Resumo_cap2 _eoria

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Resumo_cap2 _eoria

  1. 1. Trabalho de Teoria da Comunicação ǀ<br />Professora: Luísa Melo Chaves<br />A.Gabriela Caesar Março 2011<br />Da ciência à sapiência<br />As categorias que separam o universo criadas pelo homem têm o ponto de vista dele como influência, assim, passando a existir classificações antes inexistentes. Com o passar do tempo, mais especialistas passaram a reivindicar novas categorias a fim de enquadrar mais seres e deixar a classificação mais completa e complexa. Uma questão etimológica, como o uso das palavras “seres” e “natureza”, só poderia ser esclarecida pelo homem, pois devemos a ele a criação e, portanto, a distinção desses termos. Diz-se que é pela razão que se chega à verdade. Porém, a verdade é algo em que se crê, se previamente se aceitam como verdadeiros os critérios que a definem como verdade ou, ao menos, algo único. <br />Mecanismo, organismo, informação<br />Modos de os seres vivos se relacionarem com o mundo<br />Passíveis de ser comunicacionalmente concebidosOrgânicoMecânico<br />Retirando do mundo o que lhes é imprescindívelModificando o mundo e sendo modificado<br />Existe comunicação, isto é, envio de sinais e mensagens para que haja o trabalho de distinção e reconhecimento, por exemplo, de elementos da terra por parte de uma planta. Logo, a disputa dos seres vivos não é algo aleatório, mas em um sentido certo. Com base em informações relacionadas ao tal sentido, o ser deve estar atento à resposta do animal para reagir a tempo e/ou alcançar a sua meta. Noutra situação, nota-se o “instinto” animal, ou seja, uma espécie de inteligência rudimentar que dirige os seres vivos em suas ações, à revelia de sua vontade e no interesse de sua conservação. Numa situação em que o gato almeja caçar um pássaro, o pulo dele é para o alto em vez de ser em direção à vítima. Por quê? É imaginável que o pássaro, ou seja, a vítima irá tentar escapar voando, então será facilmente capturada. Contudo, esse “instinto” acontece somente em momentos com as devidas condições para que se tenha leitura e cálculo, como os da situação anterior. <br />Ecologia social dos chimpanzés<br />Sem fazer alterações significativas nos costumes dos chimpanzés, Michael Ghiglieri notou a importância das relações sociais para a sobrevivência daquele grupo. Em época de fartura, os chimpanzés ficavam em grandes grupos, enquanto, quando tinha pouco alimento, podiam ir à procura de comida. Houve, portanto, um modelo de estrutura social que tinha movimentos como dispersão [escassez] e concentração [fartura]. Enfim, a flexibilidade da estrutura social provoca uma conciliação entre alimentação individual e relações coletivas, diminuindo a competição dentro da “comunidade” e seus conflitos previsíveis. Ao encontrar fonte de alimento suficiente para compartilhar, os chimpanzés emitem sinais vocais aos demais como uma mensagem, evitando, por fim, seu deslocamento. <br />Um pressuposto viciado<br />Supõem a preexistência de indivíduos prontos para “guerrear” ou “contratar”, de indivíduos anteriores e exteriores à sociedade<br />Thomas HobbesJean-Jacques Rousseau<br />A sociedade é uma espécie de “guerra” de todos contra todos que o Estado vem evitarA vida social seria uma espécie de “contrato” associativo<br />InabstraívelSobrevivência<br />Sobrevivência<br />RaízesÁrvoreNão há prescriçãoHomemPrecondições naturais ≠<br />Certos elementos <br />Manutenção da existência <br /> Nem só de pão... <br />A convivência com animais desde seu nascimento deu aos “meninos selvagens”, crianças criadas junto a animais, características na hora de se alimentar do bando com quem conviveu.Escorpião no espeto à venda em Pequim, na China62865202565Em teoria, come-se tudo o que for comestível. Contudo, na prática varia de acordo com a cultura das diferentes sociedades. O que para alguns pode ser considerado tabu, para outros povos pode ter outro significado. Por exemplo, na China um escorpião frito cai bem e há aversão à ingestão de leite, o que pode soar estranho para o lado ocidental. <br />“Mesmo o gesto elementarmente orgânico de se alimentar depende das relações dos homens entre si, mais que das relações diretas do indivíduo com o meio natural, do qual o próprio organismo é componente.”<br />Necessidades orgânicas?<br />O coletivo tem precedência sobre o individual;Conviver é mais importante que viver;Sobrevivência social é tão importante quanto a orgânica;Sobrevivência orgânica só existe para os homens num sistema particular de convenções simbólicas.Pouco ou quase nada existe de determinação natural, portanto, o resultado é consequência da cultura do ambiente em que a sociedade está inserida. Diferentemente do que acontece hoje, em época de fartura, o caçador esquimó tinha de distribuir entre os o ajudaram o que sobrou do animal. Em tempo de escassez, para a alegria da maioria, a presa passava a ser de propriedade de todos. Entre os Guayaki, por exemplo, o caçador do animal não o comia e servia sua família e outros, formando assim um ciclo para que todos pudessem se alimentar. Caso ocorresse uma dispersão do grupo, ele estaria fadado ao fracasso, pois morreriam de fome. Já os Samurai lutavam para não se deixar vencer pela sensação de fome, enquanto os Tupinambá, do Brasil, escolhiam ficar sem comer a deixar os prisioneiros em tal situação. <br />Sobrevivência. Qual? De quem?<br />Enquanto o animal tem somente a percepção da morte, o homem tem consciência dela, que está relacionada à participação em uma sociedade humanamente organizada. Existem diversas crenças entorno das palavras “viver”, “sobreviver” e “morte”, a partir das quais vêm conteúdos além do biológico.<br />Pensamento malionowskiano: Necessidades orgânicas imperativos fundamentais desenvolvimento da vida social.<br />O mito de origem<br />Acredita-se que o homem se encontra num processo de evolução. Para que ocorra a tal ascensão, tudo seria mais fácil se o homem tivesse uma origem miserável, certo? Etapa por que o homem passou, sobreviveu e tenha um dom: a inteligência. Por meio da razão, ela poderia dominar e domesticar as demais espécies, assim como a natureza. Conquistar, acumular, racionalizar e consumir. Porém, eis que se descobre que essa teoria é um mito e existem versões mais sofisticadas e documentadas a explicar a origem. <br />A falácia da miséria original <br />Se o homem fosse miserável, teria de trabalhar horas e horas para se manter bem alimentado, enfim, para sobreviver. Entretanto, os documentos mostram que os caçadores, dados como os mais pobres, por exemplo, dedicavam menos horas ao ofício que os ocidentais. De tal forma, restava a eles tempo livre, quando atividades pessoais e comunitárias e, inclusive, quando conhecimentos do ambiente foram desenvolvidos. Logo, aquela população pode fazer um melhor uso de elementos, reutilizá-los e conquistar mais segurança à sobrevivência. Essa tecnologia resultou numa realização de trabalho em menos tempo e na mesma quantidade em vez de maior quantidade num tempo igual. Notou-se que não havia interesse em incrementar a produção, pois as horas excedentes serviram para cultura e diversão.<br />Assim, não é propriamente uma falta que caracteriza estas sociedades, mas a recusa de um excesso sem sentido; não a marca de alguma, deficiência ou incapacidade, mas a intolerância em relação ao que seja insignificante e demais.<br />Natureza viva<br />A idéia de que o homem está acima de as demais formas de vida está em nossas mentes. Temos com a natureza uma relação diferente da de povos como os Wintu, que se preocupavam com ela e a respeitavam. Questionamos a evolução daquele povo, entretanto, não pensamos que eles tinham outra visão do mundo e, consequentemente, almejavam outros objetivos. Eles, por exemplo, não viam a natureza como recurso natural a ser explorado ou mesmo como uma forma de acumular bens. Já para os Mbuti, havia a adoção de um culto à Floresta, pois acreditavam que a Floresta é tudo: é o conjunto dos seres animados ou inanimados, é uma realidade superior aos bandos e aos indivíduos, assim a respeitando.<br />Trabalho<br />Tanto a razão que levou aqueles povos a trabalhar quanto a carga horária são diferentes de as atuais. Naquela época, o trabalho não exigia 44 horas semanais e, ainda, era encarado como uma paixão – e não como sacrifício. O excesso de trabalho não visava à acumulação de bens ou ao investimento, mas ao necessário a fim de que acontecessem festas e rituais. Quanto à carga horária, trabalhava-se somente quando necessário e por um curto período, seguido de descanso, caso dos Kapauku. <br />Razões. Razão?<br />Com o passar do tempo e a experiência, os povos começam a descobrir novos instrumentos que podem ser úteis em seu trabalho. Contudo, em vez de aumentar a produção, o tempo excedente graças à ferramenta mais desenvolvida é dedicado a ações pessoais e comunitárias. Infelizmente, esses instrumentos “mais racionais” podem trazer más conseqüências quando mal usados. Os Yar Yoront perderam o controle da situação, de modo que o sistema de trocas e os relacionamentos viraram fracassos, enquanto os Chokleng sofreram ataques por parte de vizinhos armados com instrumentos. Existe o mito de que os primeiros homens passaram a vida lascando pedras para fabricar instrumentos da mesma forma que acredita-se que o caçador tenha sido alguém irracional, pré-lógico, miserável e sem cultura. <br />Homo oeconomicus<br />Nuer: os bens carregavam valores e significados diferentes, sendo impensável trocar um bem por outro.<br />Tiv: as trocas eram livres dentro da mesma categoria; proibido converter a primeira na segunda e incogitável transformá-la na terceira. Quando a moeda apareceu, inventaram a quarta categoria, na qual o dinheiro poderia ser trocado por bens europeus ou por si mesmo.<br />Siane: três categorias: os bens de subsistência, os de luxo e os preciosos. Objetos de uma categoria não poderiam ser trocados por bens de outra. Dificuldade em aceitar que dinheiro-papel nas moedas européias podia equivaler ao dinheiro-metal. <br />Existia a prática de acumular bens por meses para, enfim, destruí-los para se livrar deles. Às vezes como oferenda a deuses ou sacrifícios. A troca estabelece vínculos entre as pessoas, portanto, trocar xis por xis não é inútil ou mesmo insignificante. <br />Quem não deseja não sente falta; se os desejos são escassos, os meios (em relação) são abundantes. (Marshall Sahlins, 1974)<br />Conclusão<br />A ideia de que o homem vem de uma trajetória ascendente, superando etapas consecutivas está na cabeça de muitos. Entretanto, não é porque se trata de um estágio inicial que o homem tenha sido desprovido de todas as características avançadas. Como nos encontramos numa sociedade que crê em mudanças – frequentemente mote de campanhas políticas -, é possível que as opiniões do dia-a-dia tenham tomado lugar de pesquisas e observações de antropólogos e filósofos. Vimos, inclusive, que a natureza não era vista como objeto a ser explorado e que nem sempre o indivíduo quis ser soberano a todos. <br />Tanto sociedades quanto pessoas estabelecem relações simbólicas com os objetos, impondo suas crenças, seus padrões e seus conhecimentos a eles. O signo do objeto se constitui da aproximação entre significante (sensível) e significado (inteligível). Cada vez menos os objetos atendem às nossas necessidades, isso acontece porque fomos criados numa sociedade de consumo e fadados à insatisfação, princípio do desprezo e da substituição de um objeto por outro.<br />De acordo com Marshall Sahlins, existem três ordens dispostas em um conjunto de elementos tais que se possa passar de um para outro de modo contínuo. <br />A reciprocidade “generalizada”, presidida por transações altruístas, em que o valor dos bens em si é mínimo, colocando em evidência máxima a importância das relações entre os que se comunicam; <br />A reciprocidade “negativa”, onde se tenta obter alguma coisa em troca de nada, expressando a importância máxima das coisas e a relativa desimportância das pessoas envolvidas;<br />Ponto intermediário, a reciprocidade “equilibrada”, troca de objetos equivalentes, traduzindo relações entre pessoas equivalentes.<br />Inclui aquelas transações que implicam reciprocidade indefinida, indeterminada e adiável. Como a que existe em geral entre parentes próximos e amigos estreitos, onde não é necessário definir o que e quando “reciprocar” e em que a própria existência do outro é já uma compensação. Aqui, a falta de um retorno absolutamente não é capaz de interromper o fluxo dos oferecimentos;<br />Aquela em que os parceiros estão sutil ou explicitamente dispostos a se proteger de ou a levar vantagem sobre o outro. Materializa-se em relações como o saque, o roubo, a exploração, em que a coisa exprime desprezo ou medo a nível de a relação entre as pessoas;<br />Esperam-se contraprestações imediatas, ou a curto prazo, como acontece nas trocas de presentes, no comércio em que se trocam objetos equivalentes e nas relações entre pessoas de mesmo nível.<br />

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