Feijão de cego

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ANÁLISE DA OBRA DE VLADIMIR SOUZA CARVALHO PARA O VESTIBULAR DA UFS

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Feijão de cego

  1. 1. FEIJÃO DE CEGO “ estórias” e “causos” do agreste sergipano
  2. 3. O SIGNIFICADO DE FEIJÃO DE CEGO <ul><li>“ R eunião de bois e vacas de raças diferentes, nenhum de qualidade.” </li></ul><ul><li>“ Mistura de feijões de diversos tipos e qualidade recebidos pelo cego na sua labuta diária de casa em casa.” </li></ul><ul><li>Segundo o autor “no fundo, a mistura parece ser a tônica principal da expressão, acrescido aqui de baixa qualidade.” </li></ul>
  3. 4. FEIJÃO DE CEGO E ÁGUA DE CABAÇA . <ul><li>Os contos de Feijão de cego retomam o estilo e a temática das narrativas de Água de cabaça. </li></ul><ul><li>No livro anterior, assim como ocorre com Feijão de Cego, explica a gênese dos contos, de suas “estórias”. </li></ul><ul><li>&quot; O título, sim, o título, ÁGUA DE CABAÇA, nasceu de uma frase do compadre Luiz Carlos (Andrade), num dia qualquer da vida, embora, no livro, não se toque em água, nem em cabaça. Água de cabaça representa um líquido puro, com condições de ser ingerido, apesar de não se igualar à água mineral, nem à que vem da torneira. No fundo, água, que, à míngua de outra, dá para ser utilizada por determinadas pessoas, em certas e limitadas áreas. Na falta de outro livro, a leitura destes contos pode ser recomendada. É este o sentido do título.” </li></ul>
  4. 5. FEIJÃO DE CEGO <ul><li>De temática variada, Feijão de Cego situa o leitor num espaço conhecido, já que a maioria das narrativas se passa, no interior de sergipe, região do agreste, principalmente, em Itabaiana, município de onde procede o seu autor, o desembargador federal Vladimir Souza Carvalho. </li></ul>
  5. 6. FEIJÃO DE CEGO <ul><li>A procedência do autor dá às histórias um caráter memorialista, mas não autobiográfico, se bem que é possível perceber aqui e ali as andanças do autor em sua região de origem. </li></ul>
  6. 7. MEMORIALISMO E AUTOBIOGRAFIA <ul><li>“ Na penitenciária, tudo era chato. Boi criado solto não me acostumava no espaço pequeno.” ( Meu filho Teodásio ) </li></ul><ul><li>“ Valdenísio explicou que o juiz tinha marcado o júri.” ( Júri de vítima viva ) </li></ul><ul><li>“ A escrivã, cabelo ainda despenteado, abriu a porta, a cara mais feia do mundo, na demonstração da raiva que lhe tomava conta.” ( O casamento de Esterlito ) </li></ul><ul><li>“ O delegado lhe mostrou o sinal cabeludo na coxa direita, perto da virilha. “ ( Reconhecimento) </li></ul>
  7. 8. FEIJÃO DE CEGO <ul><li>O autor resgata as “estórias” regionalistas, que enriquecem a oralidade literária sergipana, principalmente, numa época afeita às narrativas urbanas, visto que em outras obras suas essa tendência já se fazia sentir. </li></ul>
  8. 9. FEIJÃO DE CEGO <ul><li>Pesquisador, agudo observador da vida comunitária e patriarcal de Itabaiana, Vladimir, em Feijão de Cego, revela-se um contador de “estórias”, no sentido roseano da expressão. </li></ul>
  9. 10. FEIJÃO DE CEGO <ul><li>Percebe-se que a estrutura narrativa de suas 33 “estórias” guarda estreita relação com a realidade objetiva, o que reforça o caráter verossímil do que conta, e, até mesmo nas narrativas alegóricas que, pelo poder de convencimento que apresentam, o leitor é levado a crer na “estória” que está lendo, como se os fatos tivessem mesmo acontecido. </li></ul>
  10. 11. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>AS HISTÓRIAS DA MAIORIA DAS NARRATIVAS SÃO CENTRADAS NUMA ORGANIZAÇÃO SOCIAL E CULTURAL RURAL, REGIÃO DO AGRESTE SERGIPANO, SOCIEDADE PATRIARCAL E MACHISTA, RIGIDAMENTE ESTRATIFICADA. </li></ul>
  11. 12. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>OS PERSONAGENS DA MAIORIA DOS CONTOS SÃO PESSOAS DA ZONA RURAL QUE GUARDAM COSTUMES E CRENÇAS PRIMITIVAS, MAS TAMBÉM SÃO PISTOLEIROS, JAGUNÇOS, POLICIAIS E CORONÉIS. </li></ul>
  12. 13. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>O autor alterna primeira e terceira pessoa e, às vezes, oscila entre um e outro, por causa do uso do discurso indireto livre. Mas de uma forma geral o foco narrativo é ortodoxo. </li></ul><ul><li>FOCO DE TERCEIRA PESSOA </li></ul><ul><li>“ Tertulino era um saco de arrependimento. Passara na bodega de Adefácio só para comprar uma caixa de fósforo.” </li></ul><ul><li>( Parto da vaca rajada ) </li></ul>
  13. 14. FOCO DE PRIMEIRA PESSOA <ul><li>“ Me smo antes do derrame – doença que me tirou os movimentos, me deixando preso a uma cadeira de rodas, eu que nunca fui de alisar cadeira -, só Vambério me visitava e me dava assistência.” </li></ul><ul><li>( Perdão ) </li></ul>
  14. 15. FOCO NARRATIVO AMBÍGUO <ul><li>“ Sinésia na minha fachada, tomando minha arma, ela sempre submissa, calada, obedecendo a minhas ordens e ao meu mandar. ( ... ) Esse, seu Manilton, é bom de verdade, não recebe político com reverências e excelências, nem participa de procissão, é só trabalhar.” </li></ul><ul><li>( júri de vítima viva ) </li></ul>
  15. 16. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>O espaço da maioria dos contos está situado no agreste sergipano, predominando o município de Itabaiana como o local onde acontecem as ações em sua maior parte. </li></ul>
  16. 17. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>Os personagens em sua grande maioria são tipos sociais, planos, sem grande complexidade psicológica, conforme acontece com a natureza da estrutura dos contos tradicionais. </li></ul>
  17. 18. Um aspecto importante em Feijão de cego são os nomes dos personagens que oscilam entre próprios e apelidos bem característicos da região do agreste. <ul><li>. </li></ul><ul><li>Porfira, de Rosto novo. </li></ul><ul><li>Jeconias, de Ciúme. </li></ul><ul><li>Ingracildo, de Soldado do fisco. </li></ul><ul><li>Altina, de Espera. </li></ul><ul><li>Potânio, de Perdão. </li></ul><ul><li>Castorina, de Roendo o osso. </li></ul><ul><li>Crescêncio, de Cavalheirismo </li></ul><ul><li>Austro, de Júri de vítima vida. </li></ul><ul><li>Cipriano Granjeira, Consulta. </li></ul><ul><li>Idalécio, de Valor do cão da rapariga do cabo. </li></ul><ul><li>A ONOMÁSTICA </li></ul><ul><li>Janjão, de Uma cumbuquinha de café. </li></ul><ul><li>Esterlito, de O casamento de Esterlito. </li></ul><ul><li>Pancário, de Obstáculo. </li></ul><ul><li>Quiminha, de Cama nova. </li></ul><ul><li>Melâncio Abrônio, de Explicação. </li></ul><ul><li>Ninita, de Assunto sério. </li></ul><ul><li>Meandro, de A espera do meu sobrinho neto. </li></ul>
  18. 19. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>A temática da maioria dos contos indica que o tempo histórico da narrativa se situa na segunda metade do século XX. Já o tempo da ação apresenta-se psicológico e cronológico. </li></ul>
  19. 20. O ESTILO LITERÁRIO DO AUTOR <ul><li>A linguagem empregada na maioria dos contos é correta do ponto de vista gramatical, revelando um estilo clássico, se bem que a temática da maioria dos contos seja regionalista. </li></ul><ul><li>Apresenta-se assentada numa semântica de origem oral e regional, principalmente pelo uso de ditados e provérbios populares pelos personagens, mas em geral a linguagem do narrador é culta do ponto de vista sintático. </li></ul><ul><li>A fusão da linguagem clássica com as expressões orais, regionais e de cunho naturalista acaba tendo um efeito literário agradável, entretanto. </li></ul>
  20. 21. O ESTILO LITERÁRIO DO AUTOR <ul><li>O autor usa comumente frases curtas, nominais, orações coordenadas assindéticas, pouca subordinação, configurando um estilo objetivo das narrativas, e, até mesmo quando o autor faz uso de metáforas inusitadas, comparações com elementos da natureza, percebe-se a plasticidade da linguagem. </li></ul>
  21. 22. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>LINGUAGEM ORAL, POPULAR E COLOQUIAL </li></ul><ul><li>“ Comecei a me azucrinar , também pudera.” </li></ul><ul><li>“ Austro estava vivo, vivinho da silva e dos limões” </li></ul><ul><li>( Júri de vítima viva ) </li></ul>
  22. 23. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>LINGUAGEM ORAL, POPULAR E COLOQUIAL </li></ul><ul><li>“ Quando Valdenísio bateu a minha porta, alguma coisa me dizia que havia carniça na estrada , o fedor chegando as minhas ventas.” </li></ul><ul><li>( Júri de vítima viva ) </li></ul><ul><li>“ Comi a carne em pouco minutos, ficava a remoer os ossos a vida inteira ” </li></ul><ul><li>( Roendo o osso ) </li></ul><ul><li>“ Compadre Ariolino chega para mim, cara amarrada feição de céu antes de chuva pesada ....” </li></ul><ul><li>( Assunto sério ) </li></ul>
  23. 24. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>Em Feijão de cego, entretanto, o autor ainda continua usando frases e orações curtas, conforme acontecia em Água de Cabaça. </li></ul><ul><li>“ Depois fazia silêncio. O olhar perdido na porta. O carro estava demorando. A velha reclamava.” </li></ul><ul><li>( Herança ) </li></ul>
  24. 25. O QUE OBSERVAR EM FEIJÃO DE CEGO <ul><li>O regionalismo, em Feijão de cego, não se dá de forma estática, ou seja, apenas pela temática abordada ou pela oralidade: ocorre sob várias circunstâncias e ângulo do livro, como na onomástica, na linguagem oral, na semântica, nos códigos culturais, morais e éticos, e na natureza das “estórias”. </li></ul>
  25. 26. O QUE OBSERVAR EM FEIJÃO DE CEGO <ul><li>Do ponto de visto linguístico, o autor ainda enfrenta problemas entre aquilo que é o falar regional, as expressões populares e seu discurso, e o nível culto – o que nem sempre garante verossimilhança aos fatos narrados por um contador de casos. </li></ul>
  26. 27. ASPECTOS ESTRUTURAIS DOS CONTOS <ul><li>“ O concreto é que Ariolino está desconfiado, arredio como vaca parida. Hum! Se tem assunto para tratar é porque há urubu esperando boi se transformar em carniça. Naturalmente descobriu o que se passa entre mim e Ninita, quanto o tempo permite, claro, que não sou de me arriscar.” </li></ul><ul><li>( Assunto sério ) </li></ul>
  27. 28. O QUE OBSERVAR EM FEIJÃO DE CEGO <ul><li>A estrutura dos contos, em linhas gerais, é clássica. Uma introdução aos fatos, seguido de uma digressão psicológica para culminar, no fim, com um efeito, ora humorístico, ora revelador. </li></ul>
  28. 29. OS ASPECTOS TEMÁTICOS DOS CONTOS <ul><li>VIOLÊNCIA, CORONELISMO, PISTOLAGEM E VINGANÇA NUMA SOCIEDADE PATRIARCAL, MACHISTA E DOMINADA POR CÓDIGOS PRIMITIVOS DE CONVIVÊNCIA. </li></ul><ul><li>MISTICISMO, AMOR PLATÔNICO, SONHO, FELICIDADE E O DESEJO DE DESCOBERTA, NUMA SOCIEDADE DOMINADA AINDA POR UMA CULTURA PRIMITIVA. </li></ul><ul><li>A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER NUM ESPAÇO SOCIAL EM QUE ELA NÃO TEM VOZ E É SUBMETIDA A UM DESTINO PREVIAMENTE TRAÇADO. </li></ul><ul><li>OS CÓDIGOS CULTURAIS E SOCIAIS RÍGIDOS OBEDIENTES A UMA ORGANIZAÇÃO SOCIO-CULTURAL MACHISTA E PATRIARCAL, OCORRENDO, COMO CONSQUÊNCIA, A TRANSGRESSÃO. </li></ul>
  29. 30. OS ASPECTOS TEMÁTICOS DOS CONTOS <ul><li>A DESINTEGRAÇÃO DO UNIVERSO PATRIARCAL RURAL INVADIDO POR NOVOS HABITOS CULTURAIS, PRINCIPALMENTE, PROVENIENTES DO MUNDO URBANO. </li></ul><ul><li>A OPRESSÃO DO UNIVERSO PATRIARCAL, NÃO SÓ CONTRA AS MULHERES, MAS TAMBÉM CONTRA OS MAIS JOVENS, TEMÁTICA OBSERVADA PELA PRESENÇA DE VALORES ESTRANHOS À CLASSE DOMINANTE. </li></ul><ul><li>O CASAMENTO COMO ELEMENTO DECISIVO E FATAL NA VIDA DAS MULHERES, E, COMO CONSQUÊNCIA, OU OCORRE A ANULAÇÃO COMPLETA DA VIDA PSICOSSOCIAL DA MULHER OU OCORRE INFIDELIDADE. </li></ul>
  30. 31. <ul><li>ANÁLISE DE ALGUNS CONTOS </li></ul>
  31. 32. ROENDO O OSSO <ul><li>O narrador, um borracheiro, vê-se atentado pela vizinha Leordina, casada com o pedreiro Oliberto. O tema da traição, com consequências desastrosas é o eixo central da narrativa. Enquanto a sua esposa Castorina estava fora, trabalhando, o borracheiro se deixa levar pela tentação da carne. O que seria apenas uma aventura torna-se para ele o seu maior tormento. Primeiro por saber que o marido da vizinha era um sujeito rude e tratar a esposa com violência. Depois ao ser comunicado por Leordina que estava grávida. O medo apodera-se dele, lamentando a hora infeliz em que se envolveu com a mulher do vizinho. A ironia da personagem é o fato de sua esposa também encontrar-se grávida. Restava-lhe apenas criar o filho junto com a filha. O que ele não esperava era que os dois, depois de crescerem juntos, tornassem namorados. </li></ul>
  32. 33. ASSUNTO SÉRIO <ul><li>Ainda em tom de humor, a narrativa em primeira pessoa apresenta um narrador angustiado com a própria consciência, ao receber um convite do compadre Ariolino, para acompanhá-lo a uma feira. O receio que o corroía por dentro era pensar que o compadre tinha descoberto a sua traição com a esposa dele Ninita. O narrador deixara-se levar pelas investidas da mulher e estava determinado a cometer um homicídio se o compadre resolvesse querer se vingar. Para isto estava preparado, mas não para o que o compadre lhe revelara: Ninita estava traindo a ambos. Com esta revelação dá-se o desfecho do conto e a revelação do assunto sério. </li></ul>
  33. 34. EXPLICAÇÃO <ul><li>É um retrato do cotidiano de uma pequena cidade de interior, em que todos sabem o que acontece com todo mundo. Narrado em primeira pessoa, o conto baseia-se em um fato que não passa despercebido: um casamento desfeito. Ninguém, porém, sabia o real motivo. A língua do povo era afiada e os comentários diversos: o noivo gostava de homem ou a noiva já era perdida. O desfecho do conto torna-se humorístico: o narrador anuncia, depois de duas semanas e da euforia dos comentários já terem baixado, uma carta explicativa, na casa de Melâncio Abrônio, escrita pela filha mais nova, relatando-lhe o que realmente se sucedera: tinha fugido com o noivo da irmã para o Rio de Janeiro, e agora pedia ao pai a bênção para poder casar com o ex-noivo da irmã. </li></ul>
  34. 35. APARIÇÃO <ul><li>O último conto da antologia é uma narrativa de vingança e ódio. Narrado em primeira pessoa, e com características do suspense, inicia-se com um sonho (pesadelo), depois de muito tempo: a aparição da alma pedindo perdão. Esta lembrança atormenta a narradora, que através da memória vai relatando o tempo em que, ainda menina, e que brincava de boneca de pano, e é estuprada. Ninguém nunca soube do estupro, a dor ficou retida no corpo e na mente. O pedido de perdão vem como uma necessidade do defunto poder descansar em paz. A vingança da narradora se deu quando o empurrou da cachoeira, causando a sua morte. Para ela não há arrependimento, apenas o alívio por ter se vingado do causador de sua desgraça. </li></ul>
  35. 36. O CASAMENTO DE ESTERLITO <ul><li>É um conto de humor, narrado em terceira pessoa, a história gira em torno do namoro entre Esterlito e Floduarda, causando desagrado geral pelo fato da noiva já ter pertencido a muitos homens e enganar o noivo. O desfecho do conto é a realização do casamento, o que deixa a população, através da fofoca, em rebuliço. No dia seguinte a decepção: Esterlito vai à casa da escrivã bem cedo para informar que irá a Aracaju na tentativa de cancelar o casamento. O motivo: a porta de Floduarda estava toda escangalhada. </li></ul>
  36. 37. CAMA NOVA <ul><li>O conto tem um narrador em primeira pessoa, pedreiro, que se encontra brigado com o pai. O motivo é uma imposição paterna: ou o filho larga a esposa Quiminha, ou ele não lhe dirige mais a palavra. Mas o narrador fica sabendo depois da traição da esposa, porém, age de forma defensiva, transformando a esposa em vítima das molecagens do primo Cléobulo que é expulso da rua por tentativa de estupro, enquanto Eluza estava tomando banho. Com o abandono de Cléobulo, Quiminha procura o narrador e lhe pede perdão. A volta se dá como desfecho do conto e satisfação do narrador, que para comemorar compra uma cama nova. </li></ul>
  37. 38. AS TRÊS FILHAS DO PEDREIRO PEDRA <ul><li>Narrado em terceira pessoa, é um conto que mescla o hilário com a tragédia, sobre a (in)felicidade de Assuélio, que acaba se casando com as três filhas de Pedreiro Pedra: Anunciada, Veraldina e Zulina, mas fica viúvo das três. Para Assuélio só lhe resta a viuvez, pois não havendo mais filha de Pedreiro Pedra para casar, acha estranho casar-se com a filha de outra pessoa . </li></ul>
  38. 39. DIA DIFERENTE <ul><li>É um conto que narra um episódio de violência contra a mulher. Narrado em terceira pessoa, inicia-se de forma trágica: a morte de Ageunita, assassinada pelo marido. Tudo isso é presenciado pela filha Isidéria, de seis anos, e a vizinha Silvanete, que aos gritos pede que alguém a socorra. A menina reprimida que sempre fora pelo pai e pela mãe aproveita-se da situação para levar uma nova vida, agora sem repressão, e ao mesmo tempo expressa um desejo de não querer ver mais os pais, a mãe morta e o pai preso. </li></ul>
  39. 40. DESCIDA <ul><li>A história gira em torno de uma situação inusitada que deixa o narrador entre a realidade e o devaneio que, ao sair de casa para cumprir mais um dia de trabalho, se vê dentro de um elevador. Em tom de suspense a narrativa inicia-se quando o personagem entra no elevador e aperta o botão do térreo. O desespero surge ao perceber que a descida não tem fim e nada funciona tornando-o um prisioneiro. Perde por completo a noção de tempo. Encontra-se com cabelos e barba enormes, o que lhe dá a certeza de que o tempo não para, assim como o elevador que o leva cada vez mais para baixo, sem chegar a lugar algum . </li></ul>
  40. 41. PARTO DA VACA RAJADA <ul><li>O narrador relata o relapso da personagem protagonista, Tertulino, que deveria dar assistência a sua vaca, perto de dar cria. É comum nas narrativas vladiminianas que um narrador trace um painel da vida de seus personagens imediatamente anterior aos fatos narrados e, neste conto, não foi diferente: a vida difícil, a ajuda do sogro, o terreno e o animal, aliás, único bem capaz de melhorar sua vida. </li></ul>
  41. 42. <ul><li>Este era o seu intento ao acreditar numa possível negociação do bezerro que estava por vir. Mas quis o destino que no possível dia do parto Tertulino se entretenha na conversa do Dr. Luiz, velho conhecido, tendo a conversa casual tomado ares de infinita. Após se embriagar, mal consegue chegar em casa. Vomitando, vai direto dormir como uma pedra. Pega num sono profundo, sem se importar com a situação de sua vaca. </li></ul>
  42. 43. <ul><li>Apenas o latido insistente de seu cachorro durante a madrugada, bem ao fundo, por conta do estado de sonolência. Pela manhã, o chamado apressado da mulher para ver o acontecido. O bezerro tentando ficar de pé, mas a mãe já endurecida no chão. Seu cachorro apenas abana o rabo como quem desconfiado por algum malfeito. </li></ul>
  43. 44. INTERVENÇÃO <ul><li>Conto cuja tônica remete aos costumes e hábitos sociais numa sociedade machista e cheia de convenções preestabelecidas. Jovem vai a julgamento por um crime de reparo da honra de uma adolescente à qual fizera “mal”. </li></ul>
  44. 45. <ul><li>Em meio às inferências do promotor e do advogado, o narrador vai construindo para o leitor a imagem dos fatos que conduziram os envolvidos ao embate jurídico. A vítima é espezinhada pelo advogado do acusado como se fosse um animal lazarento, era o seu algoz. A tensão toma conta de todos em sessão e a apreensão por conta do veredicto evidencia-se nos rostos do acusado e da vítima. </li></ul>
  45. 46. <ul><li>Abruptamente, o acusado não aceita as mentiras criadas pelo advogado contratado pelo pai e explode num grito de desespero. Acata a acusação e assume o fato e o casamento. Abraça a vítima em prantos, evidenciando apenas jovens expostos ao império da lei dos homens e ao código de conduta social, num jogo de interesses. </li></ul>
  46. 47. REENCONTRO <ul><li>Conto de temática erótica onde o protagonista registra por meio de sua história as desavenças vividas com sua esposa dentro do lar, já que ela, dia após dia se nega a ter relações sexuais quando solicitada pelo marido. Ela alega esgotamento físico e mental, cansaço por mais um dia de exaustivo trabalho na vida de uma secretária que vive o dia inteiro em pé. </li></ul>
  47. 48. <ul><li>Ele, cobrador de ônibus, modelo de macho, não nega fogo para ninguém, no auge de sua maturidade sexual, assiste inconformado, as seguidas recusas da mulher, sempre, com a mesma ladainha. O desfecho da relação através de uma separação sem remorsos e, apenas com a certeza de que não valera desperdiçar tanto vigor com uma “morta-viva”. </li></ul>
  48. 49. <ul><li>Surge a história de uma “dama da noite” estupidamente gostosa que os colegas de trabalho ouviram falar. Ele, jovem e bonito se atreve a conhecer a tal gostosona frequentada apenas por quem podia pagar o preço salgado do prazer. Após economias, o agendamento do encontro. A expectativa do ato, aquilo que contaria aos amigos... </li></ul>
  49. 50. <ul><li>Surpresa: misto de decepção e vingança. A gostosona era senão a sua ex. Aí está o motivo de tanto cansaço, das longas recusas. Deitou-se com a sua ex – estava pagando e não implorando, como antes –, uma atividade vigorosa como poucas vezes. Aos amigos apenas uma explicação. A tal gostosona era uma mulher igual as outras; nada de especial. </li></ul>
  50. 51. VALOR DO CÃO DA RAPARIGA DO CABO <ul><li>O conto traz a história de um taxista do interior que entrou, sem querer com seu Opala numa cidadezinha de quatro ou cinco ruas, mas que aparentemente estava vazia. O narrador traça um painel da cidade e, após muito procurar, já na penúltima das cinco ruas avistou aquilo que poderia ser a população toda da cidade. Tratava-se de uma casa de taipa no final da rua, era a delegacia, então se aproximou de um soldado que lhe contara a história daquele tumulto. </li></ul>
  51. 52. <ul><li>Era a história de Elvino de Adaliba, motorista de caminhão das bandas de Nossa Senhora da Glória que estava preso por ter atropelado o cachorro da rapariga do cabo. O motorista se questionou sobre a história e se adentrou à delegacia. Por lá, se apresentou como amigo do preso. O motorista se encheu de alegria por ver alguém de suas bandas e tomou coragem para contar o ocorrido, transbordando razões e justificativas. </li></ul>
  52. 53. <ul><li>Para bem ou para mal, o sujeito só poderia deixar a delegacia depois de pagar fiança, mas como, se não tem dinheiro? No vai-e-vem do caso, ninguém das partes cede até que o taxista lembrou de um cliente seu, um juiz, que poderia, no caso, ajudar a resolver o conflito. O delegado não acreditou, de imediato, mas depois, são da consciência, tornou a questionar o taxista sobre o seu ilustre cliente. </li></ul>
  53. 54. <ul><li>Não tendo jeito, o delegado concluiu que o interessado em cobrar judicialmente a fiança pela morte do animal que corresse atrás, ele não vê motivo para o acusado ficar detido. Não haveria necessidade de incomodar o meritíssimo com uma besteira daquelas. </li></ul>
  54. 55. JUSTIFICAÇÕES <ul><li>Casada com Odimar, a narradora vê seu casamento ser transformado quando o marido resolve entrar para a política. Depois de eleito prefeito, Odimar quer ir mais além: lançar a candidatura da mulher para sucedê-lo e assim ele continuar mandando na cidade por mais quatro anos. O plano era convencer os adversários e o eleitorado de que estavam realmente separados, para isso a separação foi oficializada em cartório e passaram a morar em casa separada. Os adversários alegavam ser uma fraude e tentam anular a eleição e a candidatura. Solução: um casamento arranjado, para não haver nenhuma dúvida da veracidade da separação, com Odimar, filho do vaqueiro, um jovem de dezoito anos, que passaria a conviver com ela até o resultado das eleições. Mas no desfecho do conto, a narradora apaixona-se pelo rapaz e decide continuar como Prefeito, tendo que enfrentar a revolta do marido, pois nada aconteceu como ele planejou. </li></ul>
  55. 56. A ESPERA DO MEU SOBRINHO NETO <ul><li>Narrado em primeira pessoa, a paixão de um velho por uma moça, casada com o seu sobrinho-neto Jeozélio, chamada Donária, que recusa as investidas, alegando que só poderia casar-se com o velho se ficasse viúva. Desse impedimento, surge a ideia de matar o sobrinho-neto na ilusão de casar-se com Donária. Contrata um matador de aluguel, que executa o crime, o que vai ser descoberto por outro sobrinho, Meandro. Não conseguindo seu intento, foge e fica à espera da morte, e com a triste lembrança da moça por quem continua apaixonado . </li></ul>
  56. 57. O SOLDADO DO FISCO <ul><li>Narrador em terceira pessoa retrata a posição de Ingracindo da Conceição, que trabalha a serviço do Fisco. Famoso por sua atuação como fiscal de consumo, recordista em autuações e feliz por aplicar duras penas a favor da justiça e contra os infratores, entusiasma-se pelo novo desafio que tem que cumprir: uma diligência, após uma denuncia anônima, contra o coronel Trazildo Redenção. Traça um plano que gira em torno de se esconder durante todo o dia nas proximidades da casa do Coronel, mas o desfecho é surpreendente e inesperado, tanto para protagonista, quanto para o leitor: Ingracindo recebe uma marmita com comida, de uma pessoa que o informa ter sido enviada pelo coronel Trazíbulo Redenção, para que ele não ficasse mais com fome, revelando-se assim que o coronel tinha a todo o momento ciência de sua presença escondida no mato. </li></ul>
  57. 58. O ROSTO DO NOIVO <ul><li>Narrado em primeira pessoa, o conto conta história de um casamento em que a protagonista se vê prestes a casar com alguém que ela não conhece. O primeiro contato, o noivado, é iniciado e oficializado através de uma carta. Em momento algum na narrativa a noiva vê o rosto do noivo, nem mesmo no dia do casamento. O casamento é, sobretudo, um negócio familiar, que agradara a toda a família. Para a protagonista haveria tempo, depois do casamento, para conhecer e ver o rosto de seu marido. Para ele o rosto não tinha importância alguma, já que era composto da mesma forma que qualquer outro, e sim que ela soubesse que ele a amava. Infere-se daí, que o noivo já a conhecia e a amava platonicamente. A consumação do casamento também se dá sem que a noiva veja o rosto do marido, rendendo-se ao seu destino, a que as mulheres estão submetidas. Este é um comportamento típico de muitas famílias pertencentes à sociedade patriarcal em que o casamento nada mais era que um negócio rentável e familiar. </li></ul>
  58. 59. FIM

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