01 Aulamurrayemanovich

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    1. 1. Propriedades do ciberepaço Jornalismo on-line Professor mestre Artur Araujo (araujofamilia@gmail.com)
    2. 2. Duas teses convergentes <ul><li>Muitos são os estudos que vêm contribuindo para o conhecimento do ciberespaço. </li></ul><ul><li>Dois teóricos, entretanto, se destacam por oferecer um conjunto de definições satisfatórias sobre as características da web </li></ul><ul><li>Ambos são professores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), o matemático Lev Manovich e a professora de literatura Janet Horovitz Murray </li></ul><ul><li>A partir dessas características, que somam nove itens, podemos construir idéias sobre os sites da web </li></ul>
    3. 3. As diferenças entre Murray e Manovich <ul><li>Enquanto Lev Manovich analisa o ambiente digital a principalmente partir da produção, Janet Murray pensa a questão a partir do usuário da mídia digital. </li></ul><ul><li>As duas visões da questão complementam-se e enriquecem a compreensão do funcionamento da mídia on-line. </li></ul><ul><li>Veremos como ambas as conclusões convergem no decorrer da exposição. </li></ul>
    4. 4. As idéias de Manovich <ul><li>A principal obra de Manovich sobre o tema é o livro “The Langage of New Media” (A linguagem da nova mídia) (MIT press, 2001), ainda não traduzido para o português. </li></ul><ul><li>O autor, cuja formação é Matemática, vem pesquisando o tema desde o início de sua carreira acadêmica, na década de 1970, na Universidade de Moscou. Ele defende que o ambiente digital é composto de cinco propriedades fundamentais: </li></ul><ul><ul><li>Representação numérica </li></ul></ul><ul><ul><li>Modularidade </li></ul></ul><ul><ul><li>Automação </li></ul></ul><ul><ul><li>Variabilidade </li></ul></ul><ul><ul><li>Transcodificação cultural </li></ul></ul>
    5. 5. Uma mídia no computador <ul><li>O fundamento da argumentação de Manovich é o seguinte: </li></ul><ul><ul><li>“ Como a nova mídia é criada em computadores, distribuída via computadores e arquivada em computadores, a lógica do computador influencia significativamente a lógica da mídia” </li></ul></ul>
    6. 6. Representação numérica <ul><li>A primeira propriedade desse ambiente é, para Manovich, a representação numérica. </li></ul><ul><li>Ele diz que o computador, ao constituir-se como canal de comunicação, constrói um ambiente fundamentado na lógica binária, na lógica digital,o que implica necessariamente uma representação numérica. </li></ul><ul><li>É por meio da representação numérica que a mídia digital torna-se programável. </li></ul><ul><li>É também por meio do fato de a mídia ser programável que observaremos mais adiante seu potencial participativo e enciclopédico. </li></ul>
    7. 7. Modularidade <ul><li>A modularidade também é chamada pelo autor de “princípio fractal”. </li></ul><ul><li>Em seu livro, Manovich explica (p. 31): </li></ul><ul><ul><li>“ A world wide web é completamente modular. Consiste em numerosas páginas; cada uma, por sua vez, consistindo de elementos separados de mídia. Normalmente, pensamos nesses elementos como pertencentes a determinados websites, mas isso é apenas uma convenção, reforçada pelos navegadores (browsers) comerciais (...) A estrutura da programação de computadores, cujos padrões foram definidos na década de 1970, envolve a criação de pequenos e auto-suficientes módulos (chamados de sub-rotinas, funções, procedimentos e scripts), que são reunidos em programas maiores” </li></ul></ul><ul><li>A propriedade modular é um dos fundamentos de um importante traço da mídia on-line no que tange ao usuário, que é sua característica procedimental, o que veremos adiante com Murray. </li></ul>
    8. 8. Automação <ul><li>A codificação numérica da mídia e a estrutura modular permitem a automação de várias operações. </li></ul><ul><li>Programas como editores de imagem e animação, processadores de texto e planilhas permitem criar, a partir de comandos simples, produtos complexos. </li></ul><ul><li>Tal procedimento acarretou, no ambiente digital, um processo de democratização do uso, observado não só por Manovich, mas também por Pierre Lévy e por Janet Murray. </li></ul>
    9. 9. Automação, democratização <ul><li>No livro “As tecnologias da inteligência”, Lévy destaca (p. 57-56): </li></ul><ul><ul><li>&quot;Os críticos da informática acreditaram, ingenuamente, nos informatas que sustentavam, até cerca de 1975, que a 'máquina' era binária, rígida, restritiva, centralizadora, que não poderia ser de outra forma. Através de suas críticas, subscreveram a idéia errônea de uma essência da informática. Na realidade, desde o começo dos anos sessenta, engenheiros como Douglas Engelbart conduziam pesquisas na direção de uma informática da comunicação, do trabalho cooperativo e da interação amigável (...). Em 1979, quando Daniel Bricklin e Robert Frankston lançaram a primeira planilha, o Visicalc, eles usaram o Apple 2. Ao mesmo tempo, eles reinventaram a microinformática ao permitir aos executivos e aos pequenos empresários que fizessem previsões contábeis e financeiras sem que precisassem programar&quot;. </li></ul></ul>
    10. 10. Variabilidade <ul><li>A nova mídia, defende Manovich, por suas características previamente expostas (representação numérica, modularidade e automação) tem como desdobramento uma potencialidade extra: ela pode existir em infinitas versões.Mais que copiar, a nova mídia permite a multiplicação de objetos com pequenas variações. </li></ul><ul><li>Manovich acrescenta: </li></ul><ul><ul><li>“ A lógica da nova mídia corresponde à lógica pós-industrial de ‘produção por demanda’ e da logística do ‘just-in-time’ (no exato momento) que tornaram-se possíveis pelo uso de computadores e de redes de informática em todos os estágios de produção e distribuição. </li></ul></ul>
    11. 11. Variabilidade, o narrowcasting <ul><li>A idéia de produtos sob demanda apresentada por Manovich também por percebida por Nicholas Negroponte em sua obra Vida Digital (2002, p. 24), que destacou o potencial de narrowcasting (transmissão de conteúdo para grupos com interesses específicos) da rede. </li></ul>
    12. 12. Transcodificação cultural <ul><li>A transcodificação cultural é, para Manovich, a principal conseqüência da digitalização da mídia. Os desdobramentos plenos dessas conseqüências o teórico russo considera prematuro ainda definir, mas ele os define em contraponto aos da mídia tradicional. </li></ul>Continuidade (unidades plenas) Descontinuidade (unidades decupáveis) Mídia tradicional Nova mídia
    13. 13. Transcodificação: a diferença entre as mídias A mídia analógica se não impede, dificulta a interação no sentido de manipulabilidade A mídia digital é interativa, no sentido de objetos manipuláveis A cópia analógica sempre implica perda em relação ao original A cópia digital é idêntica ao seu original digital A representação analógica permite acréscimos de informação A codificação digital implica cotas fixas de informação (e perda de informação, quando um objeto é transcodificado do analógico) A mídia analógica, se não o impede, dificulta-o A mídia digital permite, estimula, o acesso aleatório As mídias analógicas têm fundamentos distintos Toda mídia digital compartilha a representação digital
    14. 14. As idéias de Murray <ul><li>A principal obra de Murray sobre o tema é o livro “Hamlet no Holodeck” (Ed. Unesp, 2003). </li></ul><ul><li>A teórica defende que o ambiente digital tem quatro propriedades básicas </li></ul><ul><ul><li>São procedimentais </li></ul></ul><ul><ul><li>São participativos </li></ul></ul><ul><ul><li>São espaciais </li></ul></ul><ul><ul><li>São enciclopédicos </li></ul></ul>
    15. 15. Um ambiente procedimental <ul><li>O procedimentalismo, destaca Murray, decorre do fato de os computadores, por serem máquinas, exigirem do usuário o conhecimento de procedimentos para acioná-lo e fazê-lo funcionar. </li></ul>
    16. 16. Um ambiente participativo <ul><li>A propriedade participativa é aquela que torna o ambiente digital passível de interação, o que deve ser compreendido tanto como a capacidade de sentir-se parte do meio quanto como a faculdade de modificar-lhe a natureza. </li></ul>
    17. 17. A vocação <ul><ul><li>&quot;Durante séculos, um pequeno número de escritores encontrava-se em confronto com vários milhares de leitores. No fim do século passado (século 19), a situação mudou. Mediante a ampliação da imprensa, que colocava sempre à disposição do público novos órgãos políticos, religiosos, científicos, profissionais e regionais, viu-se um número crescente de leitores —de início, ocasionalmente— desinteressar-se dos escritores. A coisa começou quando os jornais abriram suas colunas a um ‘correio de leitores’ e, daí em diante, inexiste hoje em dia qualquer europeu, seja qual for a sua ocupação, que, em princípio, não tenha a garantia de uma tribuna para narrar a sua experiência profissional, expor suas queixas, publicar uma reportagem ou algum estudo do mesmo gênero. Entre o autor e o público, a diferença, portanto, está em vias de se tornar cada vez menos fundamental&quot;. </li></ul></ul>
    18. 18. A participatividade antes da web <ul><ul><li>&quot;A invenção da imprensa jogou para longe o anonimato, estimulando sonhos de fama literária e o costume de considerar o esforço intelectual como propriedade privada. Os meios mecânicos de multiplicar o mesmo texto criaram um público - um público leitor. O crescimento de uma cultura orientada para o consumidor gerou a preocupação com marcas de autenticidade e gerou a preocupação de proteger contra o roubo e a pirataria. A idéia dos direitos autorais - o direito exclusivo de reproduzir, publicar ou vender uma forma de trabalho artístico ou literário - nascia. </li></ul></ul><ul><ul><li>A fotocópia [xerografia] -a coletânea das idéias de cada homem- anuncia a era da publicação instantânea. Qualquer um agora pode ser tanto autor quanto publicador&quot; </li></ul></ul>
    19. 19. A participatividade segundo Lévy <ul><ul><li>&quot;Cada indivíduo, cada organização são incitados não apenas a aumentar o estoque, mas também a propor aos outros cibernautas um ponto de vista sobre o conjunto, uma estrutura subjetiva. Esses pontos de vista subjetivos se manifestam em particular nas ligações para o exterior associadas às home pages afixadas por um indivíduo ou grupo&quot;. </li></ul></ul>
    20. 20. Um ambiente espacial <ul><li>A espacialidade, por sua vez, é uma característica que decorre das interfaces gráficas, que criam um efeito de “navegabilidade” na experiência sensorial do internauta. </li></ul><ul><li>A navegabilidade, decorrência das interfaces gráficas no ciberespaço, expressa-se sobremaneira, no caso do hipertexto, no conceito de link. </li></ul>
    21. 21. O hiperlink como espacialidade <ul><li>Além da sensação de espacialidade que o jogo de referências desse recurso oferece, a proposta, para Lévy, evoca o processo de semiose da leitura: </li></ul><ul><li>&quot;A metáfora do hipertexto dá conta de uma estrutura indefinidamente recursiva do sentido, pois já que ele conecta frases cujos significados remetem-se uns aos outros, dialogam e ecoam mutuamente para além da linearidade do discurso, um texto já é sempre um hipertexto, uma rede de associações&quot;. </li></ul>
    22. 22. Um ambiente enciclopédico <ul><li>A última propriedade do ambiente digital é a capacidade enciclopédica, definida pela pesquisadora como o grande potencial de arquivamento de memória dos computadores e das redes de servidores que gerenciam o sistema. </li></ul><ul><li>Esta é, por sua vez, a propriedade assíncrona da web, que convive dialeticamente com sua propriedade sincrônica. Nicholas Negroponte, em sua Vida Digital, já apontava essa característica como parte do ambiente on-line. </li></ul>

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