritabilidade, dificultando as relações entre eles e os outros alunos e inclusive às vezes agredindo os professores verbalmente, de forma direta, ou velada, e principalmente agredindo o coordenador de turno e o inspetor de alunos, quando estes tentavam colocá-los em sala de aula. Notou-se também na pesquisa, segundo o autor, que as atitudes antagônicas estavam presentes, como “agressividade e sem limites” e momentos após “atitudes de carinho e companheirismo” entre eles e alguns professores. Estas atitudes remetem o autor da pesquisa a teoria de Wallon, quando ele diz que uma das situações de conflito comuns à realidade escolar é o que chama de
  40. 40. “atitudes de oposição”, que podem ocorrer quando há um motivo concreto como: atividades desinteressantes, atitude autoritária do professor, dentre outras; ou pelo simples gosto deexercitar a oposição, que provavelmente não seja contra a pessoa, mas contra o papel de elemento diferenciado que ela ocupa. Alia-se a isso o fato do adolescente, segundo Wallon, se encontrar numa fase em que se faz necessária a reconstrução da personalidade. Ainda do autor da pesquisa: “O conflito eu-outro, característico da fase personalista (por volta dos três anos), reaparece na adolescência, instalando uma nova crise de oposição mais sofisticada do ponto de vista intelectual, no entanto continua sendo um importante recurso para a diferenciação do eu. O despreparo para lidar com as questões emocionais e a visão padronizada de comportamentos e valores, dos sujeitos envolvidos na ação educativa – professores, diretores, coordenadores, inspetores
  41. 41. – acirram de forma significativa esses conflitos, na medida em que os vê como afronta e desrespeito. Sem ter clareza sobre os fatores que provocam tais conflitos, se contagiam com o descontrole emocional dos alunos, o que os impede de racionalmente controlar a situação e encontrar possíveis caminhos para a sua resolução. Isso não significa que tudo o que o aluno fizer deverá ser percebido e entendido numa visão psicologizante, mas se faz necessário encarar os conflitos, não somente como transgressão e abuso e sim de modo que permita a construção de um sujeito consciente de seus limites e possibilidades. A escola precisa ser espaço de formação de pessoas capazes de serem sujeitos de suas vidas, conscientes de suas opções, valores e projetos de referência e atores sociais comprometidos com
  42. 42. um projeto de sociedade e humanidade (Candau, 2000, p.13). Discriminação: O autor da destaque a discriminação sofrida por um aluno que apresenta características femininas e que é sempre alvo de piadas feitas pelo colega e incentivada sutilmente por um professor. O autor ressalta que comentários como “homem que não gosta de mulher, tem que apanhar, tem que morrer” são constantes entre os alunos. Estas atitudes trarão possíveis consequências e o professor mesmo discordando das atitudes do aluno não deveria estar incitando o preconceito. Nos dias atuais a diversidade está presente pela multiplicidade de valores, estilos e comportamentos, assim a escola deve ser responsável pelo encaminhamento dado às questões pedagógicas ou não, e é dentro da sala de aula que a escola assume um papel importante na formação de sujeitos e na construção de seus conceitos e concepções. A maior dificuldade na atualidade é enfrentar os problemas decorrentes das diferenças e da pluralidade cultural, social e étnica do ser humano.
  43. 43. As interações gestadas na relação eu-outro: Ainda na pesquisa o autor cita que por ser um espaço vivo, na sala de aula existe momentos de conflitos, de interação espontâneos e momentos de interação provocados pelo professor e pelos alunos. Foi observado um maior interesse e uma maior participação, por parte dos alunos ,em algumas salas de aulas onde os professores na sua prática pedagógica criavam um clima de respeito e amizade entre eles e os alunos, tratando todos de forma respeitosa e educada, mesmo quando precisava repreendê-los, e jamais usava expressões que os rotulavam como incapazes, tendo inclusive interesse em ouví-los em suas argumentações sempre dando um sentido conceitual e significativao as suas falas, relacionando-as ao conteúdo da área e muitas vezes à formação do aluno como pessoa, valorizando seu conhecimento e vivência. O professor também procurava, segundo o autor, estimular os alunos através de gestos, palavras e sempre manifestando interesse por eles, como sujeitos importantes e ativos nas relações estabelecidas, tentando delinear novos percursos que rompessem com a noção de fracasso e de exclusão vivida por muitos
  44. 44. alunos. Ainda o autor relata que nas entrevistas percebe- se a importância do diálogo em sala de aula, e da necessidade que o aluno tem de sentir que o professor se interessa por ele. O autor comenta também “a importância que dão ao que chamaremos aqui de “bom humor” por parte do professor, definido de forma variada pelos alunos, mas como referência comum entre eles.” Depoimento do aluno: O que mais gosto na escola é o professor (foram citados dois professores). Eles são legais, sabem lidar com os alunos, sabem dialogar com a gente. Nem todos sabem, a maioria é muito ignorante, tudo tem que dá patada, só dá esporro. Tem professor que chega na sala nem cumprimenta, nem fala com os alunos direito, não se comunica, é só, livro tal, página tal. Tem professor que não gosta da gente, faz cara de nojo. Aí a gente perturba mesmo. (Aluno de 6ª série)
  45. 45. REFERÊNCIAS CUNHA, Antônio Eugênio. Afeto e Aprendizagem, relação de amorosidade e saber na prática pedagógica. Rio de Janeiro. Walk 2008. CANDAU, Vera Maria (org). Reinventar a Escola. Petrópolis: Vozes, 2000. FREUD, Sigmund. Obras completas. Madrid: Biblioteca Nueva, 1973. KUPFER, Maria Cristina. Freud e a educação: o mestre do impossível. S.Paulo: Scipione, 1989. KUPFER, Maria Cristina. Afetividade e cognição: uma dicotomia em discussão. Idéias. S. Paulo, n 28, p 175- 191, 1997. PIAGET, Jean. Psicologia da inteligência.Rio de Janeiro: Zahar, 1977. CARNEIRO E SILVA, Jamile B. e SCHNEIDER, Ernani
  46. 46. José. Aspectos socioafetivos do processo de ensino e aprendizagem. Revista de divulgação técnico-científica do ICPG, Vol. 3 n. 11 - jul.-dez./2007 ISSN 1807-2836. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário online de português. Disponível em: www.dicio.com.br Acesso em: 27de junho de 2013. WINNICOTT, D.W. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1971. BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997. PILETTI, Nelson. Psicologia educacional. 17ed. São Paulo, Ática, 2004. ROSSLER, J. H. Construtivismo e alienação: as origens do poder de atração do ideário construtivista. In: DUARTE, N. (org). Sobre o construtivismo: contribuições a uma análise crítica. Campinas-SP: Autores Associados, 2000.
  47. 47. SIQUEIRA, A. M. O. NETO, D.D.S. FLORÊNCIO, R. A importãncia da afetividade na aprendizagem dos alunos. 2011. pdf. BOWLBY, J. Formação e rompimento dos laços afetivos. São Paulo: Martins Fontes, 2006. Capelasso, Rosângela Regina Marciano.Contribuições da educação e da psicologia: a importância do vinculo afetivo entre as auxiliares de desenvolvimento infantil e crianças da creche de 0 a 4 anos, 2011. Afetividade: Abordagem no Desenvolvimento da Aprendizagem no Ensino Fundamental - Uma Contribuição Teórica Fabiani Santos 1 Juliana de Alcântara Silveira Rubio . Revista Eletrônica Saberes da Educação – Volume 3 – nº 1 - 2012 AAFETIVIDADE SOB A ÓTICA PSICANALÍTICA E
  48. 48. PIAGETIANA. VILMARISE SABIM PESSOA.Professora do Departamento de Educação da UEPG. A INFLUÊNCIA DAAFETIVIDADE NA APRENDIZAGEM .UNIEVANGÉLICA CENTRO UNIVERSITÁRIO ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA REEDUCATIVA. AGIVANDA SOARES DE ANDRADE CONSTRUTIVISMO: INFLUÊNCIA NAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS DO ESTADO DE SÃO PAULO Ana Carolina Galvão Marsiglia Newton Duarte Programa de Pós-Graduação em Educação Escolar Unesp – Araraquara www.entreamigos.com.br/temas/educa/edu5.htm Revista Nova Escola Autor: ROSSANA, ISIS DE FÁTIMA KLECHOVICZ e JULIANA LOPES SAMUEL RODRIGUES FAZENDEIRO MOTIVAÇÃO E AFETIVIDADE NAS RELAÇÕES DE APRENDIZAGEM: QUESTÕES PARA PENSAR A EDUCAÇÃO FÍSICA E SEU ENSINO. Belo Horizonte. 2010
  49. 49. AFETIVIDADE NO ENSINO MÉDIO: Autores: Prof. Ms. WALDIR ULLER - UEPG 1 & Prof. Dr. ADEMIR JOSÉ ROSSO – UEPG 2 A afetividade e a construção de valores em sala de aula: ensinando com amor, aprendendo com carinho - Élia Santos Dantas, Marilene Julia dos Santos,Vanessa dos Santos – disponível em:

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