Adélia Prado
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funcionário do Banco do Brasil. Dessa união nasceram cinco
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POESIA:
- Bagagem, - 1976
- O coração disparado, - 1978
- Terra de Santa Cruz, - 1981
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Adélia costuma dizer que o cotidiano é a
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Adélia não cultua a desesperança, a derrota, e o
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Reflexão metalinguística
De fato, a poesia adeliana vai aliando essas possibilidades de
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Sabemos que esse é um predicado peculiar à prosa, mas que
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Catequese 11
poemas
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“Ó crux ave, spes única
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1-O título- Já é sugestivo por si só, se a ele associarmos, do
calendário litúrgico, a festa de Corpus Christi. “... na Ig...
3-O crime- “Nisto consiste o crime, /em fotografar uma mulher
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4- A paixão- Essa paixão que a poesia anuncia revela a humanidade
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Casamento
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Meu marido, se quiser pescar, pesque
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da ...
Em poucas palavras, ela demonstra o
quanto vale a pena doar-se para ter pequenos
grandes prazeres. Momentos considerados
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Adélia Prado

  1. 1. Adélia Prado "Moça feita, li Drummond a primeira vez em prosa. Muitos anos mais tarde, Guimarães Rosa, Clarice. Esta é a minha turma, pensei. Gostam do que eu gosto. Minha felicidade foi imensa. Continuava a escrever, mas enfadara- me do meu próprio tom, esgotado de fontes que não a minha. Até que um dia, propriamente após a morte do meu pai, começo a escrever torrencialmente e percebo uma fala minha, diversa da dos autores que amava. É isto, é a minha fala."
  2. 2. Adélia Luzia Prado Freitas nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, no dia 13 de dezembro de 1935, filha do ferroviário João do Prado Filho e de Ana Clotilde Corrêa. Leva uma vidinha pacata naquela cidade do interior. 1935 1950 Falece sua mãe. Tal acontecimento faz com que a autora escreva seus primeiros versos. 1953 Conclui o Magistério 1955 Começa a lecionar no Ginásio Estadual Luiz de Mello Viana Sobrinho. “Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.”
  3. 3. Casa-se, em Divinópolis, com José Assunção de Freitas, funcionário do Banco do Brasil. Dessa união nasceram cinco filhos: Eugênio (em 1959), Rubem (1961), Sarah (1962), Jordano (1963) e Ana Beatriz (1966). 1958 Antes do nascimento da última filha, a escritora e o marido iniciam o curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis. 1973 1972 Morre seu pai. Forma-se em Filosofia. Nessa ocasião envia carta e originais de seus novos poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna, que os submete à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.
  4. 4. 1975 Drummond sugere a publicação do livro de Adélia. No dia 09 de outubro, Drummond publica uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito da escritora. Lança o livro Bagagem com a presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck, Affonso Romano de Sant'Anna, Nélida Piñon e Alphonsus de Guimaraens Filho, entre outros. 1976 Marca o lançamento de O coração disparado que é agraciado com o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. 1978 1979 Estreia na prosa com Soltem os cachorros e abandona o magistério.
  5. 5. 1980 Dirige o grupo teatral amador Cara e Coragem na montagem de O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. Publica Cacos para um vitral 1981 . Publica Terra de Santa Cruz. 1984 Publica Os componentes da banda. 1985 Participa em Portugal de um programa de intercâmbio cultural entre autores brasileiros e portugueses, e em Havana, Cuba, do II Encontro de Intelectuais pela Soberania dos Povos de Nossa América. 1987 Fernanda Montenegro estreia no Teatro o espetáculo Dona Doida: um interlúdio, baseado em textos de livros da autora. A montagem fez grande sucesso, tendo sido apresentada em diversos estados brasileiros e, também, nos EUA, Itália e Portugal. De 1983 a 1988 exerce as funções de Chefe da Divisão Cultural da Secretaria Municipal de Educação e da Cultura de Divinópolis.
  6. 6. Apresenta-se, em Nova York, na Semana Brasileira de Poesia, evento promovido pelo Comitê Internacional pela Poesia. É publicado A faca no peito. 1988 1991 É publicada sua Poesia Reunida. 1994 Após anos de silêncio poético, ressurge Adélia Prado com o livro O homem da mão seca. Conta a autora que o livro foi iniciado em 1987, mas, depois de concluir o primeiro capítulo, foi acometida de uma crise de depressão, que a bloquearia literariamente por longo tempo. 1999 Publica Oráculos de maio. 2010 Publica A duração do dia. 2013 Publica Miserere
  7. 7. POESIA: - Bagagem, - 1976 - O coração disparado, - 1978 - Terra de Santa Cruz, - 1981 - O pelicano, - 1987 - A faca no peito, - 1988 - Oráculos de maio, - 1999 - A duração do dia, - 2010 - Miserere, - 2013 PROSA: - Solte os cachorros, - 1979 - Cacos para um vitral, - 1980 - Os componentes da banda, - 1984 - O homem da mão seca, - 1994 - Manuscritos de Felipa, - 1999 - Filandras, - 2001 - Quero minha mãe ,- 2005 - Quando eu era pequena, - 2006.
  8. 8. Adélia costuma dizer que o cotidiano é a própria condição da literatura. Morando na pequena Divinópolis, cidade com aproximadamente 200.000 habitantes, estão em sua prosa e em sua poesia temas recorrentes da vida de província, a moça que arruma a cozinha, a missa, um certo cheiro do mato, vizinhos, a gente de lá. Deus é personagem principal em sua obra. Ele está em tudo. Não apenas Ele, mas a fé católica, a reza, a lida cristã.
  9. 9. Adélia não cultua a desesperança, a derrota, e o desencanto. Não crê na morte como fim (mas treme de pensar nela). A fé cristã para Adélia é baluarte, sustentáculo que a habilita a enfrentar qualquer adversidade. Vale lembrar que sua poesia tem muitas vezes um tom de salmo. Algo como louvor e denúncia, canto pela vida e reclamação contra as dores. Daí também as referências diretas e indiretas ao livro de Jó, Cântico dos Cânticos, Salmos, etc. Muitas vezes seus poemas são verdadeiras orações. A adesão à fé é explícita e motivadora de sua poesia. O ESTILO DE ADÉLIA PRADO Religiosidade
  10. 10. Reflexão metalinguística De fato, a poesia adeliana vai aliando essas possibilidades de reinvenção às possíveis formas de falar de poesia, sobre poesia, para e com a poesia. Assim vai se acentuando o caráter metalinguístico que perpassa com uma força notável por seus escritos. A reflexão metalinguística se dá em dois níveis: ora fala do poeta e seu ofício, ora reflete sobre a poesia – sua natureza, sua função, a dificuldade de concebê-la, de objetivá-la, sua fonte de inspiração. Essa forma ímpar de observar a vida e transpô-la aos livros faz dessa escritora uma das grandes representantes da nossa poesia contemporânea e a coloca em lugar de destaque da representação da experiência feminina no meio literário. A crítica observa o surgimento de uma dicção diferente na tradição literária. Um jeito de mulher
  11. 11. A experiência nascida de dias vividos e, sobretudo, observados e refletidos, constrói uma poesia-experiência que está diretamente ligada aos elementos que constituem a vida comum de uma dona de casa. Segundo Kujawski (1991), só o cotidiano nos permite estar, verdadeiramente. Afinal, ainda de acordo com o autor, sem a integridade do cotidiano, estamos condenados ao mal estar existencial. Estar quer dizer demorar-se nos lugares, nas pessoas e nas coisas e isso Adélia Prado cumpre em seus versos. O cotidiano O cotidiano é, como a própria escritora afirma, a matéria prima de onde ela extrai o lirismo mais humano e natural que a poetisa consegue revelar.
  12. 12. Caráter Narrativo Sabemos que esse é um predicado peculiar à prosa, mas que pode ser retomado pela poesia para que o texto ganhe diferentes nuances, adquira sentidos específicos que o escritor deseje empregar. A narratividade atuará na poesia adeliana enquanto estratégia para conceder ao poema riquezas de tonalidades diversas, sempre utilizando uma mescla de procedimentos: narrativos, descritivos e dialogais. Através do coloquialismo e do registro oral, o caráter narrativo confere no poema uma aproximação, tornando-o mais íntimo do leitor.
  13. 13. TERRA DE SANTA CRUZ Território 28 poemas Catequese 11 poemas Sagração 1 poema Cotidiano, Religiosidade e Erotismo
  14. 14. Festa do corpo de Deus Como um tumor maduro a poesia pulsa dolorosa, anunciando a paixão: “Ó crux ave, spes única Ó passiones tempore” Jesus tem um par de nádegas! Mais que Javé na montanha esta revelação me prostra. Ó mistério, mistério, suspenso no madeiro o corpo humano de Deus. é próprio do sexo o ar que nos faunos velhos surpreendo, em crianças supostamente pervertidas e a que chamam dissoluto. Nisto consiste o crime, em fotografar uma mulher gozando e dizer: eis a face do pecado. Por séculos e séculos os demônios porfiaram em nos cegar com este embuste. E teu corpo na cruz, suspenso. E teu corpo na cruz, sem panos: olha para mim. Eu te adoro, ó salvador meu que apaixonadamente me revelas a inocência da carne. Expondo-te como um fruto nesta árvore de execração o que dizes é amor, amor do corpo, amor. ( p. 75)
  15. 15. 1-O título- Já é sugestivo por si só, se a ele associarmos, do calendário litúrgico, a festa de Corpus Christi. “... na Igreja Católica tal festa, de Corpus Christi, revela Jesus Cristo presente na hóstia consagrada. A hóstia é um tipo de pão branco, amorfo, sem formato de corpo. Adélia, entretanto, aponta para uma outra forma de compreender a presença sacramental de Cristo: através do corpo em seus contornos e em sua nudez da cruz.” (Rodrigo Portela) 2- A cruz- Para Adélia, a cruz revela que o corpo é inocência e não desfrutar da corporeidade é pecado. Portanto, o objetivo da poesia, enquanto a que “evangeliza”, está na revelação da sacralidade corpórea provocando um deslocamento na compreensão do sagrado e do profano.
  16. 16. 3-O crime- “Nisto consiste o crime, /em fotografar uma mulher gozando /e dizer: eis a face do pecado. /Por séculos e séculos /os demônios porfiaram /em nos cegar com este embuste”. Nesses versos, a autora resgata o modo como na tradição judaico-cristã utilizou-se da ideia da atribuição à entrada do pecado no mundo por intermédio da mulher. Eva é a personificação do pecado. Mulher + sexualidade = pecado Ela desfaz este mito afirmando-o como porfia (discussão) demoníaca para cegar as culturas patriarcais que durante séculos utilizaram este mito para submeter as mulheres à condição de pecadoras e, portanto, devendo ser subordinadas, controladas pelos homens, convertendo-as em objetos de propriedade no seio das estruturas familiares.
  17. 17. 4- A paixão- Essa paixão que a poesia anuncia revela a humanidade de Cristo: “Jesus tem um par de nádegas!” A escolha dessa metáfora, para afirmar a corporeidade de Cristo, faz a diferença: a autora escolhe as nádegas e não o falo para afirmar o corpo de Deus. Desviar-se do estabelecido culturalmente para representar o corpo masculino, referindo-se a Cristo homem-divino-crucificado, revela uma capacidade reinventiva e transgressora. O poema traz o sublime para o cotidiano, o distante para o próximo. A visão do corpo de Cristo crucificado dá testemunho da corporeidade da vida. Não se trata, portanto, de uma visão que foge do sexo, do prazer, por considerá-lo pecado. A carne é inocente e a festa dos corpos pode ser um hino de louvor.
  18. 18. Casamento Há mulheres que dizem: Meu marido, se quiser pescar, pesque mas que limpe os peixes. Eu não. A qualquer hora da noite me levanto, ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar. É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha, de vez em quando os cotovelos se esbarram, ele fala coisas como 'este foi difícil' 'prateou no ar dando rabanadas' e faz o gesto com a mão. O silêncio de quando nos vimos a primeira vez atravessa a cozinha como um rio profundo. Por fim, os peixes na travessa, vamos dormir. Coisas prateadas espocam: somos noivo e noiva.
  19. 19. Em poucas palavras, ela demonstra o quanto vale a pena doar-se para ter pequenos grandes prazeres. Momentos considerados enfadonhos para alguns, tornam-se intensos para este eu-lírico feminino. Ela sabe o valor de se compartilhar a limpeza de peixes com o marido. É a divisão de momentos, o companheirismo, a troca, sem qualquer indício de vaidade, de orgulho. Que sabedoria! As mulheres que se recusam a limpar peixes não sabem o que estão perdendo! É mais ou menos isso que ela diz nas entrelinhas. Isso pode ser dimensionado para qualquer outra situação dentro de um relacionamento. Seja um namoro, um noivado ou um casamento. Casamento

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