APOSTILA         DEHIGIENE DO TRABALHO      AGENTES FÍSICOS              RUÍDO   Prof. João Roberto P.F.Guimarães         ...
Conceitos IniciaisSom: fenômeno acústico que se caracteriza pela propagação de ondas produzidaspor um corpo que vibra em u...
Ouvido Externo                                 Ouvido Médio                                 Ouvido Interno      O Ouvido E...
O Estribo, último ossículo localizado na cavidade timpânica do OuvidoMédio, relaciona-se com o Ouvido Interno através de u...
Determinadas estruturas anatômicas do Ouvido Médio possuem a capacidadede neutralizar parcialmente sons de elevada intensi...
Mudança Temporária de Limiar       Como o nome já diz, representa uma perda ou diminuição do limiar auditivopor um determi...
No item “O Caminho da Audição”, desta apostila, observou-se que as célulasciliadas presentes nas membranas do Órgão de Cor...
Intensidade: quanto maior o nível de pressão sonora, mais prejudicial será aoaparelho auditivo.Freqüência: como se percebe...
É importante que o estudante da disciplina de Higiene do Trabalho, ao estudaro ruído, diferencie situações isoladas, como ...
Anexo 11. Entende-se por Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação deLimites de Tolerância, o ruído que nã...
Nível de Ruído - dB (A)   Máxima Exposição Diária Permissível       85                        8 Horas       86            ...
Anexo 2                 Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto1. Entende-se por ruído de impacto aquele que apresent...
Contudo, observe que uma outra variável, já acima mencionada comoaltamente lesiva para o nosso organismo, não é abordada p...
Exercícios para Apuração de Insalubridade                   por Exposição ao Ruído Contínuo       Os exercícios a seguir a...
a- o cálculo da somatória de ruídos (a ser explicado pelo professor);b- verifique se há ou não insalubridade, justificando...
2ª Série de Exercícios1) Um operador trabalha numa central termoelétrica, comparecendo a diversas casasde força, além de i...
- Inicia seus trabalhos num galpão com 3 moinhos de rocha, permanecendo 2 Horasneste local. O moinho A tem NPS = 98 dB (A)...
auditivo. Tal condição, considerada válida no exterior, é desprezada pela legislaçãobrasileira. Um Anexo com duas tabelas ...
ANEXO A         Tabela do Número Máximo de Impactos por Hora - dB ( C )     NPS - dB ( C )         Número Máximo de Impact...
ANEXO B        Tabela do Número Máximo de Impactos por Hora - dB (Linear)      NPS - dB (Linear)         Número Máximo de ...
Controle do Ruído      A solução mais eficaz para controlar a exposição do trabalhador ao ruído éneutralizar tal agente fí...
b- O treinamento mencionado acima está previsto pela legislação brasileira, ou seja,através da NR-06, em seu item 6.6.1.c,...
Dentre estes conceitos, encontra-se a idéia ilusória de que a prevenção dosagravos à saúde dos trabalhadores deve ser feit...
- substituição de equipamentos que operam a ar comprimido por aqueles deacionamento elétrico;- isolamento de estruturas de...
ANEXOS                  Tabela para Adição de DecibéisDiferença entre                      Quantidade a ser adicionadaos n...
Tabela para Subtração de Decibéis               26
Bibliografia RecomendadaLivros:Ruído, Riscos e PrevençãoAutores:    Marcos Paiva Matos            Ubiratan de Paula Santos...
Coleção “O Corpo Humano”Autor:     Steve ParkerEditora:   ScipioneRevistas Técnicas - Artigos:Problemática atual do ruído ...
Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 58Que Barulho é esse ?Autor:     Carlos Alberto SchützRevista PROTEÇÃO Nº ...
ILUSTRAÇÕES     30
Prancha 01: Anatomia do Ouvido Humano                                   31
Prancha 02: Anatomia do Ouvido Humano                                   32
Prancha 03: Lesões no Órgão de Corti                                       33
Prancha 04: Controle do RuídoLembre-se: Rebitar e martelar produz ruído.           Usar alicates, chaves de fenda e grifos...
Prancha 05: Controle do RuídoOs compressores de ar podem ser enclausurados, contato que entradas de ar sejamestrategicamen...
Prancha 06: Controle do RuídoAs bancadas de trabalho também podem receber enclausuramento ao redor demáquinas e equipament...
Prancha 07: Controle do RuídoAs correias transportadoras que descarregam mercadorias em embalagens nãodevem ter altura fix...
Prancha 08: Controle do RuídoNas áreas industriais a céu aberto, é comum encontrarmos o descarregamento dematérias-primas ...
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  1. 1. APOSTILA DEHIGIENE DO TRABALHO AGENTES FÍSICOS RUÍDO Prof. João Roberto P.F.Guimarães 1
  2. 2. Conceitos IniciaisSom: fenômeno acústico que se caracteriza pela propagação de ondas produzidaspor um corpo que vibra em um meio material elástico, que produz uma sensaçãoauditiva.Ruído: grande número de vibrações acústicas, cuja amplitude é distribuída ao acaso.Obs.: De modo geral, relaciona-se o SOM com sensações agradáveis, como amúsica ou a fala e o RUÍDO com sensações indesejáveis, como explosões, buzinas,barulho de máquinas, zumbidos, etc.Freqüência: é o número de vibrações que o som completa em um segundo. Éexpressa em Hertz (Hz). Quanto maior o comprimento de uma onda, mais baixa seráa freqüência e haverá um número menor de vibrações por segundo. Nesta situação, osom é percebido como grave. Quanto menor o comprimento da onda, mais alta serásua freqüência e, então, o som será percebido como agudo. O ouvido humano captafreqüências entre 16 e 20.000 Hz.Pressão Sonora: é a variação atmosférica produzida pelo deslocamento de ar,quando o som se propaga, que resulta num volume perceptível ou não pelo ouvidohumano.Nível de Pressão Sonora: é expresso em decibéis (dB). É a forma mais simples deinterpretar o volume de um som.Tipos de Ruído:Contínuo ou Intermitente - as normas aplicadas no Brasil o caracterizam como oruído que difere do ruído de impacto, ou seja, o nível de ruído contínuo ouintermitente se mantém por mais de um segundo durante sua medição.de Impacto - apresenta picos de energia acústica de duração inferior a um segundo, aintervalos superiores a um segundo.Anatomia do Ouvido Humano Nosso ouvido está dividido em 3 partes fundamentais: 2
  3. 3. Ouvido Externo Ouvido Médio Ouvido Interno O Ouvido Externo caracteriza-se pelo pavilhão auricular (orelha), peloconduto auditivo e pelo tímpano, uma fina membrana localizada no final do conduto,que serve de separação entre o ouvido externo e o médio. O Ouvido Médio inicia-se na face interna do tímpano, ao qual está ligadauma cadeia de 3 pequenos ossículos, o Martelo, a Bigorna e o Estribo, localizada noque se chama de cavidade timpânica. Minúsculos ligamentos e músculos interligamtais ossículos, possibilitando sua movimentação. Também integra o ouvido médio a Trompa de Eustáquio, ou Tuba Auditiva,canal flexível que estabelece comunicação entre a cavidade timpânica e a faringe.Sua função é equilibrar a pressão de ar externa com a pressão do ouvido interno. O Ouvido Interno é a estrutura anatômica mais complexa entre as 3 aquiestudadas. É dividido em duas partes fundamentais, ou seja, nos Órgãos deEquilíbrio e nos Órgãos de Audição. Os Órgãos de Equilíbrio são constituídos pelos Canais Semicirculares, 3canais curvos que estão dispostos em ângulo reto entre si, sendo repletos de umlíquido conhecido como Endolinfa. Os canais desembocam numa bolsa membranosachamada de Utrículo, na qual encontram-se 3 saliências, as Ampolas. Estas últimaspossuem células ciliadas que se movem de acordo com a posição da cabeça e dacirculação da Endolinfa, enviando impulsos nervosos ao cérebro através do NervoVestibular. Os Órgãos de Audição estão contidos na Cóclea, um tubo membranosoenrolado sobre seu próprio eixo, em forma de espiral, exatamente como um caracol.A Cóclea é sub-dividida em 3 estruturas distintas: A Rampa Timpânica, a RampaMédia e a Rampa Vestibular. A Rampa Timpânica é a porção inferior da Cóclea e a Rampa Vestibular, asuperior. Ambas estruturas são cheias de um líquido rico em sódio, chamado dePerilinfa. Já a Rampa Média representa uma estrutura intermediária, repleta deEndolinfa, que é rica em potássio. A Rampa Média é separada da Rampa Timpânicapela Membrana Basilar e da Rampa Vestibular pela Membrana de Reissner. 3
  4. 4. O Estribo, último ossículo localizado na cavidade timpânica do OuvidoMédio, relaciona-se com o Ouvido Interno através de uma minúscula membrana,conhecida como Janela Oval. Esta última está ligada à Rampa Vestibular. Já aRampa Timpânica possui também uma minúscula membrana, conhecida como JanelaRedonda. Interêsse particular para o estudo da Audição nos reserva a MembranaBasilar, acima mencionada, pois nesta se encontra o Órgão de Corti, repleto decélulas ciliadas que estão envolvidas numa membrana gelatinosa, a MembranaTectória.O Caminho da Audição O processo da audição se dá pela transformação de energia sonora porvibração mecânica, que é captada pelo Pavilhão Auricular e conduzida pelo CondutoAuditivo até o Tímpano. Os ossículos presentes na Cavidade Timpânica semovimentam e a energia mecânica é transmitida pelo Estribo à Janela Oval daCóclea. Aqui, percebe-se que há uma transformação de energia mecânica emhidráulica, visto que os órgãos internos de audição são imersos nos líquidos já acimadescritos (Endolinfa e Perilinfa). Por fim, a movimentação dos líquidos, queestimulam a Membrana Tectória, produz excitação nas células ciliadas, quetransmitem impulsos elétricos ao cérebro através do Nervo Coclear (NervoAuditivo). Também a Membrana Basilar desempenha importante missão, pois seleciona eidentifica as diferentes freqüências do som que ali chega, pois há grupos de célulasciliadas que percebem, cada um, esta ou aquela freqüência. As membranas emquestão deslizam uma sobre a outra, para captar as diferentes freqüências. Tal sensibilidade se processa conforme a localização dos grupos de célulasciliadas. Ao fundo da Cóclea, há sensibilidade para freqüências baixas (ou seja, ossons graves) e, quanto mais próximo se chega da Janela Oval, as freqüênciascaptadas são as mais altas (sons agudos).Sistemas de Defesa do Ouvido 4
  5. 5. Determinadas estruturas anatômicas do Ouvido Médio possuem a capacidadede neutralizar parcialmente sons de elevada intensidade, impedindo que tal energiaseja transmitida ao Ouvido Interno em sua totalidade. Este mecanismo de defesa érepresentado pelo músculo Estapédio, que contrai-se nesta situação, enrijecendo osossículos da cavidade timpânica, atenuando a passagem do som. A este fenômenochama-se de Reflexo Estapediano. Outro mecanismo de defesa é a Trompa de Eustáquio, que iguala pressões eneutraliza determinados tipos de som que se encontram fora do espectro defreqüências audíveis do ser humano, através da passagem de ar.Danos provocados pelo Ruído à Audição Os efeitos adversos do ruído no ser humano variam em conformidade com assituações de exposição às quais cada indivíduo se encontra. Basicamente, pode-sedividir os efeitos adversos em 3 categorias: Mudança Temporária de Limiar Trauma Acústico Mudança Permanente de Limiar 5
  6. 6. Mudança Temporária de Limiar Como o nome já diz, representa uma perda ou diminuição do limiar auditivopor um determinado período de tempo. É induzida pela intensidade, freqüência etipo de ruído, associada ao tempo de exposição. Particularmente, no que diz respeitoà freqüência, é mais comum quando se dá a exposição àquelas altas, entre 2.000 e6.000 Hz. A recuperação se dá com o afastamento do indivíduo da fonte de ruído.Quanto maior for o tempo de descanso, maior a recuperação. Contudo, se o tempode exposição for grande, a demora para recuperar-se de tal fadiga auditiva serátambém maior. Alguns autores de Higiene do Trabalho concluem, portanto, que se ostempos de descanso forem insuficientes, haverá uma seqüência de mudançastemporárias do limiar que acabam resultando numa mudança permanente (vide itemno rodapé da folha).Trauma Acústico Situação bastante distinta da anterior, o Trauma Acústico caracteriza-se por uma lesão aguda, ou seja, ocorre em função da exposição repentina aníveis bastante elevados de pressão sonora, que aparecem de modo súbito einesperado no ambiente de trabalho. Os sintomas relacionam-se a zumbido,rompimento do tímpano, hemorragia local e disfunções mecânicas nos ossículoslocalizados na cavidade timpânica. O Trauma Acústico pode ter recuperação, ounão.Mudança Permanente de Limiar Esta perda auditiva está diretamente relacionada com a primeira, acimadescrita. Caso as mudanças temporárias se verifiquem de modo rotineiro, nãohavendo o devido tempo de repouso para a recuperação do ouvido, haverá umaperda irreversível. Tal fato possui diversas explicações, como a seguir se detalha. 6
  7. 7. No item “O Caminho da Audição”, desta apostila, observou-se que as célulasciliadas presentes nas membranas do Órgão de Corti são estimuladas conforme afreqüência do som que é captado pelo ouvido. Pois bem, caso a exposição do trabalhador se verifique de modo repetitivo afreqüências específicas, determinados grupos de células ciliares serãosobrecarregados e um processo de fadiga auditiva cumulativa se dará de modoirreversível. Estudos desenvolvidos na década de 80 demonstram que tal processo inicia-sea partir da Janela Oval presente na base da Cóclea, local onde os estímulos sãopassados pelo Estribo. Tal localização relaciona-se à freqüências mais altas, a partirde 4.000 Hz. A repetitiva excitação dos grupos celulares ciliados causa aumento do volumede tais células, como se as mesmas apresentassem uma espécie de edema. Outrofator concorre para piorar tal reação adversa, ou seja, uma grande quantidade decélulas ciliadas receptoras das freqüências altas encontram-se numa área pequena, secomparada às áreas ocupadas por outros grupos de células, responsáveis pelarecepção de freqüências graves. Assim, concentrando-se num espaço restrito, adestruição das células ocorre em quantidade maior, piorando o quadro em questão. Posteriormente, segue-se uma vasoconstrição na membrana na qual estãolocalizadas tais células, o que se traduz por diminuição do fornecimento de proteínase sangue às mesmas. Como resultado, as células ciliadas acabam morrendo, daí oquadro clínico ser irreversível. Como as células são responsáveis pela transmissão de impulsos nervosos aocérebro, interrompe-se o caminho da audição já descrito acima, em sua última etapa,ou seja, a de transmissão de energia hidráulica em energia elétrica. A destruição doÓrgão de Corti não limita-se às células sensíveis apenas às altas freqüências, mas,de modo progressivo, a todas as células ciliadas, que vão sendo afetadas. Os efeitos do ruído serão cada vez mais pronunciados em função das variáveisidentificadas a seguir. 7
  8. 8. Intensidade: quanto maior o nível de pressão sonora, mais prejudicial será aoaparelho auditivo.Freqüência: como se percebe acima, as freqüências mais altas são as mais lesivas.Tempo de Exposição: está diretamente relacionado com os níveis de pressão sonoraaos quais o trabalhador fica exposto. Quanto maior o tempo de exposição, maior odano causado ao aparelho auditivo.Natureza: relaciona-se ao tipo de ruído ao qual o trabalhador se expõe, ou seja,contínuo/intermitente ou de impacto. Este último é considerado comoparticularmente lesivo, em virtude de seu tempo de duração, que é inferior a umsegundo, isto é, o músculo Estapédio não consegue atuar a tempo de impedir que aenergia sonora elevada seja transmitida ao Ouvido Interno quando a exposição se dáao ruído de impacto.Danos Extra-Auditivos provocados pelo Ruído Toda vez que o organismo humano sente a aproximação de um perigo, reaçõesinvoluntárias se verificam em determinados sistemas, a título de defesa. Tais reaçõesmanifestam-se na forma de taquicardia, vasoconstrição periférica e aumento detensão arterial, acompanhada de aumento na velocidade respiratória. A reação de “alarme” que o organismo apresenta ao ser exposto a níveiselevados de ruído também é acompanhada pelo desprendimento de substâncias,entre elas a adrenalina. Estudos efetuados na Alemanha e na Rússia, citados por Stellman e Daum,demonstram que trabalhadores de indústrias nas quais os níveis de pressão sonoraeram elevados, apresentavam distúrbios circulatórios, digestivos, cardíacos e deequilíbrio (vide novamente o item “Anatomia do Ouvido Humano - OuvidoInterno”). A ansiedade, a fadiga nervosa e o “stress” foram, obviamente, observadosem tais trabalhadores. O Autor desta apostila acrescenta que há relatos levantadoscom trabalhadores das indústrias do Pólo de Cubatão, que mencionaram tontura edor de cabeça. 8
  9. 9. É importante que o estudante da disciplina de Higiene do Trabalho, ao estudaro ruído, diferencie situações isoladas, como o estampido de uma bombinha queexplode na rua, das situações de exposição crônica observadas na jornada detrabalho de um operário da indústria. A última resulta em muitas reações indesejáveis no organismo do trabalhador,ou seja, além daquelas já mencionadas na página anterior, seguem-se sintomas, taiscomo a náusea, instabilidade emocional, fácil irritabilidade, insônia, perda deapetite, distúrbios visuais, labirintite e, claro, aumento do consumo de medicamentosdo tipo tranquilizantes e soníferos. Também não devemos esquecer que o ruído interfere na comunicação oral dostrabalhadores, situação que causa riscos à segurança destes (como avisar um colegaa respeito de um perigo repentino, se ele não consegue me escutar ?). Muitassituações já observadas em áreas industriais por este Autor demonstram claramenteque os operários são obrigados a se comunicar aos berros, o que também representarisco para distúrbios vocais (nas cordas vocais, garganta, laringe, etc.).Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído A legislação brasileira, que estabelece parâmetros para a avaliação emquestão, é representada pela Lei número 6.514 de 22/12/77, através da Portaria3.214/78, conforme NR-15, Anexos 1 e 2. O Anexo 1 trata de ruídos contínuos e/ouintermitentes e o Anexo 2, de ruídos de impacto. Tais anexos são detalhados aseguir: 9
  10. 10. Anexo 11. Entende-se por Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação deLimites de Tolerância, o ruído que não seja Ruído de Impacto.2. Os níveis de Ruído Contínuo ou Intermitente devem ser medidos em decibéis (dB)com instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de compensação“A” e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem ser feitas próximas aoouvido do trabalhador.3. Os tempos de exposição aos níveis de ruído não devem exceder os limites detolerância fixados no Quadro deste Anexo.4. Para os valores encontrados de nível de ruído intermediário, será considerada amáxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado.5. Não é permitida a exposição a níveis de ruído acima de 115 dB(A) paraindivíduos que não estejam adequadamente protegidos.6. Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de exposição aruído de diferentes níveis, devem ser considerados os seus efeitos combinados, deforma que, se a soma das seguintes frações: C1 C2 C3 Cn _____ + ______ + ______ ..................... + ______ T1 T2 T3 Tnexceder a unidade, a exposição estará acima do Limite de Tolerância. Na equação acima, Cn indica o tempo total em que o trabalhador fica expostoa um nível de ruído específico e Tn indica a máxima exposição diária permissível aeste nível, segundo o Quadro deste Anexo.7. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído,contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A), sem proteção adequada,oferecerão risco grave e iminente. QUADRO DO ANEXO 1 10
  11. 11. Nível de Ruído - dB (A) Máxima Exposição Diária Permissível 85 8 Horas 86 7 Horas 87 6 Horas 88 5 Horas 89 4 Horas e 30 Minutos 90 4 Horas 91 3 Horas e 30 Minutos 92 3 Horas 93 2 Horas e 40 Minutos 94 2 Horas e 15 Minutos 95 2 Horas 96 1 Hora e 45 Minutos 98 1 Hora e 15 Minutos 100 1 Hora 102 45 Minutos 104 35 Minutos 105 30 Minutos 106 25 Minutos 108 20 Minutos 110 15 Minutos 112 10 Minutos 114 08 Minutos 115 07 Minutos 11
  12. 12. Anexo 2 Limites de Tolerância para Ruídos de Impacto1. Entende-se por ruído de impacto aquele que apresenta picos de energia acústicade duração inferior a 1 (um) segundo, a intervalos superiores a 1 (um) segundo.2. Os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com o medidor denível de pressão sonora operando no Circuito Linear e com circuito de resposta paraimpacto. As leituras devem ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. O Limitede Tolerância para ruídos de impacto será de 130 dB (Linear). Nos intervalos entreos picos, o ruído existente deverá ser avaliado como ruído contínuo.3. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito deresposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito de resposta rápida(FAST) e circuito de compensação “C”. Neste caso, o Limite de Tolerância será de120 dB ( C ).4. As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem proteçãoadequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 dB (Linear), medidos decircuito de resposta de impacto, ou superiores a 130 dB ( C ), medidos no circuitode resposta rápida (FAST), oferecerão risco grave e iminente.Comentários a respeito da Legislação sobre Ruído Os Anexos 1 e 2 da NR-15 estabelecem Limites de Tolerância para aexposição ocupacional ao ruído, levando em consideração as seguintes variáveis:- O nível de ruído (dB);- O tempo de exposição (Horas e Minutos);- A natureza do ruído (Contínuo/Intermitente ou de Impacto). 12
  13. 13. Contudo, observe que uma outra variável, já acima mencionada comoaltamente lesiva para o nosso organismo, não é abordada pela legislação brasileira.Trata-se da FREQÜÊNCIA na qual atua o ruído ao qual está exposto o trabalhador.Como vimos anteriormente, a partir de freqüências altas (4.000 Hz em diante), orisco de lesões graves no aparelho auditivo cresce. Outra falha da legislação é que esta considera a possibilidade de surdezapenas pela penetração do ruído pela via aérea, desconsiderando a reverberação doruído por via óssea. Contudo, esta última também ocorre e afeta o aparelho auditivo. Mas o pior problema a ser apontado refere-se ao conteúdo do texto da própriaNR-15, conforme item 15.4.1.b, que menciona a possibilidade de eliminação deinsalubridade, caso os trabalhadores expostos ao ruído (ou qualquer outro agenteinsalubre) façam uso de EPI’s. Tal item abriu margem para interpretações errôneas ou até mesmo de má-fépor parte da maioria das empresas, que passaram a considerá-lo como a verdadeirasolução para o problema de exposição ocupacional ao ruído. Contudo, o item15.4.1.a, da mesma legislação, é claro ao observar que a eliminação de insalubridadese dará com a “...adoção de medida de ordem geral que conserve o ambiente detrabalho dentro dos limites de tolerância.”. Os especialistas em Higiene do Trabalho sabem que esta última medidarelaciona-se à eliminação do ruído diretamente na sua fonte, ou seja, a verdadeirasolução para o problema. Mais à frente, no item “Controle de Ruído”, algunsexemplos serão apresentados, bem como serão feitos comentários relativos ao usode EPI´s para o ruído (protetores auriculares) e suas deficiências. 13
  14. 14. Exercícios para Apuração de Insalubridade por Exposição ao Ruído Contínuo Os exercícios a seguir apresentados se referem à duas situações distintas. Naprimeira série, considera-se a situação mais simples encontrada em ambientes detrabalho, ou seja, um trabalhador que fica exposto a níveis de pressão sonora quenão variam, permanecendo num só local. A segunda série de exercícios se refere a outra situação, isto é, quando otrabalhador circula e trabalha em áreas distintas, com variações de níveis de pressãosonora. Nesta série, o aluno deve calcular o efeito combinado dos diferentes níveisde pressão sonora e respectivos tempos de exposição.1ª Série de Exercícios1) Uma operária trabalha junto à uma esteira na qual seleciona laranjas. Seu postode trabalho está localizado ao lado de um redutor que emite NPS = 89 dB (A). Suajornada de trabalho é de 6 horas diárias junto à esteira em questão.a- verifique se há ou não insalubridade, justificando sua conclusão;b- aponte qual seria a máxima exposição diária permissível para a situação acima ilustrada;c- considerando que a operária necessita trabalhar 6 horas naquele posto, para qual NPS deve ser reduzido o nível observado, para que a insalubridade não exista mais ?2) Numa casa de bombas e compressores, trabalha um operador de painel, que alipermanece por todo um turno de 6 horas. Num mapeamento de ruído efetuado nacasa, desligaram-se todos os equipamentos e apenas um era ligado por vez, obtendo-se os seguintes valores;Bomba 1 - 87 dB (A) Bomba 5 - 91 dB (A)Bomba 2 - 89 dB (A) Compressor A - 95 dB (A)Bomba 3 - 86 dB (A) Compressor B - 98 dB (A)Bomba 4 - 93 dB (A) Contudo, o operador trabalha normalmente com todos estes equipamen-tos ligados e operando dentro da casa. Pede-se: 14
  15. 15. a- o cálculo da somatória de ruídos (a ser explicado pelo professor);b- verifique se há ou não insalubridade, justificando sua conclusão;Obs.: Neste exercício, o aluno deve usar a Tabela de Adição de decibéis, em anexo.3) Um Técnico de Segurança deseja obter o nível de ruído de um motor que seencontra numa área industrial, que possui ruído de fundo. Chegando ao local, otécnico obtém um NPS = 91 dB (A). Desligando-se o motor, obtém um ruído defundo com NPS = 87 dB (A). Pede-se:a- qual o NPS do motor ?b- qual o limite de máxima exposição diária permissível, caso um operador permaneça na área ?Obs.: Neste exercício, o aluno deve usar o Gráfico de Subtração de decibéis, em anexo. 15
  16. 16. 2ª Série de Exercícios1) Um operador trabalha numa central termoelétrica, comparecendo a diversas casasde força, além de inspecionar casas de bombas, ao longo de sua jornada de trabalho.Verifique a tabela abaixo, na qual são apontados diversos NPS e respectivos temposde exposição: NPS - dB (A) Tempo de Exposição na Jornada (Cn) 86 1 Hora e 30 Minutos 92 30 Minutos 88 1 Hora e 45 Minutos 102 1 Hora e 15 Minutos 98 1 Hora e 30 MinutosPede-se:a- verifique se a soma das frações Cn/Tn excede uma unidade.b- conclua se há ou não insalubridade.2) Um eletricista cumpre uma rotina diária em seu trabalho, percorrendo uma áreaindustrial. Verifique os dados abaixo e responda: NPS - dB (A) Tempo de Exposição na Jornada (Cn) 90 45 Minutos 87 40 Minutos 91 1 Hora 86 1 Hora e 15 Minutos 92 30 Minutos 93 2 Horas e 20 Minutos 100 1 Hora e 30 MinutosPede-se:a- verifique se a soma das frações Cn/Tn excede uma unidade.b- conclua se há ou não insalubridade.3) Um lubrificador cumpre a seguinte rotina em sua jornada de trabalho: 16
  17. 17. - Inicia seus trabalhos num galpão com 3 moinhos de rocha, permanecendo 2 Horasneste local. O moinho A tem NPS = 98 dB (A), o moinho B tem NPS = 99 dB (A), eo moinho C tem NPS = 102 dB (A).- Continua sua rotina, lubrificando dois filtros de lama e suas bombas, levando 1Hora nesta operação. No filtro A encontra-se um NPS = 89 dB (A) e no filtro B, umNPS = 91 dB (A).- Na parte da tarde, lubrifica os mancais e roletes de uma correia transportadora quefica operando. Permanece junto da correia por 1 Hora e o NPS local é de 95 dB (A).- Conclui seu trabalho de área, lubrificando, por 2 Horas, um granulador rotativo eum secador de uma planta química. O granulador gera 92 dB (A) e o secador 97 dB(A) de NPS.Pede-se:a- o cálculo da somatória de ruídos, nos locais onde isto é necessário;b- o cálculo de Cn/Tn, verificando se o resultado ultrapassa uma unidade;c- conclua se há ou não insalubridade, justificando.4) Um armador passa praticamente toda sua jornada de trabalho montandovergalhões de aço para vigas a serem concretadas numa obra. Contudo, durante umahora por dia, fica exposto a ruído contínuo/intermitente, abaixo detalhado:- Por 20 minutos, opera uma serra circular de bancada, que gera NPS = 112 dB (A);- Por 30 minutos, usa uma esmerilhadeira, que gera NPS = 108 dB (A);- Por 10 minutos, usa uma serra tico-tico, que gera NPS = 94 dB (A);Pede-se:a- verifique se a soma das frações Cn/Tn excede uma unidade.b- conclua se há ou não insalubridade. Exercícios para Apuração de Insalubridade por Exposição ao Ruído de Impacto O Anexo 2 da NR-15 estabelece como Limites de Tolerância os NPS de 120dB ( C ) e 130 dB (LINEAR). Contudo, a quantidade de impactos presentes noambiente de trabalho também influencia no aparecimento de lesões no aparelho 17
  18. 18. auditivo. Tal condição, considerada válida no exterior, é desprezada pela legislaçãobrasileira. Um Anexo com duas tabelas é apresentado no desta lista de exercícios,devendo também ser consultado pelo aluno.1) Numa linha de montagem, um setor apresenta uma prensa, na qual são fabricadas1.200 peças por hora. Sabendo-se que o NPS chega a 109 dB ( C ), pede-se:a- há insalubridade conforme a legislação vigente no Brasil ?b- há insalubridade conforme a ACGIH ?c- Justifique as duas respostas.2) Um bate-estacas opera numa obra de ampliação de um cais. O equipamento emite900 batidas com o martelo sobre peças, no intervalo de uma hora. O NPS levantadoé de 121 dB (LINEAR). Pede-se:a- há insalubridade conforme a legislação vigente no Brasil ?b- há insalubridade conforme a ACGIH ?c- Justifique as duas respostas.3) Uma peneira de produto químico em pó atua numa unidade de produção de ácido,recebendo 1.400 batidas por hora, apresentando NPS de 117 dB (LINEAR). Pede-se:a- há insalubridade conforme a legislação vigente no Brasil ?b- há insalubridade conforme a ACGIH ?c- Justifique as duas respostas.4) Numa oficina de containers, uma avaliação de ruído, feita num galpão de reparos,acusa 3.400 marretadas sobre a chaparia dos containers ali localizados, com NPS de125 dB ( C ). Pede-se:a- há insalubridade conforme a legislação vigente no Brasil ?b- há insalubridade conforme a ACGIH ?c- Justifique as duas respostas. 18
  19. 19. ANEXO A Tabela do Número Máximo de Impactos por Hora - dB ( C ) NPS - dB ( C ) Número Máximo de Impactos por Hora até 101 3.600 102 até 107 1.000 108 800 109 600 110 500 111 400 112 300 113 250 114 200 115 150 116 125 117 100 118 80 119 60 120 50 121 40 122 30 123 25 124 20 125 15 126 12 127 10 acima de 127 NENHUMATENÇÃO: Não deve haver nenhum tipo de exposição acima de 127 dB (C) 19
  20. 20. ANEXO B Tabela do Número Máximo de Impactos por Hora - dB (Linear) NPS - dB (Linear) Número Máximo de Impactos por Hora até 111 3.600 112 até 117 1.000 118 800 119 600 120 500 121 400 122 300 123 250 124 200 125 150 126 125 127 100 128 80 129 60 130 50 131 40 132 30 133 25 134 20 135 15 136 12 137 10 acima de 137 NENHUMATENÇÃO: Não deve haver nenhum tipo de exposição acima de 137 dB (Linear) 20
  21. 21. Controle do Ruído A solução mais eficaz para controlar a exposição do trabalhador ao ruído éneutralizar tal agente físico em sua própria fonte, evitando ao máximo suapropagação para o ambiente. Outro fator importante a ser considerado é impedir oacesso dos trabalhadores às áreas mais ruidosas. Contudo, as empresas sempre preferem adotar a solução mais simplista ebarata, ou seja, comprar protetores auriculares e fornecê-los aos trabalhadores. Piorsituação ainda é observada quando algumas empresas nem ao menos chegam afornecer os EPI’s, o que ocorre como uma rotina em nosso país. O protetor auricular é um dos mais desconfortáveis EPI’s existentes e tambémo que mais dificuldade tem para ser implantado perante os trabalhadores. Isto járepresenta um problema sério ao profissional de Higiene do Trabalho da empresa,mas não é o único. Também a conscientização dos trabalhadores sobre os riscos desua exposição ao ruído é de responsabilidade do profissional em questão. Porincrível que pareça, muitos são os trabalhadores que desconhecem o risco maisóbvio, ou seja, o da SURDEZ, e isto faz com que deixem o EPI “de lado”, numatípica atitude de que “...eu não preciso desta droga !...”. A seguir, são apresentados alguns aspectos relacionados à ineficácia dosprotetores auriculares e que comprovam que o simples fornecimento de EPI’s nãoresolve o problema de exposição ocupacional ao ruído.a- Fornecer os protetores auriculares (tipo concha ou tipo plug), sem dar orientaçãoao trabalhador, de nada resolve. Se o trabalhador não sabe que pode ficar surdo,simplesmente jogará o protetor no armário. Assim, o treinamento dos trabalhadores,através de cursos e palestras, é essencial, pois percebendo o que ocorrerá com suasaúde, caso não faça uso do EPI, o trabalhador compreenderá que precisa usar oEPI. Acrescenta-se que durante o treinamento, os trabalhadores ficam sabendoquais as características dos modelos de protetores e como posicioná-loscorretamente no pavilhão auditivo. Até tal detalhe é importante, pois um protetor malposicionado perde sua capacidade de redução (ou atenuação) dos níveis de pressãosonora, dando a ilusão de que protege, o que, de fato, não está acontecendo. 21
  22. 22. b- O treinamento mencionado acima está previsto pela legislação brasileira, ou seja,através da NR-06, em seu item 6.6.1.c, da Portaria 3.214/78, do Mtb.c- Os protetores auriculares têm como função reduzir a intensidade da pressãosonora, mas não a eliminam por completo, principalmente pelo fato de que não sópelo canal auditivo pode ser atingido o ouvido interno do nosso organismo, sendocerto que através da caixa craniana, pela transmissão óssea, o ruído também oatinge. Também o uso dos protetores auriculares não pode ser consideradoplenamente eficaz, visto que o canal auditivo do ser humano apresenta dimensãovariável, de pessoa para pessoa, situação que não costuma ser levada emconsideração pelas empresas, que compram um só modelo para todos ostrabalhadores. As diferenças de dimensão do canal auditivo possibilitam folgas e desajustesdo protetor tipo plug, possibilitando uma exposição ocupacional ao agente emquestão, caso o modelo do EPI não seja o correto.d- Especificamente no que se refere ao protetor auricular tipo plug, há outro fator derisco quanto ao seu uso. Trabalhadores que efetuam manutenção mecânica deequipamentos, como motores, compressores, redutores, bombas, entre outros, fazemuso de graxa, óleos lubrificantes e até mesmo óleo queimado. Não só o corpo, mastambém as roupas ficam impregnadas com tais hidrocarbonetos e, claro, taistrabalhadores passam o dia com as mãos imundas. Ao manusearem os plugs, sujamestes últimos e acabam introduzindo o EPI sujo no canal auditivo, situação que poderesultar em infecções do ouvido.e- No que concerne ao uso de EPI’s, há de salientar-se, ainda, que recentepublicação do Ministério do Trabalho, intitulada “Fórum Nacional sobre Segurançae Saúde do Trabalhador no Contrato Coletivo de Trabalho”, evento ocorrido nacidade de São Paulo entre 31 de agosto e 03 de setembro de 1.993, teve comoparticipante a Ex-Secretária de Segurança e Saúde no Trabalho, Dra. Raquel MariaRigotto, cuja conferência, dentre diversos temas, abordou com clareza a difusão deconceitos que dificultam a prevenção de acidentes de trabalho e doenças do trabalhonas empresas. 22
  23. 23. Dentre estes conceitos, encontra-se a idéia ilusória de que a prevenção dosagravos à saúde dos trabalhadores deve ser feita por equipamentos de proteçãoindividual. A lei, como explica a Dra. Rigotto, aponta que a proteção individual écomplementar à coletiva, ou ainda, apenas transitória, emergencial. Como muito bem exemplifica a Ex-Secretária, usando suas palavras, “...porexemplo, em visita a empresas com alunos da Faculdade de Medicina, a primeiracoisa que eles falavam era isto: Mas também, é claro, ninguém estava usando amáscara. - Quer dizer, este raciocínio está incutido em todos: se o trabalhador usar amáscara, o protetor de ouvido, ele vai proteger a sua saúde. É uma cultura bastanterestrita em termos de controle e eliminação dos riscos no ambiente de trabalho, emtermos de ambiente sadio...”. Claramente, pois, demonstra a Dra. Rigotto que as empresas devem mudarsua linha de raciocínio, modificando as condições ambientais às quais estão expostosos trabalhadores, de forma a eliminar o mal pela raiz, não adotando atitudescomodistas e simplórias, procurando isentar-se de suas responsabilidades para com asaúde e segurança dos trabalhadores. De tais comentários, podemos concluir que o fornecimento de protetoresauriculares, acompanhado do devido treinamento aos trabalhadores, não passa deuma fase INICIAL de um amplo Programa de Controle de Ruído. Outras fasessubseqüentes devem seguir a primeira, atacando-se o ruído na fonte, no meio detransmissão existente entre a fonte e o homem e impedindo a circulação do pessoalem locais ruidosos. Os dois primeiros métodos de controle merecem mais atenção.Controle do Ruído na Fonte O controle em questão prevê a intervencão diretamente na fonte emissora deruído. Tal intervenção relaciona-se à:- manutenção do equipamento (lubrificá-lo com periodicidade menor, por exemplo,ou eliminar folgas desnecessárias entre componentes móveis);- troca de peças em chapa de aço por aquelas de material plástico e/ouemborrachado;- colocação de silenciadores em saídas de escape; 23
  24. 24. - substituição de equipamentos que operam a ar comprimido por aqueles deacionamento elétrico;- isolamento de estruturas de equipamentos pesados sobre um conjunto de molasamortecedoras.Exemplo:Nas saídas de linhas de produção, é comum que embalagens de produtos caiam porgravidade sobre o fundo de caixas confeccionadas em chapa metálica, gerandoníveis de pressão sonora elevados. Se tais caixas receberem um revestimento internoemborrachado e a distância entre o fundo da caixa e a correia transportadora depeças for diminuída, o ruído será diminuído.Controle do Ruído no Meio Além da intervenção na própria fonte, podemos evitar que o ruído se propaguepelo ambiente no qual se encontram os trabalhadores. Para tanto, são utilizadasbarreiras protetoras, forradas internamente com material absorvente, do tipo lã devidro, lã de rocha, borracha porosa ou espuma de poliuretano. Tal processo éconhecido como enclausuramento. Externamente, as barreiras em questão sãoconstruídas em chapa metálica grossa e pesada. Outro recurso a ser utilizado no meio é a forração de paredes e teto do localcom painéis de lã ou até mesmo com embalagens de ovos (em espuma).Dependendo do tipo de material usado, pode-se obter entre 50 e até 90% deabsorção da energia sonora incidente nas estruturas do prédio, conforme afreqüência do ruído. Portanto, é necessário se conhecer o produto a ser aplicadocomo revestimento de paredes e teto, informação que pode ser obtida em consulta àbibliografia recomendada a seguir. 24
  25. 25. ANEXOS Tabela para Adição de DecibéisDiferença entre Quantidade a ser adicionadaos níveis (dB) ao maior nível (dB) 0 3,0 0,2 2,9 0,4 2,8 0,6 2,7 0,8 2,6 1,0 2,5 1,5 2,3 2,0 2,1 2,5 2,0 3,0 1,8 3,5 1,6 4,0 1,5 4,5 1,3 5,0 1,2 5,5 1,1 6,0 1,0 6,5 0,9 7,0 0,8 7,5 0,7 8,0 0,6 9,0 0,5 10,0 0,4 11,0 0,3 13,0 0,2 15,0 0,1 25
  26. 26. Tabela para Subtração de Decibéis 26
  27. 27. Bibliografia RecomendadaLivros:Ruído, Riscos e PrevençãoAutores: Marcos Paiva Matos Ubiratan de Paula SantosEditora: Hucitec - 1.994Manual Prático de Avaliação de Barulho IndustrialAutores: Martin G. Wells Astete Satoshi KitamuraEditora: FundacentroTrabalho e Saúde na Indústria - Volume 1 - Capítulo 4 - págs. 97 à 124Autoras: Jeane Stellman Susan DaumEditora: EDUSPTópicos de Saúde do TrabalhadorCapítulo: Saúde dos Trabalhadores expostos ao Ruído - págs. 157 à 180Autor: Jorge da Rocha GomesEditora: Hucitec - 1.987Insalubridade - Morte Lenta no TrabalhoCapítulo: VI - Outras histórias de morte lenta - págs. 203 à 206Autores Diversos - DIESATEditora: OboréPrograma de Saúde dos TrabalhadoresCapítulo: Considerações sobre ruído - págs. 83 à 156Autores: Danilo Fernandes Costa e outrosEditora: Hucitec - 1.989O Ouvido e a Audição 27
  28. 28. Coleção “O Corpo Humano”Autor: Steve ParkerEditora: ScipioneRevistas Técnicas - Artigos:Problemática atual do ruído na indústria - Controle da AudiçãoAutores: Luiz Maria Gil Carcedo Y. GarciaRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 31Estudo Clínico e Fisiopatológico da Lesão Auditiva Induzida pelo RuídoAutora: Sandra Irene Cubas de AlmeidaRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 52Perdas Auditivas Ocupacionais Induzidas por Ruído. Considerações Legais.Autor: Satoshi KitamuraRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 74Surdez Profissional: Caracterização e EncaminhamentoAutor: Carlos Alberto PereiraRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 65Programa de Conservação Auditiva em Trabalhadores Expostos a RuídoAutor: Ubiratan de Paula SantosRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 67Verificação de Proteção oferecida por meio de Índice de Proteção AcústicaAutor: Mário Luiz FantazziniRevista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 67Protetores Auriculares: Mecanismos e Cálculos de AtenuaçãoProblemas de UtilizaçãoAutores: Sami Nagi Yousri Gerges Eduardo Giampaoli 28
  29. 29. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, número 58Que Barulho é esse ?Autor: Carlos Alberto SchützRevista PROTEÇÃO Nº 25Ruído: Os Riscos ao SonoAutor: Fernando Pimentel SouzaRevista PROTEÇÃO Nº 23Ruído, Inimigo InvisívelDiversos AutoresRevista PROTEÇÃO Nº 22O Uso de Protetores Auditivos em face das NR’sAutor: Celso Antonio RugaiRevista SOS - Edição de fev./94 29
  30. 30. ILUSTRAÇÕES 30
  31. 31. Prancha 01: Anatomia do Ouvido Humano 31
  32. 32. Prancha 02: Anatomia do Ouvido Humano 32
  33. 33. Prancha 03: Lesões no Órgão de Corti 33
  34. 34. Prancha 04: Controle do RuídoLembre-se: Rebitar e martelar produz ruído. Usar alicates, chaves de fenda e grifos, não. 34
  35. 35. Prancha 05: Controle do RuídoOs compressores de ar podem ser enclausurados, contato que entradas de ar sejamestrategicamente localizadas na carcaça. Esta última deve, inclusive, ser revestidaem material absorvente acústico. 35
  36. 36. Prancha 06: Controle do RuídoAs bancadas de trabalho também podem receber enclausuramento ao redor demáquinas e equipamentos, contato que o alcance visual do operário não sejaprejudicado, tampouco o alcancer motor aos dispositivos da máquina. As pranchasusadas devem ser revestidas com material absorvente acústico. 36
  37. 37. Prancha 07: Controle do RuídoAs correias transportadoras que descarregam mercadorias em embalagens nãodevem ter altura fixa. Com um sistema automático de regulagem de altura, acionadopor braço hidráulico, à medida que a caixa de embalagem vai ficando cheia, a pontada correia sobe. Em sua extermidade, é posicionada uma caixa revestida pormaterial absorvente e são colocados anteparos flexíveis (de borracha, por exemplo),para evitar a queda de objetos diretamente ao fundo da caixa. 37
  38. 38. Prancha 08: Controle do RuídoNas áreas industriais a céu aberto, é comum encontrarmos o descarregamento dematérias-primas sobre funís, tais como cascalho, pedrisco, minérios de ferro, entreoutros. Revestindo-se a chapa metálica que conforma o funil e sua tubulaçãoposterior com material absorvente, obtemos considerável redução dos níveis depressão sonora. Observe que a posição na qual o final da correia transportadora élocalizada também contribui para diminuir o ruído. 38
  39. 39. Prancha 09: Controle do RuídoAs tarefas mais simples também podem sofrer alterações quanto ao procedimento detrabalho, reduzindo o ruído ambiente. Na morça, ao fixar pranchas, tábuas, placas, éaconselhável colocar dois anteparos de revestimento entre a placa e as garras damorça, para que estes absorvam vibrações e o ruído. 39
  40. 40. Prancha 10: Controle do RuídoUm procedimento parecido é aplicável em discos de serra de bancada. Um disco deborracha, reforçado por estruturas metálicas, é posicionado sobre o disco de serra,que é, então, fixado ao equipamento da bancada. 40
  41. 41. Prancha 11: Controle do RuídoAs proteções de partes móveis de máquinas, como eixos e flanges, devem receberuma folha de material absorvente, sendo prensada entre as duas chapas de aço daproteção. Tal procedimento simples ajuda a diminuir a vibração das chapas,reduzindo a propagação do ruído para o ambiente de trabalho. 41

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