Aspectos éticos da síndrome pós pcr

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Aula sobre alguns aspectos éticos no atendimento ao paciente com a síndrome pós parada cardiorrespiratória

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Aspectos éticos da síndrome pós pcr

  1. 1. ASPECTOS ÉTICOS DA SÍNDROME PÓS-PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA Prof. Me. Aroldo Gavioli
  2. 2. Aspectos éticos Gravidade da lesão cerebral hipóxico-isquêmica. pacientes após RCP bem-sucedida podem apresentar sequelas graves. Comprometimento da consciência. Estado vegetativo persistente. Sobrevida limitada. Necessidade de cuidados médicos prolongados e com alto custo financeiro ao sistema de saúde.
  3. 3. Aspectos éticos As intervenções terapêuticas melhoram o prognóstico. ↑ sobrevida de pacientes com lesões neurológicas ou comprometimento cognitivo grave. Importantes implicações sociais. Debater sob a luz da legislação vigente, da sensibilidade da sociedade, da comunidade médica e da família envolvida
  4. 4. Distanásia Avaliação do prognostico funcional Identificar lesão cerebral irreversível Determinar a retirada ou não de aplicação de terapias de suporte a vida. Minimizando o risco de Distanásia.
  5. 5. Preditores de evolução São controversos • Fatores fisiológicos, patológicos e intervenções (como sepse, choque, sedativos) podem influenciar a avaliação e levar a erros. • Hipotermia, que altera a progressão do dano neurológico. • Ferramentas diagnósticas: não tem a mesma acurácia nos tratados com hipotermia, se aplicadas nas primeiras horas ou durante sua manutenção.
  6. 6. Momento ideal de retirar o suporte Diversos estudos • Avaliado a correlação do exame neurológico ou de exames complementares específicos no prognostico. • Nenhum tem analisado a aplicação atual da avaliação neurológica na prática clinica em relação a decisão de retirar a terapia de suporte a vida.
  7. 7. Documentar testes prognósticos Biomarcadores e neuroimagem Exame clinico neurológico. • Estudos eletrofisiológicos. • Após 72 horas da PCR. Utilizar julgamento clínico, baseado nesses testes, para decidir pela retirada ou não do suporte a vida, quando apropriado
  8. 8. Obstáculos Incerteza. • Ausência de diagnostico definitivo • No Brasil, a falta de normatização bem definida são os principais motivos pelos quais a prática de Distanásia acaba se tornando frequente no dia a dia das UTIs. • A realidade da medicina é que, até mesmo nas melhores circunstâncias, o diagnóstico e o prognóstico medico não são absolutamente definidos, sendo, muitas vezes, impossível de se prever o desfecho clinico.
  9. 9. Princípio da autonomia Pacientes adultos com capacidade de tomar decisão tem o direito de recusar qualquer terapia médica, incluindo terapias que mantêm a vida. O respeito a autonomia do paciente é primordial quando se deve decidir pela suspensão ou não da oferta de terapias de suporte a vida, desde que este tenha capacidade de decidir e esteja apropriadamente informado sobre a situação. Estando o paciente impossibilitado de decidir, e fundamental que a família seja abordada e participe ativamente, com o objetivo de se tomar uma decisão em conjunto.
  10. 10. Lei Estadual n. 10.241, aprovada pela Câmara Legislativa do Estado de São Paulo em 1999. Acesso a informação e a um tratamento justo e humanizado. Princípio da autonomia. Direitos do paciente: “VII – consentir ou recusar, de forma livre, voluntaria e esclarecida, com adequada informação, procedimentos diagnósticos ou terapêuticos a serem nele realizados”; “XXIII - recusar tratamentos dolorosos ou extraordinários para tentar prolongar a vida”; “XXIV – optar pelo local de morte”.
  11. 11. O exercício da autonomia • O paciente deve estar ciente de sua condição e informado sobre seu diagnóstico, prognóstico, riscos e benefícios, e consequências das opções terapêuticas disponíveis, incluindo a possibilidade de não realizar tratamento. • Sobreviventes de PCR não tem essa oportunidade, em decorrência de um evento inesperado, como evolução rápida e imprevisibilidade ou perda da capacidade de decidir antes da PCR. • Por isso, essa comunicação deve ocorrer o mais precocemente possível, antes que uma situação de risco iminente esteja presente.
  12. 12. Decisão do paciente ou familiares • A equipe tem a responsabilidade de oferecer alivio a dor ou ao sofrimento que podem surgir como consequência dessa decisão • a decisão de limitar ou retirar terapias de suporte a vida é justificável se o paciente expressou previamente a opção por essa conduta. • A equipe médica, o paciente ou seu substituto concordam que os objetivos do tratamento não podem ser alcançados ou se o ônus da continuação do tratamento para o paciente exceder qualquer beneficio.
  13. 13. DOAÇÃO DE ÓRGÃOS APÓS PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA • morte encefálica após PCR varia entre 8% e 16%. • Esses pacientes podem ser candidatos a doação de órgãos. • Estudos demonstram não haver diferença no prognóstico após o transplante quando esses órgãos são obtidos apropriadamente de pacientes apos período de PCR ou de doadores sem historia de PCR. • O exato período de isquemia que causaria morte celular, é incerto, mas é provável que essa duração seja maior que a previamente suspeitada.
  14. 14. Estudo retrospectivo avaliou o transplante cardíaco em pacientes que receberam órgãos de doadores sobreviventes de PCR. Entre 1991 e 2004. 38 pacientes O tempo médio de PCR foi de 15 ± 8 minutos. A mortalidade em 30 dias foi de 2,6% (1/38). Não houve evidencia de que a sobrevida apos transplante cardíaco tenha sido pior quando o doador do órgão sofreu um período de PCR, se comparada a do grupo controle.228
  15. 15. Obrigado Não importa quanto vá durar – é infinito agora. Caio Fernando Abreu
  16. 16. Referências Bibliográficas • AHA. Destaques das Diretrizes da American Heart Association 2010 para RCP e ACE American Heart Association, 2010. • CERQUEIRA FILHO, D. et al. Síndrome pós-parada cardiorrespiratória: fisiopatologia e manejo terapêutico São Paulo: Instituto Dante Pazanezze, 2010. • GONZALEZ, M. M. et al. I Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 101, p. 1-221, 2013. ISSN 0066-782X.

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