ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                         17 de setembro de 2011Luís Alberto Casimiro (FLUP)                      l...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA             O século XVI conhece profundas mudanças• Atinge-se o Renascimento pleno (ao qual está...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA    No campo artístico registam-se acontecimentos importantes:• Os pintores conseguem a representa...
Pintura representando um espaço correctamente     perspetivado:      NOÇÃO DETRIDIMENSIONALIDADE                   Anuncia...
Pranto sobre Cristo morto - Andrea Mantegna (c. 1490)
Teto da Capela Sistina - Miguel Ângelo (1508-1512)
Glorificação de Urbano VIII - Pietro da Cortona (1633-1639) Roma, Palácio Barberini
Pietà – Miguel Ângelo (1499)
Pietà – Miguel Ângelo (pormenores)
Pietà – Miguel Ângelo(pormenores)
MoisésMiguel Ângelo (c. 1514-1516)
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                 ANALISE DE OBRAS DE ARTE1- ANÁLISE ARTÍSTICA     (Composição, perspetiva, formas,...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                   1- ANÁLISE ARTÍSTICACOMPOSIÇÃO  • Composição simétrica  • Composição assimétric...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                  1- ANÁLISE ARTÍSTICA• COMPOSIÇÕES ORGANIZADAS PELA LINHA RECTA:      - HORIZONTA...
Composição      simétricaSenhora com o Menino e             dois Santos Andrea del Sarto (1517)
Composição linearÚltima Ceia – Andrea del Castagno (c. 1447)    Florença, refeitório de Santa Apolónia
Composição linear   Última Ceia – Andrea del Castagno (c. 1447)Florença, refeitório do convento de Santa Apolónia
ComposiçãoTriangular Virgem com o Menino e S.            João Baptista            Rafael Sanzio
Senhora e o Menino, Giovanni Belinni
ComposiçãoCircular             Sagrada Família, Miguel Ângelo
Dinamismo dalinha oblíqua          Noli me tangere      Correggio (c. 1525) Madrid, Museo del Prado
Dinamismo daslinhas curvas eem forma de «S»                  O Rapto das filhas de Leucipo – Peter Paul Rubens
Composição em          «Y»  Descimento da Cruz   Peter Paul Rubens
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                 1- ANÁLISE ARTÍSTICADESTACAMOS COMPOSIÇÕES QUE ATENDEM A CRITÉRIOS DEPROPORÇÕES: ...
USANDO O PONTO DE OURO                                      F                Ponto de Ouro F                              ...
FF                       F        Ponto de Ouro    F
DIFERENTES LOCALIZAÇÕES DO PONTO DE OURO
DIFERENTES LOCALIZAÇÕES DO PONTO DE OURO
Velázquez
Rembrandt
A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) – Londres, Courtland Institutes Galleries
Narciso e Eco – John William Waterhouse
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                   1- ANÁLISE ARTÍSTICAPERSPETIVA     Do latim item perspectiva que significa “olh...
Paolo Uccello - Batalha de S. Romão (c. 1450)
Paolo Uccello – A caça (c. 1465-70)
Paolo Uccello – Milagre da Hóstia profanada (1465-69) predela
PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 1 ponto de fuga
PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 2 pontos de fuga
PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 3 pontos de fuga
Um ponto de fuga                   Aplicação prática
Dois pontos de fugaAplicação prática
Três pontos de fuga             Aplicação prática
Variantes da construção utilizando 3 pontos de fuga
PERSPETIVA ESPACIAL / AÉREA
AnunciaçãoLeonardo da Vinci (1472-1475)
Mona LisaLeonardo da Vinci     (1503-1506)
A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) – Londres, Courtland Institutes Galleries
Banhistas em Asnières - Georges Seurat (1884) – Londres, National Gallery
CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO EM PERSPETIVA              Segundo Leon Battista Alberti (1435)   1: O artista deve desenhar o plano ...
Alberti propôs um método auxiliar para desenhar as linhas horizontais:                   2: Construção da vista de perfil ...
3: Justaposição dos dois esquemas anterioresLinha do Horizonte                   Plano da pintura       Vista em perspetiv...
Processo simplificado para o desenho em perspetiva: usando                   os pontos de distância        Jean Pélerin (V...
Usando este processo é possível desenhar um espaço em     perspetiva e conhecer as dimensões dos objectos                 ...
Leonardo da Vinci – Estudo para a Epifania (c. 1481)
Estrutura arquitectónica desenhada em perspetiva com base no esquema anterior            Jan Vredeman de Vries - Livro de ...
Estruturas arquitectónicas desenhadas em perspetivaJan Vredeman de Vries - Livro de Perspectiva (1604-1605)
F3    Rectângulo de Ouro e                F2      Ponto de Fuga (F1)                F1Anunciação – Mestre da Sé de Viseu (...
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ICONOGRAFIA QUINHENTISTA   1- ANÁLISE ARTÍSTICA                   TRATAMENTO DA                   LUZ                   Ma...
A Ceia de Emaús – Caravaggio (c. 1596-1602)
Movimento (linhas curvas e serpenteantes)Moisés defendendo as filhas de JetroRosso Fiorentino (1523-24)
Movimento (linhas      diagonais)O anjo aparece a S. Roque     Gaspar Dias (c. 1584)
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                 ANALISE DE OBRAS DE ARTE2- ANÁLISE ICONOGRÁFICA     (Aplicação do Método Iconográ...
ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA                  Origem, definição e objetivos• O termo ICONOGRAFIA tem origem nas palavras grega...
ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA                 Origem, definição e objetivos• Em sintese, podemos dizer que a ICONOGRAFIA é a ci...
ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA                 Origem, definição e objetivos• O termo ICONOLOGIA tem origem no grego «eikón» (im...
Exemplificando:Papel da ICONOGRAFIA: identificar o tema, as personagens, omomento representado e o contexto em que ocorre ...
ANÁLISE ICONOGRÁFICA     MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY:               Pressupõe 3 níveis de significado1- Nível Pr...
O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY1- Nível Pré-Iconográfico (significado primário ou natural)• Nesta fase é feito um ...
1- Nível Pré-Iconográfico
1- Nível Pré-Iconográfico
1- Nível Iconográfico
O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY2- Nível Iconográfico (significado secundário ou convencional)• Esta 2ª etapa consi...
2- Nível Iconográfico Última Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Identifica-se o tema, o autor, as personagens, o momento ...
2- Nível Iconográfico                                                                                                     ...
Estudos de Leonardo para a Última Ceia
Estudos das personagens para a Última Ceia
2- Nível IconográficoVénus e Marte - Andrea Mantegna (1497)
ASPETOS A TER EM CONTA:• À primeira vista trata-se deum grupo de deuses daAntiguidade• Marte e Vénus estão de pé,diante de...
2- Nível IconográficoASPETOS A TER EM CONTAOs elementos simbólicos e asua mensagem:Alusão às Vaidades da VidaHumana: tudo ...
O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY3- Nível Iconológico (significado intrínseco ou conteúdo)• De início, Panofsky desi...
O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY3- Nível Iconológico (significado intrínseco ou conteúdo)Na sua plena aplicação per...
3- Nível Iconológico                 Última Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Papel da ICONOLOGIA: explicar o significad...
Última Ceia (1495-1498) - Leonardo da VinciRefeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
Planta do complexo do Convento de Santa Maria delle Grazie – Milão                Esquema geométrico do refeitório
Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
Crucifixão (1495) - Giovanni Donato da MontorfanoRefeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie - Milão
3- Nível IconológicoVénus e Marte - Andrea Mantegna (1497)
3- Nível Iconológico• A cena contém, apenas,personagens mitológicas,mas não tem equivalente naAntiguidade• Haverá, pois, u...
• Isabel d’Este, esposa de Gian Francesco Gonzaga, encomendouesta pintura a Andrea Mantegna para decorar um gabinete priva...
Isabel d’Este, era uma mulher:• Erudita• Dedicada à leitura de textos latinos• Amante da música e da dança• Possuidora de ...
• Francesco Gonzaga, como militar, surge representado com os traçosde Marte e a sua esposa como Vénus, mas uma Vénus virtu...
• O casal aparece rodeado de frutos e flores de carácter simbólico:murta (flor de Vénus) marmelos e limões (associados ao ...
A presença de Pégaso e deMercúrio estão associados àrepresentação da constelaçãoe do planeta que presidiramao casamento do...
• Assim, a pintura, além de ser uma representação alegórica da corteque confere aos príncipes uma aparência divina, aprese...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                  Episódios mais representadosRELIGIOSOS:  • Temática veterotestamentária     • Te...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA                    Episódios mais representadosPROFANOS:  • Mitologia        • Natureza-Morta    ...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTATEMAS RELIGIOSOS: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES                   (Textos Bíblicos ou afins)• Bíblia Sa...
TEMAS RELIGIOSOS: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES• Vita Christi de Ludolfo de Saxónia• Speculum humanae Salvationis (Ludolfo de S...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO           Episódios representados com mais frequência:Ciclo do Nascimento de Jes...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO            Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Infância de Jesu...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO           Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Vida pública de J...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO           Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Paixão de Jesus C...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO           Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Paixão de Jesus C...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO            Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Ressurreição e G...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO            Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Ressurreição e G...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DA VIRGEM MARIA         Episódios representados com mais frequência:- Encontro de Joaquim e Ana ...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DA VIRGEM MARIA           Outros temas representando a Virgem Maria:- Pentecostes- Imaculada Con...
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA:         A IMPORTÂNCIA DAS FONTES: EXEMPLOS  Apresentação da Virgem no Templo de Jerusalém       ...
APRESENTAÇÃO DA VIRGEM NO TEMPLO       (Fonte Apócrifa)                 Ticiano (1534-1538)
Vestes sacerdotais compeitoral e tintinábulos, ver:       Ex 28, 17-20
Apresemtação da Virgem no Templo - Cima da Conegliano (c. 1500) – 15 degraus
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA:                  A IMPORTÂNCIA DAS FONTES                               ANUNCIAÇÃO              ...
Anunciação no Poço / Fonte (mosaico)
Anunciação no Poço / Fonte (Ícone)
Presença de objetos retirados dos Evangelhos ApócrifosAnunciaçãoGregório Lopes(c. 1531-1540)
Presença deobjetosretirados dosEvangelhosApócrifos      Mestre de Abrantes          (c. 1548-1550)
Presença dosarcos e do«baldaquino»  Duccio
Presença do «baldaquino»Spinello Aretino
Jorge Afonso (atr.)(c. 1515)
Fra Angelico
Fernão Gomes (c. 1594)
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA:                A IMPORTÂNCIA DAS FONTES                   Adoração dos Reis Magos- Evangelhos Ca...
Evangelho de Pseudo-Mateus – Cap. XVI, 1-2:       “Cada um ofereceu uma moeda de ouro ao Menino”Evangelho Arménio da Infân...
Adoração dos Reis MagosMestre da Sé de Viseu(c. 1502-1505)
Adoração dos Reis MagosVicente Gil e Manuel Vicente(início séc. XVI)
Adoração dos Reis MagosPintor desconhecido (c. 1530)Torres Vedras - MuseuMunicipal
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA:                 A IMPORTÂNCIA DAS FONTES                      Fuga para o EgiptoFonte Bíblica:Mt...
Gregório Lopes (c. 1527)
Ev. Pseudo Mateus XX         Gregório Lopes               (c. 1530)
Ev Pseudo Mateus XXIIEv. Árabe da Infância X, 2   Esc. Luso-Flamenga,   (c. 1500)
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA:       IMPORTÂNCIA DAS FONTES GRÁFICASAscenção de Jesus - Biblia Pauperum
Ascenção de JesusMestre Sé Viseu (c. 1502-1505)
Ascenção de JesusVicente Gil e Manuel Vicente(Início séc. XVI)
Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda –                  Arouca (finais do século XV)Oração de Jesus...
Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda –                    Arouca (finais do século XV)Cristo a cami...
Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda –                 Arouca (finais do século XV)   Apresentação ...
Flos Sanctorum de 1513        fol. 44v
Flos Sanctorum de 1513        fol. 3v
Flos Sanctorum de 1513        fol. 6v
Flos Sanctorum de 1513         fol. 7
Flos Sanctorum de 1513        fol. 7v
Flos Sanctorum de 1513         fol. 8
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: TRATADOS         DECRETOS DO CONCÍLIO DE TRENTO E OS                TRATADOS PÓS TRIDENTINOS    ...
TRATADOS ARTÍSTICOS PÓS-TRIDENTINOS• ANDREA GILIO - Dialogo degli errori e degli abusi de’Pittori circa l’Istoria (1564)• ...
Antes de Trento: a Virgem desmaiada é sustentada por João e as santas mulheres                       Crucifixão - Agnolo G...
Descimento da Cruz - Roger van der Weyden (c. 1435)
CrucifixãoEscola de Viseu(c. 1520-1530)
CrucifixãoVasco Fernandes(c. 1530-1535)
Mesmo depois doConcílio de Trento, ospintores não seguem asnormas definidas emque, segundo os textosBíblicos a Virgemdever...
ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO6- Representações da Santíssima Trindade      - Trindade Terrena e Trindade Divin...
A Trindade Celeste e a Trindade Terrena          Hieromimus Wierix (séc. XVI)
Bartolomé Esteban Murillo(1675-82)
TRINDADE DOLOROSAColijn de Coter (séc. XVI)
El Greco (1577)
TRINDADE «PATERNITAS»                        Mestre desc.                        (Icone)
Bíblia Iluminada (séc. XII)
TRINDADE «TRONO DA GRAÇA»                  Fundamentação Bíblica:                  (Carta aos Hebreus 4, 16)              ...
Albrecht Dürer (1511) (porm.)
TRINDADE TRIUNFANTE Garcia Fernandes
Francisco Venegas(c. 1570)
ICONOGRAFIA QUINHENTISTA     FINAIS DO SÉCULO XVI:BARROCO ITALIANO (Contra-Reforma)   PINTURA NÓRDICA (Reforma)
O BARROCO ITALIANOGlorificação de Urbano VIII - Pietro da Cortona (1633-1639) Roma, Palácio Barberini
O papel de Santo Inácio na expansão do nome de Deus no mundo (Apoteose de Santo Inácio)            Andrea Pozzo (1691-1694...
A PINTURA NÓRDICA:O contraste nas técnicase nos temas                    Retrato de Dama nobre - Barthel Bruyn, o Velho (1...
Retrato de Nobre - Barthel Bruyn, o Velho (1531)
Natureza-morta (Vanitas)Barthel Bruyn, o Velho (1542)
Caveira num nichoBarthel Bruyn (c. 1515)
Vanitas - Pieter Claesz (1630)
Vanitas - Pieter Claesz (1630)
Vanitas com esfera de vidro – Pieter Claesz (c. 1630)
Vanitas – Harmen Steenwyck (c. 1645)
Natureza-morta com queijo e fruta - Floris Claesz Van Dyck (1615-20)
Natureza-morta com Instrumentos musicais - Claesz Pieter (1623)
Natureza-Morta: mesa posta - Willem Claesz Heda (1635)
A LeiteiraJan Vermeer (1660)
Guilda dos Ourives de Amsterdam – Thomas de Keyser (1627)
A Companhia do Capitão Reyner Reael - Frans Hals e Pieter Codde (1637)
Banquete dos Oficiais - Bartholomeus van der Helst (1648)
O MÉTODO GEOMÉTRICO• O Método Geométrico é um complemento do Método Iconográfico.Enquanto este nos descreve e explica o si...
O MÉTODO GEOMÉTRICORecorre a «ferramentas» próprias das ciências exatas:1- Leis da perspetiva linear2- Construção do «marc...
O Método Iconográficonão dá resposta a muitasquestões.Exemplo:Porque a pomba doEspírito Santo seencontra naquele lugar?   ...
O Método Geométricojustifica a localização dapomba do Espírito Santo:A estrutura geométricaconsiste num quadradosobrepujad...
O Método Iconográfico não explica ocorte do medalhão do lado esquerdocom a figura de Adão   Anunciação   Vasco Fernandes  ...
O Método Geométrico permitiudescobrir um corte de 6 cmefectuado do lado esquerdo o queseria suficiente para arepresentação...
AVANÇANDO UMPOUCO MAIS…O MetodoGeométrico permiteverificar a diferençaentre o espaçopictórico e o espaçoreal              ...
Espaço pictórico                          Espaço real                                                              Virgem ...
Do método de Piero dellaFrancesca selecionámos o                                                  Ponto de fuga   CUBO PER...
Exemplificando - usando o processo do cubo de PieroEstrutura arquitectónica em perspetiva...   … e a sua projeção horizont...
A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO• O Anjo Gabriel parece estar diante da porta e da Virgem Maria• O espaço onde se encontram as ...
CONSTRUÍNDO A VISTA SUPERIOR E COMPARANDO-A               COM A PINTURA:                                            Espaço...
O ESPAÇO REAL• O Anjo não estácolocado directamenteà frente da VirgemMaria nem diante daporta.• As personagensestão no int...
A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO   Anunciação - Sandro Botticelli (c. 1490)
A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO• O Anjo Gabriel parece estar posicionado diante da Virgem Maria e dianteda entrada (que parece...
CONSTRUÍNDO A VISTA SUPERIOR E COMPARANDO-A               COM A PINTURA:                                            Espaço...
O ESPAÇO REAL:• O Anjo Gabriel não está àfrente da Virgem Marianem diante da porta• O compartimento é maisprofundo do quea...
• Motivos para estas opções dos pintores?• Nada disto seria perceptível se não fosse analisado             em termos geomé...
Uma interacção que permite compreender melhor as    pinturas e os segredos que elas encerram         ENDEREÇO ELETRÓNICO D...
Iconografia quinhentista
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Iconografia quinhentista

  1. 1. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 17 de setembro de 2011Luís Alberto Casimiro (FLUP) luis.casimiro@sapo.pt
  2. 2. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA O século XVI conhece profundas mudanças• Atinge-se o Renascimento pleno (ao qual está associado o conceitode Humanismo e Antropocentrismo)• Surgem diversos tratados graças ao desenvolvimento do espíritocientífico• Dá-se a Reforma Protestante (1517)• A Igreja responde através do Concílio de Trento (1545-1563).
  3. 3. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA No campo artístico registam-se acontecimentos importantes:• Os pintores conseguem a representação perfeita do espaço emperspetiva, criando a ilusão da 3ª dimensão• O realismo das obras é levado a um extremo (parece haver umadisputa com a própria natureza)• A escultura autonomiza-se face à arquitetura• O conhecimento anatómico e o domínio técnico traduzem-se naperfeição das formas humanas como nunca antes se observara• A Europa protestante e a Europa católica seguem caminhosdiferentes no campo artístico• O Renascimento dá lugar a outras expressões plásticas.
  4. 4. Pintura representando um espaço correctamente perspetivado: NOÇÃO DETRIDIMENSIONALIDADE Anunciação Carlo Crivelli (c.1486)
  5. 5. Pranto sobre Cristo morto - Andrea Mantegna (c. 1490)
  6. 6. Teto da Capela Sistina - Miguel Ângelo (1508-1512)
  7. 7. Glorificação de Urbano VIII - Pietro da Cortona (1633-1639) Roma, Palácio Barberini
  8. 8. Pietà – Miguel Ângelo (1499)
  9. 9. Pietà – Miguel Ângelo (pormenores)
  10. 10. Pietà – Miguel Ângelo(pormenores)
  11. 11. MoisésMiguel Ângelo (c. 1514-1516)
  12. 12. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA ANALISE DE OBRAS DE ARTE1- ANÁLISE ARTÍSTICA (Composição, perspetiva, formas, luz, cor, movimento, volume…)2- ANÁLISE ICONOGRÁFICA (Aplicação do Método Iconográfico de Erwin Panofsky)
  13. 13. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANÁLISE ARTÍSTICACOMPOSIÇÃO • Composição simétrica • Composição assimétrica • Composição fechada (centrípeta) • Composição aberta (centrífuga) • Composição segundo critérios geométricos: (Linear, Curvilínea, Piramidal, Triangular, Circular, Oval, Rectangular … em forma de carateres tipográficos: C - J - L - S - Z - Y ...)
  14. 14. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANÁLISE ARTÍSTICA• COMPOSIÇÕES ORGANIZADAS PELA LINHA RECTA: - HORIZONTAL (estabilidade, descanso, paz) - VERTICAL (segurança, força, ascensão, espiritualidade) - DIAGONAL (dinamismo, maior expressão dramática)• COMPOSIÇÕES ORGANIZADAS PELA LINHA CURVA: - Implicam graciosidade e movimento - Podem estruturar-se em espiral ou - Através de curvas e contracurvas em forma de «S»
  15. 15. Composição simétricaSenhora com o Menino e dois Santos Andrea del Sarto (1517)
  16. 16. Composição linearÚltima Ceia – Andrea del Castagno (c. 1447) Florença, refeitório de Santa Apolónia
  17. 17. Composição linear Última Ceia – Andrea del Castagno (c. 1447)Florença, refeitório do convento de Santa Apolónia
  18. 18. ComposiçãoTriangular Virgem com o Menino e S. João Baptista Rafael Sanzio
  19. 19. Senhora e o Menino, Giovanni Belinni
  20. 20. ComposiçãoCircular Sagrada Família, Miguel Ângelo
  21. 21. Dinamismo dalinha oblíqua Noli me tangere Correggio (c. 1525) Madrid, Museo del Prado
  22. 22. Dinamismo daslinhas curvas eem forma de «S» O Rapto das filhas de Leucipo – Peter Paul Rubens
  23. 23. Composição em «Y» Descimento da Cruz Peter Paul Rubens
  24. 24. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANÁLISE ARTÍSTICADESTACAMOS COMPOSIÇÕES QUE ATENDEM A CRITÉRIOS DEPROPORÇÕES: - A SECÇÃO ÁUREA (TAMBÉM CONHECIDA POR DIVINA PROPORÇÃO OU REGRA DE OURO) - O RECTÂNGULO DE OURO E O PONTO DE OURO
  25. 25. USANDO O PONTO DE OURO F Ponto de Ouro F F FPONTO DE OURO :Ponto que resulta do cruzamento das linhas que unem a Secção Áurea dos lados maiores e menores
  26. 26. FF F Ponto de Ouro F
  27. 27. DIFERENTES LOCALIZAÇÕES DO PONTO DE OURO
  28. 28. DIFERENTES LOCALIZAÇÕES DO PONTO DE OURO
  29. 29. Velázquez
  30. 30. Rembrandt
  31. 31. A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) – Londres, Courtland Institutes Galleries
  32. 32. Narciso e Eco – John William Waterhouse
  33. 33. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANÁLISE ARTÍSTICAPERSPETIVA Do latim item perspectiva que significa “olhar através” Ou do latim perspicere que significa “ver claramente” Conjunto de procedimentos que permitem representar numasuperfície plana (2D) o que na verdade existe na realidade (3D)dando a ilusão de profundidade (perspectiva linear e perspectiva espacial)
  34. 34. Paolo Uccello - Batalha de S. Romão (c. 1450)
  35. 35. Paolo Uccello – A caça (c. 1465-70)
  36. 36. Paolo Uccello – Milagre da Hóstia profanada (1465-69) predela
  37. 37. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 1 ponto de fuga
  38. 38. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 2 pontos de fuga
  39. 39. PERSPETIVA LINEARDesenho em perspetiva usando 3 pontos de fuga
  40. 40. Um ponto de fuga Aplicação prática
  41. 41. Dois pontos de fugaAplicação prática
  42. 42. Três pontos de fuga Aplicação prática
  43. 43. Variantes da construção utilizando 3 pontos de fuga
  44. 44. PERSPETIVA ESPACIAL / AÉREA
  45. 45. AnunciaçãoLeonardo da Vinci (1472-1475)
  46. 46. Mona LisaLeonardo da Vinci (1503-1506)
  47. 47. A ponte de Courbevoie - Georges Seurat (1885) – Londres, Courtland Institutes Galleries
  48. 48. Banhistas em Asnières - Georges Seurat (1884) – Londres, National Gallery
  49. 49. CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO EM PERSPETIVA Segundo Leon Battista Alberti (1435) 1: O artista deve desenhar o plano do quadro, a linha do horizonte, o ponto de fuga e as linhas de fugaLinha do horizonte Ponto de fuga Linhas de fugaPlano do quadro Como desenhar as linhas horizontais ?
  50. 50. Alberti propôs um método auxiliar para desenhar as linhas horizontais: 2: Construção da vista de perfil Plano da pintura Observador Linha do Horizonte Pontos importantes do diagrama Vista lateral
  51. 51. 3: Justaposição dos dois esquemas anterioresLinha do Horizonte Plano da pintura Vista em perspetiva Vista lateral (pintura) Elementos da perspetiva segundo L. B. Alberti
  52. 52. Processo simplificado para o desenho em perspetiva: usando os pontos de distância Jean Pélerin (Viator): De Artificiali Perspectiva (1505)
  53. 53. Usando este processo é possível desenhar um espaço em perspetiva e conhecer as dimensões dos objectos Ponto de fuga Parede Objecto «3-D» PavimentoObjecto «3-D»
  54. 54. Leonardo da Vinci – Estudo para a Epifania (c. 1481)
  55. 55. Estrutura arquitectónica desenhada em perspetiva com base no esquema anterior Jan Vredeman de Vries - Livro de Perspectiva (1604-1605)
  56. 56. Estruturas arquitectónicas desenhadas em perspetivaJan Vredeman de Vries - Livro de Perspectiva (1604-1605)
  57. 57. F3 Rectângulo de Ouro e F2 Ponto de Fuga (F1) F1Anunciação – Mestre da Sé de Viseu (c. 1502 – 1505), Viseu – Museu de Grão Vasco
  58. 58. d dD1 PF D2 Verificação da corrcta construção da perspectiva utilizando os ponto de distância
  59. 59. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA 1- ANÁLISE ARTÍSTICA TRATAMENTO DA LUZ Marte e Vénus (1570) Louis Lagrenée
  60. 60. A Ceia de Emaús – Caravaggio (c. 1596-1602)
  61. 61. Movimento (linhas curvas e serpenteantes)Moisés defendendo as filhas de JetroRosso Fiorentino (1523-24)
  62. 62. Movimento (linhas diagonais)O anjo aparece a S. Roque Gaspar Dias (c. 1584)
  63. 63. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA ANALISE DE OBRAS DE ARTE2- ANÁLISE ICONOGRÁFICA (Aplicação do Método Iconográfico de Erwin Panofsky)
  64. 64. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA Origem, definição e objetivos• O termo ICONOGRAFIA tem origem nas palavras gregas «eikón»(imagem) e no termo «graphia» (escrita ou descrição)• Etimologicamente, significa «escrita ou descrição de imagens»• O objetivo da iconografia não é somente descrever as imagens,mas também classificar, analisar, identificar (interpretar), e tentarentendê-las dentro da cultura e da civilização da época a quepertencem.
  65. 65. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA Origem, definição e objetivos• Em sintese, podemos dizer que a ICONOGRAFIA é a ciência quepermite: Descrever Classificar Analisar Interpretar as imagens, procurando compreendê-las no contexto em que foram criadas, independentemente da sua qualidade ou do seu autor.
  66. 66. ICONOGRAFIA E ICONOLOGIA Origem, definição e objetivos• O termo ICONOLOGIA tem origem no grego «eikón» (imagem) eno sufixo «logia» (de «logos» = razão, pensamento, teoria), o quetraduz a ideia de estudo e supõe um processo interpretativo• A ICONOLOGIA procura atingir um nível de significado maisprofundo, interpretando o sentido último das imagens (explicar oporquê da sua existência num determinado contexto e lugar)• Este passo só se torna possível se conhecermos oencomendante, o local para onde foi realizada a obra e os motivosda sua encomenda.
  67. 67. Exemplificando:Papel da ICONOGRAFIA: identificar o tema, as personagens, omomento representado e o contexto em que ocorre o episódioPapel da ICONOLOGIA: explicar o significado último da obra de arteatendendo ao comitente (quem?), ao lugar para onde foi pensada(para onde? e porquê?).
  68. 68. ANÁLISE ICONOGRÁFICA MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY: Pressupõe 3 níveis de significado1- Nível Pré-Iconográfico (Significado primário ou natural)2- Nível Iconográfico (Significado secundário ou convencional)3- Nível Iconológico (Significado intrínseco ou conteúdo)
  69. 69. O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY1- Nível Pré-Iconográfico (significado primário ou natural)• Nesta fase é feito um reconhecimento da obra no sentido maiselementar, recorrendo à experiência prática• Descreve-se, em termos formais, o significado primário e naturalpresente na imagem que se observa.
  70. 70. 1- Nível Pré-Iconográfico
  71. 71. 1- Nível Pré-Iconográfico
  72. 72. 1- Nível Iconográfico
  73. 73. O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY2- Nível Iconográfico (significado secundário ou convencional)• Esta 2ª etapa consiste na análise iconográfica, propriamente dita, ou«iconografia em sentido estrito»• O objetivo é descobrir o conteúdo temático (o significadoconvencional da obra de arte)• Passa-se para o mundo do inteligível, sendo necessário recorrer àstradições culturais, às fontes literárias da época, ou de épocasanteriores, a símbolos, alegorias e personificações, para identificaruma figura ou um acontecimento.
  74. 74. 2- Nível Iconográfico Última Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Identifica-se o tema, o autor, as personagens, o momento representado e o contexto em que ocorre o episódio
  75. 75. 2- Nível Iconográfico Simão Zelote Judas Iscariotes Jesus Cristo Tiago Maior Judas Tadeu Tiago MenorBartolomeu Mateus Tomé Filipe André Pedro João Última Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Identificação das personagens com base nos estudos de Leonardo daVinci
  76. 76. Estudos de Leonardo para a Última Ceia
  77. 77. Estudos das personagens para a Última Ceia
  78. 78. 2- Nível IconográficoVénus e Marte - Andrea Mantegna (1497)
  79. 79. ASPETOS A TER EM CONTA:• À primeira vista trata-se deum grupo de deuses daAntiguidade• Marte e Vénus estão de pé,diante de um leito, sobre umarco formado por um rochedo• O Amor dispara umazarabatana para Vulcano quese encontra à esquerda, nasua forja• À direita, no primeiro plano, Mercúrio encontra-se acompanhado dePégaso, o cavalo alado• Ao centro do quadro, diante de Marte e Vénus dançam as nove musasao som da lira tangida por Apolo, que se encontra sentado sobre umtronco.
  80. 80. 2- Nível IconográficoASPETOS A TER EM CONTAOs elementos simbólicos e asua mensagem:Alusão às Vaidades da VidaHumana: tudo é transitório eefémero • A glória • O prazer • A riqueza Vanitas (1650) Simon Renard de Saint André
  81. 81. O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY3- Nível Iconológico (significado intrínseco ou conteúdo)• De início, Panofsky designa este nível como «iconografia emsentido mais profundo», ou «Iconografia interpretativa»• Mais tarde, vai classificá-lo como «Iconologia».
  82. 82. O MÉTODO ICONOGRÁFICO DE ERWIN PANOFSKY3- Nível Iconológico (significado intrínseco ou conteúdo)Na sua plena aplicação permite: • Interpretar a história representada • Compreender o significado dessa história no contexto em que foi criada.Isto pressupõe: • Conhecer o comitente • O local original para onde foi realizada • O programa iconográfico onde se inseria ...
  83. 83. 3- Nível Iconológico Última Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1498)Papel da ICONOLOGIA: explicar o significado último da obra de arteatendendo ao comitente (quem?), ao lugar para onde foi pensada(para onde? e porquê?).
  84. 84. Última Ceia (1495-1498) - Leonardo da VinciRefeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
  85. 85. Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
  86. 86. Planta do complexo do Convento de Santa Maria delle Grazie – Milão Esquema geométrico do refeitório
  87. 87. Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão
  88. 88. Crucifixão (1495) - Giovanni Donato da MontorfanoRefeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie - Milão
  89. 89. 3- Nível IconológicoVénus e Marte - Andrea Mantegna (1497)
  90. 90. 3- Nível Iconológico• A cena contém, apenas,personagens mitológicas,mas não tem equivalente naAntiguidade• Haverá, pois, um objetivo,um significado próprio queexplique esta associação?• Associar Marte, Vénus, Vulcano, Mercúrio, Pégaso, Apolo e as 9Musas obedece a intenções que se devem tentar compreender nodevido contexto histórico: finais do século XV, em Mântua, na cortedos Gonzaga.
  91. 91. • Isabel d’Este, esposa de Gian Francesco Gonzaga, encomendouesta pintura a Andrea Mantegna para decorar um gabinete privadodestinado à meditação e ao estudo• O objectivo destas obras era criar uma harmonia temática entre ogabinete, a sua decoração, as coleções que encerrava (por vezesmuito valiosas) e a identidade do seu proprietário• Para compreender a pintura é necessário remetê-la para o seuespaço original e relacioná-la com a sua proprietária e a coleção quepossuía e o projeto figurativo de que o quadro faz parte.
  92. 92. Isabel d’Este, era uma mulher:• Erudita• Dedicada à leitura de textos latinos• Amante da música e da dança• Possuidora de uma valiosa coleção de relevos antigos (destacava-seum sarcófago com figuras mitológicas)• Possuía estátuas de bronze, réplicas de originais (entre eles uma deApolo de Belvedere)Para acompanhar estas obras escolheu como mote da pintura um tema inspirado na Antiguidade, ao qual deu um sentido novo.
  93. 93. • Francesco Gonzaga, como militar, surge representado com os traçosde Marte e a sua esposa como Vénus, mas uma Vénus virtuosa,protectora das Artes como testemunha a presença das Musas quedançam aos pés do divino par• O infortúnio conjugal deVulcano está remetidopara segundo plano, embenefício de umarepresentação que faz deMarte e de Vénus os paisda Harmonia.
  94. 94. • O casal aparece rodeado de frutos e flores de carácter simbólico:murta (flor de Vénus) marmelos e limões (associados ao matrimónio)e o loureiro (associado às Musas)• As cores dos tecidos doleito, azul, vermelho e brancosão, respetivamente, ascores dos planetas Vénus,Marte e Mercúrio, assimcomo as das duas famílias: ade Este e a dos Gonzaga.
  95. 95. A presença de Pégaso e deMercúrio estão associados àrepresentação da constelaçãoe do planeta que presidiramao casamento dos noivos.
  96. 96. • Assim, a pintura, além de ser uma representação alegórica da corteque confere aos príncipes uma aparência divina, apresenta-se,também, como um sistema de referência múltiplas: • Um código de cores • Um código vegetal • Um código astrológico Que funcionam em paralelo e contribuem para especificar a identidade do par e as circunstâncias que envolvem a pintura SÍNTESE ICONOLÓGICA: A pintura, onde triunfa Marte e Vénus,constitui uma alegoria da corte de Mântua, para celebrar a união de Isabel d’Este com Gian Francesco Gonzaga.
  97. 97. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA Episódios mais representadosRELIGIOSOS: • Temática veterotestamentária • Temática Cristológica • Temática Mariana • Temática Hagiográfica
  98. 98. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA Episódios mais representadosPROFANOS: • Mitologia • Natureza-Morta • Retrato • Alegorias
  99. 99. ICONOGRAFIA QUINHENTISTATEMAS RELIGIOSOS: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES (Textos Bíblicos ou afins)• Bíblia Sagrada• Biblia Pauperum• Bíblia Moralizada• Apócrifos do Antigo Testamento• Evangelhos Apócrifos
  100. 100. TEMAS RELIGIOSOS: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES• Vita Christi de Ludolfo de Saxónia• Speculum humanae Salvationis (Ludolfo de Saxónia ?)• Revelationes de Santa Brígida• Biblia Pauperum• Hortus Deliciarum de Herrade de Hohenburg• Legenda Áurea de Jacopo da Varazze• Horae (Livros de Horas)• Flos Sanctorum
  101. 101. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo do Nascimento de Jesus Cristo: - Natividade - Adoração dos pastores - Adoração dos Reis Magos (Epifania)
  102. 102. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Infância de Jesus Cristo: - Apresentação de Jesus no Templo - Circuncisão - Fuga para o Egipto - Regresso do Egipto - Jesus entre os Doutores da Lei
  103. 103. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Vida pública de Jesus Cristo: - Baptismo - Bodas de Caná - Tentações no deserto - Vocação dos Apóstolos - Transfiguração - Pregação e Milagres
  104. 104. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Paixão de Jesus Cristo: - Entrada de Jesus em Jerusalém - Expulsão dos vendedores (Purificação do Templo) - Última Ceia - Oração de Jesus no Horto das Oliveiras (Agonia de Jesus) - Prisão de Jesus Cristo (Beijo de Judas) - Flagelação - Coroação de espinhos - Ecce Homo (cont.).
  105. 105. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Paixão de Jesus Cristo (cont.): - Senhor da Cana Verde (Varão das Dores) - Cristo a caminho do Calvário - Verónica limpa o rosto de Cristo - Jesus Cristo é pregado na Cruz - Crucifixão - Descimento da Cruz (Cristo é descido da Cruz) - Lamentação sobre Cristo Morto (Pranto sobre Cristo Morto) - «Pietá» - Jesus é deposto no sepulcro (Deposição no túmulo).
  106. 106. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Ressurreição e Glorificação de Jesus Cristo: - Ressurreição - Descida de Cristo ao Limbo - Aparições de Cristo ressuscitado: - À Virgem Maria - A Maria Madalena - Aos Apóstolos - Cristo e os discípulos de Emaús (Ceia de Emaús) - Incredulidade de Tomé.
  107. 107. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO Episódios representados com mais frequência:Ciclo da Ressurreição e Glorificação de Jesus Cristo: - Ascensão - Juízo Final (Jesus Senhor do Universo)Representações da Santíssima Trindade - Trindade Terrena e Trindade Divina - Trindade Dolorosa - Trindade «Paternitas» - Trindade «Trono da Graça» - Trindade Triunfante.
  108. 108. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DA VIRGEM MARIA Episódios representados com mais frequência:- Encontro de Joaquim e Ana na porta dourada de Jerusalém- Natividade da Virgem Maria- Apresentação da Virgem no templo de Jerusalém- Esponsais da Virgem Maria (Desposórios da Virgem Maria)- Anunciação do Senhor- Visita de Maria a Santa Isabel (Visitação)- Dormição (passamento ou morte) da Virgem Maria- Assunção de Maria ao Céu- Coroação da Virgem Maria.
  109. 109. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DA VIRGEM MARIA Outros temas representando a Virgem Maria:- Pentecostes- Imaculada Conceição- Virgem com o Menino - Virgem do Leite- Virgem da Misericórdia-…
  110. 110. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES: EXEMPLOS Apresentação da Virgem no Templo de Jerusalém Evangelhos Apócrifos• Proto-Evangelho de Tiago – Cap. VII• Evangelho de Pseudo-Mateus – Cap. IV• Evangelho da Natividade de Maria – Cap. VI.
  111. 111. APRESENTAÇÃO DA VIRGEM NO TEMPLO (Fonte Apócrifa) Ticiano (1534-1538)
  112. 112. Vestes sacerdotais compeitoral e tintinábulos, ver: Ex 28, 17-20
  113. 113. Apresemtação da Virgem no Templo - Cima da Conegliano (c. 1500) – 15 degraus
  114. 114. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES ANUNCIAÇÃO (Fonte Bíblica e Apócrifas)• Fonte Bíblica: Lc 1, 26-38• Fontes Apócrifas: Proto-Evangelho de Tiago – Cap. IX, 2 (na fonte)• Evangelho de Pseudo-Mateus – Cap. IX, 1-2 (1º na fonte; 2º em casa)• Evangelho Arménio da Infância – Cap. V, 2-3 (em 2 momentos)
  115. 115. Anunciação no Poço / Fonte (mosaico)
  116. 116. Anunciação no Poço / Fonte (Ícone)
  117. 117. Presença de objetos retirados dos Evangelhos ApócrifosAnunciaçãoGregório Lopes(c. 1531-1540)
  118. 118. Presença deobjetosretirados dosEvangelhosApócrifos Mestre de Abrantes (c. 1548-1550)
  119. 119. Presença dosarcos e do«baldaquino» Duccio
  120. 120. Presença do «baldaquino»Spinello Aretino
  121. 121. Jorge Afonso (atr.)(c. 1515)
  122. 122. Fra Angelico
  123. 123. Fernão Gomes (c. 1594)
  124. 124. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES Adoração dos Reis Magos- Evangelhos Canónicos: Mt 2, 1-12 - Evangelhos Apócrifos: - Evangelho de Pseudo-Mateus – Cap. XVI, 1-2 - Evangelho Arménio da Infância – Cap. XI, 1-3 - Livro Sobre a Infância do Salvador – nº 91-92
  125. 125. Evangelho de Pseudo-Mateus – Cap. XVI, 1-2: “Cada um ofereceu uma moeda de ouro ao Menino”Evangelho Arménio da Infância – Cap. XI, 1-3: “O primeiro era Melkon, rei dos persas; o segundoGaspar, rei dos índios; e o terceiro Baltazar, rei dos árabes. […]As tropas que os acompanhavam somavam doze mil homens”Livro sobre a infância do Salvador – nº 91-92: “[…] saudaram o Menino, depois puseram-se a adorá-lo[…] e cada um beijou o pé do Menino”
  126. 126. Adoração dos Reis MagosMestre da Sé de Viseu(c. 1502-1505)
  127. 127. Adoração dos Reis MagosVicente Gil e Manuel Vicente(início séc. XVI)
  128. 128. Adoração dos Reis MagosPintor desconhecido (c. 1530)Torres Vedras - MuseuMunicipal
  129. 129. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: A IMPORTÂNCIA DAS FONTES Fuga para o EgiptoFonte Bíblica:Mt 2, 13-16Fontes Apócrifas:Ev. Arménio da Infância, XVEv. Árabe da Infância, IXEv. Pseudo Mateus, XVII
  130. 130. Gregório Lopes (c. 1527)
  131. 131. Ev. Pseudo Mateus XX Gregório Lopes (c. 1530)
  132. 132. Ev Pseudo Mateus XXIIEv. Árabe da Infância X, 2 Esc. Luso-Flamenga, (c. 1500)
  133. 133. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: IMPORTÂNCIA DAS FONTES GRÁFICASAscenção de Jesus - Biblia Pauperum
  134. 134. Ascenção de JesusMestre Sé Viseu (c. 1502-1505)
  135. 135. Ascenção de JesusVicente Gil e Manuel Vicente(Início séc. XVI)
  136. 136. Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda – Arouca (finais do século XV)Oração de Jesus no Horto Flagelação Coroação de espinhos (finais séc. XV) (finais séc. XV) (finais séc. XV)
  137. 137. Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda – Arouca (finais do século XV)Cristo a caminho do Calvário Crucifixão Cristo aparece a Maria (finais séc. XV) (finais séc. XV) Madalena (finais séc. XV)
  138. 138. Pinturas do Museu da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda – Arouca (finais do século XV) Apresentação de Jesus no Templo Missa de S. Gregório (finais séc. XV) (finais séc. XV)
  139. 139. Flos Sanctorum de 1513 fol. 44v
  140. 140. Flos Sanctorum de 1513 fol. 3v
  141. 141. Flos Sanctorum de 1513 fol. 6v
  142. 142. Flos Sanctorum de 1513 fol. 7
  143. 143. Flos Sanctorum de 1513 fol. 7v
  144. 144. Flos Sanctorum de 1513 fol. 8
  145. 145. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA: TRATADOS DECRETOS DO CONCÍLIO DE TRENTO E OS TRATADOS PÓS TRIDENTINOS CONCÍLIO DE TRENTO (13 de Dezembro de 1545 - 4 de Dezembro de 1563 Sessão XXV (Dezembro de 1563)O Purgatório/ A Invocação e Veneração das Sagradas Relíquias dos Santos e das Sagradas Imagens / Os Religiosos e as Monjas / AsIndulgências, a Mortificação, o Índice e o Lugar dos Embaixadores
  146. 146. TRATADOS ARTÍSTICOS PÓS-TRIDENTINOS• ANDREA GILIO - Dialogo degli errori e degli abusi de’Pittori circa l’Istoria (1564)• CASTELLANI – De imaginibus et miraculis sanctorum (1569)• CARLOS BORROMEO – Insctrutiones fabricae et supellectilis ecclesiasticae (1577)• GABRIELLE PALEOTTI – Discorso intorno alle imagini sacre e profane (1582)• JEAN MOLANUS – De picturis et imaginibus sacris (De historia SS. Imaginum et picturarum pro vero earum usu contra abusus, 1570)• JERÓNIMO NADAL – Evangelicae Historiae Imagines (1593)• FEDERICO BORROMEO – De Pictura Sacra (1625)• FRANCISCO PACHECO – Arte de la pintura, su antigüedad y grandezas (1649)• Fr. JUAN INTERIÁN DE AYALA - El Pintor cristiano y erudito (1730).
  147. 147. Antes de Trento: a Virgem desmaiada é sustentada por João e as santas mulheres Crucifixão - Agnolo Gaddi (c. 1396)
  148. 148. Descimento da Cruz - Roger van der Weyden (c. 1435)
  149. 149. CrucifixãoEscola de Viseu(c. 1520-1530)
  150. 150. CrucifixãoVasco Fernandes(c. 1530-1535)
  151. 151. Mesmo depois doConcílio de Trento, ospintores não seguem asnormas definidas emque, segundo os textosBíblicos a Virgemdeveria serrepresentada de pé.Nesta pintura continuadesmaiada e sustentadapor João e as santasmulheresCrucifixãoPaolo Veronese(c.1580)
  152. 152. ICONOGRAFIA DOS MISTÉRIOS DE JESUS CRISTO6- Representações da Santíssima Trindade - Trindade Terrena e Trindade Divina - Trindade Dolorosa - Trindade «Paternitas» - Trindade «Trono da Graça» - Trindade Triunfante.
  153. 153. A Trindade Celeste e a Trindade Terrena Hieromimus Wierix (séc. XVI)
  154. 154. Bartolomé Esteban Murillo(1675-82)
  155. 155. TRINDADE DOLOROSAColijn de Coter (séc. XVI)
  156. 156. El Greco (1577)
  157. 157. TRINDADE «PATERNITAS» Mestre desc. (Icone)
  158. 158. Bíblia Iluminada (séc. XII)
  159. 159. TRINDADE «TRONO DA GRAÇA» Fundamentação Bíblica: (Carta aos Hebreus 4, 16) Cristóvão de Figueiredo
  160. 160. Albrecht Dürer (1511) (porm.)
  161. 161. TRINDADE TRIUNFANTE Garcia Fernandes
  162. 162. Francisco Venegas(c. 1570)
  163. 163. ICONOGRAFIA QUINHENTISTA FINAIS DO SÉCULO XVI:BARROCO ITALIANO (Contra-Reforma) PINTURA NÓRDICA (Reforma)
  164. 164. O BARROCO ITALIANOGlorificação de Urbano VIII - Pietro da Cortona (1633-1639) Roma, Palácio Barberini
  165. 165. O papel de Santo Inácio na expansão do nome de Deus no mundo (Apoteose de Santo Inácio) Andrea Pozzo (1691-1694) – Roma, Igreja de Santo Inácio de Loiola
  166. 166. A PINTURA NÓRDICA:O contraste nas técnicase nos temas Retrato de Dama nobre - Barthel Bruyn, o Velho (1530-35)
  167. 167. Retrato de Nobre - Barthel Bruyn, o Velho (1531)
  168. 168. Natureza-morta (Vanitas)Barthel Bruyn, o Velho (1542)
  169. 169. Caveira num nichoBarthel Bruyn (c. 1515)
  170. 170. Vanitas - Pieter Claesz (1630)
  171. 171. Vanitas - Pieter Claesz (1630)
  172. 172. Vanitas com esfera de vidro – Pieter Claesz (c. 1630)
  173. 173. Vanitas – Harmen Steenwyck (c. 1645)
  174. 174. Natureza-morta com queijo e fruta - Floris Claesz Van Dyck (1615-20)
  175. 175. Natureza-morta com Instrumentos musicais - Claesz Pieter (1623)
  176. 176. Natureza-Morta: mesa posta - Willem Claesz Heda (1635)
  177. 177. A LeiteiraJan Vermeer (1660)
  178. 178. Guilda dos Ourives de Amsterdam – Thomas de Keyser (1627)
  179. 179. A Companhia do Capitão Reyner Reael - Frans Hals e Pieter Codde (1637)
  180. 180. Banquete dos Oficiais - Bartholomeus van der Helst (1648)
  181. 181. O MÉTODO GEOMÉTRICO• O Método Geométrico é um complemento do Método Iconográfico.Enquanto este nos descreve e explica o significado dos várioselementos, o Método Geométrico permite justificar • A sua localização • As suas proporções • A relação entre os vários elementos e mesmo conhecer as opções dos pintores quanto às dimensões da obra e as respectivas leis internas.
  182. 182. O MÉTODO GEOMÉTRICORecorre a «ferramentas» próprias das ciências exatas:1- Leis da perspetiva linear2- Construção do «marco» da pintura, determinação do «módulo»e suas divisões harmónicas3- Existência de formas geométricasO objetivo é conhecer o «esquema geométrico de composição»que esteve na génese estrutural da pintura e, assim, percebermelhor o pensamento original do pintor.
  183. 183. O Método Iconográficonão dá resposta a muitasquestões.Exemplo:Porque a pomba doEspírito Santo seencontra naquele lugar? Anunciação Jorge Afonso (atr.) (c. 1520-1525)
  184. 184. O Método Geométricojustifica a localização dapomba do Espírito Santo:A estrutura geométricaconsiste num quadradosobrepujado por dois«Rectângulos de Ouro».O centro do círculo estárelacionado com estasformas geométricas. Marco do Rectângulo e estrutura interna
  185. 185. O Método Iconográfico não explica ocorte do medalhão do lado esquerdocom a figura de Adão Anunciação Vasco Fernandes (c. 1506-1511)
  186. 186. O Método Geométrico permitiudescobrir um corte de 6 cmefectuado do lado esquerdo o queseria suficiente para arepresentação totoal do medalhão.Permite também perceber a relaçãoentre o círculo inscrito no quadrado:o divino que se inscreve nohumano, ou seja, a Incarnação doVerbo de Deus.(para detalhes ver a Tese no siteindicado no último slide). Marco do Rectângulo e estrutura interna
  187. 187. AVANÇANDO UMPOUCO MAIS…O MetodoGeométrico permiteverificar a diferençaentre o espaçopictórico e o espaçoreal Annunciação Francesco del Cossa (1470)
  188. 188. Espaço pictórico Espaço real Virgem Maria Coluna central Anjo Gabriel Caracol Annunciação - Francesco del Cossa Vista superior (por Loic Richalet)CONCLUSÃO: No espaço real o Anjo Gabriel não vê a Virgem Maria
  189. 189. Do método de Piero dellaFrancesca selecionámos o Ponto de fuga CUBO PERSPETIVO: Face superior(= vista em perspetiva) Face frontal (= vista superior)Adaptação pessoal do método de Piero della Francesca: duas vistas da mesma realidade : a Vista em Perspetiva e a Vista Superior
  190. 190. Exemplificando - usando o processo do cubo de PieroEstrutura arquitectónica em perspetiva... … e a sua projeção horizontal (Vredeman de Vries) (Vista superior)
  191. 191. A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO• O Anjo Gabriel parece estar diante da porta e da Virgem Maria• O espaço onde se encontram as personagens parece-nos ser rectangular• A cadeira parece estar colocado por detrás da Virgem Maria Anunciação - Bartolomeo della Gatta (c. 1500)
  192. 192. CONSTRUÍNDO A VISTA SUPERIOR E COMPARANDO-A COM A PINTURA: Espaço real Espaço pictórico AnunciaçãoBartolomeo della Gatta (c. 1500) Vista superior (ou projeção horizontal)
  193. 193. O ESPAÇO REAL• O Anjo não estácolocado directamenteà frente da VirgemMaria nem diante daporta.• As personagensestão no interior de umespaço quadrado• A cadeira não estápor detrás da VirgemMaria
  194. 194. A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO Anunciação - Sandro Botticelli (c. 1490)
  195. 195. A VISÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO• O Anjo Gabriel parece estar posicionado diante da Virgem Maria e dianteda entrada (que parece ser bastante ampla)• O espaço onde se encontram as personagens parece-nos ser bastantereduzido em profundidade• As colunas centrais parecem ter secção quadada Anunciação - Sandro Botticelli (c. 1490)
  196. 196. CONSTRUÍNDO A VISTA SUPERIOR E COMPARANDO-A COM A PINTURA: Espaço real Espaço pictórico Anunciação Sandro Botticelli (c. 1490) Vista superior (ou projeção horizontal)
  197. 197. O ESPAÇO REAL:• O Anjo Gabriel não está àfrente da Virgem Marianem diante da porta• O compartimento é maisprofundo do queaparentava ser• As quatro colunascentrais têm uma secçãorectangular• A porta é muito pequena• O Anjo só consegue ver aVirgem Maria através deum pequeno espaço entrea 2ª e a 3ª colunas.
  198. 198. • Motivos para estas opções dos pintores?• Nada disto seria perceptível se não fosse analisado em termos geométricos !!! • Conclusão?
  199. 199. Uma interacção que permite compreender melhor as pinturas e os segredos que elas encerram ENDEREÇO ELETRÓNICO DA TESE: http://repositorio-aberto.up.pt/handle/10216/18025 Fim

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