Cartografia aula 2 - conceito e histórico

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Cartografia aula 2 - conceito e histórico

  1. 1. Conceito e Histórico da Cartografia e dos mapas
  2. 2. Um mapa é o plano onde se descrevem os fenômenos naturais e da humanidade. Esses fenômenos são representados por sinais específicos, de acordo com os princípios da cartografia. Os mapas modernos são diretos, sintéticos e precisos. Através deles, pode-se ter uma imagem geral sobre uma configuração geográfica e obterse dados matemáticos.
  3. 3. A origem do mapa remonta a 4500 anos. Os desenhos traçados em diferentes materiais sobre fenômenos ambientais são registros de primordial importância para a humanidade. Os materiais utilizados na concepção dos mapas são a cerâmica, o papel, o bronze, as cascas de côco, a pedra, a pele dos animais, etc. O mapa mais antigo do mundo foi elaborado num pedaço de cerâmica produzido pelos babilônios entre os Séculos XXV e XXIII A.C.
  4. 4. Diz-se que foram inscritos desenhos de montanhas e água, árvores e plantas, aves e animais na superfície dos nove trípodes fundidos durante a Dinastia Xia (entre os Séculos XXI e XVI A.C.). Embora este fato não esteja provado, estamos convictos de que durante a Dinastia Xia ou ainda mais cedo, já tinham surgido na China alguns mapas toscos. O mais antigo mapa descoberto na China chama-se “Zhao Yu Tu”, da Era dos Estados Combatentes (Zhan Guo) e corresponde a uma planta de arquitetura dos túmulos do Zhong Shan Wang Yu, (Rei de Zhong Shan), e da rainha, sua esposa, produzido em Zhong Shan Wang Yu no Ano 5 -13 (Ano 323 a 315 A.C.).
  5. 5. Paralelamente, no outro lado do mundo, Eratosthenes de Cyrene (276194 A.C.), geógrafo e astrólogo da antiga Grécia, também chamado o pai da Geografia, descobriu o princípio da Matemática e da Física. Com base na teoria de Aristóteles (384-322 A.C.), ele demonstrou que o globo terrestre era mais oval que redondo. Ele também calculou o perímetro terrestre e encontrou 39.600 Km, com um erro de apenas 200 km. Este dado constitui o elemento essencial para desenhar minuciosamente o mapa- múndi. O mapamúndi que se encontra na “Geographia, Volume III”, uma obra do talentoso Eratosthenes, foi o primeiro que se elaborou com relativa precisão, e foi desenhado com a projeção dos cilindros (altitude e latitude ). Depois de fazer uma análise comparativa sobre o subir e o descer das marés, Eratosthenes julgou que os Oceanos Atlântico e Índico estavam ligados, o que significava que os navegadores podiam contornar a África e chegar ao Oriente por via marítima. Nos finais do Século XV, Vasco da Gama (1469-1524), navegador português, tendo acreditado nesta linha de raciocínio, completou, com sucesso, a ligação marítima entre Portugal e a Índia dando início à Época dos Grandes Descobrimentos.
  6. 6. Os artigos desenterrados do túmulo Ma Wang Dui provaram que em Xi Han (ou ainda mais cedo), a China já dominava e fazia uso de avançadas técnicas de medição. Com os “seis princípios”, foi afirmado, pela primeira vez, a importância da escala e da direção. Os mapas antigos descobertos nas Dinastias Ming e Qing possuiam uma grande componente artística. Eram mais artísticos que objetivos. Segundo Pei Xiu, na cartografia devia-se aplicar o método de “Ji Li Hua Fang” (ou seja, o de traçar quadradinhos no plano) para atingir a precisão física. A falta de crença no Globo Terrestre e que a Terra era redonda foi motivo impeditivo do desenvolvimento científico, na área da cartografia, na China, pois que se julgava que o mundo era completamente plano. Na Dinastia Ming, a quantidade e o tipo de mapas multiplicaram-se e, embora tivessem chegado à China as teorias cartográficas mais científicas do Ocidente no ano 1573-1619 (Ano Wan Li), os pensamentos tradicionais dos chineses eram demasiado radicais para as aceitar.
  7. 7. Há livros da Dynastia Xian Qing, com capítulos sobre mapas, onde se conclui que a criação e o desenvolvimento da cartografia surgiram por necessidade militar e política. No “Guan Zi – Mapa”, a primeira obra específica sobre a cartografia, o autor achou que “ todos os comandantes devem consultar os mapas antes de concretizarem um projeto militar”, a fim de conhecer a topografia, nomeadamente, a localização, a configuração e a superfície de montanhas, vales, rios, montes, colinas, florestas, bosques, estepes, caminhos, cidades, etc.. Nesse livro, o autor definiu as características e realçou a importância dos mapas nas ações militares.
  8. 8. A Revolução Industrial do Século XVII fomentou a economia na Europa. Desde logo, o mapa se tornou cada vez mais importante, porque se tornou num guia para a concretização de projetos, quer comerciais, quer militares, nomeadamente, no domínio da navegação e comercialização, no da expansão do poder e no da exploração de recursos. Também pelo mesmo motivo, apareceram, a partir desse século, vários mapas da China desenhados por estrangeiros. Este fato fez acelerar o processo de intercâmbio cultural entre o Oriente e o Ocidente e fez mudar o entendimento dos chineses sobre o mundo. “Se não conseguirmos acompanhar de perto o desenvolvimento da nova época, iremos pagar, sem dúvida nenhuma, um preço elevado e doloroso pelo atraso acumulado. Na verdade, vemos mais quando subimos mais alto. O mundo está, de fato, ao nosso alcance. Mapas de épocas diferentes contam-nos a história e as mudanças do conhecimento humano sobre o mundo. O mapa não só desempenha o papel de guia numa viagem, mas também nos indica a direção do futuro, cheio de desafios, que se quer brilhante”. Fonte: http://www.iacm.gov.mo/scrweb/Culturias/0102_oldmapmacau/text02_p.h tml
  9. 9. Cartografia é a arte e ciência de elaborar mapas. O conceito de “planeta esférico” foi difundido entre os filósofos gregos contemporâneos a Aristóteles (+/- 350 anos AC) e alguns conceitos ainda têm sido aceitos até so dias de hoje. A cartografia grega e romana atingiu seu ápice de desenvolvimento na época de Claudius Pitolomeus (85 – 165 DC). Seu mapa (abaixo) buscava mostrar o mundo antigo (até onde se conhecia na época), de 60o N a 30o S de latitude. Ele escreveu a importante obra “Guia de Geografia” (Geographike hyphygesis), que constituiu uma forte referência da geografia antiga até a Renascença.                                                                                                        Ptolemy's map of the world, 150 AD
  10. 10.                                                                                                        Al-Idrisi's map of the world, 1150                                                                                                     
  11. 11. Mapas renascentistas A invenção da prensa permitiu a elaboração de mapas de forma muito mais ágil no início século XV. Muitos mapas foram produzidos na época das grandes navegações (séc XV e XVI). Elaboradores de mapas faziam parte da equipe de navegadores para descrever e desenhar linhas costeiras, ilhas, localizar portos e outras feições de interesse à navegação. Estes mapas possuiam alto valor econômico, militar e diplomático. Os primeiros mapas que realmente retratavam o mundo na sua forma completa começaram a surgir após as viagens de Colombo ao novo mundo, onde Gerardus Mercartor (Bélgica) publicou um mapa mundi em projeção cilíndrica (por ele criada). Daí muitos outros foram elaborados usando este tipo de projeção, a qual é usada até atualmente.
  12. 12. Mapas modernos Os mapas tornaram-se crescentemente exatos e condizentes com a realidade ao longo dos séculos 17, 18 e 19, devido a aplicação de métodos científicos. Muitos países possuem pragramas nacionais de mapeamento. Contudo, a maior parte do mundo ainda era pobremente conhecida até o início do uso de fotografias aéreas logo após a II G. Mundial. A Cartografia Moderna é atualmente baseada em dados obtidos em campo e dados obtidos por uso de satélites. Sistermas de Informação Geográfica emergiram no período 1970 – 1980. SIG representa um dos maiores saltos tecnológicos reportados na cartografia. Na cartografia tradicional (em papel), o mapa era, simultaneamente, a base de dados e também o desenho (display) da informação geográfica. Num SIG, a base de dados, análise e desenho são fisicamente e conceitualmente aspectos separados no contexto da manipulação de dados. SIG engloba hardware, software, dados digitais, pessoas, organizações e instituições para coleta, estocagem, análise e apresentação de dados georreferenciados sobre a Terra.
  13. 13. Os mapas são representações realísticas do mundo real? Nem sempre! Dados de campo estão sempre sujeitos a erros de acurária e precisão. Fotografias aéreas e imagens de satélite registram e mostram apenas certas porções do espectro de energia, além de serem filtradas e muitas vezes distorcidas por fatores ambientais, principalmente os de ordem atmosférica. Nenhum mapa pode mostrar detalhadamente TODOS os aspectos físicos, biológicos e culturais de uma determinada região. Pode mostrar sim apenas aspectos selecionados, os quais são dispostos e apresentados usualmente numa simbologia padrão de acordo com o tipo de classificação e categoria do mapa. Desta forma, podemos afirmar que todo e qualquer mapa constitui estimativas, generalizações e interpretações de condições geográficas reais.
  14. 14. No Brasil 1822-1831 Desenvolvimento da litografia para impressão de mapas 1825 Criação da Comissão do Império do Brasil, primeira organização oficial de Cartografia no Brasil. Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) 1914 Primeira operação estereofotogramétrica realizada no Brasil, pelo Exército, em colaboração com a Prefeitura do Distrito Federal – RJ. 1920 Fundação do Serviço Geográfico Militar 1922 Organizado o Serviço Geográfico do Exército e extinta a Comissão da Carta Geral, com as atribuições desta absorvidas por aquela. Este ano ainda marca o aparecimento da Carta do Brasil ao Milionésimo (primeiro "retrato cartográfico de corpo inteiro" do país), editada pelo Clube de Engenharia, em comemoração ao centenário da Independência. Publicação de mapas da cartografia paulista, 1612 a 1837
  15. 15. Mapas brasileiros Publicado em Veneza no ano de 1556, talvez este seja o primeiro mapa que mostra o Brasil individualmente, embora de forma ainda imprecisa.  Este raro documento faz parte do "Atlas Delle  Navigazione e Viaggi", de Giovanni  Battista Ramusio, e descreve a viagem do piloto francês Jean Parmentier na costa  brasileira, ressaltando as boas relações dos franceses com os índios, a extração de pau-brasil e a  captura de animais silvestres - os maiores pontos de interesse da França. O interior do país era  desconhecido, como pode ser comprovado pela fantasiosa indicação dos rios Amazonas e da Plata  nascendo num vulcão ativo, em plena selva amazônica. Acima desse ponto, ficava a "Terra Non  Descoperta". Repare que o mapa está "deitado", orientado com o norte (tramontana) para a direita, o  sul (ostro) para a esquerda, o leste (levante) para baixo e o oeste (ponente) para cima. Não havia,  naquele tempo, a convenção de alinhar os mapas verticalmente no eixo norte/sul. Embora seja um  mapa mais pictórico do que geográfico, alguns pontos estão bem definidos, como a indicação de Cabo  Frio, no lado esquerdo da gravura. Ramusio preferiu não incluir o clichê canibalista tão freqüente nos  mapas do Brasil da época, mas não escapou à tentação de registrar alguns monstros marinhos. Uma  esplêndida peça de museu! 
  16. 16. Desenhado por Luiz Teixeira, em 1574. Hoje na Biblioteca da Ajuda, em Portugal. Note o erro proposital, para Oeste, da linha de Tordesilhas.
  17. 17. América do Sul no final do Século XIX Este mapa mostra também a situação em 1790, e inclui as datas de fundação de muitas cidades. Impresso por volta de 1940.
  18. 18. De 1940 a 1960, mostra os territórios do Iguaçú e de PontaPorã. Mapa do IBGE.
  19. 19. Brasil - Hoje

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