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Animais insetívoros: anfíbios (sapo, rã, etc.), aves (anu, pica-pau,
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Pesquisa em laboratório
Quarentena
Avaliação após a colonização
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3. Formação de grampo de penetração: saliência formada na parte
inferior dos apressório...
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FIGURA 8 - ESQUEMA DE ESPORÂNGIO DE Bacillus thuringiensis, CONTENDO O EXOSPÓRIO
(EX), ...
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lesões e alterações histológicas nas células epiteliais do intestino médio;
turgidez da...
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Há mais de 700 viroses infectando diversas ordens de insetos e
ácaros. Todavia, não são...
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D) Emprego de vírus no controle de pragas
Embora, um grande número de espécies de vírus...
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No manejo integrado, ou seja, associações de vírus com outros
grupos de patógenos, pató...
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  1. 1. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 1 PARTE II - MÉTODOS DE CONTROLE DE PRAGAS FLORESTAIS (MCPF) 1 - INTRODUÇÃO Quando as populações de insetos atingem o nível de dano econômico (ND), faz-se necessário que medidas de controle sejam tomadas, para diminuir a população a um nível mais baixo. Quando isso ocorre, a espécie praga torna-se um “alvo” a ser atingido e estratégias devem ser tomadas, objetivando-se um mínimo de custo com um máximo de eficiência aliados a um menor impacto ambiental. Os métodos de controle de pragas, basicamente, podem ser classificados em: NATURAL CONTROLE INDIRETO APLICADO DIRETO 2 - CONTROLE NATURAL É o controle que ocorre na natureza, ou seja, a ação de fatores bióticos e abióticos sobre as populações de plantas e animais de um ecossistema, mantendo o equilíbrio biológico. Não há a intervenção do homem para a realização desse tipo de controle. O controle natural apresenta uma atuação quase imperceptível, impedindo o aparecimento de grandes populações de insetos e algumas vezes apresenta atuação rápida. 3 - CONTROLE APLICADO INDIRETO OU PREVENTIVO (CI) Emprega todas as medidas do manejo florestal com o propósito de prevenir danos provocados por insetos, trata-se , portanto, de ações com caráter preventivo muito empregados no setor florestal. O controle indireto é, basicamente, fundamentado em: PRÁTICAS SILVICULTURAIS ROTINEIRAS DO MANEJO FLORESTAL CI MODIFICAÇÕES NAS CONDIÇÕES NUTRICIONAIS E FÍSICAS 3.1 - PRÁTICAS SILVICULTURAIS
  2. 2. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 2 Diversas práticas silviculturais podem ser empregadas como técnicas preventivas ao surgimento de pragas, porém as mais adotadas são: A - Plantios com idades diferentes: é sabido que determinadas espécies de insetos atacam as espécies florestais em determinadas fases do seu desenvolvimento, portanto se o plantio apresentar diferentes idades diminui a chance de que o ataque seja extensivo a todo plantio. B - Imitar planos naturais: em florestas nativas não ocorrem desequilíbrios biológicos e muitos aspectos contribuem para isso, dessa forma a interpretação da natureza é fundamental para o sucesso de um plantio florestal, principalmente, quando se tratar de plantios com espécies florestais nativas. C - Formação de povoamentos florestais mistos: essa técnica adota como base o princípio da ecologia, onde quanto maior o número de espécies em um local maior será o equilíbrio biológico entre elas. Um reflorestamento de espécies mistas apresentará menos problemas com pragas do que um reflorestamento com poucas espécies ou até mesmo uma única espécie florestal. D - Regulação da densidade: prática rotineira na condução de povoamentos florestais, trata-se de prática preventiva muito importante, pois na retirada dos indivíduos selecionados devem ser retirados, também, os indivíduos atacados por pragas. Essa técnica exige a presença de indivíduo que possua bons conhecimentos de Entomologia Florestal, a fim de serem reconhecidas as plantas comprometidas pelo ataque de insetos. E - Presença de sub-bosque: trata-se de uma técnica preventiva que vem sendo adotada por diversas empresas de reflorestamento em nosso país. Na realidade procura-se aumentar o numero de espécies vegetais e animais em um local, buscando-se maior equilíbrio biológico, sendo na verdade uma técnica que adota o mesmo princípio ecológico do plantio misto, porém de forma mais rica em variedades de espécies. A presença de sub-bosque possibilita florada durante o ano todo, trazendo condições de sobrevivência aos polinizadores e inimigos naturais que tenham o néctar como fonte alimentar, pelo menos em determinada fase de sua vida, como exemplo, de alguns predadores e parasitóides, cujos adultos necessitam de néctar para se alimentarem. F - Material de boa procedência: sementes com certificado de procedência, testes de germinação, pureza, etc. trazem resultados significativos aos plantios, pois sementes originárias de material florestal conhecido e trabalhado podem resultar em indivíduos mais vigorosos aos ataques de pragas. G - Preservação de faixas de matas nativas: preservação de matas ripárias, de terrenos acidentados, de abrigo de fauna, de vales, etc. contribui muito para diminuição das populações de insetos pragas, por se constituírem em verdadeiros “laboratórios naturais de criação de inimigos naturais”, possibilitando a migração deles para as áreas de povoamentos artificiais. H - Local adequado para plantio: as espécies florestais têm suas exigências de solo e clima e quando não obedecidas podem trazer sérios problemas com pragas, como exemplo de espécies florestais que não suportam déficit hídrico e são plantadas em locais com essa característica, fatalmente, irá ter problemas com diferentes tipos de pragas. Em certos casos chega ao comprometimento do plantio. 3.2 - MODIFICAÇÕES NAS CONDIÇÕES NUTRICIONAIS E FÍSICAS
  3. 3. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 3 Adotam técnicas fundamentadas em barreiras e restrições quanto à alimentação. Geralmente, aplicadas à madeira cortada ou trabalhada, como: A - Uso de barreiras físicas ou químicas para impedir a alimentação: revestimento fórmico, películas protetoras como vernizes, tintas ou resinas oriundas de árvores, bem como o tratamento com preservativos químicos, inseticidas, etc. formam barreiras que impedem a alimentação de inúmeros insetos que atacam a madeira. B - Redução na quantidade de alimento: a madeira cortada deve ser retirada o mais rápido possível do campo e dos pátios e em alguns casos descascadas, a fim de ser evitado o ataque por coleobrocas. O planejamento inadequado ou não realizado pode provocar sérios prejuízos econômicos à madeira deixada a espera de sua utilização. 3.3 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONTROLE INDIRETO A - Vantagens: Pode ser o único método que dá proteção adequada; Traz resultados duradouros; Algumas vezes apresenta um custo mais baixo; Pode ser incorporado às práticas silviculturais B - Desvantagens: Pode requerer medidas drásticas; Não soluciona todos os casos; Alguns métodos dão resultados a longo prazo. 4 - MÉTODOS DE CONTROLE DIRETO OU CURATIVOS (CD) Fundamenta-se em medidas supressivas, ou seja, de ação rápida de diminuição das populações de insetos que estejam trazendo danos econômicos. Devem ser adotados quando as medidas do controle indireto não surtiram efeito. Nesse item serão abordados os principais métodos adotados no campo da Entomologia Florestal, como: métodos legislativos, culturais, mecânicos, físicos, químicos, biológicos, resistência de plantas aos insetos e comportamental. 4.1 - MÉTODOS LEGISLATIVOS Baseados em leis e portarias estaduais e federais, como: A) Serviço quarentenário: serviços prestados em portos, aeroportos e fronteiras com os objetivos de evitar a entrada e saída de vegetais com insetos nocivos ou mesmo transporte de insetos nocivos, bem como tratar e destruir os vegetais atacados de acordo com a necessidade. B) Medidas obrigatórias de controle: leis que obrigam o controle de pragas de reconhecida importância econômica para uma região. Poucas leis existem em nosso país com esse propósito.
  4. 4. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 4 C) Fiscalização do comércio de agrotóxicos: visam evitar fraudes em formulações de agrotóxicos e estabelecer limites de tolerância de resíduos de agrotóxicos em alimentos e no ambiente. 4.2 - MÉTODOS MECÂNICOS Baseados em medidas mecânicas como catação manual de insetos, formação de barreiras e uso de armadilhas. Exemplos: catação de lagartas em mudas de viveiros florestais; construção de barreiras ou valetas contra surtos de gafanhotos; uso de armadilhas como o frasco caça mosca para moscas das frutas, armadilhas etanólicas para coleta de coleobrocas, etc. Os métodos mecânicos apresentam vantagens quando se trata de pequenas áreas e em regiões com abundância de mão de obra barata e não especializada. São métodos encontrados em regiões muito pobres, tendo seu uso restrito somente para pequenas áreas e mesmo assim com baixa eficiência. 4.3 - MÉTODOS CULTURAIS Baseados em práticas culturais ou silviculturais, só que agora com caráter curativo e não preventivo. Esse método exige conhecimentos de biologia e ecologia da praga. Exemplos: A) Aração do solo: promove a destruição de lagartas e pupas pela exposição aos raios solares após a aração; B) Destruição de restos de cultura: eliminando tecidos vegetais que possam conter a praga em qualquer estágio do seu desenvolvimento; C) Poda: destruição de ramos atacados por coleobrocas, lepidobrocas, cochonilhas, etc. em plantios pequenos ou em árvores da área urbana. D) Adubação e irrigação: adubação quando de forma equilibrada proporciona maior resistência ao vegetal, porém, quando com excesso de nitrogênio aumenta as populações de lagartas e de homópteros (pulgões, cochonilhas, etc.). A adubação orgânica é recomendável por propiciar um maior equilíbrio nutricional e liberação gradativa dos nutrientes. A irrigação por aspersão diminui as populações de pulgões, cochonilhas, trips, etc.; o excesso de água na planta pode favorecer o ataque de insetos sugadores. 4.4 - MÉTODOS FÍSICOS Baseados em processos físicos, como: fogo, drenagem, inundação, temperatura, luz, etc. O fogo é uma técnica pouco recomendável para o controle de pragas em florestas, principalmente, pelo fato de que após a sua utilização surgem problemas com coleobrocas, pois a casca das árvores sofre rachaduras pela ação do calor, acarretando em fermentação com produção de metanol (atraente de coleobrocas). Esse método só deve ser empregado como último recurso e para insetos, cujo comportamento permita sofrer a ação do fogo, ou seja, insetos de solo (superfície), lagartas da mariposa violácea, Sarsina violascens, as quais durante o dia permanecem agrupadas no fuste das árvores. A drenagem e a inundação são técnicas empregadas em determinadas situações. A inundação pode ser empregada para pragas de viveiros
  5. 5. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 5 florestais, cujos insetos vivam no solo. A drenagem é recomendada para áreas alagadiças com problemas de insetos aquáticos. A temperatura elevada ou baixa pode ser empregadas nos processos de secagem de madeira ou na armazenagem de sementes, respectivamente. A luz pode ser empregada através das armadilhas luminosas, objetivando a atração e coleta de insetos. Os modelos de armadilhas luminosas são diversos, podendo-se destacar a armadilha modelo “Luiz de Queiroz” e as de eletrocussão, sendo esta última empregadas em uso doméstico ou comercial. As armadilhas luminosas são de grande importância para a Entomologia Florestal, pois através desses instrumentos pode-se realizar tarefas como: estudos ecológicos; monitoramento de pragas; determinação da flutuação populacional de pragas; controle de pragas. As armadilhas luminosas não poluem o ambiente e não promovem desequilíbrios biológicos, mas requerem energia elétrica (fator limitante na zona rural) e número elevado para se ter eficiência no controle de pragas, além de estarem sujeitas aos danos produzidos pelo clima e vandalismo. O princípio de funcionamento é bastante simples, atraindo insetos fototrópicos positivos pela luz emitida da lâmpada (ultravioleta ou luz do dia), em seguida descem por funil caindo em recipiente cilíndrico onde ficam aprisionados (Figura 1). FIGURA 1 - ESTRUTURA DE UMA ARMADILHA LUMINOSA MODELO “LUIZ DE QUEIRÓZ”. Diâmetro do chapéu = 40 cm /Largura da aleta = 14 cm/Diâmetro do tubo = 8 cm/Espaço para a lâmpada = 7 cm/Diâmetro máximo do cone = 37 cm 4.5 - RESISTÊNCIA DE PLANTAS AOS INSETOS 4.5.1 - INTRODUÇÃO
  6. 6. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 6 Não é tarefa fácil para um inseto alimentar-se de plantas. Muitas formas de defesas podem ser encontradas nos vegetais. A maioria dos insetos não se alimenta de plantas, pois podem encontrar nelas “armadilhas” que podem levá- los à morte. Poucas ordens da Classe Insecta conseguiram superar as dificuldades de alimentação nas plantas e isto deveu-se a um processo evolutivo originário com insetos decompositores. Costuma-se dizer que as plantas são tóxicas e a sua cor verde, relativamente uniforme, disfarça a vegetação da seleção dos insetos fitófagos. Os vegetais, através de diferentes formas podem apresentar maior ou menor resistência aos fitófagos. A crescente preocupação do homem em substituir os agrotóxicos, por métodos alternativos não poluidores, levou às pressões da sociedade, que de certa forma favoreceram os cientistas a desenvolverem e aprofundarem os conhecimentos da resistência de plantas aos insetos. Um dos grandes impulsos foi à publicação do livro intitulado “Primavera Silenciosa”, da escritora Rachel Carlson, discutindo os efeitos dos agroquímicos sobre o ambiente. Portanto, as plantas oferecem resistência ao pastejo dos fitófagos. Por conceito pode-se dizer que planta resistente é aquela que devido a sua constituição genotípica é menos danificada que uma outra em igualdade de condições. Sendo assim, a resistência é relativa, hereditária e específica. 4.5.2 - CAUSAS DA RESISTÊNCIA A resistência das plantas pode ter sua origem em causas físicas, químicas, morfológicas e outras quando não se enquadrarem nas três primeiras categorias. As causas de natureza física são muito pouco estudadas e, talvez, por isso não tenham a merecida importância. Elas estão relacionadas com a natureza da superfície observada, fundo óptico, iluminação, ângulo de visão e da sensibilidade que afetam as taxas de visão dos insetos. Características como pubescência, espelhamento, alto conteúdo de água nas células, falta de clorofila, etc. podem afetar a visibilidade dos insetos e conferir maior ou menor resistência ao vegetal. Estudos no sentido de alterar a refletância foliar, pigmentação, etc. podem trazer maior resistência à planta. As causas de natureza morfológica podem ser consideradas em causas de morfologia externa e interna. Para as de morfologia externa podem ser citadas a superfície lisa dificultando a fixação de afídeos, a pilosidade nas folhas e ramos, tricomas1 (Figura 2), a largura da estrutura afetando a oviposição de Xyleborus saxeni que escolhe hospedeiros com diâmetro superior a 10 cm de fuste, etc. Para as de morfologia interna podem ser exemplificadas a quantidade de sílica/mm2 , o número de feixes de lignina/nervura nas bainhas das folhas e no caule e grande quantidade de canais resinosos nos pinheiros escoceses, como sendo fator responsável pela mortalidade de 70% da mariposa do broto do pinheiro, Ryacionia buoliana. 1 Tricomas = minúsculos apêndices epidérmicos que ocorrem em diferentes formas, podendo ser unicelulares ou pluricelulares, tendo aspectos de ganchos fortes, pontas ou serem glandulares produzindo secreções como terpenos, gomas e taninos.
  7. 7. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 7 FIGURA 2 - (A) UM AFÍDEO PRESO POR PELOS GLANDULARES, EM UMA PLANTA DE BATATA SELVAGEM; (B) UM ÚNICO PELO (GIBSON, 1971; IN: EDWARDS & WRATTEN, 1981). As causas de natureza química são as mais bem estudadas e extremamente complexas. Sabe-se, atualmente, que inúmeras substâncias encontradas nos vegetais, cujas funções eram desconhecidas e avaliadas como sem importância aos mesmos, denominadas de compostos secundários por não participarem do seu metabolismo, hoje são reconhecidas como substâncias de defesa às pragas e doenças. Os compostos secundários variam quantitativamente de acordo com o estágio de desenvolvimento da planta e também com as variações estacionais. De forma geral, as folhas, cascas e raízes são os locais de maiores concentrações de compostos secundários. A maior diversidade de espécies vegetais encontradas nos trópicos resultou em uma maior pressão ambiental, trazendo como conseqüência espécies com maiores concentrações de compostos secundários. Na tabela 1 são citados os principais grupos de compostos secundários. A água, cuja quantidade varia com a idade, estruturas e estação é uma causa de resistência química; a diminuição na quantidade de água pode aumentar a resistência para certas espécies vegetais ou diminuir para outras. As causas de resistências não encaixadas nos três primeiros tipos são denominadas de outras, exemplificando tem-se o comportamento do inseto independente de uma ação da planta, a própria fisiologia do vegetal no aspecto de compensar partes destruídas através de uma rápida recuperação, através do crescimento, emissão de novas raízes, etc. TABELA 1 - PRINCIPAIS CLASSES DE COMPOSTOS VEGETAIS SECUNDÁRIOS ENVOLVIDOS NAS INTERAÇÕES PLANTA-ANIMAL (MODIFICADO DE HARBORNE, 1977; IN: EDWARDS & WRATTEN, 1981). CLASSE NO APROXIMADO DE ESTRUTURAS DISTRIBUIÇÃO ATIVIDADE FISIOLÓGICA
  8. 8. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 8 COMPOSTOS NITROGENADOS Alcalóides 5.500 Amplamente nas angiospermas, especialmente nas raízes, folhas e frutos. Muitas tóxicas e de gosto amargo Aminas 100 Amplamente nas angiospermas, freqüentemente em flores Muitas de cheiro repelente; algumas alucinógenas Aminoácidos (não proteícos) 400 Especialmente em sementes de legumes, mas espalhadas de modo relativamente amplo. Muitas tóxicas Glicosídeos cianogênicos 30 Esporádicos, especialmente no fruto e folha Venenoso (como HCN) Glucosinolatos 75 Cruciferae e dez outras famílias Corrosivos e amargos (como isotiocianatos) TERPENÓIDES Monoterpenos 1.000 Amplamente, em óleos essenciais Odores agradáveis Lactonas sesquiterpenos 600 Principalmente em Compositae, mas encontradas cada vez mais em angiospermas Algumas amargas e tóxicas, também alergênicos Diterpenóides 1.000 Amplamente, especialmente no látex e nas resinas de plantas Algumas tóxicas Saponinas 500 Em mais de 70 famílias de plantas Hemólise das células sangüíneas Limonóides 100 Principalmente em Rutaceae, Meliaceae e Simaroubaceae Com gosto amargo Cucurbitacinas 50 Principalmente em Cucurbitaceae Com gosto amargo e tóxica Cardenolídeos 150 Especialmente comuns em Apocynaceae, Asclepiadaceae e Scrophulariaceae Tóxica e amarga Carotenóides 350 Universal em folhas, freqüentemente em flores e frutos Coloridos FENÓLICOS Fenóis simples 200 Universal em folhas, muitas vezes também em outros tecidos Anti-microbianos Flavonóides (inc. taninas) 1.000 Universais em angiospermas e musgos Freqüentemente coloridos Quinonas 500 Amplamente, especialmente em Rhamnaceae Coloridos OUTROS Poliacetilenos 650 Principalmente em Compositae e Umbelliferae Alguns tóxicos 4.5.3 - TIPOS DE RESISTÊNCIA A resistência de uma planta pode ser do tipo não preferência, antibiose e tolerância. Lembrando que uma mesma espécie vegetal pode exibir mais de um tipo de resistência.
  9. 9. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 9 A resistência do tipo não preferência é quando uma planta pode ser menos danificada do que uma outra por ser menos preferida, em igualdade de condições. A resistência do tipo antibiose é quando a planta produz efeitos adversos à biologia do inseto. Ex.: morte de formas jovens, redução no peso e tamanho de larvas e pupas, período de vida anormal, etc. A resistência do tipo tolerância é considerada como sendo a melhor, pois a planta tolera o ataque sem interferir na sua biologia. Esse tipo de resistência apresenta vantagens e desvantagens. A) Vantagens: não promove o aparecimento de raças fisiológicas de insetos (não reduz a população); pode ser ajustado muito bem em um programa de controle integrado. B) Desvantagens: idade da planta (capacidade de recuperação); sujeito às variações ambientais (geada, chuvas excessivas, estiagem, etc.) 4.6 - MÉTODOS DE CONTROLE BIOLÓGICO 4.6.1 - INTRODUÇÃO O controle biológico é uma extensão do controle natural, consistindo na aplicação de inimigos naturais para controlar as pragas de tal forma que a população da praga entre em equilíbrio biológico. Em síntese, é a regulação do número de animais e plantas através dos inimigos naturais. A prática do controle biológico é realizada desde antigamente. Os chineses no século III já utilizavam formigas predadoras para combater pragas e em nosso país alguns povos indígenas utilizam formigas para o controle de pragas. No setor florestal é um dos métodos mais recomendados devido ao fato de não provocar desequilíbrios biológicos. Os inimigos naturais das pragas podem ser os próprios insetos que são denominados de insetos entomófagos. Na Classe Insecta metade das espécies conhecidas são formadas por insetos entomófagos. Mas, os inimigos naturais das pragas não são formados apenas por insetos entomófagos, mas também por outros organismos. Os inimigos naturais podem ser assim conceituados: a) predador: organismo que necessita de mais de um indivíduo para completar seu desenvolvimento; b) parasitóide: organismo que para completar seu desenvolvimento necessita apenas de um indivíduo hospedeiro; c) patógeno: microrganismo que vive e se alimenta dentro de ou sobre um organismo hospedeiro. 4.6.2 - INIMIGOS NATURAIS Os inimigos naturais podem ser agrupados em:
  10. 10. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 10 Animais insetívoros: anfíbios (sapo, rã, etc.), aves (anu, pica-pau, andorinha, etc.), mamíferos (morcegos, tamanduá, tatu, etc.), répteis (lagartixa, lagarto, etc.) e peixes; Ácaros; Aranhas; Bactérias; Fungos; Vírus; Nematóides; Insetos: predadores e parasitóides Os animais insetívoros não são empregados, em programas de controle biológico, pela inviabilidade econômica de se realizar grandes criações, para posteriormente serem liberados no campo. Os insetos, principalmente, os parasitóides e os entomopatógenos (bactérias, fungos e vírus) são os mais utilizados nos programas de controle biológico. 4.6.3 - PRÁTICAS DO CONTROLE BIOLÓGICO Para a realização do controle biológico deverão ser adotadas as seguintes medidas: a) Reduzir os fatores desfavoráveis aos inimigos naturais no ambiente, como por exemplo evitar o uso de inseticidas muito tóxicos aos inimigos naturais; b) Aumentar os fatores ambientais favoráveis aos inimigos naturais, como exemplo o uso de plantios mistos, preservação de faixas de matas nativas e presença de sub-bosque. c) Aumentar o número de espécies de insetos entomófagos importando-os de outras regiões. Exemplo: Rodolia cardinalis levada aos EUA para controle de Icherya purchasi. d) Aumentar o número de inimigos naturais através da criação massal em laboratórios e com liberação posterior no campo. 4.6.4 - VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CB Vantagens: Age no ecossistema; É mais persistente; Não deixa resíduos; É mais específico e não causa desequilíbrio biológico; Geralmente é mais barato do que o controle químico. Eficiente para culturas perenes ou semiperenes, onde a população da praga pode manter-se o ano todo. Desvantagens: Tem ação mais lenta do que o controle químico, exceto o controle microbiano com bactérias e vírus; 4.6.5 - ORGANISMOS EMPREGADOS NO CB
  11. 11. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 11 A) Ácaros: utilizados com sucesso em diversos países. Atuam como predadores de insetos e também de ácaros. As principais famílias entomófagas são: Pyemotidade, Phytoseiidae, Trombiculidade e Trombidiidae. B) Nematóides: diversas espécies atuam como parasitas obrigatórios de insetos atacando intestinos, órgãos reprodutores, sistema respiratório, etc. Podendo produzir danos insignificantes, esterilização e morte. C) Insetos C.1) Predadores Os predadores não são específicos e devido a essa característica não são empregados no controle biológico, porém há exceções como as joaninhas. Dentro da Classe Insecta há somente seis ordens que não contêm formas predatórias ou parasíticas. Exemplo: Ephemeroptera, Hemiptera-Homoptera, Isoptera, Phthiraptera-Anoplura, Phthiraptera-Mallophaga e Siphonaptera. Por outro lado, há ordens que contêm somente predadores como Mantodea e Odonata. Os predadores podem ser classificados, quanto à forma de alimentação, em mastigadores e sugadores. Os mastigadores consomem a presa totalmente como os indivíduos das famílias Coccinellidae, Carabidae, Mantidae,etc. Os sugadores sugam o fluido das presas como os indivíduos das famílias Reduviidae, Chrysopidae, Syrphidae, etc. As ordens mais importantes no CB são: 1) Coleoptera - mais da metade das espécies conhecidas são predadoras. Principais famílias: Coccinellidae (Figura 3), Carabidae, etc. FIGURA 3 - JOANINHAS. 1. Hyperaspis glyphica, 2. Exocomus bimaculosus, 3. Mononeda marginata, 4. Cycloneda maeander, 5. Ceratomegilla quadrifasciata, 6. Psyllobora foliacea (In: BERTI FILHO, 1985). 2) Diptera - família Shyrphidae com a espécie Pseudodorus clavatus , cujas larvas são predadoras de pulgões em citros. 3) Hymenoptera - grande quantidade de espécies predadoras. Principais famílias: Vespidae, Pteromalidae, etc. 4) Heteroptera-Hemiptera - Principais famílias: Pentatomidae, Reduviidae, Nabidae, Lygaeidae, Anthocoridae, etc. C.2 - Parasitóides
  12. 12. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 12 Também denominados de parasitos e parasitos protélicos são os mais empregados nos programas de controle biológico devido a sua alta especificidade. Os parasitóides, que atacam invertebrados, quase sempre destroem seus hospedeiros, não ocorrendo o mesmo com os parasitas. O parasita verdadeiro ataca um hospedeiro que pertence a uma classe diferente, como o caso da lombriga parasitando o homem e ,geralmente, não leva o seu hospedeiro à morte. De forma geral, os parasitóides nos primeiros estágios larvais atuam como parasitas verdadeiros e só nos últimos estágios é que mostram comportamento alimentar predatório. O parasitismo passa por diversas etapas e para os parasitóides que colocam ovos ou larvas diretamente sobre o hospedeiro, observa-se as seguintes etapas: 1a ) Descoberta do habitat do hospedeiro; 2a ) Descoberta do hospedeiro; 3a ) Aceitação do hospedeiro; 4a ) Adequabilidade do hospedeiro. As três primeiras etapas são controladas pela fêmea e a última etapa é da relação parasitóide-hospedeiro. Insetos que colocam ovos longe do hospedeiro não passam da primeira etapa. As ordens mais importantes no CB são: 1) Hymenoptera: com cerca de 200.000 espécies descritas sendo a maioria parasitóides. Dois terço dos casos de sucesso em controle biológico foram obtidos com himenópteros. As principais famílias são: Aphelinidae, Braconidae (Figuras 4 e 5), Cynipidae, Bethylidae, Encyrtidae, Eulophidae, Ichneumonidae, Trichogrammatidae, etc. FIGURA 4 - LAGARTA DE Dirphia rosacordis PARASITADA POR Apanteles (HYMENOPTERA, BRACONIDAE). PRESENÇA DE CASULOS CONTENDO PUPAS DO PARASITÓIDE SOBRE O CORPO DA LAGARTA (FOTO: PERES FILHO, 2001). FIGURA 5 - ADULTO DE PARASITÓIDE DA FAMÍLIA BRACONIDAE POUSADO SOBRE FOLHA DE TECA (Tectona grandis) (Foto: PERES FILHO, 2001).
  13. 13. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 13 2) Diptera: nessa ordem a família mais importante é Tachinidae (Tachis = rápido) (Figura 6). Os taquinídeos formam a maior família de dípteros muscóides, tendo na região neotropical 2.864 espécies, agrupadas em 944 gêneros. Os adultos alimentam-se de flores (tromba grande e labela larga) e de secreções açucaradas de homópteros (tromba pequena e labela pequena), também chamada de “honey dew”. A característica morfológica dessa família é o pós-escutelo entumecido. O potencial reprodutivo da fêmea adulta é inversamente proporcional a probabilidade de uma larva ganhar acesso ao hospedeiro (Tabela 2). FIGURA 6 - ADULTO DE TAQUINÍDEO (ESQUERDA) E SUA PUPA (DIREITA), PARASITÓIDE DA LAGARTA DA TECA, Hyblaea puera. TABELA 2 - RELAÇÃO DA QUANTIDADE DE OVOS COM O LOCAL DE COLOCAÇÃO DOS OVOS OU LARVAS POR FÊMEAS DE TAQUINÍDEOS. LOCAL DE COLOCAÇÃO DE OVOS OU LARVAS QUANTIDADE ovos sobre ou dentro do hospedeiro 100 ovos na vegetação ou na superfície do solo 2.000-13.000 larvas sobre o hospedeiro 100 larvas dentro do hospedeiro 100 larvas na vegetação ou na superfície do solo 250-1.000 Nos taquinídeos a larva madura emerge do hospedeiro e pupa no solo ou na vegetação; já para os himenópteros, em sua maioria, a pupação ocorre dentro dos restos do hospedeiro.
  14. 14. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 14 4.6.6 – AGROTÓXICOS E INIMIGOS NATURAIS (PARASITÓIDES E PREDADORES) Os agrotóxicos são mais prejudiciais aos inimigos naturais do que às pragas. As teorias que explicam este fato são: As populações de inimigos naturais são menores do que as populações das pragas, das quais se alimentam, portanto, situadas em nível trófico superior na cadeia alimentar. A mortalidade é maior para os inimigos naturais por existirem em menor número e , portanto, tem menor chance de sobrevivência. Isto acarreta em uma maior dificuldade da procura do sexo oposto no período de reprodução ou traz problemas genéticos, devidos aos cruzamentos somente entre indivíduos de uma mesma população. Nas populações reduzidas de predadores e parasitóides há uma menor variabilidade genética do que nas grandes populações das pragas. Portanto, os genes são mais facilmente transmitidos às novas gerações nas populações das pragas, do que nas populações dos inimigos naturais (populações menores). As espécies fitófagas adquiriram ao longo de milênios de seleção natural e evolução, certa resistência aos produtos químicos elaborados pelas plantas como defesa ao ataque dos herbívoros. A isto dá-se o nome de mecanismo pré-adaptativo. 4.6.7 - PROGRAMA DE CONTROLE BIOLÓGICO (FLUXOGRAMA) . Avaliação da praga . Biogeografia da praga e da planta hospedeira . Lista dos inimigos naturais . Exploração no local de origem . Coleta de inimigos naturais
  15. 15. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 15 Pesquisa em laboratório Quarentena Avaliação após a colonização Repetir as técnicas . Se efetiva, termina. . Não efetiva, continua. Estabelecimento e disseminação Colonização no campo Insetário para criação massal 4.6.8. CONTROLE MICROBIANO DE INSETOS 4.6.8.1. INTRODUÇÃO A patologia de insetos é a ciência que estuda as doenças dos insetos envolvendo a etiologia, sintomatologia e epizootiologia com o objetivo de empregá-
  16. 16. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 16 las no controle de pragas, bem como controlá-las quando as mesmas ocorrem em insetos úteis. Doença segundo Gaumann (1950), citado por ALVES et al. (1986), “é um processo dinâmico no qual hospedeiro e patógeno, em íntima relação com o meio, se influenciam mutuamente do que resultam modificações morfológicas e fisiológicas”. O controle microbiano é a principal meta da patologia de insetos e representa um ramo do controle biológico de insetos. Esse controle trata do emprego racional dos patógenos, objetivando manter as populações das pragas em níveis que não tragam danos econômicos. 4.6.8.2.VANTAGENS E DESVANTAGENS DO CONTROLE MICROBIANO A seguir estão relacionadas as vantagens e desvantagens do controle microbiano: a) Vantagens 1. Especificidade: alguns patógenos são específicos, como exemplo os vírus, já as bactérias, fungos e nematóides não apresentam grande especificidade, mas mesmo dessa forma evitam alterações biológicas ambientais relevantes por não afetarem parasitóides, predadores e polinizadores. 2. Multiplicação e dispersão: a capacidade de multiplicação e dispersão no ambiente através dos indivíduos da população. Os patógenos podem permanecer no ambiente, no solo, nos cadáveres ou passarem de uma geração para a outra através dos ovos dos insetos (vírus). 3. Efeitos secundários: além da mortalidade direta os patógenos podem trazer como conseqüências às gerações posteriores reduzindo a oviposição, viabilidade dos ovos ou aumentando a sensibilidade da população aos inseticidas ou agentes biológicos. 4. Controle mais duradouro: após o estabelecimento do patógeno em uma determinada área, a praga dificilmente voltará a atingir danos econômicos, sendo isto mais comum em culturas perenes e semiperenes. 5. Controle associado: pode ser empregado juntamente com inseticidas seletivos em sub doses, procurando-se em controle mais rápido e eficaz da praga, diminuindo-se, assim, as super doses de inseticidas. 6. Aplicação: podem ser aplicados com as mesmas máquinas empregadas para aplicação de inseticidas. 7. Poluição e toxicidade: os patógenos não poluem o ambiente e não são tóxicos ao homem e aos animais. 8. Resistência: os insetos dificilmente se tornam resistentes aos patógenos. b) Desvantagens 1. Economia: a especificidade, a curto prazo, de alguns patógenos pode ser considerada uma desvantagem, porém alguns patógenos atuam sobre mais de uma praga. 2. Planejamento das aplicações: há a necessidade de se planejar a aplicação, pois o período de incubação do patógeno deve ser considerado, a fim de que a praga seja eliminada antes de prejudicar economicamente a cultura.
  17. 17. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 17 3. Condições favoráveis: alguns patógenos exigem determinadas condições de temperatura, umidade, luminosidade, etc. 4. Armazenamento: os inseticidas microbianos exigem cuidados no armazenamento para não afetar a viabilidade e patogenicidade. 5. Comercial: alguns patógenos podem provocar a aderência dos insetos mortos na planta ou frutos tratados, afetando o valor comercial. 4.6.8.3. MÉTODOS DE EMPREGO DE MICRORGANISMOS Os principais patógenos utilizados no controle microbiano são: fungos, bactérias, vírus, protozoários, nematóides e riquétsias. Os patógenos e seus subprodutos podem ser empregados das formas seguintes: 1. Colonização: é a introdução de entomopatógenos como agentes naturais de controle, através de insetos contaminados, cadáveres ou pulverizações em populações de pragas. O tempo exigido para estabelecimento do patógeno é geralmente longo. 2. Aplicação de produto microbiano: os patógenos formulados são aplicados em concentrações elevadas na cultura, de forma semelhante aos inseticidas. Ex.: Bacillus thuringiensis (Dipel, Thuricide). 3. Iscas: alguns patógenos podem ser formulados como iscas para o controle de pragas. Ex.: Nosema locustae, protozoário empregado no controle de gafanhotos. 4. Metabólitos tóxicos: os patógenos produzem toxinas que podem ser empregadas no controle de pragas da mesma forma que os inseticidas químicos. 5. Controle integrado: os patógenos podem ser empregados juntamente com os inseticidas químicos em subdoses 4.6.8.4. AGENTES ENTOMOPATOGÊNICOS EMPREGADOS NO CONTROLE MICROBIANO 4.6.8.4.1. FUNGOS ENTOMOPATOGÊNICOS Os fungos entomopatogênicos são responsáveis por cerca de 80% das doenças dos insetos. Esses estão reunidos em cerca de 90 gêneros e mais de 700 espécies. Os gêneros mais importantes são Metarhizium, Beauveria, Nomuraea, Aschersonia e Entomophthora. No Brasil o fungo Metarhizium anisopliae é produzido em escala comercial e tem trazido algum sucesso no controle de cigarrinhas cercopídeas. a) Modo de ação De maneira geral, os fungos apresentam as seguintes fases de desenvolvimento, figura 7, sobre os insetos hospedeiros: 1. Germinação: o fungo germina sobre o inseto, quando encontra condições favoráveis de temperatura e umidade, produzindo um tubo germinativo. A germinação ocorre em um tempo mínimo de 12 horas e a uma temperatura de 23 - 30 o C. 2. Formação de apressórios: ocorre uma dilatação da hifa na extremidade do tubo germinativo que é denominada de apressório. Essa estrutura não ocorre em todos os fungos.
  18. 18. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 18 3. Formação de grampo de penetração: saliência formada na parte inferior dos apressórios, cuja função é penetrar na epicutícula e procutícula do inseto. Essa estrutura não ocorre em todos os fungos. 4. Penetração: ocorre através de dois processos principais: o físico devido a pressão da hifa que rompe o tegumento e o químico através da elaboração de enzimas (proteases, lipases, quitinases), facilitando a penetração mecânica. 5. Colonização: o processo de colonização inicia-se a partir da penetração. A hifa que penetra sofre um engrossamento e se ramifica, inicialmente no tegumento do inseto e depois, na hemocoele. A colonização obedece a seguinte seqüência: corpos gordurosos, sistema digestivo, tubos de Malpighi, hipoderme, sistema nervoso, músculos e traquéias. O tempo de colonização varia de 76 a 120 horas dependendo do inseto, patógeno e das condições ambientais. Após a morte do inseto o fungo cresce dentro do cadáver, mas não ocorre, desintegração porque o fungo secreta substâncias antibacterianas. 6. Reprodução do patógeno: 48 a 60 horas após a morte do inseto que ocorre depois de 4 a 5 dias da inoculação, as hifas começam a surgir pelos espiráculos e áreas mais fracas do tegumento. A produção de conídios ocorre 24 a 48 horas após a emergência das hifas sob condições de umidade elevada e temperatura na faixa de 20 a 30 o C. A morte do inseto ocorre devido: produção de micotoxinas, mudanças patológicas na hemocoele, ação histolítica, bloqueio mecânico do aparelho digestivo e outros danos físicos devido ao fungo. FIGURA 7 - ESQUEMA DO CICLO DAS RELAÇÕES PATÓGENO-HOSPEDEIRO (M. anisopliae X CIGARRINHA)(In: ALVES et al., 1986).
  19. 19. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 19 4.6.8.4.2. BACTÉRIAS ENTOMOPATOGÊNICAS As bactérias entomopatogências podem ser agrupadas em duas categorias: esporulantes e não esporulantes. Para a entomologia aplicada, as bactérias esporulantes são as mais interessantes para o controle de populações de insetos. Pois, os esporos apresentam persistência no ambiente, sendo mais resistentes às condições climáticas e também por ser um pré-requisito para que um determinado agente possa ser produzido em escala comercial. As bactérias não esporulantes além de serem sensíveis às condições ambientais, ainda, são em grande parte patogênicas aos vertebrados. A família Bacillaceae envolve dois gêneros de alta importância Bacillus e Clostridium. As espécies do gênero Bacillus apresentam as células em forma de bastonete, às vezes em cadeia, com a maioria capaz de produzir endósporo. As espécies pertencentes a esse gênero têm como características a formação de esporos, toxinas e enzimas colocando-as em lugar privilegiado como agentes de controle de pragas. A) Bacillus thuringiensis Espécie de alta importância no controle de pragas apresenta a formação de esporos entre elípticos e cilíndricos em posição central com um esporângio não nitidamente estendido e como característica típica um cristal protéico intracelular (Figura 8).
  20. 20. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 20 FIGURA 8 - ESQUEMA DE ESPORÂNGIO DE Bacillus thuringiensis, CONTENDO O EXOSPÓRIO (EX), ENDÓSPORO (E) E CRISTAL PROTÉICO (C) (In: ALVES et al., 1986). As variedades de Bacillus thuringiensis produzem algumas toxinas já caracterizadas e outras substâncias tóxicas pouco definidas para muitos insetos. As toxinas mais importantes são: 1. δ-endotoxina (delta endotoxina) O cristal protéico (corpo paraesporal) é o componente principal dos produtos comerciais à base de B. thuringiensis. O cristal protéico, em si, não tem ação tóxica, sendo considerado uma protoxina. A sua dissolução em meio alcalino, pH > 8,0, resulta em moléculas de tamanhos variáveis, das quais algumas são tóxicas aos insetos, como a δ-endotoxina. Dessa forma, a ingestão da bactéria dá-se por via oral atingindo o intestino, o qual se apresentar com pH alcalino permitirá a dissolução do cristal protéico (Figura 9). 2. β-exotoxina (Beta exotoxina) A beta exotoxina é altamente tóxica para muitos insetos e certos vertebrados. Devido ao seu efeito teratogênico e a possível mutagenicidade levaram as autoridades nos EUA e Canadá a impedir o uso de linhagens de B. thuringiensis que produzem essa “toxina”. 3. Endósporo Embora, em quantidade menor do que a proteína do cristal, a proteína do esporo também tem efeito tóxico para lagartas. 4. α-exotoxina (alfa exotoxina) Toxina denominada, também de Lecitinase-C; solúvel em água e tóxica para insetos. A sintomatologia pode ser tratada de duas formas como se segue: a) Sintomas externos perda do apetite e abandono do alimento; regurgitações e diarréias; perda do brilho tegumentar (coloração fosca); perda da agilidade larval e tegumento com coloração marrom; paralisia geral, antes da morte (algumas espécies) larvas flácidas e totalmente paralisadas (estágios mais avançados); morte entre 18 a 72 horas e, após, larvas com coloração preta com deterioração do tecido, sem rompimento do tegumento. b) Sintomas internos
  21. 21. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 21 lesões e alterações histológicas nas células epiteliais do intestino médio; turgidez das microvilosidades do intestino médio; desintegração extensiva nas células epiteliais, da parte anterior do intestino médio; musculatura intestinal sofre relaxamento e dissociação (paralisia intestinal) e em estágios mais avançados a desintegração total desses músculos; mesmos sintomas para a musculatura do corpo. FIGURA 9 - CICLO EVOLUTIVO DE Bacillus thuringiensis EM UMA LAGARTA. CB = CÉLULA BACTERIANA; S = MESOSSOMA; E = ESPORO; CP = CRISTAL PROTEÍCO. (ADAPTADO DE ALVES et al., 1986). Para a aplicação de B.thuringiensis faz-se necessário que determinadas exigências sejam seguidas, tais como: o equipamento, antes da aplicação, deve estar limpo de qualquer resíduo tóxico; a mistura deverá ser feita apenas no momento da aplicação, pois o esporo necessita de oxigênio e nutrientes; aplicar no final do dia ou no início da noite; aplicar com espalhante adesivo e sem ocorrência de chuvas em um período mínimo de 10 horas; dose: 300-700 g/ha; observando-se que a dose não poderá ultrapassar 700 g/ha por ser antieconômica e se isto ocorrer verificar o pH intestinal do inseto em laboratório, pois poderá ser ácido. 4.6.8.4.3. VÍRUS ENTOMOPATOGÊNCOS
  22. 22. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 22 Há mais de 700 viroses infectando diversas ordens de insetos e ácaros. Todavia, não são amplamente utilizados no controle de insetos pelos riscos que, possivelmente, possam oferecer a segurança da vida humana. Entretanto, os vírus do gênero Baculovirus são os mais interessantes por serem altamente específicos para invertebrados, além de apresentarem boa estabilidade e eficiência quando aplicados no campo. Através de identificação prática, os vírus podem ser colocados em grandes grupos: 1. vírus que possuem corpos de inclusão visíveis ao microscópio óptico. Ex.: vírus da poliedrose nuclear e da poliedrose citoplasmática, vírus da granulose e Entomopoxvirus. 2. vírus que não possuem corpos de inclusão e, portanto, só podem ser vistos ao microscópio eletrônico. Ex.: Iridovirus, Densovirus, Sigmavirus e vírus F. A) Estrutura de um vírus O vírus é composto internamente de um ácido nucléico, normalmente o DNA, e, ocasionalmente aparecendo o RNA. O ácido nucléico pode apresentar uma estrutura circular ou linear e envolvendo-o existem proteínas compostas de subunidades denominadas capsômeros, as quais formam uma capa denominada capsídeo. O conjunto capsídeo + ácido nucléico é conhecido por nucleocapsídeo. O nucleocapsídeo é envolvido por um envelope ou membrana que é, normalmente, construído a partir do material celular específico do inseto hospedeiro. Esse conjunto, formado de envelope + nucleocapsídeo, é denominado de vírion ou virião. O vírion é a unidade infectiva do vírus. Uma membrana protéica pode envolver um ou mais nucleocapsídeos, que por sua vez são envolvidos por uma matriz de natureza protéica. Dessa forma, todo esse conjunto é conhecido por vírus, corpo de inclusão poliédrica (PIB), poliedro viral e pode ser observado através de um microscópio óptico comum (Figura 10). B) Persistência e ação residual Dependem do tipo de vírus envolvido, da espécie vegetal, onde foi aplicado e das condições meteorológicas locais. Ex.: Baculovirus heliothis perde rapidamente sua atividade quando a folha com o orvalho estiver com um pH de 9,3. C) Armazenamento Podem ser armazenados nos próprios tecidos dos hospedeiros ou purificados sob a forma de corpos de inclusão sendo esse material mantido a temperatura de mais ou menos 4 o C ou a - 20 o C. A liofilização é uma técnica muito eficiente para armazenamento de vírus entomopatogênicos. FIGURA 10 - CORPOS DE INCLUSÃO DE Baculovirus: A) CÁPSULA DE GRANULOSE; B) VÍRUS DA POLIEDROSE NUCLEAR (ADAPTADO DE Payne & Kelley, 1981; In: ALVES et al., 1986).
  23. 23. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 23 D) Emprego de vírus no controle de pragas Embora, um grande número de espécies de vírus sejam encontradas, naturalmente, em insetos, poucas são as que podem ser manuseadas pelo homem e ser aplicadas na forma de inseticidas microbianos. As florestas naturais ou artificiais são ecossistemas que formam um ambiente propício para o desenvolvimento de inimigos naturais das pragas. Os patógenos que atacam pragas florestais aparecem naturalmente, podendo ocorrer enzooticamente ou em epizootias arrasando populações de insetos. Dentre os patógenos epizoóticos citam-se os vírus. Os vírus podem ser empregados de três maneiras para o controle de pragas de florestas: como inseticidas microbiológicos; em colonização; em programas de manejo integrado. Como inseticidas microbiológicos apresentam eficácia muito boa e atua independentemente da densidade populacional da praga, pois são empregadas doses elevadas. Os vírus das poliedroses nucleares (NPV), granuloses (GV) e Entomopoxvirus são os mais estudados contra os insetos desfolhadores de espécies florestais (Tabela 3). TABELA 3 - INSETOS DE IMPORTÂNCIA FLORESTAL E SUAS RESPECTIVAS VIROSES. ESPÉCIE VIROSES CONSTATADAS Agrotis ipsilon NPV Eupseudosoma aberrans NPV Euselasia sp. NPV Glena sp. CPV Oiketicus kyirbyi CPV Sabulodes caberata GV, Poliedrose Sarsina violascens NPV Spodoptera frugiperda NPV,GV, Poliedrose e Virose iridescente Thyrinteina arnobia NPV, GV CPV = vírus da poliedrose citoplasmática; GV = vírus da granulose; NPV = vírus da poliedrose nuclear A colonização é um método de emprego de vírus contra pragas que só deve ser executado com patógenos de elevada capacidade de reprodução e disseminação (epizoóticos). Na colonização são utilizados insetos contaminados, cadáveres ou pulverizações do inóculo em populações sadias, sempre com pequenas quantidades do inóculo.
  24. 24. ENTOMOLOGIA FLORESTAL /2002 pg. 24 No manejo integrado, ou seja, associações de vírus com outros grupos de patógenos, patógenos com parasitóides e predadores, patógenos com agroquímicos, ainda, é muito pouco estudado. Em outros países foram testados NPV + B. thuringiensis contra Malacosoma fragile e CPV + B. thuringiensis contra Lymantria dispar. As associações mais promissoras de parasitóides e patógenos foram conseguidas com microhimenópteros e vírus. Com relação às doses para o controle de lagartas desfolhadoras podem ser empregados para efeito de testes de campo 100 a 200 lagartas/ha para as poliedroses e 300 a 400 lagartas/ha para as granuloses. A metodologia empregada está demonstrada na figura 11. FIGURA 11 - FLUXOGRAMA PARA EMPREGO DE VIROSES A PARTIR DE MATERIAL OBTIDO NO CAMPO OU DE ARMAZENAMENTO EM BAIXA TEMPERATURA (In: ALVES et al., 1986).

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