Livro_Completo_Seja_ Executivo_ e_ não_ Executado! Thomas F_ Reaoch

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Livro_Completo_Seja_ Executivo_ e_ não_ Executado! Thomas F_ Reaoch

  1. 1. 2 Orelhas da capa Da esquerda: Preparem-se para vivenciar com qualidade as “duas vidas” de um ser humano: uma que vai dos 20 aos 50 e outra que segue dos 50 aos 80 anos. “Seja executivo e não executado: como planejar suas vidas pessoal e profissional antes e depois dos cinqüenta” é um livro que pretende, por meio das experiências do empresário Thomas Reaoch, contribuir para amenizar as angústias com diversas gerações. É certo que a globalização está colocando no desemprego uma quantidade significativa de experientes executivos. Por outro lado, não tem dado grandes oportunidades aos jovens que precisam entrar no mercado de trabalho. Diante desse cenário e somado ao aumento da expectativa de vida do brasileiro, Thomas F. Reaoch oferece aos leitores ferramentas importantes de como planejar as vidas pessoal e profissional antes e depois dos cinqüenta anos. Orelha da direita: Nascido, criado e formado nos Estados Unidos, Thomas F. Reaoch é casado e pai de três filhos. Graduado em Educação Industrial pela Bowling Green University, em Ohio, é trilíngüe com forte compreensão das culturas norte-americana, latina e européia. Reside no Brasil há 35 anos onde atuou em importantes companhias e obteve sucesso no desenvolvimento de produtos e mercados nacionais e internacionais. Hoje, Thomas é proprietário da RC Invest, empresa conselheira, que orienta pessoas físicas e jurídicas a compreenderem suas rotinas, a avaliarem os seus riscos e a descobrirem suas necessidades na área financeira.
  2. 2. 3 Contracapa "Ao preparar-me para as batalhas, sempre percebi que planos são inúteis, mas o planejamento é indispensável”. Dwight D. Eisenhower Dwight David Eisenhower (1890 - 1969) foi presidente dos Estados Unidos da América e comandante supremo das forças aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. “Existe um tempo para melhorar, para se preparar e planejar; igualmente existe um tempo para partir para a ação". Amyr Klink, navegador brasileiro. A imprevisibilidade da vida, a insegurança da carreira, a rapidez da tecnologia e das informações exigem de todos conhecimento, postura, atitude e planejamento. Esteja você com menos ou mais de cinqüenta anos, saiba que objetivar e agir, de maneira organizada, a favor de suas metas significa caminhar em direção ao sucesso pessoal, familiar, financeiro e profissional! Seja executivo e não executado tem como missão ser uma prestação de serviços em benefício daqueles que vão ingressar no mercado de trabalho. É uma oportunidade valiosa de receber, daqueles que já passaram por certas experiências, um alerta no sentido de que sejam evitados os obstáculos, tropeços e decepções; ou, pelo menos, minimizados. Mas tudo isso, depende de você e do que faz por suas conquistas. Comece uma nova vida pelas páginas deste livro!
  3. 3. 4 Edição e Textos: Roberta Lage Mtb.43382 Projeto e Produção gráfica do livro:Editora Komedi Fotos: Tácito Fotografia Revisão: Web Impressão e acabamento: E Livro Contatos com o autor: Thomas F. Reaoch- thomas@thomasreaoch.com.br Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios, sem permissão escrita dos autores ou sem a citação da fonte.
  4. 4. 5 Dedicatória Dedico este livro a toda a minha família, que de fato é o projeto mais importante de minha vida. Minha esposa Márcia, minha filha Jéssica, meus filhos Tommy e Michael e a Camila, minha filha que faleceu com três dias de vida. Vocês foram minhas inspirações e meu laboratório de experiência em muitas ocasiões que cito neste livro e que foram vivenciadas por mim. Eu e minha esposa estamos entrando na segunda vida e aprendendo a vivê-la, sem que ela tenha sido planejada quando éramos mais jovens. Deixo então este relato escrito para que sirva de auxílio para a geração de meus filhos, que ainda enfrentará desafios e também para os que vivem este segundo momento, para que não desanimem e sigam em frente.
  5. 5. 6 Agradecimentos Gostaria de agradecer a todos os que estiveram ao meu lado nos meus melhores e piores momentos pessoais e profissionais. Obrigado a vocês, que me ensinaram todo dia algo novo: mentores, amigos, parentes, funcionários, ex-funcionários, chefes, clientes, colegas e conhecidos. Aos entrevistados, que fizeram parte do capítulo “Histórias Reais”, pela confiança e colaboração. Vocês foram fundamentais. A todos que me enviaram e-mails com boas lembranças e recados do tempo em que já estivemos juntos profissionalmente e que me ajudaram a elaborar o capítulo das dicas. Sucesso sempre! À Roberta Lage, que me ajudou a concretizar este sonho de escrever um livro. Com sua competência profissional, de uma forma amável e empática, me ajudou a vencer algo que para mim parecia uma barreira.
  6. 6. 7 Sumário Apresentação............................................................................................................. Capítulo I – Minha história ...................................................................................... Um americano no Brasil............................................................................................ Novos horizontes...................................................................................................... Thomas hoje............................................................................................................. Capítulo II- As duas vidas de um homem..................................................................... O encontro das duas vidas.............................................................................................. Capítulo III- Planejamento de vida e carreira............................................................... Quadro de planejamento............................................................................................. Planejamento financeiro.............................................................................................. Tabela financeira........................................................................................................ Planejamento para a aposentadoria.......................................................................... Sugestões................................................................................................................ Capítulo IV- Emprego, desemprego e empregabilidade .............................................. Como manter sua empregabilidade.................................................................................... Atualização de informações............................................................................................. Administração do tempo................................................................................................. Inter-relacionamento pessoal........................................................................................... Desemprego................................................................................................................... Capítulo V - Novos Horizontes: currículo, entrevista e o negócio próprio................ O currículo.......................................................................................................... Seja criativo........................................................................................................ Um modelo de currículo antigo........................................................................... Dicas para elaboração do seu currículo.............................................................. Novo modelo de currículo.................................................................................... À procura de um emprego.................................................................................. Entrevista de trabalho........................................................................................ Algumas alternativas de emprego: emprego temporário, terceirização, negócio próprio, trabalho informal..................................................................................................................... Exemplos de sucesso....................................................................................................... Empregos em alta..........................................................................................................
  7. 7. 8 Capítulo VI- Networking – A rede de relacionamento................................................. Dicas para uma networking funcional.......................................................... Capítulo VII- Histórias Reais......................................................................................... Hércules Schwether – Passagem da primeira para a segunda vida..................................... Luiz Marzo- Aposentado, porém atuante no mercado.......................................................... Renata Aureli- Uma mulher de garra................................................................................... Luiz Roberto Spiritus- Momento de transição..................................................................... Mauricio Freitas- Persistência e resultados........................................................................ Rogério Queiroz- Uma carreira em uma única empresa..................................................... Magda Reis- Consciente do que quer................................................................................. Cristina Delboni- Inglês como diferencial........................................................................... Arthur Assumpção- Experiência pautada na ética e no aprendizado................................ Tarcisio Petroni- Carreira abalada pelo preconceito etário............................................. Tatiana Dalben- Um início de carreira batalhador........................................................... Werner Kugelmeier- Objetivos a serem conquistados também na segunda vida................ Capítulo VIII- Dicas........................................................................................................ Referências bibliográficas .........................................................................................
  8. 8. 9 Apresentação Mais uma semente é plantada: a biografia de Thomas F. Reaoch Diz um antigo ditado popular que todo ser humano, para se sentir plenamente realizado, precisa realizar três tarefas importantes: plantar uma árvore, ter filhos e escrever um livro. Acho que estou no caminho certo. Em 1975 consegui passar por uma das mais agradáveis e belas experiências: o nascimento da primeira filha, Jéssica. Não parou por aí. Dois anos depois nasceu Tommy e em 1981, Michael. A árvore (um cajá) também foi plantada em 26 de março de 1999, em Itapissuma, (PE). Agora, em 2005, estou podendo concluir mais um projeto especial em minha vida, o de escrever um livro voltado às pessoas de 20 a 100 anos, que queiram aprender sobre planejamento de vida e carreira, conhecimento fundamental nos dias de hoje. Freqüentemente, em minha vida profissional, convivi com pessoas que me motivavam a escrever um livro. Algumas me diziam que aprenderam comigo, que se lembravam de situações, frases e atitudes que, de alguma maneira, marcaram suas vidas. Pensando nisso e ouvindo com freqüência que eu deveria escrever uma obra, resolvi compartilhar com vocês minhas experiências. Por outro lado, relembrando meu passado, percebi também que, em minha adolescência os livros foram grandes companheiros e me proporcionaram ricos aprendizados. A diferença é que sempre li o que os outros escreveram. Não me enxergava como alguém que pudesse fazer um livro para perpetuar idéias e conhecimentos e vi que é possível. Superei barreiras e consegui concretizar mais esta meta. As primeiras barreiras eram de “não saber escrever” um livro e de achar que talvez não tivesse conteúdo suficiente para o mesmo. Depois de 2000, tive mais tempo de pensar e refletir sobre a vida, pois me encontrava no início da crise existencial de uma pessoa então com mais de 50 anos. Como sempre expliquei para os meus funcionários que tudo na vida é um processo e que temos que aprendê-lo primeiro para depois repeti-lo, decidi que deveria aprender sobre o processo de escrever um livro. Após pesquisas na internet, descobri milhares de páginas sobre o assunto e algo que li me marcou muito. A tese defendida pelo autor do artigo, a que tive acesso virtualmente, afirmava que se uma pessoa pode falar, ela também pode escrever um livro. Sua segunda idéia era de que o interessado deveria fazer/escrever um livro rapidamente, para justamente poder escrever mais livros. E foi assim que aconteceu.
  9. 9. 10 Depois do conselho de um amigo, procurei uma profissional, com experiência em “fazer” livros, e de fato durante o processo do desenvolvimento desta obra foram abertas avenidas de pensamento para os próximos livros. Tive uma experiência muito interessante ao preparar o Seja executivo e não executado. Percebi, ao pesquisar informações com amigos, ex-colegas de trabalho e familiares, como realmente aquilo que fazemos ou falamos de fato marca as pessoas.“You learn something new everyday”, ou seja, se aprende algo novo todos os dias. Neste livro, coloco à disposição do leitor dicas e ações que, de acordo com minhas vivências, acredito serem essenciais para uma vida equilibrada e planejada. Espero que os conselhos que vocês lerão a seguir tornem-se referências e que com alguns deles aprendam algo novo, afinal, se deu certo para aqueles que aconselhei também dará a vocês, que estão tendo acesso a este livro. Outro ponto relevante para a concretização deste projeto é o fato de que eu preciso e gosto de estar em um constante processo de aprendizagem e escrever um livro me proporcionou essa situação, por isso, pretendo continuar. Aliás, coincidentemente, ou não, as três ações a que me referi anteriormente - plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro - implicam uma continuidade. Plantar uma árvore significa exercer a cidadania e contribuir com a natureza e seus habitantes. Os filhos representam a continuação de uma família e o livro, por sua vez, é a continuidade das idéias de quem o escreveu e é isso que pretendo, colaborar com vocês. Então, desejo que façam uma boa leitura e que sejam jardineiros de suas vidas. Plantem sementes, objetivos, metas e cuidem de tudo com carinho, como se fossem filhos para que um dia, possam também ser escritores de suas histórias. Que minhas sugestões e dicas possam ser sementes na vida de todos. Thank you !
  10. 10. 11 CAPÍTULO I Minha história O ano era 1947 e o dia, 4 de outubro. Encerrava-se a Segunda Guerra Mundial e iniciava-se a época do pós-guerra, que levou à Guerra da Korea e depois à Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética. Nessa fase, os americanos decidiram-se pela política de "contenção" ao comunismo, dando início a pesados investimentos em armamentos e artefatos nucleares; e passaram a auxiliar economicamente, por meio do Plano Marshall, os países europeus assolados pela guerra, permitindo assim que eles dessem início aos programas de reconstrução nacional. Foi nesse cenário, em McKees Rocks, em um bairro próximo a Pittsburgh, na Pennsylvania, que nasci. Fui o segundo filho, fruto da união de Rose e Thomas Reaoch, que já tinham Donald e, depois de mim, deram vida a Ronald. Além de ter o mesmo nome de meu pai, fui batizado como Thomas Francis Reaoch, em homenagem a São Francisco de Assis, porque nasci em seu dia. Sou o que chamam de baby boomer, ou seja, faço parte da geração que nasceu no pós- guerra e foi criada dentro de um período de desilusões marcadas pela crise econômica. Minha família presenciou a guerra e participou dela, e a maioria dos jovens foi convocada para integrar o exército. Enquanto meu pai foi para a Europa, meus tios, irmãos de minha mãe, descendentes de italianos, foram para o Pacífico e os parentes de meu pai, que são descendentes de escoceses, seguiram para a Europa. Minha mãe, como a maioria das mulheres, foi empregada em uma fábrica que produzia armamentos. Depois da Segunda Guerra Mundial, meu pai conseguiu um emprego em uma usina de aço em Pittsburgh, onde alimentava um alto forno no processo de fabricação de aço. Minha mãe, como muitas, perdeu seu emprego, mas com a volta dos soldados da guerra, os empregos surgiram para os homens. Apesar de o país não passar por uma fase pacífica, minha infância foi tranqüila. Minha família era pobre, mas eu não sabia. A cidade onde cresci, totalmente industrializada, era conhecida por ser a cidade do aço, cercada por usinas e fábricas e perto de onde morava havia muitos grupos de várias nacionalidades: italianos, poloneses, eslovacos, húngaros, entre
  11. 11. 12 outros. Mas, apesar disso, o bairro onde morávamos era muito pobre e a vida absolutamente simples. As casas eram pequenas, o inverno muito rigoroso, com bairros violentos e muitas brigas. Não tínhamos brinquedos comprados, mas produzidos por nós mesmos. Brincávamos na rua e pedaços de madeiras e caixas de frutas transformavam-se em carrinhos de rolimã, estradas, tendas, casas. A grande brincadeira era encontrar caixas de papelão! Quando chovia, fazíamos represas e lagos na rua que era de terra, e construíamos barquinhos de madeira para compor o lago. Usávamos a criatividade.... Com sete anos, iniciei meus estudos na Saint Cyril, uma escola católica, freqüentada principalmente por poloneses, mas próxima a minha casa. A escola dos italianos era longe. Fiquei lá até os 12 anos. Não era um bom aluno, as freiras eram bastante exigentes, prezavam pela boa disciplina e eu mais falava do que prestava atenção. Uma matéria que me chamava a atenção era geografia porque meus colegas de classe vinham de países diferentes e eu tinha curiosidade em conhecer cada um.....Não gostava de matemática, pois a freira castigava muito pelos erros e até criei um bloqueio. Ainda criança, comecei a trabalhar. Tinha oito anos quando, por indicação do meu irmão mais velho, passei a entregar jornal nas redondezas de minha casa. Saía da escola, pegava um vagãozinho repleto de jornais e seguia em direção à minha rota de entrega. Ganhava centavos, cerca de um ou dois dólares por semana e com o que arrecadava ia ao cinema, passeava...Dois anos depois, passei a abastecer, juntamente com o gerente de rota do bairro, os pontos-de-venda de jornais. Enquanto o gerente dirigia seu carro, eu corria entre o carro e as lojas entregando os jornais! Porém, depois da guerra, muita gente se viu desempregada, inclusive meus pais, e por esse motivo tivemos que mudar de cidade. Saímos de Pittsburgh em direção ao estado de Ohio, pois meu pai havia conseguido um emprego melhor, como motorista de caminhão. Nesse período, passei por uma mudança brusca, principalmente pela transferência da escola. Em Pittsburgh, morava em um bairro violento onde as pessoas brigavam muito e não valorizavam a educação. Em Ohio, tudo era diferente, a casa era maior, a situação financeira da família melhorou e tive um choque comportamental e de hábitos. Passei a estudar mais na Revere High School, em Bath, Ohio, e a freqüentar um ambiente de maior nível econômico do que estava acostumado e por muitas vezes me senti até um peixe fora d’água. Precisei me adaptar. Um dos grandes hábitos que aprendi nessa escola preparatória para a faculdade foi o da leitura como forma de lazer. A instituição de ensino tinha uma boa biblioteca, onde eu podia emprestar os livros que estavam expostos e levar para a casa para ler. Também na época, a escola tinha um clube do livro, onde podíamos comprar livros a preços bem acessíveis.
  12. 12. 13 Mesmo com essas mudanças, não deixei de trabalhar. Trabalhei como ajudante de açougueiro ,cortando carnes em um açougue e fui contratado por um drive in (cinema ao ar livre) para fazer pipoca, batata frita e hambúrguer. Depois, em setembro de 1965, quando tinha 18 anos, mais uma mudança tomou conta de minha vida. Dessa vez, ingressei no curso de Educação Industrial na Universidade Estadual Bowling Green, em Ohio, a 200 km de onde morava. Meu objetivo era ser professor dessa disciplina e a adaptação ao novo ambiente foi natural. Por ser residente no estado, não pagava mensalidade, mas tinha que arcar com os gastos dos livros, moradia e alimentação. Nas horas vagas, trabalhava. Primeiro, em um posto de gasolina, em seguida lavei pratos no restaurante comum dos universitários e, de lavador cheguei, a ser supervisor dos funcionários que lá trabalhavam. No terceiro ano do curso superior, quando tinha 20 anos, consegui uma vaga como professor de Educação Industrial em um colégio chamado Brunswick High School. Estudava à noite e trabalhava durante o dia. Dava aulas para cerca de 180 alunos, atendia a seis classes com 30 alunos cada. Foi uma experiência importante. Apesar de não ter maturidade suficiente ─ era o mais jovem de todos os professores ─ ministrar aulas nesse período foi um grande aprendizado, principalmente pelo contato com outros professores mais experientes. Fazer parte de uma escola como profissional pela primeira vez, com hierarquias, me fez crescer. Lá, também trabalhei como assistente treinador de futebol americano e ganhava um acréscimo no salário por isso. O contato com os alunos ficou mais próximo. Estava realizado quando me formei e continuei como professor por mais dois anos e, então, inicia-se minha história no Brasil. Um americano no Brasil Entre 1969 e 1970, dei início, ainda em Bowling Green, a um curso de pós-graduação, na área de Psicologia Educacional. Nessa época, namorava uma colega de escola que viajou para o Brasil em um grupo de intercâmbio, acabou conhecendo um brasileiro e, por carta, me comunicou o fim do namoro. Quando ela voltou para os EUA, logo em seguida, visitou o país um grupo de brasileiros. Ainda éramos amigos e ela me apresentou 11 brasileiros que faziam parte desse grupo. Foi aí o meu primeiro contato com o Brasil. O mentor do grupo de brasileiros era um professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Joel Martins, que se interessou por minha formação superior e me mostrou uma oportunidade de
  13. 13. 14 lançar no Brasil o curso de Educação Industrial, além de expandir meus conhecimentos e experiências. Nunca havia viajado a grandes distâncias, muito menos entrado em um avião. Viajei apenas para Bowling Green e uma vez para Nova York. Achei que aquela seria uma boa oportunidade. Animado com a idéia de iniciar um curso e ministrar aulas no Brasil comuniquei meu projeto para minha família, que me apoiou. Não era a primeira vez que um filho viajava para o exterior. Meu irmão Ronald antes disso, havia saído de casa para fazer um estágio na Índia e assim que ele retornou aos EUA, na semana seguinte, viajei eu. Minha mãe achava que eu não iria voltar....sua intuição era forte.... Deixei tudo que tinha, tranquei a pós, juntei dinheiro e fui para o Brasil. O objetivo era fazer uma experiência de uns três meses e ver o que acontecia. Falaram- me que tudo no Brasil era fácil, barato e que todos falavam inglês. Antes de viajar, tinha uma idéia do que era o país apenas por revistas, que me foram mostradas pelo grupo de brasileiros. Vi praias, céu azul, mas achava que o Brasil tinha muito mato.... Antes de embarcar para o país, a primeira coisa que fiz foi vomitar, de tão nervoso. Estava com aquela pergunta em minha cabeça “O que eu vou fazer no Brasil?”. Em junho de 1970, aterrissei no aeroporto de Viracopos, em Campinas. A primeira sensação foi a de que estava no lugar errado, afinal, não via nada, apenas um matagal....Fiquei mais calmo quando encontrei os amigos brasileiros que havia conhecido e que foram me buscar no aeroporto. Não tinha destino, mas um dos colegas, Humberto Marques, me convidou para morar com ele. Logo que cheguei, a primeira providência foi parar em uma padaria. Tomamos um pingado e comemos pão com manteiga. Em seguida, pegamos a Anhanguera e fomos para São Paulo. Chegando na cidade, me surpreendi. Observei a grandiosidade do lugar e tive um impacto muito grande porque nunca tinha visto uma cidade daquele tamanho; era tudo uma bagunça, o trânsito maluco, motoristas indisciplinados.... Minha chegada no Brasil foi marcada por diferentes e importantes acontecimentos históricos. De um lado, o país passava por um dos períodos mais severos da ditadura militar. Do outro, a Copa de 70 fez com que milhões de brasileiros saíssem às ruas para festejar o tricampeonato de futebol. Não tinha noção do que o futebol e a copa representavam para o país. No dia dos jogos, tudo parava e depois as pessoas iam para as ruas e faziam uma festa. Um dia, homens se espancavam em praça pública, no outro se abraçavam para comemorar a vitória de uma seleção. Essas mudanças radicais no comportamento das pessoas eram difíceis de serem assimiladas.
  14. 14. 15 O segundo dia no Brasil foi movimentado. Fomos até a PUC para que eu conhecesse a Universidade. O primeiro local visitado foi o restaurante e me apresentaram para várias pessoas, só que, diferente do que me disseram, nenhuma delas falava inglês, apenas sorriam e gesticulavam. Naquele dia fui orientado pela equipe da PUC a regulamentar minha situação, organizando os documentos, para que, no início do próximo ano, pudesse começar a dar aula. Teria que providenciar inúmeros documentos e, com isso, conheci também uma burocracia que nunca havia visto antes. Foi um grande impacto acrescido do imenso choque cultural. Tudo era difícil: falar, entender, os costumes e os relacionamentos das pessoas eram diferentes do que estava acostumado. Era complicado viver em São Paulo, os lugares eram longe uns dos outros, as pessoas não andavam juntas, como o grupo de estudantes que conheci nos Estados Unidos. Cada um tinha a sua vida, seu horário. Era outra realidade. Vim para o Brasil com a intenção de montar o curso de Educação Industrial, mas a situação era cada vez mais complicada. Já naquela época, as coisas não eram fáceis no Brasil; nada era feito para acontecer. Comecei a encontrar alguns empecilhos. Meu currículo e o histórico médico de meus pais tinham que ser traduzidos, os documentos deveriam ser enviados ao Ministério da Educação (MEC), a carga horária que já havia cumprido teria que ser comprovada, a grade curricular do novo curso montada....estava tudo muito complexo. Comecei a me preocupar quando percebi que inúmeras pendências teriam que ser resolvidas, que a PUC passava grandes períodos em greve, e que, por causa da ditadura militar, a situação das faculdades brasileiras era complicada. Além disso, minhas economias estavam acabando e eu precisava tomar outras atitudes, afinal apenas com a passagem de vinda, não tinha como comprar outra de volta.... Enquanto procurava outras oportunidades de emprego, encontrei algo que eu não conhecia, que foi o fato de não ter direitos. Não tinha direito de opinar livremente sobre a política, por exemplo. Isso foi muito chocante. As conversas eram ocas, sem conteúdo, ninguém falava sobre temas polêmicos e importantes a respeito da situação do país, diferente do que vivenciei nos EUA, porque lá nós exercíamos nossos direitos e expúnhamos nossos pontos de vista, sem que fôssemos repreendidos. A atuação da polícia e dos militares no Brasil me assustava. Tinha medo porque não entendia o que os policiais falavam para as pessoas. Um dia, perguntei para meu amigo Humberto o que o policial falava antes de atirar. Humberto explicou que os policiais não falavam nada. Fiquei com medo, porque não falava e nem entendia. A violência que me preocupava era do desconhecido. Precisava agir. Por indicação de amigos, comecei no mesmo ano a dar aulas de inglês para executivos, na Associação Alumni, de São Paulo. O português já não era barreira e a
  15. 15. 16 minha missão era ensinar os outros a falarem o inglês. Nessa mesma escola de idiomas fiz um curso de português para estrangeiros e com o tempo fui melhorando. Para me acostumar com o idioma brasileiro, ouvia muito rádio e prestava atenção nas pronúncias. A primeira coisa que aprendi foi “o pingado com pão com manteiga”. Fome eu não passava. Nessa parte de comunicação, me lembro de um fato bem engraçado. Pegava ônibus e toda vez que queria atravessar dentro do ônibus e passar pelas pessoas falava “cinzeiro”. Entrava no ônibus e falava: “cinzeiro, cinzeiro, cinzeiro”. Todos olhavam e abriam passagem, até que em um dia falei “cinzeiro” para um conhecido que me explicou que “cinzeiro” é uma coisa e “licença” é outra. Quando eu entrasse no ônibus teria que falar “licença” e não “cinzeiro”. Foi o que aconteceu. Mas o resultado não foi o mesmo. Falava licença e ninguém se mexia, muito menos abria passagem e percebi que entre o certo e o que funciona, nem sempre o certo funciona. Voltei a falar “cinzeiro” para pedir passagem e conseguia sempre descer no ponto certo. Percebi que não precisava falar perfeitamente, mas o principal para as pessoas me entenderem. Depois de dois meses já conseguia me virar. A situação financeira estava melhorando e tinha como meta juntar dinheiro para voltar a minha terra natal. Durante esse processo, minha ex-namorada americana me enviou uma carta contando que havia terminado com o namorado brasileiro e que gostaria que eu voltasse. Fiquei ainda mais motivado a abandonar o Brasil. O choque cultural e a falta de perspectiva me fizeram ter certeza de que teria que retornar ao meu país de origem. Já estava tudo pronto. Antes de retornar, fui a uma festa onde conheci Márcia, hoje, minha esposa. A única dificuldade foi com o idioma, mas havia combinado com ela que só falaríamos em português no nosso relacionamento e até hoje é assim. Apesar de já estar tudo pronto para a minha viagem de volta, fiquei no maior dilema porque gostei muito dela. Tive que viajar, em dezembro de 1970, afinal precisava regulamentar o meu visto brasileiro. Para eu conseguir isso, a Alumni fez uma carta que atestava minha contratação na empresa. Fui para os EUA, peguei o visto e voltei para o Brasil. Estava um pouco mais seguro, pois minha situação econômica era melhor do que quando cheguei pela primeira vez. Assim que desembarquei, outro trauma me esperava. Informaram-me, ainda no aeroporto, que meu amigo Humberto havia morrido afogado em Itanhaém, litoral sul de São Paulo. Chocado, segui do aeroporto para o enterro. Perdi alguém que estava muito próximo e até hoje desconfio de sua morte. Acredito que ele não morreu afogado e que a ditadura pode ter sua culpa....Muitas pessoas sumiam na época ou morriam de maneiras estranhas.
  16. 16. 17 Tive que recomeçar minha vida. Com o emprego na Alumni garantido, saí em busca de um novo local para morar. Iniciei também um curso de pós-graduação na área de Psicologia Educacional, na PUC, mas não dei seqüência. Já havia desistido de montar o curso de Educação Industrial nessa universidade, pois as negociações esfriaram e eu desanimei. Minha vida tomava outro rumo. Estava namorando Márcia e já pensávamos em casamento. Casamo- nos em 16 de dezembro de 1971. Depois disso, levei minha esposa para conhecer minha família nos EUA e o encontro foi muito agradável. Márcia se formou em Psicologia em 1974 e um ano depois, nasceu Jéssica, nossa primeira filha. Novos horizontes Além das aulas de inglês, em 1972, passei a trabalhar com consultoria, convidado por um amigo de um aluno, Franklin Gindler. Já o havia auxiliado e a parceria dera certo, tanto que me dediquei mais àquele novo projeto e diminuí as aulas na escola de idiomas. Gindler era proprietário da Arminc, uma empresa de caixilhos de alumínio (produtos metálicos) em São Paulo. O negócio estava crescendo e, para melhorar, Gindler fez um contrato com uma empresa dinamarquesa para importar material para o Brasil. Decidi que teria que trabalhar em tempo integral naquela nova carreira e, em certa oportunidade, viajei para a Dinamarca para aprender como se fabricavam aqueles produtos e voltei às origens da Educação Industrial, curso no qual me formei. Montamos, então, uma fábrica em Campinas. Importávamos o alumínio da Dinamarca e vendíamos para a construção de obras e empresas. A empresa estava se firmando e por isso, precisei mudar para Campinas com minha família. Uma série de acontecimentos levou ao sucesso da empresa. Aprendi com Franklin Gindler a ser um empreendedor no Brasil, a montar um negócio e isso foi importante. Fiquei 12 anos na empresa e atuei na área industrial, no desenvolvimento de produtos e no mercado externo e resolvi me desligar, quando percebi que não teria mais oportunidade de crescimento, afinal, as mudanças econômicas do país não ajudavam e a empresa se associou à sua maior concorrente do ramo, uma empresa holandesa. Eram empresas concorrentes em um mercado atrofiado. Enquanto isso, em minha vida familiar, também passei por momentos de impacto. Depois de Jéssica, tivemos mais três filhos, mas nossa segunda filha, Camila, faleceu com apenas três dias de vida. Esse foi para mim o acontecimento de maior impacto e me ensinou que precisamos estar estruturados para situações imprevisíveis. Até então, tinha conseguido
  17. 17. 18 uma solução para os meus momentos mais difíceis, mas para a morte não há o que mudar. Depois dessa perda, vieram duas alegrias. Thomas que nasceu em 1977 e Michael, em 1981. Em 1985, por meio de Jorge Rievers, outro conhecido, comecei a trabalhar na Rievers & Gussin S.A., empresa localizada em São Paulo como consultor de exportação. Tinha como responsabilidade capacitar empresas brasileiras no processo de exportar produtos. Fiquei nessa empresa por quatro anos, quando surgiu a oportunidade de integrar o quadro de funcionários da Alcoa Alumínio S/A no Brasil, empresa subsidiária da Alcoa Inc., fundada há mais de 100 anos em Pittsburgh nos Estados Unidos e que produz alumínio primário, alumina, extrudados, chapas e folhas, rodas forjadas, entre outros. Lá, iniciei na área de exportação. Permaneci na multinacional por 12 anos, onde passei por áreas comerciais e de desenvolvimento de produtos e mercados, tanto no Brasil quanto na Europa e nas Américas. Nesses anos, passei por uma grande aprendizagem, mas também tive oportunidade de aplicar minha vivência e experiência obtidas na Hunter Douglas, principalmente no que diz respeito aos mercados e às pessoas na América Latina e na Europa. Obtive sucesso na formação de pessoas e equipes que, em conjunto, proporcionou crescimento para a empresa e para seus funcionários. Em 2000, com 52 anos de idade, fui dispensado da multinacional devido a uma mudança na diretoria da empresa, que reestruturou seu quadro de funcionários. Depois de umas férias, de um tempo de reflexão e da ajuda de uma empresa de recolocação profissional, percebi que o mercado para profissionais de sucesso, porém com idade superior a 50 anos, estava limitado. O ramo de Tecnologia na Internet estava no início de um ciclo de crescimento e senti que precisaria aprender sobre o assunto. Conhecia pouco sobre o mundo virtual e decidi que iria aprender. Iniciei uma nova fase profissional. Por meio de outra conhecida, Fernanda Mendes, que trabalhou comigo na Alcoa, tive a oportunidade de conseguir uma vaga na área comercial de uma empresa de “Ponto.Com” chamada Virtual Case. Foi a Virtual Case que me ensinou a linguagem virtual e que sem dúvida me trouxe riquíssimos conhecimentos no mundo da Internet. A experiência durou seis meses até que, em 2001, percebi que era hora de procurar algo mais concreto em minha vida profissional. Foi quando apareceu a oportunidade de usar os meus conhecimentos na área de desenvolvimento de produtos e mercados e prestar uma consultoria para a Feeling Structures, uma empresa brasileira de estruturas de alumínio, em Santo André (SP). Isso aconteceu com a menor probabilidade de se tornar realidade, pois consegui o emprego, respondendo a um anúncio no jornal. Foi uma experiência também importante, pois no início minha meta era a de montar um plano comercial, buscando novos
  18. 18. 19 mercados e produtos, mas fiz muito mais do que isso. Apesar de ser uma empresa pequena, os proprietários sonhavam com grandes conquistas e tinham consciência de que a exportação valida qualquer negócio, por isso pediram minha ajuda para tornar realidade o objetivo de exportar seus produtos para a Europa e os Estados Unidos. Mas, em determinada fase, ela precisou se unir com seu concorrente e, inicialmente, a empresa cresceu, montou uma nova fábrica em Taubaté (SP), melhorou a qualidade e quantidade de fabricação, uma vez que conseguimos qualificar os produtos e criar um relacionamento forte com o líder do mercado americano. Porém, com o tempo, a relação dos sócios se enfraqueceu e eles se separaram. Eram grandes personalidades em empresas pequenas. Nesse período, surgiu também a oportunidade de atuar na Ávila & Associados, uma empresa de consultoria financeira de São Paulo cujo proprietário Alfenus Ávila fora meu colega na Alcoa. Nos primeiros dias, achei que não fosse me adaptar, afinal, aquela era uma área totalmente diferente das que já tinha trabalhado, mas resolvi que, assim como fiz com a Internet, poderia novamente aprender sobre novos assuntos. Participei de seminários, treinamentos e aprendi o que era uma consultoria financeira. Até então, conciliava parte do meu tempo na Feeling Structures e na Ávila & Associados. Em 2002, resolvi melhorar minha qualidade de vida e cuidar melhor de minha saúde física e mental, afinal, trabalhava em Santo André, Taubaté e São Paulo e morava em Campinas. Era muito desgastante e percebi que ainda precisava dar seqüência a minha carreira. Estava com 55 anos, tinha mais uma vida pela frente e deveria trabalhar para custeá-la. A primeira escolha foi a de atuar na região de Campinas e a outra de montar uma empresa própria, queria criar um negócio que me fizesse crescer. Retomei o contato com meus conhecidos de Campinas e região e passei a comparecer mais às reuniões de associações e câmaras do comércio. Em 2002, nasceu a RC Consultoria Financeira, uma empresa conselheira, representante de três empresas internacionais, que orienta pessoas físicas e jurídicas a compreenderem suas rotinas, a avaliarem os seus riscos e a descobrirem suas necessidades na área financeira. A RC analisa o histórico de pessoas e empresas, alerta para os riscos que correm, aconselha sobre o melhor caminho a ser percorrido e oferece inúmeros serviços e soluções através de investimentos ou planos de seguro, que permitem ao cliente se precaver contra riscos que normalmente não espera. Os melhores planos de proteção e defesa para os riscos financeiros e para manutenção do padrão de vida são oferecidos, de maneira personalizada, aos nossos clientes. Como a minha vivência pessoal e profissional sempre mostrou inúmeras situações inesperadas e ensinou a necessidade de planos e contingências, o nosso papel é fazer com
  19. 19. 20 que o indivíduo reflita sobre assuntos em que nunca pensou. Temos como obrigação mostrar aos cidadãos uma realidade que ele acha que não existe ou que nunca acontecerá com ele. Seguimos os modelos de organizações bastante reconhecidas nos Estados Unidos e oferecemos serviços aplicados à realidade brasileira. Evoluímos para trabalhos específicos para empresas médias e de grande porte na assistência de gestão de riscos. Nosso trabalho é acessível e fundamental para todos os indivíduos, sejam eles executivos, profissionais liberais, recém-formados ou outros. Thomas hoje Hoje, me considero uma pessoa multicultural, não só experiente, mas com vivência. Caminho para o início de minha segunda vida e trabalho para o uso adequado dos meus principais patrimônios que são minhas saúdes física e mental somadas a uma relação familiar estável. Profissionalmente, percebo que voltei às minhas origens como professor, talvez nunca tenha deixado de ser, porque procuro educar as pessoas a respeito de algo que não conhecem, busco constantemente mostrar aos outros algo novo. Sei que antes de ensinar, preciso aprender e este é um exercício diário. Agora que já me conhecem um pouco melhor, desejo que você leitor, a partir de agora, também possa aprender conceitos e atitudes.
  20. 20. 21 CAPÍTULO II As duas vidas de um homem Antes de iniciarmos qualquer assunto, irei explicar algo sobre as fases da vida de um ser humano. Você não deve saber ou pode não ter percebido, mas possui mais de uma vida. Isso mesmo. Vamos começar analisando alguns dados, para que entenda melhor esse conceito. É notável que os avanços da medicina e a melhoria nas condições gerais de vida da população têm contribuído para elevar a expectativa de vida dos brasileiros. Uma pesquisa divulgada em dezembro de 2004, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, em 2003, a expectativa de vida do brasileiro, para ambos os sexos, subiu para 71,3 anos e que ele está vivendo 0,8 anos a mais do que em 2000 (70,5 anos). Mas, apesar de a cada ano a expectativa de vida do brasileiro aumentar, o país não se destaca nesse quesito: o Brasil está na 86ª posição, atrás de países desenvolvidos como França, Austrália e Nova Zelândia. O ranking mostra que até mesmo em relação a países pobres como a Bósnia e o Kuwait, a expectativa de vida supera a registrada no Brasil. Na Jamaica, por exemplo, a expectativa de vida é de quase 76 anos. Entre os 192 países pesquisados pela Organização das Nações Unidas (ONU), o que ficou mais bem posicionado foi o Japão, onde a expectativa de vida ao nascer é superior a 81 anos. E, de acordo com a projeção mais recente da mortalidade, somente por volta de 2040 o Brasil estaria alcançando o patamar de 80 anos de esperança de vida ao nascer. Vejam: meus pais faleceram com 82 anos de idade, eu e minha esposa provavelmente poderemos estar vivos ainda com 90 ou 100 anos e meus filhos poderão viver mais de 100 anos. Portanto, o nosso maior risco não é o de morrer, mas sim de estar vivo com 90 ou 100 anos e não ter feito um planejamento para isso!!!. O fato é que esses dados mostram que as pessoas estão vivendo mais e precisam cuidar melhor de suas vidas. Falo vidas porque acredito que cada indivíduo possui “duas vidas produtivas”. A primeira é formada pelas pessoas que têm entre 20 e 50 anos e a segunda vida pelas que têm entre 50 e 80. O primeiro público composto por jovens e adultos que estudam, entram no mercado de trabalho, dedicam-se a seus empregos, esportes, amigos, família, com muita vitalidade e disposição. Já no segundo perfil ou a segunda vida, encontram-se indivíduos com mais vivência, acúmulo de experiências, nem tanta vitalidade, mas boa disposição. Os
  21. 21. 22 dois grupos apresentam características em comum: precisam planejar suas vidas pessoal e profissional para que vivam, de maneira saudável, as duas fases. Para entender melhor esse pensamento, vamos comparar a vida com um jogo de futebol. Nesse esporte, sabemos que existem dois tempos para os jogadores irem em busca de seus objetivos. O treinador, que é parte integrante da modalidade, tem como meta preparar o time, planejando as ações que serão feitas dentro de campo. Pois bem. Assim também deve ser com o jogo da vida. Todos devem se preparar para os dois tempos de sua existência. Porém, diferente do futebol, quando acontecem os 15 minutos de pausa entre um tempo e o outro, para o técnico entrar em cena com orientações e mudanças, com a vida nem sempre é assim. Não existem necessariamente esses minutos de pausa. Temos que entender que somos ao mesmo tempo jogadores e técnicos e precisamos nos preparar para os dois tempos de nossa história. Mas essa preparação não é fácil e exige dedicação. Os que estão no primeiro tempo estão dispostos, animados e com força total. Aqueles que jogam no segundo tempo já não esbanjam tanta vitalidade e pensam até que não chegarão ao fim do jogo. No primeiro momento, encontramos jovens considerados impulsivos, animados e muito motivados a buscarem seus interesses. No segundo, aqueles com 50 anos ou mais, que acreditam que, com essa idade, já estão no fim da vida, muitas vezes entram em depressão porque mentalizam que não poderão ser produtivos ou que não terão capacidade de aprendizagem. Mas já vimos que a expectativa de vida tem aumentado e que, com 50 anos, um ser humano pode estar apenas começando sua vida, pois encontra-se lúcido, ativo e precisa cada vez mais de planejamento, para que consiga viver com qualidade a nova fase que chega. É certo que a transição da primeira para a segunda vida não é tão simples e até um pouco conturbada, pois a direção a ser seguida e as táticas do jogo não dependem somente de cada um, mas de fatores externos como os eventos econômicos, políticos, sociais e culturais do país. Outro ponto relevante que dificulta essa transição é que as pessoas não se preparam para passar por mudanças e se desesperam quando elas aparecem: não ser mais adolescente, nem ter tantas oportunidades no mercado de trabalho e ter piorado a situação financeira. Essas e outras modificações assustam homens e mulheres que estavam acostumados a viver uma vida regrada e fechada ao novo. É importante observar que tudo muda. As pessoas são distintas umas das outras, possuem diferentes culturas, hábitos, pensamentos, criação. Um indivíduo com 20 ou 30 anos é totalmente diferente daquele com 50 ou 60 e suas características e atuações também não são iguais, mas o que não difere, como disse anteriormente, é o fato de que as duas pessoas precisam planejar, organizar e
  22. 22. 23 investir em suas vidas pessoal e profissional. Casar ou não? Ter filhos? Comprar um apartamento? Fazer uma viagem? Matricular-se em um curso? Aprender um novo idioma? Pensar e preparar seu futuro é fundamental, afinal as pessoas estão vivendo mais! Aqueles que pensaram que iriam trabalhar muito no início da vida para aproveitar sua aposentadoria com viagem e lazer estão se surpreendendo, pois ninguém consegue apenas desfrutar do seu dinheiro na segunda vida, pois percebem que têm que ser cada vez mais produtivos para sobreviver. O encontro das duas vidas Transferir de posição. Parar de jogar no primeiro tempo e só atuar no segundo, ficar no banco de reserva e dar lugar a um jogador mais resistente não são situações agradáveis. O encontro da primeira com a segunda vida nem sempre é pacífico também. Muitas das vezes, quando convivem juntas, as diferenças entre elas, ao invés de serem motivo para a união, transformam-se em pretextos para a concorrência. E isso acontece tanto na vida profissional quanto na pessoal. Observem. Hoje, na mesma família, há o encontro das vidas e essa “trombada” é conturbada. São diferentes gerações convivendo com proximidade. Um dos fatores que dificulta o convívio entre essas pessoas, além da personalidade, é a diferença de idade. Pessoas mais velhas (pais e avós) trocam experiências com as mais novas (filhos e netos) e nem sempre entram em um acordo. As opiniões não são as mesmas e os confrontos de idéias, constantes. Isso ocorre porque os pais nem sempre compreendem que a realidade em que seus filhos vivem não é a mesma da que viveram. A maioria dos jovens é educada e acostumada a participar da primeira vida dos pais, os filhos crescem dentro de casa achando que sempre viverão na abonança, estudando nos colégios mais caros, comprando as melhores roupas e que nunca nada irá lhes faltar. Também não conseguem ver que a realidade dos pais pode mudar. A situação financeira e social dos cidadãos sofre muitas variações e quase nunca para melhor. O que falta é um preparo de todos para lidar com as mudanças. É preciso que as duas vidas se entendam e se ajudem. Hoje em dia, encontramos muitas pessoas frustradas, desanimadas e que nem sempre lutam por seus objetivos e aspirações. Há pesquisas que comprovam que muitos jovens já entram no mercado abalados e estressados porque antecipam a frustração. A segunda vida, da mesma maneira, acredita
  23. 23. 24 ser um insucesso, pois sente-se frustrada porque não tem aquilo que imaginou. Há uma pressão psicológica dos dois lados, o que compromete o entendimento das duas vidas. Os jovens recém-formados entras no mercado com um conhecimento teórico muito grande. Estão mais atualizados e em sintonia com o ambiente, sabem o que há de mais moderno sobre a profissão escolhida. Nesse caminho, encontram pessoas que estão no fim da primeira vida e no início da segunda. E essa pessoa, no fim da primeira vida, se não planejou essa vida, ficou acomodada e não se atualizou, obviamente fará do encontro com alguém atualizado um impacto muito grande. Os jovens que estão iniciando sua carreira não conseguem apreciar quanto valem as experiências que eles não têm e que os mais velhos já adquiriram. O mesmo acontece com as pessoas da segunda vida, que não entendem o valor da atualização que o jovem leva para o mercado. O desconforto passa a idade e chega no não entendimento das línguas. Há uma incompatibilidade de linguagens: uma pessoa de 60 anos não fala a mesma língua, apesar de falar o mesmo idioma, de um jovem de 25. A maneira de se expressar é diferente e gera conflitos, insatisfação dos dois lados. Parece que estão em países diferentes. A solução ideal seria trabalhar a fonte de renovação, de atualização constante e de aproximação uns com os outros. No mercado de trabalho, normalmente, os que pertencem à primeira vida trabalham em empresas estruturadas e nas suas áreas de atuação; já os da segunda vida trabalham como empresários ou autônomos. No mercado profissional, o conflito surge justamente quando as empresas trocam um profissional com experiência, “caro” e com mais idade, por dois ou três mais novos e “baratos”. Essa situação é compreensível, afinal o Brasil ainda não se preparou para oferecer oportunidades de trabalho para as pessoas mais velhas, diferente de outros países. Americanos e japoneses já conseguem viver as duas fases em harmonia porque o processo de vida é mais claro nesses países e existe um certo investimento para a chamada segunda vida, desde cursos até oportunidades no mercado de trabalho, no Brasil esse investimento é muito raro. Isso acontece porque também existem as duas vidas nos diferentes países do mundo, que possuem maturidades diversificadas. O Brasil está na primeira vida comparado à Europa, por exemplo. Os países europeus estão mais aptos a viverem a segunda vida porque seus moradores já passaram dos 50. As culturas são diferentes, porque os europeus viveram situações antes que os brasileiros. Uma atitude que demonstra essa realidade é que os americanos, ao saberem que terão um filho, logo preparam uma poupança que garanta os estudos de seus herdeiros. Existem até consultores que trabalham alertando as pessoas a planejarem a sua segunda vida, porque ela é mais custosa comparada à primeira.
  24. 24. 25 O conselho que dou é que não neguem que existem duas vidas e que a realidade muda o tempo todo. A primeira vida tem que saber que os acontecimentos podem sair diferentemente do planejado. Já a segunda vida precisa aprender a se adaptar às situações. Não devem ficar se lamentando, apenas entender que estão entrando em uma segunda fase. Filhos e pais têm que se compreenderem uns aos outros e se ajudar. Acredito que uma das alternativas para essa situação seria se o sistema educacional criasse um ambiente direcionado para orientar desde cedo os cidadãos a se planejarem profissional e financeiramente. Não devemos esperar apenas pelas atitudes do governo. Precisamos contribuir para uma mudança cultural. É muito difícil encontrar, por exemplo, cursos, fora os de extensão, para os que têm mais de 50 anos, o que diria então, uma posição no mercado de trabalho. Poderia haver algo mais planejado, mais formatado, afinal trata-se de um público em plena produtividade. Biologicamente, sabe-se que os mais jovens têm mais facilidade para aprender, mas isso não nega a necessidade, a importância e a possibilidade de a segunda vida estar em constante aprendizagem. O que muda são as habilidades, o foco e o tempo que os mais velhos dedicarão para aprender aquilo que realmente irão usar. Pesquisas feitas na França, na Inglaterra e nos Estados Unidos mostram que a capacidade para aprender depende da experiência das fases anteriores. Aqueles que estiveram sempre envolvidos em processos constantes de aprendizagem terão maior facilidade em reaprender ou aprender novos assuntos. As barreiras têm que ser superadas, afinal, conhecimento é aquilo que você integralizou como vivência. Acredito que aprendemos coisas novas todos os dias e temos que estar atentos para isso. Um bom exemplo disso é o caso de McDonalds, sim dos hambúrgueres. Em abril de 2005, a empresa fez 50 anos. Hoje, para muitos, a companhia é um símbolo de tudo que está certo e também errado com os Estados Unidos. A empresa tem 30 mil restaurantes em 119 países, servindo 50 milhões de pessoas todos os dias. O exemplo não é o do restaurante, nem do hambúrguer, mas sim de uma pessoa: o Ray Kroc. Em 1954 Ray tinha 52 anos! Ele hipotecou sua casa, pegou toda a sua poupança e investiu numa distribuidora de máquinas de fazer milk shake. Em seu trabalho de venda, visitou um lugar que fazia hambúrgueres na Califórnia e que usava oito máquinas próprias. Com a visão de fazer as suas máquinas, o Rei da América, foi o Ray Kroc que convenceu os irmãos Dick e Mac Mcdonald a expandir o seu negócio. Ray voltou para o meio oeste americano e abriu a primeira franquia McDonalds em Dês Plaines, Illinois no dia 15 de abril de 1955. Avaliando esse caso e muitos outros
  25. 25. 26 existentes no mundo, afirmo que saber planejar sua vida pessoal e profissional é um bom começo!
  26. 26. 27 CAPÍTULO III Planejamento de vida e carreira Certamente você já ouviu inúmeras vezes a palavra “planejamento”. Neste livro mesmo, nos capítulos iniciais, o vocábulo já foi utilizado. Mas, afinal o que significa planejar? Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, planejar é um verbo transitivo direto que significa elaborar o plano, projetar, organizar roteiro, programar, ter a intenção de. O Dicionário Michaellis Moderno, da Língua Portuguesa define planejamento como substantivo masculino que denota o ato de projetar um trabalho, serviço ou mais complexo empreendimento, determinação dos objetivos ou metas de um empreendimento, como também da coordenação de meios e recursos para atingi-los ou planificação de serviços. Planejar é tudo isso e um pouco mais. Planejar significa traçar estratégias, estabelecer objetivos, as maneiras para alcançá-los e os prazos para que sejam alcançados. Esses passos são válidos e importantes tanto para a vida pessoal quanto para a profissional. Dizem e eu acredito que existem cinco tipos de pessoas: aquelas que fazem as coisas acontecerem; aquelas que acham que fazem as coisas acontecerem; aquelas que observam as coisas acontecerem; aquelas que se surpreendem quando as coisas acontecem; e aquelas que não sabem o que aconteceu. Planejar a atuação sobre uma oportunidade detectada pode ser a diferença entre o sucesso e o fracasso. Aqueles que não têm o costume de planejar podem não conseguir conquistar seus objetivos. O planejamento requer paciência, esforço, dedicação, conhecimento, atualização, capacidade de lidar com mudanças, superação de barreiras e muita motivação. Podemos observar que as pessoas não têm o hábito de planejar suas vidas, de olhar a vida de maneira estruturada. Nascem, crescem e não planejam nada. Alguns se acomodam com a situação em que vivem e não fazem nada para mudar. Hoje planejar a vida deveria começar já na adolescência, quando o indivíduo pensa no que deseja para si. Os indivíduos sabem da importância de entrar em uma universidade, mas não planejam isso. Eu mesmo, quando entrei na faculdade, planejei muito pouco de minha vida. A vida era mais simples, menos complexa. Fiz orientação vocacional e fui encaminhado para a minha formação, mas eu não olhei muito profundamente o que aquilo representaria para minha vida profissional. Tornei-me professor sem saber como era aquele mercado e depois de formado, tive um impacto. Imaginava-me terminando um mestrado, fazendo PHD e sendo professor universitário
  27. 27. 28 dando aula em faculdades. Claramente, me enxerguei aposentando com 60 ou 65 e quando isso aconteceu analisei se era realmente aquilo que queria para minha vida. Foi quando resolvi vir para o Brasil. Não foi planejado. Naquela época, meus amigos também não tinham planos. Pensavam em se formar, em entrar em uma empresa, casar, ter uma família e depois se aposentar. Hoje a situação é diferente. Não é que as pessoas não queiram se aposentar, elas não podem deixar de trabalhar. O jovem também não é preguiçoso. A situação econômica é complicada, as pessoas se formam e não têm onde trabalhar. O planejamento deve ser abraçado por jovens, adultos e idosos. O primeiro grupo, dos jovens, é formado por pessoas que, muitas vezes, se deparam com modelos comportamentais trazidos pelos mais velhos e que, por outro lado, são detentores de ousadia e da curiosidade que funcionam como molas propulsoras de idéias. Os jovens precisam se organizar porque se vêem frente à escolha profissional com um mercado cada vez mais incerto, além de competitivo. Já os adultos, que passam por inúmeras experiências, se percebem muitas vezes sem melhores perspectivas, têm uma forte tendência a permanecer no campo dos pensamentos, com receio de mudar o que está funcionando. O grupo dos idosos é formado por indivíduos com muitas experiências, mas poucas oportunidades no mercado de trabalho e com grande dificuldade de aceitar inovações. É indispensável perceber que cada público possui demandas, necessidades e urgências diferenciadas; irmanados, porém, pela mesma obrigação de planejar o que será feito de sua vida. A primeira orientação, nem sempre positiva, quanto ao planejamento, começa em casa. Os pais projetam seus anseios nos filhos. Se o pai é advogado, quer que o filho também seja, se é médico insiste para que seu filho também curse uma universidade de medicina e assim por diante. O conselho é para que os pais auxiliem os filhos na trajetória de seu caminho e não os obriguem a realizar aquilo que não querem. Cada segmento da sociedade deve ficar atento. Olhe a vida de uma maneira diferente. Planeje. Primeiro a formação educacional, depois a pessoal e a profissional. Analise o que gosta de fazer e que atividades quer realizar. Ouça a opinião de seus pais, mas lembre-se de que quem irá trilhar o caminho é você. Se achar que tem preferência por uma determinada profissão, converse com pessoas mais experientes e veja como é a atuação destas no mercado de trabalho e a realidade da área. Pesquise, estude, comunique-se e nunca deixe de se atualizar com cursos, noticiários e livros. Os pertencentes à segunda vida, executivos ou ex-executivos que estão às vésperas da aposentadoria, chegam a essa nova fase sem um preparo para continuarem sendo produtivos. São alguns profissionais que, em algum momento das suas vidas, desistiram de realizações pessoais ou familiares para se dedicarem a uma carreira profissional que os projetasse no
  28. 28. 29 mundo dos negócios. Muitos, inclusive, adiaram para um futuro incerto todos os seus planos de desfrutar a vida, pressupondo que o sucesso no mundo da organização seria suficiente para satisfazê-los integralmente. Esquecem-se esses executivos de que as organizações prosseguem e de que os níveis de exigência do mercado se alteram, apresentando, permanentemente, novos desafios, o que os coloca, em dado momento, frente a situações de obsolescência ou até mesmo de esgotamento profissional. Se conseguem fazer economias e uma reserva para a aposentadoria, descobrem que é insuficiente para os mais 20 ou 30 anos que podem ter pela frente. Ou pior, encontram-se na situação “sanduíche”, de precisar ajudar os filhos que ainda estão se formando, ou formados sem emprego, e enfrentar, ao mesmo tempo, os cuidados com os próprios pais ou sogros em situação de doença ou incapacidade. Torna-se imprescindível estabelecer critérios de equilíbrio entre sucesso profissional e qualidade de vida pessoal. Se o telefone deixar de tocar, os amigos se afastarem, os convites para as recepções escassearem, não se abata. Esses são apenas alguns sintomas de que uma nova fase está surgindo. Consciente desse novo fenômeno em nossa sociedade, prepare-se para não sofrer como a maioria e trabalhe desde cedo com o planejamento, caso contrário, a segunda vida poderá ter implicações graves sobre a auto-estima desses profissionais. Para te ajudar nesse planejamento, sugiro que participe de um exercício: Para iniciar, é importante que você marque, no espaço de sua faixa etária, as atividades atuais que realiza: emprego, esporte, cursos etc. Depois, avalie as mudanças que pretende em sua vida pessoal e profissional: mudar de emprego, casar, iniciar um curso de idiomas. Em seguida, anote no quadro seus planos futuros: conseguir uma vaga na empresa x, viajar para a França, comprar um carro. Na seqüência, escreva o que você gostaria de fazer daqui a alguns anos e assim sucessivamente. Todos precisam imaginar objetivos pessoais a cada dez anos no máximo. Você deverá responder as principais questões de um planejamento: O que faço hoje? Aonde quero chegar? Que atitude devo tomar para alcançar essa meta? Como organizo meu tempo e meu espaço para dar conta dela? O que irei fazer, caso meu planejamento não dê certo (Plano B)? Vamos a um exemplo:
  29. 29. 30 Quadro de Planejamento Tempo Atividades atuais Mudanças/ Prazos Planos futuros Plano B 20 a 30 anos -Cursinho pré- vestibular. - Aulas de Tênis – duas vezes por semana. - Curso de Inglês. - Estudar mais (5 horas por dia). - Ler jornais com mais freqüência.(diariamente) - Fazer passeios culturais, como cinema e teatro. (uma vez por semana) - Entrar na faculdade de computação. - Iniciar um curso 3D. - Tentar estágio na área. - Ser efetivado na área. - Iniciar uma poupança. - Prestar vestibular novamente. - Procurar um emprego para custear o segundo ano de cursinho. 30 a 40 anos - Técnico de informática na empresa X. - Futebol nos fins de semana. - Mudança no cargo da empresa. - Novas especializações. - Tentar ser promovido à gerência do setor. - Fazer cursos no exterior. - Entrar no mestrado e no doutorado. - Comprar uma casa. - Casar e ter filhos. - Montar um restaurante “por Kilo”. - Vender a casa. 40 a 50 anos - Finalizando Doutorado - Gerente da área de informática da empresa - Pesquisar sobre o negócio próprio. - Iniciar um curso de - Ter uma empresa - Dar aulas de engenharia da -Acompanhante de pessoas enfermas.
  30. 30. 31 X. empreendedorismo. computação no ensino superior. -Morar com os pais. E assim por diante. Agora é a sua vez! Quadro de Planejamento Tempo Atividades atuais Mudanças/Prazo Planos futuros Plano B 20 a 30 anos 30 a 40 anos 40 a 50 anos 50 a 60 anos 60 a 70 anos 70 a 80 anos
  31. 31. 32 Planejar é algo necessário, mas que nem sempre sai como o esperado. Acontecimentos imprevistos aparecem no meio do caminho e atrapalham toda a programação: mudanças nos planos econômicos, nas moedas, na situação política; tudo atrapalha o planejamento. Não desanime. Se o primeiro plano não deu certo, apareça com um “Plano B” e o transforme em sucesso! Não “delete” seu planejamento anterior. Adapte-se à situação. Nem todas as estradas são retas, são cheias de curvas. Nem sempre temos sinalização, avisando quando as curvas irão aparecer. Por isso é importante que, ao planejar, você já saiba que algo pode não se tornar realidade, por isso trace estratégias que permitam mudar de caminho, caso necessário. Planejar pressupõe analisar e prevenir riscos. Planejamento Financeiro O planejamento financeiro está diretamente ligado à administração do orçamento, aos gastos e investimentos de um indivíduo. Significa ordenar a nossa vida financeira para que possamos sempre ter reservas para os imprevistos da vida e, vagarosamente, construir um patrimônio, que garanta na aposentadoria fontes de renda suficientes para termos uma vida tranqüila e confortável. O trabalho é fazer com que os homens se organizem dia a dia para que objetivos e metas possam ser alcançados. A compra da casa própria, a troca de um carro, um curso no exterior, o negócio próprio, um casamento, o divórcio e até a morte exigem planejamento financeiro, o qual é relevante não só para o sucesso das finanças, mas para o sucesso pessoal e profissional. Já vimos que um ser humano tem no mínimo duas vidas produtivas e que cada uma delas apresenta seus desafios, que podem ser superados com o planejamento porque por meio dele é possível identificar as oportunidades e dificuldades de cada fase, e definir, antecipadamente, estratégias para enfrentar cada situação. A maneira como gerenciamos nosso dinheiro hoje vai determinar nosso futuro. A instabilidade econômica instalada no país requer do brasileiro uma revisão radical sobre a melhor maneira de gerenciar suas finanças. Por isso, sugiro que organize suas receitas e despesas e que ainda tente reservar uma economia para sua aposentadoria. Vamos a mais um exercício:
  32. 32. 33 Faça uma planilha em Excel ou em outro programa que queira utilizar. Na seqüência, marque as finanças que entram no orçamento familiar e depois anote as despesas relacionadas a sua vida. Organize essas anotações por mês e tente não gastar mais do que você pode. Faça de tudo para sobrar um dinheiro, o qual poderá ser aplicado e usado em uma situação de desemprego, viagem, entre outros. É importante também que mensalmente seja guardada uma quantidade em uma poupança para uma tranqüila aposentadoria. Veja aqui um exemplo e não deixe de fazer a sua tabela. Tabela Financeira Janl-06 Fev-06 Março-06 Abril-06 Maio-06 Junho-06 Julho-06 RECEITAS Salários Outras Receitas TOTAL DAS RECEITAS DESPESAS Educação Escola Uniforme Material Cursos de Idiomas Passeios Transporte Esporte Outros Residência Aluguel Financiamento Condomínio IPTU Água Luz Gás Jardinagem Segurança Lavanderia Faxineira/empregada Alimentação Supermercado Padaria Açougue
  33. 33. 34 Feira Comunicação Telefone fixo Celular Tarifas bancárias Tv a cabo Internet Transporte Automóvel 1 Automóvel 2 Prestação Ônibus Combustível Manutenção (oficina, óleo, lavagem) IPVA Licenciamento Pedágio Lazer Casa de campo/praia Restaurantes Cinema Viagens Clube Vídeo locadora Jornais Revistas Livros Saúde Médicos Dentista Terapia Tratamentos Farmácia Estética / Bem estar Cabeleireiro Barbeiro Manicure Depilação Outros Vestuário
  34. 34. 35 Feminino Masculino Infantil Festa Costureira Prevenção de riscos Plano de saúde Seguro de Vida Seguro de automóvel Seguro residencial Seguro de incapacidade Investimentos Poupança Planejamento para aposentadoria Despesas bancárias CPMF Taxas Juros Anuidade Cartão Outros Animais de estimação (alimentação, banho, tosa, vacinas, veterinário) Dízimos/doações Presentes TOTAL DAS DESPESAS TOTAL DAS DESPESAS + CPMF SALDO DISPONÍVEL DO MÊS Saldo Inicial Saldo Final 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00
  35. 35. 36 Planejamento para a aposentadoria Os brasileiros não estão preocupados em se preparar financeiramente para a aposentadoria. Essa é uma das conclusões da pesquisa "O futuro da aposentadoria", do banco inglês HSBC, que tinha como objetivo conhecer, em âmbito mundial, a postura das pessoas em relação ao envelhecimento e à aposentadoria. Foram entrevistadas no fim de 2004, 11 mil pessoas em dez países: Brasil, Canadá, China, Hong Kong, França, Índia, Japão, México, Reino Unido e Estados Unidos. O levantamento mostra que a maioria dos brasileiros considera inadequado o sistema de aposentadoria oficial, mas poucos estão preocupados em não terem dinheiro suficiente quando atingirem uma idade avançada. Mesmo diante dessa perspectiva, a maioria não está complementando seus planos de pensão ou adotando outros preparativos para quando atingir a terceira idade. Muitos brasileiros esperam que seus filhos e a família ofereçam a ajuda necessária durante sua velhice. Esse dado pode ser comprovado no estudo que afirma que para 77% dos brasileiros entrevistados, é mais importante estar com a família e amigos ao se aposentar do que ter independência financeira. Entre os brasileiros, diferentemente do que ocorre em países desenvolvidos, a aposentadoria é vista por 52% das pessoas como um "tempo para descanso e relaxamento"; uma fase para passar mais tempo com a família e amigos. Segundo o estudo, poucos brasileiros consideram que a velhice é uma época para assumir riscos ou novas empreitadas. Ao contrário, a maioria acredita que se trata de uma fase para descansar. Já em países como Canadá, Estados Unidos e França, a aposentadoria é encarada como um "novo capítulo" na vida, com novos desafios e oportunidades. Outra informação relevante é que poucos brasileiros haviam tomado alguma iniciativa, nos últimos 12 meses anteriores às entrevistas para se preparar para a aposentadoria. No Brasil, somente 44% responderam que se preparam. Já no Canadá, 96% dos entrevistados afirmaram planejar a aposentadoria e a mesma situação ocorre com 83% dos americanos. O Japão, que teve pior desempenho que o Brasil, mostrou que apenas 32% dos japoneses tomam alguma iniciativa em relação à aposentadoria. A pesquisa também descobriu que as pessoas em muitos países não estão certas sobre como obter a orientação adequada e que se preparavam na maioria das vezes, lendo sobre o assunto e discutindo com a família e amigos. A pesquisa do HSBC revela que, globalmente, a idade média de aposentadoria era de 58 anos em 2004. Mas, em média, os que ainda não se aposentaram disseram querer se
  36. 36. 37 aposentar aos 59 anos. O presidente mundial do HSBC, John Bond, afirma, na conclusão do estudo, que o envelhecimento da geração baby boom, aliado à diminuição das taxas de fertilidade e ao aumento da expectativa de vida estão criando, juntos, novas e complexas pressões demográficas no mundo todo. Afirma ainda que essa nova forma de pensar revelada pela pesquisa deve mudar a maneira como governos, empresas e instituições financeiras lidam com a questão do envelhecimento e da aposentadoria. Em vez de aderir ao modelo tradicional, em que as pessoas freqüentam a escola, passam vários anos trabalhando e então se aposentam, acredita que as pessoas precisam pensar em uma vida realmente mista, na qual os indivíduos possam alternar entre períodos de trabalho, lazer e educação. Acredito que esse cenário brasileiro revelado pela pesquisa é fruto da escassa formação acadêmica em educação financeira, ou seja, noções de finanças e de seus planejamentos poderiam ser trabalhados em sala de aula com alunos desde sua infância. Uma pessoa pode até ter uma formação acadêmica consistente, mas simplesmente não saber lidar com suas finanças pessoais. Na verdade, é um fenômeno que independe do nível cultural. Há pessoas em todos os níveis sociais que não têm o menor controle sobre seus gastos e não fazem idéia de onde vai parar o seu salário. Não há qualquer planejamento. Elas são simplesmente levadas pela maré, conduzidas por fatores menores, como impulsos e desejos de consumo. Pesquisas mostram que recebemos diariamente uma média de 2 mil sinais de propaganda. Para certas culturas e em algumas famílias, os alicerces da educação financeira estão muito arraigados e consegue-se transferi-los por gerações. Mas, em geral, não se conversa muito sobre finanças em casa. E o pior é que os maus hábitos financeiros dos pais também tendem a se propagar aos descendentes. É lamentável, portanto, que não haja uma formação acadêmica regular em educação financeira. Essa matéria deveria ser lecionada desde o começo do ensino fundamental. As crianças e jovens poderiam, inclusive, na medida do possível, transferir o conhecimento adquirido para os pais em casa, aplicando na prática os fundamentos ensinados e obtendo retorno social imediato. Isso, sem considerar que as dificuldades financeiras são grandes responsáveis pela destruição das famílias e pelas separações conjugais.
  37. 37. 38 Sugestões A maior parte das pessoas, infelizmente, só começa a pensar na aposentadoria quando chega o momento de parar de trabalhar. Isso as leva ao estresse. Para não ser pego de surpresa, prepare-se com antecedência. Lembre-se de que, quanto mais cedo você começar a se organizar e planejar sua aposentadoria, mais chances terá de usufruí-la. Procure um consultor, faça algum curso de finanças, se atualize com informações de jornais, revistas e Internet, calcule quanto de recursos precisará no futuro etc. Não fique acomodado. O profissional que está em idade de se aposentar normalmente é aquele profissional maduro, com muitos conhecimentos e experiências, por isso é importante que, junto com o planejamento financeiro, para a aposentadoria, seja feito o planejamento para a segunda carreira/vida. Nos Estados Unidos, consultores americanos sugerem que quanto mais cedo as pessoas comecem a poupar e a economizar para sua aposentadoria melhor. Vejamos. Para um indivíduo se aposentar com 65 anos e ter uma poupança de U$ 500 mil, terá que começar a poupar com 25 anos um valor mensal de U$ 78,41. Quanto mais tarde esse procedimento for feito, menos ele terá quando atingir a hora de se aposentar ou mais valor terá que ser economizado. Vamos a alguns exemplos: Uma pessoa que começa a poupar com 35 anos terá que guardar por mês U$ 219,36 (três vezes mais) para ter U$ 500 mil quando atingir 65 anos. Caso o cidadão comece a pensar em se planejar para a aposentadoria com 45 anos terá que economizar U$ 653,00 (oito vezes mais) por mês. Se esse tempo for postergado, por exemplo, para uma pessoa com 55 anos, ela precisará poupar U$ 2.420,70 (31 vezes mais) para atingir os mesmos U$ 500 mil. Isso partindo do fato de que a taxa anual de valorização é de 10%. Você deve estar se perguntando: mas o que é melhor: aplicar meu dinheiro na poupança ou em um investimento? É bom esclarecer que ambos apresentam vantagens e riscos. A poupança tem perda do poder aquisitivo, mas oferece estabilidade. Já o investimento possui mais risco, contudo oferece potencial de rendimento necessário para alcançar os objetivos financeiros em longo prazo. O ideal seria unir as duas estratégias: enquanto a poupança garante liquidez suficiente para os objetivos fixados em curto prazo, o investimento ajuda a superar a inflação e cria um potencial de rendimento suficiente para os objetivos financeiros de longo prazo, tais como garantir a aposentadoria e os estudos universitários dos filhos.
  38. 38. 39 Fique atento para algumas regras importantes para o acúmulo de riquezas! Desenvolva um plano financeiro: identifique seus objetivos e determine o programa mais adequado. Poupe com disciplina : viva um padrão de vida menor do que suas receitas permitem. Comece a poupar cedo em sua vida: com os investimentos adequados, aproveite o poder dos juros compostos. Invista em sua poupança de forma diversificada: em moeda forte ou proteção cambial, risco baixo. Mantenha uma perspectiva de longo prazo: não perca o enfoque de seus objetivos de longo prazo. Seja agradecido ao mercado nos tempos bons, e em tempos ruins… Não deixe que as notícias dos jornais o distraiam: resista à tentação de fazer grandes mudanças, quando as notícias do mercado estiverem ruins. A maioria das noticias diárias não são relevantes para os seus objetivos de longo prazo. Como vimos, o planejamento não é um só. São várias fases dentro de duas vidas. O planejamento da segunda vida vem com a vantagem de a pessoa já ter experiência por já ter vivido e programado a primeira vida. O foco do planejamento é que muda. É importante olhar ao redor e estar preparado para mudanças. Aprenda algo novo a cada dia. Atualize-se. Vá atrás de oportunidades no mundo inteiro. Equilibre o tempo para família, amigos e para o trabalho. Lembre-se de que todo planejamento tem que ser flexível e readequado. Tenha empenho e coragem para expor o que você realmente deseja. As dificuldades na elaboração desse plano de orientações são fundamentais para a conquista do sucesso. No capítulo seguinte, iremos ver como está o cenário brasileiro em relação a emprego, desemprego e empregabilidade.
  39. 39. 40 CAPÍTULO IV Emprego, desemprego e empregabilidade A vida das pessoas é tomada por decisões. Profissionalmente, a primeira escolha a ser feita logo na juventude diz respeito ao curso superior. A maioria dos adolescentes, ainda com 17 anos, se vê diante de uma decisão que nem sempre é simples. A escolha da profissão. São muitas as dificuldades. A primeira já começa com a imposição do vestibular, obrigatório e disputado. Outro ponto é o fato de se ter uma idade precoce para importante escolha. Em seguida, está a influência dos familiares no rumo profissional do adolescente. Mesmo os que se esforçam para não palpitar sobre a escolha têm culpa no cartório, porque mesmo que não queiram, os pais transmitem suas opiniões. Especialistas também afirmam que é grande o número de adolescentes que optam pelo curso errado por uma questão de desinformação ou por terem uma imagem distorcida das profissões. O Brasil poderia se espelhar no modelo europeu, especialmente no da França, onde os alunos, quando chegam à série equivalente ao primeiro ano do ensino médio, passam por uma bateria de atividades de orientação profissional, para que o jovem descubra sua vocação, suas habilidades e seus talentos. Desde então, decidem a área na qual vão exercer seu ofício – biológicas, exatas, tecnológicas, literárias. Como o trabalho de orientação vocacional é feito desde cedo, o índice de escolhas erradas é menor. Este assunto é tão importante que o governo da França fundou um Ministério da Formação Profissional, encarregado, entre outras coisas, de desenvolver políticas públicas para solucionar os dilemas vocacionais da população. Decidido o curso, é importante que o estudante dedique-se ao máximo aos estudos e logo comece a procurar uma oportunidade de estágio na área, afinal é por meio dele, que o indivíduo colocará toda a teoria aprendida na Universidade na prática e, além disso, poderá experimentar a vivência profissional nas organizações. Os jovens em fase de formação acadêmica também precisam se preocupar com a sua formação profissional, ou seja, já não basta somente ter o diploma de conclusão de curso: também é necessário ter experiência prática, habilidades comportamentais e cursos extracurriculares. Por outro lado, as empresas devem se conscientizar sobre a importância de oferecer oportunidades de trabalho aos jovens estudantes.
  40. 40. 41 É certo que o estágio é o início do amadurecimento pessoal e profissional diante de um mercado de trabalho cada vez mais exigente e concorrido. O Brasil alcança hoje altos índices de desemprego e isso acontece porque o país é volátil; praticamente abandonou uma trajetória de crescimento econômico sustentado. Segundo economistas, isso acontece porque estamos crescendo abaixo de 5% em média ao ano. Na verdade, de 1981 até o ano passado, nós crescemos em torno de 2% ao ano e toda vez que o país cresce abaixo de 5%, ele não tem condições de gerar o volume de empregos necessários para atender as pessoas que estão ingressando no mercado de trabalho. Uma publicação do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea), chamada de “Radar Social”, divulgada no dia 1º de junho de 2005, mostrou que os maiores problemas enfrentados pelo trabalhador no Brasil são o desemprego, a informalidade e a queda da renda média real. Um dos dados revela que a taxa de desemprego brasileira cresceu mais do que em outras partes do mundo nos últimos dez anos entre 1995 e 2003. Ela passou de 6,2% para 10%, respectivamente. Isso se deve, grosso modo, ao fraco desempenho da economia, que não criou novos postos de trabalho no volume e no ritmo necessários, e à modernização das empresas, que destruiu outros tantos postos. No caso da informalidade, o porcentual dos sem carteira assinada ou que trabalham por conta própria cresceu de 44,7%, em 1995, para 47,2%, em 2002, recuando para 45,5%, em 2003. De acordo com alguns analistas do Ipea, o aumento do contingente sem carteira seria explicado pela diminuição da participação da indústria no total da ocupação. Ainda segundo o “Radar Social", os dados mostram que, mesmo na indústria, a proporção de assalariados sem carteira vem se elevando. Já a renda média real dos trabalhadores caiu nos últimos anos, passando de 754 reais em 1996 para 589,90 reais em 2002, ainda que tenha se recuperado parcialmente em 2003, quando chegou a 639,30 reais (em valores reais). Os dados assustam e revelam que todos têm que agir em busca de uma boa posição no mercado de trabalho. Como manter sua empregabilidade Emprego, desemprego e empregabilidade caminham juntos e precisam estar ordenados. Todos, em qualquer fase da vida, têm que estar cientes das necessidades que são importantes para se manter empregado como atualização de informações, fluência em mais de um idioma, novos cursos, atitudes, liderança, aberturas para mudança geográfica, leitura de
  41. 41. 42 jornais, revistas, telejornais, capacidade de lidar com o público, bom relacionamento inter pessoal, entre outros. Essas são as condições mínimas para se conseguir um emprego atualmente. A empregabilidade pode ser entendida como sendo os valores de um profissional perante o mercado, as qualidades que irá agregar à empresa. Uma pessoa à procura de um emprego, não deve ficar sentado ou ao telefone esperando a oportunidade chegar. Leia uma matéria no jornal a respeito de uma empresa e ligue para a presidência oferecendo uma solução para algum problema. Crie a sua vaga. As pessoas têm que parar de pensar no passado, precisam olhar o futuro e trabalhar para viver nele. Normalmente, quando se enxerga um horizonte claro, limpo, uma vida fácil e cheia de oportunidades, não há interesse por parte das pessoas em se preparar. Agora, quando a estrada é cheia de curvas, obstáculos, a pessoa tem de estar mais preparada e o Brasil é assim, nunca se sabe quando as curvas irão aparecer. Não há sinalização. Ò Brasil muda e não avisa. As pessoas têm que estar preparadas para as mudanças. Mas sempre há esperança. Como comentamos, o Brasil é um adolescente como país democrático comparado às vidas da Europa, EUA e Japão. Está em sua primeira vida e a esperança acontece porque se espera que o país saia da adolescência e entre na fase adulta. Que amadureça. Anseia-se que essa transição seja rápida, porque se aconteceu em outros países, também existe a possibilidade de o Brasil se desenvolver ainda mais. Culturalmente, o povo desses outros países foi preparado para essas mudanças, de crescimento e o Brasil ainda não. Faltam estrutura, saneamento, educação, saúde, então como se acelera o amadurecimento das pessoas? Só tempo, vivência, experiência para antecipar e criar mais maturidade e mais preparo na empregabilidade. Há uma necessidade de um amadurecimento mais rápido dos adolescentes que estão na primeira vida também. Os indivíduos precisam se acostumar com a idéia de que nenhum emprego é eterno. Ele precisa ser visto como algo transitório, de pouca duração. Estatisticamente, sabe-se que o tempo médio para o emprego de um presidente de uma empresa, por exemplo, é de dois anos, imaginem então para o restante dos funcionários. A estatística mostra também que a média de um emprego, nos próximos 10 anos, para um cargo normal é de quatro a seis anos, ou seja, uma pessoa com 60 anos poderá trabalhar em 10 diferentes empregos. Mentalizem que vocês terão empregos diferentes e se preparem para isso, para estar em transição. Comande a situação, atente para outras oportunidades e planeje. Antes de o mandarem embora, saia da empresa e busque outro emprego. Dedique parte do seu tempo a pesquisar novas alternativas. O planejamento financeiro também é importante. O ideal é começar a trabalhar esse assunto quando se está ainda na faculdade e tentar economizar,
  42. 42. 43 desde então. Essa economia vai ajudar na fase de desemprego. Seguro desemprego e fundo de garantia acabam rápido e por isso você tem que se preparar financeiramente. Se você está trabalhando agora, veja que daqui a seis anos poderá ficar desempregado, crie uma reserva e caso fique sem emprego, terá uma economia que irá lhe permitir sobreviver no mínimo durante seis meses. Vamos a algumas dicas importantes para que você mantenha sua empregabilidade. Atualização de Informações Todo o dia temos que nos preparar para aprender algo novo. É necessário também registrar e não apenas ouvir um conhecimento. Cursos em módulos pequenos e em áreas diferentes das estudadas até então são fundamentais para o indivíduo se inteirar e até atuar em áreas diferentes das suas, se houver oportunidade. Participe de palestras fora de sua realidade profissional. Quanto mais conhecimento tiver, mais oportunidades poderão aparecer...Conheço um engenheiro, que era de uma família de artistas, e em determinada fase da vida resolveu prestar medicina e se formou médico. Parece estranho, mas depois descobre-se que esse engenheiro que virou médico conseguiu construir os mecanismos de implantes de válvulas do coração. Existe uma engenharia nesse processo e talvez um médico ou um engenheiro não conseguissem enxergar, com a mesma rapidez, esse mecanismo se estivessem sozinhos... Aparentemente duas áreas totalmente diferentes se uniram pelo conhecimento amplo de uma pessoa. É importante enfrentar as barreiras encontradas nos caminhos bem como criar novos caminhos! Outro ponto relevante é que o profissional crie situações de aprendizados. Uma ferramenta importante e simples para mim é o rádio. Enquanto estou no trânsito, sintonizo umas três estações de rádio e ouço várias notícias a partir de óticas diferentes. Estou sempre ouvindo, me educando, adquirindo informações e conhecimento. Quando cheguei no Brasil o rádio foi meu grande aliado. Queria aprender o idioma e prestava muita atenção no que era falado. Busco notícias dentro do meu carro, não busco músicas como a maioria. Mas cada um deve encontrar seus métodos de conhecimento. Ser voluntário em ações sociais é uma ótima oportunidade de conhecer a realidade. Atuar como voluntário não requer simplesmente uma formação profissional, mas uma sensibilidade e uma consciência que deve estar sempre presente naquele que deseja fazer algo pelo seu país. O voluntário é um importante agente de transformação social,
  43. 43. 44 principalmente em países tão desiguais como o Brasil; ele não só colabora com os necessitados, mas aprende muito também por meio de ricas experiências. Qualquer pessoa, independente do cargo que ocupa, tem que estar informada. É notável que, hoje, as informações “corram” atrás das pessoas. Há muita informação em todo lugar e a todo o momento e, por isso, é importante selecionar o que deve ser absorvido. O advento da Internet tornou-se ótima fonte de informação, mas é preciso usá-la de maneira cuidadosa. Administração do tempo A maioria das pessoas diz que não tem tempo para fazer tudo de que precisa. Mas o interessante é que todos têm as mesmas 24 horas, 7 dias por semana e 365 dias por ano. É igual para todo mundo. A diferença, entre outros aspectos, está na boa administração do tempo. Muitas pessoas de sucesso são aquelas que conseguem melhor administrar seu tempo, conseguem dedicar o seu tempo, de maneira equilibrada, para cada evento da vida como lazer, educação, família, trabalho. Atualmente, percebemos que muitos indivíduos dedicam a maior parte do tempo apenas ao trabalho e se esquecem dos relacionamentos com pessoas, amigos e família e isso não é bom. Criar o hábito do relacionamento é importante. No passado, o telefone era a única maneira de encontrar uma pessoa. Hoje temos o celular e o e- mail, que dinamizam a comunicação. Outra dica que dou é para as pessoas se organizarem antes de começarem a administrar seu tempo. Anotem tudo em uma agenda. Administrar o tempo parte de um agendamento. Agenda eletrônica, computador, celular, existem várias ferramentas que podem ajudá-los. Essa administração do tempo também irá mostrar às pessoas que tipo de profissional você é. Um segredo é saber usar o tempo de maneira produtiva, faça-o render. Agende o seu dia, crie uma rotina de atividades e saiba priorizar suas atividades. Alguns assuntos são mais importantes que outros. Você inclusive deve se programar para o inusitado, o imprevisível. Há pessoas que assumem mais responsabilidades do que podem cumprir. Cada um tem seu ritmo e deve respeitar seu relógio biológico. Essa administração tem que ir ao encontro das pessoas com quem você interage. As pessoas estão interagindo umas com as outras em países diferentes, em video-conferências, e todos têm que se adaptar. Outro ponto é o aprender a dizer “não”. As pessoas precisam aprender a dizer: não dá tempo, não consigo, não posso fazer isso hoje, apenas amanhã e assim por diante. As pessoas de maior sucesso, mesmo com uma aparente desorganização, têm uma boa administração de tempo. Vejam Carlos Ghosn, presidente da Renault e da Nissen. Administra
  44. 44. 45 duas empresas, uma em Paris, outra no Japão, ou seja, no mesmo dia ele administra dois dias: o dia da França e o dia do Japão. Ele precisa estar organizado, saber delegar tarefas e por isso eu afirmo que você deve assumir apenas aquilo que conseguirá cumprir, por isso peça ajuda às pessoas. Administrar o tempo significa organizar o dia, visando dinamizar a concretização de objetivos e metas de um ser humano com mais eficiência. Qualquer planejamento, por mais simples que seja, precisa ser bem administrado com relação a prazos, do contrário corre-se o risco de desperdiçar recursos e energia com a má utilização do tempo ou mesmo não conseguir realizá-lo. O correto aproveitamento do tempo não envolve somente planejamentos, mas a própria vida diária. É na organização básica vivida no dia-a-dia que se aprende e se adquire habilidade em administrar o próprio aproveitamento do tempo. Quem não tem organização pessoal acaba perdendo muitas oportunidades, desperdiçando recursos em excesso e direcionando esforços para as atividades erradas. O resultado muitas vezes é um estado de estresse, desmotivação e ineficiência geral. Organização e administração do tempo devem caminhar juntas para um bom planejamento e para uma atuação eficiente no mercado de trabalho. Inter-relacionamento pessoal Os grupos sociais existem desde a Antiguidade e até hoje estão cada vez mais presentes na sociedade. Quando o homem nasce já se encontra inserido em um grupo: a família. Depois passa a fazer parte de diferentes grupos. Aparece o grupo de amigos, da escola, do inglês, do futebol, da igreja. Pessoas diferentes que apresentam idéias em comum ou apenas se aproximam por algum motivo passam a participar dos chamados grupos sociais, que não se formam necessariamente de maneira estruturada, ou seja, os grupos não são formados por pessoas com as mesmas ideologias, crenças, pensamentos e atitudes. Pelo contrário, é um encontro de diferenças. É importante destacar que essas diferenças são importantes para qualquer aprendizado, mas é fundamental que haja um elo de ligação entre as pessoas.Respeito, confiança e compreensão das diferenças e dos limites são importantes para o bom andamento de um grupo. Ninguém é igual ao outro e isso é rico. Temos que observar os pontos positivos das pessoas e não elevar os negativos. Precisamos trabalhar com os pontos positivos das pessoas diferentes. Recentemente, participei de uma palestra onde um profissional apresentou dados que mostram que as pessoas estão voltando para dentro de casa. A violência está criando situação
  45. 45. 46 de medo e perplexidade e fazendo com que os indivíduos comprem produtos e serviços para viverem dentro de suas casas. Como estão se fechando, o processo do inter-relacionamento pessoal, de ampliar seu grupo de amigos fica abalado. As pessoas não encontram as outras, têm medo do desconhecido. Outras maneiras precisam ser encontradas para a manutenção dos grupos e ampliação das redes de relacionamento. Da mesma maneira acontece com as empresas, que também estão se fechando. O individualismo é o modismo de hoje. A pessoa tem que ser auto-suficiente em sua educação, informação, trabalho. Em 2005, estamos na fase do individualismo, o que não quer dizer que daqui a alguns anos as pessoas não voltarão a fazer parte de grupos. Nada é estanque, é uma constante adaptação. Outro ponto negativo e comum da sociedade atual é a competição. A concorrência é grande, as empresas são cobradas por resultados rápidos, e agem a curto prazo e aquelas que administram adversidades dentro de seu grupo respeitam os funcionários, têm sucesso. Os líderes dentro dos grupos também têm papel fundamental, porque serão seguidos pelos outros. Devem ter visão, serem atualizados e trabalharem bem os conflitos de forma que os conflitantes sintam-se satisfeitos. Outras dicas para manter a empregabilidade Saia do anonimato. Apareça mais: ninguém é lembrado se não é visto. Portanto, fale, opine, diga o que pensa e dê sugestões que possam melhorar alguma coisa na sua empresa ou mesmo no ambiente de trabalho; Desenvolva a habilidade de falar em público e o raciocínio lógico: a argumentação é extremamente importante para que você possa apresentar suas idéias. Você pode não gostar muito de falar em público, mas se treinar irá aprender; Leia muito: a leitura ajuda a melhorar o vocabulário; Saiba ouvir: tão importante quanto falar bem é saber ouvir; Procure oportunidades de crescimento dentro da empresa: relacione-se bem com todos e mostre interesse de atuação em outras áreas;
  46. 46. 47 Controle a ansiedade e o estresse: não misture problemas pessoais com os profissionais. Mantenha o controle diante de imprevistos; Não se acomode: esteja constantemente em busca de novos conhecimentos. Desemprego Até 1900, no Brasil e em quase todos os países do mundo, toda população trabalhava e exercia alguma atividade na sociedade. A existência de desempregados era tratada pela sociedade como caso pejorativo. Eram casos isolados de pessoas preguiçosas ou de gente que não queria trabalhar. Havia trabalho para todos. Assim, até o século XX, o desemprego era voluntário. Só não trabalhava se não quisesse. A partir da crise do capitalismo de 1930, pela primeira vez na história aparece o desemprego como conseqüência do funcionamento do capitalismo e de uma grave crise social, em que milhares de pessoas perderam o trabalho e passara a ser desempregadas involuntariamente. Em 2005, a situação não mudou. O desemprego continua a assustar os cidadãos. Uma matéria divulgada na Folha Online, no dia 24 de maio de 2005, mostrou que pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego subiu na região metropolitana de São Paulo em abril, passando de 17,3% em março para 17,5% da PEA (População Economicamente Ativa). Essa elevação pode ser explicada pela entrada de 107 mil pessoas no mercado de trabalho, que foi maior que as 69 mil vagas abertas no mês anterior, segundo o Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). De acordo com a análise, houve um aumento de 38 mil no número de desempregados, que foram estimados em 1,753 milhão na região metropolitana de São Paulo. Outro ponto relevante é que, em abril, a indústria eliminou 3 mil postos de trabalho, o que representou uma baixa de 0,2% no nível de ocupação do setor. Já o setor de serviços criou 53 mil vagas e os chamados outros setores ─ que inclui construção civil e serviços domésticos ─ abriram 24 mil vagas em março de 2005. Por outro lado, houve a eliminação de 5 mil postos de trabalho no comércio. Sabendo dessa realidade, sugiro que, antes mesmo de perderem o emprego, busquem a orientação de um coach, profissional especializado em ajudar pessoas a se tornarem mais do que acham que podem ser. O coach vai ser seu orientador e ajudá-lo a estar bem colocado
  47. 47. 48 no mercado, trabalhando a sua imagem e os seus talentos. Caso você tenha ficado desempregado, sugiro que, além de recorrer a sua lista de amigos, procure uma empresa de recolocação profissional para orientá-lo. A busca de uma nova oportunidade é sempre um momento difícil. A pessoa passa por uma revisão de seus paradigmas pessoais e profissionais. É um momento de reflexão, de avaliações e também de planejamento. Converse com a família, corte ou diminua gastos desnecessários, faça novamente um planejamento financeiro, descanse e aja. Não espere a oportunidade bater em sua porta. Vá atrás dela. Neste tempo de procura, mantenha-se informado e atualizado em sua área. Se possível, faça novos cursos e novos contatos profissionais. Jamais se envergonhe de estar desempregado, afinal desemprego não é sinônimo de incapacidade. É apenas uma triste realidade do país. Avalie sua performance ao longo do tempo; Identifique pontos fortes e pontos a serem melhorados; Redesenhe sua carreira na mesma área, com um enfoque mais alinhado com a realidade do mercado de trabalho; Crie oportunidades de emprego em empresas; Veja quais competências você não tem no momento, mas que são necessárias em sua área de atuação e procure desenvolvê-las; Faça cursos na sua e em outras áreas; Retome o contato com amigos e conhecidos; Atualize-se sempre. Lembre-se de que o desemprego não escolhe a quem atingir e que tanto os recém- formados quanto os mais experientes podem ser pegos de surpresa. Porém, uma recente pesquisa divulgada por uma empresa de recolocação constatou, em uma análise feita com
  48. 48. 49 mais de 300 empresas, que há sim discriminação com os mais velhos. Cerca de 70% delas responderam que preferem pessoas mais jovens em cargos de nível médio. Aqueles que não são promovidos a diretor ou presidente têm poucas chances de permanecerem nas companhias quando ultrapassam os 50 anos, diz a pesquisa. O estudo revelou, também, que em média todos os demitidos tinham cinco anos a mais que os recém-formados. Atualmente, as posições de gerência são ocupadas por apenas 15% de profissionais com mais de 50 anos, afirma o documento. Essa discriminação acontece, acredito, porque o custo do executivo maduro é mais alto. Executivos de 50 anos de idade, por exemplo, custam de 50 a 100% mais do que um executivo de 30 anos, para o mesmo cargo. Diante dessa informação, mantenho a minha opinião de que todos devem planejar-se pessoal, profissional e financeiramente para as duas vidas. Se você tem mais de 40 anos, o primeiro requisito para solucionar seu problema de desemprego é ser flexível. Considere a idéia de trabalhar como prestador de serviço, autônomo ou dono do seu próprio negócio. Se você está na primeira vida, vá em frente e não desista no primeiro obstáculo.

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