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JOSÉ DIOGO NOGUEIRAIntrodução      Tantas vezes ouvimos a palavra renascimento que por vezes a desprovemos do seu sentido ...
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A ARTE DO RENASCIMENTO                         ANDREA MANTEGNA:                         Decoração da Câmara dos Esposos (ó...
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A ARTE DO RENASCIMENTO          ANDREA MANTEGNA:  Cristo no Monte das Oliveiras                    Cerca 1460        Têmpe...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRA                 FILLIPO LIPPI:Virgem com o Menino e os anjos                   Cerca 1465        Têmpe...
A ARTE DO RENASCIMENTO   POLLAIUOLO:   Martírio de São Sebastião   1475   Óleo sobre madeira   291,5 x 202,5 cm   National...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRAPIERRO DELLA FRANCESCA:                Natividade                       1470       Óleo sobre madeira  ...
A ARTE DO RENASCIMENTO                CARACTERÍSTICAS DO RENASCIMENTOO MODELO FLORENTINO       Politicamente, o que hoje c...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRAmaneira romana, o que torna Pisanello numa das últimas pontes do gótico cavalheiresco, que faz a transi...
A ARTE DO RENASCIMENTO                             SANDRO BOTTICELLI:                             Retrato de um Jovem     ...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRASANDRO BOTTICELLI:Venus1482Têmpera sobre madeira77 x 147 cmGaleria Sabauda, Turim
A ARTE DO RENASCIMENTOHUMANISMO       O Renascimento italiano é o resultado do chamado Humanismo, que constitui uma das ma...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRAHUMANISMO E ARTE      Os Humanistas são grandes coleccionadores de obras de arte do passado que propõe ...
A ARTE DO RENASCIMENTOI - Geometria e Aritmética     As matemáticas são um elemento comum para as artes e para as ciências...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRA(Capa)DONATELLOO Profeta Abacue1427-1436Mármore: 195 cm de alturaMuseu da Catedral, Florença.
A ARTE DO RENASCIMENTO                                                O URBANISMO       No urbanismo dá-se uma renovação d...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRAdos elementos do mundo antigo, utilizados de um modo livre e pessoal.O Tratado sobre Arquitectura      ...
A ARTE DO RENASCIMENTO                                         AS ARTES FIGURATIVAS      A escultura e a pintura como arte...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRA                                                            ANTÓNIO E PIERRO                           ...
A ARTE DO RENASCIMENTOLeonardo da Vinci       Nenhum outro artista como Leonardo da Vinci recebeu tantos elogios. Pintor, ...
JOSÉ DIOGO NOGUEIRABibliografiaARENAS, José Fernández e TRIADÓ, Juan Ramón, O Despertar do Renascimento, Ediclube, 2007Con...
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História - Arte do Renascimento

  1. 1. A ARTE DO RENASCIMENTO A ARTE DORENASCIMENTO JOSÉ DIOGO NOGUEIRA JUNHO DE 11 ESCOLA EB 2,3 FRANCISCO TORRINHA
  2. 2. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA JOSÉ DIOGO NOGUEIRA A ARTE DORENASCIMENTOTRABALHO REALIZADO NO ÂMBITO DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA, - 8.º ANO, DA ESCOLA EB 2,3 FRANCISCO TORRINHA PORTO ABRIL DE 2011
  3. 3. A ARTE DO RENASCIMENTO As mais lindas palavras de amor, são ditas no silêncio de um olhar. Leonardo da Vinci
  4. 4. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAIntrodução Tantas vezes ouvimos a palavra renascimento que por vezes a desprovemos do seu sentido mais original. Apliquemos então este termo num movimento cultural tão amplo que restaura as bases do classicismo. E apertir dessetermo realizemos este trabalho de modo a conseguir que tudo tenha um sentido lógico dentro dos parâmetros que de nós sãoesperados. Se não analiso uma obra concreta é porque isso estenderia o trabalho por mais umas quantas (muitas) páginas, pois asobras do Renascimento têm na sua generalidade um sentido ambíguo. E assim me proponho a demonstrar este árduo movimento cultural e saciar a minha própria curiosidade relativa aoutros tempos e outras histórias. A meu ver o próprio Renascimento contraria o paradigma da história como uma sucessão de acontecimentos. Espero transmitir a mensagem que pretendo transmitir desde aqui até concluir este trabalho. Abril de 2011
  5. 5. A ARTE DO RENASCIMENTO LUCA DELLA ROBBIA: Cantoría Relevo em mármore 104 x 107 cm em painel completo Pormenor Museu do Duomo, Florença
  6. 6. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA
  7. 7. A ARTE DO RENASCIMENTO ANDREA MANTEGNA: Decoração da Câmara dos Esposos (óculo fingido) 1465-1474 Fresco: 270 cm Palácio Ducal, Mântua.
  8. 8. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA O RENASCIMENTOApós muita ponderação, nos tempos modernos, considera-se que o termo Renascimento para denominar um espaço culturalcomo o século XV não é o mais correcto. Tal acontece igualmente com o Humanismo. Nem mesmo dentro do mesmo a culturaera homogenia, porque a arte não goza desse critério unificador. Também os limites cronológicos se revelam pouco adequados para demarcar a expressão visual dentro dos sistemas de um calendário assinalado por séculos. As ideias, a vida e a arte não nascem com datas do calendário. Isto significa que a utilização termos como Renascimento, Huma- nismo ou Século XV, estão-se apenas a indicar referências históricas que permitem uma melhor análise dos movimentos culturais e artísticos de uma época que também não coincide exactamente com o chamado século XV. O século XV, cultural e artisticamente, nasce após a peste na Europa do ano 1348. esta nova época é marcada pela vida urbana, o aparecimento da burguesia e o sentido laico da vida. Em toda a Europa, esta nova época, vai instalar três elementos. A busca e imitação dos modelos clássicos, gregos e latinos, que aconteceu nos estados ou centros da península italiana, não de seu por igual no resto dos centros europeus. O humanismo no sentido clássico, defendi- do por Petrarca, não se revela na cultura europeia, pelo menos não no século XV, que, nos seus respectivos locais, não sente grande interesse pelo classicismo.VERROCHIO: O esquema hierárquico em que dominam os clérigos é tentadoA Dama do Ramalhete revogar pelo desenvolvimento da vida nas cidades, a direcção e o domí-Cerca de 1478 nio da vida económica e social dos burgueses. Fomenta-se assim umMármore: 58 cm de alturaMuseu Bargello, Florença processo de civilização em todos os aspectos, sociais, económicos, polí- ticos e artísticos. O gosto pela vida, a disponibilidade económica e a ânsia de prazer, despertam a encomenda, o mecenato, os investi-mentos em acções e iniciativas artísticas. A burguesia ostenta assim o seu papel político, ideológico e social, contagiando até,por vezes, a própria Igreja. Nasce um novo conceito urbanístico, e o palácio, tal como a Igreja, organiza o espaço urbano, e nascem, sobretudo oquadro e escultura como objectos de adorno, de comunicação e de luxo. Também os tapetes, a ourivesaria, os vitrais e as
  9. 9. A ARTE DO RENASCIMENTOdemais artes igualmente assumem esta nova função. A produção artística torna-se, como actualmente a produção industrial ou técnica, um espécie de concorrência entre asdiferentes cortes europeias ou centros de produção. SANDRO BOTTICELLI: Palas e o Centauro Cerca de 1478 Têmpera sobre madeira 148x207 cm Uffizi, Florença
  10. 10. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAPraça da Santíssima AnuziataSéculo XVFlorença
  11. 11. A ARTE DO RENASCIMENTO ANDREA MANTEGNA: Cristo no Monte das Oliveiras Cerca 1460 Têmpera sobre madeira 62,9 x 80 cm National Gallery, Londres Começam a surgir os artistas, criadores independentes, que abrem a sua própria oficina, libertando-se da estru-tura rígida da Idade Média, actuando até, por vezes, como empresários a partir do século XV. A arte passa a estar dependente de um novo sistema de trabalhos e técnicas produtivas. O predomínio da pintura a óleosobre o fresco explica um produção de quadros, temas e formas que dependem da nova técnica iniciada no século XV. Os sistemas de representação deste tempo podem-se contrapor em duas principais tendências: a italiana e a flamenga. Tratam-se de duas metodologias por vias diferentes para chegar a um mesmo fim: a realidade como um objecto figurá-vel, contrapondo-se à realidade imaginada da representação gótica. Os italianos conseguiram-no através de uma racionalização matemática, medida do espaço ocupado pelos objectos,sobre parede ou madeiras, em fresco ou à têmpera; os flamengos, por uma visualização influenciada pela sensibilidade dascoisas representadas com tanta precisão quanto lhes permite a nova técnica do pigmento aglutinado com óleo, sobre umsuporte móvel em madeira ou tela. O italiano presta mais atenção ao espaço medido, racionalizado, onde se situam os objectos, do que a estes; o flamengoconcede mais importância aos objectos e a cada uma das partes do conjunto em que se situam. O italiano vê a realidade atra-vés de uma janela, o flamengo através de uma lupa. Porém permanecem em países como a Alemanha, Espanha e Inglaterra, goticismos não apenas durante o século XV,como também durante o século XVI, por mérito próprio, por inércia ou por referência histórica a uma tradição que se identificacom a ideologia cristã.
  12. 12. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA FILLIPO LIPPI:Virgem com o Menino e os anjos Cerca 1465 Têmpera sobre madeira 95 x 62 cm Uffizi, Florença
  13. 13. A ARTE DO RENASCIMENTO POLLAIUOLO: Martírio de São Sebastião 1475 Óleo sobre madeira 291,5 x 202,5 cm National Gallery, Londres
  14. 14. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAPIERRO DELLA FRANCESCA: Natividade 1470 Óleo sobre madeira 122,6 x 124,4 cm National Gallery, Londres
  15. 15. A ARTE DO RENASCIMENTO CARACTERÍSTICAS DO RENASCIMENTOO MODELO FLORENTINO Politicamente, o que hoje conhecemos como República Italiana e que é o resultado da união conseguida no século XIX,era no século XV uma série de estados ou repúblicas independentes governados por clãs familiares que exerciam o seu podernuma cidade que dava o nome ao Estado respectivo. De todos os mais importantes eram Florença, Veneza, Milão, Nápoles e osEstados Pontifícios. Estes estados mais poderosos e, sobretudo, as monarquias exteriores, como o Sacro Império, França e Espanha, tentamimpor as suas pretensões de domínio sobre os estados mais pequenos, mantendo uma série de campanhas bélicas durante umlongo período. Carlos V, nos princípios do século XVI, consegue de alguma forma impor a sua autoridade imperial sobre Roma eFlorença, já que Nápoles depende do reino de Aragão, pelo que os Habsburgo mantêm uma hegemonia política. No entanto, as repúblicas italianas não renunciam ao seu carácter cultural de origem romana e o romantismo será umdos mais importantes elementos de união e também um dos pontos de partida para a renovação das artes e da cultura, compressupostos ancorados na imitação do seu passado histórico: a antiguidade. Estas razões históricas não têm a mesma forçanos restantes países da Europa no século XV. As diversas repúblicas italianas mantêm relações culturais diferentes com os outros países: as do Norte, com França eAlemanha; Veneza com o Oriente, devido aos seus contactos comerciais; as do sul, com o Mediterrâneo oriental e Espanha, eas do centro, Florença, Roma, Siena, Ferrara e Urbino mostram um comportamento mais autónomo, o que permitirá umareflexão teórica sobre o humanismo e os modelos da antiguidade. Florença será o centro, dirigido por uma crescente burguesia enriquecida pelo comércio e artesanato, sob a protecçãode alguns príncipes, como os Médicis, que patrocinam a criação de múltiplas obras de arquitectura, escultura e pintura. Pretendiam romper com os modelos medievais, que, por outro lado, nunca tinham tido muita aceitação nos centros deprodução italianos da Idade Média. A Florença cabe a sorte de ter rompido com os modelos figurativos do mundo medieval em dois momentos diferentes.Primeiro, com Giotto e Nicola Pisano e, em segundo lugar, com Ghiberti e Masaccio, separados por quase um século no desen-volvimento das actividades respectivas. Giotto e os Pisano avançam até fórmulas diferentes, inovadoras. As figuras adquirem monumentalidade, movimento evida em todo o corpo, relacionando-se entre si e movem-se num espaço ou paisagem que serve como cenário. Mas é especialmente Pisanello, colaborador de Gentille, que com o seu pincel desenha animais e pessoas tirados darealidade, primeira tentativa de aproximação à realidade vista, não imaginada. No entanto, é sobretudo o seu relacionamentocom os grandes príncipes do momento, a quem dedica medalhas de corte clássico, com retratos de perfil exactos e letras à
  16. 16. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAmaneira romana, o que torna Pisanello numa das últimas pontes do gótico cavalheiresco, que faz a transição para o modeloflorentino. É claro que não se passa de um modelo para o outro sem uma teoria prévia. A teorização da arte pertence nestemomento ao que chamamos Humanismo, que fomenta o interesse pelo mundo antigo e desperta reflexões sobre a arte,pelo que a arte florentina possui características especiais. DESIDERIO DA SETTIGNANO: Madona PanciatichI 1455-1460 Mármore: 47 cm Museu Bargello, Florença
  17. 17. A ARTE DO RENASCIMENTO SANDRO BOTTICELLI: Retrato de um Jovem 1482 Têmpera sobre madeira 28,3 x 37,5cm National Gallery, Londres
  18. 18. JOSÉ DIOGO NOGUEIRASANDRO BOTTICELLI:Venus1482Têmpera sobre madeira77 x 147 cmGaleria Sabauda, Turim
  19. 19. A ARTE DO RENASCIMENTOHUMANISMO O Renascimento italiano é o resultado do chamado Humanismo, que constitui uma das mais importantes componentesda arte e da cultura do mundo moderno. Petrarca formula e concebe esta teoria, diferente da existente até àquele momento. A seu ver a idade romana era umaépoca de esplendor e de luz enquanto a idade cristã era de obscuridade e trevas. Começava então uma nova idade que restau-rava a luz. Põe-se o homem como o centro de interesse, daí o nome Humanismo. O seu discípulo, Boccaccio, aplica a teoria histórica de Petrarca à renovação pictórica de Giotto e à aspiração de que ospoetas e os pintores gozem da mesma liberdade, fazendo do pintor florentino uma das luminárias desta nova época. Para talserve-se da expressão elogiosa que Dante fez de Giotto. Com isto tinha-se conseguido a expansão gradual do conceito humanista da literatura e da história até à pintura, e des-ta às outras artes, e das artes às ciências naturais. Este conceito de humanismo não aparece nos outros países do mesmo modo que em Florença ou em Roma. A relaçãocom o clássico é diferente em cada país ao longo do mundo moderno. AGOSTINO DI DUCCIO: Relevo do Arco da Fachada do Oratório de São Bernardino 1457-1461 Perúgia
  20. 20. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAHUMANISMO E ARTE Os Humanistas são grandes coleccionadores de obras de arte do passado que propõe como modelos a imitar. Cada peçaera como uma relíquia do passado. Este gosto provocou o coleccionismo e museologia, que poderemos classificar em três classes: I. Museus naturais (ruínas) II. Museus privados (palácios, estúdios, conventos) III. Museus de ideias (descrições, listas, desenhos, etc.) Os Humanistas têm influência nas artes: trazendo temas da literatura; acentuando o sentido de exaltação do homem;originando o elitismo tanto do artista como do consumidor e patrono e aumento da consideração do objecto artístico em sipróprio, com consequências no modo de encarar a produção artística nos séculos seguintes. Assim: a. assinam-se as obras de arte; b. as encomendas deixam-se ou discutem-se com o patrono; c. dá-se preferência à ideia sobre a técnica; d. a obra adquire um valor subjectivo, a autoria; e. a obra é considerada um exercício prático do pensamento e da acção, considerando igualmente que a ciência é igual à arte e à técnica; f. Começam a escrever-se as vidas dos artistas, que são apresentados como vidas exemplares. Todos estes ingredientes, que determinam a criação de uma nova linguagem visual durante o século XV, poderão tam-bém ser considerados como característicos do mundo moderno, que tem a sua origem no Humanismo renascentista.A ARTE CONSIDERADA CIÊNCIA Uma das características mais destacadas do século XV é a intelectualização da prática artística. De artesãos, os artistaspassaram a ser trabalhadores intelectuais livres. Esta intelectualização e maneira de trabalhar manifestam-se em certos factos, assim: I. Substituição do mestre artesão pelo modelo da natureza. II. O ensino é organizado em oficinas, que se vão desenvolvendo até à posterior abertura e institucionaliza- ção das academias. III. À prática acrescenta-se a teoria e o conhecimento de certas ciências. Inicia-se a reflexão sobre a arte, com o mundo moderno. Se algo diferencia a arte do mundo moderno a partir do século XV até ao século XX é a utilização de certa ciências naprática artística; ciências como a Geometria e a Aritmética ou a Anatomia e também a utilização de paisagens.Inicia-se a reflexão sobre a arte, com o mundo moderno. Se algo diferencia a arte do mundo moderno a partir do século XV até ao século XX é a utilização de certa ciências naprática artística; ciências como a Geometria e a Aritmética ou a Anatomia e também a utilização de paisagens
  21. 21. A ARTE DO RENASCIMENTOI - Geometria e Aritmética As matemáticas são um elemento comum para as artes e para as ciências. A proporção e a perspectiva baseiam-se nageometria, óptica e aritmética. Pelo que se pode falar de uma estética matemática utilizada nas artes.II - Anatomia A ideia de beleza nasce com a exploração da natureza. A obra mais perfeita da natureza é o homem. Por isso o corpohumano converte-se no modelo orgânico das proporções.III - Paisagem Como cenário onde evolui o homem, estabeleceu-se a paisagem simbólica ou real. Este facto dará origem ao géneropaisagístico, tão cultivador na época moderna, ao jardim na arquitectura, às pinturas representando comestíveis e às naturezasmortas, como cenário de festa e adorno de habitações.A ENCOMENDA E O MECENATO Sempre existiu um patrocínio ou apoio económico para que possam criar-se obras de arte. Mas no século XV esta rela-ção altera-se, não se trata de financiar iniciáticas artísticas destinadas a uma função pública, religiosa ou política.A ENCOMENDA E O MECENATO Sempre existiu um patrocínio ou apoio económico para que possam criar-se obras de arte. No entanto, no século XV,não se trata de financiar iniciativas públicas, mas sim de financiar alguma coisa para a seu próprio prestígio e glória. O mecenas e a sua família transformam-se, nas peças, nos protagonistas. Os programas artísticos deixam de ser monopolizados pela Igreja, aparecendo o encomendador ou mecenas que pre-tende demonstrar a sua posição social e cultural por meio da arte. É um lux, mas o luxo está vinculado à burguesia e ao capitalismo moderno, sendo que as grandes famílias competempara conseguir o mais importante papel. A arte torna-se numa arma, numa estratégia política. Criando rivalidade entre as grandes cortes europeias, utilizando osserviços dos melhores artistas, estivessem onde estivessem. Cria-se ainda um novo sistema de mercado: 1. Sistema de contratação permanente, criando empregos como pintor da corte, pintor do rei, etc. 2. Sistema de patrocínio com compromissos escritos. O Renascimento é um renascimento da antiguidade, no que respeita a formas e temas.
  22. 22. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA(Capa)DONATELLOO Profeta Abacue1427-1436Mármore: 195 cm de alturaMuseu da Catedral, Florença.
  23. 23. A ARTE DO RENASCIMENTO O URBANISMO No urbanismo dá-se uma renovação da cidade ou do cenário onde vive. Nunca antes se vira uma paixão pela teorizaçãoarquitectónica como durante o século XV. Utilizam-se as leis matemáticas de cálculo e projecto. Os edifícios criam-se com fachadas viradas para a rua ou para a praça, havendo uma imensa preocupação com a localiza-ção, o clima, a água, a defesa, as vias de comunicação, a planificação das ruas, largas para o trânsito de carruagens, mas nãodemasiado largas por causa do calor, com os edifícios simetricamente ordenados ao longo da rua e desde um ponto de referên-cia: a praça. Os edifícios são, essencialmente, públicos, para os serviços religiosos administrativos e hospitalares ou docentes; edifí-cios para os cidadãos nobres, e edifícios para o povo, que vivia em casas mais simples e humildes. A isto dá-se o nome de novo sistema urbanístico. No entanto, as cidades renascentistas são, também medievais, rodeadas de muralhas. A cidade teórica do século XV é, em todo o caso, uma cidade pen- sada. A Arte do Renascimento diferencia-se da Arte Medieval em espe- cial nas formas arquitectónicas, tão características e demarcadas. A parede renascentista mostra a sua superfície de adorno, inclusive quando é revestida de mármore de cores, como na Toscana. As janelas abrem-se na parede conservando no início os arcos e colunas centrais, mas passando a ser composta por duas colunas ou pilastras e frontão triangular ou redondo. As coberturas ou tectos são de madeira, com caixotões e com abó- badas de arestas ou semicirculares. As cúpulas gigantescas elevam-se sobre um tambor , com clarabóia e quase sempre sobre triângulos curvilí- neos na base interna. FILARETE A Cidade Ideal Os elementos construtivos aparecem como um quadro. A cobertura de mármores de cores reafirma este carácter visual, a ornamentação comfrisos, as pilastras e posteriormente a decoração com grotescos.A Cúpula de Santa Maria dei Fiore Brunelleschi projectou a cúpula da catedral florentina de Santa Maria dei Fiore. Era necessário cobrir um espaço de41,50m de diâmetro sobre um tambor, na igreja de Arnolfo di Cambio, sem colocar cimbres desde o chão, madeiramento cus-toso e complicado. Utilizam-se, por isso, tijolos em forma de peixe, já utilizado pelos romanos. Na parte superior a clarabóia, primeira construção redonda do Renascimento, centraliza o ponto de fuga como se tratas-se de uma construção em perspectiva.O Hospital dos Inocentes Uma obra também arquitectada por Brunelleschi. Define-se nesta obra um claro abandono das formas góticas a favor
  24. 24. JOSÉ DIOGO NOGUEIRAdos elementos do mundo antigo, utilizados de um modo livre e pessoal.O Tratado sobre Arquitectura O Tratado sobre Arquitectura, uma obra dividida em 10 livros, escrito entre 1443 e 1452 por Albertini, não conseguiulogo de inicio o êxito que merecia porque, estando escrito em latim, não atingia directamente os arquitectos e construtores,que não entendiam aquela língua. Os arquitectos do século XV dificilmente poderiam compreender que, como disse Albertini, Arquitecto é aquele que,com método e um procedimento seguro e perfeito, saiba projectar racionalmente e realizar na prática, mediante a distribuiçãode esforços e a acumulação e conjunção dos corpos, obras que satisfaçam perfeitamente as necessidades humanas mais impor-tantes. Para esse fim, é necessário o conhecimento e o domínio das melhores e mais nobres disciplinas. Assim deverá ser oarquitecto.O PALÁCIO COMO UMA EXPRESSÃO DE PODER Os palácios são a síntese de toda a arquitectura civil do século XV. Inclusivamente, os outros temas arquitectónicos sãoplaneados e concebidos como se fossem um palácio: o claustro religioso, o hospital, a universidade, etc. O palácio, não surge na nobreza, mas sim na burguesia. Ao castelo isolado, com torres e defensivo, sucede o paláciourbano, organizando as ruas e praças, pelo menos, em teoria. O palácio é a vivenda civil que identificará a família que o habita,de grande tamanho, de forma simétrica, com andares marcadamente diferenciados, janelas alinhadas tanto na vertical, comona horizontal, sem um ponto de referência determinado na fachada, e onde a porta só mais tarde será um ornamento dafachada. Nos finais do século, a porta é já usada como ornamento da fachada, com pilastras ou colunas e um frontão, criando umeixo. O palácio destaca-se pela monumentalidade desejada por parte do seu patrono.A decoração Utiliza-se a pintura, escultura, tapeçaria, ourivesaria, marcenaria, trabalhos em gesso, cerâmica, etc. O homem importante compra ou encomenda obras de arte para o seu próprio prazer, tornando-se coleccionador dearte, dando mais tarde origem aos museus. Ganham lugar os temas históricos, como tipos ou modelos de comportamento ético e real: personagens ilustres, reis,imperadores, santos ou doutores e guerreiros. Ganham ainda terreno os temas relativos à história própria, como ponte dereferência: retratos, feitos bélicos, etc. O palácio honra a burguesia, a aristocracia ou a monarquia, adquirindo assim um sentido histórico.A FESTA A festa ou celebração utiliza a música, o teatro, a gastronomia e a dança. As celebrações festivas, os carnavais, as pro-cissões, as festas da primavera e os recebimentos reais ou entradas triunfais das personalidades nas cidades eram muito recor-rentes no século XV. Estas entradas e festas eram um feito clássico do mundo romano. Tornam-se um pretexto para decorar as praças, ruas , igrejas e palácios, com arcos triunfais, cartazes, arquitectura demadeira e telas e cartões.
  25. 25. A ARTE DO RENASCIMENTO AS ARTES FIGURATIVAS A escultura e a pintura como artes figurativas têm a capacidade para representar e comunicar mais imediata: são omeio para representar o mundo das mentalidades da época. A prática artesanal ou artística desenvolve-se sob a protecção do mecenato, que encomenda e paga as obras, sob con-tratos rigorosos. Neles são especificadas as condições do trabalho, medidas, materiais, preços, etc.ESCULTURA Utilizam-se principalmente o mármore, a pedra e o bronze, assim como a madeira, ou ainda o gesso, os metais e as ter-racotas policromadas, aplicadas em relevos, estátuas de vulto redondo, bustos, molduras ou medalhões e medalhas. Baseiam-se em histórias, lendas, mitologias ou monumentos pessoais, como retratos. A preocupação da representação tridimensionalou perspectiva nos relevos é constante, assim como, as medidas e proporções. O movimento e o nu são uma constante estéti-ca, sobretudo durante a segunda metade do século. O relevo torna-se parte integrante da cena. As figuras são dispostas em profundidade, tratadas de corpo inteiro, comose víssemos a realidade através de uma janela. As figuras passam a ocupar planos próximos ou afastados relativamente ao observador, ordenando o espaço artificial-mente, com figuras mais pequenas ou maiores, mais próximas ou mais afastadas, para representar o que vê o olho humano, arealidade vista, não a realidade representada.O sepulcro Um dos programas escultóricos mais importantes desde o século XV é a decoração dos sepulcros. O sepulcro tumular tem os lados verticais, enquanto o sepulcro parietal apresenta a forma de retá- bulo . A Medalhística No mundo antigo a medalhística era muito importante. Utiliza-se o baixo-relevo para representar os grandes personagens nas moedas, medalhas comemora- tivas ou placas.JACOPO DELLA QUERCIA: PINTURAFonte Gaia A Encomenda1408-1420Mármore Os contractos desta época exigem um desenhoPiazza del campo prévio, demarcando aspectos essenciais como a autoriaSiena do trabalho como elemento diferenciador de outros trabalhos.
  26. 26. JOSÉ DIOGO NOGUEIRA ANTÓNIO E PIERRO POLLAIOLO Sepulcro de Sisto IV (pormenores) 1493-1495 Bronze Museu do Tesouro, A obra de arte pintada, é uma narração, uma história, uma acção verdadeira, histórica ou de fé, porque a pintura é umaarte que serve para visualizar o mundo mental. Instaura-se no Renascimento a pintura em que os personagens se movem num espaço representado que pode ser real econcreto, mensurável e tridimensional: paisagem, arquitectura urbana, etc. Não é abstracto, de outro, como na Idade Média. O que se pretende representar pode ser diferente do que se represente. Inicia-se a utilização de uma maneira sistemática de pintura com azeita: a chamada pintura a óleo, introduzida pelosFlamengos, que possibilitava um melhor transporte das obras, pois podiam ser enroladas. Representa-se muito a natureza tal como é vista pelos olhos humanos. A perspectiva É um fenómeno luminoso, que utiliza uma pirâmide visual ou feixes de raios luminosos que convergem no olho. Pensa-se que Brunelleschi tenha sido o seu inventor, pondo em prática o aumento e diminuição das figuras sendo dife-rentes distâncias das mesmas relativamente ao espectador, e para isso construiu umas tábuas especiais. O quadro torna-senum corte visual. Leonardo corrige e precisa algo mais: que a pintura deve responder a uma ciência total da visão e, por conseguinte, exis-te uma perspectiva de proporções decrescentes, uma intensidade decrescente das cores e da luz. As ilusões visuais e o esfuma-do dos objectos são por isso essenciais para controlar e representar o tamanho e a distância dos objectos, e a composição doquadro depende de uma percepção total da realidade, que são formas, tamanhos, luz e cor. Pinta-se um espaço tridimensional com medidas, escalas e referências humanas aplicáveis à pintura, escultura e à arqui-tectura. Há uma crescente preocupação com a anatomia e o movimento das figuras representadas.Boticelli Boticelli investigou a luz, a perspectiva. Não utiliza planos e volumes e desenha figuras de aspecto melancólico.
  27. 27. A ARTE DO RENASCIMENTOLeonardo da Vinci Nenhum outro artista como Leonardo da Vinci recebeu tantos elogios. Pintor, engenheiro, escultor, arquitecto, cartó-grafo, um perito nos mistérios da natureza observada, desenhada e reconstruída. Utiliza técnicas como o sfumato e jogo de luzes no espaço atmosférico. Sem elas não existiria o sorriso da Gioconda,nem a serenidade de Anunciação.
  28. 28. JOSÉ DIOGO NOGUEIRABibliografiaARENAS, José Fernández e TRIADÓ, Juan Ramón, O Despertar do Renascimento, Ediclube, 2007Conclusão Depois de toda a viagem por um século demarcado pela mudança artística chego ao final satisfeito com o resultado. Ajudou-me o facto de ter encontrado um livro que correspondeu às minhas expectativas, demonstrando-me uma novaperspectiva do renascimento e ao mesmo tempo complementarizando a minha opinião prévia. Nada disto poderia ser possívelse não fosse graças a esse meu companheiro livro que me acompanhou durante esta viagem pelo Renascimento, pelo reconhe-cimento da antiguidade. E a cada palavra há uma novidade. Há algo que não sabia. Pretendia igualmente resistir ao hábito de introduzir uma imagem de Gioconda. A meu ver o Renascimento não gira emvolta de Leonardo da Vinci embora este tenha sido um grande protagonista deste movimento cultural. E assim termino, agradecendo a oportunidade de descobrir mais e protagonizar, também eu, um pedaço desta tãoextensa cultura.

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