A linha do tempo aula 01

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A linha do tempo aula 01

  1. 1. LINHA DO TEMPO A História da Educação dos Surdos Profª. Ms Andréa Carla Lima CoelhoProfª. Ms Andréa Carla Lima Coelho Fonoaudióloga/ Esp. Audiologia Clínica Mestre em Ciências da lgg/ Responsável Técnica AUDIBEL Recife Coordenadora do Núcleo de Acessibilidade-NAG/FG
  2. 2. “A historia começa impedindo os sujeito surdo de ser” Gladis Perlin, 1998
  3. 3. • Gregos criação da escrita até a queda do império Romano do Ocidente (476 d.C.) • Aristóteles 4000 a.C. a 3500 a.C. • Aristóteles Linguagem é o que dá condição humana para o indivíduo Surdo Cegos eram mais inteligentes que Surdos • Egito/Rio Nilo: Surdos eram adorados, eram mediadores entre deuses e faraós • Persas: Surdos também adorados – sinais de deuses • Chineses: Surdos eram sacrificados
  4. 4. AUDIÇÃO FALANÃO ESCUTA SEM ENSINAMENTOS NÃO DESENVOLVIMENTO LINGUAGEM PENSAMENTO CONDIÇÃO HUMANA “NÃO HUMANO”SURDOS
  5. 5. ANTIGUIDADE • O imperador Justiniano, em 528 a.C -Roma – Negava ao surdo contratos, casamentos, testamentos e heranças • Imperador César Augusto – Dá-lhes direitos às artes e nega o acesso à ciência. “Reduções legais ao sujeito surdo, no entanto já se começa a reconhecer o surdo como sujeito” Gladis Perlin, 1998
  6. 6. SURDOS = SEM FALA Receber Idade Antiga Gregos e Romanos Capacidade Intelectual Direitos Legais Alma imortal Receber ensinamentos
  7. 7. conceitoconceitoconceitoconceito linguagemlinguagemlinguagemlinguagem ֠֠ Surdez x Comunicação cérebrocérebrocérebrocérebro audiçãoaudiçãoaudiçãoaudição vozvozvozvoz linguagemlinguagemlinguagemlinguagem
  8. 8. • Resolve-se tentar salvar os surdos • Percebem que eles podem ser educados (ler escrever. Assim teriam o DOM DA PALAVRA= HUMANOS Final da IDADE MÉDIA Início da IDADE MODERNA Médicos, filósofos e educadores começam a se interessar em educar os surdos; • Sócrates – Os surdos deveriam se comunicar com as mãos • Santo Agostinho – Pais de filhos surdos pagando por pecados – Gestos para a salvação da alma.
  9. 9. – Surdos não tinham acesso a salvação - Paulo, na Epístole aos Romanos cita que a fé provém do ouvir a palavra de Cristo. – Sua alma não era imortal porque não tinha como receber e dizer os sacramentos – Direitos legais não eram assegurados • No final do Século V - início da educação • Educação Preceptora-Institucionalizada – Surdos de famílias nobres– Surdos de famílias nobres – Ensino da fala, leitura e escrita – Heranças • Até o Séc.XII não podiam se casar. Até o Séc XV havia a crença de que o surdo era uma pessoa primitiva que não poderia ser educado. Eles viviam a margem da sociedade e não tinham nenhum direito assegurado.
  10. 10. IDADE MODERNA Séc XVI: PONCE DE LÉON (1520-1584) Monge beneditino ( Espanha), Iníciou do uso de Sinais na sala de aula • Considerado 1º. Professor de Surdos na história. • Educação de filhos de nobres e de famílias de grande fortuna. Direito a herança ⇒ só acontecia caso aprendessem a falar A possibilidade de o Surdo falar implicava no seu reconhecimento como cidadão e conseqüentemente no seu direito de receber fortuna e título familiar • Serviu de base para diversos educadores de Surdos. • Usava datilologia, escrita e oralização • 1579 (representação de um alfabeto digital- Obra “Cosmas Rosselius” em Veneza)
  11. 11. IDADE MODERNA Séc XVII : BONET, Juan Pablo (1579-1629) • Filólogo, lança em 1620 o livro “Reduccion de las letras y artes para ensenãr a hablar a los mudos”. • Seria mais fácil o Surdo aprender a ler, se cada som da fala fosse representado por uma forma visível invariável: alfabeto digital.representado por uma forma visível invariável: alfabeto digital. • O alfabeto digital era usado para ensinar a ler, e foi utilizado por todos os educadores que acreditavam na necessidade de pista visual para o ensino do Surdo. • A gramática era ensinada através da Língua de Sinais e a LOF dependia da habilidade de cada aluno. A base oralista de seu trabalho serviu como modelo para:
  12. 12. Séc XVIII: PEREIRE, Jacob Rodrigues (1715 – 1780) • Países de língua de origem latina • Fluente em LS, mas defensor do Oralismo • Não trabalhava especificamente a LOF • Nos seus últimos anos de vida, parou de tentar converter os surdos em falantes Séc XVIII:AMMAN, Johann Conrad • Principal expoente do Movimento Oralista Alemão • Publicou um livro sobre modelo de educação para Surdo na Alemanha a nível Institucional, que foi iniciado por Samuel Heinicke (1723 – 1790); • “ Fala tinha poderes especiais ” na voz residiria o sopro da vida, o espírito de• “ Fala tinha poderes especiais ” na voz residiria o sopro da vida, o espírito de Deus”; • Acredita ser o ensino da língua oral, e a rejeição da língua de sinais, a situação ideal para integrar o surdo na comunidade geral. Séc XVIII: WALLIS, John (1616-1703) • Ilhas britânicas. • Considerado o fundador do Oralismo na Inglaterra. • Escreveu o 1º. Livro inglês sobre a Educação do Surdo (1698). • Trabalhou com poucos surdos, e logo desistiu de ensiná-los a falar, apesar de declarar que era fácil fazê-lo. • Usava os sinais e os considerava importantes para ensinar os Surdos.
  13. 13. IDADE MODERNA Séc XVIII : DE L´Epée, Charles- Michel (1712-1789) • 1ª. Escola pública para Surdos-mudos no mundo (1755 - França) • Responsável pela criação do Instituto Nacional para Surdos-Mudos, em Paris. primeira escola a obter apoio público. Defendeu o direito à educação, que deveria ser pública e gratuita. • Formou diversos professores e cria 21 escolas na França e no resto da Europa • Reconheceu a existência da LS e que esta se desenvolvia e servia como• Reconheceu a existência da LS e que esta se desenvolvia e servia como base comunicativa essencial entre Surdos. • Introduziu os sinais como elemento prioritário, aboliu a idéia de que para adquirir conhecimento era necessário falar • Criticava o ensino da fala e o uso isolado do alfabeto digital. • Seu mérito foi reconhecer que os surdo possuíam uma língua, mas considerada que não tinha gramática e não podia ser usada para ensinar o surdo a escrever. • Criou os Sinais metódicos baseado na combinação da LS + estrutura da língua oral Francesa.
  14. 14. IDADE MODERNA Séc XVIII:BRAIDWOOD, Thomas • Segue a proposta de Wallis • Funda escola em Edimburgo (1º. Local para correção da fala na Europa) • Técnica mantida em segredo: Surdos aprendiam palavras escritas, seu significado, sua pronúncia e LOF, além do alfabeto digital) • A família de Braidwood percebeu que o ensino da fala para surdos era inútil e, gradualmente, foi diminuindo a carga dada ao ensino da mesma nas escolas fundadas por eles
  15. 15. A Educação dos Surdos nos EUA Séc XVIII GALLAUDET, Thomas (1787-1851) • Inglaterra ( Método de Braidwood) ; França ( Método de L`Epée). • Com Laurent Clerk funda a Hartford School em 1817- Primeira escola Americana para Surdos • Procura conhecer o método de Bradwood (oral) ⇒ segredo por questões financeiras ⇒ vai a França conhecer o métodopor questões financeiras ⇒ vai a França conhecer o método de l`Epée. • LS francesa LS americana, inglês escrito, alfabeto digital. • 1864 Criada nos EUA 1ª. Universidade Nacional para Surdos- Mudos (Washington), fundada por Edward Gallaudet, hoje a Universidade de Gallaudet. • 1869: 30 escolas para Surdos nos EUA.
  16. 16. A Educação dos Surdos nos EUA Séc XVIII : HORACE MANN e SAMUEL HOWE • Grande influência no processo de eliminação do uso da LS na educação do Surdo nos EUA. • A Alemanha desde o séc XVIII tentava desalojar o lugar que• A Alemanha desde o séc XVIII tentava desalojar o lugar que os Sinais tinham na educação do Surdo. • HOWE : acreditava que as escolas residenciais e a propagação dos Sinais criavam a segregação do Surdo e a formação de uma classe especial. • Através dos argumentos que refletiam verdades/ desejos/ preconceitos dos ouvintes estava instaurado o Oralismo nos EUA.
  17. 17. A Educação dos Surdos nos EUA GRAHAN BELL, Alexander • Ferrenho defensor do Oralismo. • A hegemonia da maioria ouvinte sobre os Surdos é evidente em seu discurso)discurso) • BELL (1847-1920) partidário da eugenia (melhoramento genético ) • existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução. • Defendia a superioridade da língua oral; necessidade de evitar que os Surdos se reúnam numa sociedade de surdos, pois isso os impediria de se integrarem numa sociedade de ouvintes) • Crescem as pressões para que a oralidade tenha lugar prioritário.
  18. 18. A Educação dos Surdos nos EUA • CLERK: – Surdez: diferença social – Surdos: acesso à Língua de Sinais e cultura própria. • BELL: – Surdez: doença – Surdos: encobrir seu estigma (sinais) e passar por ouvintecultura própria. – Educação: satisfação e enriquecimento pessoal. – Língua de Sinais: respeitada e preservada. passar por ouvinte – Educação: integração social. – Língua de Sinais: inferior à fala.
  19. 19. IDADE CONTEMPORÂNEA CONGRESSO DE MILÃO (1880) • Marco na história da educação do surdo. • Objetivo: Oralismo X Língua de Sinais. • Reafirmou a necessidade de substituição da LS pela língua oral nacional: culto a palavra oral;culto a palavra oral; retomada dos princípios de Aristóteles. • A fala viva era privilégio do homem, o único e correto veiculo do pensamento, a dádiva divina e a expressão da alma. As decisões influenciaram todo o mundo principalmente a Europa e a América Latina
  20. 20. Resoluções : • Superioridade incontestável da fala sobre os Sinais para reintegrar os Surdos-Mudos na vida social e para dar-lhes maior facilidade de linguagem • Declara que o método de articulação deve ter preferência sobre o de sinais na instrução e educação dos surdos e mudos • O método oral puro deve ser preferido porque o uso simultâneo de sinais e CONGRESSO DE MILÃO (1880) • O método oral puro deve ser preferido porque o uso simultâneo de sinais e fala tem a desvantagem de prejudicar a fala, a leitura orofacial e a precisão de idéias • A fala é superior à Língua de Sinais e por isso deve ser usada exclusivamente, pelo Surdo, pois o uso de sinais atrapalha sua aquisição • O oralismo puro toma conta da Europa: professores surdos são demitidos das escolas • Dissipação das comunidades surdas.
  21. 21. IDADE CONTEMPORÂNEA Séc XX Primeiros relatos de insucesso do Oralismo: – Surdos não usam a fala como ouvintes – Não conseguem trabalho – Dependentes dos ouvintes Os que não progrediam na oralidade eram considerados deficientes mentais com necessidades especiais Surdos = subclasse sem poder para decidir o que é melhor para eles; deveriam se curvar frente ao “conhecimento” e poder daqueles que o detinham Mesmo proibida a LSLS continuou vivaviva onde quer que os Surdos se encontrassem.
  22. 22. • 1902/1912- Comercialização dos primeiros aparelhos de surdez • 1960 Stokoe 1º estudo lingüístico sobre LIBRAS. • Década de 70 com Dorathy Schifflet “Total Approach” - Califórnia • 1978 III Congresso Internacional (Gallaudet) : divulgação da idéias da Comunicação Total influenciando diversos países • 1981 Parlamento Sueco aprova lei- Bilíngüe • 1983 Novo Currículo para surdos na Suécia. • 1987 Lançada a proposta Bilíngüe no Uruguai • 1990 Sanchéz implanta em 42 escolas públicas da Venezuela a proposta Bilíngüe. • 1911É remodelado o regulamento do Instituto Nacional de Surdos • 1933 Criado o Instituto Santa Terezinha/SP.
  23. 23. • 1969 Eugênio Oates (missionário americano) -tentativa de registrar a Língua de Sinais • Final de década de 70 Introduzida a Comunicação Total pela profa Ivete Vasconcelos, no Brasil • 1981 Início da pesquisas sistematizadas sobre a LIBRAS. • 1983 Criação da comissão de luta pelos direitos dos Surdos. • 1986 Centro SUVAG/PE adota o Bilingüismo. • 1987 Criação da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos-FENEIS
  24. 24. • 1991 a LIBRAS é reconhecida oficialmente pelo Governo do Estado de Minas Gerais • 1993 II Congresso Latino-Americano de Bilingüismo – RJ • Simpósio Internacional de Língua de Sinais e Educação do Surdo – SP • A sigla LIBRAS é reconhecida pela comunidade acadêmica • 1994- Programa Vejo Vozes • 1995- Comitê Pró-Oficialização da Língua de Sinais • 2002- Oficialização da LIBRAS
  25. 25. Desde o início, o homem associava a surdez à deficiência e a diferença à incapacidade. Esta forma de conceber o surdo contribuiu para que ele se tornasse vítima da exclusão social. Quanto desses conceitos da Antiguidade e Idade Média ainda existem nos dias de hoje?

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