2ª GUERRA MUNDIALUm “episódio” pouco divulgado...
...talvez porque:- Ajude a compreender “factos” relativamente recentes, passados nos Balcãs...- Demonstre que o fanatismo ...
Em 10 de Maio de 1941, logo após a entrada em Zagreb das tropas nazis, nasce oNDH(Nezavisna Drzava Hrvatska), o Estado Ind...
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O Campo de Extermínio de Jasenovac Dos vários campos de extermínio edificados pelo Ustasha, o campo de Jasenovacfoi o maio...
Refira-se também que as condições de permanência no campo eramdesumanas, sem higiene, bens alimentares ou água necessários...
Os extermínios tinham lugar em Granik, Gradina, Mlaka, Jablanac e ainda VelikaKustarica. Sendo que à medida que a derrota ...
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Monumento às vítimas de Jasenovac
Fontes:     “quotidiano de miseria” (blog)              en.wikipédia.org              pt.wikipedia.org                   i...
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2ª guerra mundial um episódio pouco divulgado

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Um pouco de História,horrivel...
É sempre bom saber e não esquecer tais monstruosidades....
Apesar destes antecedentes a Croácia vai entrar este ano na União Europeia e julgo que isso será um factor positivo para ajudar a ultrapassar as feridas do passado. Confesso que desconhecia estes antecedentes, que também aqui mostram como a região dos Balcans com as suas diferenças étnicas, culturais e religiosas continua a ser o mais perigoso ponto de potencial conflito na Europa.



A União Europeia foi este ano contemplada com o Prémio Nobel da Paz e houve quem criticasse essa escolha. No entanto reconheço que a existência da UE tem contribuído muito para manter a Paz na nossa região.

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2ª guerra mundial um episódio pouco divulgado

  1. 1. 2ª GUERRA MUNDIALUm “episódio” pouco divulgado...
  2. 2. ...talvez porque:- Ajude a compreender “factos” relativamente recentes, passados nos Balcãs...- Demonstre que o fanatismo religioso (e também político), não é somenteapanágio de determinada religião......entre outras coisas, que seria fastidioso enumerar!
  3. 3. Em 10 de Maio de 1941, logo após a entrada em Zagreb das tropas nazis, nasce oNDH(Nezavisna Drzava Hrvatska), o Estado Independente da Croácia, liderado porAnte Pavelic. Este Estado, tutelado pela Alemanha nazi, obedeceria igualmente aoprincípio de um führer subordinado a Adolf Hitler.No momento da invasão do Reino Jugoslavo, Hitler teve o apoio de um perigosomovimento interno instalado já na Croácia e apoiado pelo regime fascista deMussolini, de cariz terrorista e filonazi, e até já acusado internacionalmente detentativas de homicídio de diplomatas estrangeiros em França. Esse movimentofilonazi e de forte cariz católico era o Partido Ustasha, de Ante Pavelic, quesonhava com uma Croácia católica livre da presença sérvia ortodoxa. Ante Pavelic cumprimentando Hitler Ante Pavelic – o líder ustasha
  4. 4. Pavelic com padres franciscanos... ...e com freiras É neste contexto que o Cardeal Alojzije Stepinac é nomeado, por Ante Pavelic,Supremo Vigário Apostólico Militar do Exército Ustasha, facto muito exaltado pelaimprensa católica da época: "Deus que controla o destino das nações e dirige o coraçãodos reis, deu-nos Ante Pavelic(...)Glória a Deus, a nossa gratidão a Adolf Hitler e infinitalealdade ao Chefe Ante Pavelic“. Cardeal Stepinac
  5. 5. Uma investigação da Comissão de Crimes de Guerra na Jugoslávia concluiu que oCardeal Stepinac foi um dos conspiradores contra o Reino da Jugoslávia e umapoiante ab initio da invasão nazi. O Cardeal Stepinac sonhava, tal como as altasinstâncias católicas, com a edificação de um Estado católico nos Balcãs, e ofanatismo étnico-religioso do Partido Ustacha era o instrumento perfeito para esseobjectivo.Durante este período, o Papa de então, Pio XII, recebeu pessoalmente AntePavelic e uma delegação da Irmandade dos Grandes Cruzados, encarregados deconverter ao catolicismo os povos daquela região. O Cardeal Alojzilze Stepinac com altas individualidades nazi-fascistas italianas, alemãs, croatas... Nota: Em 1998, o Cardeal Stepinac foi beatificado pelo Papa João Paulo II. ...e com os generais ustasha
  6. 6. Durante os quatro anos de existência do NDH (Estado Independente da Croácia),estimam-se que foram assassinadas 750 mil pessoas, sérvios, judeus e ciganos,entre outros. A par da Alemanha nazi, a Croácia foi o único país que possuiucampos de extermínio em massa com consentimento das autoridades vigentes. Contudo, ao contrário da Alemanha, onde se perpetrava um extermínio industrialmas discreto, a Croácia Ustasha além dos campos de extermínio, cometiaexecuções colectivas em locais públicos da Croácia e da Bósnia, com particularsadismo e de forma entusiástica, recorrendo à tortura pública e à humilhação.Segundo o historiador Friedriche Heer, tudo resultava de "um fanatismo arcaicode épocas pré-históricas", tendo Ante Pavelic sido "um dos maiores assassinosdo séc.XX". No NDH, a promiscuidade entre Estado e Igreja, entre políticos, militares,cardeais e padres era total. As suas declarações demonstram grandecomplementaridade. O Cardeal Stepinac considerava que “...depois de tudo, os croatas e os sérvios,pertencem a dois mundos diferentes, um polo norte e um polo sul, nunca se darão bem,nem por milagre de Deus“. O Ministro da Justiça, o ustasha Milan Zanitcha, achavaque: "Este Estado, o nosso país, é nosso e só nosso, não é para mais ninguém,limparemos dele todos os sérvios ortodoxos(...)Não ocultamos as nossas intenções,seremos fieis aos princípios Ustasha“. Mas palavras do Ministro da Educação, MileBudak, conseguem ser ainda mais claras: "A base do movimento Ustasha é areligião. Para as minorias como os sérvios, os judeus ou os ciganos, temos três milhõesde balas. Mataremos um terço da população sérvia, deportaremos outro terço e o outroterço converteremos na religião católica até que se assimilem como croatas".
  7. 7. A ferocidade ustasha era tal, que conseguia impressionar mesmo as altaspatentes da Alemanha nazi. Reinhard Heydrich (um dos principais arquitectos daSolução Final), em 17 de Fevereiro de 1942 escreveu a Himmler: “O número deeslavos massacrados pelos croatas das formas mais sádicas está estimado em 300 mil(...)a realidade é que na Croácia, os únicos sérvios que sobrevivem são os que se converteramao catolicismo". A violência extrema impressionou também as próprias forças fascistas italianasque controlavam parte do território croata e que se recusavam a devolver aoUstasha, alguns refugiados que chegavam à sua zona de controlo. Tal factorevoltou o Cardeal Stepinac, que em carta ao Bispo de Mostar, lhe escreve: “...se aparte mais católica da Croácia o deixar de ser no futuro, tal responsabilidade ante Deus e aHistória será da Itália católica". A conversão forçada ao catolicismo, não obstante a sua carga simbólica e aviolência que pressupunha para os convertidos, não era possível para todos.Primeiro, porque ela pressuponha um preço de 180 dinares a entregar à IgrejaCatólica e segundo, porque dessa conversão ficavam excluídos os sérvios commaior escolaridade, no pressuposto de que estes nunca fariam uma realconversão. Quem não tivesse posses ou tivesse estudos, era exterminado semcontemplações. Uma conversão forçada
  8. 8. Um pormenor(!) sórdido deste genocídio, consiste no facto de que a maior partedas atrocidades cometidas e de vários dos mandantes dos campos de extermínio,serem sacerdotes e sobretudo padres franciscanos. Era quase impossíveldesenvolver-se uma acção punitiva ustasha, sem a presença de um padrefranciscano. Sendo que destes, o mais conhecido de todos foi Miroslav Filipovic,director do campo de extermínio de Jasenovac. Miroslav Filipovic Entrada do campo de extermínio de Jasenovac
  9. 9. O Campo de Extermínio de Jasenovac Dos vários campos de extermínio edificados pelo Ustasha, o campo de Jasenovacfoi o maior de todos, calculando-se que aí foram brutalmente assassinadas váriascentenas de milhares de pessoas, maioritariamente sérvios, judeus, ciganos ecroatas comunistas. Existem estimativas que apontam o número total de 700 milpessoas. O campo possuía ainda no seu complexo, um campo para crianças em Sisak eoutro para mulheres em Stara Gradiska. Ainda que, muitas mulheres tenham sidodeportadas para a Alemanha nazi e diversas crianças entregues a orfanatoscatólicos. Crianças em Sisak
  10. 10. Refira-se também que as condições de permanência no campo eramdesumanas, sem higiene, bens alimentares ou água necessários para asobrevivência e ainda a obrigação de trabalhar. O campo tinha um comandante,Vjekoslav Luburic, um general do Exército Ustasha, coadjuvado pelo seucunhado Dinko Sakic, oficial do mesmo exército. O extermínio em Jasenovac era feito de diversas maneiras: por rajada demetralhadora, por cremação, por envenenamento com uso de gases tóxicos(Ziklon B e dióxido sulfúrico) e através da faca Srbosjek, conhecida por "mata-sérvios". Vjekoslav Luburic Dinko Sakic Faca Srbosjek
  11. 11. Os extermínios tinham lugar em Granik, Gradina, Mlaka, Jablanac e ainda VelikaKustarica. Sendo que à medida que a derrota das forças do Eixo se aproximava, oritmo de extermínio ia aumentando. Os corpos das vítimas eram cremados ouatirados ao rio.Milicianos do Ustasha executando prisioneiros próximo de Jasenovac. Cadáveres junto ao rio
  12. 12. Um relato de um dos guardas do campo de Jasenovac, ficou para a posteridade: “O franciscano Pero Brzyca, Ante Zrinuzic, Sipka e eu fizemos uma aposta para ver quemmataria mais prisioneiros numa noite. A matança começou e depois de uma hora eu játinha morto muito mais que eles. Sentia-me no sétimo céu. Nunca tinha tido tanto êxtasena minha vida. Depois de duas horas já tinha morto mais de 1100 pessoas, enquanto osoutros não conseguiram assassinar mais de 300 ou 400 cada um. E depois, no auge desteprazer reparei num velho que me olhava indiferente. Esse olhar impressionou-me, “congelei” durante algum tempo e nem me conseguiamexer. Aproximei-me dele e descobri que era de Klepci, uma povoação perto de Kapijina,e que toda a sua família tinha sido já assassinada enquanto ele trabalhava no bosque.Falava para mim com uma incompreensível paz que me incomodava muito mais que osdesgarrados gritos que ouvia ao meu redor. Imediatamente senti a necessidade determinar com aquela paz mediante a tortura, mediante o seu sofrimento, para podervoltar ao meu êxtase, para poder continuar a retirar prazer de infligir dor. Ordenei-lhe que gritasse: “Viva Pavelic! ou corto-te uma orelha”. Não falou. Cortei-lhe aorelha. Não disse nada. Disse-lhe que gritasse: “Viva Pavelic! ou corto-te a outra orelha”.Não disse nada. Cortei-lhe a outra orelha. Ameacei-o que lhe cortava o nariz se nãogritasse “Viva Pavelic!”, ao que ele me respondeu: "Faça o seu trabalho, criatura". Estaspalavras confundiram-me e congelaram-me, arranquei-lhe os olhos, depois o coração,cortei-lhe a garganta de orelha a orelha. Mas algo se rompeu dentro de mim e nãoconsegui matar mais nessa noite. O franciscano Pero Brzyca ganhou a aposta e eupaguei-lhe".
  13. 13. Guarda Ustacha numa vala comum O momento de uma execução A Igreja Católica soube sempre o que se estava a passar. Padres e bispos daregião houve, que se entretinham a enviar cartas para o Vaticano onde atéescreviam poesia sobre estes acontecimentos. Ante Pavelic tinha o desplantede oferecer ao seu biógrafo pessoal e a alguns dignatários estrangeiros, cestascarregadas de olhos humanos, e a rádio BBC em 16 de Fevereiro de 1942reportava: "As maiores atrocidades estão a ser cometidas à volta do Arcebispo deZagreb. Correm rios de sangue. Os ortodoxos estão a ser condenados à força aconverter-se ao catolicismo e não ouvimos do Arcebispo, uma palavra de revolta sobreisto. Em vez disso, sabe-se que está tomar parte em desfiles nazis e fascistas".
  14. 14. Ante Pavelic - Líder do NDH e do Partido Ustasha, após a 2ª Guerra Mundial, foge para ummosteiro franciscano em Nápoles, de onde, com a ajuda da igreja católica, parte para aArgentina, onde fará parte do corpo de segurança pessoal de Perón. É visita frequente deeventos sociais da nobreza e da Igreja católica em Madrid, fazendo amizade com FranciscoFranco. É localizado na Argentina pelos Serviços Secretos da Jugoslávia e é baleado com doistiros que lhe serão fatais. Está enterrado em Madrid.Vjekoslav Luburic - Comandante do Campo de Extermínio de Jasenovac, parte paraEspanha e numa localidade perto de Valência faz-se passar por um reformado alemão quegosta de tomar conta do seu laranjal e de organizar iniciativas com a diocese local. Em 1969 élocalizado pelos Serviços Secretos da Jugoslávia e é assassinado à porta de sua casa. As suasúltimas palavras terão sido "já sabia que vocês um dia vinham".Alojizje Stepinac - Após a 2ª Guerra Mundial, é julgado e condenado a 16 anos de prisão,dos quais apenas cumprirá 5 devido a um gesto de conciliação de Tito. Com a condição de ouir para Roma ou ficar confinado à sua casa. Preferiu ficar em casa.Dinko Sakic – Foi preso na Argentina em 1998 e levado a julgamento no seu país. Negou asacusações, mas foi condenado. Este julgamento trouxe aos croatas a desconfortável memóriado envolvimento de alguns dos seus líderes com a Alemanha nazi.
  15. 15. Monumento às vítimas de Jasenovac
  16. 16. Fontes: “quotidiano de miseria” (blog) en.wikipédia.org pt.wikipedia.org internet* Escrito, segundo o antigo(?) Acordo Ortográfico FC2012

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