ag1_aula7_2008

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ag1_aula7_2008

  1. 1. Vivendo na pele: a observação como tática de investigação Agência Noticiosa 1 Professor mestre Artur Araujo (araujofamilia@gmail.com)
  2. 2. Antes, alguns lembretes <ul><li>Na primeira aula discutimos como será o curso e os critérios da avaliação. </li></ul><ul><ul><li>8 de abril de 2008 – último dia para entrega da primeira reportagem. Faltam 7 dias. </li></ul></ul><ul><ul><li>15 de abril de 2008 - último dia para entrega da segunda reportagem. Faltam 14 dias. </li></ul></ul><ul><ul><li>22 de abril de 2008 - último dia para entrega da terceira reportagem. Faltam 21 dias. </li></ul></ul><ul><ul><li>29 de abril de 2008 - último dia para entrega da quarta reportagem. Faltam 28 dias. </li></ul></ul><ul><ul><li>Prova teórica – 29 de abril . Faltam 28 dias. </li></ul></ul><ul><ul><li>Trabalho escrito (seminário) – 13 de maio . Faltam 42 dias. </li></ul></ul><ul><li>Os alunos precisam se inscrever na lista de discussão do curso. </li></ul>
  3. 3. Recapitulando... <ul><li>Na aula anterior, discutimos a questão da redação jornalística. </li></ul><ul><li>Vimos a questão da estrutura do texto e os riscos que falhas no processo podem causar ao trabalho jornalístico. </li></ul>
  4. 4. A observação como tática investigativa <ul><li>A observação, do mesmo modo que a entrevista e a pesquisa documental, é um importante recurso para a investigação jornalística. </li></ul><ul><li>Ver e relatar são, das táticas de trabalho jornalístico, as mais difíceis, mas são também as ideais para uma investigação apropriada. </li></ul>
  5. 5. O que dizia Tobias Peucer (1690) <ul><li>“ Cabe ao intelecto o conhecimento das coisas que serão registradas nos relatos públicos. Estas são obtidas por inspeção própria ( autopsia ) quando o sujeito é espectador ( autóptes ) dos acontecimentos, ou por transmissão, quando uns explicam aos outros os fatos que presenciaram. E nisso qualquer pessoa concordará sem nenhum problema que é merecedor de mais credibilidade o testemunho ‘presencial’ ( autóptes ) que o receptor de uma transmissão de outro.” </li></ul>
  6. 6. Definindo conceitos <ul><li>A observação, certamente, se constitui em um desafio para o profissional de imprensa. </li></ul><ul><li>Não basta, contudo, “ver”: é preciso captar, naquilo que se manifesta exteriormente, indícios de sentido, de transcendência da simples aparência. </li></ul><ul><li>Não basta também “ver” e empreender um esforço de interpretação: é preciso definir os recursos apropriados para a investigação. </li></ul>
  7. 7. O que diz o Manual da Folha <ul><li>Antes de tudo, o repórter deve procurar se informar sobre o assunto que vai cobrir. No local, deve observar e registrar detalhes do ambiente e dos personagens e ter especial atenção ao anotar números e nomes . A qualidade do texto final depende em larga medida do rigor na apuração dos fatos e da elaboração de um roteiro que divida os temas e os encadeie ao longo do texto. </li></ul><ul><ul><li>Fonte: Manual da Folha de S. Paulo </li></ul></ul>
  8. 8. O que diz o Manual do Estadão - 1 <ul><li>Preocupe-se em incluir no texto detalhes adicionais que ajudem o leitor a compreender melhor o fato e a situá-lo : local, ambiente, antecedentes, situações semelhantes, previsões que se confirmem, advertências anteriores, etc. </li></ul>
  9. 9. O que diz o Manual do Estadão - 2 <ul><li>Informações paralelas a um fato contribuem para enriquecer a sua descrição. Se o presidente dorme durante uma conferência, isso é notícia; idem se ele tira o sapato, se fica conversando enquanto alguém discursa, se faz trejeitos, etc. Trata-se de detalhes que quebram a monotonia de coberturas muito áridas, como as oficiais, especialmente. Registre no texto as atitudes ou reações das pessoas, desde que significativas: mostre se elas estão nervosas, agitadas, fumando um cigarro atrás do outro ou calmas em excesso, não se deixando abalar por nada . Em matéria de ambiente, essas indicações permitem que o leitor saiba como os personagens se comportavam no momento da entrevista ou do acontecimento. </li></ul>
  10. 10. Para além da própria visualidade <ul><li>Para compreender além da pura exterioridade, é preciso ao repórter: </li></ul><ul><ul><li>Formação (treinamento) </li></ul></ul><ul><ul><li>Contexto </li></ul></ul><ul><ul><li>Estranhamento </li></ul></ul>
  11. 11. Formação (treinamento) <ul><li>A observação implica uma certa capacitação do repórter, que pode ser sintetizada nos seguintes itens: </li></ul><ul><ul><li>Problematização da pauta </li></ul></ul><ul><ul><li>Sistematização do apurado </li></ul></ul><ul><ul><li>Checagens extras </li></ul></ul>
  12. 12. Problematização – 1 <ul><li>A problematização é, como o próprio nome sinaliza, a questão da pauta. </li></ul><ul><ul><li>Nesse caso, a pauta deve conter algo que tenha uma manifestação externa evidente, uma manifestação externa que, por si só, explique ou ajude a explicar o que será contado. </li></ul></ul>
  13. 13. O que diz o Manual do Estado <ul><li>Os sentimentos e emoções das pessoas devem ser registrados com a devida cautela para que o texto não se torne piegas. À exceção dos estados mais aparentes (choro acesso de loucura e outros), procure traduzir agitação, calma ou nervosismo da pessoa descrevendo só atitudes. </li></ul><ul><ul><li>Agitando sem cessar as mãos </li></ul></ul><ul><ul><li>Fumando um cigarro atrás do outro </li></ul></ul><ul><ul><li>Piscando ininterruptamente </li></ul></ul><ul><ul><li>Fazendo gestos de impaciência </li></ul></ul><ul><ul><li>Mexendo-se incessantemente na cadeira </li></ul></ul><ul><ul><li>Falando de forma pausada </li></ul></ul><ul><ul><li>Cruzando e descruzando as pernas </li></ul></ul><ul><ul><li>Olhando a todo momento no relógio </li></ul></ul>
  14. 14. A descrição nos poupa de interpretações forçadas <ul><li>Enfim, mostre como a pessoa se comportava em vez de procurar definir suas atitudes com palavras. Nada, por exemplo, autoriza a frase o jogador, nervoso, errou o chute . Pode ter errado simplesmente porque tocou mal na bola. Ou encerrando a entrevista mais cedo porque aparentemente não gostou das perguntas . Quem garante que foi por isso? </li></ul><ul><ul><li>Fonte: Manual do Estadão </li></ul></ul>
  15. 15. Problematização – 2 <ul><li>Uma problematização bem construída, por exemplo, pode, de acordo com o contexto, eliminar o emprego da observação. </li></ul><ul><ul><li>Uma pauta sobre maus-tratos à população tem grande chance de lançar mão dos recursos da observação para a apuração. </li></ul></ul><ul><ul><li>Uma pauta sobre o aumento da inflação, porém, tem menos chance de permitir observação (a não ser que o repórter apure, por dias ou semanas, a evolução dos preços, o que seria pouco viável nos dias de hoje). </li></ul></ul>
  16. 16. Obra-prima de problematização bem-feita
  17. 19. Sistematização do apurado <ul><li>Definida a pauta, o problema a ser investigado, cabe ao profissional reunir o maior número possível de indícios observáveis. </li></ul><ul><li>Cabe a ele também o esforço de fazer com que esses indícios tenham um contexto que permitam uma interpretação, senão conclusiva, que pelo menos ajudem a apontar informações que estejam além do óbvio daquilo que é “visto”. </li></ul>
  18. 20. O que diz o Manual da Folha <ul><li>Um entrevistado pode fazer declaração a jornalista por brincadeira, que se for reveladora da personalidade do entrevistado deve ser relatada ao leitor. Nesse caso, o texto deve explicar o contexto da declaração, deixando claro que se trata de afirmação jocosa. O procedimento também se aplica a lapsos do entrevistado e a declarações irônicas. </li></ul>
  19. 21. Uma “brincadeira” famosa
  20. 22. Outra recomendação da Folha <ul><li>Se o entrevistado comete um lapso significativo, o jornalista pode registrá-lo no texto. Isso pode ajudar o leitor a entender melhor a notícia ou a personalidade do entrevistado. Um ato falho pode ser mais revelador que uma declaração pensada. Se o entrevistado pedir retificação de um lapso revelador, esse pedido pode ser registrado. Lapsos inexpressivos não merecem divulgação. </li></ul>
  21. 23. Checagens extras <ul><li>Nem tudo parece o que é. </li></ul><ul><li>O profissional de imprensa deve sempre verificar, por mais de um canal, por mais de um método de investigação, os dados que apurou. </li></ul><ul><li>São necessárias também entrevistas – inclusive se for o caso com os observados – e uma pesquisa documental para se certificar da validade do material apurado, principalmente se os indícios apontarem algo grave. </li></ul>
  22. 24. Nem tudo que parece, é
  23. 25. Técnicas possíveis <ul><li>Observação simples </li></ul><ul><li>Observação sistemática </li></ul><ul><li>Observação participativa (infiltração) </li></ul>
  24. 26. Técnicas para investigar <ul><li>Há mais de uma maneira de registrar o objeto de suas investigações. Vamos ver cada uma e discutir brevemente suas características e problemas. </li></ul><ul><ul><li>Gravação, filmagem e foto </li></ul></ul><ul><ul><li>Anotação </li></ul></ul><ul><ul><li>Memória - Vivência </li></ul></ul>
  25. 27. Como reduzir margem de erro? <ul><li>Checagem extra. </li></ul><ul><li>Contextualização – aquilo que você viu tem o mesmo significado para os outros? </li></ul><ul><li>Ouvindo os protagonistas após a apuração. </li></ul>
  26. 28. Ressalva <ul><li>Às vezes, a observação antecede, pelas circunstâncias e a própria dinâmica dos acontecimentos, método e problematização. </li></ul><ul><li>Cabe ao profissional, identificando o valor-notícia do que presencia, registrar, com os meios que tiver (gravador, câmera, bloco de notas ou, ao menos, a memória) a cena para contribuir no posterior trabalho de investigação jornalística. </li></ul><ul><li>A mesma recomendação vale para materiais disponibilizados na internet ou enviados para a redação. </li></ul>
  27. 29. Lembram-se?
  28. 30. O tema da próxima aula expositiva: a pesquisa documental como tática de investigação
  29. 31. Citação do dia “ Não vamos esmorecer na nossa crença de que jornalismo é algo que se faz com espírito crítico, fiscalizando o poder.” Mino Carta (* 1933), jornalista italiano naturalizado brasileiro

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