A pandemia da aids

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Abordagem antropológica sobre o impacto da aids em diferentes culturas.

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A pandemia da aids

  1. 1. A pandemia da AIDS Uma abordagem antropológica Montes Claros, 27 de março de 2015
  2. 2. Visão Geral A AIDS é uma das doenças mais mortais da era moderna e representa uma grande ameaça à saúde global. A antropologia tem um papel importante na compreensão dos contextos sociais, culturais e econômicos em que ela ocorre, ajudando no planejamento de estratégias para a prevenção e manejo da pandemia.
  3. 3. Visão Geral  Em 1992, cerca de 164 países com casos de AIDS.  Em 2004, cerca de 40 milhões de pessoas vivendo com o HIV.  Prevalência regional na África subsaariana.  Quadro também alarmante em países ricos.  Infecções em diversos grupos da sociedade.  Risco de contaminação por outras doenças oportunistas.
  4. 4. Fenômeno biológico e sociocultural  A tentativa de controle deve levar em conta ambientes sociais, culturais e econômicos. Fonte: The Guardian
  5. 5. Metáforas da AIDS no Ocidente  Estigmatização de grupos como usuários de drogas, imigrantes e homossexuais.  Preconceitos e medos associados à AIDS dificultam a abordagem, prevenção e controle da doença.  As atitudes morais de uma sociedade são tão relevantes para o controle quanto a busca pela cura.  Portadores da doença são “intocáveis”, um mal para a sociedade.
  6. 6. Estupidez?  Participante de reality show diz que solução para o fim da AIDS seria matar todos os infectados. Fonte:RevistaVeja,2014
  7. 7. Metáforas da AIDS em 1980 e 1990  AIDS como uma peste (“peste gay”).  Contágio invisível.  Como punição moral.  Invasor.  Guerra.  Força ou entidade. Fonte:MedicineNet
  8. 8. Representações culturais A AIDS tornou-se a principal doença popular, absorvendo uma variedade de imagens, metáforas e temas culturais nativos.
  9. 9. Representações culturais  AIDS folclórica ou “pseudo-AIDS”: os sintomas iniciais da AIDS são parecidos com o da depressão e ansiedade, levando os indivíduos a pensar que possuem a doença.  Afro-americanos vendo a doença como punição por pecados (adultério, homossexualidade).  Doença do sangue, algo que suja o sangue e deixa pálido. ( Vilarejo Do Kay, Haiti)
  10. 10. O conhecimento popular e profissional da AIDS A dificuldade de entender como uma partícula “invisível” pode fazer uma pessoa adoecer, dificulta a educação da população quanto à virose. Vírus HIV, causador da AIDS.
  11. 11. O conhecimento popular e profissional da AIDS Além dos estudos e prevenção, os antropólogos têm alertado que as crenças e comportamentos não são necessariamente idênticos e que as pessoas nem sempre fazem o que dizem. O medo e risco de se adquirir a AIDS não é suficiente para uma mudança nas atitudes dos indivíduos. O mesmo que ocorre com fumantes e alcoólatras.
  12. 12. Dimensões sociais da AIDS Campanha do Ministério da Saúde contra o preconceito com aidéticos e HIV positivos, 2009.
  13. 13. Dimensões sociais da AIDS  As pessoas diagnosticadas com a doença ou como soro positivas são vítimas frequentes de discriminação, preconceito e violência.  Os estudos antropológicos podem fornecer dados sobre as atitudes e estereótipos relativos à AIDS.  Os portadores são vistos como “culpados pela própria doença”.  Os comportamentos de risco ajudam na transmissão do vírus (sexo desprotegido, compartilhamento de se- ringas, etc.).
  14. 14. Dimensões sociais da AIDS  A “confiança” em amigos íntimos e companheiros sexuais dificulta a diminuição de transmissão do vírus.  Os grupos de auto-ajuda são de fundamental impor- tância para ajudar os portadores da AIDS, que é uma doença predominantemente urbana. Assim, os programas de educação em saúde precisam levar em conta a diversidade social e cultural das po- pulações e os tipos diferentes de apoio disponíveis pa- ra aqueles com a doença.
  15. 15. Grupos compartilham técnicas de transmissão do vírus da Aids “Durante quase dois meses, o Fantástico investigou um tipo de crime assustador. Um grupo de pessoas que transmitem o vírus da AIDS de propósito para seus parceiros sexuais. Na gíria dessas pessoas, contaminar alguém é chamado de ‘carimbar’. ” Reprodução: Portal G1.
  16. 16. Práticas e comportamento sexual Apesar da dificuldade de estudo do comportamento se- xual humano, antropólogos começaram a resolver essa situação fornecendo dados úteis para os programas de saúde pública.
  17. 17. Os dados revelam que:  Padrões de comportamento sexual (hétero e homo) diferem amplamente nas sociedades.  Sexo anal tanto entre casais homo quanto entre héteros no Brasil.  Sexo extraconjugal mais comum entre homens que entre as mulheres.  Em muitas partes do mundo a AIDS tem se tornado cada vez mais uma doença heterossexual.  Mulheres postas em risco por causa da infidelidade de seus cônjuges.
  18. 18. Os dados revelam que:  Há divisão entre os homens homossexuais: os ativos e os passivos. Somente o segundo grupo é feminino,ou seja, somente esses são homossexuais.  Divisão entre as mulheres “boas” e “ruins”.  Parceiros homossexuais como alternativa “mais ba- rata” que outras mulheres ou prostitutas.  Após o casamento, a infidelidade masculina pode ser tanto com mulheres, quanto com homens.
  19. 19. Atitudes em relação ao uso de preservativos Mesmo com décadas de campanhas sobre a necessidade de se fazer “sexo seguro”, muitas pessoas ainda ignoram o uso de preservativos. Eis alguns prováveis motivos:
  20. 20. Dificuldades de aceitação do preservativo:  Não-disponibilidade ou alto custo.  Atitudes e visões socioculturais.  “Risco de infecções para as mulheres.”  Esterilidade feminina e masculina.  Morte, caso a camisinha se rasgue dentro da vagina.  Oposição de algumas religiões.  “Aumento da promiscuidade”.  O medo do esperma armazenado ser usado por feiti- ceiros para fins escusos.
  21. 21. Dificuldades de aceitação do preservativo:  Receio do próprio preservativo transmitir a AIDS.  Acusam a camisinha de “reduzir a sensação sexual”.  A importância de ter filhos como parte da identidade masculina.  Auto-estima do homem.  Relutância da mulher em sugerir o uso, por medo de complicações na relação.  Suposto desconforto.
  22. 22. Padrões de prostituição masculina e feminina Em todo o mundo, a prostituição é uma importante fonte de infecção pelo HIV. Ela tem que ser vista em termos do contexto cultural e social em que surge.
  23. 23. A prostituição feminina
  24. 24. A prostituição feminina  Considerada a mais antiga profissão.  “Prostituição episódica”, por motivos econômicos as mulheres vendem sexo.  Está presente em todas as classes sociais.  Na maior parte dos casos, é por falta de dinheiro.  Mulheres viúvas, divorciadas ou abandonadas pelos maridos recorrem a esse meio para sustentar os filhos.  Meio não-lucrativo usado somente como fonte de prazer e sensação libertária (não se consideram prostitutas).
  25. 25. A prostituição feminina  Jovens estudantes vendem seus corpos durante a graduação como forma de ganhar dinheiro.  Os homens que contratam os serviços, normalmente se recusam a usar camisinha e até pagam mais por isso.  Homens escolhem o sexo oral com meretrizes, na tentativa de se livrarem do risco de contaminação.  Os programas de educação em saúde devem visar não somente as prostitutas, mas também seus clientes.
  26. 26. A prostituição masculina
  27. 27. A prostituição masculina  O sexo comercial masculino e bissexual é uma característica de diversas sociedades.  “Michês” e travestis.  O pagamento do dote em algumas culturas faz com que o jovem recorra à prostituição, para que possa juntar recursos e se case. As intervenções para reduzir a transmissão do HIV pela prostituição deve levar em conta os relacionamentos dos indivíduos e o seu possível papel na transmissão do vírus.
  28. 28. Compartilhamento de agulhas Os usuários de drogas intravenosas têm se tornado uma importante fonte de exposição ao HIV para a população heterossexual.
  29. 29. Compartilhamento de agulhas O fato de não se importarem com sua própria saúde, faz com que esses indivíduos não tenham nenhuma espécie de temor quanto à contaminação por outras doenças. O uso de heroína, que não é injetável, também é uma fonte de disseminação da doença por causa do comportamento promíscuo daqueles que a utilizam.
  30. 30. Agentes de cura tradicionais e alternativos Os estudos sobre o pluralismo dos cuidados de saúde em ricos e pobres também são relevantes para a pesquisa da AIDS.
  31. 31. Agentes de cura tradicionais e alternativos  O autotratamento é bem comum no mundo atual.  Uso de tratamentos alternativos e métodos de cura atrelados à medicina tradicional.  Onde há poucas ou nenhuma unidade de saúde, a ação dos curadores é um importante meio de prevenção e controle da disseminação do vírus em comunidades mais carentes.  A antropologia pode contribuir para uma compreensão dos efeitos sociais, psicológicos e físicos das diferentes formas de cura praticadas em todo o mundo
  32. 32. Mutilações e alterações corporais Tatuagens, circuncisão, perfuração da orelha e lábio, acupuntura e compartilhamento de sangue em rituais são formas de disseminação da AIDS.
  33. 33. Padrões de casamento e parentesco Certos padrões de parentesco em algumas culturas podem aumentar o risco de contaminação do HIV, como:  poliginia: (um homem, várias mulheres) – nesse caso um homem com HIV o transmite às suas mulheres.  poliandria: (uma mulher, vários homens);  levirato: o homem é obrigado a se casar com a viúva de seu irmão.  sororato: mulher é obrigada a se casar com o viúvo de sua irmã.
  34. 34. AIDS e desigualdade A AIDS só pode ser compreendida dentro de seu contexto socio- econômico e particular. Uma das influências mais importantes na doença é a pobreza, que pode ser tanto um fator de risco quanto uma causa.
  35. 35. AIDS e desigualdade  A pobreza pode fazer com que mulheres ingressem na prostituição para sustentarem a si e a seus filhos.  A pobreza pode concentrar, ainda, a doença em certas partes da população.  O apartheid, deixou um legado de desigualdade econômica que “força” as mulheres a recorrerem à prostituição como meio de ganhar a vida.  Países pobres não têm serviços básicos de saúde e convivem com uma escassez crônica de medicamentos e profissionais para administrá-las.
  36. 36. AIDS e desigualdade  A AIDS pode dizimar a força de trabalho de um país e afetar seu sistema educacional.  O custo de tratamento da doença é extremamente caro, alguns coquetéis tendo até 20 comprimidos/dia. Todos esses fatores devem ser analisados em conjunto, para o desenvolvimento de uma ação eficaz de prevenção, além do tratamento dos já infectados.
  37. 37. Avaliação das estratégias de prevenção A antropologia é útil no acompanhamento ou na avaliação das estratégias de prevenção. Devido à diversidade dos grupos de risco, além das campanhas de saúde pública, faz-se necessária a intervenção local.
  38. 38. Avaliação das estratégias de prevenção  A falha em alguns processos de intervenção, deve ser pela pressuposição errônea de que a população possui um alto nível de instrução.  Outros podem ainda não levar em conta a influência econômica no comportamento.  As influências religiosas e políticas também devem ser levadas em conta, assim como os direitos humanos dos portadores da doença.  Maior orientação dos profissionais de saúde, pois certas atitudes dos mesmos podem ter efeito negativo.
  39. 39. Avaliação das estratégias de prevenção  Desconfiança do paciente em relação à equipe de saúde, comprometendo a prevenção e descoberta.  Deve-se ter uma maior cautela sobre a tendência à “cura”, em vez de ao “cuidado”. A coleta de dados pelos cientistas sociais é necessária tanto para o planejamento quanto para a avaliação dos programas de prevenção da AIDS. Além disso, o sucesso desses programas deve ser sempre monitorado a partir da perspectiva da comunidade em risco, com ações mais efetivas para o futuro.
  40. 40. CONCLUSÃO
  41. 41. Equipe:  Adryan Kennedy Alves de Souza  Débora Soares Oliveira  Hallana Gonçalves de Abreu  Izabela Corsino da Silva Vieira  Jéssica Polliane de Jesus Nunes  Leila Daiane Pereira da Silva  Lélia Fabrícia Alves de Souza  Thaís Silva Melo
  42. 42. Referências  HELMAN, Cecil G. Cultura, Saúde e Doença. Tradução Ane Rose Bolner.5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.  Site: www.theguardian.com/news/datablog/2012/nov/20/world-aids-day-hiv Acesso em março de 2015.  Site: veja.abril.com.br/entretenimento. Acesso em março de 2015  Site:g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/03/grupos- compartilham-tecnicas-de-transmissao-do-virus-da-aids.html  Site:static.guim.co.uk/sysimages/Guardian/Pix/pictures/2010/5/3-/ 1272921999566/Children-orphaned-by-Aids-006.jpg

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