Apoio aos professores candidatos à meritocracia Prova do merito 2013

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Meritocracia.....prova aplicada em 2013 aos professores da rede estadual

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Apoio aos professores candidatos à meritocracia Prova do merito 2013

  1. 1. GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO Processo de Promoção 021. PROVA objetiva Professor de Educação Básica II – Língua Portuguesa Professor II – Língua Portuguesa � Você recebeu sua folha de respostas e este caderno contendo 60 questões objetivas. � Confira seu nome e número de inscrição impressos na capa deste caderno e na folha de respostas. � Quando for permitido abrir o caderno, verifique se está completo ou se apresenta imperfeições. Caso haja algum problema, informe ao fiscal da sala. � Leia cuidadosamente todas as questões e escolha a resposta que você considera correta. � Marque, na folha de respostas, com caneta de tinta azul ou preta, a letra correspondente à alternativa que você escolheu. � A duração das provas objetiva e dissertativa é de 4 horas, já incluído o tempo para o preenchimento da folha de respostas e a transcrição da resposta definitiva. � Só será permitida a saída definitiva da sala e do prédio após transcorridos 75% do tempo de duração das provas. � Ao sair, você entregará ao fiscal o caderno de questões dissertativas, a folha de respostas e este caderno, podendo levar apenas o rascunho de gabarito, localizado em sua carteira, para futura conferência. � Até que você saia do prédio, todas as proibições e orientações continuam válidas. Aguarde a ordem do fiscal para abrir este caderno de questões. 01.09.2013
  2. 2. 3 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa FORMAÇÃO PedagógicA 01. Com relação ao agrupamento de alunos e à formação de tur- mas, de acordo com Gomes (2005), o conjunto das pesqui- sas de diferentes orientações teóricas e metodológicas (A) comprova que a formação de turmas homogêneas di- minui drasticamente o hiato de aproveitamento entre as mais e menos “fortes”. (B) aponta uma enorme vantagem dos grupos homogêneos, em termos de rendimento escolar, em relação às turmas heterogêneas. (C) demonstra que a organização flexível de grupos homogê- neos constituídos em função do nível de domínio de uma competência específica traz efeitos negativos inegáveis. (D) aconselha cautela na formação de grupos homogêneos, pois há uma persistente tendência de atração entre fato- res sociais e culturais e condições educacionais. (E) indica uma enorme vantagem dos grupos heterogêneos, em termos de rendimento escolar, em relação às turmas homogêneas. 02. Saviani (2010) afirma que “a ‘pedagogia das competências’ apresenta-se como outra face da ‘pedagogia do aprender a aprender’, cujo objetivo é (A) fornecer aos indivíduos os instrumentos adequados para transformar informação em conhecimento, a partir da concepção de que a inteligência sensório-motora chega a se constituir em pensamento lógico”. (B) dotar os indivíduos de comportamentos flexíveis que lhes permitam ajustar-se às condições de uma sociedade em que as próprias necessidades de sobrevivência não estão garantidas”. (C) possibilitar aos indivíduos a capacidade de filtrar as in- formações produzidas em uma velocidade sem prece- dentes, habilitando-os a viver em um mundo em que o conhecimento é valor de troca”. (D) preparar os indivíduos para a aquisição, de forma ativa e autônoma, de informações e conhecimentos que lhes garantirão tanto a inserção quanto a permanência no mercado de trabalho”. (E) levar os indivíduos a adaptar-se a uma sociedade global, vista como um organismo vivo em que as ações indivi- duais têm um impacto direto sobre a vida das pessoas do mundo todo e, no qual, cada ser vivente tem um lu- gar determinado e um papel a cumprir”. 03. De acordo com Hoffmann (2001), avaliar para promover significa (A) aferir o nível de desenvolvimento de competências e habilidades previstas para cada etapa de escolaridade, tendo como objetivo a seleção dos melhores educandos. (B) compreender a finalidade dessa prática a serviço da aprendizagem, da melhoria da ação pedagógica, visan- do à promoção moral e intelectual dos alunos. (C) verificar em que medida conteúdos escolares têm sido assimilados pelos educandos, a fim de determinar a ap- tidão ou inaptidão para o prosseguimento escolar. (D) diagnosticar problemas de aprendizagem a tempo de se fazerem intervenções corretivas pontuais, para evitar a re- provação de educandos em avaliações de finais de ciclos. (E) considerar a aprendizagem como desenvolvimento cog- nitivo de habilidades, com vistas à classificação dos educandos em uma escala de proficiência. 04. Chrispino (2007) afirma que, no ambiente escolar, o conflito (A) manifesta-se, às vezes, de forma violenta; nesses casos já existia conflito antes na forma de divergência ou an- tagonismo que não havia sido ainda identificada. (B) é a principal causa do desempenho insatisfatório dos alunos no processo de ensino-aprendizagem e, por esse motivo, precisa ser banido. (C) ocorre quando uma das partes conflitantes não admite seu erro e, portanto, deixaria de existir se docentes e discentes fossem mais humildes. (D) passou a ser combatido com mais veemência atualmen- te porque traz apenas malefícios às relações entre pes- soas, grupos sociais, organismos políticos e Estados. (E) pode e deve ser evitado sempre, pois atenta contra a ordem em um Estado democrático de direitos e não traz vantagem alguma. 05. De acordo com o documento Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008), é correto afirmar que o(a) (A) universalização da escola resolveu o problema da ex- clusão, tanto da exclusão pela falta de acesso a bens materiais quanto da exclusão pela falta de acesso ao co- nhecimento e aos bens culturais. (B) conceito de autonomia para gerenciar a própria apren- dizagem (aprender a aprender) corresponde a relegar a escola ao plano secundário, pois atualmente a educação ocorre eficazmente em outros espaços. (C) Proposta Curricular traz como um de seus princípios centrais a concepção de que a escola é instituição que apenas ensina, portanto seu sucesso depende de sua ca- pacidade de transmitir informações. (D) atuação do professor, os conteúdos, as metodologias disciplinares e a aprendizagem requerida dos alunos precisam ser dissociados ao se adotarem as competên- cias como referência. (E) currículo é a expressão de tudo o que existe na cultura científica, artística e humanista, transposto para uma situação de aprendizagem e ensino, logo as atividades extraclasse podem ser curriculares. 06. Com relação aos Fundamentos Estéticos, Políticos e Éticos do Novo Ensino Médio Brasileiro, de acordo com as Dire- trizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (1998), é correto afirmar que a (A) política é o âmbito do aprender a ser e fazer, o que requer uma postura crítica em relação a propostas go- vernamentais que visam solucionar os problemas da educação de forma simplista. (B) estética da sensibilidade é um princípio inspirador do en- sino de conteúdos ou atividades expressivas, por isso é necessário limitar o lúdico a espaços e tempos exclusivos. (C) política da igualdade parte do princípio de que oferecer oportunidades iguais é condição necessária e suficiente para oportunizar tratamento diferenciado, visando pro- mover igualdade entre desiguais. (D) ética só é eficaz quando desiste de formar pessoas “ho- nestas”, “caridosas” ou “leais” e reconhece que a edu- cação é um processo de construção de identidades. (E) moralidade industrial taylorista realizou um esforço permanente para devolver ao âmbito do trabalho e da produção a criação e a beleza, esforço assumido atual- mente pela estética da sensibilidade.
  3. 3. 4SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 10. Na perspectiva dialética, de acordo com Vasconcellos (2008), há sete categorias básicas de construção do conheci- mento. Dentre essas categorias, pode-se mencionar a Práxis, que, segundo o autor, é o(a) (A) amplo e complexo processo de estabelecimento de rela- ções entre o objeto de conhecimento e as representações mentais prévias e as necessidades do sujeito. (B) inserção da experiência de aprendizagem num quadro mais geral da realidade e do saber; localização do obje- to no conjunto de relações essenciais que o constituem. (C) exigência, no processo de conhecimento, da atividade do aluno para ser sujeito do próprio conhecimento (agir para conhecer), e da articulação do objeto com a prática social mais ampla (objeto-realidade). (D) postura do professor no sentido de, ao invés de dar pron- to, levar o aluno a pensar, a partir do questionamento de suas percepções, representações e práticas. (E) movimento dialético de aproximação-distanciamento que o professor faz durante o processo de aprendizagem na interação com os alunos em sala de aula. 11. Vasconcellos (2008) elenca alguns critérios para a elabora- ção dos instrumentos de avaliação numa perspectiva liber- tadora. Dentre eles, os critérios , que dizem respeito ao conteúdo da avaliação, o qual “é uma amostra representativa do que está sendo trabalhado, a fim de que o professor tenha indicadores da aprendizagem do aluno na sua globalidade”. Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna do texto, de acordo com o autor. (A) compatíveis (B) essenciais (C) contextualizados (D) abrangentes (E) reflexivos 12. Com relação aos pilares da educação, Delors et alii (2010) afirmam que o (A) “aprender a ser” visa contribuir para o desenvolvimento total da pessoa – espírito e corpo, inteligência, sensibi- lidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espi- ritualidade. (B) “aprender a conhecer” visa, primordialmente, à aquisi- ção de um repertório de saberes codificados. (C) “aprender a fazer” visa ao domínio de teorias e técnicas, com a finalidade exclusiva de preparar o indivíduo para o mercado profissional em um mundo cada vez mais competitivo. (D) “aprender a viver juntos” requer do indivíduo o desa- pego à sua própria identidade em favor de um bem co- letivo. (E) “aprender a aprender” visa à compreensão do outro e à percepção das interdependências, no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz. 07. Na obra Estudos da Infância: educação e práticas sociais, ao tecer considerações acerca da Zona de Desenvolvimento Proximal, Vasconcelos afirma que “quando falamos no ní- vel de desenvolvimento de uma criança, estamos falando de, pelo menos, dois níveis, o e o ”. Assinale a alternativa que, de acordo com a autora, preen- che, correta e respectivamente, as lacunas do texto. (A) atual … potencial (B) psíquico … intrapsíquico (C) afetivo … intelectual (D) individual … coletivo (E) familiar … social 08. Ao tecer alguns comentários sobre a Educação Especial, Libâneo et alii (2003) afirmam que (A) em meados do século XX, iniciou-se o quarto estágio de tratamento aos deficientes, e eles passaram a ser segrega- dos em instituições, para receber educação diferenciada. (B) o Brasil tem feito um excelente trabalho de capacitação a distância de professores da rede regular de ensino, por meio de programas de TV, e resolveu definitivamente o problema da inclusão. (C) em função do alto custo que as escolas comuns teriam para se adaptarem às demandas dos educandos com de- ficiência, eles devem ser tratados em escolas especiais. (D) desde o final do século XX, a real situação das escolas, dos alunos e dos professores no Brasil tem possibilita- do, finalmente, seguir ao pé da letra a Declaração de Salamanca com garantia de êxito. (E) os profissionais das escolas especiais poderiam formar os professores das escolas comuns, de modo que estes se tornassem mais aptos a atuar na educação integra- dora. 09. Com relação às crises e aos conflitos interpessoais, Perre- noud (2000) afirma que, no trabalho em equipe, (A) o apelo à harmonia é mais eficaz do que a reconstrução do problema, pois reconstruí-lo significa trazer à tona mágoas ou ressentimentos. (B) decidir pela dissolução de uma equipe, quando seus membros alimentam regressões mais do que desejos de cooperação, é aceitar o fracasso, não é uma decisão vá- lida em hipótese alguma. (C) o conflito precisa ser considerado como um componen- te da ação coletiva, que pode ser utilizado de maneira mais construtiva do que destrutiva. (D) deve haver uma busca incansável pela paz e pela har- monia, pois cabe à escola lutar por uma sociedade sem conflitos, uma vez que o conflito é algo essencialmente ruim. (E) a solução definitiva de conflitos interpessoais requer, necessariamente, a mobilização de recursos externos de regulação, pois as pessoas envolvidas neles perdem a noção de moderação.
  4. 4. 5 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 16. Em cada processo de avaliação a que se refere a Lei Com- plementar n.º 1.097/2009, será exigido do candidato de- sempenho mínimo para aprovação. Os servidores que atingirem esse desempenho mínimo serão classificados de acordo com alguns critérios adotados para classificação, dentre eles, pode-se mencionar o seguinte: (A) maior tempo de permanência na unidade de ensino ou administrativa de classificação, considerada a faixa em que concorrer à promoção. (B) maior pontuação na Segunda Parte da Prova, Parte Dis- sertativa, composta de 1 (uma) questão, sobre formação pedagógica por campo de atuação. (C) maior tempo de magistério, incluindo atividades exer- cidas na rede municipal de ensino e na rede particular. (D) maior grau de formação acadêmica em área relacionada ao componente curricular que ministra. (E) maior pontuação na Primeira Parte da Prova, Prova Ob- jetiva, composta por 60 questões de múltipla escolha, sobre formação específica por campo de atuação. 17. De acordo com a Lei Complementar n.º 1.078/2008, é corre- to afirmar que a Bonificação por Resultados (BR) (A) será paga aos servidores transferidos ou afastados du- rante o período de avaliação, independentemente do cumprimento de metas. (B) integra e se incorpora aos vencimentos e salários do ser- vidor para todos os efeitos legais. (C) será paga a aposentados e pensionistas que tenham obti- do desempenho satisfatório na avaliação para promoção. (D) constitui prestação pecuniária eventual, desvinculada dos vencimentos ou do salário do servidor. (E) será considerada para cálculo de qualquer vantagem pecuniária ou benefício, incidindo sobre a mesma os descontos previdenciários. 18. De acordo com o Parecer CEE n.º 67/1998, é correto afirmar que (A) o aluno, com rendimento insatisfatório em até 5 (cin- co) componentes curriculares, será classificado na série subsequente, devendo cursar, concomitantemente ou não, estes componentes curriculares. (B) a progressão parcial de estudos não poderá, em hipótese alguma, ser adotada em cursos de formação profissional, pois esses cursos são regidos por normas específicas. (C) os procedimentos adotados para o regime de progressão parcial de estudos serão disciplinados na proposta peda- gógica de cada unidade escolar. (D) o aluno, com rendimento insatisfatório em mais de 3 (três) componentes curriculares, será classificado na mesma sé- rie, ficando dispensado de cursar os componentes curricu- lares concluídos com êxito no período letivo anterior. (E) a progressão parcial de estudos será admitida para alu- nos da 8.ª série do ensino fundamental, restrita à mo- dalidade regular, desde que sejam asseguradas as con- dições necessárias à conclusão do ensino fundamental. 13. Com relação à leitura e à escrita como objetos de ensino, Lerner (2002) defende o ponto de vista de que é preciso (A) fragmentar a língua escrita para que se possa exercer um controle estrito sobre sua aprendizagem. (B) considerar a leitura, também, como uma atividade orientada por propósitos – de buscar uma informação necessária para resolver um problema prático. (C) afastar a versão escolar da leitura e da escrita da versão social não escolar, pois são dois fenômenos culturais bem distintos. (D) contornar a complexidade da leitura reduzindo-a a seus elementos mais simples, o que possibilita o estudo por- menorizado de cada um deles. (E) ensinar a leitura com rigor científico, estabelecendo uma sequência que parta inicialmente da compreensão das letras e sílabas. 14. Na concepção construtivista, de acordo com Coll et alii (2006), é correto afirmar que a (A) dimensão formadora da função do professor é uma dimen- são individual, estritamente autogestionada, trata-se de sua capacidade de continuar aprendendo. (B) participação e a coletividade em si são o propósito que se persegue, ainda que não sejam meios indispensáveis na construção do conhecimento. (C) complexidade da tarefa do professor reduz-se àquilo que envolve sua função formadora em relação aos alu- nos sob sua responsabilidade na escola. (D) educação é motor ao desenvolvimento, considerado globalmente, e isso supõe incluir as capacidades de equilíbrio pessoal, de inserção social, de relação inter- pessoal e motoras. (E) função formativa da escola será desempenhada adequa- damente à medida em que houver uma “vulgarização” dos saberes produzidos pelas instituições de pesquisa científica. 15. Rios (2005) afirma que “a revolução tecnológica e a globa- lização da economia e da política e os fenômenos sociais delas decorrentes trouxeram ao campo da educação novas provocações e inquietações”. Com isso, algumas demandas foram colocadas para a Filosofia e a Didática, dentre elas, a superação da massificação decorrente da globalização, que diz respeito à necessidade de um(a) (A) diálogo dos saberes que se encontram na ação docente, a revisão de conteúdos, métodos, processos avaliativos, apoiada em fundamentos consistentes. (B) descoberta e valorização da sensibilidade, a articulação de todas as capacidades dos indivíduos na busca pelo bem comum. (C) combate para que a cultura local não seja apagada pela cultura de massa imposta por grandes potências políti- cas e econômicas. (D) percepção clara das diferenças e especificidades dos sa- beres e práticas para um trabalho coletivo e interdisci- plinar. (E) postura crítica frente à interferência de organizações internacionais em políticas públicas, sobretudo no que tange a questões ligadas à educação.
  5. 5. 6SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa Formação Específica Leia o texto para responder às questões de números 21 a 23. Como o micro-ondas cozinha rápido a comida? Mais rápido e eficiente do que um fogão a gás, o forno de micro-ondas aquece e descongela os alimentos rapidamente, e por inteiro, sem deixar partes geladas. Como ele consegue reali- zar esse “milagre”? A física explica. O que acontece é uma reação molecular: o forno de micro- -ondas possui uma válvula chamada magnetron. Quando o apa- relho é ligado, a válvula começa a emitir ondas eletromagnéti- cas de alta frequência, iguais às do rádio, com 2.450 megahertz (MHz). Essa frequência é a ideal para agitar as moléculas de água presentes na comida. Mas as micro-ondas precisam de mais um empurrãozinho para acelerar o processo: um ventilador acoplado na parte de cima espalha as ondas pelo seu interior, enquanto as paredes me- tálicas barram a fuga e as devolvem para o centro, envolvendo o alimento. Nesse bate e volta com o campo eletromagnético, as moléculas de água vibram intensamente, inclusive as que estão dentro, produzindo calor interno e cozinhando o produto por in- teiro. (http://noticias.uol.com.br, 25.06.2013) 21. De acordo com a Proposta Curricular do Estado de São Paulo, o texto do UOL é adequado para ser tratado como objeto de ensino no (A) 6.º ano do Ensino Fundamental, no qual se prioriza a leitura de textos organizados na tipologia “narrar”. (B) 7.º ano do Ensino Fundamental, no qual se prioriza a leitura de textos organizados na tipologia “relatar”. (C) 8.º ano do Ensino Fundamental, no qual se prioriza a leitura de textos cujos traços característicos são pres- critivos. (D) 9.º ano do Ensino Fundamental, no qual se prioriza a leitura de textos cujos traços característicos são argu- mentativos. (E) Ensino Médio, 3.ª série, na qual se prioriza a leitura de textos lúdicos não literários. 22. Segundo Nilce Sant’Anna Martins (2008), “é a sufixação o processo de maior vitalidade, quer pelo grande número de sufixos da língua (mais de uma centena), quer pela varieda- de de conotações que muitos deles permitem sugerir”. Nas alternativas, o termo destacado, formado por sufixação, com conotação de intensificação e certa graça, é: (A) ... e descongela os alimentos rapidamente... (B) O que acontece é uma reação molecular... (C) Mas as micro-ondas precisam de mais um empurrão- zinho... (D) ... um ventilador acoplado na parte de cima... (E) ... as moléculas de água vibram intensamente... 19. Com relação à reclassificação do aluno, em série mais avan- çada, tendo como referência a correspondência idade/série e a avaliação de competências nas matérias da base nacional comum do currículo, em consonância com a proposta peda- gógica da escola, é correto afirmar, de acordo com o Parecer CEE n.º 67/1998, que a reclassificação (A) não poderá ser feita mediante solicitação do aluno e, sim, por solicitação de seu representante legal mediante requerimento dirigido ao diretor da escola. (B) ocorrerá até o final do primeiro bimestre letivo para o aluno recebido por transferência ou oriundo de país es- trangeiro. (C) poderá ser feita mediante proposta apresentada pelo professor ou professores do aluno, com base nos re- sultados de avaliação diagnóstica ou da recuperação intensiva. (D) ocorrerá em qualquer época do período letivo para o aluno da própria escola, mediante avaliação diagnóstica solicitada pelo conselho de classe. (E) poderá ser feita para o aluno que possa cursar em série mais avançada, desde que ele não apresente defasagem de conhecimentos ou lacuna curricular de séries ante- riores. 20. Analise as seguintes afirmações, classificando-as em V (ver- dadeira) ou F (falsa). (  ) As classes e as aulas de recuperação intensiva poderão constituir e ampliar a jornada de trabalho do docente titular de cargo, e, também se for o caso, compor sua carga suplementar. (  ) Pode atuar como Professor Auxiliar o docente titular de cargo, que se encontre na situação de adido, sem desca- racterizar essa condição, ou a título de carga suplemen- tar de trabalho. (  ) A atuação do Professor Auxiliar ocorrerá exclusiva- mente na Recuperação Intensiva, para atender alunos que continuem demandando mais oportunidades de aprendizagem. Assinale a alternativa que apresenta a classificação correta das afirmações, de acordo com a Resolução SE n.º 02/2012, de cima para baixo. (A) V; V; V. (B) F; V; F. (C) V; F; F. (D) F; V; V. (E) V; V; F.
  6. 6. 7 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 25. Em relação à linguagem empregada pelas personagens na tira, é correto afirmar que a expressão (A) “Ué?” é típica da linguagem oral, veiculando o senti- mento de irritação da personagem. (B) “caiu no sono” pode ser parafraseada, coloquialmente, por “dorme angelicalmente”. (C) “Venha”, típica da oralidade, deveria ser substituída por “Vem”, em linguagem formal. (D) “Você tem que”, própria da variante culta, equivale, em variante coloquial, a “Você deve”. (E) “beijar a boca dela”, coloquial, equivale em linguagem formal a “beijar-lhe a boca”. 26. Segundo Alfredo Bosi (2006), a poética do Parnasianismo se situa “na convergência de ideais antirromânticos, como a objetividade no trato dos temas e o culto da forma”. Nesse sentido, entende-se essa estética literária marcada (A) pela sublimação do sentimento e pela evasão do eu po- ético. (B) pelo apego exagerado à manifestação do eu-poético. (C) pela descrição nítida fundada no ideal da impessoali- dade. (D) pelo psicologismo que se aproxima da poesia intimista. (E) pela liberdade na criação do texto e na expressão das ideias. 27. Colomer e Camps (2002), ao tratarem a questão da leitura em sala de aula, observam que “aprender é uma atividade construtiva que o aprendiz deve levar a cabo. Contudo, para essa tarefa, é imprescindível a intervenção do adulto, que tem de exercer uma função de mediador a partir dos conhe- cimentos que o aluno já possui”. As autoras enfatizam, po- rém, que existe uma problemática no trabalho do professor, quando este, no papel de mediador, (A) repassa aos alunos informações gerais dos textos, ca- bendo a eles a interpretação. (B) acata todos os pontos de vista dos alunos, comprome- tendo a interpretação. (C) omite sua interpretação para evitar que os alunos sejam sugestionados por ela. (D) acaba normalmente por monopolizar a interpretação, impondo-a aos alunos. (E) confunde seu papel com o dos alunos, também fazendo uma leitura rasa dos textos. 23. O uso da conjunção “Mas”, no terceiro parágrafo, introduz informações que deixam claro que (A) o ventilador acoplado no micro-ondas age juntamente com a válvula para cozinhar os alimentos. (B) as ondas da válvula são insuficientes para cozinhar os alimentos, sendo fácil a perda de calor. (C) as ondas eletromagnéticas desviam do ventilador aco- plado no micro-ondas e cozinham os alimentos. (D) o processo de cozimento dos alimentos no micro-ondas depende, na maioria das vezes, do ventilador. (E) a água produz calor no micro-ondas e, dissipando-se ao redor dos alimentos pelo ventilador, cozinha-os. Leia a tira para responder às questões de números 24 e 25. (www.uol.com.br/niquel, 05.12.2011) 24. A tira estabelece um diálogo intertextual com o clássico con- to Branca de Neve, sendo que há (A) uma confluência dos sentidos dos textos, porque se for- mam a partir das mesmas intenções comunicativas, vol- tadas aos mesmos interlocutores. (B) uma base de sentido comum entre os textos e, ainda que os interlocutores não sejam os mesmos, as intenções co- municativas são. (C) uma alteração do sentido original, pois as intenções comunicativas não são as mesmas, apesar de os textos pertencerem ao mesmo gênero. (D) uma ressignificação dos sentidos, uma vez que as inten- ções comunicativas, bem como os interlocutores, não são os mesmos. (E) uma nova leitura do texto original, uma vez que se tra- ta de novos interlocutores, que se deparam com novos sentidos em um mesmo gênero.
  7. 7. 8SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 30. Em nossa sociedade, as linguagens e os códigos se multi- plicam: os meios de comunicação estão repletos de gráfi- cos, esquemas, diagramas, infográficos, fotografias e dese- nhos. O design diferencia produtos equivalentes quanto ao desempenho ou à qualidade. A publicidade circunda nossas vidas, exigindo permanentes tomadas de decisão e fazendo uso de linguagens sedutoras e até enigmáticas. Códigos so- noros e visuais estabelecem a comunicação nos diferentes espaços[…]. Para acompanhar tal contexto, a competência de leitura e de escrita contemplada nesta proposta vai além da lingua- gem verbal, vernácula – ainda que esta tenha papel funda- mental – e refere-se a sistemas simbólicos como os citados, pois essas múltiplas linguagens estão presentes no mundo contemporâneo, na vida cultural e política, bem como nas designações e nos conceitos científicos e tecnológicos usa- dos atualmente. (Proposta Curricular do Estado de São Paulo, 2008) Com base nas informações apresentadas, conclui-se que o processo de ensino e de aprendizagem de Língua Portuguesa fundamenta-se (A) na formação contínua, dentro da escola, como meio de acompanhar o desenvolvimento tecnológico e econô- mico vivido pelo país. (B) no multiletramento, preparando os alunos para a intera- ção em variadas situações comunicativas dentro e fora do ambiente escolar. (C) na concepção de uso utilitário da linguagem, natural numa sociedade capitalista, marcada pela formação rá- pida e superficial. (D) no acesso aos bens culturais variados, tendo estes maior relevância no contexto educacional do que as tradicio- nais disciplinas. (E) no uso de linguagens variadas, todas elas transpostas para a forma escrita, única que deve ser objeto de ensi- no na instituição escolar. Leia o texto para responder às questões de números 28 e 29. Poeta sempre e acima de tudo, inclusive nas obras em prosa, Sá-Carneiro plasmou pela primeira vez em Língua Portuguesa realidades até então insuspeitadas. Para tanto, violentou a ine- ficaz e espartilhante gramática tradicional e passou a usar uma sintaxe e um vocabulário novos, que lhe permitissem manipu- lar fórmulas expressivas pessoais, plásticas, maleáveis e aptas a surpreender o fluxo das ondas oníricas, o vago, o alucinado, as febres, os incêndios dos sentidos, a desmaterialização das coi- sas, a materialização das sensações, os sentimentos mais abstru- sos e sutis, as sinestesias mais inusitadas, as associações mais inesperadas. (Massaud Moisés, 2009) 28. A análise de Massaud Moisés está devidamente exemplifi- cada em: (A) Na minha Alma há um balouço / Que está sempre a ba- louçar - / Balouço à beira dum poço, / Bem difícil de montar... (B) Quando eu morrer batam em latas, / Rompam aos ber- ros e aos pinotes – / Façam estalar no ar chicotes, / Cha- mem palhaços e acrobatas. (C) Ah, que me metam entre cobertores, / E não me façam mais nada!... / Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada, / Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores! (D) Amor é chama que mata, / Dizem todos com razão, / É mal do coração / E com ele se endoidece. / O amor é um sorriso / Sorriso que desfalece. (E) Outrora imaginei escalar os céus / À força de ambição e nostalgia, / E doente-de-Novo, fui-me Deus / No grande rastro fulvo que me ardia. 29. Com a frase – ... violentou a ineficaz e espartilhante gramá- tica tradicional e passou a usar uma sintaxe e um vocabulá- rio novos... –, o autor mostra que (A) a gramática tradicional inevitavelmente limitava o es- pírito criador de Sá-Carneiro, levando-o a buscar novos expedientes expressivos. (B) Sá-Carneiro encontrou na gramática tradicional o ponto alto de sua poética, libertando-o das novas e ineficazes tendências. (C) a sintaxe e o vocabulário novos de Sá-Carneiro enrique- ceram-se com a gramática tradicional. (D) a gramática ineficaz impediu que Sá-Carneiro usasse produtivamente uma sintaxe e um vocabulário novos. (E) Sá-Carneiro se sentia sem estímulo para escrever, fosse com a gramática tradicional, fosse com uma sintaxe e vocabulário novos.
  8. 8. 9 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 33. Koch (2008) explica que existe ambiguidade referencial “quando surgem vários candidatos possíveis a referentes de uma forma remissiva”. A passagem do texto que exemplifica esse tipo de ambiguidade é: (A) Morreu nesta quarta-feira... (B) ... pela equipe que escreve no Twitter de Hebe. (C) ... em decorrência do mesmo tipo de câncer que sua irmã... (D) ... que envolve o aparelho digestivo. (E) Ela estava com 89 anos de idade. 34. Segundo Kleiman (2008), “o conhecimento linguístico desempenha um papel central no processamento do texto. Entende-se por processamento aquela atividade pela qual as palavras, unidades discretas, distintas, são agrupadas em unidades ou fatias maiores, também significativas, chama- das constituintes da frase. À medida que as palavras são per- cebidas, a nossa mente está ativa, preocupada em construir significados, e um dos primeiros passos nessa atividade é o agrupamento em frases”. Dessa forma, no processamento do texto, o conhecimento linguístico do leitor permitirá que ele reconheça adequadamente que, (A) na oração “Morreu nesta quarta-feira”, a opção pelo verbo no início do período não confere ao enuncia- do nenhuma intenção que altere o sentido da notícia. Nesse contexto, caberia também a formulação: Stella Monteiro de Camargo Reis, irmã da apresentadora Hebe Camargo, morreu nesta quinta-feira. (B) na expressão “pela equipe”, conforme o contexto em que está inserida, é possível identificar duplo de sentido para a interpretação, pois não se sabe se os membros pertencem à equipe médica que atendeu Stella no hos- pital ou se pertencem ao grupo de amigos de Hebe, que se comunicam pelo Twitter. (C) na frase “Hoje Rosalina foi encontrar Florisbela!”, os nomes próprios recuperam, respectivamente, Hebe Camargo e Stella Monteiro, funcionando, portanto, como elementos coesivos dêiticos na estruturação do texto, evitando, dessa forma, que haja possibilidades de uma interpretação indevida dos referentes textuais. (D) na passagem – “Hoje Rosalinda foi encontrar Floris- bela! Vá com Deus, tia Stella”, disseram. –, o verbo dizer flexiona em número, realizando a chamada con- cordância ideológica com o termo “equipe”, levando- -se em consideração que este carrega em si a ideia de pluralidade. (E) na oração “faleceu em decorrência do mesmo tipo de câncer”, a relação entre as informações é de causa e consequência e, nesse contexto, o enunciado poderia ser parafraseado, em norma-padrão da língua portugue- sa, da seguinte forma: faleceu devido o mesmo tipo de câncer. Leia os quadrinhos para responder às questões de números 31 e 32. Ih, pai. Não tinha um ? Porque ver um filme, ler um livro nessa telinha aí… maior Parabéns, querida! Parabéns, querida! Parabéns, querida! Hã? como assim? Esse é tamanho .standard Pô pai, notebook tem que ser , portátil. Como eu carrego isso? pequeno (http://tecnologia.uol.com.br) 31. Analisando a linguagem utilizada pela filha, entende-se que o uso das frases “Ih, pai.” e “Pô, pai.” (A) concorre para legitimar o registro formal escrito, evi- denciando a relação de respeito entre a filha e seu pai. (B) está adequado ao contexto, uma vez que os quadrinhos simulam uma conversa e, em contexto informal, tais usos são aceitáveis. (C) é incoerente com o contexto, pois elas infringem a re- lação hierárquica e de respeito que deveria haver entre pai e filha. (D) contém registros coloquiais comuns à fala dos jovens, apesar de comprometerem a coerência da situação co- municativa. (E) simula possível forma de expressão da filha com inten- ção clara de depreciar esse tipo de registro comum entre os jovens. 32. Levando em conta as condições de produção do discurso, a intenção do autor dos quadrinhos é criticar (A) a constante insatisfação dos jovens. (B) a velocidade dos avanços tecnológicos. (C) a falta de incentivo ao trabalho juvenil. (D) a obsessão dos pais pelo trabalho dos filhos. (E) a dificuldade dos pais para entender os filhos. Leia o texto para responder às questões de números 33 e 34. Morreu nesta quarta-feira, 26/06/2013, Stella Monteiro de Camargo Reis, irmã da apresentadora Hebe Camargo. A confir- mação da morte foi dada pela equipe que escreve no Twitter de Hebe. “Hoje Rosalinda foi encontrar Florisbela! Vá com Deus, tia Stella”, disseram. Hebe e Stella formaram uma dupla caipira, chamada Rosalinda e Florisbela, na década de 1940 para o pro- grama Arraial da Curva Torta e também cantavam nas rádios. Cláudio Pessutti, sobrinho de Hebe, contou à CARAS On- line que Stella faleceu em decorrência do mesmo tipo de câncer que sua irmã, no peritônio – membrana que envolve o aparelho digestivo. Ela estava com 89 anos de idade. (Morre Stella, irmã da apresentadora Hebe Camargo. Em: http://caras.uol.com.br)
  9. 9. 10SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa Leia o texto para responder às questões de números 37 e 38. olha a meu ver... o principa:l entrave entre o estudo da língua portuguesa nas escolas de primeiro e segundo grau... e os alunos diz basicamente referência ao método como se se trabalha ... e também à concepção de língua que se é trabalhada... a língua portuguesa não é esse fenômeno éh:: homogêneo... estático... que é vinculado pela gramática normativa... e pela/infelizmen- te... pela maioria dos grandes professores de língua portuguesa mas observamos que a língua evolui... a língua muda... e a escola precisa mudar e evoluir pra trazer o aluno que já é um falante e um usuário da língua portuguesa... a se envolver com o estudo da língua portuguesa (Marcuschi, 2007) 37. O texto é trecho da transcrição de uma entrevista original, no qual se representam na escrita alguns traços da fala. Uma ca- racterística da fala notadamente ausente na escrita formal é a (A) coesão. (B) concisão. (C) coerência. (D) ambiguidade. (E) descontinuidade. 38. Com base em Marcuschi (2007), uma retextualização possí- vel para o início do texto da entrevista é: (A) A meu ver, nas escolas de 1.º e 2.º graus, para o estu- do da língua portuguesa, com referência ao método e à concepção de língua, o maior entrave são os alunos. (B) Olha, a meu ver, o principal entrave entre o estudo da língua portuguesa nas escolas de 1.º e 2.º grau e os alunos diz basicamente referência ao método como se trabalha e também à concepção de língua que se é tra- balhada. (C) O entrave é a concepção de língua. (D) A meu ver, o principal entrave entre o estudo da língua portuguesa e os alunos, nas escolas de 1.º e 2.º graus, refere-se basicamente à concepção de língua que é tra- balhada. (E) Olha, o principal entrave entre o estudo da língua por- tuguesa nas escolas de 1.º e 2.º grau. E os alunos. Isso refere basicamente o método trabalhado nas escolas. E também a concepção de língua trabalhada. 35. Na literatura brasileira há dois momentos decisivos que mu- dam os rumos e vitalizam toda a inteligência [...]. Ambos representam fases culminantes de particularismo literário na dialética do local e do cosmopolita, ambos se inspiram, não obstante, no exemplo europeu. Mas, enquanto o primeiro procura superar a influência portuguesa e afirmar contra ela a peculiaridade literária do Brasil, o segundo já desconhece Portugal, pura e simplesmente: o diálogo perdera o morden- te e não ia além da conversa de salão. Um fato capital se torna deste modo claro na história da nossa cultura: a velha mãe-pátria deixara de existir para nós como termo a ser en- frentado e superado. (Antonio Candido, 2010) No texto, o autor refere-se, respectivamente, aos seguintes movimentos literários: (A) Barroco e Romantismo. (B) Arcadismo e Realismo. (C) Arcadismo e Romantismo. (D) Romantismo e Realismo. (E) Romantismo e Modernismo. 36. Nas aulas de língua portuguesa, é possível e desejável que os professores favoreçam aos alunos a fruição estética dos objetos culturais. Isso pode ser conseguido com (A) leituras de obras literárias, audições de gêneros musi- cais variados, idas a teatro. (B) fichamento das obras literárias mais representativas em literatura portuguesa. (C) pesquisa sobre os principais autores nacionais e leitura de trechos selecionados. (D) passeio à Bolsa de Valores, desenvolvimento de proje- tos filantrópicos, idas ao museu. (E) produção de relatos sobre leitura de poemas, leitura co- letiva, vídeos sobre literatura estrangeira.
  10. 10. 11 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 40. Ao inserir a canção de Adoniran Barbosa nas atividades de ensino, convém que os professores discutam com os alunos (A) a disparidade entre a norma culta e a norma coloquial, lembrando que esta decorre de fatores como a imigra- ção e a grande extensão territorial do país. Do ponto de vista temático, é interessante mostrar aos alunos que o tema da canção aparece na literatura de língua portu- guesa, com muito mais vigor, na poesia. (B) a legitimidade da expressão linguística, deixando cla- ro que a linguagem da canção traduz a identidade de determinado segmento social. Do ponto de vista te- mático, é interessante mostrar aos alunos que o tema da canção, a impossibilidade do amor, está presente na literatura de língua portuguesa, como em Eurico, o presbítero e Iracema. (C) a forma pouco convencional da expressão linguística presente na letra da canção, procedendo, em seguida, à reescrita do texto, adequando-o à norma-padrão da lín- gua, momento em que se enfatiza que os alunos devem ouvir canções expressas nesta norma. Quanto ao tema, sua abordagem é secundária à questão. (D) as possibilidades de expressão linguística, mostrando a riqueza da língua e deixando claro que é desejável usar as variantes linguísticas em todas as situações de co- municação. Quanto ao tema da canção, mostrar que ele é uma realidade também na literatura, em obras como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas. (E) a variação linguística, comum a todas as línguas, a qual deve ser vista com reservas, pois há uma norma de pres- tígio a nortear as principais situações de comunicações, orais e escritas. Do ponto de vista temático, é interes- sante mostrar aos alunos que o tema da canção, a desilu- são amorosa, aparece com intensidade no Romantismo brasileiro. Leia o texto para responder às questões de números 39 e 40. Iracema Iracema, eu nunca mais que te vi Iracema meu grande amor foi embora Chorei, eu chorei de dor porque Iracema, meu grande amor foi você Iracema, eu sempre dizia Cuidado ao travessá essas rua Eu falava, mas você não me escuitava não Iracema você travessô contra mão E hoje ela vive lá no céu E ela vive bem juntinho de nosso Senhor De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos Iracema, eu perdi o seu retrato. — Iracema, fartava vinte dias pra o nosso casamento Que nóis ia se casá Você atravesso a rua São João Veio um carro, te pega e te pincha no chão Você foi para Assistência, Iracema O chofer não teve curpa, Iracema Você travessô contra mão Paciência, Iracema, paciência! E hoje ela vive lá no céu E ela vive bem juntinho de nosso Senhor De lembranças guardo somente suas meias e seus sapatos Iracema, eu perdi o seu retrato. (Adoniran Barbosa, Iracema. Em: http://letras.mus.br. Adaptado) 39. Na canção, vê-se que a variação linguística se dá, princi- palmente, na fonética, no léxico e na sintaxe, como se pode comprovar, respectivamente, com os termos: (A) travessá, rua, casá. (B) escuitava, pra, travessô. (C) fartava, pincha, ia. (D) nóis, juntinho, escuitava. (E) pincha, chofer, retrato.
  11. 11. 12SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 42. Norman Fairclough (2008), ao discutir a Análise de Discur- so na perspectiva de Foucault, deixa claro que o discurso (A) é constituído na ordem social pelos sujeitos por ela afe- tados. Por isso, eles acabam por se tornar sempre a ori- gem real dos sentidos e da ideologia social. (B) é, por excelência, o espaço de determinação de poder social. Por essa razão ele tende, no mundo contemporâ- neo, a constituir objetivamente os sujeitos. (C) se instala na ordem social sem que se possa identificar nele uma natureza política. Apesar disso, ela vai ser-lhe sempre exterior, constituindo os sujeitos em uma outra ordem. (D) tende a cristalizar os sentidos e os sujeitos. Desse modo, as práticas discursivas em mutação tendem a ser raras na sociedade, o que impede a mudança social. (E) constitui o social e também os objetos e os sujeitos sociais. Além disso, reconhece que as práticas discursi- vas se fundamentam na interdiscursividade e na inter- textualidade. 43. Conforme descrita em Koch (2008), a teoria da atividade verbal (A) baseia-se no caráter psicológico da língua, cujas opera- ções com a linguagem são definidas sem influência de fatores sociais. (B) possui uma determinação social, fundamentando-se em ações e operações concretas para atingir o fim comuni- cativo. (C) é determinada por operações psicofisiológicas que ocorrem independentemente da existência de uma ne- cessidade comunicativa. (D) abrange os fatores sociais, concebendo-se a língua como um sistema, cujo domínio implica desconsiderar o entorno sociopsicológico. (E) está relacionada a uma visão da língua como sistema, a exemplo da linguística estruturalista, portanto, não afe- tada por fatores sociais. 44. Ao analisarem o resumo escolar, Schneuwly & Dolz (2004) ponderam que ele consiste (A) em uma atividade complexa de paráfrase para a qual é preciso compreender as diferentes vozes enunciativas que agem no texto a resumir. (B) na aplicação de regras simples de condensação, de eli- minação e de generalização, com especial intenção de tornar menor o texto a resumir. (C) em um exercício de reescrita, razão pela qual não assu- me o status de gênero ou texto dedicado àqueles com propósitos comunicativos definidos. (D) no tratamento das informações da superfície textual, primeiramente, garantindo-lhes a coesão, sem que seja preciso elucidar a lógica enunciativa. (E) em uma atividade mecânica pouco producente como instrumento de aprendizagem no trabalho de análise e interpretação de textos. 41. Analise a charge. LE CHEF ADÃO Pegue 12 minhocas! Esprema seu conteúdo. Lave bem para não ficar resquício de terra. Recheie-as com carne moída condimentada. Voila! As mini- linguiças! (www.adao.blog.uol.com.br, 12.06.2013) Com base na Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008), a charge apresentada seria um gênero adequado, no Ensino Fundamental, para se trabalhar com (A) o 6.º ano, em atividades de paráfrase com textos narrati- vos, como a história em quadrinhos, lembrando-se que se trata de gêneros utilizados com a mesma intenção comunicativa. (B) o 7.º ano, em atividades de paródia com textos jorna- lísticos, como a notícia, lembrando-se que se trata de gêneros utilizados com diferentes intenções comunica- tivas. (C) o 8.º ano, em atividades intertextuais com textos pres- critivos, como a receita, lembrando-se que se trata de gêneros utilizados com diferentes intenções comunica- tivas. (D) o 9.º ano, em atividades interdiscursivas com textos ex- positivos, como o relato oral, lembrando-se que se trata de gêneros utilizados com a mesma intenção comuni- cativa. (E) o 7.º ano, em atividades de paráfrase e paródia com tex- tos de relato de experiências, lembrando-se que se trata de gêneros utilizados com diferentes intenções comu- nicativas.
  12. 12. 13 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa Leia o texto para responder às questões de números 47 a 49. Visto que as línguas de cultura se baseiam hoje numa norma- tização, pergunta-se, com respeito ao estado do desenvolvimen- to do português brasileiro, se, dada a atual distância de normas, devemos continuar abandonando o sistema brasileiro para uma autorregulação linguística ou ter em conta a situação de língua, no sentido de dar uma orientação seletiva. Isso poderia, no âm- bito da colocação pronominal, por exemplo, conduzir para que a próclise seja aceita como usual na língua falada e que, na lín- gua escrita, a ênclise seja prevista somente em posição inicial do grupo rítmico. Nesse contexto, é surpreendente a observação do filólogo português F. A. Coelho que afirmou no final do século XIX: “acordar eles é correto no Brasil, por isso que é deter- minado pelas tendências características do falar brasileiro. [...] em Portugal é incorreto dizer acordar eles; no Brasil será muito provavelmente incorreto um dia dizer acordá-los. As línguas são arrastadas num movimento evolutivo, que as opiniões dos gra- máticos podem atenuar um pouco, mas nunca impedir” (F. A. Coelho, 1880-86: 173). (Volker Noll, 2008. Adaptado) 47. De acordo com a explicação de Noll, um enunciado aceitá- vel na língua falada brasileira é: (A) Lhe disse mais de uma vez, sem que ouvisse-me, que o não ofendera naquela discussão pela manhã. (B) O tendo encontrado na rua, lhe perguntei se não lembra- va-se de onde havíamos nos conhecido. (C) Se ensina, desde que me lembro por gente, que um pro- nome átono não pode figurar no início da frase. (D) Nos encontramos mais de uma vez durante o passeio, mas ainda não tinha visto-o como um estrangeiro. (E) Te falei e você ignorou meus conselhos, farei-te agora novas considerações e, por favor, as siga. 48. Na literatura, o reconhecimento da especificidade da língua falada no Brasil fez com que autores a incorporassem em suas obras. O trecho de Alfredo Bosi (2006) que corrobora essa informação é: (A) O labirinto dos significantes remete quase sempre a con- ceitos comuns que interessam ao poeta pelo fato de esta- rem ocultos. O que importa é não nomear plebeiamente o objeto, mas envolvê-lo em agudezas e torneios de en- genho, critérios básicos de valor na arte seiscentista. (B) As inovações atingem os vários estratos da linguagem literária, desde os caracteres materiais da pontuação e do traçado gráfico do texto até as estruturas fônicas, lé- xicas e sintáticas do discurso. (C) Seus traços de relevo: o gosto da descrição nítida (a mi- mese pela mimese), concepções tradicionalistas sobre metro, ritmo e rima e, no fundo, o ideal da impessoali- dade que partilhavam com os realistas do tempo. (D) Daí, também, os módulos novos da sua arte, de substân- cia negativa, feita de pausas, espaços brancos e rupturas sintáticas, que significam a morte das velhas retóricas e entendem desaguar no silêncio metafísico, única saída válida para o poeta. (E) O momento poético nasce de um encontro, embora amaneirado, com a natureza e os afetos comuns do ho- mem, refletidos através da tradição clássica e de formas bem definidas, julgadas dignas de imitação. 45. Determinada classe de 6.º ano produzia textos conforme o padrão: Era uma vez, em um reino encantado, um rei muito bondoso. Esse rei tinha uma filha. A filha do rei se chamava Liane. Um dia, Liane saiu para passear pela floresta. Na floresta, Liane se perdeu. O rei ficou esperando Liane. O rei chamou os cavaleiros para procurar sua filha. Os cavaleiros encontraram Liane na floresta. Liane voltou para o castelo. O rei ficou feliz. Em se tratando de produção textual, o principal investimen- to do professor dessa turma deverá ser com relação (A) ao emprego dos pronomes pessoais, evitando as ambi- guidades. (B) à coerência textual, evitando termos inadequados, como “castelo”. (C) ao emprego dos tempos verbais, explicitando-se ade- quadamente as ações. (D) à articulação das informações do texto, garantindo-lhe melhor coesão. (E) ao uso do discurso direto, reproduzindo-se as falas das personagens. 46. Analise os conceitos. – Ele será compreendido em sentido semiótico, podendo, assim, estar organizado a partir da combinação de diferentes linguagens, não apenas a verbal. – Relaciona os textos com suas funções sociocomunicativas: conteúdos, propriedades funcionais, estilo e composição estrutural. (Proposta Curricular do Estado de São Paulo, 2008. Adaptado) As informações apresentadas referem-se, respectivamente, aos conceitos de (A) texto e gênero. (B) gênero e discurso. (C) discurso e texto. (D) texto e enunciação. (E) enunciação e enunciado.
  13. 13. 14SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 50. Na Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008), afirma-se que “os alunos se apropriam mais facilmente do conhecimento quando ele é contextualizado, ou seja, quan- do faz sentido dentro de um encadeamento de informações, conceitos e atividades”. Essa contextualização pode se dar em três níveis: a contextualização sincrônica (CS), a contex- tualização diacrônica (CD) e a contextualização interativa (CI), que devem responder, respectivamente, às seguintes questões: (A) CS: De que maneira ela se apropriou de objetos cultu- rais de épocas anteriores a ela própria? CD: Como esse texto é visto hoje? Que tipo de interesse ele ainda desperta? CI: Quais foram as condições e as razões da sua pro- dução? De que maneira ele foi recebido em sua época? (B) CS: De que maneira cada objeto cultural se relaciona com outros objetos culturais? CD: Como se deu o acesso a ele? CI: Que características desse objeto fazem com que ele ainda seja estudado, apreciado ou valorizado? (C) CS: Como uma obra de arte foi apropriada por outros autores em períodos posteriores? CD: Quais as condições sociais, econômicas e culturais da sua produção e recepção? CI: Como um mesmo objeto foi apropriado por grupos sociais diferentes? (D) CS: Que características desse objeto fazem com que ele ainda seja estudado, apreciado ou valorizado? CD: Quais foram as condições e as razões da sua pro- dução? De que maneira ele foi recebido em sua época? CI: Como uma mesma ideia, um mesmo sentimento, uma mesma informação é tratada pelas diferentes lin- guagens? (E) CS: Quais foram as condições e as razões da produção do objeto cultural? De que maneira ele foi recebido em sua época? Como se deu o acesso a ele? CD: De que maneira aquela obra, aquela ideia, aquela teoria, se inscreve na História da Cultura, da Arte e das Ideias? Como ela foi apropriada por outros autores em períodos posteriores? CI: Como esse texto é visto hoje? Que tipo de interesse ele ainda desperta? 49. O enunciado – Visto que as línguas de cultura se baseiam hoje numa normatização, pergunta-se, com respeito ao es- tado do desenvolvimento do português brasileiro, se... –, reescrito em norma-padrão e em variante coloquial, sem prejuízo do sentido original, assume, respectivamente, as seguintes formas: (A) As línguas de cultura se baseiam hoje numa normatiza- ção, pergunta-se, então, em relação ao estado do desen- volvimento do português brasileiro, se... / As línguas de cultura se baseiam hoje numa normatização, pergunta- -se, por causa disso, o estado do desenvolvimento do português brasileiro, se... (B) Embora as línguas de cultura se baseiam hoje numa normatização, pergunta-se, em relação ao estado do de- senvolvimento do português brasileiro, se... / Porque as línguas de cultura se baseiam hoje numa normatização, pergunta-se, sobre o estado do desenvolvimento do por- tuguês brasileiro, se... (C) Devido às línguas de cultura se basearem hoje numa normatização, pergunta-se, em relação o estado do de- senvolvimento do português brasileiro, se... / Devido às línguas de cultura se basear hoje numa normatização, pergunta-se, quando se referem o estado do desenvolvi- mento do português brasileiro, se... (D) Como as línguas de cultura se baseiam hoje numa nor- matização, pergunta-se, em relação ao estado do desen- volvimento do português brasileiro, se... / Por causa que as línguas de cultura se baseiam hoje numa normatiza- ção, pergunta-se, em relação o estado do desenvolvi- mento do português brasileiro, se... (E) As línguas de cultura se baseiam hoje numa normatiza- ção, pergunta-se, portanto, em relação o estado do de- senvolvimento do português brasileiro, se... / Por causa das línguas de cultura se basearem hoje numa normati- zação, pergunta-se, por causa do estado do desenvolvi- mento do português brasileiro, se...
  14. 14. 15 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 52. O texto deixa claro que a língua constitui fonte de legitima- ção de acordos e condutas, pois (A) as pessoas de hoje, cada vez mais, tendem a desconfiar das prescrições médicas. (B) o discurso do emagrecimento foi incorporado ao coti- diano das pessoas de hoje. (C) as pessoas de hoje tendem a proibir que se comam ali- mentos gordurosos. (D) o pensamento das pessoas não muda: hoje, como no passado, se quer emagrecer. (E) os novos produtos alimentares têm despertado menos a gula nas pessoas de hoje. 53. No quarto parágrafo do texto, identifica-se na argumentação do autor (A) a ambiguidade, descrevendo os problemas da obesidade de forma impessoal. (B) o exagero, mostrando criticamente os perigos de uma dieta rica em gordura e calorias. (C) a redundância, tentando mostrar que ações contra a ali- mentação serão infrutíferas. (D) o paradoxo, negando que a restrição aos alimentos pou- co saudáveis seja adequada. (E) a ironia, criticando as eventuais restrições que possam ser aplicadas aos alimentos. 54. Colomer e Camps (2002) explicam que “deve ser possível o reconhecimento das diferentes unidades do código linguís- tico a partir da perspectiva de sua função concreta no tex- to que se lê. Nesse sentido, a atribuição de significado das palavras será orientada pelas relações de significado com as outras palavras do texto”. Levando em consideração as relações entre as palavras no enunciado, é correto afirmar que o termo (A) “Mas” (1.º parágrafo) opõe uma intenção de esnobismo a uma de modéstia. (B) “pandulho” (2.º parágrafo) remete ao significado pejo- rativo de lixo. (C) “americanos” (3.º parágrafo) remete ao significado de qualquer habitante das Américas. (D) “como” (3.º parágrafo, 1.ª ocorrência) expressa o signi- ficado de causa. (E) “isso” (4.º parágrafo, início) retoma a expressão “des- cobrem o antídoto”. Leia o texto para responder às questões de números 51 a 55. Utopia emagrecer RIO DE JANEIRO – Numa entrevista recente ao jornal “Bafafá”, aqui do Rio, fui perguntado por meu amigo Ricardo Rebelo se tinha alguma utopia. Pensei em citar o bem de todos e a felicidade geral da nação, a paz na terra entre os homens de boa vontade e o clássico trabalhadores de todo o mundo, uni- -vos. Mas, diante da dificuldade de aplicação desses programas, preferi ser modesto. Respondi: “Emagrecer”. Dias depois, a Associação Americana de Medicina decretou que obesidade é doença, e não falta de caráter de quem – não é o meu caso – passa o dia mandando frituras, gorduras trans e açú- cares para o pandulho, e regando tudo com baldes de refrigerante ou cerveja. Por causa dessa dieta mortífera, um em cada três americanos é obeso e sujeito a diabetes tipo 2, hipertensão, AVC, infarto, câncer, queda da libido e a ficar entalado nos cubículos das lojas de roupas – e sabe disso, mas não tem forças para mudar. Óbvio: se é uma doença, não é uma questão de querer. Mas, como os americanos sempre descobrem o antídoto para os venenos que fabricam, prevê-se que logo estenderão à comida as restrições que aplicam ao fumo – e, como sempre, os seguiremos. Com isso, ficará proibido comer pizza, cheeseburger e batata frita em recintos fechados e nos coletivos, inclusive aeronaves. As embalagens de donuts, macarrão instantâneo e salgadinhos de milho terão de exibir advertências do Ministério da Saúde, com fotos de órgãos adiposos e se desfazendo. A venda de torpe- dos tipo cheetos, doritos e baconzitos será vedada a menores de 18 anos. E nenhuma bebida gasosa, exceto água, poderá patroci- nar eventos como a Copa, o Rock in Rio e a Jornada Mundial da Juventude – neste último, só se admitirá a água benta. Ou seja, emagrecer deixou de ser um problema pessoal. Tor- nou-se uma das utopias de nosso tempo. (Ruy Castro, Utopia emagrecer. Folha de S.Paulo, 01.07.2013) 51. Bakhtin (2010) afirma: “A relação dialógica é uma relação (de sentido) que se estabelece entre enunciados na comuni- cação verbal. Dois enunciados quaisquer, se justapostos no plano do sentido (não como objeto ou exemplo linguístico), entabularão uma relação dialógica”. Com base nesse concei- to, é correto afirmar que, no texto de Ruy Castro, evidencia- -se uma relação dialógica entre as informações presentes no (A) primeiro parágrafo e a retomada de frases reconhecidas como clichês. (B) segundo parágrafo e as propagandas governamentais em prol da saúde. (C) terceiro parágrafo e o conhecimento milenar sobre os males da obesidade. (D) quarto parágrafo e a onda crescente de produtos estran- geiros no país. (E) quinto parágrafo e o discurso corrente de que é impos- sível emagrecer.
  15. 15. 16SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 57. Leia o poema. Oração no Saco de Mangaratiba Nossa Senhora me dê paciência Para estes mares para esta vida! Me dê paciência pra que eu não caia Pra que eu não pare nesta existência Tão mal cumprida tão mais comprida Do que a restinga de Marambaia!... (Manuel Bandeira, Oração no Saco de Mangaratiba. Em Nilce Sant’Anna Martins, 2008) Entre as palavras em destaque, o estabelecimento de sentido se funda (A) na anonimação, ou seja, o mesmo radical deu origem a essas duas palavras. (B) no homeoteleuto, ou seja, aparece uma terminação igual em palavras próximas. (C) na paronomásia, ou seja, há sonoridades análogas para palavras de sentidos diferentes. (D) na onomatopeia, ou seja, um mesmo som se repete em palavras diferentes. (E) no eco, ou seja, a repetição indesejável do mesmo som no final das palavras. 58. Leia a charge. Você ouviu falar dessa terrível ameba? Que entra em nosso corpo e come nosso cérebro! Sim, ouvi falar… … Essa ameba se chama televisão! (www.adao.blog.uol.com.br, 25.10.2012) Sílvia Helena Simões Borelli, em Gêneros ficcionais: ma- terialidade, cotidiano, imaginário (em Mauro Wilton de Souza, 1995), ao discutir a relação entre gênero e ideolo- gia, explica que esta (A) é instrumento de regulamentação das instituições cultu- rais, atingindo a todos da mesma forma, como exposto na charge. (B) pode criar a ilusão e o falseamento da realidade circun- dante, assim como apresentado na situação da charge. (C) induz uma leitura bastante plausível da realidade das pessoas, contrariando a situação apresentada na charge. (D) pode tornar o telespectador insensível à ideologia, ainda que absorva os valores da mídia, como na situação apre- sentada na charge. (E) restringe a possibilidade de livre atribuição de signifi- cados por parte da comunidade interpretante, conforme apresentado na charge. 55. Os professores de uma escola, ao trabalharem a leitura do texto de Ruy Castro, poderão propor: leituras em mídia impressa e digital sobre a questão da obesidade e do ema- grecimento, questionário a toda a comunidade escolar para análise de seus hábitos alimentares, pesquisa de vídeos que tratem o tema, identificação do tema nas artes em geral, elaboração de fôlderes sobre cuidados com a saúde e dieta saudável. Tais atividades, em projetos intertextuais e inter- disciplinares, estarão adequadas ao processo de ensino e de aprendizagem, se (A) organizadas em conformidade com a Proposta Curricu- lar do Estado de São Paulo, explorando linguagens múl- tiplas, garantindo o contato dos alunos com as varieda- des linguísticas, tomadas para correção e adequação à norma de prestígio. (B) baseadas em rigorosa bibliografia científica, pautada em textos bem escritos, em norma-padrão da língua portuguesa, graduadas em um crescente de dificuldades que favoreça o amadurecimento dos alunos em leitura e escrita. (C) fundamentadas em situações reais de usos da lingua- gem, em contextos específicos de comunicação, pauta- dos por práticas sociais que favoreçam o processo cria- tivo dos alunos e a sua autonomia para desenvolvê-las de forma producente. (D) sequenciadas em função da maturidade dos alunos, pre- vendo a intervenção do professor para a realização de todas as atividades, de maneira especial às de pesquisa na internet, evitando-se problemas com a obtenção das informações digitais. (E) articuladas em torno de projetos de escrita, uma vez que o escopo das aulas deve ser a produção de textos es- critos, resgatando-se, dessa forma, os padrões escolares atualmente pouco seguidos para realizá-las, conforme exigido socialmente. 56. De acordo com a Proposta Curricular do Estado de São Paulo (2008), “No Ensino Médio, os conteúdos disciplinares fo- ram organizados em quatro grandes campos de estudo que se entrecruzam e se orientam a partir de importantes ques- tionamentos sociais”. Nesse sentido, a produção de materiais didáticos ou a seleção de livros didáticos devem (A) descrever as possibilidades de sentido previstas na lín- gua, sem reconhecer nisso aspectos literários, os quais cabem ao texto ficcional ou poético. (B) reconhecer a especificidade da língua e da literatura, de tal forma que se constituam em campos distintos de in- vestigação e de produção de sentidos. (C) legitimar a literatura como uma realidade semiótica produtora de sentidos, notadamente conotados, e reco- nhecer a língua como um sistema fechado. (D) tratar língua e literatura como realidades intersemióti- cas, ou seja, de forma complementar, cuja intersecção aponta para a produção de sentidos. (E) explorar a fluidez entre língua e literatura, recuperando o conceito de que esta busca, por meio daquela, repre- sentar objetivamente a realidade.
  16. 16. 17 SEED1301/021-PEB-II-Prof-II-LínguaPortuguesa 59. Eagleton (2006) analisa a estética da recepção, enfatizando que ela centra a sua atenção no (A) leitor, reconhecendo que os textos literários guardam processos de significação que só se materializam na prática da leitura. (B) texto, reconhecendo que é preciso isolá-lo do contexto histórico concreto da criação da obra literária, imune a qualquer coisa fora dele. (C) autor, reconhecendo que os textos literários são exis- tencialistas, no campo da filosofia que medita sobre a sensação de estar vivo. (D) contexto, reconhecendo que os textos reproduzem o mundo como um sistema de coisas que estão natural- mente interrelacionadas. (E) social, reconhecendo que as condições históricas con- cretas devem fundamentar a criação das obras literárias. 60. Observe a charge. (Gazeta do Povo, 27.08.2012) Na charge, os sentidos são estabelecidos apenas por meio da linguagem não verbal. Supondo-se que o professor leve-a para sala de aula para análise e, ao final da discussão, peça aos alunos que lhe atribuam um título, é de se esperar que este seja elaborado no campo semântico (A) da ética. (B) do devaneio. (C) do otimismo. (D) do exibicionismo. (E) da manipulação.
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