E book dívida boa e dívida ruim.1

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E book dívida boa e dívida ruim.1

  1. 1. Que tipo de pessoa você é: Consumerati ou Econo-sábio? Antes de responder,reflita com honestidade sobre sua vida financeira e diga se você é daqueles quegastam por impulso, acumulando dívidas e mais dívidas no cartão de crédito, ouestá entre os que pensam antes de se deixar levar pelos apelos do consumo,procurando equilibrar gastos com um mínimo de planejamento.Como já deve ter percebido, os que se identificam com o primeiro grupo sãoConsumerati, fruto desses nossos temposde cultura consumista. E mesmo aqueles que se identificam com o segundo gruponão se devem enganar: em maior ou menor grau, há um pouco de Consumerati emcada um de nós.Um bom primeiro passo para um Consumerati afogado em dívidas evitar o prejuízocada vez maior em suas finanças é ler este livro.Com humor e bom senso o americano Jon Hanson mostra os princípios de umestilo de vida Econo-sábio, derrubando mitos como a idéia de que uma boa rendamensal é definitiva para garantir uma vida abastada. É fácil, muito fácil, deixar queo dinheiro escorra por entre os dedos. Por outro lado, uma renda modestacombinada a hábitos de consumo sensatos e dívidas boas pode levá-lo a uma fartaconta bancária.Como uma dívida pode ser boa? É simples. Segundo Jon Hanson, dívida boa éaquela que gera dinheiro e aumenta o patrimônio líquido, como a prestação da casaprópria ou o crédito educativo — investimentos que, em médio ou longo prazo,proporcionam retorno financeiro.Hanson combina pesquisas, relatos pessoais e a própria experiência para provar seuponto de vista e defender a idéia de que a vida se toma bem mais fácil quandotrocamos gastos impulsivos por um projeto de futuro. Tenha em mente aperspectiva de que é preciso manter despesas e poupança equilibradas, evite amentalidade consumista e o acúmulo de dívidas ruins e, certamente, nunca maisprecisará conviver com o inevitável arrependimento — e as noites insones — dosgastos impensados. Conselho de Econo-sábio. Depois de atuar por mais de 20 anos no setor imobiliário, Jon Hanson escolheu a carreira de escritor e palestrante. Autodidata, este livro é fruto de suas vivências: após acumular uma dívida de quase 80 mil dólares com o Imposto de Renda, Hanson não só conseguiu sobreviver à "quase-morte financeira" como deu a volta por cima e é hoje um autor de sucesso. Especialista no campo dasfinanças pessoais, em suas palestras procura ajudar tantos outros que ainda vivem adistorção da realidade provocada pelas dívidas. Mora em Columbus, Ohio. Visite www.gooddebt.com
  2. 2. Jon Hanson n dívid BO da OA dívida IM d a RUI Saber a ddiferença poode salvar a su a vida finan nceira Tr radução Juss Simões sara    
  3. 3. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTE SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.H222d Hanson, Jon Divida boa, divida ruim / Jon Hanson; tradução Jussara Simões.— Rio de Janeiro: BestSeller, 2007. Tradução de: Good debt, bad debt Contém glossário Inclui bibliografia ISBN 978-85-7684-120-3 1. Finanças pessoais. 2. Crédito direto ao consumidor. 3. Dividas. I. Titulo.07-1664. CDD: 332.02402 CDU: 330.567.2 Título original norte-americano GOOD DEBT, BAD DEBT Copyright © Jon Hanson, 2005 Publicado mediante acordo com Portfolio, membro do Penguin Group (USA), Inc. "The Six Simple Principies of Virai Marketing; reproduzido de Demystifying Virai Marketing, de dr. Ralph Wilson. Utilizado com permissão do autor. Nota do Editor: Este livro visa a oferecer informações acuradas e confiáveis sobre o tema abordado. Não é compromisso do editor prestar aconselhamento legal, contábil ou quaisquer outros serviços profissionais. Se você precisa de orientações legais ou outro auxílio especializado, procure um profissional competente. Capa: Senso Design Editoração de miolo: Abreus System Ilustrações: Patty Kadel, reproduzidas a traço por Miguel Carvalho Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, no todo ou em parte, sem autorização prévia por escrito da editora, sejam quais forem os meios empregados. Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa para o Brasil adquiridos pela EDITORA BEST SELLER LTDA. Rua Argentina, 171, parte, São Cristóvão Rio de Janeiro, RJ — 20921-380 que se reserva a propriedade literária desta tradução. Impresso no Brasil ISBN 978-85-7684-120-3
  4. 4. A Nita, Aubrey (A. C.) e Paige — minha mulher, meu filho e minha filha. Lorde Bacon escreveu: "Aquele que tem mulher e filhos se entrega à sorte, pois eles são obstáculos aos grandes empreendi- mentos, tanto bons quanto ruins." Acho que lorde Bacon estava enganado; descobri uma verdade que é bem o contrário. Minha família é a razão de tudo o que faço. É a razão deste livro. É verdade que muitos usam suas responsabilidades como desculpa, e não como motivação. Uma família carinhosa gera uma motivação dinâmica que excede em muito o "custo" estático da família. A família afetuosa deve ser um mandato de luta pela grandeza. Minha família é.           
  5. 5. SUMÁRIOPREFÁCIO 8AGRADECIMENTOS 13Introdução: Uma questão de vida ou dívida 14 As conseqüências das dívidas: A mão invisível daUM dívida 28DOIS Refém emocional: Como me libertar de mim? 54 Taxa de consumo: São os gastos, não a receita, queTRES definem a riqueza 75 Adiamento do prazer de consumo: Não esperar paraQUATRO obtê-lo 94 Quanto ao passado, não sei: Mas meu futuro éCINCO impecável! 109 E se você não morrer? Faça do trabalho uma etapa deSEIS sua vida, não uma pena de prisão perpétua 126SETE Imóveis: Compre cinco casas — e ganhe uma! 155 Como destruir sua vida: Você está dilapidando suaOITO aposentadoria? 180 Tenho registros? Meu coração começou a bater deNOVE novo 203 Com quem você se casou? Com a principal dívidaDEZ boa — talvez 218CONCLUSÃO 239GLOSSÁRIO 244BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA 246ÍNDICE N/A
  6. 6. PREFÁCIOUma experiência de quase-morte financeiraMeados de 1997. Acordei na maca de um hospital. Ouvia, ao fundo, o bipe,bipe, biiiipe de um monitor cardíaco — o monitor do meu coração. Entrei empânico. É assim que termina? Vou morrer cheio de dívidas, fugindo da ReceitaFederal? O que minha família vai pensar? Onde foi que eu errei? Fechei os olhos desejando que não passasse de um pesadelo. Mas aí melembrei: passara alguns dias sentindo uma pressão no peito. Minha mulherfinalmente me convenceu a ir ao pronto-socorro. "Ainda menino, já parecia ter um futuro promissor. Infelizmente, faleceu antes de realizar algo significativo." Contudo, eu tinha quase certeza de que a dor que sentia decorria de minhasatuais dificuldades financeiras, e não de um enfarte. Sozinho ali no pronto-socorro, percebi que fazia frio. Eu estava com uma daquelas lindas camisolasde hospital abertas nas costas e, esticado sobre mim até o pescoço, um lençolbranco, daquele tipo que a enfermeira puxaria para me cobrir a cabeça e, emseguida, contar à minha mulher que as dívidas haviam matado o marido dela. Imaginei que o obituário diria: "Jon Hanson (41), de Pickerington, Ohio,morreu na terça-feira de complicações que tiveram origem na falta dedisciplina, na incapacidade de adiar o prazer de consumo e na falta dediscernimento sobre os assuntos financeiros. Ainda menino, já parecia ter umfuturo promissor. Infelizmente, faleceu antes de realizar algo significativo."
  7. 7. Diga onde dóiChegou o dr. Gentile (seu nome real). Era do tipo entusiástico. O tipo depessoa que a gente odeia quando está no meio de uma crise deautocomiseração. — Estamos sentindo dores no peito, sr. Hanson? — perguntou. — Se você está sentindo, não sei, mas eu estou — respondi quaserosnando. Enquanto ele rabiscava algo no prontuário, imaginei que estivesse fazendoum X em um quadrado ao lado de "Glândula do sarcasmo —bem”: Tinhaaspecto de profissional competente, disposto a arrancar respostas atédescobrir que doença eu tinha ou até esgotar a cobertura do meu plano desaúde. Fez as perguntas habituais sobre mim e sobre o histórico da família. Combase nas respostas, decidiu me internar. — Não sei se você teve um enfarte, mas, na sua idade e com o histórico desua família, é forte candidato. — Doutor — argumentei —, tenho certeza de que a dor no peito é sóestresse. — Pode ser. — Mas, doutor, devo quase 79 mil dólares à Receita! O meu problema éesse! — Não, sr. Hanson — respondeu calmamente o dr. Gentile. — Suas dores nopeito não podem ter origem na Receita Federal. A receita é uma dor retallancinante. Tentei rir e talvez tenha rido, mas não foi uma boa gargalhada, porque eudevia mesmo uma pequena fortuna à Receita Federal. Depois de uma bateria de exames, tive alta no fim da tarde seguinte. Nãoservia de consolo o fato de estar certo no tocante à fonte da minha dor. Minhasdores no peito foram diagnosticadas como estresse musculoesquelético.De volta ao trabalhoNa verdade, exceto pelos problemas com a Receita Federal, eu estava emótima forma. Minhas idéias, no entanto, estavam tão confusas que eu mesentia com um pé mergulhado em água gelada e o outro em óleo fervente.Mais ou menos um ano depois, então, alguém me propôs a compra de umimóvel que eu alugava. Vendi, tomei mais algum dinheiro emprestado e
  8. 8. paguei tudo o que devia à Receita Federal. Eu estava cansado da ladainha"coitadinho de mim" dos últimos sete anos que vivia se repetindo na minhacabeça: "Não é justo. Não é justo. Por que fizeram isso comigo? Eu só devia26 mil dólares!" Isso tem um lado bom. Sete anos no purgatório tributário me ensinaramalgumas coisinhas. Sejam justos ou não, preciso lidar com meus problemasassim que aparecem. Justiça tem pouca relação com a realidade. Gastei 5 mildólares com advogado e contador para aumentar o problema enquantoprocurava uma saída. O resultado? Resistir custou-me mais 30 por cento.Todos os livros sobre negociação com a Receita Federal e sobre liquidar seusimpostos pagando muito pouco são ótimos - para quem não tem bens. Depoisde sete longos anos, finalmente admiti minha burrice e as conseqüências quenão conseguiria evitar. Quanto mais eu procurava o responsável pelo meu fracasso, mais apareciam minhas próprias impressões digitais. Depois que paguei o imposto de renda, comecei a pensar no diálogo interiorque tive comigo mesmo no hospital. Eu sabia que precisava mudar. Com osantigos erros ainda em mente, resolvi escrever o livro que eu mesmoprecisava ler! Nos quatro anos seguintes, minha pesquisa levou-me a umaviagem sem precedentes ao meu passado, às "minhas convicções e aos meusmaus hábitos. Eu calculava que, se o êxito deixa pistas, o fracasso tambémdevia deixar. Quanto mais eu procurava o responsável pelo meu fracasso,mais apareciam minhas próprias impressões digitais. A maioria das pistaslevava à falta dos três Ds: disciplina, dilação e discernimento.De volta aos livrosQuase tudo de bom que aconteceu comigo teve origem nas lições que li emum livro. Certos livros têm o poder de confirmar seu caminho e
  9. 9. inspirar mudanças. Os livros foram a minha saída de uma vida de pobreza.Ajudaram a substituir, consertar e aprimorar os setores da minha vidaquando os pais e os professores não estavam acessíveis. Escrever é o meumodo de ajudar os outros a escapar ou a melhorar seu quinhão na vida. É,portanto, natural que eu queira deixar como legado um livro para os meusentes queridos. Muitas idéias que divulgo em Dívida boa, dívida ruimprovêm de diários que remontam a quase 30 anos atrás. Os que estiveremdispostos a examinar bem descobrirão que o êxito ou o fracasso financeiroestá nos afazeres comuns do cotidiano. Alguns meses depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, eu estavano hospital para fazer uma cirurgia de hérnia e me sentindo bastantemortal, quando resolvi escrever um diário mais minucioso do que aqueleque vinha escrevendo até então. Eram orientações para a minha família se eude repente passasse desta para a melhor. Na véspera da cirurgia, numperturbador surto de clareza, fiz a mim mesmo uma pergunta simples: se eufosse morrer hoje, o que teria ensinado aos meus filhos sobre a vida, osrelacionamentos e o dinheiro? Minha resposta tornou-se o esboço de Dívidaboa, dívida ruim. Certa tarde, em fins de 2002, eu estava em um restaurante da rede BobEvans editando o meu superdiário. Estava com umas 28 páginas do rascunhoespalhadas sobre o balcão. O cabeçalho de uma das páginas, impresso emcorpo 48 e negrito, berrava: "Questão de vida ou dívida!" Uma garçonete,que passei a chamar de Tamara, a Garçonete, me pediu para dar uma olhada.Leu algumas páginas e disse: "Que legal! Posso levar comigo?" Parecia tão entusiasmada que pensei: "Por que não?" Nas semanasseguintes, sempre que eu pedia que devolvesse minhas páginas, ela dizia"Minha colega está lendo", ou "Minha irmã está lendo", ou "Quero que meupai veja", ou, finalmente, "Fiz cópias para os meus amigos. Tudo bem?". Essa situação perdurou por um mês ou mais e, depois disso, nunca mais avi. Então, embora minha família seja o motivo que me levou a escrever Dívidaboa, dívida ruim, foi Tamara, a Garçonete, que me fez pensar que talvez eutivesse algo que outras pessoas quisessem ler. Obrigado, Tamara, onde querque você esteja.Fazer com que o restante seja o melhorNo correr dos anos, conheci pessoas que se sentiam encurraladas pelas dívidasou pelas circunstâncias. Em resumo, sua vida havia perdido a graça. Arrastar
  10. 10. o peso das dívidas é cansativo; é difícil andar para a frente quando seestá sempre pagando o que se deve. Arrastar o peso das dívidas é cansativo; é difícil andar para a frente quando se está sempre pagando o que se deve. Nas duas vezes em que fiz ajustes importantes na minha carreira, eu estavacom pouquíssimas dívidas. A primeira foi em 1981, quando saí de umagrande rede de mercearias chamada Krogers para abrir uma imobiliária, e asegunda foi recentemente, quando fechei a imobiliária para escrever e fazerpalestras em período integral. Em 1981, meu único desejo era ganhardinheiro, e o setor imobiliário parecia promissor. Vinte e quatro anos depois,ainda gosto muito de dinheiro. Mas ele não é minha maior prioridade.Tempo para a família, os amigos e uma profissão pela qual sou apaixonadosão as principais metas. Quero que o restante da minha vida seja o melhordela. Ao iniciar a segunda metade da minha vida, pouco me importa ganharmais ou menos dinheiro. Quero seguir os planos que Deus fez para mim.Não quero morrer deixando livros não-escritos, poemas não-declamados,entes queridos não-amados e vidas ao meu redor não-modificadas. Posicionar-me como antidívidas-consumistas não é nada fácil para mim.Pode ser divertido declamar frases de efeito como "As dívidas noscomprometem até a alma". Mas a terrível verdade é: ter dívidas é mesmoprejudicial. Minha paixão é divulgar a mensagem de Dívida boa, dívida ruim, cujalição mais elementar é: "O passado é passado — a não ser que você aindaesteja devendo por ele." Esta mensagem, para mim, é fundamental.
  11. 11. AGRADECIMENTOSEm primeiro lugar na minha memória estão meus pais verdadeiros, quemorreram jovens após uma vida dura, mas sempre me incentivaram a seguirem frente. Naturalmente, agradeço à minha mulher, Nita, e aos pais dela porme receberem na família e me amar, mesmo que eu nem sempre seja amável. Éimpossível agradecer a todas as outras pessoas que tiveram influência na minhavida, mas eis algumas:• Meu orientador póstumo, dr. Orison Swett Marden, que faleceu em 1924, tendo escrito pelo menos 70 livros a partir dos 46 anos de idade, em 1894. Aprendi muito com seu legado.• Meus quatro pais adotivos: Aubrey C. (Buck) Bennett, Robert L. Teague Jr., Jack Miller e Jimmy Napier. Receber o que havia de melhor neles todos foi inestimável.• Amigos indispensáveis há mais de 20 anos, conselheiros e incentivadores, e os primeiros leitores: Dave Bennett, Dan e Tracy Haubeil, Thomas G. Ruprecht, James B. Wootton e Barney Zick.• Tom Hopkins, que, em 1981: me empurrou para o palco "para fazer o que eu mais temia: falar!: Tom me ensinou a sempre tirar proveito do fracasso. Aqueles cinco minutos mudaram a minha vida.• Jim Rohn, dr. Denis Waitley e Brian Tracy, embora eu só os conheça por meio de livros e gravações. Todos me deram valiosos conselhos e inspiração.• Seth Godin, que só conheço pela leitura de seus livros. Ele me ensinou apensar de maneira anticonvencional. Na verdade, ele me ensinou a perguntar se preciso mesmo ser convencional.• MarkVictor Hansen, meu orientador em marketing dos livros. Eu e meu filho Aubrey (A. C.) agradecemos o que ele fez por nós.• Toda a equipe da editora norte-americana Portfolio: Adrian Zackheim, Megan Casey, Will Weisser, Stephanie Land, Allison Sweet, Jennifer Paré e outros que talvez eu ainda não tenha conhecido. Agradeço por terem dado uma chance a um escritor novo.
  12. 12. Introdução: Uma questão de vida ou dívida "Jamais invente coceira onde não pode coçar." IVERN BALL "É difícil preparar-se para a felicidade enquanto se gasta dinheiro com felicidades temporárias." JON HANSONComo você está se saindo? Como está se saindo realmente? Está financeiramente em forma ou financeiramente fora de forma? Está raspando o tacho ou cobrindo o bolo com glacê? Está levando a vida que imaginou — ou uma vida inimaginável? Nos Estados Unidos, usamos e abusamos dos privilégios da nossasociedade. Contudo, muitos estão passando por uma implosão de insegurança eimprecisão de objetivos que os deixa vulneráveis a comerciantes espertos queprocuram saquear sua prosperidade incipiente. Para que você está trabalhando? Um teste rápido: divida seu patrimôniolíquido pelo número de anos que você trabalhou. Qual é o resultado? Parecemais baixo do que pensava? Esse número é o quanto você trabalha por ano. Oresto foi-se, queimou-se, foi consumido. Foi-se à velocidade da taxa deconsumo, que é descrito mais adiante nesta introdução e no Capítulo 3. Existemoutras avaliações importantes da riqueza, tais como a renda, mas logo vocêdescobrirá que renda e patrimônio líquido costumam andar de mãos dadas.Se o seu patrimônio liquido for de 100 mil dólares e você trabalhou 10 anos,está, de fato, trabalhando a 10 mil dólares por ano, mesmo que sua renda realseja de 75 mil dólares ou mais por ano. Não se sinta mal. Com dívidas ruins,alguns trabalham apenas em troca de cama e comida; outros têm rendalíquida negativa.
  13. 13. Decerto, viver é mais do que receber e gastar, porém, já que o dinheiroobrigatória e inevitavelmente atinge tantas áreas da vida, é o focoprincipal da nossa atenção neste livro. Dívida boa, dívida ruim não tratade uma vida de privações, mas de ter perspectiva e manter despesas epoupança do tamanho certo, sem perder de vista as aspirações àaposentadoria. Trata-se de criar uma filosofia das dívidas — ou, para muitagente, uma filosofia da ausência de dívidas. Dívida boa, dívida ruim nosincentiva a evitar a mentalidade consumista que só leva às dívidas, aoarrependimento e aos sonhos desfeitos — para não falar de um armárioentulhado de porcaria.O que é dívida boaA dívida boa aumenta seu patrimônio líquido. A dívida boa o ajuda a ganhardinheiro; o uso da dívida boa aumenta a receita atual, o patrimônio líquidoou a capacidade de previsibilidade das receitas. Por outro lado, a dívida ruimreduz seu patrimônio líquido. A dívida ruim consome seu dinheiro. Pagardívidas ruins reduz o fluxo de caixa. Compare:DIVIDA BOA DIVIDA RUIM• É auto-sustentável • São tipicamente para consumo• Aumenta o patrimônio líquido • Reduz o patrimônio líquido ou o fluxo de caixa ou o fluxo de caixa• Garante um retorno que pode • Absorve ganhos futuros ser convertido em dinheiro ou • Exemplos: prestações de patrimônio líquido automóvel que roubam de seu• Permite o crescimento plano de previdência; dívidas financeiro com forte margem contínuas de cartão de crédito de segurança• Exemplos: crédito imobiliário com um nível seguro de exposição, crédito educativo que possa gerar retorno de capital, dívida de algum negócio que você tenha competência para gerir
  14. 14. O que não é dívida boaÉ fácil racionalizar qualquer coisa que quisermos fazer com nosso dinheiro.Os anunciantes até nos ensinam como superar nossas próprias objeções!Todos já fizemos isso; eu o fiz muitas vezes na vida. Quer sua desculpa sejasentir-se bem consigo mesmo, quer seja a generalizada "Eu mereço"; o fatoé que racionalizar a dívida e dizer que o mau é bom não altera a realidade desua situação financeira. Empilhar dívidas ruins sobre ativos bons não astransforma em dívidas boas. Empilhar dívidas ruins sobre ativos bons não as transforma em dívidas boas. Refinanciar a compra da casa própria tornou-se esporte popular nosEstados Unidos e pode ser bom se for feito pelos motivos certos. Oproblema é que muita gente refinancia o imóvel para contrair novosempréstimos ou para reduzir o valor das prestações, mas apenas aumentaas dívidas com esse fluxo de caixa recém-descoberto. Para muitos, isso sósignifica liberar o limite dos cartões de crédito para voltar a estourá-los.Depois, a antiga dívida do cartão de crédito passa para a casa própria esurge um novo acúmulo de dívidas. Há quem acredite que todas asdívidas de imóveis são dívidas boas. Isso é loucura. Alguns financiadoresestão dispostos a emprestar cerca de 70 por cento do valor do imóvel; o que,com juros, pode levar a uma dívida de até 110 por cento. Portanto, semdisciplina, essa medida se transformará em uma calamidade mais adiante(tanto para quem concede o empréstimo quanto para o que tomaemprestado). A não ser que você assuma uma mudança real no modo depensar e de se organizar, não empilhe as dívidas de cartão de crédito e decrédito ao consumidor sobre o seu patrimônio imobiliário. Se vocêestiver pensando em consolidar dívidas ruins que venham a sobrecarregarseu patrimônio imobiliário, leia primeiro o texto Debt Warfare (Guerra dadívida). Disponível em www.gooddebt.com.* * Todos os conteúdos de Internet indicados pelo autor estão disponíveis em inglês. (N. do E.)
  15. 15. Macaco de imitação?Alguns norte-americanos começam a questionar a idéia comum (fomentadapor anunciantes e pela cultura popular) de que todos devem satisfazer suaspróprias vontades, seja qual for o dano que causem a si mesmos ou àsociedade. O que vemos é resultado de gastos promíscuos, do crédito fácil e,por fim, de planos de aposentaria minúsculos ou inexistentes. É muitocomum que as dívidas se transformem numa arma que, sem querer,apontamos contra nós mesmos. O que vemos é resultado de gastos promíscuos (...) É muito comum que as dívidas se transformem numa arma que, sem querer, apontamos contra nós mesmos. Em O milionário mora ao lado (Manole, 1999), Thomas Stanley e WilliamDanko descobriram que, em geral, os milionários que se fizeram sozinhospoupam ou investem de 15 a 20 por cento da renda disponível. Em TheOverspent American, Juliet Schor constatou que os norte-americanoscostumam gastar 18 por cento de sua renda disponível em prestações decrédito ao consumidor, poupando pouco ou nada. Nessa triste justaposiçãoestá uma das principais premissas de Dívida boa, dívida ruim: "O passado épassado — a não ser que você ainda esteja devendo por causa dele:” Muitosnão conseguem começar a escalar o morro da liberdade financeira porque estãocarregando uma mochila cheia de dívidas. Isso seria óbvio se ao menos pudéssemos nos afastar um pouco para examinarcomo distribuímos a nossa renda. As agências de publicidade e as empresasde crédito (bancos e financeiras) impõem ao consumidor a elegante ficção"Você pode ter tudo" e "Você merece" milhões de vezes por dia. A meta dasagências de publicidade é distrair sua atenção enquanto bancos e financeirasrevistam seus bolsos. Em um programa de rádio recente, Alistair Begg disse: "A nossa sociedadevive de materialismo, lucrando com o pecado da inveja. Seu modus operandié gerar no nosso coração o desejo de coisas que não temos. Não só um desejo,mas um comportamento de necessidade e
  16. 16. merecimento. Nós precisamos. Nós merecemos. Principalmente se outrapessoa o tiver." Naturalmente, temos livre-arbítrio (até certo ponto). Somosnós que decidimos como reagir às mensagens das agências de publicidade.Gordo, velho e duroNão é incrível, pelo menos por algum tempo, como nosso corpo e nossas finançassão resistentes? No fim das contas, porém, os maus hábitos alimentares efinanceiros acabam custando caro. No livro Good Fat, Bad Fat, os doutoresWilliam Castelli e Glen Griffin aconselham os leitores a distinguir entre ostipos de gordura que obstruem as artérias e aqueles que não são prejudiciais.Em Dívida boa, dívida ruim, aconselho você a adotar um discernimentosemelhante com relação aos créditos ao consumidor. As estatísticas deobesidade têm uma semelhança macabra com as estatísticas dos problemas comdívidas. O Employee Benefit Research Institute e o American SavingsEducation Council relatam que 66 por cento dos norte-americanos sãoincapazes de poupar o suficiente para a aposentadoria em razão deresponsabilidades financeiras atuais (dívidas). Peter Jennings, em umamatéria especial na ABC News, afirmou que 66 por cento estão acima dopeso ideal. Tomara que os dois grupos não sejam formados pelas mesmaspessoas. Ser gordo já é bem ruim. Ser gordo, velho e duro é ainda pior. Praticamente não se observa o acúmulo de colesterol nas artérias até o fluxo desangue restrito começar a provocar problemas. Muita gente passa anos com asveias obstruídas pelo colesterol e só percebe o problema quando é tarde demais.Para alguns, um derrame ou enfarte pode ser a primeira advertência. Para outraspessoas, a primeira advertência é a morte. Há um processo semelhante em ação com nossas finanças. Enquantotemos um fluxo de sangue suficiente, isto é, fluxo de caixa para pagar ascontas, não vemos problema nenhum. Mas, em segundo plano, as dívidas emexcesso, assim como o colesterol em excesso, avultam-se como principalassassino da riqueza e da oportunidade. Depois que começamos a obstruirnossas artérias financeiras com dívidas ruins, é possível que venhamos a sofrerde falta de oportunidades e pressão alta das dívidas. Se não houver controle,isso pode levar à morte financeira, ou pelo menos a um enfarte financeiro.
  17. 17. DividabetesEm A dieta de South Beach (Sextante, 2003) o dr. Arthur Agatston fala de setornar saudável e em forma comendo os alimentos certos e equilibrandocarboidratos bons e ruins com gorduras boas e ruins. Em Dívida boa, dívidaruim defendo a saúde e a boa forma financeiras por meio de um equilíbrio dedívidas boas e ruins. Agatston fala de uma "síndrome silenciosa, conhecidacomo síndrome metabólica (pré-diabetes), encontrada em quase metade dosnorte-americanos que sofrem enfartes". Percebo algo semelhante nas finançasde muitos norte-americanos, talvez uma síndrome de pré-diabetes financeira.Vamos chamá-la de pré-dividabetes. A dividabetes é a incapacidade do corpode decompor e eliminar as dívidas em razão de fluxo de caixa insuficiente. Adividabetes é mais comum nos obesos de dívidas e tem relação íntima com osderrames financeiros — tanto fatais quanto temporariamente debilitantes. Paralevar ainda mais longe a analogia, podemos considerar os gastos como o seuíndice de glicemia (açúcar no sangue), e o fluxo de caixa, sua insulinafinanceira. Manter a boa forma física e financeira requer conscientização e aprática de muitas habilidades semelhantes.Filosofia das dívidasO sr. Jim Rohn faz uma pergunta importante às suas platéias: "Se passássemospara o papel toda a sua filosofia de vida, você ficaria entusiasmado para viajarpelo mundo fazendo palestras sobre ela?" Se a resposta for negativa, ele sugere que você comece nesse ponto —reelaborar sua filosofia. Passei meses trabalhando no desafio do sr. Rohn. Elefoi, na verdade, a força motriz para a conclusão deste livro. Eu queria, emprimeiro lugar, um livro que pudesse entregar aos meus filhos e dizer: "Estas sãoas minhas principais convicções; são tão fundamentais e tão seguras quanto agravidade." Muitos livros que tratam de finanças apresentam princípioscomplementares, não fundamentais. O fracasso financeiro começa no processode raciocínio anterior aos gastos. George Orwell disse: "Não sabem escrevercom clareza porque não sabem pensar com clareza." Tento evitar a lógicatortuosa e frases incompreensíveis resultantes de confusão mental. Euestenderia esse conceito também às finanças. O raciocínio confuso gera gastos
  18. 18. confusos. Depois da minha derrota perante a Receita Federal, de que falei no Prefácio,percebi que minha maior fraqueza em finanças foi a falta de disciplina. Emborame saísse bem de modo geral, achava que podia ter feito melhor. Eis trêscaracterísticas da minha filosofia que se aplicam às finanças. À direita delas,as características paralelas, porém opostas, que as agências de publicidade eos bancos e financeiras querem queadotemos:CARACTERÍSTICAS DOS ECONO- CARACTERÍSTICAS DOSSÁBIOS CONSUMERATI 1. Disciplina 1. Indiferença 2. Dilação (ou adiamento do 2. Imediatismo consumo) 3. Ignorância 3. Discernimento 4. Resultado: Felicidade 4. Resultado: Felicidade duradoura temporáriaConsumerati x Econo - sábios A maioria dos seres humanos não toma suas decisões diárias com base em uma ponderação tranqüila dos riscos e das vantagens.Chamo de Consumerati os esbanjadores, que vivem no limite de suas posses e,em geral, nunca pensam no futuro. Os Consumerati são especialistas emconsumir a qualquer preço. Em maioria, são pessoas bem-intencionadas, cujasambições superam muito sua obediência aos fundamentos da economia.Reagem aos apelos de marketing emocional e quando ficam sem dinheiroparece-lhes perfeitamente natural usar dívidas ruins ou crédito aoconsumidor para pagar seus desejos. Todos temos um pouco deConsumerati dentro de nós. Segundo a
  19. 19. Cardweb.com, 50 por cento dos norte-americanos pagam o mínimo oumuito menos do que o saldo devedor da fatura do cartão de crédito. Vinte enove por cento liquidam as dívidas dos cartões todo mês. Vinte e um porcento das famílias norte-americanas não têm cartões de crédito. OsConsumerati estão propensos a confundir receita com riqueza. Não entendemum fato antiqüíssimo: são os gastos, não a receita, que definem a riqueza. Areceita é como um rio que corre — a riqueza é igual a um lago oureservatório. Veja mais a esse respeito no início do Capítulo 3. O Econo-sábio, por outro lado, pensa nas conseqüências futuras dos atos dehoje. Se fundirmos economia e prudência, teremos o Econo-sábio — genteque procura tanto a economia quanto a prudência. Os Econo-sábios fazemplanos no papel e entendem como a taxa de consumo, o adiamento do prazer deconsumo (Capítulo 4) e a ausência de fatos decorrentes do endividamento(Capítulo 1) podem trabalhar em conjunto para criar um estilo de vidaprudente. Quanto mais depressa você eliminar o desperdício, baixar avelocidade de consumo e iniciar um programa Econo-sábio, melhor. Taxa de consumo é todo dinheiro gasto que não aumenta a fortuna, é o quese consome e se vai para sempre, como gastos com alimento, hospital,transporte e, principalmente, impostos.Dê-me o melhorOs cinco últimos capítulos deste livro estão mais voltados para a ação do quepara a elaboração de uma filosofia. Segundo a revista Money, estudos recentesrealizados por economistas da Universidade de Nova York descobriram que adisposição para o planejamento tem relação íntima com o acúmulo de bens.Antes de refutar este enunciado alegando que é tautológico, pergunte aalgumas pessoas como tornar-se próspero. Muitos responderão: "Com renda altae uma herança." Renda alta não é, obrigatoriamente, garantia de riqueza. Nema herança garante riqueza. É fácil desperdiçá-la depressa. Por outro lado, a rendade praticamente qualquer valor, quando poupada em razão de hábitos bemaprendidos, pode gerar riqueza.
  20. 20. Ambos os planos são expansíveisOs hábitos de planejar e poupar do Econo-sábio se expandem para torná-loabastado quando sua renda aumenta com o passar dos anos. Os hábitos denão planejar e de abusar das dívidas dos Consumerati também os tornam maispobres e mais enterrados em dívidas quando sua renda aumenta. Em outraspalavras, com o estilo de vida do Consumerati, quem está infeliz da vidaquando ganha 40 mil dólares por ano vai odiar viver com 110 mil dólares porano. A vida é verdadeiramente assíncrona. O que fazemos hoje pode não surtirefeito imediato, mas pode ter conseqüências drásticas mais tarde. O campodas finanças pessoais é bem simples, uma certeza quase matemática — atéacrescentarmos um elemento: a emoção humana. A maioria dos seres humanosnão toma suas decisões diárias com base em uma ponderação tranqüila dosriscos e das vantagens. A maioria é constituída de seres emocionais que reagem amensagens vagas ou sem sentido, tais como "Você merece o melhor". Esperaaí! "O melhor" não é um plano que lhe proporcionará, e à sua família, umestilo de vida com o qual você não apenas sonhou, mas que planejou econquistou? Não procure o melhor de outra pessoa — procure um projetocriado para a sua própria vida, um plano que seja o melhor para você.Admitir sua burrice é uma coisa-fugir das consequencias é outraIsto não é uma promoção do "Instituto Auto-Estima Grátis”: Dívida boa,dívida ruim destina-se a dois grupos distintos: aqueles que percebem estartateando às cegas, financeiramente falando, e aqueles que estão se saindobem, mas pensam que poderiam melhorar um pouco. Chamo de Consumeratios que tateiam às cegas. Eles fazem com que as agências de publicidade e osbancos e financeiras batam recordes de vendas ano após ano nos EstadosUnidos pós-responsabilidade. Para os Consumerati, prazer de consumo adiado é um conceitoalienígena. Apesar de fazer parte do grupo mais rico e mais culto da históriados Estados Unidos, os Consumerati sofrem da doença crônica deincapacidade de manejar o leme financeiro. Os Consumerati são,
  21. 21. em sua maioria, escravos das emoções. Têm certeza de que devem obedecer aossentimentos para obter o que merecem. Parece que o mundo ao redorconfirma isso — eles merecem o melhor, não merecem? Os Consumeratiempenham-se por manter ou criar uma imagem que não é saudável nem temresponsabilidade fiscal. Relaxe. Dívida boa, dívida ruim vai concentrar-se noque você pode fazer com sua receita atual.Meus objetivos em Dívida boa, dívida ruimEstes são meus objetivos em Dívida boa, dívida ruim, conforme enumeradosno meu diário: 1. Brevidade: fazer tabletinhos de caldo de carne literário com sabor financeiro. 2. Sagacidade: humor inteligente. Rir ou sorrir durante o aprendizado. 3. Humor visual: cartuns com uma lição de frugalidade financeira. 4. Argumentações incontestáveis: argumentações com resultados antecipadamente verificáveis. 5. Divertimento: um livro divertido de escrever, ler e compartilhar; um livro que crie expressões e palavras novas e úteis. Finanças pessoais são simples, requerem pouco mais que matemática elementar e previsão. Só precisamos acrescentar natureza humana às finanças para torná-las tão divertidas quanto trágicas. Brevidade. Você compraria um livro de 763 páginas chamado Como serbreve? Segundo Mark Victor Hansen, famoso pela série Histórias paraaquecer o coração, a maioria de nós tem cerca de duas horas para dedicar a umlivro, talvez numa viagem curta de Boston a Atlanta, de noite em casa ou emalguns intervalos de almoço. Os raciocínios contidos no livro não são maisimportantes do que os raciocínios provocados pelo livro. Ver sugestões dediscussão em www.gooddebt.com.
  22. 22. Sagacidade. Meu lema neste livro é "O passado é passado — a não ser quevocê ainda esteja devendo por causa dele”: Parece que muita gente nãoconsegue ir aonde quer em razão de onde já esteve. O que constantemente traz opassado ao presente? Dívidas. Se eu disser aos fiéis numa igreja que "É difícilentregar o coração a Jesus quando seu traseiro pertence ao MasterCard", todosentenderão a mensagem. Isso não está só nas Escrituras, é bom senso. Quandochamo de Consumerati os gastadores e aqueles que batalham para se manter nonível de seu imaginado grupo de referência e de Econo-sábios as pessoas queseguem um plano e procuram a sensatez, é fácil entender. Faz sentido. Humor visual. Ao longo de Dívida boa, dívida ruim veremos cartuns originaisde Patty Kadel. Quando eu tinha uma idéia para um cartum, enviava por escritovia e-mail ou carta para Patty, que transformava a minha idéia num desenho.É provável que você escolha um favorito. Este é o meu: um carasupertalentoso que sofre de incapacidade de ganhar dinheiro porque lhefalta disciplina. O talento é apenas uma parte do êxito. Se passar ao Capítulo10 ("Com quem você se casou?"),
  23. 23. verá um cartum sobre a "bagagem do relacionamento" que gera muitoscomentários. Todos já vimos esse tipo de relacionamento. É um conceitosimples, mas muita gente o desprezava ou parecia surpresa quando começavaa "desfazer as malas: Diverti-me muito ao elaborar o capítulo sobre ocasamento, uma área em que tenho me saído bem. Minha mulher Nita, meufilho A. C. e minha filha Paige são uma bênção constante. Argumentações incontestáveis. Nossas discussões precisam terencadeamento e profundidade, senão nosso êxito será fugaz. Depois que osorriso desgasta as palavras, será que resta um resíduo de sabedoria? Poucosquestionarão o ditado "Você tem de gastar menos do que ganha. Precisa tercapital para capitalizar”: Os cinco primeiros capítulos tratam de elaborar umafilosofia das dívidas ou da fuga da maioria das dívidas. A não ser no caso dedívidas empresariais ou de investimento (com uma razão segura entreempréstimo e valor), a meta, com o tempo, é que tudo na vida esteja livre dedívidas. "É difícil entregar o coração a Jesus quando seu traseiro pertence ao Mastercard." Divertimento. Finanças pessoais são simples, requerem pouco mais quematemática elementar e previsão. Só precisamos acrescentar natureza humanaàs finanças para torná-las tão divertidas quanto trágicas. Embora a diversão nãoseja pré-requisito absoluto para se ter êxito, torna mais fácil aceitar as partesmais práticas, porém necessárias, da vida. Se você consegue rir daincapacidade alheia de adotar a disciplina, de adiar o prazer do consumo e dediscernimento, então talvez consiga aprender estas lições sem o aspectodesagradável da experiência própria.O que NÃO esperar de Dívida boa, dívida ruimNenhuma solução temporária, quebra-galho. Nenhum docinho otimista paraconfortar seu ego. Dívida boa, dívida ruim trata de abraçar a realidade quevivemos e trabalhar para melhorar nossa posição. Você
  24. 24. não encontrará nenhuma lista específica de tarefas nem formulários parapreencher. Não haverá devoção subserviente à elaboração de orçamentos.Quando os motivos forem os corretos e for possível prever o nascimento deuma filosofia financeira prudente, não haverá necessidade de alguém paramicrogerenciar sua vida. Tudo sempre se encaixará para aqueles que adotam osfundamentos das finanças saudáveis. Dívida boa, dívida ruim se concentraránaquilo que você pode fazer usando sua renda atual.O que ESPERAR de Dívida boa, dívida ruimComo se deve encarar a dívida? As dívidas são boas ou ruins? As dívidaspodem ser uma ferramenta eficaz? Este é um livro para ajudá-lo a elaborar umafilosofia das dívidas, dos gastos e da poupança. Dívida boa, dívida ruim tratados fundamentos — comprovados ao longo do tempo e, o que é triste,comprovados por devedores. Trata de construir um alicerce para o futuro. Parte do livro é sarcástica, mas não irreal a ponto de ninguém se identificarcom ele. Por exemplo, no Capítulo 1 ("As conseqüências das dívidas"), digo: "Oscartões de crédito são o crack e a cocaína da indústria do crédito." Não acuso aindústria do crédito de incentivar as drogas, mas de algo semelhante. Em todo o livro incentivo um ceticismo saudável, que lhe permitirádesconstruir a publicidade e as mensagens dos meios de comunicação.Interpretemos assim: você passa a editar o que entra na sua cabeça ou osmeios de comunicação e as agências de publicidade farão isso por você. EmDívida boa, dívida ruim ensino a questionar os meios de comunicação e oscomerciais que o leitor recebe centenas, até milhares de vezes por dia.Quando ouvir a mensagem "Não ponha todos os ovos em uma cesta só",você passará a se perguntar se a mensagem não foi patrocinada pelaAssociação Nacional de Fabricantes de Cestas. Interpretemos assim: você passa a editar o que entra na sua cabeça ou os meios de comunicação e as agências de publicidade farão isso por você.
  25. 25. Entenda as conseqüências das dívidas, administre as emoções, evite ainfluência dos meios de comunicação, fundamente-se num projeto, monitore ataxa de consumo, adie o prazer de consumo, liste e acompanhe as despesas einvista para o futuro. É bem simples, certo? Leia com atenção os quatroprimeiros capítulos para compreender as dívidas e o dinheiro melhor doque a maioria das pessoas. Na verdade, ponha esses fundamentos em ação nasua vida como se fossem uma liturgia econômica para terminarfinanceiramente no topo dessa maioria. Como está sua vida financeira? Comorealmente está sua vida financeira?
  26. 26. Capítulo Um As conseqüências das dívidas: A mão invisível da dívida Lição de 10 segundos: "O passado é passado — a não ser que você ainda esteja devendo por causa dele." JON HANSON "A partir de 1999, os empréstimos ao consumidor aumentaram, em média, 14,6 por cento ao ano." ABC NEWSLiberdade ou dívida?É natural entregar-se a ilusões esperançosas — achar que o nosso caminho éúnico, que pode não nos levar ao mesmo fim a que levou outra pessoa.Ouvimos o canto da sereia da cultura popular e somos seduzidos por ela,transformando-nos em típicos consumidores. Ao
  27. 27. evitar a responsabilidade, entregamo-nos às emoções até finalmentedesmoronar sob o peso de nossos próprios desejos. Ninguém vai fazer pouco de quem desperdiça os próprios recursos. Naverdade, haverá gente torcendo, embora a maioria desses torcedores sejapessoas que lucram com a venda de bobagens e porcarias variadas. O fato demilhões de outras pessoas terem esse mesmo hábito de gastar tudo o queganham não faz desse o caminho certo ou apropriado a seguir. A cultura do gastar, gastar, GASTAR é, obrigatoriamente, criada peloscomerciantes para manter seus cofres transbordando. Diz-se que, nos EstadosUnidos, mais de 60 por cento da economia se baseiam nos gastos doconsumidor, financiados em parte pelo crédito ao consumidor. Para oscredores, essa cultura do desperdício compensa. Para quem gasta, é umaescravidão. Muitos falam a língua da liberdade, mas diariamente seguem na direção oposta.E daí?O estigma das dívidas parece inexistente hoje em dia. Não faz muito tempo,muitos achavam que a dívida era um sinal de que havia algo moralmenteerrado. Talvez a disponibilidade dos cartões de crédito e do crédito rotativonos tenha tornado mais aventureiros e ambiciosos. Além disso, o crédito setornou abstrato e anônimo. Em vez de dever à quitanda da esquina e sentiruma obrigação moral com ela, pagamos (ou não pagamos) a fatura do cartãode crédito a uma empresa distante e sem rosto. O quitandeiro e o tintureirosorriem e cumprimentam. Mas as "conseqüências das dívidas" permanecem. Olhe ao redor — nãoé preciso ir longe para encontrar alguém sofrendo com as conseqüênciasdas dívidas. Os que ainda não estão nessa situação podem muito bem estarno caminho da perdição sem nem ao menos saber. Muitos falam a língua daliberdade, mas diariamente seguem
  28. 28. na direção oposta. Henry Taylor, em Notes From Life (1847), escreveu: "Amedida e a maneira certas de ganhar, poupar, gastar, dar, tomar, emprestar,pedir emprestado e legar em testamento quase definem o homem perfeito."Hoje Taylor não trocaria nada nessa afirmação, a não ser o final, pelopoliticamente correto "o homem perfeito ou a mulher perfeita". Nem todos têm vitalidade moral ou intelectual para pôr em ação umplano intencional para o futuro. Contudo, só os que elaboram um plano e oseguem terão êxito. Os que vivem num estado constante de "desejo" tornam-se escravos desuas próprias paixões. Muitos vão além — atando-se voluntariamente aosgrilhões das dívidas —, não só gastando tudo o que ganham, mas fazendoempréstimos para pagar no futuro os excessos de hoje. Quando fazemosdívidas para adquirir produtos ou serviços, não estamos, na verdade, pagandopelo produto ou serviço, mas comprometendo ganhos futuros. Em seus primeiros estágios, as dívidas não doem. Pelo contrário, a perfídiadas dívidas está no próprio fato de que o uso das dívidas proporciona às vítimasum prazer temporário. A grande maioria das pessoas se arrisca à leprafinanceira para ter o prazer temporário de gastar antes de ganhar.Dívida a facilitadora das oportunidades iguais —Dar crédito ao apetite destreinado distorce a realidade. Oferece às emoçõesvastas avenidas para explorar. Permite que nossas emoções passem a pernana matemática — esticando nossas compras para um futuro distante ereduzindo o "custo imediato" a uns trocados por mês. Amainada a emoção,ficamos com a realidade da matemática. Para algumas pessoas, é igual àsinstruções de um frasco de xampu: aplicar, massagear, enxaguar e repetir.Aplicar o crédito, massagear as emoções e enxaguar seu fluxo de caixamensal. Repetir. A maioria dos comerciais de crédito ao consumidor adota o método"trombadinha" de que falo no Capítulo 2 ("Refém emocional"). Se você émembro do bloco compre agora/pense depois, respire fundo e pense:"Chegou a hora de iniciar uma mudança radical."
  29. 29. As dívidas levam mais que apenas o seu dinheiroAdam Smith é famoso pela teoria da mão invisível do capitalismo. Segundoele, os mercados do laissez-faire ou mercados livres se ajustam naturalmenteem razão do interesse próprio dos consumidores e do capital dosproprietários. Não discuto a teoria do escocês. A afirmação acima é menosque uma síntese do todo. Trago-a à baila para propor uma oposta: a mãoinvisível da dívida. Muitos de nós parecemos estar muito bem e assimpermaneceremos enquanto pudermos pagar as prestações dos nossosexcessos. Mas será que estamos fazendo algum progresso financeiro? Dar crédito ao apetite destreinado distorce a realidade. O que nos impede de alcançar o êxito financeiro? A mais evidente dasminhas quatro conseqüências das dívidas — a perda de fluxo de caixa — éfácil de perceber; as outras talvez sejam invisíveis. Na teoria da mão invisívelde Smith, o capital procura oportunidades de expansão e crescimento, e isso ébom para o dono do capital e para o consumidor. Na minha teoria da mãoinvisível das dívidas, os Consumerati sofrem da perda invisível, ou quaseimperceptível, de tempo e oportunidade. De um lado, as dívidas dosconsumidores (dívidas ruins) servem de combustível para osempreendimentos capitalistas porque geram vendas e movimentam aeconomia. Por outro lado, quando há uso excessivo da dívida de consumo, amão invisível do capitalismo se estica metaforicamente para esbofetear oconsumidor ao se transformar na mão invisível das dívidas. Quandochegamos ao ápice das dívidas do consumidor (taxa de consumo de 100 porcento), perdemos a oportunidade de participar da sociedade capitalista.Estamos a caminho da servidão.As quatro conseqüências das dívidas:os quatro ladrões ou como funciona a mão invisível Não devemos esquecer que as dívidas nos tiram mais que dinheiro. É fácil imaginar que as dívidas são simples contas a pagar, porém
  30. 30. são muito mais que isso. As dívidas geram quatro conseqüências principais: Perda de liberdade Perda de fluxo de caixa Perda de tempo Perda de oportunidades É claro que as dívidas podem gerar outros problemas, além desses quatro,mas a maioria das dificuldades nos vem em alguma forma deles. Perda de liberdade. As dívidas acabam nos impedindo de fazer o quequeremos. Quando estamos sobrecarregados de dívidas, as opções seestreitam de maneira considerável. Sempre digo: "Trabalhar e carregar umfardo de dívidas é como cumprir pena em prisão-albergue. Todos os diastemos a liberdade de sair para trabalhar, porém passamos a maior parte dotempo na prisão." Você trabalha por prazer ou para evitar o sofrimento de perder seus bens?Com uma razão dívida/receita bem alta, você pode ultrapassar o limiar ou aquantidade de dívidas que simplesmente transforma o ato de ganhar dinheiroem modo de evitar sofrimento. O verdadeiro progresso ou a alegria parecemuma recordação distante. Na antiga Babilônia, o escravo podia ganhar algum dinheiro extra nashoras vagas, depois de concluir o trabalho do amo, a fim de poupar e comprarsua alforria. Podia, de fato, libertar (recomprar) a si mesmo. Nós tambémpodemos nos libertar da escravidão das dívidas ruins. Talvez você não sesinta escravo, mas o que acontece se parar de pagar as contas? Você descobrequem é o seu amo. Quanto mais dívidas ruins você acumula, mais rígido é oseu amo na hora da cobrança. Pense. Quando vive e trabalha de semana a semana, apenas sobrevivendo,você é algo além de servo não-remunerado? Talvez você se sinta um prisioneiroque pode sair nos fins de semana por bom comportamento. Passei sete anossentindo-me como se estivesse cumprindo pena em prisão-albergue enquantodevia muito dinheiro à Receita Federal. Com uma alta taxa de consumo, seráque somos mais que um conduto que entrega os frutos do nosso trabalho aosnossos credores? Sua rotina é acordar, ir trabalhar, voltar para casa, comer, dormir, acordar, irtrabalhar, voltar para casa e comer, só para fazer tudo de novo no
  31. 31. dia seguinte? Muita gente jamais percebe como tem uma vida maçante! Seconcordarmos com o fato de que a entrada nesse ciclo é voluntária, entãopodemos concluir que esse estilo de vida também é voluntário. Você disse que é livre? Onde tem de estar amanhã? Pode ir morar em qualquerlugar — neste exato momento? Ou as dívidas e as obrigações têm forte podersobre o que você faz? No Capítulo 6 ("E se você não morrer?") falo daavaliação das riquezas; ali se encontra a fórmula simples do dr. BuckminsterFullers para o cálculo da "fortuna útil". Um homem espirituoso disse: "Ter emprego é como hipotecar a vida." Amenos que tenha nascido rico, você precisa dar um jeito de escapar dotrabalho maçante ainda cedo. Se nasceu pobre, você trabalha, pelo menos, emmeio expediente e não pode fazer o que bem entender. Você decide se querpermanecer nessa servidão voluntária ou organizar a vida para chegar àliberdade financeira.Do êxito ao significadoVamos supor que você queira trocar de profissão. Se sua relação dívida/ receitafor elevada, as dívidas serão, decerto, um fator decisivo. Obedecer à suapaixão e passar do êxito ao significado na vida profissional pode depender devocê conseguir cair de executivo de multinacional com salário de 120 mildólares por ano para professor de alfabetização infantil com renda de 30 mildólares por ano. Ou talvez você simplesmente queira se afastar por alguns anospara escrever um livro. Foi isso que fiz, embora tivesse muito a perder — aindaque meus rendimentos tivessem caído mais de 80 por cento, a renda da minhamulher aumentou mais de 25 por cento. A matemática não parece favorável,mas nossas despesas são tão baixas que estamos muito bem. O interessante éque, se eu tivesse dívidas de consumo, prestações de carro e elevadas despesasdomésticas, você jamais leria este livro. Eu simplesmente não poderia largar aminha imobiliária e reservar dois anos para escrever este livro se minhasdespesas ou minha taxa de consumo fossem altas. A maioria de nós escolhe a servidão, sem perceber, quando cai no tontoda cultura popular do "Você pode ter de tudo”. Pode — depois que tiverdinheiro para tanto. Passe os 10 ou 20 primeiros anos de sua carreiraprofissional poupando e investindo de 15 a 20 por cento de sua renda, emvez de optar por gastar a mesma porcentagem para ali
  32. 32. mentar dívidas ruins (de consumo). Se começar agora, vai conquistar emerecer a liberdade. O conceito de liberdade é igual ao de um morro: sempre parece mais bonito adistância. Aproxime-se para começar a ver que pode ser muito trabalhosoescalar até o topo. Liberdade significa algo diferente para cada pessoa. Háquem pense que liberdade é apenas estar com as contas pagas. Outra pessoapode achar que liberdade é estar com todas as contas pagas e umaaposentadoria de 3 mil dólares por mês. Outra pessoa, contudo, pode acharque precisa de 10 mil dólares por mês ou mais para se aposentar. Para nossosfins, digamos apenas que liberdade financeira é a ausência de preocupação ouapreensão acerca de dinheiro. Muita gente fez fortuna com um salário bem mais baixo do que aquele quevocê ganha, mesmo quando reajustado segundo a inflação. Quando começamas dificuldades financeiras, muita gente acha que está em situação pior do quequalquer pessoa que tenha passado por essas dificuldades antes. Quandoestamos livres de dívidas, a liberdade verdadeira não é apenas o quepodemos fazer, mas o que não precisamos fazer. Estamos livres da mãoinvisível das dívidas. Perda de fluxo de caixa. Com certeza, é a conseqüência mais óbvia dasdívidas. Essa conseqüência só é percebida quando começam a faltar"trocados no bolso", um dinheiro para despesas imprevisíveis. Embora amaior parte de sua receita disponível cubra as necessidades básicas, uma parteque poderia usar para cobrir uma possível perda de emprego estácomprometida pagando dívidas ruins. Mesmo que talvez não seja possíveleliminar todas as dívidas de consumo, sou capaz de apostar que você é capazde eliminar algumas e começar a investir no futuro. Se estiver gastando 15por cento da receita em dívidas ruins, a primeira meta é baixar para 10 porcento, depois, cinco por cento e, por fim, quase zero. Faça-o enquantoreencaminha o fluxo de caixa para poupança e investimentos, e, no fim dascontas, esse capital poderá substituir o seu emprego. Isso não vai acontecerem pouco tempo, mas, com 10, 20 anos de perseverança, os resultados serãosurpreendentes. Qual seria a diferença na sua vida se todo o dinheiro quevocê gasta em pagamentos de dívidas de consumo fosse aplicado? Agora vamosimaginar o que isso teria significado no decorrer dos últimos 20 anos, ou oque significará nos próximos 20 anos. Se você tem qua-
  33. 33. renta e poucos anos, pode projetá-lo em ambas as direções: passado e futuro.Embora talvez lamente o rendimento baixíssimo das poupanças hojeem dia (existem outros investimentos), com o passar dos anos vai perceberque o rendimento não é fixo. Em 1981, algumas cadernetas de poupançapagavam 15 por cento ao ano. Mas a lição não é o rendimento; é o hábitode poupar. No início, não se preocupe com os rendimentos. Simplesmentevá acumulando capital. É preciso ter capital para capitalizar! Muitos sacrificam às dívidas suas verdadeiras paixões. Em pouco tempo grandeparte de seu dinheiro fica reservado para os "reparos" ou pagamentos de gastosantigos. Suas paixões se amortecem e se transformam em complacência, e sãologo esquecidas. Perdem simplesmente por dar às dívidas um grande podersobre o seu futuro. Não devemos esquecer que o passado é o passado, a não serque você ainda esteja devendo por causa dele. É difícil andar para a frentecarregando dívidas nas costas. Perda de tempo. Se está devendo, você deve estar em algum lugar diferentedaquele onde gostaria de ficar. Arnold Bennett, em seu livro de 1910 Howto Live on Twenty four Hours a Day, escreveu: "A vantagem do tempo é que -todos têm a mesma quantidade e ninguém pode gastá-lo comantecedência." Pode-se dizer que Bennett está correto. Mas vamos pensarem quem está profundamente endividado — dívidas ruins. O que essaspessoas fizeram foi, em essência, gastar seu tempo antecipadamente, pois sãoobrigadas a estar empregadas para pagar as dívidas. Gastaram o tempo antesque ele chegasse. É isso que quero dizer quando uso a expressão hipotecarsua vida. É claro que vendemos nosso talento ou nossos músculos nomercado. Mais do que isso, porém, precisamos perceber que aquilo quevendemos faz parte do nosso tempo restante. Quando aumentar seupatrimônio ou sua influência, você dará mais valor ao tempo do que dáhoje. Perdem simplesmente por dar às dívidas um grande poder sobre o seu futuro. A quantidade de energia mental que gastamos nos preocupando com nósmesmos em razão das dívidas ruins provoca desperdício de tempo quepoderíamos usar em atividades positivas. Libertar-se das dívidas e
  34. 34. ter tempo para passar com a família e os amigos ultrapassaram a perda de pesodentre as mais freqüentes resoluções de Ano-novo nos últimos anos. Muita genteprefere mais tempo livre a mais dinheiro. Os sensatos dentre nós dão muito valorao tempo dedicado à família e aos amigos, bem como ao tempo para escreverou, quiçá, pensar. Perda de oportunidades. Quando virmos uma grande oportunidade deganhos financeiros, é improvável que possamos aproveitá-la, pois estaremosfinanceiramente incapacitados para tanto. A primeira regra de todoempreendimento é reconhecer o valor concreto ao encontrá-lo. A segundaregra é ser capaz de agir quando surge uma oportunidade. Se o seu vizinho, derepente, resolve vender um terreno por 50 por cento do valor real, mas só sereceber o pagamento em 24 horas, você pode fazer esse negócio? Issoaconteceu comigo há cerca de um ano (sim, comprei). A moral da história éesta: Não se deve mexer no dinheiro de reserva até surgir a oportunidade certa.Perdemos se não tivermos criado o hábito de nos prepararmos para asoportunidades. É ruim ficar recordando as oportunidades perdidas, mas, aomesmo tempo, elas devem ser lições para não as perdermos da próxima vez.Devemos adotar a lição, não a perda; abraçar a luz, não as trevas. Essaconseqüência das dívidas de fato atinge o âmago de todas as conseqüências dasdívidas. É a assassina silenciosa de todas as possibilidades e expectativas.Costumo chamar as oportunidades perdidas de a maior depreciação invisível.É fácil perceber o efeito da depreciação de um carro novo: 15 por cento ao ano,em média. É mais difícil calcular a vantagem de acumular a depreciaçãoequivalente em um investimento de liquidez imediata para poder aproveitaruma oportunidade incrível. Não se deve mexer no dinheiro de reserva até surgir a oportunidade certa.Para quem estou trabalhando?Muita gente trabalha duro para ter luxos — e tornar-se escrava deles. EmTheArt of Money Getting P. T. Barnum escreveu: "As dívidas roubam
  35. 35. do homem seu amor-próprio e fazem com que ele quase despreze a simesmo." Você pode muito bem perguntar: "Os meus bens me pertencemmesmo — ou será que eles são meus donos?" Depois de alguns anos de"prosperidade", essa foi uma pergunta que fiz a mim mesmo. Por menor que seja o seu salário, o êxito está ao seu alcance. Muita gentese recusa a acreditar, pois já está vivendo no limite de suas finanças. Talvezvocê tenha tudo que precisa; deve apenas estar usando seus recursos demaneira ineficaz. Certas pessoas acham que o êxito só chegará quando começarem a ganhardeterminada quantia, ou quando algum acontecimento futuro as "salvar".O problema desse tipo de raciocínio é que, se você esperar para começar,pode continuar com hábitos financeiros tão ruins que, mesmo quando — ou,mais acertadamente, se — esse evento ou essa quantia surgir, não será obastante para superar os maus hábitos que adquiriu enquanto esperava. Aidéia de "Não ganho o suficiente" é mais comum do que a exatíssima noçãode que "Tenho maus hábitos de gastos". Para a maioria das famílias ou indivíduos, é preciso fazer mudançasenormes. Em geral, só uma reorganização de sua renda atual pode ser oprimeiro passo no caminho da independência. É o seu modo de pensar e delidar com a guerra de pensamentos e desejos dentro de si mesmo queprecisa de reabilitação. Há alguns anos escrevi em meu diário: "Muitos têm uma forma defortuna, mas negam seu poder em razão da falta de disciplina e dos desejosdesenfreados." Sua forma de riqueza é a receita que você provavelmente temse está lendo este livro. Muita gente jamais pensou na organização adequadadas finanças e em reservar uma parte apropria- f da da receita para aaposentadoria. Sua receita atual pode torná-lo abastado se estiver disposto aviver com 85 a 90 por cento dela durante os anos de formação dopatrimônio. É incômodo pensar que já se poderia ter chegado à fortuna comaquilo que passou há muito tempo pelas nossas mãos. "Muitos têm uma forma de fortuna, mas negam seu poder em razão da falta de disciplina e dos desejos desenfreados."
  36. 36. Mera sobrevivênciaOs que escolhem trabalhar pela mera sobrevivência sempre serão uma classefinanceiramente inferior em comparação -com aqueles que reservam umtempo para planejar, poupar, organizar-se e investir. Alguns de nósaumentamos o problema quando escolhemos a mera sobrevivência não sófinanceira, mas também intelectual e espiritual, jamais acumulando umareserva de saber e fé para um uso que não seja imediato. Com todacerteza, é possível alimentar o desenvolvimento intelectual e espiritual,seja qual for sua situação financeira, porém as pessoas mais bem-sucedidas acumulam os três simultaneamente. Façamos uma analogia: penseem como se faz um cabo ou uma corda, com três fios do cabo representandoos seus lados financeiro, intelectual e espiritual. Quando os três sãotrançados juntos, produzem um cabo que não arrebenta com facilidade. Em Thrift, Samuel Smiles escreveu: "Economia não é instinto natural,mas o amadurecimento da experiência, do exemplo e do planejamento.Também é conseqüência de uma educação financeira e da própriainteligência. Somente quando nos tornamos sensatos e organizados é quenos tornamos frugais. Por conseguinte, a melhor maneira de tornaralguém econômico é torná-lo sábio." Se juntar a recomendação de Smilesde economia e sabedoria, chego ao que chamo de Econosábio — genteque procura tanto a economia quanto a sabedoria. Os dois principais estilos de gastos são o do Consumerati e o do Econo-sábio. Os Consumerati gastam todo o dinheiro que têm, são os esbanjadores.Muitos Consumerati adotam a mentalidade do merecimento doconsumidor, chegando a crer que, além de necessitar, também merecemtudo o que querem. Os Consumerati evitam os três Ds — disciplina,dilação e discernimento — e, ao mesmo tempo, adotam os três Is —indiferença, imediatismo e ignorância. Não quero dizer, coma palavraignorância, que os Consumerati sejam literalmente ignorantes. Digo quefazem a opção deliberada de se manter ignorantes na área das finançaspessoais. O mero fato de desconhecer faz com que sejam ignorantes. Éuma ignorância de informações, e não falta de inteligência. Peçoencarecidamente que evitem a ignorância proposital. Os Econo-sábios, por outro lado, planejam para as exigências da vida; buscam economia e sabedoria. A pergunta que os Econo-sábios
  37. 37. fazem no início de qualquer situação de gastos é: "Isso me aproxima ou me afasta mais das minhasmetas?" É aconselhável aprender constantemente os hábitos do Econo-sábio. Transforme-os em parteintegrante do seu diálogo interno. O Econo-sábio, naturalmente, adota disciplina, dilação e discernimento. Poderíamos distinguirainda mais esses dois tipos como os que gastam tudo ou mais do que ganham(esbanjador/Consumerati) e os que gastam menos do que ganham (econômico/Econo-sábio). Seusprimos são o Insaciável e o Prudente, respectivamente. As forças culturais, sociais e econômicas não geram criminosos. Os criminosos são resultado desuas próprias escolhas. Também os devedores são criados pelas próprias escolhas, assim como osfinanceiramente independentes.Você sabia?Se trabalhou muitos anos e pouco ou nada lhe restou de seus esforços, isso aconteceu porque você nãoconhece os fundamentos dos gastos ou optou por ignorá-los. Pode ser uma questão de imaturidadefinanceira — ou talvez você nunca tenha tomado conhecimento dos fundamentos. Aimaturidade financeira é o principal motivo pelo qual não se planeja para o futuro. A conscientização é a parte fácil. Esta é a boa-nova! O trabalho contínuo de levar a vidado Econo-sábio envolve conscientização das conseqüências das dívidas, controle da taxa deconsumo, ter um plano de gastos em vigor e ter um plano escrito para o estágio final. Para oEcono-sábio, o estágio final começa quando a receita passiva excede suas necessidades eele está livre para fazer o que quiser. Por favor, não entenda mal. Não sou contra otrabalho — apenas contra o trabalho forçado por ser escravo dos próprios desejos. A conscientização vai controlar suas possibilidades. Tudo o que uma pessoa pode fazer,outra também pode. Essa idéia era fundamental nos escritos vitorianos. Muitos doslivros financeiros daquele período estão cheios de exemplos de êxitos para servir demodelos. Hoje, a maioria dos autores de livros de administração de empresas, talvezrefletindo o mercado, concentra-se em remendos apressados, e não em exemplosque possam ser aplicados em longo prazo.Planejar, planejar, planejarCompete a você planejar, estudar e procurar levar urna vida sensata e prudente. Se não souber comotornar-se financeiramente competente, será preciso perguntar até aprender. É terrível o preço que osilêncio impõe à ignorância. Um provérbio chinês diz: "Quem pergunta é tolo por cinco minutos.Quem não pergunta é eternamente tolo." A conscientização só gera a percepção das possibilidades. Ainda é preciso alcançar maturidadepara agir. A conscientização pode torná-lo uma pessoa interessante com quem conversar — mesmo
  38. 38. assim, você pode ser um péssimo exemplo para se seguir. É preciso também optar por ser livre. Osempre citado Oscar Wilde disse: "É melhor ter uma renda permanente do que ser fascinante." Certas pessoas jamais percebem que podem reorganizar sua receita atual e se tornar ricas. Adotama cultura popular e ignoram a sabedoria antiga. Você é responsável por suas escolhas. Mude seushábitos e sua vida mudará para sempre. Pode mudar temporariamente por simples força de vontade,mas será uma mudança apenas temporária. Os hábitos, no longo prazo, acabam por controlar o seudestino. Vamos examinar como a educação e a cultura podem levá-lo a fazer escolhas ruins e comoevitá-las.Você decide, mas "eles" querem ajudarPara os comerciantes armados com psicólogos, sociólogos, pesquisas e agências de publicidade, oconsumidor típico não passa de uma vaca a ser ordenhada por suas próprias emoções. Quando nãoproduz mais leite — quer dizer, os pagamentos por seus excessos —, você é despachado para omatadouro dos endividados para que transformem suas entranhas em lingüiça e seu couro em pastaspara os executivos das agências de publicidade. Você, então, é devolvido à população comum, comouma casca vazia, para começar todo o ciclo de novo — a não ser que tenha aprendido as lições dasdívidas. Será que tantos de nós realmente deixamos de ser aspirantes à liber- dade e nos transformamos emmeras vacas ordenhadas pelas emo- ções? O que você acha? Muitos estrangeiros se admiram ao descobrir que não ensinamos a pouparnem investir em nossas escolas públicas. Se não aprendermos com nossospais, onde iremos aprender? A maioria, desconfio, é autodidata — em geral,depois de perceber que o que fazem não funciona. Outros jamais aprenderão. As pesquisas demonstram que as crianças norte-americanas estão atrás dascrianças de muitos países desenvolvidos em matemática, ciências e leitura, massão as primeiras a acreditar que são as melhores do mundo. A auto-estimanão-merecida é quase igual aos empréstimos ao consumidor — um dia aconta vence. Não seria melhor se Johnny soubesse mesmo ler e fazer cálculos,em vez de apenas achar que sabe? A auto-estima de Johnny não vai aumentarno longo prazo se ele basear suas suposições em fatos concretos, e não em
  39. 39. impressões? O futuro financeiro de Johnny não seria melhor se ele entendessetodas as conseqüências de seus gastos? Não deveríamos ensinar nossos filhos aconstruir um sólido alicerce financeiro, em vez de criar uma ilusão de abas-tança sustentada pelo crédito ao consumidor?Posso adiantar a fita?Soren Kierkegaard escreveu: "A vida só pode ser entendida em retrocesso;mas precisa ser vivida para a frente." Ah, entendi o problema. Será que vale apena ter o trabalho de elaborar um plano Econo-sábio? Só é possívelresponder a esta pergunta projetando-se para a frente e olhando para trás. Vamos supor que você tivesse o seu futuro gravado numa fita e pudesseadiantá-la para ver se todo seu trabalho valerá a pena. Posso dar uma dica? Senão mudar seu modo de pensar e agir agora, seu futuro financeiro será mais oumenos igual ao que é hoje. Mas, se tomar providências agora, poderá alterar ofinal. Não devemos esquecer o dito popular: "Terminou a tempo porquecomeçou a tempo." Comece já. Só uma mudança agora pode alterar o finalda fita. Seu maior investimento deve ser no futuro. Seu futuro é enriquecido peloconhecimento aplicado de sua taxa de consumo da aposentadoria, daeducação, de leituras e de estudos. O desejo definido de ter determinadofuturo deve estar no centro do seu plano. Sempre tememos encarar a verdade acerca de nossa carreira e de nossasambições em razão do esforço que será necessário para superar asconseqüências das dívidas. É mais fácil manter o status quo do que lutar pelossonhos. Você consegue mudar sua carreira ou seguir seus sonhos? Ou estáescravizado pelas dívidas ruins? As dívidas transformam todos nós emcovardes.De que lhe adianta viver na miséria?Às vezes ouço: "Isso é trabalho demais! Quem quer gastar o tempo planejando epensando, poupando e aprendendo a investir?" Jim Rohn caçoa com estaafirmação: "Ei, depois de chegar em casa, tomar umas cervejas, ver um pouco detelevisão, não tenho tempo pra estudar, aprender—ler!" O sr. Rohn, incrédulo,acrescenta: "E ele ainda quer saber por que vive duro?"
  40. 40. A inatividade vai levá-lo ao esgotamento! Vou fazer uma pergunta: você consegue descansar estando quebrado? Paraa maioria de nós, ser pobre é mais cansativo do que percorrer o caminho dariqueza. E o caminho da prosperidade é muito menos deprimente. Se vocêtem vontade de melhorar sua sorte, não esqueça que a inatividade vai levá-loao esgotamento!Dívidas boas x dívidas ruinsPodemos perceber as diferenças entre as dívidas boas e as dívidas ruins como asdiferenças entre o colesterol bom e o colesterol ruim. Os médicos nos dizemque precisamos de certa quantidade de colesterol bom, e que o excesso decolesterol ruim pode nos matar. Podemos comparar o colesterol ruim — LDL (lipoproteínas de baixadensidade) — às dívidas ruins, que são as dívidas que entopem as artérias. Ocolesterol bom — HDL (lipoproteínas de alta densidade) — tem semelhançacom as dívidas boas, que limpam as artérias e nos mantêm financeiramentesaudáveis. Uma parte dessa limpeza das artérias financeiras é o aumento do fluxo de caixa(sangue). Sempre achei que a minha meta devia ser colesterol 0. Não é assim. 11 Sea taxa de HDL estiver abaixo de 35, há risco para a saúde. A taxa total deHDL deve estar entre 40 e 50, e até 70 ou 80 pode, de fato, proteger contravárias doenças. Da mesma maneira, algumas pessoas acham que zero dívidas é o melhor.Parece bom, não? Mas zero dívidas também significa crescimento zero ou,no máximo, um índice baixo de crescimento. Talvez possamos aprender como exemplo do HDL. Se é preciso ter um pouco de HDL para manter asaúde física, vamos chegar à conclusão de que é preciso ter algumasdívidas boas para ser financeiramente saudável. A definição de dívidas boas é semelhante à do colesterol bom. Elemantém limpas as artérias. As dívidas boas mantêm o fluxo de caixa
  41. 41. suave e as reservas crescentes. Ao ler as definições, repare que a dívida boaé uma dívida de bens que produzem retorno acima do custo. São dívidas debens que geram um fluxo de caixa superior ao do custo da dívida. Nãoé a dívida que mata. Não esqueça: quando você usa a dívida para pagaralgo, não é um pagamento completo, mas apenas uma antecipação deseus ganhos futuros.DIVIDAS BOAS DIVIDAS RUINS• São auto-sustentáveis • São tipicamente para consumo• Aumentam o patrimônio líquido ou o • Reduzem o patrimônio líquido ou o fluxo de caixa fluxo de caixa• Garantem um retorno que pode ser • Exemplos: prestações de automóvel convertido em dinheiro ou patrimônio que roubam de seu plano de líquido previdência ou de suas reservas• Permitem o crescimento financeiro financeiras, dívidas contínuas de (saem 300 dólares, entram 400 dólares cartão de crédito, prestações de todo mês) móveis, prestações de objetos que se• Exemplos: crédito imobiliário com depreciam rapi damente, empréstimos um nível seguro de exposição, crédito para festas, casamentos ou férias educativo que possa gerar retorno de capital, dívida de algum negócio que você tenha competência para gerir Dívidas ruins. As dívidas ruins são dinheiro que devemos por bobagens,coisas que parecem essenciais mas não são, compulsões e outros consumismos.Um exemplo do que parece essencial mas não é são as altas prestações mensaisde um bom carro, sem um fluxo de caixa equivalente. É verdade que vocêprecisa de um carro, é um item essencial, mas não precisa de um carro quecorresponda a uma alta parcela de sua renda por mês. Veja o Capítulo 8("Como destruir sua vida"). Em geral, os cartões de crédito, a não ser quando totalmente pagos todos osmeses, são dívidas ruins. Boa parte da população paga a parcela mínima ounão paga tudo o que deve todo mês. É claro que precisamos de roupas, carros,máquinas de lavar, secadoras e muitos outros objetos de consumo que às vezescompramos financiados. As dívidas ruins costumam começar a acumularquando permitimos os gastos emocionais e não levamos em consideração asconseqüências. Sem um plano de gastos em ação e diretivas claras, acumulamosdívidas ruins rapidamente.
  42. 42. Crack de plásticoAs empresas de cartão de crédito, que parecem ter sido treinadas por traficantesde drogas, enviam cartões gratuitos aos universitários com limites de crédito,nos Estados Unidos, de 500 a 2 mil dólares para fisgar os novos clientes (asempresas assumem de imediato que os pais pagarão os gastos). É fácilenvolver-se em dívidas enormes de cartões de crédito. É fácil obter essescartões, que, com freqüência, são considerados objetos para gastosrecreativos. Eles chegam sem que você os tenha pedido — na verdade,quase sempre com um brinde só por assinar o contrato. Camisetas erevistas são brindes comuns nas universidades. Os cartões de crédito são ocrack do ramo do crédito ao consumidor. Muitas vítimas, depois de se viciarnesses cartões, procuram créditos mais altos quando o crédito de que dispu-nham é ameaçado de corte. Alguns passam dos cartões de crédito aempréstimos com garantia de imóveis ou de outros bens para alimentar ovício do crédito. Embora isso proporcione alívio temporário, muitos voltamrapidamente ao "consumo: Voltam rapidamente ao vício do "crack deplástico". Só que a solução de hipotecar a casa não está mais disponível. As empresas de cartão de crédito, que parecem ter sido treinadas por traficantes de drogas, enviam cartões gratuitos aos universitários (...) para fisgar os novos clientes. A embriaguez ou a sensação de poder do gasto sem receita vicia — é umhábito difícil de cortar. Alguns usuários chegam a freqüentar programas de12 passos como o Devedores Anônimos, e outros procuram ajuda nasdiversas empresas de aconselhamento financeiro. Muitos acabamcompletamente dependentes e têm de responder perante a lei. Emboraquebrar não seja crime, será bem caro o preço a pagar para livrá-lo de seusdemônios. Em muitos pedidos de empréstimo, empresas de proteção aocrédito informam a situação cadastral do cliente para a obtenção dosrecursos solicitados. Algumas financeiras ainda • farão negócio com você,mas um grande número delas, não. É o preço que se paga por ser ex-viciadoem créditos. Ainda bem que só estive num tribunal na qualidade de credor,tentando receber dinheiro. Posso dizer o seguinte: não é um lugaragradável. Infelizmente, muitos saem da bancarrota livres de dívidas, masnão do vício de viver além do que ganham.
  43. 43. Existe uso responsável de cartões de crédito? É claro que sim. Usados comresponsabilidade, podem ser um instrumento valioso e conveniente. Portarcartões de crédito é como portar uma arma oculta. Em mãos responsáveis,oferecem vantagens ao portador; nas mãos de tolos, são armas letais. Nacompanhia de emoções desenfreadas, os cartões de crédito podem estriparqualquer planejamento financeiro racional. Alguns artigos e estudos afirmam que os universitários nos EstadosUnidos se formam devendo, em média, 4.700 dólares a cartões de crédito e18.700 dólares em crédito educativo. Que lição aprenderam? Se afaculdade só abre o apetite dos jovens para as dívidas de consumo epara o estilo de vida dos Consumerati, seria mais seguro não fazer ,faculdade! Não me leve a mal. Vá para a faculdade, mas tome cuidado Ì como que aprende. Outra definição de dívida ruim é gastar e ficar com dívidas que alcancemos últimos 10 ou 20 por cento do seu salário mensal ou quinzenal. Issoparece ilógico para muita gente que diz: "Preciso gastar tudo o que ganhoporque não ganho o suficiente!" Para alguns, isso podeser verdade. Mas para a maioria dos leitores deste livro não é. Conheço genteque ganha 150 mil dólares por ano e está totalmente falida, sem uni centavo.Conheço outras pessoas, que jamais ganharam mais que 15 mil dólares porano e têm 150 mil dólares no banco, além de alguns imóveis de primeira. Vamostratar desse assunto em minúcias no Capítulo 3 ("Taxa de consumo"). O quevocê faria com todas as prestações de dívidas ruins que pagou nos últimos 10anos?ParadívidasExiste mais uma categoria, que chamo de paradívida ou "quase-dívida". É oefeito cumulativo de todos os gastos mensais não-essenciais. Uso o termoparadívida porque, embora não seja uma dívida de fato, tem efeito semelhante— o dinheiro vai embora. As paradívidas abarcam serviços como tevê paga,que em geral não envolvem contratos de longo prazo. São obrigações mensaisvoluntárias que podem ser canceladas a qualquer momento. Observe que sãodívidas de curto prazo. Dívida é sempre dívida.Morte por dívidaQuando alguém diz "Essas contas estão me matando!", pode estar mais perto daverdade do que imagina. As dívidas ruins podem gerar depósitos em suas
  44. 44. artérias de fluxo de caixa e, em pouco tempo, você pode ter um derramefinanceiro. A princípio, o fluxo de caixa fica apenas restrito, porém, mais cedo oumais tarde, seu fluxo de caixa reduzido gera problemas. A falta de oportunidadese a pressão alta das dívidas são os sintomas mais comuns, seguidos por apatia gerale fadiga financeira. Para algumas pessoas, o acúmulo de depósitos é tão graveque leva à morte financeira (falência). Para outras, um aviso oportuno é oinício da recuperação. Com uma dieta apropriada — orçamentos planejados e aadoção dos fundamentos dos gastos seguros —, talvez seja possível chegar àrecuperação total.DividabetesEmbora o acúmulo de dívidas ruins aumente as probabilidades de derramefinanceiro, urna dieta financeira pobre pode levar à dividabetes, que é maisgrave e pode acabar levando um credor a amputar-lhe um braço ou uma perna(leia com muita atenção as letrinhas pequenas do seu contrato de empréstimo).A dividabetes se manifesta como a incapacidade de reduzir e eliminar asdívidas em razão da insuficiência de fluxo de caixa ou insulina financeira. O quea maioria não sabe é que a dividabetes não apenas limita a capacidade deprocessar gastos e dívidas de consumo ricos em carboidratos e glicose; tambémafeta a capacidade de processar os gastos saudáveis. Regular e dirigir nossainsulina financeira ou fluxo de caixa é essencial para o condicionamentofinanceiro e para evitar a dividabetes. A dividabetes nasce da incapacidade doconsumidor de administrar com eficiência sua fonte de renda. Ser dividobesoconsiste apenas em má administração do dinheiro em razão de umacombinação de hábitos e ambiente propício. Como podemos permitir queisso aconteça? É simples. Não há problema enquanto não há problema. Sóvemos o problema muito tempo depois. O fluxo de caixa de hoje cuida dopresente, sem pensar no amanhã. O mal invisível de não incluir o futuro nosgastos fatalmente prepara o cenário de uma catástrofe. Para obter informaçõesa respeito de dividabetes, faça uma visita a www.debtabetes.org. A dividabetes tipo 1 presume que você já tenha nascido endividado. Nãochegamos ao mundo com as dívidas dos nossos pais, a não ser que levemosem conta a herança por eles deixada. Dividabetes tipo 2. Muito pior do que assumir um passivo familiar éherdar dos pais uma pobre higiene financeira. A dividabetes tipo 2 é,tipicamente, uma doença ambiental. A população que sofre de dividabetes e aquem me refiro tem a dividabetes tipo 2, cuja causa é a obesidade de dívidas
  45. 45. provenientes de maus hábitos financeiros e o acúmulo de dívidas ruins. Adividabetes tipo 2 também é conhecida como dividabetes dos adultos porque égerada por maus hábitos e não é hereditária. Para o tratamento da dividabetes não há pílula mágica — é preciso mudar oshábitos de gastos e de poupança para se recuperar. Se houvesse possibilidadede se criar uma pílula, eu recomendaria o nome de Meuplanolina. Talvez osefeitos colaterais fossem idéias claras e a vontade de elaborar um planoexeqüível para a sua vida. Dívidas boas. Por definição, as dívidas boas constroem o patrimônio. Suaevolução financeira será mais lenta sem as dívidas boas, embora,você talvez argumente, seja uma evolução muito mais segura. As dívidas boasdão um bom impulso à poupança e aumentam o patrimônio líquido por meio deinvestimentos sensatos. Essa oportunidade de evolução, contudo, apresenta orisco de uma oportunidade igual de perda. Os investimentos imprudentes,bem como confiar em outra pessoa para pensar em seu lugar, são fórmulaspara o desastre. As dívidas boas são dívidas de bens que proporcionam fluxo de caixaexcedente ao montante dos juros da dívida. Em geral, é uma quantia mensal.Por exemplo, se você fez um empréstimo para comprar um imóvel quepretende alugar, ou uma hipoteca a receber (em que outrem paga a você), e aquantia de receita excede razoavelmente os juros da dívida, isso é o que sechama dívida boa. O dinheiro que você empresta ou, mais especificamente, odinheiro que lhe devem também pode ser considerado dívida boa. Na verdade,eu não emprestaria dinheiro diretamente, em especial a amigos. O empréstimodireto é quando você entrega dinheiro a quem pede emprestado. É muito melhorinstruir-se e comprar títulos de renda fixa com garantias ou securitizados. Há muitas vantagens na compra de títulos securitizados. Uma delas é quevocê terá um histórico de pagamentos a avaliar. O que você compra, de fato, éa transferência do direito de receber a dívida. Eis o conhecimento básico: 1. Negociar a compra de um ativo que represente o fluxo de caixa da venda de um imóvel com garantia imobiliária (alienação fiduciária). 2. Investigar os dados do pagador, seguro e avaliação de seus bens. 3. Mandar um advogado competente fazer uma pesquisa completa de títulos e de dívidas. 4. Jamais comprar o ativo se hesitar em possuir a garantia ao preço da
  46. 46. transferência, mais os custos da execução e a perda de receita durante a execução. Onde encontrar títulos para comprar? Procure empresas securitizadorasou corretoras que efetuem a intermediação desses ativos com garantiaimobiliária. Se o comprador não pagar, o proprietário pode executar adívida contra o comprador e a propriedade. Vamos supor que nos últimoscinco anos você tenha poupado 15 por cento de sua receita e agora tenhamais de 50 mil dólares no banco à taxa de três por cento e gostaria de ter umrendimento maior (esses 50 mil dólares podem incluir também os seus fundosde aposentadoria). O sr. Vendedor pôs a casa à venda cinco anos atrás eaceitou uma oferta de 100 mil dólares. As condições eram as seguintes: o sr.Comprador pagaria 40 mil dólares em espécie (dinheiro recebido na venda dacasa anterior) e o sr. Vendedor faria uma hipoteca de 60 mil dólares a nove porcento de juros ao ano, com base em uma amortização de vinte anos e liqui-dação em 10 anos. O sr. Vendedor aceitou. Agora, cinco anos depois, ele querfazer sociedade com o cunhado e abrir uma loja de fotocópias. Ele quer, então,vender (transferir) à vista a hipoteca e a promissória. Eis a matemática dapromissória: N (número % Prestação Valor Valor futuroprestações) (índice) atual (pagamento final)240 (original) 9 $539,84 $60.000 $42.615180 (restantes) 9 $539,84 $53.224 $42.615 Se você comprar a cessão da hipoteca do sr. Vendedor* por 43 mil dólares,ganhará cerca de 15 por cento sobre o investimento e terá todo o dinheiro devolta em cinco anos. Há muitas variantes possíveis neste exemplo; publicareipelo menos mais três no site www.gooddebt.com. Acesse o link do capítulo"As conseqüências das dívidas" ("The Debt Effects") e, depois, em "Compraruma hipoteca" ("Buy a Mortgage"). Caso não tenha percebido, ter uma dívidasem ter dívida é um modo de enriquecer. Como esse exemplo usaria as dívidas boas? Suponhamos que você possacomprar a hipoteca citada por 43 mil dólares. O problema é que você só temcerca de 20 mil dólares para investir (talvez até menos). Além disso, vamosimaginar que você tenha investigado muito bem descobrindo que se trata deum negócio sólido. Peça um empréstimo dos 23 mil dólares restantes no bancoou em fonte particular com a garantia* O ideal é que se compre um título emitido por uma securitizadora. (N. do R. T)

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