Desenvolvimento humano

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Human development presentation to psychologists at the Hospital de Clínicas de Porto Alegre.

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  • Sexualidade e pulsões como influências do desenvolvimento e watson com a ideia de que ao se manipular o ambiente se obteriam os comportamentos desejáveis
  • Desenvolvimento humano

    1. 1. Desenvolvimento humano Amanda da Costa da Silveira
    2. 2. O que é psicologia do desenvolvimento? “A ciência que busca entender como as pessoas mudam e permanecem as mesmas ao longo de suas vidas” (Berger, p.3) – O estudo do desenvolvimento social, emocional, cognitivo e biológico do indivíduo no seu espectro de vida – Mudança de foco • Antes: infância e adolescência • Agora: Todas as idades têm mudanças
    3. 3. Por que estudar psicologia do desenvolvimento? • Conhecimento relevante para múltiplos domínios – choro do bebê, bebidas, amor, sexo, carreira, família, envelhecimento saudável... • Implicações para políticas públicas – Vacina do HPV • Habilidades de pesquisa e intervenção
    4. 4. Motivo 1: “criar crianças” • Auxilia familiares e profissionais da saúde e da educação a compreenderem os desafios de se criar uma criança • Exemplo: pesquisadores identificaram abordagens eficazes que pais e cuidadores podem utilizar para ajudar crianças a lidarem com a raiva e outras emoções negativas.
    5. 5. Motivo 2: Determinar políticas públicas  Conhecer o desenvolvimento humano acessora/informa tomadas de decisões em políticas públicas que afetam crianças e famílias • Exemplo: Pesquisas sobre as respostas das crianças em entrevistas auxilia juízes a obterem informações mais precisas de crianças
    6. 6. Motivo 3: Entender a natureza humana • A pesquisa sobre o desenvolvimento humano oferece suporte para algumas das questões mais intrigantes da natureza humana, como por exemplo a existência de aptidões inatas e aprendidas
    7. 7. Genético ou ambiental? Depressão Alcoolismo Felicidade QI Extroversão Alzheimer Peso
    8. 8. Como se garante um crescimento “sadio”? Como se garante um envelhecimento sadio?
    9. 9. O que causa a felicidade?
    10. 10. O que é o amor?
    11. 11. O desenvolvimento... • Ocorre ao longo de toda a vida • Mudanças na vida adulta • É multidimensional • mudanças biológicas, cognitivas, socioemocionais • É multidirecional • Algumas dimensões/componentes aumentam com o crescimento, outras diminuem • É plástico • Em que grau as características podem mudar ou são estáveis • É contextual • Influências datadas (idade/momento histórico/eventos de vida) • É estudado por muitas disciplinas
    12. 12. processos biológicos • mudanças na natureza física • Altura e peso • cérebro • habilidades motoras • capacidade cardiovascular processos cognitivos • mudanças no pensamento e linguagem • Observar o móbile no berço • criar frase de duas palavras • Memorizar um poema • Sonhar em ser estrela de cinema processos socioemocionais • Mudancas nas relações, emoções e persnalidade • Bebê sorri ao toque da mãe • Menino bate no coleguinha • Moça chora ao passar em entrevista de emprego • O afeto entre um casal de idosos
    13. 13. Alguns fundamentos históricos • Tanto Platão quanto Aristóteles entendiam que o bem-estar a longo prazo da sociedade dependiam da criação apropriada dos indivíduos quando criança. • Mas diferiam em suas abordagens.
    14. 14. Fundamentos históricos: Platão e Aristóteles • Platão enfatizava o autocontrole e a disciplina – Aristóteles se preocupava com adequar o cuidado às necessidades da criança • Platão acreditava que a criança nascia com conhecimentos inatos – Aristóteles entendia que o conhecimento viria com a experiência
    15. 15. • Homem jovem: “tem paixões fortes, e tende a buscar suas gratificações indiscriminadamente” • Homem velho: “é cínico... mente pequena, covarde, e sempre antecipa o perigo... ama a vida, e cada vez mais quanto mais se aproxima de seu último dia de vida…”
    16. 16. Fundamentos históricos: Outros filósofos modernos • O filósofo inglês John Locke, assim como Aristóteles, entendia que a criança era como uma tábula rasa. – A educação deveria começar com rígida disciplina e gradualmente oferecer maior liberdade ao indivíduo • O francês Jean-Jacques Rousseau acreditava que os pais e a sociedade deveriam dar à criança o máximo de liberdade possível às crianças desde o início de suas vidas.
    17. 17. Fundamentos históricos: Forças emergentes no séc. XIX • Abordagens de pesquisa – Movimentos de reforma social • Estabeleceram o legado da pesquisa conduzida para o benefício das crianças • Ofereceram as primeiras descrições dos efeitos adversos de ambientes hostis no desenvolvimento infantil – Teoria da Evolução de Darwin • Inspirou pesquisas em desenvolvimento humano para a compreensão da natureza da espécie humana Ambiente indivíduo
    18. 18. Fundamentos históricos: Século XX • Desenvolvimento humano emerge como um campo formal de estudos • Sigmund Freud e John Watson formularam teorias do desenvolvimento neste período
    19. 19. Temáticas em desenvolvimento humano • Inato x aprendido (nature x nurture) • Continuidade x descontinuidade • Mecanismos de mudança desenvolvimental • O contexto sociocultural • Diferenças individuais
    20. 20. Questões básicas de desenvolvimento humano 1.Como natureza e ambiente juntos moldam o desenvolvimento? 2.Em que sentido o desenvolvimento é considerado contínuo, e em que sentido ele é descontínuo? 3.Como ocorre uma mudança? 4.Como o contexto sociocultural influencia o desenvolvimento? 5.Como as crianças podem ser tão diferentes umas das outras?
    21. 21. 1. Inato x aprendido • A questão mais básica desenvolvimental: o desenvolvimento é influenciado primariamente pelo quê? – Inato (natureza): herança biológica, especialmente os genes que herdamos de nossos pais – Ambiente (nutrição): experiências ambientais (ambiente físico ou social)
    22. 22. 1. Inato x aprendido • Entende-se que cada característica que apresentamos é criadapelo trabalho conjunto de genes e ambiente. • Mas como genes e ambiente trabalham juntos para moldar o desenvolvimento?
    23. 23. 2. Desenvolvimento contínuo e descontínuo • Em que medida o desenvolvimento envolve mudanças graduais e cumulativas ou totalmente distintas?
    24. 24. 2. Desenvolvimento contínuo e descontínuo Desenvolvimento contínuo: mudanças ocorrem gradualmente, um somatório Desenvolvimento descontínuo: envolve mudanças ocasionais de modo que pessoas de diferentes idades são “visivelmente” diferentes
    25. 25. 2. Desenvolvimento contínuo e descontínuo  Dependendo de como é vista, mudanças na altura podem ser consideradas contínuas ou descontínuas – Ao examinar a altura de um menino em intervalos de idade desde o nascimento até os 18 anos faz da altura algogradual e contínuo • Ao examinar a quantidade de cm acrescidosna altura do mesmo menino de um ano para o outro faz da altura algo descontínuo
    26. 26. 3. Estabilidade x mudança • O quanto somos produto de nossas experiências anteriores? • Em que ponto nos tornamos diferentes do que éramos? • Em que grau experiências passadas (especialmente a infância) determinam nosso desenvolvimento? – Em que grau somos aquilo que comemos?
    27. 27. 3. Como ocorre uma mudança? • A abordagem evolutiva de Darwin oferece um aporte interessante para pensarmos nos mecanismos que produzem variações no desenvolvimento humano – Variação se refere às diferenças existem entre o pensamento e o comportamento dos indivíduos – Seleção descreve a sobreviência mais frequente e a reprodução de organismos que estão bem adaptados ao ambiente • De modo análogo, variações e seleções psicológicas produzem mudanças ao longo da vida individual
    28. 28. 4. Como o contexto cultural influencia o desenvolvimento?  Contexto Sociocultural: Circunstâncias físicas, sociais, culturais, econômicas e históricas que compõem o ambiente humano  Os contextos de desenvolvimento diferem entre culturas – Exemplo: Famílias maias e ocidentais/europeus apresentam diferentes configurações para o hábito de dormir e as crianças: As crianças maias compartilham a cama com seus pais por muitos anos – A cultura ocidental valoriza a independência e a autoconfiançaand self- reliance, e os maias, a interdependência.
    29. 29. 4. Como o contexto cultural influencia o desenvolvimento? • O desenvolvimento é afetado pelo contexto econômico, sobretudo o desenvolvimento infantil.
    30. 30. 5. Como as crianças podem ser tão diferentes?  Diferenças individuais entre crianças aparecem muito rapidamente no desenvolvimento  Os genes, o tratamento que recebem de outros, suas reações subjetivas à forma com que são tratadas, e suas escolhas de ambiente,tudo contribui para diferenças, mesmo em uma mesma família.
    31. 31. Teorias do desenvolvimento em Psicologia • Teorias behavioristas – Watson, Skinner • Teoria da aprendizagem social – Bandura • Teorias psicodinâmicas – Freud, Erikson • Teorias nativistas – Chomsky • Teorias do desenvolvimento contextual/cultural – Vygotsky • Teorias cognitivas desenvolvimentais – Piaget
    32. 32. Teoria do desenvolvimento cognitivo de Jean Piaget • (1) Introdução geral • (2) Perído sensório-motor • (3) Período pré-operatório • (4) Período Operatório concreto • (5) Período Operatório abstrato
    33. 33. Epistemologia genética: uma teoria construtivista • Nem ideias/aptidões inatas, nem tábula rasa • O mundo não está pronto dentro da pessoa, e não está aguardando pronto a ser descoberto – Construtivismo • A mente se constrói na interação com o ambiente • O real depende do quão desenvolvido está o seu conhecimento
    34. 34. Como Piaget descreve a mudança desenvolvimental? • O desenvolvimento ocorre em estágios, com mudanças qualitativas na organização da cognição • Assim, as crianças não são mais lentas ou menos esclarecidas que os adultos: elas entendem o mundo de uma forma qualitativamente diferente. • Estágios formam uma sequência invariante
    35. 35. Estágios do desenvolvimento cognitivo (1) Perído sensório-motor (0-2 anos) (2) Período pré-operatório (2-7 anos) (3) Período Operatório concreto (7-11 anos) (4) Período Operatório Formal/abstrato (11-16 anos)
    36. 36. O que se desenvolvem? • Estruturas cognitivas: os meios pelos quais a experiência é interpretada e organizada: a realidade é aquilo que você vê. • Inicialmente, as estruturas cognitivas são bastante primitivas e básicas, como os reflexos de sucção e apreensão (os “esquemas”)
    37. 37. Como se desenvolvem? • Acomodação: Incorporar novas experiências a estruturas já existentes (conserva) – Quando ocorre? Quando a mente está em estado de equilíbrio, estruturas estáveis • Assimilação: Mudar estruturas antigas para poder processar novas experiências (progride) – Quando ocorre? Quando uma experiência cria instabilidade • Desenvolvimento ativo
    38. 38. Aplicações • Aprendizagem instrucional é pouco importante • Criança precisa reconstruir o conhecimento. O conhecimento do adulto não pode ser formalmente comunicado à criança • Importância das interações entre pares
    39. 39. I. Período sensório-motor (0-2 anos) • Reflexos motores básicos: sucção,apreensão, movimento dos olhos, orentação para sons • Ao se exercitarem e se coordenarem estes reflexos, a criança desenvolve: – intencionalidade: habilidade de agir orientada a um objetivo (causa e efeito) – permanência de objeto: Entendimento de que os objetos continuam existindo apesar de fora do seu campo de visão (ação x o objeto que sofre a ação)
    40. 40. I. Estágio 1 • Atividade reflexa opera independentemente • Sujeito e objeto fundidos • Esquemas são ativados ao acaso: não há intencionalidade
    41. 41. I. Estágio 2 • Reações circulares – Tentativa e erro resulta em interessantes comportamentos que são então repetidos – Exemplo: sugar o polegar – Conceito de objeto: se ele desaparece, não vai procurá-lo – Intencionalidade (agência): começa a emergir, poiso bebê inicia a prática de alguns esquemas
    42. 42. I. Estágio 3 • Relações circulares mais aprimoradas – Repete ações simples em objetos externos – Bate um brinquedo para fazer barulho – Intencionalidade: “causalidade mágica”: bater acidentalmente o brinquedo faz um barulho interessante! – Conceito de objeto: busca visual por um objeto que desapareceu, mas não procura objetos completamente encobertos
    43. 43. I. Estágio 4 • Coordenação das reações circulares • Combinação de esquemas para criar sequências de ação • Intencionalidade aparece por completo: meios- fins – Bebê puxa toalha para descobrir objeto, ativando novo esquema (agrarrar brinquedo) – Mas o bebê entende que o objeto existeem separado ao esquema que usa para encontrá-lo? • Não. Evidência? Erro A não B.
    44. 44. Tarefa A não-B Tentativa A1
    45. 45. Tarefa A não-B Tentativa A1
    46. 46. Tarefa A não-B Tentativa A1
    47. 47. Tarefa A não-B Tentativa A2
    48. 48. Tarefa A não-B Tentativa A2
    49. 49. Tentativa A2 Tarefa A não-B
    50. 50. Tarefa A não-B Tentativa B
    51. 51. Tarefa A não-B Tentativa B
    52. 52. Tarefa A não-B Tentativa B ??
    53. 53. Tarefa A não-B • A criança continua procurandoo objeto no primeiro local em que foi escondido • O objeto ainda é entendido subjetivamente • O objeto permanece associado ao esquema em que obteve sucesso anteriormente
    54. 54. I. Estágio 5 • Relações circulares terciárias – Variações experimentais – Busca de novidade, novos meios – Limitadas às ações físicas – Já consegue resolver A não-, mas não quando encobertos totalmente (exemplo de Piaget) • Requer que faça cálculo mental da nova localização
    55. 55. I. Estágio 6 • Resolve a busca pelo objeto escondido completamente – Representam o mundo mentalmente, na ausência dos objetos – Entende que o objeto existe independente de suas ações sensório-motoras – Função semiótica: independência dos objetos: combinações mentais para resolver problemas de tentativa-e-erro.
    56. 56. I. Período sensório-motor: resumo • Termina com o surgimento da representação simbólica • Permanência do objeto é compreendida • Habilidades de causa-e-efeito
    57. 57. II. Período pré-operatório • Pensamento simbólico sem operações • Operações: princípios lógicos aplicados a símbolos e não a objetos. – Reversibilidade – Compensação – Identidade • Na ausência de operações o pensamento é regido mais pela aparência do que pela necessidade lógica.
    58. 58. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    59. 59. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    60. 60. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    61. 61. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    62. 62. Pre-operational thinking and problems of conservation
    63. 63. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    64. 64. • Por que a criança do pré-operatório falham nos problemas de conservação? – Porque seu pensamento não é governado pelo princípio da reversibilidade (virar a água no pote pequeno pode ser revertida), compensação (o decréscimo da altura é compensado pela largura), identidade (nenhuma quantidade de líquido fora adicionada ou retirada). Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    65. 65. Consequências do pensamento pré- operatório • Não governado por operações lógicas • Consequentemente, parece egocêntrico e intuitivo (ilógico). – Foco em apenas um aspecto do problema
    66. 66. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    67. 67. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    68. 68. Pensamento pré-operatório e problemas de conservação
    69. 69. III. Período operatório concreto (7-12 anos) • Pensamento qualitativamente diferente nos problemas de conservação • Flexível e descentrado • Coordenação de múltiplas dimensões • Resolução de problemas lógica x empírica • Reversibilidade • Consciência das transformações • Operações físicas foram internalizadas e se tornaram cognitivas, mas a lógica ainda é direcionada aos problemas físicos e concretos
    70. 70. III. Período operatório concreto (7-12 anos) • Sequência invariante ainda é observada, mas as idades variam para a resolução de problemas de conservação
    71. 71. IV. Período operatório formal (12-16 anos) • Operações formais: o pensamento não está mais restrito ao concreto • Direção interna: pensamento se torna o objeto do pensamento • Avanços na lógica indutiva e dedutiva
    72. 72. IV. Período operatório formal (12-16 anos) • Pensamento dedutivo no operatório concreto voltado para experiência diária familiar: • Se o Paulo rouba o brinquedo do João, como o João vai se sentir? • Nas operações formais, o pensamento vai além da experiência, se torna abstrato: • Se pudéssemos eliminar as injustiças, haveria paz no mundo?
    73. 73. IV. Período operatório formal (12-16 anos) • Pensamento indutivo – O pensamento científico: de observações específicas para conclusões gerais através de teste de hipóteses. – Sistematicamente serão testadas todas as possibilidades antes de se chegar a uma conclusão
    74. 74. Avaliando Piaget • Pontos fortes: • visão ativa do indivíduo • Revelou invariantes cognitivas importantes do desenvolvimento • Valorizou o aprendizado perceptual-motor e não a primazia da linguagem • Pontos fracos: • Distinção entre competência e desempenho – Conhecimento (inferido pelo comportamento) x nível de interesse, atenção, motivação, linguagem • Estágios? – Um olhar mais próximo pode revelar mais mudanças contínuas (Siegler, 1988)

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