aula-01-economia

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  1. 1. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 1 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Aula 1Prezados (as) Colegas de profissão, Damos início ao curso de Economia. Nesta primeira aula trataremos osseguintes pontos do conteúdo programático:1. Análise Microeconômica: determinação das curvas de procura. curvas deindiferença; equilíbrio do consumidor; efeitos preço, renda e substituição;elasticidade da procura. Como é comum nas provas elaboradas pelo CESPE, os pontos do conteúdoprogramático são bastante superficiais, o que quer dizer que por trás de cada umdos itens pedidos existem outros implícitos, e que podem ser perfeitamente objetode cobrança em prova. Em decorrência deste fato, optei em ampliar a abordagem,cobrindo todos os possíveis pontos que possam vir a ser objeto de questões,inclusive aspectos matemáticos relacionados à oferta e demanda, elasticidade eteoria do consumidor. Adiciono aos comentários ora realizados, a informação de que o CESPEapresenta, nas questões propostas, aspectos relacionados à teoria estudada daaula, de tal forma a obrigar o concursando a analisar cada uma das assertivas emtermos de CERTO ou ERRADO. Vamos à aula então! Grande abraço e bons estudos, Mariotti www.pontodosconcursos.com.br
  2. 2. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 2 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI1. Análise Microeconômica: determinação das curvas de procura. Teoria de equilíbrio do mercado A base de análise das relações existentes entre consumidores e produtores édenominada de Teoria Elementar de funcionamento do mercado. Esta procurademonstrar como consumidores e produtores interagem com o objetivo de atingir omaior bem-estar possível, considerando a série de variáveis envolvidas no processodecisório. A escassez de recursos leva ao fenômeno da precificação de tudo o que éproduzido, especialmente porque sem este estímulo, os chamados ofertantes deprodutos não teriam interesse em produzir. Não obstante, a mesma precificação gera resultados diretos sobre o consumode bens e serviços, tornando-os menos desejados a todo o momento em que ospreços tendam a subir. Diante desta constatação, iniciamos com o próximo tópico aabordagem dos conceitos pertinentes às funções demanda e oferta, verificandocomo variações nos preços e demais variáveis tendem a impactar o chamadoequilíbrio de mercado, representado pelo ponto em que consumidores e produtoreschegam a um “consenso” teórico quanto aos preços e quantidades negociadas. 1.1 Curva de Demanda – Função Demanda A demanda ou também chamada de procura pode ser definida como asvárias quantidades de um determinado bem ou serviço que os consumidoresestão dispostos e aptos a adquirir, em função dos vários níveis de preçospossíveis, em determinado período de tempo. Em outras palavras, a demanda é acorrelação inversa entre as diversas quantidades procuradas de um bem osdiversos níveis de preços destes mesmos bens. A demanda é dependente de uma série de variáveis, dentre as quais opreço do bem X (PX), a renda dos consumidores (R), o preço dos outros bens(PY), bem como os gostos dos consumidores (G). www.pontodosconcursos.com.br
  3. 3. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 3 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI DX = f (PX, R, PY, G), sendo a demanda dada em função dos parâmetrosanteriores. A Lei da Demanda1 diz que há uma correlação inversa entre preços equantidades demandadas, coeteris paribus (expressão latina que significa tudo omais constante, como a renda do consumidor, os preços de outros bens e aspreferências dos consumidores). Quanto maior for o preço, menor será aquantidade demandada do bem que o consumidor estará disposto a adquirir evice-versa. Perceba o gráfico que se segue: P Quanto maior o preço, menor a quantidade 10 A demandada (coeteris paribus). B 5 20 40 Q Sendo assim, corroboramos a informação de que existe uma relaçãoinversa entre o preço e quantidade demandada, o que nos leva a interpretar,conforme o gráfico acima, que a curva apresenta uma declividade (inclinação)negativa. A curva de demanda é negativamente inclinada devido ao efeito conjuntode três fatores: o efeito substituição, o efeito renda e a utilidade marginal doproduto: Efeito substituição: se um bem X possui um substituto Y, ou seja, outro bemsimilar que satisfaça a mesma necessidade, quando seu preço aumenta, coeterisparibus, o consumidor passa a adquirir o bem substituto Y, reduzindo assim1 Não se trata de uma lei em sentido explícito, mas sim se uma máxima da economia. www.pontodosconcursos.com.br
  4. 4. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 4 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIdemanda pelo bem X. Exemplo: se o preço do fósforo subir demasiadamente, osconsumidores passam a consumir isqueiro, reduzindo a demanda por fósforo; Efeito renda: quando aumenta o preço de um bem, tudo o mais constante(renda do consumidor e preços de outros bens constantes), o consumidor perdepoder aquisitivo e a demanda pelo produto cai; Utilidade Marginal: quanto maior a quantidade de um produto que oconsumidor pode adquirir, menor será a utilidade ou satisfação adicional (marginal)com cada unidade adicional consumida, o que o levará a reduzir a quantidadedemandada do bem. Exemplo: o primeiro copo de água, para quem está com muitasede, proporciona uma certa satisfação (utilidade); o segundo copo proporcionaráuma satisfação adicional, mas com uma utilidade marginal inferior ao primeiro copo eassim sucessivamente. Pense se isso não é verdadeiro! 1.2 Considerações quanto às variações de preços e impactos na demanda pelos bens Até o presente momento dissemos que elevações nos níveis de preçostendem a diminuir a quantidade demandada. A questão é que existem exceções aesta regra. São os chamados bens de Veblen e bens de Giffen. 1.2.1 Bens de Veblen Os bens de Veblen são bens de consumo de alto valor agregado, muitasvezes associado à idéia de ostentação, tais como jóias, automóveis de luxo e obrasde arte. Para estes consumidores, como o padrão de ostentação é o preço, quantomais alto for este, maior será a procura pelo bem. A constatação do economista Thorstein Veblen fica muito bem ilustradaatravés de uma citação retirada de sua obra mais famosa, a teoria da classe ociosa: www.pontodosconcursos.com.br
  5. 5. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 5 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI“A base sobre o qual a boa reputação em qualquer comunidade industrial altamenteorganizada finalmente repousa é a força pecuniária, e os meios de demonstrar forçapecuniária e, mercê disso, obter ou conservar o bom nome, são o ócio conspícuo(notável) e um consumo conspícuo de bens”. Parênteses nosso. Pode-se dizer que a curva de demanda de Veblen apresenta inclinaçãopositiva, ou seja, quanto maior o preço, maior a quantidade demandada. 1.2.2 Bens de Giffen Os bens de Giffen são produtos de baixo valor, mas que representam muitodo consumo e, conseqüentemente, do orçamento das famílias de mais baixarenda. Sua interpretação é a de que caso ocorra uma elevação nos preços destesbens, haverá um aumento na quantidade demandada. A interpretação para tal situação é a de que como ocorreu um aumento nopreço do bem, sobrará menos renda disponível. Considerando que estes bens aindasão mais baratos que os demais bens, o consumidor demandará maior quantidadedo próprio bem2. 1.3 Curva de Demanda: Deslocamento da curva e ao longo da curva - distinção entre demanda e quantidade demandada Embora tais termos tendam a serem utilizados como sinônimos, estespossuem interpretações diferentes. Por demanda entendemos toda a escala oucurva que relaciona os diferentes preços e quantidades dos bens transacionadosna economia. Por quantidade demandada devemos entender um ponto da curvaque relaciona o preço e a quantidade demandada de um determinado bem. No gráfico a seguir, a curva de demanda esta indicada pela letra D, sendoque a quantidade demandada Q0 é relacionada ao preço P0. Caso opreço2 A descoberta devida a Robert Giffen foi realizada quando da análise feita pelo economista em uma pequenacomunidade rural da Inglaterra. A comunidade tinha como seu alimento principal a batata, hojevulgarmente chamada de batata inglesa. www.pontodosconcursos.com.br
  6. 6. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 6 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIaumentasse para P1, haveria uma diminuição na quantidade demandada e não nademanda. Ou seja, as alterações da quantidade demandada ocorrem ao longo damesma curva de demanda. P P1 P0 D Q0 Q1 Q No gráfico abaixo a curva da demanda inicial está indicada por D 0. Casoocorresse um aumento na renda dos consumidores, coeteris paribus, ademanda irá se deslocar para a direita D1, indicando que o consumidor estariadisposto a adquirir maiores quantidades de bens e serviços. P P1 P0 D1 D0 Q1 Q0 Q Verificamos que movimentos da quantidade demandada ocorrem aolongo da mesma curva de demanda (D0), devido somente a mudanças no preçodo bem. Quando a curva de demanda se desloca (devido a variações da rendaou de outras variáveis, que não o preço do bem), temos um deslocamento dademanda (e não da quantidade demandada).2. Curva de Oferta - Função de Oferta Pode-se conceituar a curva de oferta como as várias quantidades de bense serviços que produtores estão dispostos a oferecer no mercado aos mais www.pontodosconcursos.com.br
  7. 7. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 7 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIvariados níveis de preços. Ao contrário da função demanda, a função ofertarepresenta a correlação positiva (direta) entre quantidade ofertada e nível depreços. P O0 10 5 20 40 Q 2.1 Distinção entre oferta e quantidade ofertada A oferta representa o total de bens e serviços oferecidos por determinadaempresa. Esta mesma oferta é dependente de uma série de variáveis, tais comoo preço do bem a ser vendido (P X), preço dos insumos (produtos utilizados naprodução) (PINS), a tecnologia empregada no processo produtivo (T), bem como opreço dos demais bens. Podemos demonstrar a função oferta da seguinte maneira: OX = f (PX, PINS., T, PY), sendo a oferta dada em função dos parâmetrosanteriores. Assim como ocorre na análise da demanda, as variações na quantidadeofertada são derivadas tão somente de alterações no preço do produto, conformeexposto pelo mesmo gráfico acima. Já as variações na oferta de bens e serviçossão devidas a outros fatores que não a mudança de preços. Um bom exemplopode ser derivado, por exemplo, da descoberta de nova bacia exploratória depetróleo em águas profundas brasileiras. Neste caso ocorrerá o deslocamento dacurva de oferta para baixo e para direita, de acordo com o gráfico seguinte. www.pontodosconcursos.com.br
  8. 8. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 8 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI P O0 10 O1 5 Q 20 403. Equilíbrio entre demanda e oferta – o mercado de concorrên-cia perfeitaOBS: Nesta parte da análise trataremos as curvas de oferta e demanda como sefossem retas, ok?; Faremos isto pelo fato de estarmos utilizando umaaproximação, o que torna mais fácil a análise da dinâmica entre preços equantidades na relação existente entre a demanda e a oferta de bens e serviços. Outra questão a ser considerada a partir de agora é a que se refere àdefinição do mercado no qual ocorrem as trocas entre consumidores eprodutores. Para fins de análise, estas se realizarão dentro do chamado mercadode concorrência perfeita3, mercado que melhor representa as negociaçõesexistentes entre consumidores e produtores. 3.1 Determinação do Preço de Equilíbrio de Mercado A interação entre a demanda e a oferta por bens e serviços determina opreço e a quantidade de equilíbrio no mercado. As negociações entreconsumidores e produtores funcionam da seguinte maneira: quando ocorre umexcesso de oferta de bens frente à demanda, existe uma tendência natural a que3 Elucidaremos de forma mais precisa o mercado de concorrência perfeita dentro da aula que abordará asestruturas dos mercados de bens. Outra consideração é a de que o mercado de concorrência perfeita é umaabstração teórica, ou seja, este é pouco factível, existindo na economia apenas aproximações deste tipo demercado, como por exemplo o mercado de produtos hortifrutigranjeiros. www.pontodosconcursos.com.br
  9. 9. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 9 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIocorra uma sobra de produtos no mercado. Esta sobra tende a puxar os preçosdos produtos para baixo. De forma inversa, quando ocorre um excesso de demanda frente a umamesma oferta existe a tendência de que os preços negociados dos produtossubam. É o que chamaríamos de escassez de bens. Excesso de oferta P OQEQUIL Equilíbrio entre a oferta e a demanda por bens. D Q PEQUIL. Excesso de demanda Em algumas questões de concurso a definição das curvas de demanda ede oferta é feita a partir de uma formatação matemática. Como na maior partedas vezes consideramos a oferta e a demanda como sendo uma reta, a suaformatação é propriamente a equação de uma reta (todos se lembram como é aformatação matemática de uma reta?). Senão vejamos: Demanda = QD = 120 – 4PX Sendo: QD = quantidade demandada e P X o preço do bem X; Oferta = Qo = -20 + 3PX Sendo: Qo = quantidade ofertada e PX o preço do bem X. www.pontodosconcursos.com.br
  10. 10. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 10 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI No equilíbrio, como a oferta deve ser igual à demanda, temos os seguintesníveis de preço e quantidades: QD = 120 – 4PX = Qo = -20 + 3PX; 120 – 4PX = -20 + 3PX -7 PX = -140 PX = 20 Substituindo PX = 20 em qualquer uma das duas equações, temos aquantidade de equilíbrio exatamente igual a 40.4. Outras variáveis que afetam a Demanda (bens normais, inferiores,substitutos e complementares) Além do preço do próprio bem (por exemplo, bem X), a demanda é afetadapor mudanças em outras variáveis. Alterações na renda dos consumidores, nospreços dos bens substitutos (ou concorrentes), nos preços dos benscomplementares (camisa social e gravata, café e leite, etc.) e nas preferências ouhábitos dos consumidores impactam diretamente a demanda pelo bem X. 4.1 Variações na Renda dos consumidores A renda dos consumidores representa o poder de compra destes nosdiversos mercados. Aumentos da renda, por exemplo, devem elevar a demandapor um determinado bem ou serviço já consumido. Em situações como esta,conceituamos o bem demandado como sendo o chamado bem normal. 4.1.1 Os bens normais Os bens normais são aqueles que, quando ocorre um aumento na rendados consumidores, a demanda pelo bem também aumenta. De forma gráficatemos: www.pontodosconcursos.com.br
  11. 11. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 11 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI O0 P1 P0 D1 D0 Q 0 Q1 Podemos verificar que em função do aumento da renda a e conseqüenteelevação da demanda, o preço do bem tende a aumentar. Mas porque o preçoaumenta? A resposta é devida ao fato de que a oferta do bem continua a mesma,ocasionado assim um excesso de demanda que leva ao aumento do preço do bem. Existe uma classe de bens cuja demanda varia em sentido inverso àsvariações da renda. São os chamados bens inferiores. 4.1.2 Bens inferiores Os bens inferiores são bens em que, à medida que ocorrem aumentos narenda, a demanda por estes bens diminui. Os casos mais clássicos de bensinferiores são a passagem de ônibus e a carne de segunda. No caso da passagem,como o consumidor possui mais renda, ele tenderá a utilizar os recursos extras pararealizar a compra de um automóvel ou mesmo aumentar a demanda por táxi. Estaação tomada pelo consumidor levará ao menor consumo de passagens. No caso da carne de segunda, o aumento da renda leva os consumidores aaumentarem o consumo de carne de primeira, já que agora estes possuem maisrecursos. 4.2 Alterações nos preços de outros bens A demanda de um bem ou serviço também pode ser influenciada pelospreços de outros bens e serviços. www.pontodosconcursos.com.br
  12. 12. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 12 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 4.2.1 Bens substitutos Quando há uma relação direta entre preço de um bem e quantidade de outrobem, coeteris paribus, eles são chamados de bens substitutos. Imaginemos o casodo aumento do preço da margarina. Considerando que os demais fatores quealteram a demanda do consumidor não se alterem, o resultado será um aumento dademanda por manteiga, em substituição à demanda por margarina, agora mais cara. 4.2.2 Bens complementares Os bens complementares são aqueles em que o aumento do preço do bem Xtende a diminuir o consumo do bem Y. Um exemplo de bens complementares são opão e a manteiga. Caso ocorra um aumento no preço do pão o resultado será adiminuição da demanda por manteiga. 4.2.3 Alterações nas preferências, hábitos e gostos dos consumidores A demanda de um bem ou serviço também sofre a influência dos hábitos,preferências e gostos dos consumidores. O exemplo que melhor elucida estasvariáveis, no que concerne às decisões dos consumidores, é representado porcampanhas de marketing que estimulam a mudança de hábitos ou gostos. Algum de nós bebia tanta Soda Limonada ou mesmo Sprite, emcomparação com o consumo de bebidas tipo H2OH ou Aquários Fresh? São exatamente estes tipos de estímulo que alteram a demanda deconsumidores. www.pontodosconcursos.com.br
  13. 13. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 13 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 4.3 Resumos Bens de Giffen e bens de Veblen são anomalias à teoria da oferta e demanda.O resultado da análise destes bens é feita diante de alterações no preço do própriobem. A conceituação dos bens normais e inferiores estão relacionadas àsalterações na renda dos consumidores. A análise dos bens substitutos e complementares se dá quando se verifica oresultado na demanda de um bem diante de alterações no(s) preço(s) de outrosbens. 4.4 Conclusões iniciais O resultado da interação entre a oferta e a demanda de bens e serviços éimpactado por uma série de variáveis, conforme verificamos anteriormente. Nãoobstante, o grau de impacto destas medidas é representado pelo que chamamosde elasticidade, que representa a sensibilidade das alterações ocorridas nospreços e na renda dos consumidores frente à oferta e a demanda.5. Elasticidades Considerando as informações acima, iniciamos nossa análise com aabordagem da chamada elasticidade preço da demanda. Informo novamente querepresentaremos a demanda e a oferta, vezes como uma curva (definição maisprecisa, conforme vimos), vezes como uma reta, o que facilitará algumasinterpretações e conclusões. 5.1 Elasticidade preço da demanda A elasticidade preço de demanda é a resposta relativa da quantidadedemandada de um bem X às variações dos preços do bem X. Em outras www.pontodosconcursos.com.br
  14. 14. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 14 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIpalavras, é a variação percentual na quantidade procurada do bem X em relaçãoa uma variação percentual no preço do bem X. Como a correlação entre preços equantidade demandada é inversa, o resultado encontrado é negativo (lembre-seque a inclinação da curva de demanda é negativa), sendo seu resultado expressoem módulo. Podemos representar simbolicamente tal conceito da seguinte forma: EPD = ΔQ/Q(média) ΔP/P(médio) Utilizamos o conceito de quantidade e preços médios devido as seguintesquestões: Quando a variação no preço é positiva, ou seja, passa de 4 para 5unidades monetárias, a elevação percentual é de 25%. Ressalta-se que aelasticidade deve ser medida sempre em módulo. A fórmula de cálculo neste caso é (Pfinal – Pinicial)/Pinicial = ⎮((5 – 4)/4)⎮= 0,25 ou 25% Já quando a variação no preço for negativa, passando de 5 para 4unidades monetárias, o resultado será a queda de 20%. ⎮((4 – 5)/5)⎮= 0,20 ou 20% O cálculo da elasticidade considerando as médias de variação do preço eda quantidade exemplificam a característica da reta de demanda. Em termos gráficos temos: www.pontodosconcursos.com.br
  15. 15. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 15 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Se realizarmos a simples divisão demonstrada acima, variação da quantidade (ΔQ/Qmédio) dividida pela B variação no preço (ΔP/Pmédio), chegaremos a seguinte5 resposta: A4 ((50 − 100) / 75) /((5 − 4) / 4,5) = 3 50 100 A elasticidade igual a “3” serve de referência para analisarmos qual a sensibilidade da demanda as variações nos preços dos bens e serviços. A curva de demanda pode ser classificada como: Totalmente Inelástica: Quando a variação na quantidade demandada é igual a zero. EpD = 0 Inelástica: Quando a variação na quantidade demandada é menor do que a variação nos preços dos produtos. EpD < 1 Exemplos de produtos com demanda inelástica: (sal, remédios de uso controlado) Elástica Unitária: Quando a variação na quantidade demandada é igual à variação nos preços dos produtos. EpD = 1 Exemplos de produtos com elasticidade unitária, exatamente, são difíceis de se classificar. Elástica: Quando a variação na quantidade demandada é maior do que a variação nos preços dos produtos. EpD > 1 Exemplos de produtos que apresentam demanda elástica: (bens de luxo) Infinitamente elástica: Quando a variação na quantidade demandada é infinita. EpD = ∞ www.pontodosconcursos.com.br
  16. 16. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 16 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 5.1.1 Fatores que influenciam o grau de elasticidade - preço dademanda i - Disponibilidade de Bens Substitutos Quanto mais substitutos houver para um bem, mais elástica será suademanda, pois pequenas variações em seu preço, para cima, por exemplo, farãocom que o consumidor passe a adquirir seu substituto, provocando uma queda nademanda mais que proporcional à variação do preço do bem. ii - Essencialidade (utilidade) do bem O consumidor considera um bem como sendo essencial quando este épouco sensível às variações no seu preço. Bens essenciais costumam seremrepresentados por curvas de demanda inelástica. iii - Importância do bem no orçamento do consumidor Quanto mais significativo o peso do bem no orçamento do consumidor,mais sensível ele será as alterações no preço do bem. Um bom exemplo é o casoda carne para as famílias de mais baixa renda. As variações nos preços dos bens e serviços sobre a curva de demandatendem a impactar no resultado das vendas dos produtores. 5.1.2 A elasticidade preço de demanda e a receita total A receita total é obtida pela multiplicação entre o preço do bem e aquantidade demandada (vendida) do mesmo bem. RT = P x Qd www.pontodosconcursos.com.br
  17. 17. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 17 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Considere inicialmente o caso de uma curva de demanda inelástica, emque a variação percentual na quantidade demandada é inferior a variaçãopercentual no preço do bem. Vejamos a tabela abaixo: Tabela 1 Preço do Bem quantidade demandada RT (em milhares de reais) P1 = 10 Qd = 200 2000 P2 = 12 Qd = 180 2160Var. no preço = 20% Var. na quantidade = -10% Var. na RT = 8% Verifica-se que no caso da demanda inelástica, alterações positivas nospreços tendem a aumentar a receita total obtida pelos produtores. De formainversa, alterações negativas nos preços tendem a diminuir a receita total. Já no caso da demanda elástica o resultado é o inverso. Alteraçõespositivas nos preços tendem a diminuir a receita total dos produtores, assim comovariações negativas tendem a aumentar a receita total. Vejamos o exemplo abaixo: Tabela 2 Preço do Bem quantidade demandada RT (em milhares de reais) P1 = 10 Qd = 200 2000 P2 = 12 Qd = 150 1800Var. no preço = 20% Var. na quantidade = -25% Var. na RT = -10% Por último, no caso da demanda com elasticidade unitária, em que osimpactos em termos de variação no preço são iguais aos impactos em termos devariação na quantidade demandada, o resultado sobre a variação na receita totalserá nulo. www.pontodosconcursos.com.br
  18. 18. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 18 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A correta determinação da elasticidade da demanda permite com que ogoverno e as empresas tenham condições de prever qual será o comportamentodos consumidores diante de mudança nos preços dos produtos. Considerando assim o aspecto pertinente ao cálculo da elasticidade,inicialmente realizado a partir das médias de preços e quantidades, tivemoscondições de “eliminar” possíveis distorções geradas pelas variações nospróprios preços e quantidade demandada. Este “pulo do gato” se fez necessárioporque, conforme vimos, a melhor representação da demanda não é uma reta,mas sim uma curva, conforme o próprio nome diz : Curva de Demanda. Entendamos o porquê desta diferença entre reta e curva, considerando ográfico abaixo: P A B C D0 Q As variações percentuais (ou também medidas em termos de distância noseixos) na quantidade demandada não são iguais às variações ocorridas no preço.A passagem do ponto A, localizado na curva de demanda D0, para o ponto B,provoca uma variação na quantidade menor do que a variação de queda do preçodo bem. Já na passagem do ponto B para o ponto C, a variação na quantidade émaior do que a variação de queda do preço. Perceba que estas informaçõestambém são válidas caso partíssemos do ponto C. www.pontodosconcursos.com.br
  19. 19. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 19 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A idéia da fórmula da elasticidade preço de demanda utilizada por nósanteriormente estava em transformar a parte da curva de demanda que vai de Aaté C em uma reta, conforme o gráfico abaixo: P O espaço existente entre a curva A e a reta, é justamente o que B causa os problemas de calcularmos a elasticidade sem utilizarmos o preço e a C D0 quantidade média demandada. Q A melhor maneira de corrigirmos possíveis distorções geradas por cálculosimprecisos de elasticidade é utilizando o conceito matemático da derivada, quepode ser entendido como o cálculo que procura medir a variação de determinadavariável (no nosso caso a quantidade demandada) devido às variações de outravariável (neste caso o preço do bem). A fórmula básica de cálculo da elasticidade preço de demanda érepresentada pela seguinte fórmula: ΔQ Q EpD = 0 ; de outra forma temos: ΔP P0 P0 ΔQ EpD = x , sendo: Q0 ΔP ΔQ = variação da quantidade (quantidade final menos a quantidade inicial); Q0 = quantidade inicial; www.pontodosconcursos.com.br
  20. 20. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 20 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI ΔP = variação do preço (preço final menos preço inicial); P0 = preço inicial. Uma vez visto que a fórmula de cálculo da elasticidade padrão não étotalmente crível, necessitamos utilizar o conceito da derivada, que permite quesejam feitos cálculos com fins de medir a elasticidade diante de mínimas variaçõesnos preços. São as chamadas variações infinitesimais nas quantidades derivadas devariações infinitesimais nos preços. A diferença inicial em termos da fórmula vista acima é tão simplesmente aretirada do delta (Δ) e a colocação da letra “d ”, que é a representação da própriaderivada (ou que mede à variação tanto do preço quanto da quantidade). P0 dQ EpD = x Q0 dP Assim, passamos a considerar dQ como a derivada (ou variação) daquantidade e dP como a derivada do preço. Com o uso da derivada, não existe problema em se calcular a elasticidade dademanda seja ela uma curva ou uma reta. Vejamos o caso de uma demanda linear(uma reta), que muitas vezes é solicitada em questões de concurso que versamsobre elasticidade: Qd = a – bP; a = quantidade máxima consumida caso o preço seja igual a zero. Éinterpretada também como sendo uma constante, ou seja, independentemente devariações no preço, esta continua constante; b = coeficiente angular da reta (lembra-se dele na fórmula da reta?); www.pontodosconcursos.com.br
  21. 21. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 21 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI P = preço inicial. A representação gráfica da demanda linear nós já conhecemos, mas dequalquer maneira, podemos estender as suas pontas até que estas toquem oseixos dos preços e das quantidades. P A B C Q 0 Aplicando-se valores para os parâmetros (a = 10, b = 2), temos aseguinte fórmula para a demanda. Qd = 10 – 2P, valendo considerar que como a quantidade demandadadepende negativamente dos preços, o sinal negativo é utilizando a frente doparâmetro b. Veja que se considerarmos que a quantidade demandada seja igual a zero,encontramos o preço máximo a ser cobrado pelo produto. 0 = 10 – 2P; P=5 De outro modo, caso o preço seja igual a zero, a quantidade máximademandada será igual a 10. Os pontos que cortam os eixos do preço e daquantidade são, respectivamente, 5 e 10. www.pontodosconcursos.com.br
  22. 22. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 22 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI P 5 A B C 0 10 Q Agora, utilizando a fórmula da elasticidade vista por nós na página anterior,temos os seguintes resultados para os pontos A, B e C da reta: 5 dQ EpD A = x , Só um instante, estamos dividindo 5 por zero? É isso 0 dPmesmo? Então o resultado desta divisão é infinito4? Sim, é infinito! Conforme podemos perceber o ponto A representa o ponto em que aquantidade demandada é igual a zero. Assim, colocando-se os valores na fórmulachegamos ao resultado do primeiro termo e da própria elasticidade, que será infinita( ∞ ). EpDA = ∞ Podemos agora calcular a elasticidade no ponto B, que é o ponto mediano dacurva de demanda. Um jeito fácil de calculá-lo é simplesmente verificando quais sãoos pontos medianos do eixo da quantidade demandada e do eixo dos preços. Conforme o gráfico da página anterior, o ponto médio do eixo dos preços éigual a 2,5, enquanto o ponto médio do eixo da quantidade é igual a 5. Vejamos nográfico:4 Todo é qualquer número dividido por zero é igual a infinito. www.pontodosconcursos.com.br
  23. 23. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 23 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI P A 5 B 2,5 C Q 0 5 10 O resultado da elasticidade preço de demanda para o ponto B será: 2,5 dQ EpDB = x 5 dP dQ Mas como calculamos a derivada ? Vejamos como ela fica estruturada: dP d (10 − 2 P ) , já que Q é a própria fórmula da demanda. dP Conforme se depreende da fórmula, estamos buscando saber qual é avariação na quantidade demandada diante de variações no preço do bem. O parâmetro 10 é uma constante, ou seja, mesmo variando o preço do bemeste permanece igual. A partir desse conceito podemos concluir que a derivada(variação) de 10(dez) em função de variações no preço será igual a zero! Ok? Matematicamente temos: d (10) =0 dP www.pontodosconcursos.com.br
  24. 24. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 24 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Já para calcularmos a variação da segunda parte da demanda frente àsvariações no preço, temos que conhecer a chamada derivada da potência. Esta éassim desenvolvida: Q = -2P, neste caso desconsideramos a primeira parte da fórmula somentepara fins de entendimento e também porque já sabemos qual é o resultado daderivada de uma constante. Definamos “-2P” como sendo um parâmetro X qualquer. Este mesmo Xestá elevado a que potência? A potência 1, lembra-se? Logo podemos dizer que“X” é a mesma coisa que “X1”. Agora temos que Q = X1 ou simplesmente “Xn” , sendo “n” as diver-sas potências existentes. (1,2,1/2,1/3 etc). Com estas informações, temos que o cálculo da derivada de “X” seráfeito da seguinte forma: d(X n ) = n * X n-1 ; dP O que fizemos foi tão simplesmente “jogar” o “n” lá de cima para frente do “X”,e, conjuntamente, mantê-lo lá em cima diminuído de uma unidade. Se aplicarmos esta fórmula para o nosso “X” verdadeiro, que na verdade éigual a -2P, temos o seguinte resultado da sua derivada: d (2 P) = 1 * −2 P1−1 = -2, já que todo numero elevado a zero, inclusive P (P0), dPé igual a 1. www.pontodosconcursos.com.br
  25. 25. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 25 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Se quiséssemos realizar o cálculo da função de demanda como um todo,teríamos o seguinte resultado: d (10 − 2 P) d (10) d (2 P) = − , considerando que só não colocamos o sinal dP dP dPnegativo dentro dos parênteses do (2P) pelo fato de ele já está representado pelosinal negativo na equação. O resultado desta derivada será = 0 - 2 = -2, conforme vimos separadamenteacima. Agora é o seguinte, não tem mais como dizer que você não sabe calcular umaderivada, não é? Esta derivada é conhecida como sendo a derivada da diferença algébrica dasfunções. Se a demanda acima fosse um bem de Giffen, por exemplo, teríamos umafunção do tipo Q = 10 + 2p, já que no caso dos bens de Giffen, o aumento do preçotende a aumentar o consumo pelo mesmo bem. Na mesma medida, como agoratemos um sinal positivo na frente da variável “2P”, ao derivarmos está funçãodemanda como um todo, estaremos realizando a chamada derivada da somaalgébrica das funções. Mas agora voltando ao nosso primeiro cálculo, podemos, com o resultado daderivada calculada, verificar a elasticidade de demanda no ponto B: 2,5 EpDB = x − 2 =1 5 Ou seja, o resultado da elasticidade da demanda no ponto B é exatamenteigual à elasticidade unitária, EpDB = 1. www.pontodosconcursos.com.br
  26. 26. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 26 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Finalmente, cabe-nos calcular a elasticidade no ponto C da curva dedemanda. Aplicando a fórmula da elasticidade, temos: P0 dQ 0 EpDc = x = x−2=0 Q0 dP 10 Como “zero” dividido por qualquer número é igual a zero, mesmomutiplicado por “–2”, teremos o resultado da EpDc = 0. Com os resultados obtidos, podemos verificar a elasticidade preço ao longode toda a reta de demanda. P Verifica-se que a elasticidade é crescente a partir do ponto C. Entre 5 A; EpDA = ∞ este ponto e o ponto B, a elasticidade é menor do que 1. EpDA -B > 1 A partir do ponto B a elasticidade é crescente e sempre maior do que 1, B; EpDB = 1 sendo que no ponto A o resultado é 2,5 uma elasticidade infinita. EpDB -C <1 C; EpDB = 0 0 5 10 Q Conforme informado no quadrado explicativo do gráfico, a elasticidadepreço de demanda sai de zero no ponto C até o infinito no ponto A. www.pontodosconcursos.com.br
  27. 27. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 27 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Ponto a ser guardado: Como a demanda que estamos analisando é uma reta, e conforme vocês puderam (podem) comprovar acima, o resultado do dQ componente da fórmula da elasticidade é sempre o mesmo (-2). Isso dP ocorre porque a inclinação da reta é sempre a mesma. Tente passar uma reta horizontal cruzando cada um dos pontos (A,B,C), e veja se a inclinação da reta é diferente nestes pontos!. Se quiséssemos calcular a derivada ao longo de uma curva (e não uma reta), teríamos diferentes resultados para componente da formula da dQ elasticidade . dP A teoria ainda nos apresenta outros tipos de demandas lineares, com adiferença de que estas apresentam elasticidades constantes ao longo de toda asua extensão. 5.1.2.1 Demanda Totalmente Inelástica É a demanda em que a elasticidade preço de demanda é igual a zero (EpD =0). O preço pode aumentar ou diminuir que a quantidade demandada continuaexatamente a mesma. P D Demanda inelástica Q Q* www.pontodosconcursos.com.br
  28. 28. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 28 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 5.1.2.2 Demanda Totalmente Elástica É representação da demanda por bens ou serviços realizada pelosconsumidores em que qualquer preço diferente de P, a demanda torna-se zero. P P* D Demanda elástica Q Ressaltamos que esta proposição é efetivamente teórica, não existindo noestudo econômico comprovações efetivas a respeito da existência deconsumidores que se comportam desta forma. De qualquer maneira vale sempre dizer, se pode cair na prova, entãotemos que saber, ok? 5.1.3 A Receita Total dos produtores (parte 2) Voltamos à abordagem da Receita Total. Verificamos anteriormente comoa elasticidade da demanda impacta o resultado da Receita Total com a venda dosprodutores. Concluímos que quando a curva de demanda é inelástica, a variaçãopositiva nos preços tende a aumentar a Receita Total. Quando a curva dedemanda é elástica, a resposta em termos de decréscimo percentual no consumotende a ser maior do que a subida nos preços, o que diminuirá as receitasarrecadas pelos produtores. Por fim, concluímos que quando a elasticidade dademanda for unitária, a receita dos produtores não se alterará. www.pontodosconcursos.com.br
  29. 29. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 29 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Podemos utilizar a derivada para verificarmos qual seria o preço quemaximizaria a Receita Total. Vamos a um exemplo: Q = 1000 – 10P; A receita total é produto da quantidade pelo preço; RT = (1000 – 10P)*P RT = (1000P – 10P2); A derivada demonstra a que nível de preços a variação da receita total émáxima. dRT d (1000 P − 10 P ) d (1000 P ) d (10 P ) 2 2 = = − = 1000 − 20 P dP dP dP dP Caso você tenha ficado com dúvidas de como calculamos a derivada, volte5 páginas e relembre! Pensemos uma coisa: Se a derivada procura mostrar como a variação depreços impacta da quantidade demandada, quando o resultado desta derivada forigual a zero, ou seja, o aumento no preço não aumenta a receita total, é porqueesta é a receita máxima, não é? Então façamos isso! dRT = 0 = 1000 – 20P; 1000 = 20P; P = 50; dP Se P = 50, RT = 1000*(50) – 10 (50)2 = 50000 – 25000 = 25000 www.pontodosconcursos.com.br
  30. 30. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 30 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A receita total máxima é aquela quando P = 50. Caso P > 50, variaçõespositivas no preço diminuirão a receita total. Já se caso P < 50, aumentos no preço,até o limite de P = 50, aumentarão a RT. Mais uma vez: A receita total é máxima quando P = 50. Isso se deve ao fato dQ mostra a variação na quantidade demandada em função do preço. Umde que dPoutro detalhe importante é que estamos trabalhando com o conceito de curva dedemanda inversa, em que o as variações nos preços impactam na quantidade. 5.1.4 A relação entre a receita total e a elasticidade preço de demanda Conforme verificamos acima, existe um determinado preço que maximiza areceita de vendas dos produtores. Aumentos nos preços no trecho em que aelasticidade preço de demanda é menor do que 1 tendem a aumentar a receitatotal de vendas, atingindo o ponto máximo quando a elasticidade preço dademanda é igual a 1. A partir do ponto em que ocorre um aumento do preçoacima de 50 a receita total tende a se reduzir, resultado da elasticidade preço dedemanda maior do que 1. A explicação para este fato se encontra na própria elasticidade preço dademanda. Como a receita aumenta com a elevação do preço até o patamar de50, conclui-se que a demanda é inelástica, ou seja, aumentos percentuais nospreços são maiores do que a queda percentual nas vendas. Já no ponto P = 50, ademanda tem elasticidade unitária, já que a variação percentual positiva nospreços é igual à variação percentual negativa na quantidade demandada. Por fim,a variação percentual no preço que leve a um patamar maior do que P = 50, farácom a RT caia, já a que a partir deste ponto a variação percentual negativa naquantidade demandada será maior do que a variação percentual positiva nopreço. www.pontodosconcursos.com.br
  31. 31. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 31 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A relação entre elasticidade da demanda e receita total pode ser bemexplicada pelo seguinte gráfico: Conforme podemos verificar, a receita total cresce no trecho em que a P RT* elasticidade preço da demanda é EpD > 1 menor do que 1, ou seja, sobe o preço e a receita total aumenta, atingindo o ponto máximo no ponto que a elasticidade é igual a 1. A partir do EpD = 1 ponto que a elasticidade preço da P* EpD < 1 demanda é maior do que 1, ou seja, após o preço maior que P*, a receita total diminui com o aumento do preço do bem. Q* Q O ponto que maximiza a receita total é o representado por P* e Q*. 5.2 Elasticidade- renda da demanda O coeficiente de elasticidade renda da demanda (E RD) mede a variaçãopercentual da quantidade da mercadoria demandada (ΔQ/Q), resultante de umavariação percentual na renda do consumidor ( ΔY/Y), coeteris paribus, onde Yrepresenta a renda dos indivíduos. ΔQ Q Y ΔQ ER D = 0 = ER D = 0 x ΔY Q 0 ΔY Y0 Partimos do pressuposto de que toda vez que a renda aumentar, maiorserá o consumo do bem, da mesma forma que toda vez que a renda diminuir,menor será o consumo do mesmo bem. Existem certos produtos, entretanto, www.pontodosconcursos.com.br
  32. 32. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 32 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIconforme destaca a teoria econômica, que fazem com que a reação doconsumidor seja diferente. Tratam-se dos bens inferiores, já detalhados por nós. Assim, toda vez queocorra um aumento na renda, estes tendem a ter o seu consumo diminuído. Umcaso clássico é a substituição de carne de segunda por carne de primeira, amedida que ocorra um aumento na renda. A elasticidade renda da seguinte forma: Se ErD < 1, o bem é dito inferior, inclusive com valores negativos; Se ErD = 1, o bem é dito normal; Se ErD > 1, o bem é dito, usualmente, superior ou de luxo. 5.2.1 A curva de Engel A chamada curva de Engel procura demonstrar como os aumentos na rendatendem a impactar na quantidade consumida do bem ou serviço. Caso ocorra umaumento na renda, e considerando que estamos falando de bens normais (aumentosna renda provocam aumentos no consumo), sua demonstração pode serrepresentada conforme o seguinte gráfico: Y Curva de Engel Q www.pontodosconcursos.com.br
  33. 33. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 33 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Conforme podemos perceber, à medida que a renda cresce a quantidadedemandada do bem também cresce inicialmente a taxas crescentes eposteriormente a taxas decrescentes. Isto demonstra o princípio econômico dasaciedade, em que necessidades adicionais de consumo de um determinado bemou serviço é cada vez menor. Pense nisso, você conhece algum bem (em condiçõesnormais) que não se encaixe nessa regra? Destaca-se apenas que essa regra é válida para aumentos pouco relevantesna renda, uma vez que grandes aumentos na renda podem provocar a diminuiçãono consumo de determinados bens e o início do consumo de outros bens. Nestasituação, passaríamos a considerar o bem como sendo inferior e não mais normal.Vejamos isso graficamente: Curva de Engel Y Devido ao aumento da renda, pode ser reduzido o consumo do bem, se tornando agora um bem inferior. O bem é inicialmente normal. Q 5.3 Elasticidade Preço Cruzada da Demanda A elasticidade preço cruzada da demanda procura medir como as variaçõesnos preços do bem B impactam na quantidade consumida do bem A. www.pontodosconcursos.com.br
  34. 34. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 34 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI ΔQ A Q P ΔQA Ep D = A = ER D = B x A− B ΔPB QA ΔPB PB Quando a quantidade demandada do bem A aumentar em função do aumentono preço do bem B, podemos considerar estes bens como sendo substitutos um dooutro. Margarina e manteiga são bons exemplos. Já quando a quantidade demandada do bem A diminuir em função doaumento no preço do bem B, consideramos que estes bens são complementares.Um exemplo ilustrativo é o caso da manteiga e o pão. 5.4 Elasticidade preço da oferta A elasticidade preço da oferta procura medir qual a sensibilidade dosprodutores diante de variações nos preços dos bens e serviços ofertados. Afórmula de cálculo segue a mesma sistemática da elasticidade preço dademanda, com a diferença de que o resultado sempre será positivo, ou seja,aumentos nos preços tendem a elevar a oferta por bens e serviços. ΔQ Q P ΔQ E pO = 0 = EPO = 0 x ΔP Q0 ΔP P0 Em resumo temos que: E p O > 1, a oferta do bem é elástica; E p O <1, a oferta do bem é inelástica; E p O = 1, a oferta apresenta elasticidade unitária. www.pontodosconcursos.com.br
  35. 35. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 35 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 5.5 Excedente do Consumidor O excedente do consumidor procura determinar qual é o excedente que oconsumidor obtém ao compra um determinado bem ou serviço. Ficou meio sem nexo esta definição, não? Então vamos a outra forma de abordagem. Excedente do consumidor é aquantia financeira que o comprador está disposto a pagar por um determinado bemmenos a quantia que ele efetivamente paga pelo bem. O excedente procura determinar qual seria o benefício que consumidores têmao transacionarem no mercado. A idéia é aquela assim: Determinado consumidor se propõe a pagar até R$ 10,00 pelo preço de umbem. Se o preço de mercado for R$ 5,00, seu excedente será de R$ 5,00. Uma boa forma de representar o excedente do consumidor é através da curvade demanda, que associa o preço do bem e as diversas quantidades demandadas. Calculemos o excedente do consumidor a partir da seguinte função demanda: Qd = 10 – P 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 2 3 4 5 6 7 8 www.pontodosconcursos.com.br
  36. 36. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 36 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI O consumidor está disposto a pagar até R$ 9,00 por uma unidade. Como elepaga R$ 2,00, o seu excedente é de R$ 7,00. Para a segunda unidade, ele estádisposto a pagar até 8, pagando R$ 2,00 novamente. Neste caso o seu excedentepassa a ser de R$ 6,00 e assim sucessivamente até o ponto que ele está disposto apagar apenas R$ 2,00 pela oitava unidade, não tendo assim nenhum excedente pelacompra da oitava unidade. O resultado desta negociação será o excedente do consumidor caracterizadoconforme o gráfico abaixo5: O excedente do consumidor representa o ganho auferido pelo consumidor frente a sua disposição de compras bens e serviços.P=2 1 2 3 4 5 6 7 8 Verifica-se que o excedente do consumidor tem como orientação a própriacurva de demanda por determinado bem, nos moldes do já estudado por nós. Em com a finalização da conceituação do Excedente do Consumidor,podemos nos voltar à realização de questões de provas anteriores elaboradas pelopara fixarmos o conteúdo estudado. Após essa primeira série de questões nosvoltaremos ao estudo da teoria do consumidor.5 Ressalta-se que a função demanda é contínua, e não discreta, para que assim não sejam levantadas dúvidassobre a interpretação do excedente do consumidor. www.pontodosconcursos.com.br
  37. 37. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 37 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIQuestões Propostas 1:1 - (ECONOMISTA/ANA – CESPE/2006) A análise da oferta e da demanda eas interações entre o governo e os mercados privados são tópicosrelevantes para o estudo dos fenômenos econômicos. A esse respeito,julgue os itens a seguir.61. A elevação dos custos dos tratamentos médicos, decorrente dos avançostecnológicos nessa área, desloca a curva de oferta desses serviços para cima epara a esquerda e, por isso, explica, em parte, os aumentos substanciais dospreços desses serviços nos últimos anos.62. O uso de hidrômetros eletrônicos, que aumenta a precisão da mensuração doconsumo de água, por reduzir as perdas, provoca um deslocamento ao longo dacurva de demanda de água, expandindo, assim, a quantidade demandada.64. A redução no número de fumantes, devido à relação existente entre doençaspulmonares e o uso continuado de nicotina, para uma dada curva de oferta decigarros, é compatível com a existência de preços substancialmente maiselevados para esses produtos.2 – (ECONOMISTA/ANA – CESPE/2006) A microeconomia estuda ocomportamento individual dos agentes econômicos e, por essa razão,constitui um sólido fundamento à análise dos agregados econômicos. Aesse respeito, julgue os itens subseqüentes.73 As altas recentes do preço do petróleo, no mercado mundial, tendem aviabilizar o surgimento de bens substitutos, portanto contribuem para aumentar aelasticidade do preço da demanda desse produto. 75 O fato de que a desregulamentação da indústria do transporte aeroviário, por reduzir o preço das passagens aéreas, aumentou substancialmente o número de www.pontodosconcursos.com.br
  38. 38. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 38 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIpassageiros que utilizam esses serviços, é consistente com a existência de umacurva de demanda altamente inelástica.76 A disponibilidade de aparelhos de DVDs e a quantidade e variedade de filmese documentários nas locadoras de DVDs deslocam, para baixo e para aesquerda, a curva de demanda dos serviços pay-per-view, para essas películas,oferecidos pelas empresas de TVs a cabo.3 – (ANALISTA DE GESTÃO PÚBLICA/PREF. VITÓRIA – CESPE/2008) Ateoria microeconômica estuda o processo de decisão dos agenteseconômicos, incluindo-se aí, consumidores e produtores. A esse respeito,julgue os itens a seguir.52 O fato de a queda no preço das chamadas de telefones celularesrecentemente observada ter sido concomitante com a redução das chamadasoriginadas de telefones fixos é consistente com a idéia de que telefones fixos ecelulares são bens substitutos.54 A alta do preço do gás veicular, decorrente do fim de incentivos para o usodesse produto, anunciado recentemente pelo governo para evitar odesabastecimento, se consumada, deslocará a curva de demanda de mercadodesse tipo de gás, para cima e para a direita.55 A redução dos estoques mundiais de petróleo, que contribui para a altarecente do preço desse produto, desloca a curva de oferta de gasolina, para cimae para a esquerda.56 Se, para determinado bem, a curva de demanda de mercado é linear, então, aelasticidade preço da demanda ao longo dessa curva é constante e, portanto,independe do preço.57 Supondo-se que, para a população de baixa renda, a demanda de transportecoletivo é relativamente inelástica em relação à tarifa cobrada, então, é possível www.pontodosconcursos.com.br
  39. 39. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 39 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIafirmar que um aumento dessa tarifa elevará a receita das empresas que atuamnesse setor.4 – (ANALISTA DE INFRAESTRUTURA/MPOG – CESPE/2010) A respeito dosconceitos e das aplicações microeconômicas julgue os itens que se seguem22 – Quando a elasticidade preço da demanda for maior do que um, a demandaserá elástica. É o caso, por exemplo, de bens produzidos internamente, quandohá aumentos de preços e existe uma forte proteção tarifária em relação a essesmesmos bens produzidos nos mercados concorrenciais externos. www.pontodosconcursos.com.br
  40. 40. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 40 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI6. Curvas de indiferença; equilíbrio do consumidor; efeitos preço, rendae substituição 6.1 Teoria do Consumidor - Conceitos iniciais A análise microeconômica centra-se no estudo dos principais agentespresentes de uma economia, as famílias e as empresas. As famílias sãoestudadas através da abordagem denominada de Teoria do Consumidor. Estaprocura explicar como as preferências dos consumidores, consubstanciadas pormeio do conceito de Utilidade, são formadas de forma mais consistente possível,influenciando suas decisões de consumo e, consequentemente, do gasto dasrendas auferidas em decorrência do trabalho. Ex: O que é mais útil para um determinado consumidor, uma casa ouum carro? 6.2 Preferências dos Consumidores Na conceituação das preferências dos consumidores partimos do pressupostode que os indivíduos são racionais. O uso da racionalidade, neste modelo, refere-seao exercício de escolhas individuais baseadas tão somente na economia ouotimização dos recursos (renda) que cada indivíduo possui. Imaginemos inicialmente que um determinado indivíduo deve escolher aalocação de seus recursos entre dois bens, X e Y. A alocação dos recursos érepresentada por cestas de bens, que aqui representaremos por cestas A, B ou C.As cestas mencionadas apresentam diferentes volumes para cada um dos bens X eY. O conceito da transitividade afirma que se determinado consumidor preferira cesta B à cesta C, preferindo ainda a cesta C à cesta A, obrigatoriamente elepreferirá a cesta B à cesta A. www.pontodosconcursos.com.br
  41. 41. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 41 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI B f C f A ⇒ B f A , sendo “ f ” o símbolo de “preferível” e” ⇒ ” o símbolo de“logo”. “A” nunca poderá ser preferível à “B” se for válido o princípio da transitividade. Outro conceito bastante importante é o da não saciedade ou tambémchamado de preferências monotônicas, que representa o ditado de quanto mais,melhor. A Teoria do Consumidor sempre leva em consideração que os bens eserviços consumidos aumentam a satisfação destes consumidores. Destaca-se ainda um conceito muito importante, referente à ordenação daspreferências do consumidor. A chamada ordenação ordinal, também conhecidacomo teoria ordinal. Imaginemos que uma cesta de consumo “A” tenha 5 unidadesdo bem X e 2 unidades do bem Y e que uma cesta B cesta B apresenta 10 unidadesdo bem X e 4 unidades do bem Y. Nessa condição fica claro concluirmos que oconsumidor preferirá a cesta “B” à cesta “A”, uma vez que “B” possui o dobro debens tanto X quanto Y. A esse tipo de preferência denomina-se de ordinal, ou seja,vale o princípio da não saciedade. Com esta informação poderíamos nos deparar com o seguintequestionamento. Mas quanto a cesta “B” é melhor que para o consumidor do que acesta “A”? A chamada teoria cardinal nos dá essa resposta, uma vez que procuramensurar a intensidade da preferência pela cesta “B”. Assim, se torna fácil, porexemplo, afirmarmos que o consumidor prefere duas vezes mais a cesta “B” à cesta“A”6. 6.3 Curva de Indiferença (Representação das preferências dos consumidores)6 Destaca-se apenas que não é porque a cesta “B”possui duas vezes mais bens X e Y do que a cesta “A” que oconsumidor preferirá a cesta “B”. www.pontodosconcursos.com.br
  42. 42. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 42 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Podemos representar as preferências dos consumidores a partir daschamadas curvas de indiferença, que demonstram as diferentes combinações debens (X e Y), por meio das cestas (A, B e C). A cesta A escolhida pelo consumidor apresenta 10 unidades do bem X e 5unidades do bem Y. A cesta B apresenta 7 unidades do bem X e 8 unidades do bemY. Finalmente, a cesta C apresenta 5 unidades do bem X e 10 unidades do bem Y.Vejamos o formato da curva de indiferença em questão: Y C 10 8 B A 5 I1 5 7 10 X Outro aspecto importante das curvas de indiferença é de que quanto maisdistantes da origem dos eixos estas estiverem, maior é o nível de satisfação dosindivíduos, pois mais bens X e Y este está consumindo. Y Veja como no ponto D, que é um ponto constante da curva de indiferença I2, o consumidor consome mais10 tanto do bem X como do C bem Y. D8 B5 A I2 I1 5 7 10 X www.pontodosconcursos.com.br
  43. 43. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 43 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Cabe destacar que, obedecendo ao princípio da transitividade, as curvas deindiferença nunca podem se tocar, pois acabaríamos por ter um mesmo nível desatisfação (preferência) para diferentes curvas de indiferença. Outro aspectoimportante das curvas de indiferença é de que estas apresentam inclinaçãonegativa, sendo decrescentes da esquerda para a direita. Essa inclinação demonstraa troca (escolha) realizada entre os bens X e Y, sendo representada pelo quechamamos de Taxa Marginal de Substituição - TMS. O mesmo formato das curvas de indiferença é explicado segundo o conceitojá visto por nós, aquele referente à utilidade marginal decrescente, em que cadaunidade adicional consumida representa para aquele indivíduo uma satisfação(utilidade) inferior à anterior. 6.4 A Taxa Marginal de Substituição – TMS Conforme afirmamos anteriormente, na medida em que os indivíduos abremmão de uma unidade do bem Y, eles requerem uma quantidade adicional do bem X,para que assim mantenham-se na mesma curva de indiferença. A substituição dobem Y pelo bem X é representada pela Taxa Marginal de Substituição, conformedisposto no gráfico que se segue: Y A Y1 B Y2 X X1 X2 Conforme verificado nesta aula, a fórmula matemática de representação davariação da escolha de bens ao longo de uma curva é feito por meio do uso da www.pontodosconcursos.com.br
  44. 44. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 44 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIderivada. Dessa maneira, temos que a Taxa Marginal de Substituição será definidacomo: ΔY TMS = = variação de Y dada a variação de X, que pode também ser ΔX ∂Y expressa por (variação (derivada) de Y dada a variação (derivada) de X). ∂X 6.5 A restrição orçamentária dos consumidores A restrição orçamentária representa o limite do consumo de um indivíduo. Osindivíduos gostariam de consumir quantidades ilimitadas dos bens, mas, no entanto,isto não é possível devido à renda limitada que cada um possui. A restriçãoorçamentária é composta da relação existente entre o preço dos bens que indivíduodeseja comprar multiplicado pela respectiva quantidade de cada um dos bens. Cabedestacar que o montante gasto pelos consumidores deve ser no máximo igual aovalor da sua renda percebida, ou seja, partimos do pressuposto de que ele não podetomar empréstimos. Vejamos um exemplo a seguir, em que o indivíduo consome apenas (2) doisbens, X e Y: Preço do bem X = 5; Quantidade consumida do bem X = 10; Preço do bem Y = 10; Quantidade consumida do bem Y = 10 A restrição orçamentária do consumidor deve ser representada por: P1 * Q1 + P2 * Q2 = Re nda 5*10 + 10*10 = R www.pontodosconcursos.com.br
  45. 45. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 45 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Sendo a renda igual a R$ 150, o consumidor estará respeitando a suarestrição orçamentária. A forma de estruturação da restrição orçamentária do consumidor é feita apartir da informação de quanto é a quantidade máxima que o consumidor podeadquirir do bem X ou do bem Y a partir da sua renda. Para isso temos que caso oconsumidor gaste toda a sua renda com o bem X, ele consumirá o equivalente a 30unidades, já que a sua renda é de R$ 150. Já se ele optar por consumir apenas obem Y, poderá assim fazê-lo num total de 15 unidades. Com estes resultadospodemos representar a da restrição orçamentária deste consumidor: Gráfico da restrição orçamentária Y 15 A 10 B 6 X 10 18 30 As quantidades consumidas dos bens X e Y estão condicionadas a duasrestrições: • Aos preços dos bens X e Y; • A renda do consumidor. Com isso podemos expressar a restrição orçamentária do consumidor emquestão com sendo igual a: R = 5 X + 10Y Os interceptos dos eixos da restrição orçamentária que montamos acima,referentes às quantidades máximas consumidas dos bens X e Y são: www.pontodosconcursos.com.br
  46. 46. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 46 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Para a quantidade demandada do bem X: 5 X = R − 10Y 1 X = R − 2Y 5 Par a quantidade demandada do bem Y: 10Y = R − 5 X 1 1 Y = R− X 10 2 Um aspecto muito importante na análise da restrição orçamentária érepresentado pela inclinação da reta acima, pois é esta que demonstra“economicamente falando” qual a relação de troca entre os bens X e Y. A forma demedição da inclinação da reta é dada em razão dos preços dos bens, o que inclusivejá calculamos por meio das expressões acima. A inclinação da restrição orçamentária é a nossa velha tangente, que émedida através da relação existente entre os catetos oposto e adjacente. O ânguloque estamos analisando é o ângulo em que Y é o cateto oposto e X o catetoadjacente, para que assim não reste dúvidas, ok? Dessa maneira, expressando Y (cateto oposto) em função de X (catetoadjacente) temos a mesma equação já disposta acima: 10Y = R − 5 X 1 1 Y= R − X , sendo: 10 2 1 o coeficiente linear e; 10 1 o coeficiente angular. 2 www.pontodosconcursos.com.br
  47. 47. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 47 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Perceba ainda que o coeficiente angular nada mais mede do que a relação de ⎛ PX ⎞preços entre X e Y; ⎜ ⎜ ⎟; ⎟ ⎝ PY ⎠ Para que não reste dúvida deste resultado, experimente calcular o coeficienteangular da reta nos pontos A e B do gráfico da restrição orçamentária. O calculo da inclinação da restrição orçamentária pode ser feito por meio douso da derivada. Sendo assim, qual seria a variação da quantidade do bem Y dado avariação do bem X? A partir da fórmula da restrição orçamentária R = PX * X + PY * Y , eIsolando-se Y, temos: PY * Y = R − PX * X R PX Y= − *X PY PY Novamente levando em consideração o fato de que a ferramenta da derivadaprocura medir qual é a variação (impacto) em uma variável diante da variação de ⎛ ∂Y ⎞outra variável, calculamos qual a derivada de Y em relação à X . ⎜ ⎟. ⎝ ∂X ⎠ R Veja que se derivarmos ∂ ( ) em relação à ∂X o resultado será igual a PY“zero”, uma vez que não existe nesta parte da expressão qualquer variável X . Já nasegunda parte da expressão, verifica-se a existência da variável X , sendo que PX P∂( * X ) em relação à ∂X é igual à X . O sinal de negativo na frente do PY PYresultado é devido primeiramente ao fato de este já está disposto na equação que foiderivada e segundo por que a restrição orçamentária apresenta inclinação negativa. www.pontodosconcursos.com.br
  48. 48. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 48 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI ∂Y P = − X ∂X PY Vale lembrar novamente que não existe diferença entre o cálculo dainclinação seja pelo conceito de tangente, seja pelo conceito de derivada. Naverdade o resultado é o mesmo. 6.6 O conceito de Utilidade do Consumidor A demanda por bens e serviços ocorre porque estes trazem prazer ousatisfação aos indivíduos. A teoria da utilidade possibilita medir o nível de satisfaçãodecorrente do consumo de uma mercadoria. De outra forma, a utilidade é umamedida de prazer do consumidor ao consumir (ou demandar) um determinado bemou serviço. A utilidade total cresce à medida que aumentamos o consumo de umamercadoria. Da mesma forma, conforme já vimos, à medida que se aumenta oconsumo por determinado bem, a utilidade adicional (marginal) do mesmo bemdiminui, o que pode ser expresso pelo gráfico abaixo. Utilidade Total Veja que a utilidade total cresce com o aumento da quantidade consumida, mas cada vez a taxas menores. Quantidade consumida Utilidade A utilidade de cada Marginal unidade consumida (utilidade marginal) é decrescente. Quantidade consumida www.pontodosconcursos.com.br
  49. 49. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 49 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI 6.7 A Maximização da Utilidade - Otimização do Consumidor O consumidor irá maximizar a sua utilidade no ponto em que a suarestrição orçamentária tangencia a curva de indiferença mais alta possível.Neste ∂Y ) é igual à razão dos ∂mesmo ponto a Taxa Marginal de Substituição – TMS ( ⎛ PX ⎞ Xpreços ⎜ ⎜ P ⎟ dos bens X e Y aos quais ele consome. ⎟ ⎝ Y ⎠ No gráfico abaixo o ponto de maximização da utilidade do consumidor érepresentado por “A”, com a alocação da cesta (X*,Y*), uma vez que oconsumidor está sujeito à restrição orçamentária. O consumidor está no seu maior nível de satisfação ao escolher o ponto “A”, Y em que a restrição orçamentária atinge a curva de indiferença mais alta. Este ponto é chamado de ponto de tangência. Neste ponto a TMS ∂Y A Y* I3 é igual à razão dos preços I1 ∂X I2 ⎛ PX ⎞ ⎜ ⎜P ⎟. ⎟ ⎝ Y ⎠ X X* A alteração na quantidade consumida do bem X deve ser compensada peloaumento na quantidade consumida do bem Y, para que o consumidor se mantenhana mesma curva de indiferença, que assim lhe dá o mesmo nível de utilidade. Estavariação, medida por meio do conceito de derivada, chama-se de Utilidade Marginal, ∂Uque é representada por = Umg x . ∂X www.pontodosconcursos.com.br
  50. 50. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 50 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A mesma relação é válida para Y, em que a variação marginal no consumo de ∂UY é representada por = Umg Y . ∂Y Fazendo uma condensação dos resultados acima, temos que: ∂U = Umg x ⇒ ∂U = ∂X * Umg x ∂X ∂U = Umg Y ⇒ ∂U = ∂Y * Umg Y ∂Y Para que os consumidores se mantenham na mesma curva de indiferença e,conseqüentemente, no mesmo nível de utilidade inicial maximizadora, tem-se que: ∂X * Umg x = ∂Y * Umg Y , ou seja, uma variação positiva ou negativa em X,multiplicada pela utilidade marginal de se consumir mais ou menos de X, deve serigual à variação positiva ou negativa de Y, multiplicada pela utilidade marginal de seconsumir mais ou menos de Y. Cabe ressaltar que a variação negativa em termos da quantidade X deve serobrigatoriamente acompanhada da variação positiva em Y e vice-versa. Com a igualdade do parágrafo acima, temos que: ∂Y Umg x ∂X * Umg x = ∂Y * Umg Y ⇒ = ∂X Umg y ∂Y Sendo que é o próprio cálculo da Taxa Marginal de Substituição (TMS). ∂X ⎛P ⎞Destaca-se, ainda, que a mesma TMS é igual à razão dos preços − ⎜ X ⎜P ⎟ . Por conta ⎟ ⎝ Y ⎠ www.pontodosconcursos.com.br
  51. 51. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 51 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIdestas informações, verificam-se as seguintes igualdades no ponto em que oconsumidor maximiza a sua utilidade: ⎛ ∂Y ⎞ ⎛ P ⎞ A TMS ⎜ ⎟ é igual à razão de preços ⎜ − X ⎟ que é igual à razão das ⎜ P ⎟ ⎝ ∂X ⎠ ⎝ Y ⎠ ⎛ Umg x ⎞utilidades marginais de X em relação Y ⎜ ⎟. . ⎜ Umg ⎟ ⎝ y ⎠ ∂Y ⎛ PX ⎞ Umg x TMS = = ⎜− ⎟ = ∂X ⎜ PY ⎝ ⎟ ⎠ Umg y No ponto onde o consumidor ∂Y Y maximiza a sua utilidade, a TMS ∂X é igual à razão do preço x em relação ⎛ P ⎞ A à Y ⎜ − X ⎟ que é igual a razão das ⎜ P ⎟ Y* ⎝ Y ⎠ utilidades marginais de X em relação a I1 ⎛ Umg X ⎞ X Y ⎜ ⎜ Umg ⎟. ⎟ ⎝ Y ⎠ X* 6.8 A função utilidade do Consumidor A utilidade do consumidor pode ser representada por meio de funçõesmatemáticas. Estas funções partem do pressuposto de que o consumidor alcançaráo máximo de satisfação com o seu consumo, restrito à sua renda, sempre no pontoem que a Taxa Marginal de Substituição for igual a menos a razão dos preços dosbens X e Y que, conseqüentemente, será igual à razão das utilidades marginais de Xem relação à Y. www.pontodosconcursos.com.br
  52. 52. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 52 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI A técnica chamada de Multiplicadores de Lagrange permite calcular amaximização da utilidade do consumidor por meio da sua cesta de bens U = f(X,Y),estando o consumidor sempre sujeito à restrição imposta pela sua renda(PX * X + PY * Y ≤ Re nda ) . Cabe ressaltar que cada função utilidade, conformedisposta acima, possui uma forma que é normalmente variável em cada tipo dequestão de prova que aborda os conteúdos referentes à Teoria do Consumidor.Vejamos um exemplo elucidativo e a sua forma de cálculo: O consumidor deve maximizar a sua função Utilidade U = ( XY ) sujeita a suarestrição orçamentária R = PX * X + PY * Y . A fórmula de Lagrange permite restringir a maximização da utilidade doconsumidor à sua renda percebida, de modo que temos: L = U ( X , Y ) − λ (PX * X + PY * Y − R ) De forma matemática deve-se maximizar a utilidade (função matemáticaacima) sujeita (dependente) à alocação dos bens restritos à renda do consumidor. Maximizar L = U ( X , Y ) − λ (PX * X + PY * Y − R ) ; O cálculo de maximização é feito a partir das derivadas parciais (para o bemX, para o bem Y e para λ (que representa a restrição)). Os resultados parciais deverão ser igualados a zero. Das igualdades, tem-seo sistema de equações. A partir destas equações, calculadas por meio doestabelecimento de parâmetros de preços dos bem X e Y e da renda, chegamos àsquantidades de equilíbrio que maximizam a utilidade do consumidor. Apenas para consolidação e exemplificação, apresentamos uma questão daESAF. Vejamos: www.pontodosconcursos.com.br
  53. 53. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 53 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI(AFC/STN – ESAF/2005) Considere o seguinte problema de otimizaçãocondicionada em Teoria do Consumidor:Maximizar U = X.YSujeito à restrição 2.X + 4.Y = 10OndeU = função utilidade;X = quantidade consumida do bem X;Y = quantidade consumida do bem Y.Com base nessas informações, as quantidades do bem X e Y que maximizam autilidade do consumidor são, respectivamente:L = XY − λ (2 * X + 4 * Y − 10 ) ∂L ∂XY ∂ (2 * X + 4 * Y − 10) = −λ = Y − 2λ = 0 ⇒ Y = 2λ ∂X ∂X ∂X ∂L ∂XY ∂ (2 * X + 4 * Y − 10) = −λ = X − 4λ = 0 ⇒ X = 4λ ∂Y ∂Y ∂Y ∂L ∂λ (2 * X + 4 * Y − 10) = = 2 * X + 4 * Y − 10 = 0 (***) ∂λ ∂λ Substituindo os valores de Y e de X na equação (***), temos: 2 * 4λ + 4 * 2λ − 10 = 0 ⇒ λ = 0,625 , e X = 4 * 0,625 = 2,5 Y = 2 * 0,625 = 1,25Se fosse necessário calcular a utilidade do consumidor, esta seria igual a: www.pontodosconcursos.com.br
  54. 54. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 54 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI U = X.Y U = 1,25 x 2,5 = 3,125Gabarito: letra “e” Procurem sempre se lembrar dos resultados em termos do ótimo do ∂Y ⎛ P ⎞ Umg xconsumidor em que TMS = = ⎜− X ⎜ P ⎟ = ⎟ . Lembre-se que quando feita a ∂X ⎝ Y ⎠ Umg yigualdade, tanto os preços Px quanto a utilidade marginal de x ficam no numerador,estando a derivada ∂Y no numerador. 6.9 Mudanças no Equilíbrio do Consumidor – Os efeitos Renda e Substituição Mudanças nos preços dos bens componentes da cesta escolhida peloconsumidor tendem a gerar impactos diretos sobre a alocação dos seus recursos. Imaginemos que ocorra uma queda do preço do bem X. Naturalmente,verifica-se que este se torna mais barato relativamente aos outros bens. Oconsumidor pode então decidir comprar mais do bem X, gerando o que a teoriaeconômica denomina de efeito substituição. Adicionalmente, em função daredução do preço do bem X, o poder de compra do consumidor aumenta, podendocomprar a mesma cesta de bens anterior e ainda sobrar renda para a compra deoutros bens. O aumento do poder de compra do consumidor, que pode serconsiderado um aumento de renda (relativo) é denominado na teoria econômica deefeito renda. Como não é tão comum a redução do preço dos bens (a não ser que ogoverno reduza o IPI!), podemos melhor interpretar estes conceitos por meio de umexemplo associado à subida do preço do bem X. O aumento de Px leva inicialmente www.pontodosconcursos.com.br
  55. 55. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 55 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTIà redução da quantidade X da cesta de bens de um consumidor. Conformeverificamos a pouco, este aumento é decomposto de dois efeitos, o chamado efeitosubstituição e o efeito renda. Partindo-se do equilíbrio inicial do consumidor, representado pelo gráficoabaixo, ocorre uma diminuição da quantidade X, derivada do aumento de Px. Esseaumento provoca um “giro” para dentro da reta de restrição orçamentária, mantendo-se constante a quantidade Y consumida. A quantidade X1 é reduzida para X2,alterando-se a restrição orçamentária R1 para a nova restrição orçamentária R2.Considerando-se as novas condições de mercado, o consumidor procurarámaximizar a sua utilidade diante das novas opções de consumo, fazendo com que acurva de indiferença mais alta tangencie a nova reta de restrição orçamentária R2.Vejamos: Y y1 B A I1 R2 I2 R1 x2 x1 X Analisando-se cuidadosamente o gráfico, verifica-se que a quantidade Y1 foimantida, tendo ocorrido apenas a redução da quantidade X, passando de X1 paraX2. O efeito substituição é derivado exatamente do aumento do preço do bem X,“Px”, enquanto o preço do bem Y, “Py”, permaneceu constante. Na verdade o queestá ocorrendo é que o bem X está mais caro em relação ao bem Y. www.pontodosconcursos.com.br
  56. 56. CURSO ON-LINE – ANALISTA DE ECONOMIA – PERITO - MPU 56 PROFESSOR: FRANCISCO MARIOTTI Diferentemente, o efeito renda é derivado do fato do consumidor estar maispobre em termos de poder de compra, uma vez que o preço do bem X subiu, mas asua renda permaneceu a mesma. Para se verificar como a redução do consumo foi afetada pelos dois efeitosseparadamente, utiliza-se a chamada compensação de Slutsky. Imaginemos que foidado a este consumidor um aumento compensatório de renda, de tal forma que elepossa novamente tangenciar a curva de indiferença inicial I1. Essa compensação éfeita graficamente por meio da construção de uma reta paralela à reta R2 (reta R3),que logicamente terá que tangenciar I1. Ao se chegar neste novo equilíbrio,representado pelo ponto C, verifica-se o quanto da diminuição do consumo do bemX foi derivado do efeito substituição, sendo esta diminuição dada pela diferençaentre X1 e X3 no gráfico. A diferença entre X3 e X2 é chamada de efeito renda,uma vez que representa o quanto foi diminuída a quantidade consumida do bem Xem decorrência da perda do poder de compra da renda do consumidor. Y C y1 A B I1 R2 I2 R3 R1 x2 x3 x1 X Um ponto importante na interpretação do efeito substituição e do efeitorenda é que quando estes apresentam direção contrária ao ocorrido com o preço dobem (ou seja, uma redução se o preço aumentar ou um aumento se o preçodiminuir), pode-se concluir que estes são bens normais. No caso acima descrito, opreço do bem X, Px, subiu, e tanto o efeito substituição quanto o efeito rendafuncionaram no sentido de redução da quantidade consumida. Adicionalmente, e www.pontodosconcursos.com.br

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