O que é a tradição

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O que é a tradição

  1. 1. O que é a Tradição?Há duas razões pelo qual hoje é oportuno precisar o conceito de Tradição em sua acepçãoparticular, pelo qual se converteu muito corrente usar tal termo com letra maiúscula.A primeira razão é o interesse crescente que a idéia de Tradição como ponto de referênciasuscitou e continua suscitando nos ambientes de cultura e contestação de direita, emespecial entre os pertencentes à nova geração.A segunda razão se refere ao fato que, ao mesmo tempo, e se pode dizer que justamente porhaver se constatado tal interesse, se formularam intentos de sustentar uma interpretaçãocaduca e tíbia do conceito de Tradição, quase para suplantar o originário e integral esubstituí-lo com um conteúdo menos comprometido e mais acomodado, de modo tal depermitir a continuidade das routines de uma mentalidade em grande medida conformista.Se poderia falar, a tal respeito, usando um termo francês, de uma escamotage.E é assim como aconteceu, por exemplo, o distanciamento de certas pessoas, que atraídasem um primeiro momento pelo conceito de Tradição, terminarão aderindo a um“tradicionalismo católico” 1. Acerca do sentido interno de tal distanciamento são bastantesignificativas as palavras expressadas por um escritor expoente desta direção, em umaentrevista concedida por ele a Gianfranco de Turris. O escritor em questão reconheceu queda mesma maneira que outros de sua geração e das sucessivas, em um primeiro momento seinteressou pela idéia tradicional, especialmente pelas suas aplicações políticas, mas logodistanciou-se sentindo que as coisas aconteciam como em uma “sã cura de helioterapia”,havia que “retirar-se do sol antes de ser queimado”.Evidentemente este não é senão um modo elegante para dizer que não se suportava a forçade certas idéias formuladas sem atenuações, daí então o distanciamento e a adesão ao“tradicionalismo católico”. Um caso importante é o constituído por um livro, editado porBompinani que se intitula: “O que é a tradição?”. Aparte do fato de que não se trata de umaexposição sistemática, senão de um grupo de ensaios que muitas vezes tem pouco que vercom o tema, o autor dá novamente uma versão tíbia da Tradição, com visíveispreocupações de caráter religioso e moralizante, o alarde expressado através de citaçõesmúltiplas de uma cultura variada vale mais para confundir que para esclarecer, dada a faltade um rigoroso quadro sistemático. É bastante visível que este livro foi justamente escritoem relação ao mencionado crescente interesse pela idéia de Tradição. Há um aspecto quemerece ser assinalado, o autor do livro em questão, que pretende dizer o que é ou que seriaa Tradição, por certo não sonhou jamais de aproximar-se a tal ordem de idéias até não faz
  2. 2. muito tempo quando andava junto com Moravia e com outros expoentes da intelectualidadeesquerdista italiana. Ele ignora que o conceito integral de Tradição havia sido já formuladonos anos 20 por René Guénon2 e seu grupo, e depois em nossa obra Revolta contra omundo moderno, editada em 1934 na Itália e em 1935 na Alemanha, a primeira parte destaobra se intitula justamente “o mundo da Tradição”. O autor aludido cita apenas um par devezes a contribuição da corrente guenoniana, entretanto ignora sistematicamente a nossa.Lamentavelmente ele dispõe de um círculo bastante vasto de leitores, pelo qual sua tíbiaapresentação do que seria a Tradição resulta sumamente perniciosa.O autor em questão se perde em uma discussão quase teológico-escolástica quando afirmaque a “tradição por excelência é a transmissão do conhecimento do objeto ótimo e máximo,o conhecimento do ser perfeitíssimo”. Isto poderá valer no campo contemplativo-religioso,e só com referência ao mesmo se pode dizer que a Tradição “se concreta em um conjuntode meios: sacramentos, símbolos, ritos, definições discursivas cujo fim é o de desenvolverno homem aquela parte, faculdade, potência ou vocação, que lhe coloca em contato com omáximo do ser que lhe seja consentido, colocando-o por cima de suas constituiçõescorpórea ou psíquica, o espírito ou intuição intelectual”. Se nestes termos é reconhecida adefinição de uma hierarquia “ entre os seres relativos e históricos, fundada em seu grau dedistanciamento a respeito da idéia do puro ser”, é evidente que aqui se fixa em esferaabstrata, é isso se confirma pelo fato que o autor em tela alimenta uma espécie de rechaçopelas formas de realidade política, por tanto também por tudo o que é Estado, hierarquiapolítica e imperium, em conformidade com certas concepções espiritualistas cristãs(comoaparece claro também no “tradicionalista” Leopold Ziegler). É um fato que a Tradição semanifesta em sua plena potência formativa e animadora justamente no domínio daorganização político-social, para conferir a mesma um significado e uma legitimaçãosuperior. Como um exemplo importante que persistiu até a época moderna se pode indicaro Japão3.Podem-se distinguir dois aspectos da Tradição, um referido a metafísica da história e a umamorfologia das civilizações, o segundo a uma interpretação “esotérica”, ou seja, de acordocom a dimensão em profundidade do diferente material tradicional.Sabe-se que o termo tradição vem do latim tradere, ou seja, transmitir. Assim o mesmo temum conteúdo indeterminado, pelo qual se observa seu uso nos contextos mais variados eprofanos. “Tradicionalismo” pode significar conformismo, e acerca disso Cherterton disseque a tradição é a “democracia dos mortos”, assim como na democracia a maioria seconforma à opinião de uma maioria de contemporâneos, do mesmo modo acontece notradicionalismo conformista o qual segue a da maioria daqueles que viveram antes de nós.Quiçá poucos sabem que o termo Kabbala tem literalmente o sentido de tradição, mas aquié em relação com a transmissão de um conhecimento metafísico e da interpretação“esotérica” da correspondente tradição, pelo qual se aproximamos acerca daquilo do que é aTradição.No que se refere ao domínio histórico, a Tradição vincula-se aquilo que poderia denominar-se como uma transcendência imanente. Trata-se de uma idéia recorrente de que uma forçado alto atuou em uma ou outra área ou em um ou outro ciclo histórico, de modo que valoresespirituais e supraindividuais constituíram o eixo e o supremo ponto de referência para a
  3. 3. organização geral, a formação e a justificação de toda realidade e atividade subordinada esimplesmente humana. Esta força do alto é uma presença que se transmite, e estatransmissão de dita força, que se encontra por cima das meras contingências históricas,constituía justamente a Tradição. Normalmente a Tradição tomada neste sentido é levadapor quem se encontra no vértice das correspondentes hierarquias, ou por uma elite, e emsuas formas mais originárias e completas não há um separação entre o poder temporal eautoridade espiritual4, sendo a segunda, em matéria de princípios, o fundamento, alegitimação e o crisma da primeira. Como exemplo característico se pode citar a concepçãoextremo-oriental do soberano como “terceira força entre o céu e a terra”, concepção que sereencontra na realeza nipônica cuja tradição persiste até hoje.No aspecto aqui indicado de uma “transcendência imanente”, o tradere, a transmissão serefere não a algo abstrato e contemplativo, mas há uma energia que por ser invisível não émenos real. Aos jefes e a uma elite cabe a tarefa de transmissão dentro de determinadosmarcos institucionais, variáveis, mas homologáveis em sua finalidade. É bastante evidenteque a mesma está mais garantida se pode ser paralela a uma continuidade de estirpe ousangue tutelada por normas rigorosas. De fato, quando a cadeia de transmissão seinterrompe, é sumamente difícil restabelece-la. Nesta perspectiva a Tradição é a antítese detudo o que é democracia, igualitarismo, primazia da sociedade sobre o Estado, poder quevem de baixo e coisas similares.Para o segundo aspecto da Tradição, é necessário remeter-se ao plano doutrinário, e aqui oponto de referência e o que pode denominar-se a unidade transcendente e oculta dasdiferenças tradições5. Pode tratar-se de tradições de tipo religioso, mas também de outrogênero, tais como sapienciais ou de mistérios. Aquilo que foi chamado de “métodotradicional” consiste em descobrir uma unidade ou correspondência essencial de símbolos,de formas, de mitos, de dogmas, de disciplinas, mais além das expressões múltiplas que oscorrespondentes conteúdos de significado podem assumir nas diferentes tradiçõeshistóricas. Tal unidade pode resultar a partir de uma penetração em profundidade dodiferente material tradicional: indagação -isto deve ser destacado- que deve ser distinta dasinvestigações da denominada ciência comparada das religiões universais, a qual se atém àsuperfície e tem um caráter empírico e não metafísico. A faculdade requerida, é aquela quese pode denominar como “intuição intelectual ou espiritual”, intuitio intellectualis.6 Só apossessão desta rara capacidade intelectual pode dar o sentido da medida e prevenir o quese poderia denominar a “superstição da Tradição”. Com efeito, há pessoas que se entregama fantasia e que descobrem em tudo conteúdos tradicionais, ainda quando os mesmos sãoimaginários ou se trata de contextos espúrios e primitivos. É o análogo do chamado “delíriointerpretativo” dos freudianos, os quais querem ver em tudo a ação dos complexos sexuais.A origem das formas tradicionais é um problema complexo. No que diz respeito aoprimeiro dos aspectos aqui aludido, ou seja, o aspecto histórico é muitas vezes formulado aidéia de uma tradição primordial, da qual derivou as sucessivas e particulares tradições.Mas se permanecemos no plano histórico, este conceito deve ser articulado. A hipótese deuma tradição primordial hiperbórea e nórdico-ocidental no que se refere ao grupo decivilizações tradicionais da área indo-européia, não se pode fazer demasiado uso no queconcerne, por exemplo, as formas tradicionais extremo-orientais, as quais devem remeter-sea um diferente tronco de origem. Mas aqui pode impor-se o ponto de vista a seguir para o
  4. 4. segundo aspecto do problema, que é a explicação de concordâncias e de correspondênciasessenciais de conteúdos tradicionais. É simplista e em parte supersticiosa a idéia depersonagens “iniciados” e similares, que nos vários casos operaram conscientemente naorigem de toda tradição. Ainda se a idéia quiçá não pode ser aceita por todos semdificuldade, igualmente muitas vezes se deve pensar em influências7 por assim dizer, queintervém na história e nos desenvolvimentos das tradições por detrás dos bastidores, semque os representantes das mesmas se dêem conta.Há casos também de um “voltar a brotar” de uma única influência com notáveis distânciasde espaço e tempo, por tanto, sem uma transmissão materialmente relevante, quase comoum redemoinho que desaparece em um determinado ponto da corrente de um rio para voltara formar-se em outro ponto. É o que se deve pensar em muitos casos de correspondênciastradicionais, em elementos particulares, mas também nas estruturas de conjunto dedeterminadas civilizações, as linhas de vinculação com a superfície são inexistentes, algoimponderável entra em jogo servindo-se ao máximo de elementos de sustentação. Porexemplo, a gênese da antiga romanidade, em tudo aquilo onde esta reproduz formasvariadas da tradição primordial indo-européia, pode ser visto sob este aspecto. Enfim, sedeve considerar o caso de que a influência em questão atue sucessivamente, ou seja, nodesenvolvimento posterior como tradição de uma matéria originária, transformado-a,enriquecendo-a e também a retificando. Em certa medida, isto parece ter acontecido naformação da tradição católica a partir da matéria proporcionada pelo cristianismo primitivo.A introdução da idéia de tradição vale para libertar toda tradição particular de seuisolamento, remetendo o princípio gerador da mesma e de seus conteúdos essenciais a umcontexto mais vasto, em termos que são de uma efetiva integração. Para desdenhá-la seencontram tão só eventuais pretensões de exclusivismo sectário8 e de privilégio.Reconhecemos que isto pode molestar e criar certa desorientação em quem se sentia muitoseguro em uma determinada área restringida. Entretanto, para outros a concepçãotradicional abrirá horizontes, infundindo uma superior segurança, com a condição de nãoconfundir o jogo, como no caso daqueles “tradicionalistas” que colocaram a mão naTradição só por uma espécie de condimento para a própria tradição particular reafirmadaem todas suas limitações e em todo seu exclusivismo.Julius Evola(1968). O arco e a clava.1 Para Evola a idéia de Tradição é algo mais vasto e universal que o catolicismo.Em sua obra “Os homens e as ruínas” afirma: “Deve, pois permanecer firma aidéia de que ser tradicional e ser católico não é a mesma coisa. Não só isto, pormais que possa parecer paradoxal a alguns, quem é tradicional sendo só católico
  5. 5. em sentido corrente e confessional, não é tradicional senão pela metade docaminho. Repetimos: o verdadeiro espírito tradicional é uma categoria muitomais vasta que todo que é simplesmente católico.”2 Para Guénon, tudo o que é de ordem tradicional tem um relação com algo queé de origem supra-humana. A Tradição possui uma origem divina é não seconfunde com mero costume ou hábito.3 Para o pensador italiano o Japão era até 2ª grande guerra um exemplo claro deharmonia entre desenvolvimento técnico e manutenção do espírito tradicional.4 Segundo Evola, em tempos primordiais, na “Idade de Ouro” não havia adistinção entre poder temporal e autoridade espiritual. O detentor do poderpolítico eram também uma autoridade espiritual, a figura da realeza sacerdotalexprime esta idéia.5 Conceito criado por Frithjof Schuon.6 Termo usado pela escolástica medieval. A intuição intelectual não se confundecom a intuição sensível e com a razão.7 Esta idéia de Evola concorda com sua concepção tridimensional da história.Para este autor além das dimensões de superfície, que compreendem as causas,os fatos e os dirigentes visíveis o devir histórico possui também uma dimensãoprofunda, subterrânea em que agem forças e influências decisivas de origem nãohumana e que atuam de forma sutil.8 Característico de todas as formas de tradicionalismos e fundamentalismosFonte:http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page=Evola+Traditio

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