FACULDADES INTEGRADAS DO VALE DO IVAÍ
Mantida pela Instituição Cultural e Educacional de Ivaiporã – ICEI
Adriana Peschisky...
Adriana Peschisky Pawlak
Josieme Alves Cordeiro
APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO
NO MUNICÍPIO DE LARANJEIR...
FOLHA DE APROVAÇÃO
Adriana Peschisky Pawlak
Josieme Alves Cordeiro
APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO
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Dedicamos este trabalho a nossos familiares que
sempre estiveram presente nos incentivando e
ajudando a caminhar.
AGRADECIMENTOS
Nossos sinceros agradecimentos ao Nosso amado Deus pela saúde e
disposição, aos nossos familiares e a profe...
“Somente os sábios conseguem
explicar as coisas. A sabedoria de uma
pessoa brilha no seu rosto a torna
simpática mesmo que...
RESUMO
Apresenta os resultados da pesquisa sobre a biblioteca escolar do campo, nas
Escolas Joany Guilherme de Lima Ensino...
LISTA DE FIGURAS
Figuras- 1 Carteiras dividem o espaço entre Estado e Município......23
Figura- 2 Caixas separadas por sér...
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO.....................................................................................................10
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INTRODUÇÃO
A presente investigação realizada no Curso de Pedagogia, da Universidade
Estadual do Centro Oeste - Unicentro, ...
Pode-se observar, com relação ao trabalho investigativo desse projeto, o
fato de conhecer as políticas implantadas na educ...
1- A ESCOLA DO CAMPO: REVISÃO TEÓRICA
Segundo Molina e Sá (2012, p.324) “A concepção de escola do campo
nasce e se desenvo...
A Educação do Campo deve estar vinculada ao trabalho e à cultura do
campo, necessitando recuperar uma tradição pedagógica ...
2- BIBLIOTECA ESCOLAR: MARCO TEÓRICO E LEGAL
Segundo Klebis (2011) para compreender a realidade da educação do
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O autor ressalta ainda que em 24 de maio de 2010, o governo brasileiro
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O ato de ler requer incentivo e ensino, tanto na sala de aula quanto na
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3.3 Apontamentos sobre o acervo
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Figura 1 - Carteiras dividem o espaço entre Estado e Município.
Fonte - As autoras (2013).
Figura 2 - Caixas separadas por...
Figura 3 - Lado pertencente ao Estado.
Fonte - As autoras (2013).
Figura 4 - Lado pertencente ao Município.
Fonte - As autoras (2013).
Nota-se como a biblioteca vem sendo ocupada, dividida...
O fato de a biblioteca escolar estar dividida, os professores levarem os
livros para a sala de aula, faz com que os alunos...
4- A Relação do Aluno com a Biblioteca Escolar
O conhecimento se dá de varias maneiras, uma delas é através da leitura.
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Fonte: Pesquisa de Campo (2014).
Com base nos resultados do questionário, é notório o interesse dos alunos
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Fonte: Pesquisa de Campo (2014).
Ao questionarmos sobre as atividades realizadas na biblioteca, em sua
maioria ...
livros para ler em casa, e dentre os outros, alguns vão para passar o tempo, pra
fazer trabalhos, e a minoria disse que di...
CONSIDERAÇÕES
A pesquisa realizada, busca demonstrar o funcionamento da biblioteca, o
seu acervo bibliográfico, seu espaço...
mostra também que para se conseguir bom leitores os professores foram de
fundamental importância, não deixando ser afetado...
REFERÊNCIAS
ARROYO, M.G. et al. Por uma Educação do Campo. Petrópolis: Vozes, 2005.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:...
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APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE LARANJEIRAS DO SUL-PR

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APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE LARANJEIRAS DO SUL-PR

  1. 1. FACULDADES INTEGRADAS DO VALE DO IVAÍ Mantida pela Instituição Cultural e Educacional de Ivaiporã – ICEI Adriana Peschisky Pawlak Josieme Alves Cordeiro APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE LARANJEIRAS DO SUL-PR Laranjeiras do Sul-PR 2014
  2. 2. Adriana Peschisky Pawlak Josieme Alves Cordeiro APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE LARANJEIRAS DO SUL-PR Monografia apresentada à coordenação do ESAP – Instituto de Estudos Avançados e Pós- Graduação – e UNIVALE – Faculdades Integradas do Vale do Ivaí, como requisito parcial para obtenção do titulo de Especialista em Educação do Campo. Orientadora: Profa. Dra. Márcia da Silva Laranjeiras do Sul-PR 2014
  3. 3. FOLHA DE APROVAÇÃO Adriana Peschisky Pawlak Josieme Alves Cordeiro APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR DO CAMPO NO MUNICÍPIO DE LARANJEIRAS DO SUL-PR Monografia apresentada ao Curso de Educação do Campo, do ESAP – Instituto de Estudos Avançados e Pós-Graduação e UNIVALE – Faculdades Integradas do Vale do Ivaí, como requisito parcial para obtenção do título de Especialista em Educação do Campo. COMISSÃO EXAMINADORA Nota ______ Prof (a). Avaliador (a) (nome e assinatura) secretaria secretaria Laranjeiras do Sul de Agosto de 2014
  4. 4. Dedicamos este trabalho a nossos familiares que sempre estiveram presente nos incentivando e ajudando a caminhar.
  5. 5. AGRADECIMENTOS Nossos sinceros agradecimentos ao Nosso amado Deus pela saúde e disposição, aos nossos familiares e a professora Márcia da Silva e a escola onde foi realizada a pesquisa Escola Joany Guilherme de Lima e Raquel de Queiroz que contribuíram de maneira relevante para a elaboração desta pesquisa.
  6. 6. “Somente os sábios conseguem explicar as coisas. A sabedoria de uma pessoa brilha no seu rosto a torna simpática mesmo que seja feia”. Eclesiastes 8:1 Bíblia Sagrada.
  7. 7. RESUMO Apresenta os resultados da pesquisa sobre a biblioteca escolar do campo, nas Escolas Joany Guilherme de Lima Ensino Fundamental e Médio e Escola Municipal Raquel de Queiroz, ambas localizadas na comunidade do Passo Liso, interior de Laranjeiras do Sul, sendo as mesmas com dualidade administrativa entre o Estado do Paraná e o Município de Laranjeiras do Sul. Objetiva caracterizar os sujeitos, espaço físico, acervo e compreender a prática de uso da biblioteca escolar e a contribuição da mesma na formação dos alunos. Realiza investigação de caráter qualitativo com pesquisa de campo via observações e levantamentos de dados na biblioteca, mediado pela revisão de literatura. Descrevem dados qualitativos a partir da observação realizada no acervo, no espaço e no uso da biblioteca escolar. Aponta para a necessidade de um envolvimento maior dos alunos, professores e funcionários com a biblioteca escolar, seu planejamento e uso. Verifica ainda a necessidade de um espaço mais amplo para organização e uso do acervo, para que o mesmo cumpra função de informação e pesquisa para a produção do conhecimento. Palavras-chave: Educação do campo; Biblioteca escolar; Leitura; Realidade. ABSTRACT Presents the results of research on the school library field, Schools Joany Guilherme Lima Elementary School and Middle School and Municipal Rachel de Queiroz, both located in the community of Passo Liso, inside Laranjeiras do Sul, being with the same duality between administrative the State of Paraná and the Municipality of Laranjeiras do Sul. Aims to characterize the subjects, physical space, collections and understand the practical use of the school library and the same contribution in the formation of students. Performs qualitative research, with field research via observations and data collections in the library, mediated literature review. Conducts research with qualitative field research via observations and data collections in the library, mediated by the literature review. Describe qualitative data from the observation made in the acquis, in space and use of the school library. Points to the need for greater involvement of students, faculty and staff to the school library, planning and use. Also notes the need for a wider space for use of the collection and organization that fulfills the same function for information and search for the production of knowledge. Keywords: Rural education; school library; reading; reality.
  8. 8. LISTA DE FIGURAS Figuras- 1 Carteiras dividem o espaço entre Estado e Município......23 Figura- 2 Caixas separadas por série................................................23 Figura- 3 Lado pertencente ao Estado..............................................24 Figura- 4 Lado pertencente ao Município..........................................25 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Alunos que gostam de ler.................................................28 Gráfico 2: Tempo gasto com a leitura...............................................28 Gráfico 3: Preferência de leitura........................................................29 Gráfico 4: Como utilizam a leitura......................................................30 Gráfico 5: Motivação para ir a biblioteca...........................................30
  9. 9. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.....................................................................................................10 1- A ESCOLA DO CAMPO: REVISÃO TEÓRICA..............................................12 2- BIBLIOTECA ESCOLAR: MARCO TEÓRICO E LEGAL .............................14 3- APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR...............................18 3.1 Históricos da Escola Investigada...................................................................18 3.2 Apontamentos sobre o espaço físico da Biblioteca Escolar...........................19 3.3 Apontamentos sobre o acervo.......................................................................20 4- A RELAÇÃO DO ALUNO COM A BIBLIOTECA ESCOLAR.........................27 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...............................................................................32 REFERÊNCIAS...................................................................................................34
  10. 10. INTRODUÇÃO A presente investigação realizada no Curso de Pedagogia, da Universidade Estadual do Centro Oeste - Unicentro, no Campus de Laranjeiras do Sul, tem como propósito apresentar o Trabalho de Conclusão de Curso – TCC. O tema abordado verifica as condições e contradições do uso da biblioteca escolar da escola do campo, investigado no Município de Laranjeiras do Sul, na comunidade do Passo liso, Escola Joany Guilherme de Lima- Ensino Fundamental e Médio, e Escola Rural Municipal Raquel de Queiroz – Ensino Fundamental. A escola trabalha em dualidade administrativa, ou seja, ambas funcionam no mesmo local, atendendo cada uma sua especificidade. A pedagogia tem como objetivo principal a melhoria no processo de ensino aprendizagem dos sujeitos, através da reflexão, sistematização e produção de conhecimentos. Como ciência social, a pedagogia está conectada com os aspectos da sociedade, e também com as normas educacionais do país, ela está relacionada a muitos métodos de ensino e de conhecimento. Com base nesse conceito, o Curso de Pedagogia, mais especificamente a disciplina de Pesquisa em Educação, nos conduziu a buscar novos meios e oportunidades para conhecer a realidade da educação, tanto na cidade quanto no campo. Portanto, despertou-se o desejo de aperfeiçoar nosso conhecimento sobre a biblioteca escolar do campo. Surgiram algumas questões: Como está a escola do campo? Ela conta com biblioteca escolar? Conta com livros adequados? Como está o espaço físico utilizado para a leitura? Qual é a relação dos alunos do campo com a leitura? Para que esse trabalho fosse realizado, percebemos a necessidade de muita leitura e pesquisa sobre o assunto, para dar conta de buscar respostas as questões. Iniciou se a investigação pelas leituras e o processo de fichamento, para posterior análise. Trabalhou-se com autores como: Klebis, Caldart, Arroyo e Molina. Na sequência e articulado ao trabalho de leitura, fez-se uma visita na escola do campo pesquisada, em seguida repetimos esta ida a campo para levantar mais dados. Tivemos oportunidade de tirar fotos, conhecer o espaço da biblioteca, e ver como se dá o trabalho do professor dentro daquele espaço, logo, o conjunto de limites e possibilidades. Todo esse trabalho sempre articulado a escrita e orientação.
  11. 11. Pode-se observar, com relação ao trabalho investigativo desse projeto, o fato de conhecer as políticas implantadas na educação do campo, bem como verificar quais as condições da biblioteca escolar da escola do campo, como é realizado o trabalho dos professores, e alunos ao utilizarem a biblioteca. Objetiva-se compreender as condições e as contradições do uso da biblioteca escolar da escola do campo. O campo é essencial para a educação, inclusive para formar pessoas que permaneçam em seu lugar, e passem a trabalhar onde vivem. Porém, para que isso aconteça precisa-se dos recursos necessários, até mesmo porque na maioria dos casos, os alunos estudam e partem para as grandes cidades. Mas tudo começa lá, nos anos iniciais quando há um incentivo da leitura, com livros que realmente chamem atenção do aluno, o façam ter gosto pela leitura na escola e também fora dela. A partir do momento que a escola compreende a função da biblioteca, perceberá a necessidade de trabalhar nela, conduzindo os alunos à pesquisa e tomarem gosto pela leitura. Isso se transforma em um ponto positivo, tornando essa escola atrativa, pois pais e alunos de fora estarão vendo tudo isso e passarão a querer fazer parte dela, as verbas certamente irão melhorar, os pais passarão a serem mais presentes, quando há muitos locais que os pais nem sabem como seu filho está na escola, tudo se transforma em pontos positivos basta apenas trabalhar. O texto está organizado trazendo inicialmente uma abordagem teórica sobre a escola do campo, seu contexto histórico. Em seguida aborda o histórico da biblioteca escolar, marco teórico e legal. Na sequência, apresenta os apontamentos sobre a biblioteca escolar, logo após os apontamentos sobre o acervo da biblioteca pesquisada, as considerações finais e referências bibliográficas.
  12. 12. 1- A ESCOLA DO CAMPO: REVISÃO TEÓRICA Segundo Molina e Sá (2012, p.324) “A concepção de escola do campo nasce e se desenvolve no bojo do movimento da Educação do Campo, a partir das experiências de formação humana desenvolvidas no contexto de luta dos movimentos sociais camponeses por terra e educação.” Pensando na Educação do Campo devemos considerar os sujeitos concretos que se movimentam dentro de determinadas condições sociais de existência, na perspectiva de uma educação das pessoas que trabalham no campo, para que articulem se organizem e assumam a condição de sujeitos da direção de seu destino. A Educação do Campo, nos processos educativos escolares, busca cultivar um conjunto de princípios que devem orientar as práticas educativas que promovem – com a perspectiva de oportunizar a ligação da formação escolar à formação para uma postura na vida, na comunidade – o desenvolvimento do território rural, compreendido este como espaço de vida dos sujeitos camponeses. (MOLINA; SÁ, 2012, p.327) A Educação do Campo deve proporcionar aos sujeitos do campo oportunidades de atuarem em seu ambiente, bem como desenvolver seu território. Para que isso aconteça faz se necessário que a educação seja pensada e planejada a partir de princípios que cultivam a realidade dos camponeses. Molina (2012, p.327) ressalta ainda: A intencionalidade de um projeto de formação de sujeitos que percebam criticamente as escolhas e premissas socialmente aceitas, e que sejam capazes de formular alternativas de um projeto político, atribui a escola do campo uma importante contribuição no processo mais amplo de transformação social. Uma das funções da educação é a transformação social, mas para que essa seja efetiva é necessário formar cidadãos que pensem e ajam de forma crítica, que tenham não apenas o desejo de mudança social, mas exerçam um papel de agentes transformadores.
  13. 13. A Educação do Campo deve estar vinculada ao trabalho e à cultura do campo, necessitando recuperar uma tradição pedagógica de valorização do trabalho em diferentes dimensões. Neste contexto poderíamos dizer que surge uma nova forma de ver a Educação do Campo, reconhecendo suas peculiaridades, finalidades, bem como nos conteúdos, na metodologia e na organização escolar, valorizando as especificidades do campo. Para Gramsci (1991 apud MOLINA; SÁ, 2012, p.325): A capacidade intelectual não é monopólio de alguns, mas pertence a toda a coletividade, tanto no sentido do acúmulo de conhecimento ao longo da história da humanidade quanto no sentido da elaboração de novos conhecimentos que permitam compreender e superar as contradições do momento presente. A possibilidade do exercício deste papel fundamental da escola do campo, contribuindo para a formação desse intelectual coletivo, dependerá da forma pela qual esta escola estiver conectada ao mundo do trabalho e às organizações políticas culturais dos trabalhadores do campo. Pensar a Educação do Campo exige, também, pensar sobre a formação integral do sujeito que vem se construindo no campo hoje. A escola precisa cumprir a sua vocação universal de ajudar no processo de humanização das pessoas, com tarefas específicas que pode assumir nesta perspectiva. Ao mesmo tempo é chamada a estar atenta à particularidade dos processos sociais. Nesse sentido, a escola será entendida como um ambiente privilegiado de interação no qual os conhecimentos e experiências de cada pessoa serão contribuições para o conhecimento de todos. Passamos a refletir sobre o contexto escolar da escola do campo a partir do momento em que verificamos como ela deve ser, como se encontra na realidade, a partir da investigação, dos estudos realizados, das leituras feitas. A partir disso procuramos também compreender como deve ser a biblioteca escolar da escola do campo, o seu marco teórico e legal. É o que abordaremos na sequência.
  14. 14. 2- BIBLIOTECA ESCOLAR: MARCO TEÓRICO E LEGAL Segundo Klebis (2011) para compreender a realidade da educação do campo, faz-se necessário, o entendimento que desafios certamente surgirão, porém, a prática do professor em freqüentar a biblioteca fará com que o aluno olhe essa realidade com outros olhos, seu trabalho pode trazer a compreensão de que a biblioteca é muito mais que o lugar onde os livros são guardados, mas um espaço onde a criatividade do aluno está aberta a cada livro que abre, descobre, cria e não se limita ao saber. Na realidade da sala de aula, notamos que existe uma biblioteca, mas o fato é que devemos perceber a que condições ela está, é usada como um local de aprendizagem ou como castigo? Qual seria o conceito de biblioteca que estamos adquirindo, e o de leitura, quais as dificuldades de infraestrutura e qual a relação da mediação da ação cultural de ler. Se a biblioteca existe, ela está sendo usada, porém de que forma, os alunos devem ver os livros como algo que possa ser estudado compreendido e não apenas como uma obrigação deve-se por em prática o gosto pela leitura e não apenas repassar algo que é imposto. A questão da biblioteca pública escolar, em suas ações e desenvolvimento está voltada a mediação, algo que crie o hábito, o gosto por querer ler, existem diversos livros, muitas opções porquanto há uma lista muito ampla, o que ainda necessita ser buscado com uma direção, um incentivo. Conforme Klebis (2011) os índices de leitura estão baixos, os professores lêem muito pouco, isso muitas vezes pode fazer com que a biblioteca torne-se algo fraco e sem objetivos, mas o fato é que as ações educativas devem ser realizadas e devem também garantir o acesso do aluno aos livros. Existem muitas escolas que nem ao menos possuem uma biblioteca, e algumas que possuem ainda compartilham seus livros com outros materiais o que faz da biblioteca um depósito, e os alunos quase não a procuram. Foi o que observamos na biblioteca escolar da escola do campo investigada, ela além de ter o seu acervo bibliográfico, possui também outros materiais, sem contar que são poucos os alunos que conseguem estudar nela, pois o seu espaço físico é restrito.
  15. 15. O autor ressalta ainda que em 24 de maio de 2010, o governo brasileiro editou a Lei Federal nº. 12.244 que dispõe: Art. 1o As instituições de ensino públicas e privadas de todos os sistemas de ensino do País contarão com bibliotecas, nos termos desta Lei. Art. 2o Para os fins desta Lei, considera-se biblioteca escolar a coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura. Parágrafo único. Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado, cabendo ao respectivo sistema de ensino determinar a ampliação deste acervo conforme sua realidade, bem como divulgar orientações de guarda, preservação, organização e funcionamento das bibliotecas escolares. Art. 3o Os sistemas de ensino do País deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares, nos termos previstos nesta Lei, seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitada a profissão de Bibliotecário, disciplinada pelas Leis nos 4.084, de 30 de junho de 1962, e 9.674, de 25 de junho de 1998. Como descrito acima esta lei assegura a escola o direito a uma biblioteca de qualidade, e o nosso desafio é verificar se isto está ocorrendo e de que forma, já que muitas vezes a realidade está distante do contexto teórico, o fato é que existem bibliotecas, porém os profissionais não possuem hábito de levar os alunos até lá, trabalhar com o aluno na biblioteca, sem fazer com que ele fique com medo de tirar os livros de seus lugares, ou então de estragar alguma coisa. A idéia de ler e aprender parecem que foram construídas com um sistema linguístico pelo qual o aluno dominaria o conteúdo, mas apenas como um armazenado de palavras, a escola sempre recebeu críticas muito severas a respeito do que deveria ensinar além de tudo isso, a leitura como uma prática cultural, ou seja, aprender para entender o mundo do outro. Se os alunos sabem ler, eles facilmente vão entender o que o mundo tem a dizer. Para que os alunos façam viver os livros de suas bibliotecas, eles precisam ir para os caminhos mais possíveis do saber, pois a leitura transforma a cada geração. Segundo Klebis (2011) a visão de leitura quando entendida transforma, o aluno aprende que não basta apenas fazer as perguntas, mas também procurar as respostas, já que possui conhecimento e condições suficientes para realizar isso.
  16. 16. O ato de ler requer incentivo e ensino, tanto na sala de aula quanto na biblioteca, que deve ser efetuado pelo professor, os pequenos leitores dessa forma aprendem a compreender o mundo do outro, desde cedo abre caminhos para que sua imaginação e seu desenvolvimento passem a ter experiências, pelas quais o aluno vai aprender a viver de forma mais significativa e produtiva. Podemos perceber a importância da biblioteca escolar da escola do campo e da sua utilização, pois se os alunos tiverem um maior acesso a ela, como por exemplo, uma biblioteca em sua escola, o interesse em conhecê-la poderá aumentar, com o incentivo a leitura que o professor oferece, a mesma passará a ser um hábito em sua vida. A intenção é construir um mundo cidadão, crianças que compreendam o valor da leitura, que busquem em sua prática estar realizando-a, sendo incentivadas mesmo que na maioria das vezes com pouco material, poucos profissionais, mas, com qualidade de acordo com o que pode oferecer. De acordo com Klebis (2011) todos os dias, a relação entre alunos e as bibliotecas vem sendo construídas seja por meio das práticas de experiências, ou pela ausência delas, os pais influenciam muito nessa relação, juntamente com o professor, pois a prática de leitura também está relacionada ao nível de intimidade que o aluno tem com a biblioteca, se ele a frequenta muito pouco, em outras palavras irá também ler muito pouco, se ele tem a visão de biblioteca como local de punição por suas falhas, como é que ele vai gostar de ler? Por esse motivo é papel do professor, estar envolvendo o aluno na biblioteca, primeiramente priorizando seu saber e depois estar realizando reformas e condições para que esse seja um local de conhecimento, para que a cada livro aberto seja, como se o mundo viesse à tona e que o leitor esteja capacitado para navegar nele. Cabe aos profissionais oferecer condições de relação mínima de envolvimento com os livros, de forma ideal para que isso não seja uma obrigatoriedade. Mas para isso primeiro deve-se ter a noção de o que é biblioteca, e da importância da sua utilização para a mediação do conhecimento. Existem locais onde mal cabem os alunos, pois ela é vista como o “depósito” da escola, e dessa forma fica a pergunta: como é que um aluno irá ter prazer em estar, em um local como esse? Mesmo com todas as suas contradições, distorções e disfunções, o encanto inexplicável que as bibliotecas exercem
  17. 17. sobre os seres humanos, nos perdura, não há quem, entrando em uma grande biblioteca pela primeira vez, não sinta nas entranhas a fascinante agonia que reside entre o desejo mágico e a impossibilidade concreta de ler universal. (KLEBIS, 2011, p.19) Quando nos aproximamos da biblioteca, temos a impressão de algo bom, atrativo, que queremos permanecer, pois encontramos um local muito agradável para se estar, mesmo com tantas dificuldades encontradas por profissionais para frequentar a biblioteca, existe algo que nos prende a ela, pois a mesma possui uma grande riqueza, a do conhecimento. Klebis (2011) diz ainda, que no século XVI, houve uma contra reforma, a preocupação da igreja em relação ao controle dos livros, sob a recomendação do santo ofício foi realizado uma lista de livros que seriam queimados, nesse período muitas bibliotecas esforçaram-se para preservar seus livros, tentando dessa forma achar um lugar onde os livros ficassem impunes desse mal, onde: O melhor lugar para esconder um livro é a biblioteca. Por esse motivo, existe um controle excessivo, uma herança cultural da qual somos herdeiros, a visão do entendimento que a biblioteca é um espaço de preservação de livros, e obras, o que, em certa medida impõe limites a disposição entre os leitores, como se os livros tivessem que ser intocáveis tratados como se fossem sagrados, e há também aqueles que não são cuidados, recortados, riscados, sem sequer ter noção da importância de cada um deles. Klebis (2011) ressalta ainda que a biblioteca deve existir, mas com transformações, ser transformada em um local mais democrático onde os leitores possam frequentar. “Nos cem anos entre 1800 e 1900 houve a Revolução Industrial, um diferencial na ciência e na cultura, foi a partir daí que surgiu a primeira grande biblioteca brasileira que começou a trazer o conceito de biblioteca como ‘‘templo do saber”, porém, mesmo com tais transformações, podemos perceber que: “[...] A entrada na biblioteca é facultada ao público durante grande parte do dia, entretanto aqui é tão pouco sentida a importância das ocupações literárias, que as salas permanecem, por assim dizer, vazias.” (LAJOLO; ZILBERMAN, p.177, apud KLEBIS, 2011, p.23) O fato de a biblioteca apenas existir, não garante que o aluno está aprendendo, ela precisa ser visitada e utilizada, não apenas entendida como um
  18. 18. lugar de castigo ou depósito, o autor nos relata que a biblioteca é aberta ao público, todos têm o acesso a ela, está cheia de ótimos livros, porém o público está tão acostumado a não ler, que ela passa por despercebida. O que precisamos entender é que a biblioteca precisa atrair novos leitores e abrir-se para buscar iniciantes, práticas de leitura as quais se identifiquem de acordo com cada faixa etária. Pensar a biblioteca deve-se pensar nas práticas de leitura, e as formas que cada profissional irá usar para fazer com que o leitor tenha amor e hábito por ler. Na sequência, verificaremos um pouco sobre a biblioteca da escola do campo investigada. Como ela está sendo ocupada, quais são os leitores que a utilizam, entre outros aspectos pertinentes a pesquisa de campo realizada. 3- APONTAMENTOS SOBRE A BIBLIOTECA ESCOLAR 3.1 Histórico da Escola Investigada Durante a pesquisa de campo obtivemos os dados históricos da Escola Municipal Raquel de Queiróz. Ao observarmos o Projeto Político Pedagógico da escola verificamos o seguinte contexto histórico. A Escola Rural Municipal Raquel de Queiroz iniciou seus trabalhos por volta de 1946, na época do antigo Território Federal do Iguaçu, em imóvel particular, com o nome de Escola Isolada Passo Liso, fundada pelo prefeito Alcindo Natanael de Camargo. Em 1962 instalou-se em imóvel construído com recursos da FUNDEPAR, em terreno doado por um morador da comunidade. Em julho de 1976 passou a funcionar como o nome de Ney Amintas de Barros Braga, em homenagem ao governador daquela época, mais tarde através da Resolução nº 3629/82 DOE de 03/02/1983, teve seu funcionamento autorizado com o nome de Escola Rural Municipal Raquel de Queiroz. Na época contava com aproximadamente trinta alunos, sendo esta uma classe multisseriada. (PPP, 2012, p.5) Em 1980 com a implantação da reforma de ensino, preconizada pela Lei nº 5692/71, tendo a Escola seu Plano de Implantação elaborado na qualidade de Escola Rural, a mesma desempenhava sua proposta pedagógica de acordo com
  19. 19. o planejamento oferecido pala Secretaria Municipal de Educação a qual está vinculada. (PPP, 2012, p.6) 3.2 Apontamentos sobre o espaço físico da Biblioteca Escolar Ao chegarmos à escola investigada nos dirigimos até a biblioteca escolar. Logo se percebeu que a mesma usa uma sala de aula da escola, ou seja, não conta com espaço próprio, não possui nome, apenas utilizado como “cantinho da leitura”. O ambiente utilizado para a biblioteca é pequeno sendo este dividido em dois espaços, um para escola municipal, outro para a estadual, já que o mesmo é utilizado por alunos tanto da rede municipal quanto da estadual. Quanto ao espaço físico, percebemos que o mesmo é apertado não possuindo capacidade para adequar um turma de alunos para realizar a leitura, tem carteiras dividindo no meio, onde de um lado ficam os materiais destinados para o estado e o outro para o município. Do lado direito que pertence ao estado existem duas prateleiras e uma carteira contendo livros, e a sala está dividida com uma mesa e quatro carteiras, em cima da mesa, tem uma TV pen drive. O espaço da biblioteca, por ser pequeno, não exige muita luminosidade, porém a lâmpada que a sala possui é fluorescente, e bem clara, pelo fato de ter uma janela a qual a cortina deixa claro o ambiente na sala, fazendo com que os alunos possam ficar mais a vontade quando vem a utilizar o ambiente. Nesse espaço é utilizado somente como biblioteca, o laboratório de informática funciona ao lado separadamente. Porém muitas vezes o laboratório é utilizado para atividades de leitura, devido seu espaço físico ser maior. O lado que pertence ao município observou que existe uma caixa com algumas almofadas, na qual foi desenvolvido com os professores no projeto (PNAIC) Programa de alfabetização na idade certa sendo que as mesmas são utilizadas para os alunos deitarem nelas enquanto lêem e também tem um tapete para que possam sentar durante a leitura, possui também uma caixa contendo caixas de leite vazias que geralmente são utilizadas em aulas de arte para fazer brinquedos, como carrinhos que podem ser utilizados na sala de aula. Em conversa com os professores dos anos iniciais relatam que não estão utilizando a biblioteca para leitura, por esta não apresentar espaço fisco, o
  20. 20. cantinho da leitura esta acontecendo em sala de aula e que esta trazendo resultado. 3.3 Apontamentos sobre o acervo A pesquisa de campo realizada possibilitou-nos o acesso a biblioteca e o acervo da mesma. Nele observamos dentre vários aspectos que existem documentos como: livros didáticos, literatura infanto juvenil, gibis, enciclopédias, jornais, revistas, livros do professor, dentre outros. Todo este acervo, não tão numeroso está disponível tanto aos professores, quanto aos alunos, para subsidiar o trabalho pedagógico bem como enriquecer a prática dos professores, e aprimorar o conhecimento dos alunos. Segundo Freire (1996, p.47) “Ensinar não é apenas transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção.” O conhecimento é construído, e os livros são a base para que este seja concretizado, com isso o professor tem a possibilidade de ensinar por meio de muita leitura, e é por causa disso que o papel da biblioteca é de suma importância, pois por meio dela podemos ampliar nossos conceitos sobre diversos assuntos. Quanto à organização, da biblioteca escolar, quem trabalha na parte da manhã, é um agente educacional, e no período da tarde quem cuida é uma professora do município. O horário de funcionamento da biblioteca escolar é das 07h30min as 17h00min, não fechando para o almoço, permitindo assim que os alunos possam utilizá-la durante o período em que ficam na escola, já que alguns permanecem nesse ambiente o dia todo. Os dicentes escolhem o livro desejado, e quando querem levar para casa tem um prazo de dez dias para devolver, sendo que registram na ata, seus dados necessários. Porém depois de um ano voltamos na escola e não encontramos ninguém na biblioteca onde se encontra com a porta encostada. A biblioteca tem um regulamento, porém o mesmo não está escrito, cuja orientação, segue a não permanecia do aluno na biblioteca sem a presença do professor, ou que ele tenha autorizado, para evitar que os alunos “matem aula”.
  21. 21. Logo na entrada da biblioteca escolar, a organização dos livros está distribuída da seguinte maneira: na primeira prateleira, de cima para baixo, são livros do 2º ano (ciências, história, geografia, matemática, alfabetização e letramento), segunda prateleira: 2º e 3º ano (história, geografia e alfabetização) , alguns livros do primeiro ano. Na quarta prateleira, livros do 5º ano e 2º ano. Quinta prateleira livros do 3º, 4º e 5º ano, PCN’s, Paulo Freire, Florestan Fernandes, Vigotsky, destinados aos professores. Na próxima prateleira livros de contos, literatura infantil, livros de Currículo e avaliação misturados. Na sexta prateleira enciclopédia modular, enciclopédia do estudante e Rui Barbosa. Nas prateleiras pertencentes ao estado, existem três enciclopédias diferenciadas, dicionário, revistas, jornais. No chão existem caixas do 7º ao 9º ano, onde estão armazenados os livros para serem levados na sala de aula, tem dvdoteca. A biblioteca possui também alguns dicionários na prateleira dos fundos, livros de matemática, 4º ano, em uma caixa alguns livros de inglês, de matemática, alguns livros ficam no chão. Em um segundo momento, devido à necessidade de coletar mais dados para nossa pesquisa, visitou-se a escola investigada novamente. Fomos bem recebidos, e pedimos para a diretora da escola Municipal o Projeto Político Pedagógico, e nele encontramos alguns projetos de leitura, como descreveremos a seguir. Verificamos no Projeto Político Pedagógico da Escola Municipal Raquel de Queiroz, que existem alguns projetos de leitura realizados no ano de 2012. Um deles é o “Projeto Leitura em Movimento”, que enfoca o ato de ler como ponto de partida para a construção do pensamento lógico, com isso viabiliza a argumentação, e a capacidade do educando de construir suas relações diante do mundo que o cerca. Os objetivos desse projeto visam proporcionar aos educadores, refletir sobre as práticas de leitura em sala de aula, proporcionando ao educando aulas mais prazerosas, resgatar o espaço da literatura infantil na escola, etc. No ano de 2013 iniciou-se na escola do campo um projeto, também ressaltando a importância da leitura, conhecido como “Maleta da leitura”. Nesse projeto, realizado por alguns professores da escola, os alunos levam para casa a “maleta da leitura”, contendo livros de diversos gêneros textuais como, por exemplo: revistas, receitas, gibis, livro de oração, literatura infantil, etc. Eles lêem
  22. 22. e relatam no “caderno volante”, que está dentro da maleta, o que mais gostaram do livro. Um fato muito interessante desse projeto é que os alunos fazem as leituras junto com seus familiares, incentivando-os a lerem. Os professores responsáveis pelo projeto nos contaram que os alunos gostam muito da “maleta da leitura”, ficam ansiosos para levarem ela pra casa. São os professores que colocam os livros na maleta, escolhem assim diversos gêneros textuais, então o aluno escolhe o que deseja ler. Durante a investigação percebemos que os alunos utilizaram bastante a biblioteca, seja para emprestar livros, como para devolvê-los, alguns entregavam um livro e já pegava outro. Realmente nesta escola há um grande incentivo para a leitura. Embora, muitas vezes os alunos não conseguirem permanecer na biblioteca, pelo espaço físico ser restrito, isso não impede que eles procurem a biblioteca, e os professores também, encontram outros meios dos estudantes realizarem a atividade de ler e produzir o seu conhecimento, pois existem projetos de leitura, como já foi mencionado anteriormente. Pois de que serve uma biblioteca linda, maravilhosa, porém sem leitores. Durante a pesquisa de campo, observamos que existem caixas divididas por série, estas são levadas para a sala de aula contendo livros diversos como está descrito abaixo: Nas caixas do 6º ano: (gibis, literatura, contos, poesia), 7º ano (religiosos, gibis, contos, poesias), 8º ano (Romance José Lins do Rego, Maria Clara Machado, Histórias, poética, analogias) e 9º ano (Shakespeare, fábulas, menino de engenho, etc.). O Ensino médio utiliza a biblioteca uma vez na semana para atividade de pesquisa, o professor que mais utiliza é o de português. As quatro imagens a seguir mostram o espaço ocupado pela biblioteca escolar. Detalharemos a descrição e a análise na sequência.
  23. 23. Figura 1 - Carteiras dividem o espaço entre Estado e Município. Fonte - As autoras (2013). Figura 2 - Caixas separadas por série. (1º ao 9º ano Fundamental e 1º ao 3º ano do Médio). Fonte - As autoras (2013).
  24. 24. Figura 3 - Lado pertencente ao Estado. Fonte - As autoras (2013).
  25. 25. Figura 4 - Lado pertencente ao Município. Fonte - As autoras (2013). Nota-se como a biblioteca vem sendo ocupada, dividida e organizada dentro dessa sala. Como o acervo bibliográfico está organizado e que o espaço destinado para a leitura é pequeno, se houver um número grande de estudantes frequentando este local ao mesmo tempo, fica difícil a mobilidade dos mesmos, já que a biblioteca possui uma divisão entre Estado e Município.
  26. 26. O fato de a biblioteca escolar estar dividida, os professores levarem os livros para a sala de aula, faz com que os alunos percam a liberdade de escolha do livro o qual realmente queiram ler, ficam limitados a um espaço e certamente com uma visão de que são inferiores levando em conta o fato, que se um deles quiser ler um livro do outro lado do acervo alguém o iria impedir, ele não poderia fazer isso, é interessante destacar a questão da organização da biblioteca, mas isso não por causa da sua idade, ou porque o livro está no outro lado do acervo, essas questões são de importante valor, pois a biblioteca é um local de aprendizagem, de conhecimento e os alunos precisam sentir-se bem lá dentro, sentir liberdade de ler o livro que escolher e refletir sobre ele. É certo que cada aluno faz a relação de livros que mais se identifica ou necessita no momento, porém leva-se em conta não os livros a serem lidos, mas a visão que o alunos tem da biblioteca, eles não podem entende-la como algo limitado pois é lendo que conhecem, e isso é essencial eles precisam entender que para o conhecimento não tem limites, mas para isso é de fundamental importância que cada um cumpra seu papel lá dentro, respeitando o espaço, mas não impondo limites, tirando o direito do aluno em escolher aquilo que lhe é devido.
  27. 27. 4- A Relação do Aluno com a Biblioteca Escolar O conhecimento se dá de varias maneiras, uma delas é através da leitura. Sendo esta fundamental para o nosso desenvolvimento intelectual, moral e pessoal. Se conhecermos e nos apropriamos deste conhecimento, podemos ampliar nossa idéia sobre a sociedade, sobre o mundo e também amadurecer como sujeitos. Uma das questões tratadas nesta pesquisa é a utilização da biblioteca escolar do campo, se ela tem sido relevante na formação de novos leitores. Porém o que percebemos durante a pesquisa é que a interação dos alunos com a biblioteca se dá muito mais no âmbito da escolha dos livros do que no local para a leitura, mesmo muitos leitores não permanecendo neste local, isso não interfere na relação com a leitura, ou seja, embora o ambiente físico não seja tão favorável, o interesse pelo conhecimento prevalece. Os dados apresentados demonstram que os alunos da escola investigada gostam de ler e praticam isso, mesmo com a realidade adversa que o contempla. Em continuidade com a nossa pesquisa sobre a biblioteca escolar do campo, após alguns meses retornamos a escola investigada. Elaboramos um questionário sobre a importância da biblioteca e distribuímos aos alunos do 3º, 4º e 5º ano. Neste questionário abordamos perguntas envolvendo a leitura. Durante a aplicação do questionário os alunos puderam responder em sala, no horário da aula. Todos os alunos foram participativos, respondendo todas as perguntas, sendo estas objetivas, não houve questionamentos. Obtivemos o presente resultado com a colaboração de 35 alunos no total. Dentre as perguntas realizadas descrevem os gráficos abaixo:
  28. 28. Gráfico1: Fonte: Pesquisa de Campo (2014). Com base nos resultados do questionário, é notório o interesse dos alunos com relação à leitura. A grande maioria gosta de ler. Isso é muito bom, pois mostra que esta escola se difere de muitas, onde, apesar do incentivo ou não, o habito da leitura existe. Gráfico 2: Fonte: Pesquisa de Campo (2014).
  29. 29. Quando questionamos em quanto tempo eles lêem um livro grande parte respondeu que o faz em uma semana e diariamente, demonstrando assim a presença constante dos livros em seu cotidiano, bem como seu compromisso e desejo do conhecimento. Gráfico3: Fonte: Pesquisa de Campo (2014). Com relação ao tipo de leitura que preferem os dados mostram que a maior parte dos alunos opta por livros de aventura, o segundo mais procurado é o Gibi e por fim outros livros como: histórias antigas, contos infantis, romances etc.
  30. 30. Gráfico 4: Fonte: Pesquisa de Campo (2014). Ao questionarmos sobre as atividades realizadas na biblioteca, em sua maioria responderam que utilizam a mesma para exercitar a leitura, e também usam para fazer trabalhos dentre outros. Gráfico 5: Fonte: Pesquisa de Campo (2014). Quando perguntamos sobre a motivação que os leva à biblioteca, grande parte nos respondeu que por gostar de ler, a segunda resposta foi para retirar
  31. 31. livros para ler em casa, e dentre os outros, alguns vão para passar o tempo, pra fazer trabalhos, e a minoria disse que dificilmente vai à biblioteca. Podemos perceber nestes alunos que o seu interesse pela leitura, provém de vários fatores, mas o fundamental é que a escola está incluída nestes, devido a projetos, e o grande incentivo por parte de professores, coordenadores, pais e colaboradores, Sendo assim podemos esperar que estes leitores tendem a alcançar grande êxito em suas vidas, pois a maneira como buscam o conhecimento pode causar uma grande transformação na sociedade como um todo.
  32. 32. CONSIDERAÇÕES A pesquisa realizada, busca demonstrar o funcionamento da biblioteca, o seu acervo bibliográfico, seu espaço físico, os leitores e principalmente como ela está sendo utilizada, em que condições ela se encontra. Durante a pesquisa de campo percebemos, que apesar do restrito espaço físico, em que a biblioteca da escola Joany Guilherme De Lima Ensino Fundamental e Médio e Escola Municipal Raquel de Queiróz está inserida, o seu acervo bibliográfico é bem diversificado, pois abrangem desde Literatura, sonetos, livros clássicos, poesias dentre 10 outros. Também é notória a procura dos leitores, muitos utilizam a biblioteca enquanto aguardam outras atividades, principalmente por permanecerem na escola em dois turnos, manhã e tarde. Um fato bastante interessante que também percebemos durante nossa investigação, foi à maneira como os professores incentivam os alunos a lerem, e a superarem a falta de infra-estrutura do espaço físico da biblioteca escolar do campo. Eles utilizam caixas separadas por turmas e deslocam essas caixas, contendo os livros, para a sala de aula, por que o espaço físico da biblioteca é muito pequeno, remetendo-nos a idéia de que nem sempre os alunos podem permanecer na biblioteca, muitos escolhem o livro que desejam e utilizam a sala de aula para ler ou então levam para casa. A escola investigada foi construída há pouco tempo, desta maneira seu acervo bibliográfico ainda recebe arrecadações de diversos locais, quanto ao registro dos livros que são emprestados é feito através de Ata, devido ao fato de ainda não possuir um sistema informatizado para esta finalidade. Assim, como a escola está em construção, os seus leitores estão em processo de adaptação e desenvolvimento na apropriação do conhecimento e os docentes atrelados ao ambiente escolar têm um papel muito importante neste contexto, pois eles são mediadores do conhecimento visando à formação integral do aluno, sendo uma das suas funções o incentivo a pesquisa, considerando também que a interação entre alunos e professores é um processo de construção mútua de conhecimento. Ao analisar a relação dos alunos com a leitura o que demonstrou na pesquisa, foi que apesar da escola não ocupar a biblioteca para leitura os alunos apresentam grande interesse pela leitura, na qual já é um habito na vida deles,
  33. 33. mostra também que para se conseguir bom leitores os professores foram de fundamental importância, não deixando ser afetado pela falta de espaço, mas procurando meios para que o aluno desenvolva o gosto pela leitura.
  34. 34. REFERÊNCIAS ARROYO, M.G. et al. Por uma Educação do Campo. Petrópolis: Vozes, 2005. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessário à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. KLEBIS, Carlos Eduardo de Oliveira. Envolver para desenvolver: por uma política de dinamização da leitura a partir das bibliotecas escolares. 2011. Disponível em: <http://ltp.emnuvens.com.br/ltp/article/download/38/34>. Acesso em: 22 jun. 2013. MOLINA, M. C; SÁ, L. M. Escola do Campo. Dicionário da Educação do Campo: Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Expressão Popular, 2012. In: CALDART. R. S. (Org.). da Educação do Campo: Rio de Janeiro, São Paulo: Editora Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, Expressão popular, 2012. PPP- Projeto Político Pedagógico da Escola Rural Municipal Raquel de Queiroz Ensino Fundamental, 2012. PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2010/Lei/L12244.htm>. Acesso em: 20 jun. 2013.

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