Jorimp Aula2 2009 Conc Jor

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Jorimp Aula2 2009 Conc Jor

  1. 1. jornalismo impresso Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br) O conceito de jornalismo e suas categorias Acesse o site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ Acesse o FTP: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/ Mário Erbolato (1919 - 1990) Otto Groth (1875-1965)
  2. 3. O que é jornalismo? <ul><li>Definir conceitos para a investigação científica é o primeiro – e muitas vezes também o maior, o mais árduo – desafio de todos aqueles que se propõem a investigar com seriedade um determinado objeto ou um fenômeno em particular. </li></ul>John Langshaw Austin (1911-1960) Filósofo da linguagem “ Saber o que uma coisa é, é, em grande parte, saber como nomeá-la, e como nomeá-la corretamente”
  3. 4. Definições de jornalismo <ul><li>“ A notificação de coisas diversas acontecidas recentemente em qualquer lugar que seja” </li></ul><ul><ul><li>Tobias Peucer (século 17) </li></ul></ul><ul><li>“ Todas as formas nas quais e pelas quais as notícias e seus comentários chegam ao público” </li></ul><ul><ul><li>Fraser Bond (1891-1965) </li></ul></ul>
  4. 5. A contestação de Otto Groth <ul><li>“ Nessa concepção, todos os limites naturalmente se dissolvem. O jornal torna-se idêntico à notícia em si. (...) Contudo, para o conhecimento da essência do jornal, nada se ganha com isso” </li></ul>Otto Groth (1875-1965)
  5. 6. Otto Groth avalia o que poderiam ser as características do jornalismo <ul><li>1. Publicação periódica (periodicidade); </li></ul><ul><li>2. Reprodução mecânica dos exemplares; </li></ul><ul><li>3. A pública aparição, isto é, acessibilidade a todos (publicidade) e ao conteúdo; </li></ul><ul><li>4. Diversidade, no sentido de completude (coletividade, universalidade); </li></ul><ul><li>5. Ser de interesse geral; </li></ul><ul><li>6. Atualidade e, por fim; </li></ul><ul><li>7. Produção profissional (empreendimento econômico) </li></ul>Otto Groth (1875-1965)
  6. 7. Periodicidade <ul><li>“ A renúncia à aparição periódica como característica essencial do jornal (...) implica a equalização deste com qualquer transmissão de notícia. Tal postura desconhece a forte conexão interna entre o modo de publicação e as duas mais importantes características do jornal, que são a publicidade e a atualidade . </li></ul><ul><li>Isto porque o público leitor do jornal se perderia sem a periodicidade da aparição, graças a qual obtém uma sensação de segurança. E a freqüente reaparição das ‘folhas’ é, da mesma maneira, pressuposto, meio e conseqüência da atualidade, cujas exigências só podem ser satisfeitas pelo jornal por meio da rápida aparição das edições” </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  7. 8. Considerações contemporâneas sobre a periodicidade <ul><li>Considerando-se a periodicidade como meio , e não como fim, a proposta de projetos jornalísticos em rádio, televisão e internet de continuamente apresentar notícias estaria de acordo com os princípios grothianos. </li></ul><ul><li>Isso porque tais iniciativas de jornalismo 24 horas, mediante a troca da periodicidade pela contínua atualização dos conteúdos, continuam a manter uma relação com o público, oferecendo um material atualizado à audiência. </li></ul>Otto Groth (1875-1965)
  8. 9. Reprodução mecânica, um ponto frágil para se definir um jornal <ul><li>“ É possível que publicações que tenham todas as características do jornal, sejam reproduzidas por meios outros que a impressão. Temos exemplos disso no passado e no presente, assim como também no futuro, onde residem possibilidades de reprodução ainda desconhecidas” </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965) Otto Groth (1875-1965)
  9. 10. A publicidade, sob a perspectiva grothiana <ul><li>A publicidade, para Otto Groth, está ligada à possibilidade de acesso à notícia no jornal e à impessoalidade da vida urbana. </li></ul><ul><li>“ Publicidade significa falta de relações pessoais (...) É somente por meio da publicidade que um produto se torna jornal”. </li></ul><ul><li>“ A publicidade é então uma das características que diferenciam o jornal de uma determinada categoria de revistas, das revistas de associações, que são acessíveis somente a integrantes de uma associação e exclusivamente a eles se dirigem”. </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  10. 11. O jornal, sob o viés do conteúdo <ul><li>Em relação ao conteúdo, o autor estabelece três características mediante as quais um título atende ao requisito: </li></ul><ul><ul><li>“ O conteúdo do jornal como instituição para o público precisa satisfazer três requisitos: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>deve ser diversificado ou até completo, </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>deve ser de interesse coletivo </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>e deve, por fim, ser atual ” </li></ul></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  11. 12. Diversidade de conteúdo <ul><li>Otto Groth ressalta que a diversidade de conteúdo integra a essência constitutiva do jornal e, neste aspecto, nada a separa das revistas acessíveis ao público em geral. O autor ressalta contudo que a diversidade é, do mesmo modo que a publicidade, uma virtualidade. </li></ul>Otto Groth (1875-1965)
  12. 13. Interesse geral <ul><li>“ O interesse geral, tanto quanto a universalidade (de conteúdo) , está estritamente ligado à publicidade, ele não é nada mais que a publicidade, mas de um outro ponto de vista. Com a publicidade, o público torna-se quantitativo, com a universalidade de interesses, dignificado qualitativamente – do que decorre que ele, pela sua característica de público, se envolve e se engaja ”. </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  13. 14. Interesse geral <ul><li>“ O interesse geral, tanto quanto a universalidade (de conteúdo) , está estritamente ligado à publicidade, ele não é nada mais que a publicidade, mas de um outro ponto de vista. Com a publicidade, o público torna-se quantitativo, com a universalidade de interesses, dignificado qualitativamente – do que decorre que ele, pela sua característica de público, se envolve e se engaja ”. </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  14. 15. A atualidade <ul><li>“ A atualidade forma o trabalho e o pensamento do jornalista. A necessidade de obter e processar o mais rápido possível as notícias, dar-lhes um julgamento pronto, cria e treina a habilidade, a clareza de percepção, a rapidez de decisão, a habilidade de adequação a pessoas e condições”. </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  15. 16. Um empreendimento econômico <ul><li>“ Contra o reconhecimento do ‘empreendimento econômico’ (ou ‘produção profissional’) entre as características conceituais do jornal argumenta-se que tal traço se perderia naquelas publicações que são concebidas por partidos políticos para influenciar eleitores, ou por particulares para defender interesses políticos, econômicos, artísticos, ou ainda pelos governos para anúncios oficiais ou oficiosos, ou para dirigir a opinião pública. Essas publicações podem não buscar primeiramente o lucro, mas também funcionam sob uma lógica econômico-comercial, e elas também visam obter o mais elevado rendimento possível, que será conquistado perseguindo e mantendo seus propósitos. Neste ponto não há, entre os jornais, contraste conceitual ”. </li></ul><ul><ul><li>Otto Groth </li></ul></ul>Otto Groth (1875-1965)
  16. 17. O jornalismo quanto às categorias <ul><li>Sob o contexto da definição conceitual de Otto Groth para jornalismo, vamos dar “um passo adiante” e vamos agora ver algumas categorias que fundamentam as definições da atividade. </li></ul><ul><li>Utilizaremos para isso o trabalho teórico de Mário Erbolato. </li></ul>Mário Erbolato (1919 - 1990)
  17. 18. O que é categoria? <ul><li>Categoria é um conjunto de pessoas ou coisas que possuem muitas características comuns e podem ser abrangidas ou referidas por um conceito ou concepção genérica; classe, predicamento. </li></ul><ul><li>Nos estudos de jornalismo brasileiro, os pesquisadores identificam cinco categorias: </li></ul><ul><ul><li>Jornalismo Informativo, </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Interpretativo, </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Opinativo, </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Diversional e, mais recentemente, </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Investigativo </li></ul></ul>Mário Erbolato (1919 - 1990)
  18. 19. Como as categorias se manifestam na imprensa? <ul><li>Todas as categorias podem ser observadas em uma mesma publicação. Ou seja, em um jornal pode haver, em diferentes espaços, exemplos de: </li></ul><ul><ul><li>Jornalismo Informativo </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Interpretativo </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Opinativo </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Diversional e </li></ul></ul><ul><ul><li>Jornalismo Investigativo </li></ul></ul>
  19. 20. Jornalismo Informativo <ul><li>O jornalismo informativo é aquele que privilegia a publicação de notícias de modo sucinto. </li></ul><ul><li>Seria o jornal que publica “notícias”, ao invés de “reportagens”. </li></ul>
  20. 21. Jornalismo Interpretativo <ul><li>Também conhecido como jornalismo em profundidade, jornalismo explicativo ou jornalismo motivacional. </li></ul><ul><li>O jornalismo interpretativo não só trata de explicar e informar, mas se atreve também a ensinar, a medir e a valorizar. </li></ul>
  21. 22. Jornalismo Opinativo <ul><li>É o jornalismo que se caracteriza por não conter propriamente notícias, mas sim uma grande variedade de artigos, crônicas e críticas. </li></ul>
  22. 23. Jornalismo Diversional <ul><li>No Jornalismo Diversional, o repórter procura viver o ambiente e os problemas dos envolvidos na história, mas não pode se limitar às entrevistas superficiais e sim “descobrir sentimentos, anotar diálogos, inventariar detalhes, observar tudo e fazer-se presente em certos momentos reveladores”. </li></ul><ul><li>É mais conhecido atualmente como “Jornalismo literário”. </li></ul>
  23. 24. Jornalismo Investigativo <ul><li>A categoria “Jornalismo investigativo” vem sendo usada mais recentemente para definir o jornalismo que utiliza métodos de pesquisa –muitas vezes de inspiração científica– para obter informações e realizar reportagens. </li></ul><ul><li>O caso Watergate, que resultou na renúncia do presidente Nixon, projetou essa categoria a uma posição de destaque na profissão. </li></ul>
  24. 25. O caso Watergate <ul><li>Foi um escândalo que abalou administração do presidente norte-americano Richard Nixon, culminando com sua renúncia em agosto de 1974. </li></ul><ul><li>Surgiu com tentativa frustrada dos partidários de Richard Nixon de colocarem a aparelhagem eletrônica para espionagem na sede nacional do Partido Democrata, no Edificio Watergate, em Washington (17.06.1972). </li></ul>
  25. 26. Uma vitória do jornalismo <ul><li>Embora se reelegesse para um segundo mandato em novembro de 1972, Nixon passou a perder prestígio quando a imprensa (notadamente Carl Bernstein e Robert Woodward, do Washington Post) comprovaram o comprometimento do presidente e de seus principais auxiliares não só na operação com também no maciço abuso de poder e obstrução da Justiça, que investigava o financiamento de campanhas políticas e a ação da CIA, do FED, do Serviço de Rendas Internas e outros órgãos do governo. </li></ul>Robert (Bob) Woodward de pé e Carl Bernstein (ao telefone)
  26. 27. A renúncia de Nixon e a prisão de John Mitchell (ministro da justiça) <ul><li>Além da renúncia de Nixon, o caso levou à prisão o procurador geral dos EUA, John Mitchell, e funcionários do primeiro escalão da Casa Branca. </li></ul>John Mitchell (à direita): sentenciado a 19 meses de prisão em 1975 Richard Nixon
  27. 28. O tema da próxima aula: <ul><li>Na próxima aula vamos discutir os conceitos teóricos sobre a produção jornalística impressa ( jornal como modelo de negócio ). </li></ul>Otto Groth (1875-1965) Max Weber (1864-1920) Eugenio Bucci (*1958)
  28. 29. Citação do dia Vejamos: é desejável, para um jornalista, para um órgão de comunicação uma postura de neutralidade. (...) &quot;Neutro&quot; a favor de quem? (...) &quot;Imparcial&quot; contra quem? (...) &quot;Isento&quot; para que lado? (...) Assim é defensável que o jornalismo, ao contrário do que muitos preconizam, deve ser não-neutro, não-imparcial e não-isento diante dos fatos da realidade. Perseu Abramo (1929-1996) Jornalista brasileiro

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