Aee deficiência auditiva

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Aee deficiência auditiva

  1. 1. Mirlene Ferreira Macedo DamázioPessoa com Surdez
  2. 2. PresidenteLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério da EducaçãoFernando HaddadSecretário de Educação a DistânciaRonaldo MotaSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira Dutra
  3. 3. SEESP / SEED / MECBrasília/DF – 2007Formação Continuada a Distânciade Professores para oAtendimento Educacional EspecializadoPessoa com Surdez
  4. 4. Ficha TécnicaSecretário de Educação a DistânciaRonaldo MotaDiretor do Departamento de Políticas de Educação a DistânciaHelio Chaves FilhoCoordenadora Geral de Avaliação e Normas em Educação aDistânciaMaria Suely de Carvalho BentoCoordenador Geral de Articulação Institucional emEducação a DistânciaWebster Spiguel CassianoSecretária de Educação EspecialCláudia Pereira DutraDepartamento de Políticas de Educação EspecialCláudia Maffini GriboskiCoordenação Geral de Articulação da Política de InclusãoDenise de Oliveira AlvesCoordenação do Projeto de Aperfeiçoamento deProfessores dos Municípios-Polo do Programa“Educação Inclusiva; direito à diversidade” emAtendimento Educacional EspecializadoCristina Abranches Mota BatistaEdilene Aparecida RopoliMaria Teresa Eglér MantoanRita Vieira de FigueiredoAutora deste livro: Atendimento EducacionalEspecializado para Pessoas com SurdezMirlene Ferreira Macedo DamázioProjeto GráficoCícero Monteferrante - monteferrante@hotmail.comRevisãoAdriana A. L. ScrokImpressão e AcabamentoGráfica e Editora Cromos - Curitiba - PR - 41 3021-5322IlustraçõesAlunos e professores daFundação Conviver para Ser - Uberlândia - Minas GeraisMarcus Vinícius Silva (13 anos)Maria Clara Souza Freitas (14 anos)Mariana Oliveira Gomes (12 anos)Paulo Alberto Fontes Rocha (14 anos)Wesley Alonso de Oliveira (21 anos)Danilo Rischiteli Bragança Silva - Professor em LibrasElaine Cristina B. de Paula Bragança - Instrutora de LibrasFabíola da Costa Soares - Professora de Língua PortuguesaIlustrações da capaAlunos da APAE de Contagem - Minas GeraisAlef Aguiar Mendes (12 anos)Felipe Dutra dos Santos (14 anos)Marcela Cardoso Ferreira (13 anos)Rafael Felipe de Almeida (13 anos)Rafael Francisco de Carvalho (12 anos)
  5. 5. O Ministério da Educação desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe atransformação do Ensino Regular e da Educação Especial e, nesta perspectiva, são implementadas diretrizese ações que reorganizam os serviços de Atendimento Educacional Especializado oferecidos aos alunos comdeficiência visando a complementação da sua formação e não mais a substituição do ensino regular.Com este objetivo a Secretaria de Educação Especial e a Secretaria de Educação a Distânciapromovem o curso de Aperfeiçoamento de Professores para o Atendimento Educacional Especializado,realizado em uma ação conjunta com a Universidade Federal do Ceará, que efetiva um amplo projeto deformação continuada de professores por meio do programa Educação Inclusiva: direito à diversidade.Incidindo na organização dos sistemas de ensino o projeto orienta o Atendimento EducacionalEspecializado nas salas de recursos multifuncionais em turno oposto ao freqüentado nas turmas comunse possibilita ao professor rever suas práticas à luz dos novos referenciais pedagógicos da inclusão.O curso desenvolvido na modalidade a distância, com ênfase nas áreas da deficiência física,sensorial e mental, está estruturado para:- trazer o contexto escolar dos professores para o foco da discussão dos novos referenciais paraa inclusão dos alunos;- introduzir conhecimentos que possam fundamentar os professores na reorientação das suaspráticas de Atendimento Educacional Especializado;- desenvolver aprendizagem participativa e colaborativa necessária para que possam ocorrermudanças no Atendimento Educacional Especializado.Nesse sentido, o curso oferece fundamentos básicos para os professores do AtendimentoEducacional Especializado que atuam nas escolas públicas e garante o apoio aos 144 municípios-pólopara a implementação da educação inclusiva.CLAUDIA PEREIRA DUTRASecretária de Educação Especialão desenvolve a política de educação inclusiva que pressupõe ada Educação Especial e, nesta perspectiva, são implementadas diretrizesd d d l l d f d lPREF˘CIOPREF˘CIO
  6. 6. Aeducação escolar do aluno com surdez é um desafio que estamos demonstrando, por meiodo trabalho de uma escola que abraçou a inclusão, sem restrições e incondicionalmente.Oque transparece na suaapresentação são aspossibilidades de osalunos com surdez aprenderem nasturmas comuns de ensino regular,tendo a retaguarda do AtendimentoEducacional Especializado – AEE.Esse atendimento é explicitadodetalhadamente e nos fazconhecer o que se propõepara quebrar barreiras lingüísticas epedagógicas que interferem na inclusãoescolar dos alunos com surdez.Coordenação do Projeto.ar do aluno com surdez é um desafio que estamos demonstrando, por meioAPRESENTAÇ‹OAPRESENTAÇ‹O
  7. 7. SUM˘RIOSUM˘RIOCAP¸TULO IEDUCAÇ‹O ESCOLAR INCLUSIVA PARA PESSOAS COM SURDEZ ............................................................ 13Para saber mais.................................................................................................................................................................... 16CAP¸TULO IITEND¯NCIAS SUBJACENTES ¤ EDUCAÇ‹O DAS PESSOAS COM SURDEZ............................................... 19Para saber mais.................................................................................................................................................................... 22CAP¸TULO IIIO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO PARA OS ALUNOSCOM SURDEZ: UMA PROPOSTA INCLUSIVA..................................................................................................... 25Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado em Libras na Escola Comum............................. 26Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino de Libras........................................ 32Momento Didático-Pedagógico: O Atendimento Educacional Especializado para o ensino da Língua Portuguesa................. 38Para saber mais.................................................................................................................................................................... 46CAP¸TULO IVO PAPEL DO INTÉRPRETE ESCOLAR................................................................................................................... 49Para saber mais.................................................................................................................................................................... 52
  8. 8. 1313CapítuloI-EducaçãoEscolarInclusivaparaPessoascomSurdezEstudar a educação escolar das pessoas comsurdez nos reporta não só a questõesreferentes aos seus limites e possibilidades,como também aos preconceitos existentes nasatitudes da sociedade para com elas.1As pessoas com surdez enfrentam inúmerosentraves para participar da educação escolar,decorrentes da perda da audição e da forma como seestruturam as propostas educacionais das escolas.Muitos alunos com surdez podem ser prejudicadospela falta de estímulos adequados ao seu potencialcognitivo, sócio-afetivo, lingüístico e político-culturale ter perdas consideráveis no desenvolvi-mento daaprendizagem.Estudos realizados na última década doséculo XX e início do século XXI, por diversosautores e pesquisadores oferecem contribuições àeducação de alunos com surdez na escola comumressaltando a valorização das diferenças no convívio1 Doravante deve-se entender o uso do termo pessoa com surdezcomo uma forma de nos reportamos a pessoas com uma deficiênciaauditiva, independente do grau da sua perda sensorial.social e o reconhecimento do potencial de cada serhumano. Poker (2001) afirma que as trocassimbólicas provocam a capacidade representativadesses alunos, favorecendo o desenvolvimento dopensamento e do conhecimento, em ambientesheterogêneos de aprendizagem. No entanto, existemposições contrárias à inclusão de alunos com surdeznas turmas comuns, em decorrência da compreensãoEducação Escolar Inclusiva para Pessoas com SurdezEducação Escolar Inclusiva para Pessoas com Surdez11
  9. 9. 1414AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdezdas formas de representação da surdez comoincapacidade ou das propostas pedagógicasdesenvolvidas tradicio-nalmente para atendê-las quenão consideram a diversidade lingüística. ConformeSkliar (1999) alegam que o modelo excludente daEducação Especial está sendo substituído por outro,em nome da inclusão que não respeita a identidadesurda, sua cultura, sua comunidade.Estas questões geram polêmica entremuitos estudiosos, profissionais, familiares e entreas próprias pessoas com surdez. Àqueles quedefendem a cultura, a identidade e a comunidadesurda apóiam-se no discurso das diferenças, alegandoque elas precisam ser compreendidas nas suasespecificidades, porém, pode-se cair na cilada dadiferença, como refere Pierucci (1999), que em nomeda diferença, pode-se também segregar.Diante desse quadro situacional, oimportante é buscar nos confrontos promovidos narelação entre as diferenças, novos caminhos para avida em coletividade, dentro e fora das escolas e,sendo assim, como seria atuar com alunos comsurdez, em uma escola comum que reconhece evaloriza as diferenças? Que processos curriculares epedagógicos precisam ser criados para atender a essadiferença, considerando a escola aberta para todose, portanto, verdadeiramente inclusiva?Não se trata de trocar a escola excludenteespecial, por uma escola excludente comum. Ocorreque alguns discursos e práticas educacionais aindanão conseguiram, responder às questões acimaformuladas, mantendo os processos de normalizaçãodas pessoas com surdez.A inclusão do aluno com surdez deveacontecer desde a educação infantil até a educaçãosuperior, garantindo-lhe, desde cedo, utilizar osrecursos de que necessita para superar as barreirasno processo educacional e usufruir seus direitosescolares, exercendo sua cidadania, de acordo comos princípios constitucionais do nosso país.A inclusão de pessoas com surdez naescola comum requer que se busquem meios parabeneficiar sua participação e aprendizagem tantona sala de aula como no Atendimento EducacionalEspecializado. Conforme Dorziat (1998), oaperfeiçoamento da escola comum em favor detodos os alunos é primordial. Esta autora observaque os professores precisam conhecer e usar a Línguade Sinais, entretanto, deve-se considerar que asimples adoção dessa língua não é suficiente paraescolarizar o aluno com surdez. Assim, a escolacomum precisa implementar ações que tenhamsentido para os alunos em geral e que esse sentidopossa ser compartilhado com os alunos com surdez.Mais do que a utilização de uma língua, os alunoscom surdez precisam de ambientes educacionaisestimuladores, que desafiem o pensamento,explorem suas capacidades, em todos os sentidos.Se somente o uso de uma língua bastassepara aprender, as pessoas ouvintes não teriamproblemas de aproveitamento escolar, já que entramna escola com uma língua oral desenvolvida. A
  10. 10. 1515CapítuloI-EducaçãoEscolarInclusivaparaPessoascomSurdezaquisição da Língua de Sinais, de fato, não é garantiade uma aprendizagem significativa, como mostrouPoker (2001), quando trabalhou com seis alunos comsurdez profunda que se encontravam matriculadosna primeira etapa do Ensino Fundamental, comidade entre oito anos e nove meses e 11 anos e novemeses, investigando, por meio de intervençõeseducacionais,astrocassimbólicaseodesenvolvimentocognitivo desses alunos.Segundo esta autora, o ambiente em que apessoa com surdez está inserida, principalmente oda escola, na medida em que não lhe oferececondições para que se estabeleçam trocas simbólicascom o meio físico e social, não exercita ou provocaa capacidade representativa dessas pessoas,conseqüentemente, compromete o desenvolvimentodo pensamento. A pesquisadora constatou que nessecaso, a natureza do problema cognitivo da pessoacom surdez está relacionado à:[...] deficiência da trocas simbólicas, ou seja, omeio escolar não expõe esses alunos a solicitaçõescapazes de exigir deles coordenações mentais cadavez mais elaboradas, que favorecerão o mecanismoda abstração reflexionante e conseqüentemente, osavanços cognitivos (POKER, 2001: 300).Considerando a necessidade dodesenvolvimento da capacidade representativa elingüística dos alunos com surdez, a escola comumdeve viabilizar sua escolarização em um turno e oAtendimento Educacional Especializado em outro,contemplando o ensino de Libras, o ensino em Librase o ensino da Língua Portuguesa.Ao optar-se em oferecer uma educação bilíngüe, aescola está assumindo uma política lingüística emque duas línguas passarão a co-existir no espaçoescolar. Além disso, também será definido qualserá a primeira língua e qual será a segunda língua,bem como as funções em que cada língua irárepresentarnoambienteescolar.Pedagogicamente,a escola vai pensar em como estas línguas estarãoacessíveis às crianças, além de desenvolver asdemais atividades escolares. As línguas podemestar permeando as atividades escolares ou seremobjetos de estudo em horários específicosdependendo da proposta da escola. Isso vaidepender de „como‰, „onde‰, e „de que forma‰ ascrianças utilizam as línguas na escola. (MEC/SEESP, 2006)Inúmeras polêmicas têm se formado emtorno da educação escolar para pessoas com surdez. Aproposta de educação escolar inclusiva é um desafio,que para ser efetivada faz-se necessário considerar queos alunos com surdez têm direito de acesso aoconhecimento, à acessibilidade, bem como aoAtendimento Educacional Especializado. ConformeBueno (2001:41), é preciso ultrapassar a visão quereduz os problemas de escolarização das pessoas comsurdez ao uso desta ou daquela língua, mas sim deampliá-la para os campos sócio políticos.
  11. 11. 1616AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdezPara saber mais......Para saber mais......BRASIL, Ministério Público Federal. O acesso de alunoscom deficiência às escolas e classes comuns da rederegular. Eugênia Augusta G. Fávero; Luisa de MarillacP. Pantoja; Maria Teresa Eglér Mantoan. Brasília:Procuradoria Federal dos direitos do cidadão, 2004.BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiênciae educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nº12, p. 3-12, julho-dezembro, 1999._______. Educação inclusiva e escolarização dossurdos. Revista Integração. Brasília: MEC. nº 23, p. 37-42, Ano 13, 2001DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. EducaçãoEscolar Inclusiva das Pessoas com Surdez na EscolaComum: Questões Polêmicas e AvançosContemporâneos. In: II Seminário Educação Inclusiva:Direito à Diversidade, 2005, Brasília. Anais... Brasília:MEC, SEESP, 2005. p.108 - 121._________. Educação Escolar de Pessoa com Surdez:uma proposta inclusiva. Campinas: UniversidadeEstadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese deDoutorado.DORZIAT, Ana. Democracia na escola: bases paraigualdade de condições surdos-ouvintes. Revista Espaço.Rio de Janeiro: INES. nº 9, p. 24 -29, janeiro-junho,1998.PIERUCCI, Antonio Flávio. Ciladas da diferença. SãoPaulo: Editora 34, 1999.POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica edesenvolvimento cognitivo em crianças surdas: umaproposta de intervenção educacional. UNESP, 2001.363p. Tese de Doutorado.SKLIAR, Carlos(org.). Atualidade da educação bilíngüepara surdos. Porto Alegre: Mediação, 1999. 2 v.
  12. 12. CapítuloII-TendênciasSubjacentesàEducaçãodasPessoascomSurdez1919Tendências Subjacentes à Educação das PessoasTendências Subjacentes à Educação das Pessoascom Surdezcom SurdezAs tendências de educação escolar parapessoas com surdez centram-se ora nainserção desses alunos na escola comume/ou em suas classes especiais, ora na escolaespecial de surdos. Existem três tendênciaseducacionais: a oralista, a comunicação total e aabordagem por meio do bilingüismo.As escolas comuns ou especiais, pautadasno oralismo, visam à capacitação da pessoacom surdez para que possa utilizar a língua dacomunidade ouvinte na modalidade oral, comoúnica possibilidade lingüística, de modo que sejapossível o uso da voz e da leitura labial, tantona vida social, como na escola. O oralismo, nãoconseguiu atingir resultados satisfatórios, porque,de acordo com Sá (1999), ocasiona déficitscognitivos, legitima a manutenção do fracassoescolar, provoca dificuldades no relacionamentofamiliar, não aceita o uso da Língua de Sinais,discrimina a cultura surda e nega a diferença entresurdos e ouvintes.Já a comunicação total considera ascaracterísticas da pessoa com surdez utilizando todoe qualquer recurso possível para a comunicação, a fimde potencializar as interações sociais, considerandoas áreas cognitivas, lingüísticas e afetivas dos alunos.Os resultados obtidos com a comunicação totalsão questionáveis quando observamos as pessoascom surdez frente aos desafios da vida cotidiana. Alinguagem gestual visual, os textos orais, os textosescritos e as interações sociais que caracterizam acomunicação total parecem não possibilitar umdesenvolvimentosatisfatórioeessesalunoscontinuamsegregados, permanecendo agrupados pela deficiência,marginalizados, excluídos do contexto maior dasociedade. Esta proposta, segundo Sá (1999), não dáo devido valor a Língua de Sinais, portanto, pode-sedizer que é uma outra feição do oralismo.Os dois enfoques, oralista e dacomunicação total, negam a língua naturaldas pessoas com surdez e provocam perdasconsideráveis nos aspectos cognitivos, sócio-afetivos, lingüísticos, político culturais e naaprendizagem desses alunos. A comunicação
  13. 13. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez2020total, em favor da modalidade oral, por exemplo,usava o Português sinalizado e desfigurava a ricaestrutura da Língua de Sinais.Por outro lado, a abordagem educacionalpor meio do bilingüismo visa capacitar a pessoacom surdez para a utilização de duas línguas nocotidiano escolar e na vida social, quais sejam:a Língua de Sinais e a língua da comunidadeouvinte. As experiências escolares, de acordo comessa abordagem, no Brasil, são muito recentes eas propostas pedagógicas nessa linha ainda nãoestão sistematizadas. Acrescenta-se a essa situação,a existência de trabalhos equivocados, ou seja,baseados em princípios da comunicação total, masque são divulgados como trabalhos baseados naabordagem por meio do bilingüismo.De fato, existem poucas publicaçõescientíficas sobre o assunto, há falta de professoresbilíngües, os currículos são inadequados e osambientes bilíngües, quase inexistentes. Não sepodem descartar também outros fatores, tais como:dificuldade para se formar professores com surdeznum curto período de tempo; a presença de umsegundo professor de Língua Portuguesa paraos alunos surdos e; a falta de conhecimento arespeito do bilingüismo. As propostas educacionaisdessa natureza começam a estruturar-se a partirdo Decreto 5.626/05 que regulamentou a lei deLibras. Esse Decreto prevê a organização de turmasbilíngües, constituídas por alunos surdos e ouvintesonde as duas línguas, Libras e Língua Portuguesasão utilizadas no mesmo espaço educacional.Também define que para os alunos com surdez aprimeira língua é a Libras e a segunda é a LínguaPortuguesa na modalidade escrita, além de orientarpara a formação inicial e continuada de professorese formação de intérpretes para a tradução einterpretação da Libras e da Língua Portuguesa.Contrariando o modelo de integraçãoescolar, que concebe o aluno com surdez, a partirdos padrões dos ouvintes, desconsiderando anecessidade de serem feitas mudanças estruturais epedagógicas nas escolas para romper com asbarreiras que se interpõem entre esse aluno e oensino, as propostas de atendimento a alunos comsurdez, em escolas comuns devem respeitar asespecificidades e a forma de aprender de cada um,não impondo condições à inclusão desses alunosno processo de ensino e aprendizagem.Também, a escola especial é segregadora,pois os alunos isolam-se cada vez mais, ao seremexcluídos do convívio natural dos ouvintes.Há entraves nas relações sociais, afetivas e decomunicação, fortalecendo cada vez mais ospreconceitos.Segundo alguns professores, é mais fácilensinar em classes especiais das escolas comuns, pois,essas classes além do agrupamento ser constituídoapenas por alunos com surdez, a comunicação ea metodologia de ensino da língua escrita e oralsão as mesmas para todos. Entretanto nessas classesos alunos com surdez não têm sido igualmentebeneficiados na aprendizagem.
  14. 14. CapítuloII-TendênciasSubjacentesàEducaçãodasPessoascomSurdez2121As posições contrárias à inclusão de alunoscom surdez tomam como referência modelos que sedizem “inclusivos” mas, na verdade, não alteramsuas práticas pedagógicas no que se refere àscondições de acessibilidade, em especial às relativasàs comunicações.É preciso fazer a leitura desse movimentopolítico cultural e educacional, procurandoesclarecer os equívocos existentes, visando apontarsoluções para os seus principais desafios.Deflagram-se atualmente, debates sobre acomunidade surda, sua cultura e sua identidade.Essas questões são polêmicas e, quando analisadaspelos antropólogos, sociólogos, filósofos eprofessores, levam a interpretações conceituais,provocando divergências relacionadas à indicaçãode procedimentos escolares.Grande parte dos pesquisadores eestudiosos da cultura surda têm se apropriado daconcepção de diferença cultural, defendendo umacultura surda e uma cultura ouvinte o que fortalecea dicotomia surdo/ouvinte (Bueno, 1999).A desafio frente à aprendizagem da LínguaPortuguesa é uma questão escolar importante. ALíngua Portuguesa é difícil de ser assimilada peloaluno com surdez. Segundo Perlin (1998:56), ossurdos não conseguem dominar os signos dosouvintes, por exemplo, a epistemologia de umapalavra, sua leitura e sua escrita. De fato, existemdificuldades reais da pessoa com surdez paraadquirir a oralidade e a escrita, porém, dizer que nãosão capazes de aprendê-la reduz totalmente a pessoaao seu déficit e não considera a precariedade daspráticas de ensino disponíveis para esse aprendizado.Há, pois, urgência de ações educacionais escolaresque favoreçam o desenvolvimento e a aprendizagemescolar das pessoas com surdez.A Língua de Sinais é, certamente, oprincipal meio de comunicação entre as pessoascom surdez. Contudo, o uso da Língua de Sinaisnas escolas comuns e especiais, por si só, resolveriao problema da educação escolar das pessoas comsurdez? Não seria necessário o domínio de outrossaberes que lhes garantam, de fato, viver, produzir,tirar proveito dos bens existentes, no mundo emque vivemos?As práticas pedagógicas constituem omaior problema na escolarização das pessoas comsurdez. Torna-se urgente, repensar essas práticaspara que os alunos com surdez, não acreditem quesuas dificuldades para o domínio da leitura e daescrita são advindas dos limites que a surdez lhesimpõe, mas principalmente pelas metodologiasadotadas para ensiná-los.Neste sentido, é necessário fazer umaação-reflexão-ação permanente a acerca deste tema,visando à inclusão escolar das pessoas com surdez,tendo em vista a sua capacidade de freqüentar eaprender em escolas comuns, contra o discursoda exclusão escolar e a favor de novas práticaseducacionais na escola comum brasileira.
  15. 15. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez2222Para saber mais...Para saber mais...BUENO, José Geraldo Silveira. Diversidade, deficiênciae educação. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª12, pp. 3-12, julho/dezembro, 1999.FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento Escolardos Portadores de Surdez na Escola Regular em ClasseComum do Ensino Fundamental. Espanha:Universidade de Salamanca, 1997. 148 p. Dissertaçãode Mestrado.DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. EducaçãoEscolar de Pessoa com Surdez: uma proposta inclusiva.Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2005.117 p. Tese de Doutorado.PERLIN,GladisT.T.„IdentidadesSurdas‰.IN:SKLIAR,Carlos (Org.). A surdez: um olhar sobre as diferenças.Porto Alegre: Mediação, 1998.Pólen-NúcleodeEstudo,PesquisaeApoioemPedagogiae Diferença Humana: diferença humana em questão:Cadernos Unit/Mirlene Ferreira Macedo Damázio(Org.). V. 2. (2004), Uberlândia: UNITRI, 2004.SÁ, Nídia Regina Limeira de. Educação de Surdos: acaminho do bilingüismo. Niterói: Eduff, 1999.
  16. 16. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva2525Otrabalho pedagógico com os alunoscom surdez nas escolas comuns, deve serdesenvolvido em um ambiente bilíngüe,ou seja, em um espaço em que se utilize a Língua deSinais e a Língua Portuguesa. Um período adicionalde horas diárias de estudo é indicado para a execuçãodo Atendimento Educacional Especializado. Neledestacam-se três momentos didático-pedagógicos:• Momento do Atendimento EducacionalEspecializado em Libras na escolacomum, em que todos os conhecimentosdos diferentes conteúdos curriculares, sãoexplicados nessa língua por um professor,sendo o mesmo preferencialmente surdo.Esse trabalho é realizado todos os dias, edestina-se aos alunos com surdez.• Momento do Atendimento EducacionalEspecializado para o ensino de Libras naescola comum, no qual os alunos comsurdez terão aulas de Libras, favorecendoo conhecimento e a aquisição,principalmente de termos científicos. Estetrabalhado é realizado pelo professor e/ou instrutor de Libras (preferencialmentesurdo), de acordo com o estágio dedesenvolvimento da Língua de Sinais emque o aluno se encontra. O atendimentodeve ser planejado a partir do diagnósticodo conhecimento que o aluno tem arespeito da Língua de Sinais.• Momento do Atendimento EducacionalEspecializado para o ensino da LínguaPortuguesa, no qual são trabalhadas asespecificidades dessa língua para pessoascom surdez. Este trabalho é realizadotodos os dias para os alunos com surdez,à parte das aulas da turma comum, poruma professora de Língua Portuguesa,graduada nesta área, preferencialmente. Oatendimento deve ser planejado a partir dodiagnóstico do conhecimento que o alunotem a respeito da Língua Portuguesa.O Atendimento Educacional Especializado para osO Atendimento Educacional Especializado para osAlunos com Surdez: uma proposta inclusivaAlunos com Surdez: uma proposta inclusiva
  17. 17. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez2626O planejamento do Atendimento EducacionalEspecializado é elaborado e desenvolvido conjuntamentepelos professores que ministram aulas em Libras, professorde classe comum e professor de Língua Portuguesa parapessoas com surdez. O planejamento coletivo inicia-se coma definição do conteúdo curricular, o que implica que osprofessores pesquisem sobre o assunto a ser ensinado. Emseguida, os professores elaboram o plano de ensino. Elespreparam também os cadernos de estudos do aluno, nosquais os conteúdos são inter-relacionados.No planejamento para as aulas em Libras, háque se fazer o estudo dos termos científicos do conteúdo aser estudado, nessa língua. Cada termo é estudado, o queamplia e aprofunda o vocabulário.Na seqüência, todos os professoresselecionam e elaboram os recursos didáticos para oAtendimento Educacional Especializado em Librase em Língua Portuguesa, respeitando as diferençasentre os alunos com surdez e os momentos didático-pedagógicos em que serão utilizados.Os alunos com surdez são observados por todosos profissionais que direta ou indiretamente trabalhamcom eles. Focaliza-se a observação nos seguintes aspectos:sociabilidade, cognição, linguagem (oral, escrita, viso-espacial), afetividade, motricidade, aptidões, interesses,habilidades e talentos. Registram-se as observaçõesiniciais em relatórios, contendo todos os dados colhidosao longo do processo e demais avaliações relativas aodesenvolvimento do desempenho de cada um.São apresentados a seguir três momentosdidático-pedagógicos do Atendimento EducacionalEspecializado.Momento Didático-Pedagógico:Momento Didático-Pedagógico:O Atendimento EducacionalO Atendimento EducacionalEspecializado em Libras na EscolaEspecializado em Libras na EscolaComumComumEste atendimento constitui um dosmomentos didático-pedagógicos para os alunos comsurdez incluídos na escola comum. O atendimentoocorre diariamente, em horário contrário ao das aulas,na sala de aula comum.A organização didática desse espaço deensino implica o uso de muitas imagens visuais e detodo tipo de referências que possam colaborar para oaprendizado dos conteúdos curriculares em estudo,na sala de aula comum.Os materiais e os recursos para esse fimprecisam estar presentes na sala de AtendimentoEducacional Especializado, quais sejam: mural deavisos e notícias, biblioteca da sala, painéis de gravurase fotos sobre temas de aula, roteiro de planejamento,fichas de atividades e outros.Naescolacomum,éidealquehajaprofessoresque realizem esse atendimento, sendo que os mesmosprecisam ser formados para ser professor e ter plenodomínio da Língua de Sinais. O Professor em Línguade Sinais, ministra aula utilizando a Língua de Sinaisnas diferentes modalidades, etapas e níveis de ensinocomo meio de comunicação e interlocução.
  18. 18. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva2727Professor, explorando conteúdo curricular sobrecivilizações antigas com recursos específicos emLibras para alunos com surdezO planejamento do AtendimentoEducacional Especializado em Libras é feitopelo professor especializado, juntamente com osprofessores de turma comum e os professores deLíngua Portuguesa, pois o conteúdo deste trabalho ésemelhante ao desenvolvido na sala de aula comum.Professor, explorando conteúdo curricular sobreProfessor explorando o conteúdo curricularsobre o universo e o movimento do sistemasolar com recursos diversos para os alunoscom surdezProfessor explorando com o aluno com surdezo conteúdo curricular sobre o município deUberlândia com recursos específicos em Libras
  19. 19. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez2828Professor ministrando aula em Línguade Sinais dos conteúdos curricularesoficiaisPdoProfessor explicando termoscientíficos do contexto em estudo edos conteúdos curriculares oficiaisem Língua de Sinais
  20. 20. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva2929O Atendimento Educacional Especializadoem Libras fornece a base conceitual dessa língua edo conteúdo curricular estudado na sala de aulacomum, o que favorece ao aluno com surdez acompreensão desse conteúdo. Nesse atendimentohá explicações das idéias essenciais dos conteúdosestudados em sala de aula comum. Os professoresutilizam imagens visuais e quando o conceito é muitoabstrato recorrem a outros recursos, como o teatro,por exemplo. Os recursos didáticos utilizados na salade aula comum para a compreensão dos conteúdoscurriculares são também utilizados no AtendimentoEducacional Especializado em Libras.Ilustramos, por meio de fotos, algunsrecursos didático-pedagógicos utilizados:Alunos com surdez no Atendimento EducacionalEspecializado em LibrasAlunos com surdez no Atendimento EducacionalAlunos explorandomaquetes dosconteúdoscurriculares sobrehistoricidadeProfessor explorando conteúdos curriculares em Librascom os devidos recursos didáticosMaquetes sobre o conteúdo em estudo
  21. 21. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez3030Maquete sobre a antiguidade oriental clássicaMaquete sobre trânsitoRecursos pedagógicos para estudo dos sólidosgeométricosRecursos pedagógicos para o estudo do sistema denumeração decimal e operações matemáticasRecursos pedagógicos para estudo dos sólidos
  22. 22. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva3131Caderno de estudo do aluno com surdezCaixas de fotos e gravurasusadas na sala de AtendimentoEducacional EspecializadoCausEdNo decorrer do Atendimento EducacionalEspecializado em Libras, os alunos se interessam,fazem perguntas, analisam, criticam, fazemanalogias, associações diversas entre o que sabem eos novos conhecimentos em estudo.Os professores neste atendimentoregistram o desenvolvimento que cada alunoapresenta, além da relação de todos os conceitosestudados, organizando a representação delesem forma de desenhos e gravuras, que ficam nocaderno de registro do aluno.
  23. 23. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez3232Momento Didático-Pedagógico:Momento Didático-Pedagógico:O Atendimento EducacionalO Atendimento EducacionalEspecializado para o ensino de LibrasEspecializado para o ensino de LibrasEste atendimento constitui outromomento didático-pedagógico para os alunoscom surdez incluídos na escola comum. Oatendimento inicia com o diagnóstico do alunoe ocorre diariamente, em horário contrário ao dasaulas, na sala de aula comum. Este trabalhado érealizado pelo professor e/ou instrutor de Libras(preferencialmente surdo), de acordo com o estágiode desenvolvimento da Língua de Sinais em queo aluno se encontra. O atendimento deve serplanejado a partir do diagnóstico do conhecimentoque o aluno tem a respeito da Língua de Sinais.O professor e/ou instrutor de Librasorganiza o trabalho do Atendimento EducacionalEspecializado, respeitando as especificidadesdessa língua, principalmente o estudo dos termoscientíficos a serem introduzidos pelo conteúdocurricular. Eles procuram os sinais em Libras,investigando em livros e dicionários especializados,internet ou mesmo entrevistando pessoas adultascom surdez, considerando o seguinte:• Caso não existam sinais para designardeterminados termos científicos, osprofessores de Libras analisam ostermos científicos do contexto emestudo,procurandoentendê-los,apartirdas explicações dos demais professoresde áreas específicas (Biologia, História,Geografia e dentre outros);• Avaliam a criação dos termoscientíficos em Libras, a partir daestrutura lingüística da mesma, poranalogia entre conceitos já existentes,de acordo com o domínio semânticoe/ou por empréstimos lexicais;• Os termos científicos em sinais sãoregistrados, para serem utilizados nasaulas em Libras.
  24. 24. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva3333Professores analisando conceitos dos termoscientíficos em Língua de SinaisCriação de sinais para termosCriação de sinais para termoscientíficos.científicos.PcProfessores estudando os termos científicos
  25. 25. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez3434Professores expressando edesenhando os sinaisPrdeProfessores criando o sinaldo termo científico
  26. 26. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva3535Sinal criado para expressar a idéia dotermo civilizaçãol i d idéi dSinal criado paraexpressar a idéiado termo papiroA organização didática desse espaçode ensino implica o uso de muitas imagensvisuais e de todo tipo de referências que possamcolaborar para o aprendizado da Língua deSinais. Os materiais e os recursos para esse fimprecisam estar presentes na sala de AtendimentoEducacional Especializado e respeitar asnecessidades didático-pedagógicas para o ensinode língua.
  27. 27. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez3636Caderno de registro deCaderno de registro deLíngua de Sinais.Língua de Sinais.Colagemdegravurarealizadaporalunocomsurdezdemonstrandoa sua compreensão do termo representado em LibrasDesenho realizado por aluno com surdez, demonstrando acompreensão do termo representado pelo sinal em LibrasCol md r r r liz d por l no om rd zd mon tr ndoDesenho realizado por aluno com surdez demonstrando aProfessor explicando um conteúdo curricularde Libras, por meio de imagensOs alunos recorrem sempre a essecaderno, como se fosse um dicionário particular.O caderno expressa sua compreensão sobre ostermos representados em Libras.A seqüência de fotos a seguir ilustra osprocedimentos descritos:Aluno com surdez explicando para o professor e para oscolegas os termos científicos em Língua de Sinais
  28. 28. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva3737Aluno utilizando o caderno de registro para explicartermos em LibrasOs professores do Atendimento EducacionalEspecializado de Libras fazem permanentementeavaliações para verificação da aprendizagem dosalunos em relação à evolução conceitual de Libras.Em resumo, questões importantes sobre oAtendimento Educacional Especializado em Libras epara o ensino de Libras:• O Atendimento Educacional Especializadocom o uso de Libras, ensina e enriqueceos conteúdos curriculares promovendo aaprendizagem dos alunos com surdez naturma comum.• O ambiente educacional bilíngüe éimportante e indispensável, já querespeita a estrutura da Libras e da LínguaPortuguesa.• Este atendimento exige uma organizaçãometodológica e didática e especializada.• O professor que ministra aulas emLibras deve ser qualificado para realizaro atendimento das exigências básicas doensino por meio da Libras e também,para não praticar o bimodalismo, ou seja,misturar a Libras e a Língua Portuguesa quesão duas línguas de estruturas diferentes.• O professor com surdez, para o ensinode Libras oferece aos alunos com surdezmelhores possibilidades do que o professorouvinte porque o contato com crianças ejovens com surdez com adultos com surdezfavorece a aquisição dessa língua.
  29. 29. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez3838• A avaliação processual do aprendizado pormeio da Libras é importante para que severifique, pontualmente, a contribuição doAtendimento Educacional Especializadopara o aluno com surdez na escola comum.• A qualidade dos recursos visuais é primordialpara facilitar a compreensão do conteúdocurricular em Libras.• A organização do ambiente de aprendizageme as explicações do professor em Libraspropiciam uma compreensão das idéiascomplexas, contidas nos conhecimentoscurriculares.• O Atendimento Educacional Especializadoem Libras oferece ao aluno com surdezsegurança e motivação para aprender, sendo,portanto, de extrema importância para ainclusão do aluno na classe comum.Momento Didático-Pedagógico:Momento Didático-Pedagógico:O Atendimento EducacionalO Atendimento EducacionalEspecializado para o Ensino deEspecializado para o Ensino deLíngua PortuguesaLíngua PortuguesaO Atendimento Educacional Especializadopara o ensino da Língua Portuguesa acontece na salade recursos multifuncionais e em horário diferenteao da sala comum. O ensino é desenvolvido por umprofessor, preferencialmente, formado em LínguaPortuguesa e que conheça os pressupostos lingüísticosteóricos que norteiam o trabalho, e que, sobretudoacredite nesta proposta estando disposto a realizaras mudanças para o ensino do português aos alunoscom surdez.O que se pretende no AtendimentoEducacional Especializado é desenvolver acompetência gramatical ou lingüística, bem comotextual, nas pessoas com surdez, para que sejamcapazes de gerar seqüências lingüísticas bemformadas.Nesta perspectiva, a sala de recursos para oAtendimentoEducacionalEspecializadoemLínguaPortuguesa deverá ser organizada didaticamente,respeitando os seguintes princípios:• Riqueza de materiais e recursosvisuais (imagéticos) para possibilitar aabstraçãodossignificadosdeelementosmórficos da Língua Portuguesa.• Amplo acervo textual em LínguaPortuguesa, capaz de oferecer ao alunoa pluralidade dos discursos, para queos mesmos possam ter oportunidadede interação com os mais variadostipos de situação de enunciação.
  30. 30. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva3939• Dinamismo e criatividade naelaboração de exercícios, os quaisdevem ser trabalhados em contextosde usos diferentes.A seguir apresentam-se imagens doAtendimento Educacional Especializado para oensino da Língua Portuguesa:Professora de Língua Portuguesa, explorando termosespecíficos do conteúdo em Língua PortuguesaProfessora de Língua Portuguesa, explorando termosProfessora de Língua Portuguesa explorando gravuras comlegendas em Língua Portuguesa escritaProfessora de Língua Portuguesa revisando osconceitos curriculares em Língua Portuguesa escrita
  31. 31. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez4040O Atendimento Educacional Especializado paraensino da Língua Portuguesa é preparado em conjuntocom os professores de Libras e o da sala comum. A equipeanalisa o desenvolvimento dos alunos com surdez, emrelação ao aprendizado e domínio da Língua Portuguesa.Neste atendimento, a professora de LínguaPortuguesa focaliza o estudo dessa língua nos níveismorfológico, sintático e semântico-pragmático, ou seja,como são atribuídos os significados às palavras e comose dá à organização delas nas frases e textos de diferentescontextos, levando os alunos a perceber a estrutura dalíngua através de atividades diversificadas, procurandoconstruir um conhecimento já adquirido naturalmentepelos alunos ouvintes.Aluno com surdez elaborandofrases sobre o conteúdo estudadoAfProfessora de LínguaPortuguesa ensinando a LínguaPortuguesa escrita para osalunos com surdezP f d LíDessa forma, no Atendimento EducacionalEspecializado, o professor trabalha os sentidos das palavrasde forma contextualizada, respeitando e explorando aestrutura gramatical da Língua Portuguesa. Esse processoinicia-se na educação infantil, intensificando-se naalfabetização e prossegue até o ensino superior.
  32. 32. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva4141O professor de Língua Portuguesa emparceria com os professores da sala comum eda Libras, realiza estudos dos termos específicosdo conteúdo curricular, utilizando toda fontede pesquisa bibliográfica possível, em especial,dicionário ilustrado e livros técnicos. Organizaos termos específicos em um glossário ilustrado,conforme pode ser visto nas ilustrações abaixo:Exemplo de glossário com termos específicosilustrados1.1 Imagens e conceitos retirados de dicionários e livros variados.
  33. 33. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez4242Após o trabalho com o glossário para aampliação e aquisição do vocabulário do Português,são feitos estudos pontuais dos diferentes significadose formas de uso que as palavras podem assumir emdiferentes contextos (estudo de palavras sinônimase homônimas) e sua aplicação a partir da própriapalavra, de frases prontas em que essas são empregadaspalavras, textos ou imagens que se reportem àssituações em questão.Para esclarecerem dúvidas e polêmicas sobreo estudo dos contextos e dos conteúdos curriculares,o professor de Língua Portuguesa e os professoresde turma comum organizam um caderno de estudo,no qual exemplificam conceito por conceito,procurando oferecer esclarecimentos pontuais parao aprendizado dos alunos.
  34. 34. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva4343Leitura e interpretação de textosLeitura e interpretação de textos Representação da interpretação do texto por meio de desenhoO Atendimento Educacional Especializadodeve ser organizado para atender também alunos queoptaram pela aprendizagem da Língua Portuguesa namodalidade oral. Nesse caso, o professor de portuguêsoferece aos alunos as pistas fonéticas para a fala e aleitura labial.Elaboração e interpretação de textos emLíngua Portuguesa:O aluno com surdez precisa aprender aincorporar no seu texto as regras gramaticais da escritana Língua Portuguesa.A Língua Portuguesa estrutura-se a partir dacombinaçãodevocábulosqueconectadoscorretamentedão sentido: palavras combinadas formam frases;frases conectadas formam orações; orações transpostaspor meio de conectivos formam períodos e assimpor diante, até chegar ao texto. Assim, se inicia otrabalho com os alunos, paralelamente à ampliaçãodo vocabulário, a elaboração de tópicos frasais.Veja exemplo:
  35. 35. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez4444
  36. 36. CapítuloIII-OAtendimentoEducacionalEspecializadoparaosAlunoscomSurdez:umapropostainclusiva4545Com o objetivo de alcançar estruturasgramaticalmente corretas, insere-se no trabalhoregras gramaticais propriamente ditas, que os alunosouvintes, facilmente compreendem, por terem comocanal comunicativo à língua oral. No caso dos alunoscom surdez, faz-se necessário criar o canal que osleva a essas compreensões. Esta situação é observadana análise morfológica – flexão de gênero, número egrau de substantivos e adjetivos, bem como nasflexões verbais de modo, tempo e pessoa, aoestabelecerem nas frases e textos, a concordânciaverbal e nominal.Por isto a necessidade de iniciar estetrabalho nos primeiros anos de escolarização, poisuma vez que iniciados tardiamente neste processo,mais obstáculos encontrarão na conquista dahabilidade comunicativa escrita.NoAtendimentoEducacionalEspecializadopara o ensino da Língua Portuguesa, o canal decomunicação específico é a Língua Portuguesa, ouseja, leitura e escrita de palavras, frases e textos, o usode imagens e até mesmo o teatro, para a representaçãode conceitos muito abstratos. Vários recursos visuaissão usados para aquisição da Língua Portuguesa.Desta forma, os alunos precisam ficaratentos a todos as pistas oferecidas paracompreenderem a mensagem. O atendimento nessalíngua contribui enormemente para o avançoconceitual do aluno na classe comum.Em resumo, podemos afirmar que:• O Atendimento Educacional Especializadopara aprendizagem da Língua Portuguesaexige que o profissional conheça muito bema organização e a estrutura dessa Língua,bem como, metodologias de ensino desegunda língua.• O uso de recursos visuais é fundamentalparaacompreensãodaLínguaPortuguesa,seguidos de uma exploração contextualdo conteúdo em estudo;• O atendimento diário em LínguaPortuguesa, garante a aprendizagem dessalíngua pelos alunos.• Para a aquisição da Língua Portuguesa, épreciso que o professor estimule,permanentemente, o aluno, provocando-o a enfrentar desafios.• O atendimento em Língua Portuguesa éde extrema importância para odesenvolvimento e a aprendizagem doaluno com surdez na sala comum.• A avaliação do desenvolvimento daLíngua Portuguesa deve ocorrercontinuamente para assegurar que seconheçam os avanços do aluno comsurdez e para que se possa redefinir oplanejamento, se for necessário.
  37. 37. AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdez4646Para saber mais...Para saber mais...ASSIS-PETERSON, Ana Antônia de. A aprendizagem desegunda língua: alguns pontos de vista. Revista Espaço. Rio deJaneiro: INES. nª 9, p. 30-37, janeiro-junho, 1998.AVÉROUS, Pierre; COLLIN, Marie-Marthe. De olho no céu ena terra. São Paulo: Scipione, 1991.CANTARATO, Ana Lúcia V. Aquisição da Língua Portuguesapor crianças surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 6,p. 60-62, março, 1997.CONTARATO, Ana Lúcia V.; BAPTISTA, Elaine da R.Diversidade textual no ensino de Língua Portuguesa escritacomo segunda língua para surdos. Revista Espaço. Rio deJaneiro: INES. nª 9, p. 67-70, janeiro-junho, 1998.COSTA, Jucelino. Pistas sinestésicas: uma estratégia facilitadorapara a alfabetização de pessoas surdas. Revista Espaço. Rio deJaneiro: INES. nª 18/19, p. 106-111, dezembro/2002-julho/2003.DAMÁZIO, Mirlene Ferreira Macedo. Educação Escolar dePessoa com Surdez: uma proposta inclusiva. Campinas:Universidade Estadual de Campinas, 2005. 117 p. Tese deDoutorado.DORZIAT,Ana;FIGUEIREDO,MariaJúliaF.Problematizandoo ensino de Língua Portuguesa na educação de surdos. RevistaEspaço.RiodeJaneiro:INES.nª18/19,p.32-41,dezembro/2002-julho/2003.FARIA, Mirlene Ferreira Macedo. Rendimento escolar dosportadores de surdez na escola regular em classe comum doensino fundamental. Espanha: Universidade de Salamanca,1997. 148 p. Dissertação de Mestrado.FERNANDES, Eulália. Linguagem e surdez. Porto Alegre:Artmed, 2003.FREIRE, Alice. Aquisição de português como segunda língua:uma proposta de currículo. Revista Espaço. Rio de Janeiro:INES. nª 9, p. 46-52, janeiro-junho, 1998.GERALDI, João Wanderley. O uso como lugar de construçãodos recursos lingüísticos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES.nª 8, p. 49-54, agosto-dezembro, 1997.GLÓRIA, Maria R.; VERGES, Oriol. Viajando através dahistória: da Pré-história ao Egito. São Paulo: Scipione, 1991.LIMA, Maria Cecília M. P.; et. al. Fonoaudiologia e surdez:possibilidade de atuação na linguagem escrita. Revista Espaço.Rio de Janeiro: INES. nª 16, p. 73-77, dezembro, 2001.Meu 1ª LAROUSSE dicionário. São Paulo: Larousse do Brasil,2004.PIMENTA, Maria Ednéa; RAMOS, Maria Inês B.; SOARES,Regina Célia. Fonoaudiologia numa proposta bilíngüe. RevistaEspaço. Rio de Janeiro: INES. nª 10, p. 74-75, dezembro, 1998.POKER, Rosimar Bortolini. Troca simbólica e desenvolvimentocognitivo em crianças surdas: uma proposta de intervençãoeducacional. UNESP, 2001. 363p. Tese de Doutorado.REBELO, Ana Paula S. R.; COZER, Maria Beatriz R.;PINHEIRO, Neusa Maria S.; COSTA, Jucelino. Pistassinestésicas: uma estratégia facilitadora para a alfabetização depessoas surdas. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 18/19,p. 106-111, dezembro/2002-julho/2003.SVARTHOLM, Kristina. Aquisição de segunda língua porsurdos. Revista Espaço. Rio de Janeiro: INES. nª 9, p. 38-45,janeiro-junho, 1998.
  38. 38. 4949CapítuloIV-OPapeldoIntérpreteEscolarRespaldados pelos novos paradigmasinclusivos, as pessoas com surdez têmconquistado atualmente direitosfundamentais que promovem a sua inclusão social. 1O reconhecimento da Língua Brasileira deSinais – Libras, em abril de 2002, e sua recenteregulamentação, conforme o decreto nª 5.626, de 22de dezembro de 2005, legitimam a atuação e aformação profissional de tradutores e intérpretes deLibras e Língua Portuguesa. Garante ainda aobrigatoriedade do ensino de Libras na educaçãobásica e no ensino superior - cursos de licenciatura ede Fonoaudiologia e regulamenta a formação deprofessores da Libras, o que abre um amplo espaço,nunca antes alcançado, para a discussão sobre aeducação das pessoas com surdez, suas formas deocorrência e socialização.Nesse contexto, a formação profissional dostradutores e intérpretes de Libras e de Língua Portuguesatorna-se cada vez mais valorizada, pois a presença destesprofissionais é fundamental para a inserção das pessoascom surdez, que são usuárias da Língua de Sinais.2 Texto escrito pelas intérpretes Alessandra da Silva e CristianeVieira de Paiva Lima segundo as idéias da proposta desenvolvidapela Profº Mirlene Ferreira Macedo Damázio para o AtendimentoEducacional Especializado na perspectiva inclusiva.O que é um tradutor e intérpreteO que é um tradutor e intérpretede Libras e Língua Portuguesa?de Libras e Língua Portuguesa?É a pessoa que, sendo fluente em LínguaBrasileira de Sinais e em Língua Portuguesa, tem acapacidade de verter em tempo real (interpretaçãosimultânea) ou, com um pequeno espaço de tempo(interpretação consecutiva), da Libras para o PortuguêsoudesteparaaLibras.Atraduçãoenvolveamodalidadeescrita de pelo menos uma das línguas envolvidas noprocesso.Postura éticaPostura éticaA função de traduzir/interpretar é singular,dado que a atuação desse profissional leva-o a interagircom outros sujeitos, a manter relações interpessoais eprofissionais, que envolvem pessoas com surdez eouvintes, sem que esteja efetivamente implicado nelas,pois sua função é unicamente a de mediador dacomunicação.O Papel do Intérprete EscolarO Papel do Intérprete Escolar22
  39. 39. 5050AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdezO tradutor e intérprete, ao mediar acomunicação entre usuários e não usuários da Libras,deve observar preceitos éticos no desempenho de suasfunções, entendendo que não poderá interferir narelação estabelecida entre a pessoa com surdez e aoutra parte, a menos que seja solicitado.Entende-se que, sendo o tradutor e intérpreteuma pessoa com capacidade, opiniões e construçãoidentitária próprias, não é coerente exigir que eleadote uma postura absolutamente neutra, como sesua atividade fosse apenas uma atividade mecânica.Mas o fato de ter uma opinião própria sobre umassunto não dá a esse profissional o direito deinterferir em uma situação concreta em que estáatuando, quando não for chamado a intervir.Segundo o código de ética da atuação doprofissional tradutor e intérprete - que é parteintegrante do Regimento Interno do DepartamentoNacional de Intérpretes da FENEIS/FederaçãoNacional de Educação e Integração dos Surdos - cabea esse profissional agir com sigilo, discrição, distânciae fidelidade à mensagem interpretada, à intenção e aoespírito do locutor da mensagem. (MEC/SEESP,2001). Esta postura profissional exige disciplina euma clara consciência de seu papel. Assim sendo, ointérprete deve ter uma estabilidade emocional muitogrande e todo aquele que almeja assumir essa funçãoprecisa ter consciência dessas condições e buscarformas de desenvolvê-la.Entende-se como postura ética uma atitudesolidária, pela qual esses profissionais lutam pelorespeito às pessoas com surdez, assim como porqualquer outra pessoa. Existem várias áreas de atuaçãodo tradutor e intérprete de Libras e Língua Portuguesaque merecem ser objeto de reflexão de todos os queatuam com pessoas com surdez usuárias da Libras.A atuação do tradutor/intérprete escolar, naótica da inclusão, envolve ações que vão além dainterpretação de conteúdos em sala de aula. Ele medeiaa comunicação entre professores e alunos, alunos ealunos, pais, funcionários e demais pessoas dacomunidade em todo o âmbito da escola e tambémem seminários, palestras, fóruns, debates, reuniões edemais eventos de caráter educacional.Com relação à sala de aula, devemos sempreconsiderar que este espaço pertence ao professor e aoaluno e que a liderança no processo de aprendizagemé exercida pelo professor, sendo o aluno de suaresponsabilidade.É absolutamente necessário entender que otradutor e intérprete é apenas um mediador dacomunicação e não um facilitador da aprendizageme que esses papéis são absolutamente diferentes eprecisam ser devidamente distinguidos e respeitadosnas escolas de nível básico e superior.Não cabe ao tradutor/intérprete a tutoriados alunos com surdez e também é de fundamentalimportância que o professor e os alunos desenvolvamentre si interações sociais e habilidades comunicativas,de forma direta evitando-se sempre que o aluno comsurdez, dependa totalmente do intérprete.
  40. 40. 5151CapítuloIV-OPapeldoIntérpreteEscolarPartindo do princípio de que,comprovadamente, a Língua de Sinais é fundamentalpara que o aluno com surdez adquira linguagem eavance no seu desenvolvimento cognitivo, nãopodemos deixar de considerar também, que apenas ouso dessa língua não é suficiente para resolverquestões relativas à sua aprendizagem. A Língua deSinais, por si só, não promove a aprendizagem daleitura e da escrita da Língua Portuguesa e,conseqüentemente, dos conceitos estudados.Outro aspecto importante refere-se àconduta profissional adotada pelo tradutor/intérprete durante a sua atuação profissional, nosquesitos responsabilidade, assiduidade, pontualidade,posicionamento no espaço de interpretação,aparência pessoal, domínio de suas funções, interaçãocom os alunos, postura durante as avaliações.O tradutor/intérprete deve sempre respeitaro contexto escolar, seja em relação às aulas em si, sejaem relação aos alunos com surdez e ouvintes.O profissional tradutor/intérpreteconsciente de todas as suas funções, papéis ecompromissos profissionais tem comoresponsabilidade agir como difusor dosconhecimentos que tem sobre Libras e comunicaçãoentre pessoas com surdez e ouvintes. Ele deverá sabero valor e limites de sua interferência no ambienteescolar, para dar esclarecimentos e orientação aosque necessitam de seus conhecimentos específicos.Em resumo, o tradutor/intérprete deveconhecer com profundidade, cientificidade ecriticidade sua profissão, a área em que atua, asimplicações da surdez, as pessoas com surdez, a Libras,os diversos ambientes de sua atuação a fim de que, deposse desses conhecimentos, seja capaz de atuar demaneira adequada em cada uma das situações queenvolvem a tradução, a interpretação e a éticaprofissional.Atuação do tradutor/intérprete eAtuação do tradutor/intérprete eprofessor de Librasprofessor de LibrasHá uma clara diferença entre ensinar Língua deSinais a ouvintes ou a pessoas com surdez. No caso doensino de Libras para alunos ouvintes, o tradutor/intérprete poderá mediar a comunicação entre os alunosouvintes e o professor com surdez no ensino teórico daLibras. O ensino prático caberá ao professor de Libras.Atuação do tradutor/intérprete comAtuação do tradutor/intérprete como professor fluente em Libraso professor fluente em LibrasO professor que é fluente em Libras é apessoa mais habilitada para transmitir seusconhecimentos aos alunos usuários da Língua deSinais. Uma vez que o professor tenha fluência nessalíngua e que o domínio do conhecimento a sertrabalhado é exclusivo desse professor, não existe abarreira da comunicação e, assim sendo, o intérpreteserá desnecessário.
  41. 41. 5252AtendimentoEducacionalEspecializadoparaAlunoscomSurdezAtuação do tradutor/intérprete emAtuação do tradutor/intérprete emsala de aula comum com osala de aula comum com oprofessor sem fluência em Librasprofessor sem fluência em LibrasO tradutor/intérprete poderá atuar na salacomum,massempreevitandointerferirnaconstruçãoda Língua Portuguesa, como segunda língua dosalunos com surdez. A sala de aula comum é um doslocais de aprendizado da Língua Portuguesa para osalunos com surdez.Atuação do tradutor/intérpreteAtuação do tradutor/intérpreteem palestras, debates, discussões,em palestras, debates, discussões,reuniões de colegiado e eventosreuniões de colegiado e eventosda escolada escolaA atuação do tradutor/intérprete escolarenvolve também a mediação da comunicação nasdiversas atividades que acontecem na escola ourelacionadas a ela, visando atender às necessidadestanto de professores e alunos quanto da comunidadeescolar e promovendo a inclusão social.O tradutor/intérprete é mais um profissionalque, ciente de sua responsabilidade social, poderámobilizar gestores e professores para a importânciade se promover a igualdade de acesso ao conhecimentoacadêmico para todos os alunos, indistintamente.Para saber mais...Para saber mais...PAGANO, Adriana; ALVEZ, Fábio; MAGALHÃES, Célia.Traduzir com Autonomia: estratégias para o tradutor emformação. São Paulo: Editora Contexto, 2000.QUADROS, Ronice Müller de. O Tradutor e Intérpretede Língua Brasileira de Sinais e Língua Portuguesa. Brasília:MEC/SEESP, 2001.ROBINSON, Douglas. Construindo o Tradutor. Bauru,São Paulo: EDUSC, 2002.

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